Os Três Grandes Ursos do Tempo

Não sei se alguém chegou a acompanhar na época, mas, eu já tive o grande prazer escrever aqui no blog sobre os 8 games que, ao meu ver, mais marcaram a minha infância. Numa espécie de segunda volta ao passado, trago dessa vez três grandes desenhados animados estrelados por ursos que com certeza deixaram muitas crianças com febre – quem precisa de Bieber Fever quando se teve a Bear Fever?

Num mundo pouco distante do qual vivemos agora, muitos eram os programas infantis futuristas e repletos de super-heróis que a cada instante estavam preparados para nos salvar das garras dos mais temidos vilões que se arrastavam pelas profundezas de nossos piores pesadelos. Super-heróis estes que hoje dominam os cinemas e levam consigo as melhores bilheterias de todos os tempos.

Detalhes à parte, houve uma época em que os desenhos animados estrelados por animais falantes e com hábitos humanos dominaram à TV aberta e demais veículos de comunicação, especialmente os ursos. Zé Colmeia (Yogi Bear), Ursinhos Carinhosos (Care Bears), Urso do Cabelo Duro (Help!… It’s The Hair Bear Bunch!), Família Urso (The Beary Family), Ursinhos Gummi (Adventures of the Gummi Bears), Andy Panda, Cachinhos Dourados e os Três Ursos, você consegue imaginar mais algum? Sim, ainda faltam três.

Que tal descobrirmos quem ainda não foi mencionado e matar um pouco a saudade?

O URSINHO POOH:

O ursinho de pelúcia mais popular de todos os tempos não poderia ser outro senão o risonho Pooh, também conhecido como Ursinho Puff, Winnie The Pooh, Pooh Bear, Joanica Puff e Dudu de Puf. Criado pelo escritor inglês Alan Alexander Milne e publicado originalmente em 1926, muitos dos personagens que aparecem na saga animada foram inspirados em brinquedos do filho de Milne, Christopher Robin, que também serviu de inspiração e aparece na história como o dono e melhor amigo de Pooh.

O nome Winnie Pooh, por sua vez, foi baseado em dois animais não fictícios que pai e filho conheceram em vida: um urso preto que vivia no Zoológico de Londres (Winnie) e um cisne que encontraram num passeio certa vez (Pooh). Ambientado na Floresta Ashdown, na Inglaterra, muitos dos cenários que preenchem o romance, como o Bosque dos Cem Acres, são na verdade lugares reais que tiveram seus nomes modificados quando publicados (Bosque dos Quinhentos Acres).

Em 1930, o produtor norte-americano Stephen Slesinger comprou os direitos da marca nos EUA e Canadá para desenvolvimento junto à televisão, filmagens e demais trabalhos envolvendo os personagens de Milne. Apresentado sem qualquer peça de roupa, a clássica camiseta vermelha de Pooh apareceu pela primeira vez em 1932, quando foi desenhado em cores por Slesinger. Divulgando por mais de 30 anos, os direitos para produção de artigos comerciais foram vendidos à Disney em 1961.

Entre os principais amigos de nosso fofinho de pelúcia podemos encontrar Tigrão (Tigger), Leitão (Piglet), Coelho (Abel ou Rabbit), Bisonho (Ió, Oió, Igor ou Eeyore), Corujão (Owl) e os cangurus Guru (Roo) e Kanga (Can), que ao lado do comedor de mel vivem as mais extraordinárias aventuras.

Winnie The Pooh é tão popular no mundo que chegou a receber uma estrela na “Calçada da Fama” de Hollywood, ruas na Polônia (Ulica Kubusia Puchatka) e Hungria (Micimackó utca) e um esporte no qual os competidores jogam gravetos numa correnteza e esperam pra ver qual cruzará primeiro a linha de chegada: o poohsticks (tendo inclusive um Campeonato Mundial de Poohsticks sendo realizado todos os anos em Oxfordshire, na Inglaterra). Chega ou quer mais?

RUPERT, O URSO:

“Rupert, O Urso” foi um desenho animado muito popular na década de 90 desenvolvido pela “Nelvana” juntamente com a “Ellipse Programmé” e a “Scottish Television”. Inspirado na história em quadrinhos “Rupert Bear” e publicada pela primeira vez em 1920 por sua criadora Mary Tourtel, é veiculada até hoje pelo “Daily Express”. Com o decorrer dos anos, muitas dessas histórias foram reunidas e lançadas em livros autônomos, tornando-se um dos personagens mais conhecidos na cultura infantil britânica.

Trabalhando ao lado de sua obra por 15 anos, Alfred Bestall foi o responsável por substituir Tourtel e dar continuidade as aventuras de Rupert, tendo atuado ao lado do ursinho por quase 40 anos e se sobressaindo no campo da literatura infantil. Após 1974, muitos outros escritores prosseguiram com a lenda criada há mais de 90 anos, entre eles Ian Robinson e Stuart Trotter, o responsável por manter a personagem viva e levá-la até as novas gerações.

