6 séries de TV temáticas para você assistir neste Halloween

O Haloween já está quase aí (é nesta terça31 de outubro) e não poderíamos deixar de celebrar, aqui no Caí da Mudança, uma das datas comemorativas mais populares do ano – relembre o especial que preparamos há dois outubros com muita música, filmes, jogos e livros. Assim, e após um intenso 2017 maratonando algumas dezenas de séries de TV, conseguimos separar meia dúzia que não falhará ao levar para o conforto da sua casa toda a obscuridade que é comum a este grande evento sobrenatural.

Ficou interessado? Então confira, a seguir, quais são as nossas 6 dicas infalíveis de séries para assistir neste Dia das Bruxas, e não se esqueça de clicar em cada uma das imagens para assistir ao seu trailer respectivo:


Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!


(Trash)

ASH VS EVIL DEAD (2015 – presente)

Exibida: pelo canal Starz! / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 20 / duração por episódio: 30 minutos

Desenvolvido por: Sam Raimi, Ivan Raimi e Tom Spezialy

Carnificina e humor negro são, sem sombra de dúvidas, os lemas que regem esta grotesca “Scream Queens” para adultos que abre a nossa serielist especial de Halloween! Gravada como uma sequência para os loucos acontecimentos que desencadearam a franquia “Evil Dead”, a superprodução da Starz! narra os passos dados pelo já conhecido Ash Williams (Bruce Campbell), o protagonista e único sobrevivente da trilogia de filmes iniciada pelo memorável “A Morte do Demônio” (1981).

Na série, Ash é um velho solteirão que leva uma vida bem mais ou menos e, trinta anos mais tarde, ainda lida com a triste perda de seus melhores amigos para os deadites do “Necronomicon Ex-Mortis”, o livro dos mortos. Porém, não demora muito para a negligência do “herói” vir à tona e condenar o país com uma infestação de novos demônios sedentos por carne fresca. Sentindo o peso de sua responsabilidade para com a humanidade, Williams vê em Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo) o auxílio que nunca teve para enfrentar o mal e restabelecer a paz de uma vez por todas – isso, é claro, se conseguir contornar os inúmeros obstáculos que aparecem em seu caminho.

Por incrível que pareça, o Ash Williams de “Ash vs Evil Dead” é interpretado pelo mesmo ator que protagonizou os clássicos do terror das décadas de 80 e 90. Contando, ainda, com Lucy Lawless e Ted Raimi no elenco (ambos de “Xena, A Princesa Guerreira”), a comédia é feliz ao trazer Sam Raimi, o criador da franquia, na produção executiva e direção/roteirização do episódio piloto. Com muito sangue, tripas e uma senhora trilha-sonora, qualidade é a palavra-chave para este show imperdível que já possui uma 3ª temporada prevista para fevereiro de 2018.

(Cult)

BATES MOTEL (2013 – 2017)

Exibida: pelo canal A&E / situação: encerrada

Nº de temporadas: 5 / nº total de episódios: 50 / duração por episódio: 45 minutos

Desenvolvido por: Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano

Quem já assistiu ao agoniante “A Órfã” (2009) com certeza acabou se surpreendendo com o show de atuação dado por Vera Farmiga. Porém, o que ninguém esperava é que a irmã mais velha da também atriz Taissa Farmiga fosse consolidar o seu nome tão repentinamente ao co-protagonizar e co-produzir executivamente a aclamadíssima prequela do clássico “Psicose” (1960). Dando vida à desequilibrada Norma Bates, a veterana reencarna na série a mãe do maior homicida hollywoodiano de todos os tempos: o inigualável Norman Bates – interpretado brilhantemente pelo Freddy Highmore, o Charlie de “A Fantástica Fábrica de Chocolete” (2005).

Passando-se alguns anos antes dos trágicos acontecimentos narrados pelo filme de Alfred Hitchcock, em “Bates Motel” acompanhamos a turbulenta vida dos Bates após a morte de Sam, marido de Norma e pai de Norman. Deixando o passado para trás em busca de um recomeço, mãe e filho se mudam do Arizona para o Oregon e, ao comprar/gerenciar um velho hotel, decidem que este será a atual fonte de seu sustento. Tudo daria certo, é claro, se os planos de diversos moradores da cidadezinha de White Pine Bay não interferissem no caminho da família e colocassem em risco o negócio recém-aberto e já sentenciado à falência.

Além de rejuvenescer a pegada cult de “Psicose” ao levar a trajetória de Norman e Norma para os dias atuais, “Bates Motel” nos apresenta a um terceiro personagem principal totalmente inédito: Dylan Massett (Max Thieriot), o filho perdido de Norma. Apesar de nos ganhar com uma fotografia incrível e um cenário realístico que faz muito jus à obra-prima de Hitchcock, é a química entre Farmiga e Highmore que concede à atração do A&E o tom necessário para prender o telespectador imediatamente.

(Vitoriano)

PENNY DREADFUL (2014 – 2016)

Exibida: pelo canal Showtime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 3 / nº total de episódios: 27 / duração por episódio: 55 minutos

Criado por: John Logan

Se existe um programa de TV que todo amante do horror, do drama e dos folclores europeu e norte-americano deveria conhecer é “Penny Dreadful”. Aliás, você pode nem saber, mas o próprio título da série já nos entrega uma palinha sobre o conteúdo abordado em seus episódios tão bem produzidos. Isso porque penny dreadfuls nada mais são senão as já extintas publicações inglesas do século XIX que traziam contos de ficção e horror sob a singela bagatela de um penny (a moeda da Inglaterra). Daí a expressão “centavos de terror”.

Malcolm Murray (Timothy Dalton) é um rico explorador que vive no Reino Unido e dedica seus dias a encontrar Mina (Olivia Llewellyn), sua filha desaparecida. Vivendo sob o mesmo teto que Sembene (Danny Sapani), seu criado, e Vanessa Ives (Eva Green), uma velha conhecida da família, o trio logo descobre que os rastros deixados pelo desaparecimento da garota escondem muito mais mistérios que a razão humana poderia explicar. Assim, não resta muitas opções ao grupo senão recorrer à ajuda do egocêntrico Victor Frankenstein (Harry Treadaway), um médico recluso que dedica seu trabalho a entender a morte, e do charmoso norte-americano Ethan Chandler (Josh Hartnett), um homem de poucas palavras com um talento nato para armas de fogo.

Com um tom obscuro que ampara a temática gótica perfeita, a produção se destaca não apenas pelo enredo fascinante, maquiagem de primeira e cenografia impecável, mas também por um elenco competente que se supera a cada novo episódio (principalmente pelas atuações de ouro dos inigualáveis Eva Green, Billie Piper e Rory Kinnear). Literariamente falando, “Drácula”, “O Retrato de Dorian Gray”, “Frankenstein” e “O Médico e o Monstro” são apenas algumas das muitas obras retratadas no decorrer do show.

(Gore)

SLASHER (2016 – presente)

Exibida: pelos canais Super Channel, Chiller e Netflix / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 16 / duração por episódio: 50 minutos

Criado por: Aaron Martin

Quem diria que após uma 1ª temporada interessante (mas com um elenco miserável) a antológica “Slasher” sobreviveria para contar história e renovar-se-ia em um dos melhores lançamentos de 2017. Agora condecorada com o selo de qualidade da Netflix, o título original da canadense Super Channel não teve medo algum de descartar 99,9% de seu time anterior de protagonistas (apenas Christopher Jacot teve um papel de destaque em ambas as temporadas) e apostar as suas fichas em uma roupagem totalmente diferente para a nova season que estreou neste ano.

Enquanto em “Slasher: The Executioner” somos levados para uma cidadezinha do interior atormentada por um serial killer que mata suas vítimas tomando por base os sete pecados capitais, em “Slasher: Guilty Party” acompanhamos cinco ex-monitores de acampamento que retornam para seu antigo local de trabalho a fim de resolver algumas pendências do passado. Sediando, atualmente, uma comunidade espiritual que abriga um grupo bem peculiar de desajustados, o lugar até então pacato vai, aos poucos, encharcando-se com o sangue derramado por um assassino misterioso que tira a vida de suas vítimas com uma brutalidade descomunal.

