Quem avisa amigo é! Você deveria prestar mais atenção na cantora Vanessa Carlton

Eu sei que qualquer pessoa em sã consciência já deve ter ouvido falar, pelo menos uma vez na vida, da Vanessa Carlton, a cantora por trás de um dos maiores hits da última década, “A Thousand Miles” (e mesmo porque esta não é a primeira vez que a menciono aqui no blog). Talvez, assim por cima, você não reconheça todo o seu grande êxito junto à indústria fonográfica, mas eu sei que bastará citar o nome de um dos filmes mais populares dos anos 2000 para um resquício de lembrança voltar a sua mente: “As Branquelas” (ou, no original, “White Chicks”).

Foi no papel dos agentes do FBI Marcus e Kevin que os irmãos Wayans deram vida a um dos maiores clássicos da comédia contemporânea que tive o prazer de assistir desde o primoroso “Todo Mundo em Pânico”, de 2000. Caprichando em sua trilha sonora bem diversificada, a soundtrack do longa-metragem contou com variados nomes de peso como P!nk, No Doubt, Britney Spears, Beyoncé, Maroon 5 e Black Eyed Peas. Contudo, foi com a até então novata Vanessa Carlton que toda a atenção do telespectador acabou sendo roubada logo ao início de duas das cenas mais divertidas do filme: quando parte do elenco canta “A Thousand Miles” enquanto dirige (relembre aqui).

Para você ter uma ideia, o primeiro grande single da cantora fez tanto sucesso que, além de alcançar o #5 na “Billboard Hot 100”, a parada musical mais importante dos EUA, num distante 2002, “Miles” rendeu à Carlton uma série de outros feitos inestimáveis. Alavancando as vendas de seu primeiro álbum, “Be Not Nobody”, o qual já havia vendido em julho de 2003 mais de 2,3 milhões de cópias no mundo, a canção chegou, inclusive, a ser nomeada três vezes ao “Grammy” de 2003 (apesar de perder para Norah Jones e James Taylor).

Dando sequência à sua brilhante estreia musical, Vanessa resolveu aprimorar seus dons como musicista e liberou, no curso de sua carreira, três outros álbuns: “Harmonium” (2004), “Heroes & Thieves” (2007) e “Rabbits on the Run” (2011). Contudo, a fama decidiu lhe virar as costas e seus projetos posteriores não chegaram nem perto de toda a glória alcançada em 2002, quando a cantora estampou diversas capas de revistas e fez várias aparições em programas de TV. Recebendo o indesejável título de “one hit wonder” daqueles menos entendidos do assunto, a morena prova em seus trabalhos que qualidade e excelência são sua marca registrada.

Cansada da música pop que permeou parte de seu primeiro álbum, Carlton amadureceu sua sonoridade ao longo dos anos e sempre trabalhou com afinco na produção e composição de suas faixas – as quais constantemente recebem o instrumental de seu característico piano. Merecidamente, ela acabou por diversas vezes sendo bem recebida pelos críticos musicais, sendo contemplada com aplaudíveis 4/5 do “Allmusic”, 79/100 do “Metacritic” e um B+ do “Entertainment Weekly” pelos esforços dedicados a “Be Not Nobody” e “Rabbits on the Run”.

Assumindo-se bissexual em 2010, a cantora já havia feito uma abordagem discreta sobre o seu apoio à comunidade LGBT no clipe para o single “Hands On Me”, do álbum “Heroes & Thieves” (e que você acompanha mais abaixo). Foi, a propósito, neste álbum que Vanessa trabalhou pela primeira vez em estúdio com a lenda da música rock Stevie Nicks, em um dueto na faixa “The One”. Anos mais tarde, elas repetiriam a parceria em cima dos palcos ao interpretarem o carro-chefe de “Rabbits on the Run”, “Carousel”, quando Nicks resolveu fazer vocais de apoio para sua grande amiga (assista aqui).

Aventurando-se na experiência de ser mamãe pela primeira vez, Vanessa conta em seu site oficial que atualmente se mudou de Nova Iorque para Nashville, onde mora com sua filha e o marido, John MaCauley. Trabalhando, ainda, no seu quinto álbum de inéditas, intitulado “Liberman”, há exatos 7 dias Carlton nos adiantou um pouco do que veremos em seu novo projeto ao lançar o EP “Blue Pool”, em 24/07, agora sob um novo selo independente, o da gravadora “Dine Alone Records”.

Contendo 4 faixas compostas e gravadas para o novo disco, ela chegou a dizer para a revista “Nylon” no mês passado que “esse novo álbum inteiro é minimalista e ‘Blue Pool’ é um exemplo de como você pode transformar uma canção de piano tradicional em qualquer outra coisa. Eu sou uma grande fã de Philip Glass [compositor] e adorei como Steve Osbourne [produtor da faixa] conseguiu transformar minha parte turbulenta de piano nesse caleidoscópio tão instável”.

É realmente engraçado e estranho que um artista do nível de Vanessa, detentora de um dos maiores sucessos deste novo milênio, não consiga atingir o feito anteriormente alcançado há mais de 13 anos. Em alguns casos, isso pode ser facilmente explicado por meio de teorias que tentam encontrar pontos negativos em um cantor, tais como falta de profissionalismo, perda de identidade e grande exposição de sua vida particular, tudo o que não se aplica ao nosso presente caso.

Tanto o é que por diversas vezes Carlton chegou a gravar músicas tão boas quanto o seu primeiro grande single, seguindo, por diversas vezes, a mesma fórmula mágica do carro-chefe de “Be Not Nobody”, tais como “White Houses”, “Hands On Me” e “Carousel”. Já com um catálogo consistente e partindo para seu quinto disco de inéditas, pelo pouco que ouvimos em “Blue Pool” já dá para sabermos que Vanessa seguirá suas experiências vividas em “Rabbits on the Run” e fará um som mais acústico e alternativo.

Redescobrindo suas origens como cantora e compositora, “Liberman” deverá ser mais um grande projeto dessa cantora que tem tudo para tomar posse do que é seu de direito. Se esse “caminho alternativo” deu certo com novatas como Lana Del Rey e Lorde, por que não daria com Carlton, que está constantemente nos trazendo bons materiais recheados com autenticidade, paixão e coesão?

Quer conhecer o som produzido pela cantora? Então se liga, a seguir, na playlist que elaborei, onde você encontrará cinco músicas que precisa conhecer além do hit “A Thousand Miles”:

“Liberman”, o próximo disco de Vanessa Carlton, deverá chegar às lojas em outubro de 2015. Em seu site oficial, a cantora revelou que o trabalho foi assim nomeado depois de seu avô, Alan J. Lee, pintar um quadro a óleo e dar esse título à obra criada. Ela escreveu ainda que todas as faixas presentes no EP “Blue Pool” estarão em “Liberman”, o qual receberá uma versão deluxe contendo um catálogo completo da “Living Room Sessions”, gravação ainda desconhecida pelo público. O álbum terá “instrumentais simples misturados com vocais melancólicos e composições pontiagudas, capazes de trazer para o nosso mundo um novo lado da talentosa compositora” que é Vanessa Carlton.

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