Muitos não sabem, mas a primeira aparição do jovem Sr. Bear na televisão se deu em 1969, quando a rede “ITV” transmitiu “The Adventures Of Rupert Bear” até 1977 em mais de 100 episódios de 10 minutos. Manipulados por fantoches, a música tema do espetáculo foi um sucesso tão estrondoso que atingiu a posição de número #14 no “UK Charts”, em 1971.

Oito anos depois, a “BBC” estreia o homônimo “Rupert” em 36 histórias de apenas 5 minutos, com transmissão de 85 a 88. Narrado por Ray Brooks, o programa consistia em animações estáticas acompanhadas da voz de Ray, tendo ido ao ar nos EUA pelo “Disney Channel” como parte do programa “Lunchbox”.

Por fim, chegamos ao principal: “Rupert, O Urso” (1991-1997), produzido pela “Nelvana” e mencionado mais acima. Elaborado em 65 episódios ao longo de 5 temporadas (13 pra cada), foi a série mais fiel ao projeto desenvolvido por Bestall, com muitas das histórias sendo retiradas do “Daily Express” e adaptadas para os gráficos 2D. No Brasil, foi exibido até 2008 pela “TV Cultura”, sendo um dos desenhos animados mais populares do canal.

Posteriormente, em 2006, uma versão para crianças menores foi ao ar denominada “Rupert Bear, Follow The Magic…”, produzida pela “Entertainment Rights”, “Classic Media” e “Cosgrove Hall Films”. Recebendo algumas mudanças consideráveis – Rupert aparece amarelo ao invés de branco – novos personagens foram incluídos à animação e 52 episódios gravados com a nova roupagem.

Ao lado de Rupert, destacam-se na história o texugo Bill (Bill Badger), seus pais Sr. e Sra. Urso (Mr. e Mrs. Bear), o porquinho Barrica (Podgy Pig), o cão pequinês Pong Ping (Pong Ping), o cientista Professor (Professor), a chinesa Tigresa (Tiger Lily) e a lontra Foquinha (Ottoline the Otter).

O PEQUENO URSO:

É com “O Pequeno Urso”, o desenho animado que mais assisti quando criança, que encerro o post de hoje. “Little Bear” é baseado na série de livros de mesmo nome escrita por Else Holmelund Minarik e ilustrada por Maurice Sendak. Tendo sua primeira obra publicada em 1957, a saga se desenvolveu por meio de seis livros, sendo os quatro primeiros compostos por quatro histórias cada.

Entre os títulos publicados, encontramos “Little Bear” (1957), “Father Bear Comes Home” (1959), “Little Bear’s Friend” (1960), “Little Bear’s Visit” (1961), “A Kiss For Little Bear” (1968) e “Little Bear and the Marco Polo” (2010), este último lançado dois anos antes da morte de Minarik – e ilustrado por Dorothy Doubleday.

Também chamado de “Little Bear’s Adventures”, a animação foi dividida em 5 temporadas totalizando 65 episódios. Foi originalmente produzido pela “CBC” – e mais tarde pela “Wild Things Productions” ao lado da “Nelvana” -, com sua primeira transmissão indo ao ar pela “Children’s BBC”, do Reino Unido, em 1995, e sendo finalizada em novembro de 2002. No Brasil, foi exibido pela “TV Cultura”, “Nickelodeon” e “HBO Family”, começando em 2002.

Sempre gentil e curioso, é ao lado da Mamãe e Papai Urso (Mother Bear e Father Bear), Pata (Duck), Galinha (Hen), Coruja (Owl), Gato (Cat), a cobra Sem Pé (No Feet), Emily, Mitzi e Vovô e Vovó Urso (Grandfather Bear e Grandmother Bear) que o pequeno mamífero vive as mais divertidas aventuras pelo bosque aonde mora com seus amigos.

A aceitação do público foi tão grande que um longa-metragem foi lançado meses antes de a última temporada ser encerrada, diretamente em DVD, sob a distribuição da “Paramount Home Entertainment” e a produção da “Nelvana Limited”. Porém, um ano antes, “The Little Bear Movie” chegou aos cinemas norte-americanos no Natal de 2000.

O filme narra o encontro de Pequeno Urso com Cub, um novo filhote de urso que se perdeu dos pais. Após saber do incidente, o protagonista não mede esforços para localizar os pais do amigo e se metem em muitas encrencas para ajudar o novo amigo. Com roteiro de Nancy Barr, o longa foi produzido por Raymond Jafelice e produzido por Maurice Sendak, o mesmo que desenhou os cinco primeiros livros de Minarik.

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