Uma clássica referência aos filmes slasher dos anos 70 a 90 que tem como regra o gore (“Halooween”, “Sexta-feira 13” e “A Hora do Pesadelo”), “Slasher” é a dica perfeita para quem possui um estômago de ferro capaz de aguentar as pesadas cenas de pura violência explícita que invadem a tela sucessivamente. Apresentando-nos a personagens muito mais carismáticos e a um plot twist digno de cinema, a 2ª temporada da série é eficiente ao nos emergir em sua narrativa e causar-nos o tão desejado desconforto que é próprio deste subgênero tão polêmico do terror. Não que a 1ª seja de todo descartável, mas desde já adiantamos que a atuação do elenco principal é um tanto quanto intragável…

(Bizarro)

CHANNEL ZERO (2016 – presente)

Exibida: pelo canal SyFy / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 12 / duração por episódio: 45 minutos

Criado por: Nick Antosca

Outra série antológica que merece sua total atenção e segue como um dos melhores lançamentos dos últimos dois anos é a quase desconhecida do público “Channel Zero”. Exibida pelo canal de TV à cabo SyFy, a sinistra criação de Nick Antosca retrata, em cada temporada, uma creepypasta diferente. Creepypastas são nada mais nada menos que histórias macabras encontradas na internet que se passam por lendas urbanas dos dias de hoje. Se verídicas ou ficcionais, ninguém sabe ao certo.

Com muita ousadia e criatividade, os produtores do show foram muito perspicazes ao readaptar a tenebrosa Candle Cove para sua grade televisiva (leia a creepypasta original na íntegra). Em “Channel Zero: Candle Cove” seguimos os passos de Mike Painter (Paul Schneider), um psicólogo infantil que retorna para sua cidade natal a fim de descobrir se o desaparecimento de seu irmão gêmeo, quando criança, está relacionado a um estranho programa de TV que foi ao ar naquele mesmo período. Opostamente, é numa ambientação totalmente diversa (mas ainda bizarra) que “Channel Zero: No-End House” narra a história de Margot Sleator (Amy Forsyth), uma garota órfã de pai que acaba indo parar na inexplicável Casa Sem Fim: uma construção enigmática com seis cômodos que guardam, cada qual, um horror diferente (leia a creepypasta original).

Com nomes sólidos em seu elenco que incluem Fiona Shaw (a Tia Petúnia de “Harry Potter”) e John Carroll Lynch (o Palhaço Twisty de “American Horror Story: Freak Show”), “Channel Zero” sabe como mexer com nosso psicológico minuciosamente, despertando sensações e criando experiências apavorantes. A má notícia é que cada season conta com apenas 6 episódios; a boa é que a superprodução já foi renovada para mais 2 novas temporadas, sendo que a 3ª deverá estrear já em 2018 sob o título “Channel Zero: Butcher’s Block” (confira a primeira prévia liberada).

(Baseado em fatos reais)

THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES (2015)

Exibida: pelo canal Lifetime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 1 / nº total de episódios:/ duração por episódio: 45 minutos

Produzida por: Michael J. Mahoney e Stanley M. Brooks

Por fim, é para fechar com chave de ouro que encerramos a nossa serielist de Halloween com “The Lizzie Borden Chronicles”, a sanguinária minissérie do Lifetime que fez questão de dramatizar um dos casos policiais mais inquietantes da História dos EUA. Gravado como uma sequência para o longa-metragem “A Arma de Lizzie Borden” (2014), tanto série quanto filme entram em detalhes sobre o cruel assassinato de Andrew e Abby Borden, o casal assassinado em 1892 com 11 machadadas ele e 19 ela. Apesar de as investigações terem sido inconclusivas, o maior suspeito pelos crimes foi a própria filha de Andrew, Lizzie, que na data dos fatos tinha 32 anos.

Se em “A Arma de Lizzie Borden” ficamos em dúvida se a moça teria de fato matado seu pai e madrasta, em “The Lizzie Borden Chronicles” temos a certeza absoluta disso. Passaram-se apenas quatro meses de sua comentada absolvição, mas Lizzie (Christina Ricci) e sua irmã mais velha, Emma (Clea DuVall), ainda tentam recomeçar suas vidas em meio à popularidade negativa que adquiriram em Fall River, Massachusetts. Decidida a manter seu status perante à sociedade, Lizzie logo percebe que não será nada fácil concretizar seus objetivos com tantas pessoas em seu encalço prontas para tirar proveito de sua fama. Bem, se ao menos esse pessoal conhecesse o sangue frio que corre pelas veias da Srtª Borden e sua inescrupulosa habilidade com armas brancas…

Além de dar vida à Lizzie Borden em ambas as produções, Christina Ricci também trabalhou como co-produtora executiva da série ao lado de Judith Verno. Sustentando uma atuação fenomenal que lhe rendeu a aclamação da crítica, a atriz nunca esteve tão poderosa em um papel que fosse capaz de explorar tão bem seu talento nato para o horror. Até porque, convenhamos, uma vez Wandinha Addams… sempre Wandinha Addams.


E aí, você já conhecia essas superproduções de terror? Acha que nos esquecemos de alguma? Conta pra gente quais são as suas recomendações para este Halloween, seja para séries, filmes, livros ou quaisquer outras atrações.

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Sem perder o foco, Manu Gavassi salva o pop nacional e se reinventa no incrível novo álbum “Manu”

Quem acompanha a indústria musical certamente já deve ter percebido que este ramo se tornou, em pouquíssimo tempo, num dos mercados mais abrangentes do universo artístico. Em tempos em que a diversidade foi conquistada e é celebrada abertamente, a tecnologia e a acessibilidade abriram portas que recebem, diariamente, milhares de jovens talentos interessados em seguir a tão sonhada carreira profissional. É assim no exterior e que não poderia ser diferente no Brasil, por mais que o pop nacional permaneça bem carente de nomes interessados em produzir um som de qualidade.

Reunindo um time competente de produtores, aprimorando sua escrita e reinventando-se da imagem que adquiriu quando era uma mera colaboradora da revista Capricho, é com maestria que Manu Gavassi protagoniza a nossa resenha especial desta semana. Atualmente promovendo o 3º disco de inéditas de sua carreira – o “Manu” –, a moça também se desdobra em diversos projetos paralelos e revela-se um dos nomes mais multifacetados do cenário cultural nacional. Quer saber um pouco mais sobre a atual fase vivida pela promissora sensação do pop brasileiro? Então vamos lá!

Precedentes e caminho independente com “Vício”:

Se você já ouviu falar sobre Manu Gavassi então definitivamente já associou o nome da cantora ao primeiro grande sucesso de sua carreira: o first single “Garoto Errado”, que não apenas esteve presente no homônimo “Manu Gavassi”, de 2010, como também integrou a trilha-sonora da novela “Rebelde”, da Rede Record. Seguindo os passos daqueles que motivaram sua trajetória musical – dentre os quais podemos destacar desde Sandy à Selena Gomez –, Manu não tardou para fazer a alegria dos fãs e, três anos mais tarde, liberou o seu aguardadíssimo 2º experimento pelos estúdios de gravação: o disco “Clichê Adolescente”. Não se contentando com a trajetória apenas na música, Gavassi foi além e, apenas em 2014, expandiu seus horizontes e aventurou-se como atriz na 22ª temporada de “Malhação” e na novela “Em Família”, ambas da Rede Globo. Neste ano, ela ainda lança o seu primeiro livro: “Olá, Caderno”, pela Editora Rocco.

Entretanto, foi somente a partir do EP independente “Vício” que a paulistana de 24 anos chacoalhou de vez o pop brazuca ao incorporar-se numa nova persona totalmente empoderada e cheia de atitude. Recebendo a produção de ninguém menos que Junior Lima (da dupla Sandy & Junior) e Dudinha, o extended play nos trouxe 5 novas músicas, incluindo o autoral carro-chefe “Camiseta” e a faixa-título cheia de alfinetadas “Vício”. Investindo de vez no synth-pop e assinando a composição de todo o material, Gavassi nunca soou tão à vontade e dona de si em um trabalho que transbordasse tanta contemporaneidade e maturidade. Bem, pelo menos até fechar contrato com uma nova gravadora e lançar o seu 3º álbum de inéditas…

Produções de peso com os melhores do mercado:

Liberado neste primeiro semestre de 2017, no dia 21 de abril, sob o selo da Universal Music, é com a direção artística da própria cantora e de Felipe Simas que “Manu” chegou às prateleiras das lojas nos apresentando à 12 novas músicas impecáveis. Antecedido pelo primeiro single “Hipnose”, o material não fez feio e reuniu as produções de ouro de nomes que incluem Pedro Dash, Marcelo Ferraz, Mãozinha, Umberto Tavares (Anitta, Ludmilla) e Tropkillaz. Compondo todas as canções com uma versatilidade única – e sendo acertadamente auxiliada por Ana Caetano, do Anavitória, em uma faixa aqui e outra acolá –, Gavassi aborda temas como amor, flerte e inseguranças com uma honestidade incomparável.

Rendendo-se de vez ao dance-pop tão popularizado nas rádios gringas de todo o planeta, a moça chegou a revelar, em entrevista concedida à revista “Glamour”, que este “é como se fosse o primeiro CD. No primeiro, eu tinha 16 anos, não sabia da parte visual, identidade visual… Neste, eu pude participar de tudo: dos arranjos, escolher os produtores. Foi diferente de tudo que eu já tinha vivido”. Sobre suas inspirações na hora de compor, ela contou ao “Correio Braziliense” que ouviu muito Melanie Martinez, Lily Allen, Lorde, Justin Bieber e Selena Gomez, concluindo que “sempre ouvi muita música pop”. E, realmente, é nessa vibe bem dançante e contagiante à la “Purpose” que “Manu” chega a nossos ouvidos e nos conquista desde o primeiro play.

As incríveis nudes de Manu:

Casando perfeitamente instrumentais intensos ao doce vocal de sua intérprete, “Manu” não economiza nos hits e proporciona ao ouvinte a sensação única de conferir “o que de melhor bomba lá fora” numa versão genuinamente brasileira. Sob a condução de composições sólidas que dizem muito sobre a boa e atual fase vivida por Gavassi, o álbum não perde tempo e de cara nos introduz aos devaneios de uma mulher poderosa que sabe realmente o que quer. Aliás, se pudéssemos escolher uma palavra-chave para caracterizar o disco como um todo, esta definitivamente seria ousadia – seja pela parte lírica, seja pela visual. Despindo-se do machismo que é inerente à sociedade em que vivemos, não é necessário muito esforço para entender que o nu de “Manu” vem exatamente para reforçar uma forte e importante mensagem de autoaceitação e bem-estar com o seu próprio corpo.

Exalando sensualidade e confiança da primeira à última faixa, o material é certeiro ao abrir os trabalhos com a supermoderna “Hey”, a candidata perfeita para 3º single desta nova era. Passando pela queridinha “Hipnose”, é num ritmo totalmente comercial que somos dirigidos para a primeira colaboração de Manu com a Ana Caetano: a radiofônica “Perigo”. Culminando em “Muito Muito” (a atual música de trabalho da moça), é com muito desdém que ouvimos Manoela entoar a composição mais atrevida de seu crescente catálogo autoral. Ainda percorrendo este caminho dançante onde a energia parece não chegar ao fim, a viciante “Me Beija” mal começa e logo acaba para dar lugar à “23”, o primeiro ponto de descanso de uma tracklist digna de Carly Rae Jepsen ou da nova Taylor Swift.

O clipe de “Muito Muito” teve direção de João Monteiro e Fernando Moraes

Assim, como quem não quer nada, “Manu” vai aos poucos recuperando o fôlego e, antes de voltar mais provocativo do que nunca com “Mentiras Bonitas”, tem tempo para nos tranquilizar com “Fora de Foco”, a última das três parcerias celebradas com a talentosa integrante do Anavitória (a outra é “Me Beija”). Passando a tocha para “Heart Song”, Gavassi permanece interpretando versos bem fofos antes de dar voz à última de suas gravações mais sexys: a segunda candidata perfeita para single “Ninguém Vai Saber”. Já nos preparando para o adeus inevitável, “Antes do Fim” chega num tom bem intimista que muito nos lembra os clássicos da MPB que não são mais produzidos nos dias de hoje. Quase como uma faixa perdida numa cápsula do tempo, a penúltima canção do material continua reverberando em nossos ouvidos antes de “Aqui Estamos Nós” apontar com diversos questionamentos inteligentes que colocam um ponto final bem melódico ao grandioso sucessor de “Clichê Adolescente”.

A solução que todos estávamos esperando:

Não é preciso ser crítico musical ou entender de música para perceber que o pop, no Brasil, destaca-se negativamente como um dos gêneros mais mal investidos pelos artistas que aqui seguem carreira. Em tempos em que o sertanejo universitário é a primeira escolha entre as duplas que se lançam anualmente no mercado e o funk carioca lidera o número de visualizações musicais do YouTube, mais os gêneros que tanto fazem sucesso lá fora acabam por ser deixados de lado em nossa terra natal. Seja pela pouca visibilidade que as plataformas brasileiras oferecem, seja pela falta de interesse daqueles que apenas engolem os trabalhos internacionais sem nem ao menos digerir, mais e mais negligenciamos os poucos profissionais que se empenham em preencher essa lacuna que há anos permanece nos assombrando.

Assim, acreditamos que não falamos apenas por nós quando reclamamos do quão monótono é ligar o rádio ou ir à uma festa e encontrar sempre os mesmos hits enlatados que o brasileiro consome tão compulsivamente – e o pior: sem nem ao menos dar uma chance para outras sonoridades diferentes. Em um país onde Sandy, Wanessa ou até mesmo a ainda novata Anitta já fincaram suas bandeiras e nos presentearam com alguns dos melhores lançamentos dos últimos anos (e da última década), precisamos cada vez mais dar valor àqueles que utilizam de seus esforços para nos trazer um som cheio de autenticidade.

Porém, nem tudo são lágrimas! Por mais que vivamos na era medieval da música pop brasileira (e este é um fato incontroverso), não podemos nunca perder nossas esperanças, sempre pensando que, por mais difíceis que as coisas estejam, tempos melhores deverão chegar em breve. Se até ontem lamentávamos a ausência de um nome realmente compromissado em dar prosseguimento ao império iniciado por estas super-heroínas cheias de talento, pelo menos agora temos a certeza de que o Brasil possui alguém mais do que competente para salvar os nossos ouvidos dos modismos que parecem nunca chegar ao fim. É com você, Manu Gavassi!

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Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás (#3)

Já não é novidade pra ninguém que acompanha o nosso blog que a música pop se tornou, a longo prazo, uma das temáticas mais frequentes de nossas resenhas e artigos especiais. Assim, dando continuidade a um quadro bastante popular por aqui (mas que no ano passado falhou bruscamente ao dar o ar de sua graça), é com prazer que ressuscitamos o “10 melhores álbuns de 10 anos atrás” com o que é, ao nosso ver, o melhor período vivenciado pela indústria musical contemporânea desde o início dos anos 2000 (reveja as partes 1 e 2).

Voltando para os dias de glória em que as rádios imortalizaram o melhor dos grandes produtores de outrora, é em ritmo de tremenda nostalgia que compilamos, a seguir, 10 discos inesquecíveis que farão você querer entrar em uma máquina do tempo para esquecer tudo o que ouviu recentemente. Ah, e não se esqueça de clicar nas capas dos álbuns para conferir um clipe de cada era, tá bem? Tudo certo? Então prepare-se para relembrar cada um destes hinários que bombaram muito há uma década, começando por:

10) EMPEZAR DESDE CERO – RBD

Gravadora: EMI Music

Lançamento: 20 de novembro de 2007

Singles: “Inalcanzable”, “Empezar Desde Cero” e “Y No Puedo Olvidarte”

Considerações: Conhecido como um dos maiores fenômenos da América Latina de todos os tempos, não é à toa que o RBD rapidamente conquistou milhares e milhares de fãs por todos os países em que a telenovela “Rebelde” chegou a ser exibida. Já experientes após o lançamento de 4 bem-sucedidos discos de estúdio, foi num tom mais intimista que os seis membros do grupo fizeram bonito ao nos entregar esta joia rara que abre o nosso “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Pegando emprestado o tradicional pop-rock chiclete característico de sua própria discografia (principalmente dos discos “Rebelde” e “Celestial”), “Empezar Desde Cero” traz letras mais reflexivas enquanto explora com maestria os vocais de Anahí, Dulce, Maite, Christopher, Alfonso e Christian. Dizendo adeus ao toque bem obscuro do queridinho “Nuestro Amor”, o 5º álbum do sexteto foi o grande responsável por nos apresentar aos hinos insuperáveis “Fuí La Niña”, “No Digas Nada” e “Sueles Volver” – e, ainda, fazer justiça ao dar mais espaço para a talentosíssima Maite Perroni, que pela primeira vez comandou um single (faixa-título) como vocalista principal

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 no “Mexican Albums Chart”, atingindo o #4 na sua quinta semana (número de vendas desconhecido)

9) THE BEST DAMN THING – AVRIL LAVIGNE

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 17 de abril de 2007

Singles: “Girlfriend”, “When You’re Gone”, “Hot” e “The Best Damn Thing”

Considerações: É claro que não deixaríamos a primeira colocada da 1ª parte do nosso especial de fora – ainda mais quando, há exatos 10 anos, pudemos conferir um dos trabalhos mais controversos de toda a carreira de Avril Lavigne. Causando bastante barulho com o lançamento do carro-chefe “Girlfriend” (o qual, curiosamente, tornou-se o único #1 de Avril na “Billboard Hot 100” estadunidense), em “The Best Damn Thing” a canadense não teve medo de deixar o post-grunge totalmente de lado para priorizar um som bem alto-astral puxado mais para o pop e menos para o rock. Contrariando em muito uma significativa parcela de seus fãs que de cara reprovou a mudança repentina no estilo, a Princesinha do Pop-punk não demorou nada para deixar o seu jeito “largada” de lado e adotar uma personalidade cada vez mais provocativa. Musicalmente falando, entretanto, “The Best Damn Thing” foi certeiro e não economizou nos hits, sendo que “When You’re Gone” e “Hot” fizeram bastante sucesso pelo mundo e instantaneamente caíram no gosto popular

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 289.000 cópias na primeira semana

8) DELTA – DELTA GOODREM

Gravadora: Sony BMG, Mercury Records

Lançamento: 20 de outubro de 2007

Singles: “In This Life”, “Believe Again”, “You Will Only Break My Heart” e “I Can’t Break It to My Heart”

Considerações: Você até pode nunca ter ouvido falar de uma das australianas mais talentosas da música internacional atual, mas, Delta Goodrem já havia governado o topo da “ARIA Albums Chart” com seus dois primeiros discos muito antes de repetir o feito com “Delta”. Enterrando seu passado sombrio que havia sido tão bem explorado em “Mistaken Identity” (2004), Goodrem não pensou duas vezes e, com suas energias totalmente recarregadas, tratou de entregar aos fãs um trabalho que realmente refletisse sua triunfal vitória sobre o linfoma de Hodgkin. Transmitindo boas energias em faixas luminosas como “Possessionless” e “God Laughs”, a loira não perdeu tempo e foi além ao nos presentear com um dos singles mais dançantes de sua bem estruturada discografia: a viciante “Believe Again”. Ah, e vale dizer ainda que o “Delta” chegou, inclusive, a estrear na “Billboard 200” estadunidense, na posição #116 (sendo este o único álbum de Goodrem, até o momento, a conseguir tal feito)

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Albums Chart” com vendas de 23.072 cópias na primeira semana

7) HEADSTRONG – ASHLEY TISDALE

Gravadora: Warner Bros.

Lançamento: 6 de fevereiro de 2007

Singles: “Be Good To Me”, “He Said, She Said”, “Not Like That” e “Suddenly”

Considerações: Como se não bastasse ver seu nome decolar após protagonizar a franquia “High School Musical”, Ashley Tisdale deu um show de versatilidade quando anunciou sua carreira solo juntamente ao seu 1º álbum de inéditas, o “Headstrong”. Misturando uma pitada de synthpop a muito dance-pop e R&B da melhor qualidade, Tisdale não se acanhou nos batidões e, totalmente desvinculada de Sharpay Evans, deu ao mundo uma pequena prévia de todo o seu poderio vocal. Mesclando faixas que transbordavam o melhor da música eletrônica de uma década atrás (“He Said She Said”, “Goin’ Crazy”) à baladinhas românticas bem clichês e adolescentes (“Unlove You”, “We’ll Be Together”), a garota prodígio rapidamente passou de “uma das Disney stars mais queridas do mundo” para “um dos maiores sonhos de consumo do público masculino” – quando figurou na lista das 100 mulheres mais sexys de 2008, em #10, pela revista “Maxim”. E isso tudo com pouquíssimo tempo de carreira solo!

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 72.000 cópias na primeira semana

6) HANNAH MONTANA 2: MEET MILEY CYRUS – HANNAH MONTANA/MILEY CYRUS

Gravadora: Walt Disney Records, Hollywood Records

Lançamento: 26 de junho de 2007

Singles: “Make Some Noise”, “Nobody’s Perfect” e “Life’s What You Make It” / “See You Again” e “Start All Over”

Considerações: Mundialmente conhecida como o rosto por trás do sucesso da série de TV “Hannah Montana”, foi somente em 2008 que Miley Cyrus começou a fazer dinheiro por si mesma: quando liberou o disco “Breakout”. Entretanto, o que muita gente desconhece é que, um ano antes, diversas rádios internacionais já tocavam os hits da própria Miley; os quais haviam sido recém-lançados em conjunto à 2ª trilha-sonora do aclamado programa do Disney Channel. Assim nasceu “Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus”, o álbum duplo que trazia 10 novas faixas da popstar adolescente mais famosa da TV e mais 10 novas faixas interpretadas por… Miley Cyrus. Enquanto “Hannah Montana 2” repetiu a dose da primeira soundtrack e trouxe à tona um pop mais fabricado destinado ao público infanto-juvenil, “Meet Miley Cyrus” experimentou uma porção de gêneros que culminou na primeira experiência madura de Cyrus como musicista. Compondo 8 das 20 músicas presentes no trabalho, foi nesta obra que a garota lançou o seu primeiro single, “See You Again”, e nos cativou com as pérolas “As I Am” e “Right Here”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 325.000 cópias na primeira semana

5) GOOD GIRL GONE BAD – RIHANNA

Gravadora: Def Jam Recordings, SRP Music Group

Lançamento: 31 de maio de 2007

Singles: “Umbrella”, “Shut Up And Drive”, “Hate That I Love You”, “Don’t Stop The Music”, “Take a Bow”, “Disturbia” e “Rehab”

Considerações: Não que Rihanna fosse uma total desconhecida quando seu prestigiado “Good Girl Gone Bad” chegou às prateleiras das lojas (até porque os hits “SOS” e “Pon de Replay” já haviam abocanhado o #1 e #2 da “Billboard Hot 100” muito antes disso), mas, não podemos negar que foi após o seu lançamento que a carreira da moça decolou de vento em popa. Auxiliada pelo mentor Jay-Z, que de quebra participou do lead single “Umbrella”, o 3º disco da barbadiana foi tão bem supervisionado que recebeu, ainda, o toque de Midas dos super respeitados Ne-Yo, Justin Timberlake, StarGate e Timbaland. Combinando um visual bastante exótico que somente o Caribe tem a oferecer com o vocal inconfundível da Rihanna, “Good Girl Gone Bad” irradiou um R&B bem gostosinho que com certeza não sai da sua cabeça até os dias de hoje. O sucesso foi tamanho que no ano seguinte o álbum foi relançado sob o nome “Good Girl Gone Bad: Reloaded” contendo as inéditas “Take a Bow”, “Disturbia” e “If I Never See Your Face Again”, com o Maroon 5

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 162.000 cópias na primeira semana

4) BRAVE – JENNIFER LOPEZ

Gravadora: Epic Records

Lançamento: 4 de outubro de 2007

Singles: “Do It Well” e “Hold It Don’t Drop It”

Considerações: Que há anos Jennifer Lopez concilia uma invejável carreira de sucesso em Hollywood com uma multiplatinada trajetória na música todos já estão cansados de saber. Porém, muito antes de migrar para as batidas do electro-pop e conquistar as pistas de dança com “On the Floor” e “Dance Again”, JLo ainda perambulava por um R&B bem mais suave e orquestral, e é esta a sonoridade que pudemos contemplar do início ao fim de “Brave”, o 6º de sua discografia. Solidificando o carro-chefe “Do It Well” como uma de suas canções mais icônicas, foi com bastante requinte e autoconfiança que a norte-americana de sangue latino nos bombardeou com o seu trabalho mais consistente até o momento. Finalmente impondo sua identidade e superando em muito seus álbuns anteriores (que, convenhamos, continham diversas faixas bem “tapa buraco”), Lopez não poupou na afinação e parece ter entregado tudo de si nas brilhantes “Hold It Don’t Drop It” e “Mile in These Shoes”. Destaque, ainda, para a refrescante “Forever” e a emocionante faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #12 na “Billboard 200” com vendas de 52.600 cópias

3) X – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Parlophone Records

Lançamento: 21 de novembro de 2007

Singles: “2 Hearts”, “Wow”, “In My Arms”, “All I See” e “The One”

Considerações: Completando, neste ano, três décadas de estrada, não é novidade para ninguém que a australiana Kylie Minogue é a proprietária de um dos catálogos mais respeitados dentro do meio musical internacional. E, foi há exatos 10 anos que tivemos a grandiosa honra de conhecer “X”, o 10º álbum de estúdio da veterana. Originalmente nomeado “Magnetic Electric”, o aguardadíssimo sucessor de “Body Language” (2003) foi, para Kylie, o mesmo que “Delta” foi para Delta Goodrem; isso porque, assim como a sua conterrânea, Minogue acabara de vencer uma árdua e superexposta batalha contra o câncer (de mama). Contando com a ajuda de profissionais de renome como Bloodshy & Avant, Guy Chambers e Calvin Harris, a voz que dá vida ao sucesso “In My Arms” revelou, à época, que não quis repetir toda a melancolia de “Impossible Princess” (1997) e deu preferência a um som bem mais alegre e contagiante. Seguindo as tendências do electro-pop, “X” é bastante eclético e compõe-se tanto de instrumentais mais sofisticados (como “Like a Drug” e “Sensitized”) quanto de baladinhas suaves e românticas (como “All I See” e “Cosmic”). Extravasando positividade, teve até espaço para “No More Rain”, a sensacional canção composta pela própria australiana no intuito de dizer adeus a seu triste diagnóstico anterior

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Awards” com vendas de 16.000 cópias na primeira semana

2) DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 21 de março de 2007

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”

Considerações: Todo jovem artista que se lança na indústria do entretenimento possui a probabilidade de protagonizar, em determinado momento de sua trajetória, algum programa de televisão voltado ao público infantil. Apesar de Hilary Duff ter passado exatamente por isso, é claro que não demoraria muito para a moça entrar na vida adulta e demonstrar um forte desejo de mudar a sua imagem pública como profissional. Com anseios de amadurecimento, em “Dignity” a nova morena do pedaço conseguiu não apenas elaborar o melhor trabalho de sua carreira como também adquiriu o respeito de todos aqueles que não levavam a sério o seu brilhante engajamento como musicista. Perfeitamente envolvida na produção executiva e composição de seu 4º disco de inéditas, Duff teve tempo de sobra para nos contar um pouquinho mais sobre a separação de seus pais (“Stranger”, “Gypsy Woman”), o rompimento com o próprio namorado (possivelmente a faixa-título) e um feliz incidente envolvendo um stalker russo (“Dreamer”). Com vocais mais contidos combinados a instrumentais dançantes cheios de muita elegância, Hilary nunca esteve tão confortável em um trabalho que exalasse tanta honestidade e autodeterminação

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 140.000 cópias na primeira semana

1) BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 25 outubro de 2007

Singles: “Gimme More”, “Piece of Me” e “Break the Ice”

Considerações: Eis que chegamos ao topo da nossa lista com o que é considerado, por muitos (inclusive por nós do Caí da Mudança), o melhor álbum pop deste milênio. E quando falamos em “Blackout” qualquer elogio definitivamente não é exagero! É curioso, contudo, que o maior nome por trás de sua criação não estivesse com o juízo completamente no lugar quando o carro-chefe “Gimme More” chegou em setembro de 2007 trazendo uma Britney Spears novinha em folha. Vivendo um verdadeiro inferno na Terra, a insubstituível Princesinha do Pop usou e abusou dos sintetizadores enquanto as composições do disco, claramente inspiradas pelas manchetes sensacionalistas dos tabloides da época, se encarregaram de expor uma crítica social e tanto. O sucesso foi tamanho que o 2º single do material, “Piece of Me”, entrou para a setlist de todas as turnês posteriores ao seu lançamento e ainda deu nome à atual residência que a cantora realiza em Las Vegas desde 2013, a “Britney: Piece of Me”. Tudo isso, é claro, não teria sido possível se não houvesse o envolvimento de mestres como Danja, Bloodshy & Avant, Kara DioGuardi, Keri Hilson e Jim Beanz. Em 2012, o “Rock and Roll Hall of Fame” incluiu “Blackout” em sua conceituada biblioteca musical

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 290.000 cópias na primeira semana


BÔNUS) MY DECEMBER – KELLY CLARKSON

Gravadora: RCA Records, 19 Recordings

Lançamento: 22 de junho de 2007

Singles: “Never Again”, “Sober”, “One Minute” e “Don’t Waste Your Time”

Considerações: Por fim, antes de encerrarmos a 3ª parte do “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”, cabe a nós incluir uma importante menção honrosa ao 3º álbum de estúdio da primeiríssima vencedora do “American Idol”, Kelly Clarkson. Bem diferente do pop-rock mainstream que dominou o exitoso “Breakaway” (2004), “My December” aposta toda as suas fichas em uma sonoridade bem mais pesada e expressiva fortemente influenciada pelo rock. Coescrevendo cada uma das 13 faixas presentes na edição standard, Clarkson não teve medo de dar uma pausa nas parcerias de sucesso proporcionadas por Max Martin e Dr. Luke e mergulhou de cabeça por um caminho bem mais intimista que de longe nos fez lembrar o saudoso “Thankful” (2003). Você certamente já ouviu o lead single “Never Again”, que atingiu o #8 da “Billboard Hot 100”

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 291.000 cópias na primeira semana


E aí, deixamos algum trabalho de fora? Em sua opinião quais são os 10 melhores lançamentos de 10 anos atrás? Conte-nos a sua opinião.

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“Blue Exorcist”: vale a pena assistir?

Promessa é dívida! Após adiantarmos para vocês que neste mês o Caí da Mudança receberia dois “Vale a pena assistir?” novinhos em folha, eis que finalmente é chegado o momento de abandonar o ócio e botar a mão na massa. Assim, é com um aperto no coração que nos despedimos de toda a nostalgia noventista proporcionada pela recém-publicada resenha de “Slayers” e, avançando alguns passos para o futuro, abraçamos uma outra franquia tão completa como aquela que dissecamos há quase duas semanas.

A obra que dá nome a este artigo pode até soar estranha para você que não é inteiramente ligado ao universo dos animes, mas, quem já deu uma espiada em Blue Exorcist sabe que não estamos exagerando ao dizer que esta é uma das melhores novidades exportadas pela televisão japonesa dentro destes últimos dez anos. Ficou interessado? Então separa a água benta e vem com a gente descobrir um pouquinho mais sobre esta superprodução oriental de primeiríssima categoria.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes e lançamentos em outros formatos:

Além do anime, “Blue Exorcist” conta com lançamentos em light novel, videogame e até mesmo longa-metragem

Seguindo a regra quase que absoluta da maioria dos animes que remete suas origens à popular indústria dos mangás, “Blue Exorcist” (ou “Ao No Exorcist”) não poderia ser diferente e também já circulava pelas páginas de papel muito antes de ser contemplado com a sua própria versão animada. Publicada pela revista “Jump Square”, da editora Shueisha, desde 2009, a obra conta, até o fechamento deste post, com 19 volumes escritos e ilustrados por Kazue Katō, sob o gênero shōnen.

Bem recebido pela crítica nipônica, a procura por “Blue Exorcist” cresceu tanto em tão pouco tempo que, já em 2013, um segundo mangá spin-off do primeiro (e também shōnen) intitulado “Salaryman Exorcist: The Sorrows of Yukio Okumura” chegou com tudo trazendo a já conhecida roteirização de Katō com as ilustrações de Minoru Sasaki. E não parou por aí! Expandindo-se para outros formatos diversos, os fãs da franquia ainda puderam conferir a light novel “Ao No Exorcist: Weekend Hero” (2011) escrita por Aya Yajima e ilustrada por Kazue; e o jogo que combinava elementos de RPG com visual novel “Blue Exorcist: The Phantom Labyrinth of Time” (ou “Ao No Exorcist: Genkoku no Labyrinth”) para PSP, lançado em abril de 2012 pela Bandai Namco Games.

O rebanho de Satã:

Rin e Yukio Okumura, os herdeiros do Anjo Caído

Mesclando a história narrada pelo mangá a um desfecho totalmente inédito (até por volta do episódio 18, quando as divergências se intensificam), “Blue Exorcist” nos apresenta à saga de Rin e Yukio Okumura, dois irmãos gêmeos órfãos criados desde o nascimento por Shiro Fujimoto, um padre católico. O que muitos desconhecem, todavia, é que o mosteiro em que os meninos cresceram esconde muitos mais mistérios que o imaginado, já que Fujimoto é um renomado exorcista licenciado pelo Vaticano e ambos os garotos escondem uma identidade nada convencional. Isso porque, apesar de gerados por uma mãe inteiramente mortal (Yuri Egin), os irmãos Okumura são descendentes de ninguém menos que o maior de todos os demônios conhecido pela humanidade: o terrível Satã.

Destroçados pela morte prematura de seu pai adotivo pelas mãos do Tinhoso, Rin e Yukio não veem outra saída senão ingressar na Academia da Cruz, uma renomada instituição de ensino que disponibiliza em sua grade um curso avançado para jovens candidatos a exorcistas, os exwires. É lá que a dupla conhece o excêntrico diretor Mephisto Pheles e seus demais colegas de classe, os quais não demorarão a deixar a competitividade de lado para ingressar em seu círculo de amigos. Lidando com as dificuldades inerentes à vida acadêmica de qualquer estudante, cabe ainda aos jovens se unir aos experientes exorcistas da Ordem da Cruz para lutar contra as forças do mal que pretendem unificar os reinos de Assiah (o mundo dos humanos) a Gehenna (o mundo dos demônios).

O primeiro tema de abertura de “Blue Exorcist”

Com direção de Tensai Okamura; produção de Hiro Maruyama pelo estúdio A-1 Pictures; roteirização de Ryōta Yamaguchi e trilha sonora de Hiroyuki Sawano, a 1ª temporada de “Blue Exorcist” foi exibida pela primeira vez de abril a outubro de 2011, pela rede MBS, totalizando 25 episódios e 1 OVA (“Runaway Kuro” / “Kuro no Iede”, lançado em Blu-ray e DVD) de 25 minutos cada. Ah, você encontra na Netflix, ok?

Um pouco mais sobre o Exorcista das Chamas Azuis:

A busca por aceitação que Rin percorre em todo o anime é, sem sombra de dúvidas, um dos pontos altos da produção

Apesar de ambos os gêmeos carregarem o sangue de Satã em suas veias, logo no episódio piloto nos é explicado que apenas Rin herdou os poderes de seu pai biológico, os quais são facilmente identificáveis através de inconfundíveis chamas azuis (daí o nome da franquia). Assim, e a fim de esconder a chamativa aparência não humana de seu primogênito, Fujimoto não pestanejou ao submetê-lo à destreza da Kurikara, uma lendária espada cortadora de demônios responsável por selar toda a essência diabólica de Rin. Vivendo até a adolescência sem saber a verdade sobre o seu passado – apesar de, esporadicamente, atormentado pela cruel dúvida acerca de sua indiscutível estranheza –, é com o assassinato de seu pai adotivo que o menino desperta seu lado mais obscuro e se incumbe da missão de derrotar o Lorde das Trevas.

Entretanto, se engana Rin ao acreditar que seus colegas (e até mesmo o Vaticano) aceitarão sua verdadeira identidade sem questionamentos, já que quase todos à sua volta parecem guardar um forte receio quanto à integridade de suas ações. Incitado a comprovar que é uma pessoa de boa índole, nosso protagonista precisará não apenas encarar o preconceito daqueles que almejam a sua morte como ainda encontrar uma maneira de controlar seus instintos mais primitivos e selvagens. Felizmente, é ao lado de uma antiga discípula de Fujimoto (Shura Kirigakure), de seu próprio irmão e daqueles que acreditam na legitimidade de seus planos que o Exorcista das Chamas Azuis precisará encontrar a inspiração necessária para enfrentar o seu demoníaco destino.

A mais do que bem-vinda “Saga de Quioto”:

Kuro, Rin Okumura e Renzo Shima (frente); Ryuji ‘Bon’ Suguro, Izumo Kamiki, Shiemi Moriyama, Konekomaru Miwa e Yukio Okumura (atrás); Mephisto Pheles e Amaimon (acima)

Concluídos os eventos que foram ao ar em outubro de 2011, foi após quase 6 anos sem novidades na TV que o mesmo A-1 Pictures decidiu fazer o inesperado e reanimou os ânimos de todos aqueles que guardavam um mínimo de esperança para a continuação do anime. Ignorando o desfecho de tudo que aconteceu nos últimos 8 episódios da 1ª temporada (sim, se prepare para “esquecer” um bocado de acontecimentos memoráveis) e seguindo fiel ao que nos é relatado pelos volumes 5 a 9 do mangá, “Blue Exorcist: Kyoto Saga” cortou os fillers de vez e diminuiu drasticamente seu número de episódios (de 25 para 12).

Nos introduzindo a uma nova narrativa com novos vilões e novos personagens secundários, “Kyoto Saga” leva os exwires da Academia da Cruz até a cidade de Quioto, onde eles conhecerão os familiares de Ryuji ‘Bon’ Suguro e Renzo Shima. É lá que o diversificado grupo deverá proteger os olhos direito e esquerdo do Rei Impuro, artefatos das trevas de um poder imensurável que, se combinados, podem desencadear uma catástrofe sem tamanhos.

Com direção de Koichi Hatsumi, roteiros de Toshiya Ōno e trilha sonora de Hiroyuki Sawano e Kohta Yamamoto, a 2ª temporada de “Blue Exorcist” foi exibida de janeiro a março de 2017, pela rede MBS, totalizando 12 episódios e 1 OVA (“Snake and Poison” / “Hebi to Doku”, lançado em DVD) de 25 minutos cada.

“Blue Exorcist” nos cinemas:

Pôster promocional de “Blue Exorcist: The Movie(2012)

Entretanto, muito antes de sermos presenteados com “Kyoto Saga”, Rin e Yukio Okumura já haviam recebido uma outra oportunidade de nos guiar para um novo tour pelas terras possuídas de “Blue Exorcist”. Liberado sob a forma de longa-metragem, “Blue Exorcist: The Movie” (“Ao No Exorcist Movie” ou “Ao No Exorcist Gekijouban”), lançado no dia 28 de dezembro de 2012 (a propósito, um dia após o aniversário dos irmãos protagonistas), conta com 1h30min de duração e teve seu enredo baseado tanto no mangá quanto no anime homônimo.

Animados com os preparativos de um grande festival que é celebrado uma vez a cada 11 anos, os aprendizes do cursinho de exorcistas veem toda sua excitação ir por água abaixo quando inúmeros demônios começam a se manifestar pela cidade. Porém, a situação piora drasticamente com o surgimento de um trem fantasma e de uma tentativa falha de exorcizá-lo, cabendo a Rin a desafiadora tarefa de vigiar Usumaro, um estranho garotinho que, inesperadamente, aparece no meio de toda a confusão. Prontamente dispostos a resolver os conflitos que arriscam prejudicar a realização do festival, logo os membros da Ordem da Cruz descobrirão que os eventos caóticos de agora estão intimamente conectados a uma história infantil do passado que há anos é recontada entre pais e filhos.

Dirigido por Atsushi Takahashi, roteirizado por Reiko Yoshida e produzido em parceria pelos estúdios A-1 Pictures e Toho Studios, “Blue Exorcist: The Movie” contou com a já familiar trilha sonora do mestre Hiroyuki Sawano (o mesmo responsável pelas duas temporadas do anime).

O exorcismo em “Blue Exorcist”:

Apesar de focar num tema considerado polêmico para muitos, a religião mal chega a ser mencionada nos exorcismos de “Blue Exorcist”

A este ponto da resenha certamente já está mais do que claro que demônios e exorcismos são os temas mais presentes em toda o anime. Entretanto, apesar de o Vaticano ser citado com frequência e reaproveitarem bem a cultura cristã para ilustrar diversas situações, é com imenso prazer que podemos dizer que criatividadefidelidade à cultura oriental predominam no espetáculo do início ao fim. Fanatismo religioso então, nem pensar, já que o pessoal por trás da franquia decidiu priorizar mais a questão mitológica do Cristianismo que a espiritual!

Para saber em qual especialidade os exwires da Academia da Cruz irão enfrentar suas batalhas, “Blue Exorcist” utiliza-se da denominação meister (do alemão “mestre”), uma espécie de título obrigatório concedido àqueles que desejam seguir carreira como exorcistas. Assim, e para extrair o melhor de cada aprendiz, 5 são as classes existentes, cada uma destacando uma habilidade distinta. Não importa qual classe o candidato opte: se for aprovado ao menos em uma, já pode ser considerado um exorcista. Assim, a animação traz knights (exorcistas que lutam com espadas); dragoons (armas); tamers (invocando e controlando demônios); arias (recitando a bíblia e outras escrituras sagradas); e doctors (que usam suas habilidades para curar humanos de danos causados por demônios). É dito no anime que Shiro Fujimoto possuía todos os 5 títulos.

O melhor da atualidade:

Com traços modernos e um enredo pra lá de extraordinário, “Blue Exorcist” é uma aventura e tanto para quem se interessa por animações inteligentes e de qualidade

Dando enfoque para as intermináveis cenas de batalha que, como é de se esperar, são mais do que bem executadas, “Blue Exorcist” supera as expectativas do telespectador e não faz feio ao combinar comédia com drama em uma roupagem totalmente sobrenatural. Tem até espaço para uma leve pitada de romance! Isso porque, além de ganhar a nossa atenção com o brilhantismo que é inerente a temática dos exorcismos, Ryōta Yamaguchi, Toshiya Ōno e Reiko Yoshida desenvolvem com maestria toda a narrativa construída por Kazue Katō, o grande nome por trás da franquia.

Como dito acima, até mesmo a 1ª temporada do anime, que é recheado de fillers e diversos pontos originais que divergem da história contada pelo mangá, supera o script original e nos conquista com um toque bem pessoal. É nesta oportunidade que citamos os emocionantes “Garden of Amahara” / “Amahara no Niwa” (S01E04) e “Black Cat” / “Ketto Shī” (S01E10), episódios em que conhecemos um pouco mais da vida de Shiemi Moriyama, a melhor amiga de Rin; e o gato-demônio Kuro, um antigo protegido de Fujimoto. Ainda que a vida de ambas as personagens sejam bastante aprofundadas por estas passagens, não custa nada dar uma chance para todo a animação de uma forma geral, incluindo os dois OVAs, e, é claro, o longa-metragem (que também mistura muito drama com comédia de uma forma fenomenal).

Apesar de nos intrigar com determinadas personas que rapidamente transformam nossa empatia instantânea em ódio gratuito e vice-versa (como o caso do demônio Amaimon, ou até mesmo da complicada Izumo Kamiki), “Blue Exorcist” é uma produção de mão cheia para todos aqueles que são exigentes à construção do roteiro, à qualidade dos traços e até mesmo à caracterização das personagens. Felizmente, o show não deixa a desejar em qualquer requisito e segue firme, como dissemos no começo desta resenha, como um dos melhores lançamentos exportados pela Terra do Sol Nascente dentro destes últimos dez anos. Completíssimo e com um número razoável de episódios (vamos lá, não chega a 40, dá para assistir tudo rapidinho), você definitivamente não se arrependerá de conferir o que de melhor e mais atual a indústria dos animes tem a oferecer ao telespectador de bom senso crítico.

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“Slayers”: vale a pena assistir?

Meu querido leitor, se você já é adulto, e adicionalmente passou da casa dos 20, então é bem provável que tenha crescido na companhia dos saudosos programas infantis da TV aberta que exibiam as sempre populares animações japonesas. Em tempos em que a internet discada mais falhava do que funcionava, a criança que existe aí dentro certamente voltava correndo do colégio só para não perder os episódios que faziam a infância ou adolescência de qualquer um muito mais gostosas.

E é através desse clima de pura nostalgia que selecionamos, após uma extensa maratona, o não tão conhecido anime que dá título ao primeiro “Vale a pena assistir?” deste mês (sim, já estamos planejando um segundo artigo ainda para setembro). Sem maiores delongas, vamos ao que realmente nos interessa: descobrir se você perderá tempo ou não dando uma conferida em Slayers.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes:

Algumas das light novels de “Slayers” (fonte da imagem)

Tendo sua origem há exatos 28 anos, quando ganhou um singelo destaque na revista “Dragon Magazine”, em uma curta narrativa, “Slayers” não demorou muito para se consolidar numa sólida franquia que se estendeu rapidamente para as páginas dos mangás e para a telinha das animações e dos jogos de videogames. Contando, inicialmente, as histórias de Hajime Kanzaka que ganharam vida graças aos traços de Rui Araizumi, a marca não fez feio após sua tímida estreia e conquistou o Japão em 15 volumes veiculados pela renomada publicação da editora Fujimi Shobo, entre os anos de 1990 a 2000, no formato light novel.

Seguida pela duradoura “Slayers Special” (1991-2008), as aventuras de Lina Inverse e seus amigos caíram tanto no gosto popular que levou apenas seis anos para sair da indústria literária e chegar até a televisiva no primeiro e grandioso anime exibido pela TV Tokyo, em 1995. Produzido pelos estúdios E.G. Films e J.C.Staff ao longo de 26 episódios, a direção do homônimo “Slayers” ficou a encargo de Takashi Watanabe (“Lost Universe”), enquanto Takao Koyama foi o responsável por adaptar para a TV os 3 primeiros volumes da precursora light novel. E esta era apenas a ponta do iceberg!

Lina Inverse, o cordeiro em pele de lobo:

Lina Inverse, a protagonista de toda a franquia

Na história que nos é apresentada pelo pioneiro “Slayers” (1995), Lina Inverse é uma jovem feiticeira de apenas 15 anos popularmente conhecida como a maior assassina de bandidos e dragões de que se tem notícia. Temida por todos aqueles que mais cedo ou mais tarde acabam entrando em seu caminho, ela logo faz amizade com o habilidoso Gourry Gabriev, um charmoso e avoado espadachim que acompanha nossa jovem protagonista ao longo de todas as 5 temporadas do anime. É durante essa jornada de muitos perigos e desafios que se juntam definitivamente ao seu grupo expedicionário a princesa justiceira Amelia Wil Tesla Saillune, herdeira do trono de Seyruun, e o anterior guerreiro agora transformado em quimera Zelgadis Greywords.

O que muitos não sabem, porém, é que Lina Inverse, ao contrário do que alertam todos os rumores ao seu respeito, é na verdade uma garota muito sensata que não desperdiça uma oportunidade de ajudar o próximo (contanto, é claro, que seja generosamente recompensada por altas quantias de ouro ou por fartas refeições). Orientada por um senso de justiça bastante forte que carrega para onde quer que vá, não é mistério para ninguém que será justamente em suas costas que recairá toda a responsabilidade de salvar não apenas seus queridos amigos, mas também todo o restante da humanidade – principalmente da ameaça infligida pelo maior demônio de todos os tempos, o destruidor Shabranigdo.

A primeira das muitas aberturas fantásticas do anime

Auxiliada por seus companheiros de viagem e por todos aqueles que se prontificam a ajudá-la em sua árdua tarefa (dentre os quais destacamos aqui o sempre misterioso Xellos, o fofíssimo Pokota, a também feiticeira Sylphiel e a bondosa Filia), Lina Inverse aproveita toda essa trajetória de dificuldades e aprendizado para se aprimorar naquilo que melhor sabe fazer: magia. Para os amantes dessa arte oculta que instiga a nossa imaginação há tantos séculos, “Slayers” é uma produção de mão cheia que surpreende a cada novo episódio e não desaponta até mesmo o mais exigente dos telespectadores.

Um só anime, diversas ramificações:

Somente a 1ª temporada chegou dublada ao Brasil, quando foi exibida pela TV Bandeirantes

Encerrados os acontecimentos que desencadeiam “Slayers” (1995), somos então levamos para “Slayers Next” (1996) e “Slayers Try” (1997), o 2º e 3º arcos da franquia que receberam a mesma direção, produção e roteirização da primogênita temporada. Uma curiosidade bastante peculiar sobre estes dois segmentos é que, enquanto “Next” manteve-se fiel ao enredo narrado pela light novel e adaptou para a TV os eventos ocorridos entre os volumes 4 a 8, “Try” nos apresentou uma história totalmente original, ambas com 26 episódios cada. Uma 4ª temporada, denominada “Slayers Again”, até chegou a ser cogitada seguindo o sucesso de “Try”, mas os rumores da época apontam que o projeto foi rapidamente engavetado, sendo que só tivemos notícias de um novo lançamento mais de uma década mais tarde.

Assim, ainda sob a produção do estúdio J.C.Staff, sob a transmissão da TV Tokyo e a direção de Takashi Watanabe – mas desta vez com os roteiros de Jiro Takayama –, os sempre fiéis seguidores de “Slayers” tiveram a honra de ser apresentados, muitos anos depois, a “Slayers Revolution” (2008) e “Slayers Evolution-R” (2009), as duas últimas temporadas responsáveis por colocar um ponto final na série televisiva. Cada uma exibindo 13 novos episódios de uma narrativa inédita inspirada em subplots pertencentes às light novels, ambas as novidades foram liberadas em continuação com uma arte muito mais moderna que, em momento algum, chegou a desrespeitar todo o legado construído pela marca em plenos anos 90. É o novo dando as boas-vindas ao velho da melhor maneira que se pode imaginar!

O outro universo de “Slayers”:

Naga e Lina em poster promocional de “Slayers Perfect” (1995), o primeiro longa-metragem

Paralelamente, o que a maior parte de quem assistiu ao anime (e não deu a mínima atenção para os demais formatos) desconhece é que, diferente do que pôde ser visto na telinha da televisão japonesa, o desfecho do que acontece nos filmes e nos episódios em OVA é inteiramente à parte da série principal, quase funcionando como prequelas. Isso porque não apenas todos os 4 longas-metragens, mas também os 6 episódios extras liberados diretamente em vídeo, nos redirecionam aos primórdios da saga de Lina Inverse, quando a feiticeira sequer conhecia Gourry Gabriev ou sua tão desejada Espada da Luz.

Desta maneira, tanto em “Slayers Perfect” (1995) [também conhecido como “Slayers The Motion Picture” e “Slayers The Movie: Perfect Edition”]; como em “Slayers Return” (1996) [também conhecido como “Slayers Movie 2: The Return”]; “Slayers Great” (1997); e “Slayers Gorgeous” (1998), Lina desbrava o mundo ao lado de ninguém menos que Naga, a Serpente, uma atrapalhada feiticeira que se autointitula a maior inimiga da protagonista – apesar de, na verdade, nutrir uma grande amizade por ela.

O mesmo, é claro, se repete nos lançamentos em OVA, os quais podem ser encontrados por aí sob os nomes “Slayers Special” (1996) [também chamado de “Slayers: Dragon Slave”, “Slayers: Explosion Array” e “Slayers: The Book of Spells”]; e “Slayers Excellent” (1998), tendo, cada, 3 episódios, totalizando 6. A grande exceção, talvez, fique com o 5º filme da franquia, “Slayers Premium” (2001), um curta-metragem de 30 minutos; e a participação de Nama em “Slayers Evolution-R”, que foram o mais próximo tivemos de uma colisão entre o passado e o presente da vida de Lina.

“Slayers” nos videogames:

Tela de entrada de “Slayers” (1994), o primeiro jogo da franquia liberado para o SNES

Se você se interessou para reviver a fascinante jornada de Lina Inverse e seus amigos nos videogames, então precisa saber que a franquia “Slayers” se expandiu para os títulos: “Slayers” (1994), para o SNES; “Slayers Royal” (1997) e “Slayers Royal 2” (1998), para Sega Saturn e PlayStation; e “Slayers Wonderful” (1998), para PlayStation. Vale dizer, também, que diversos de seus personagens, como Lina, Gourry e Naga, cresceram tanto na indústria eletrônica que ganharam destaque em crossovers como “Magical Battle Arena” (2008), para PC; “Heroes Phantasia” (2012), para PSP; e “Granblue Fantasy” (2014), para Android e iOS.

Comédia, romance e uma leve pitada de erotismo:

Imagem promocional de “Slayers Evolution-R” (2009), a última temporada do programa

Quebrando o padrão dos animes de ação e aventura da década de 90 que traziam, quase que em sua maioria, protagonistas masculinos, “Slayers” esteve tão à frente de seu tempo que foi, provavelmente, um dos pioneiros a explorar o girl power entre seus jovens telespectadores. E fique sabendo que esta não foi uma decisão exclusiva dos estúdios E.G. Films e J.C.Staff, pois, desde a época das light novels e mangás a franquia já possuía como público alvo os jovens leitores japoneses do sexo masculino (tanto que os primeiros mangás foram publicados como seinen e os mais recentes como shōnen). Seguindo por esta linha de raciocínio, não seria de todo absurdo se os traços da animação seguissem fiéis ao material impresso e sexualizassem o corpo feminino ao extremo, como de fato aconteceu, sendo Naga, a Serpente o maior exemplo disso.

Em contrapartida, grande parte da comédia proveniente de “Slayers” parte exatamente dessa premissa, uma vez que Lina Inverse é uma garota baixinha e desprovida de um corpo violão, recebendo, para sua infelicidade, os comentários mais asquerosos possíveis. Como boa feiticeira que é, ela não deixa barato e está sempre enfeitiçando aqueles que ousam criticar sua aparência, não pensando duas vezes antes de mirar um “Fireball” ou “Dragon Slave” nos tarados de plantão que têm a audácia de chamá-la de “sem peito”. Transbordando impaciência e impulsividade, é graças ao cuidado redobrado de Amelia, Gourry e Zelgadis que Lina não perde a cabeça a todo momento e consegue manter o foco em si mesma, seja para desempenhar as tarefas que lhe são passadas pelos homens de poder de cada cidade que visita, seja para frequentar um restaurante e deixá-lo à beira da falência.

Uma última vertente do programa que não poderia deixar de ser mencionada, é claro, é o romance, já que a nossa protagonista e Gourry chegam a viver alguns raríssimos momentos bem calientes – o que não é lá muito fácil para Lina, pois o cara é bastante tapado e estraga qualquer chance de conquistar a sua amada. O espadachim é tão disputado pelo elenco feminino que somos agraciados, em “Slayers Next”, com um dos mais divertidos episódios de toda a animação: “You Can’t Escape! The Return of the Obsessive Martina!”, o 6º dessa temporada. Apesar de nunca explorado com maiores detalhes, fortes indícios nos fazem crer que também existiu no anime um outro romance platônico envolvendo Amelia e Zelgadis, mas essa é uma teoria que jamais pôde ser comprovada na TV, pois o grupo sempre esteve tão ocupado combatendo o mal que jamais conseguiu tirar um segundo para refletir sobre suas vidas amorosas. Se não está fácil nem para Lina e Gourry, quem dirá para Amelia e Zel!

Um clássico que poucos conhecem:

Amelia, Gourry, Lina, Xellos (fundo) e Zelgadis, o grupo completo

Como não é muito difícil de se imaginar após uma resenha tão positiva como esta, “Slayers” é a nossa primeira indicação de anime do mês para todos aqueles que não dispensam uma produção de qualidade que sabe dosar comédia com fantasia na medida certa – e o mais importante: com aquela pitada de nostalgia que somente os animes clássicos são capazes de nos proporcionar. Nem um pouco arrastado, cada arco desenvolve-se brilhantemente ao passo que até mesmo os fillers não devem ser evitados. Assista-os: você não pode perder a oportunidade única de ver Lina e Amelia cantando e dançando em “The Forbidden Dance? Where is the Strongest Spell?” (S02E14) com roupas bem ao estilo Sailor Moon (veja aqui um trechinho).

Trazendo, inclusive, alguns efeitos sonoros bem similares aos de cults como “Dragon Ball Z”, você não demorará para notar que, assim como outros grandes clássicos noventistas, “Slayers” segue uma linha de produção infalível que há anos se perdeu por entre os últimos lançamentos japoneses. Com jogadas inteligentes de roteiro e uma caracterização das personagens tão específica que entrará na sua cabeça para certamente jamais sair (existe risada mais irritante, adorável e maravilhosa que a de Naga, a Serpente?), o show extravasa criatividade ao mesmo tempo que controla uma simplicidade sem tamanhos. Se é tempero que você quer, então pode se recostar na cadeira e relaxar, pois este aqui tem de sobra.

Este artigo é dedicado ao amigo Kelvin

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