O pesadelo chega ao fim! Nós sentiremos a sua falta, Wes Craven

Há exatamente uma semana os amantes dos filmes de terror tiveram de lidar com uma das maiores perdas que o universo da ficção poderia sofrer ao longo destas três décadas que se arrastaram pelo tempo: o falecimento de Wes Craven. Aos 76 anos, o diretor, redator, produtor e ator mais conhecido por ter criado algumas lendas dos cinemas como Freddy Krueger e Ghostface acabou nos deixando no último dia 30 devido à complicações de um câncer cerebral. Falecendo em sua casa enquanto encontrava-se cercado pela família, vale mencionar que o cineasta teve uma longa vida fora do campo cinematográfico antes de estourar pelo mundo nas décadas de 80 e 90, sendo formado em Psicologia, Filosofia e Literatura Inglesa, além de ter trabalhado como professor e taxista por um bom tempo.

Com direção e roteiros do próprio Wes, seu grande primeiro longa-metragem foi “A Hora do Pesadelo”, filme de 1984 responsável por introduzir Johnny Depp na carreira de ator e consolidar Heather Langenkamp como uma das únicas sobreviventes do serial killer interpretado por Robert Englund. Famoso por possuir o seu corpo todo queimado e coberto de cicatrizes, o vilão tinha como maior prazer aterrorizar adolescentes dentro de seus próprios sonhos com um senso de humor negro e uma grosseira luva de couro que terminava com navalhas nas pontas dos dedos. Este é Freddy Krueger, o assassino dos anos 80 que continua sendo em dias atuais uma incontestável prova de que um bom filme de terror não se faz apenas com orçamentos milionários, mas sim uma boa estratégia e uma grande visão a frente de seu tempo.

Originando uma franquia que incluiu 7 filmes principais, 1 crossover e 1 remake lançado em 2010, a maior parte das sequências foram levadas adiante por demais diretores e roteiristas, mas, acertadamente, Craven fez a alegria dos fãs ao participar de “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos” (1987)  e “A Hora do Pesadelo 7: O Novo Pesadelo” (1994), tendo inclusive feito uma participação especial como ator neste último. Inspirando-se em uma série de assassinatos que havia lido nos jornais, o criador de Krueger o fez ser tão popular na cultura pop que desenhos animados como “South Park” e games como “Mortal Kombat” (2011) não resistiram ao fazer menções honrosas ao louco homicida da Elm Street.

Contudo, o homem nascido dos contínuos estupros de uma freira que havia sido presa em um manicômio por engano ao lado de 100 internos não é a única obra de sucesso do respeitado diretor. Dois anos após “O Novo Pesadelo”, Wes se aliou ao amigo Kevin Williamson para dar vida ao Ghostface, o assassino por trás da série “Pânico”. Dirigindo o filme que revelou alguns nomes como Neve Campbell, o longa-metragem contou ainda com a presença do ex-casal David Arquette e Courteney Cox, além de uma pequena participação inicial de Drew Barrymore. Revelando toda sua paixão pelas obras que chegou a trabalhar com afinco por sua vida, o cineasta dirigiu ainda as três sequências que sucederam o longa de 1996, aparecendo também como ator em todos os 4 filmes da franquia.

O falecimento de Craven chega em um momento nada agradável para a série de TV “Scream”, produzida pela MTV e que teve sua estreia neste ano, em 30/06. Renovada para uma 2ª temporada que deverá ir ao ar somente em 2016, o projeto marca o último trabalho do diretor de “A Hora do Pesadelo”, quem desempenhava o papel de produtor executivo ao lado dos irmãos Weinstein (“Pânico 4”) e outros 5 profissionais. O carinho da equipe com Wes era tão grande que o 10º e último episódio da 1ª temporada de “Scream” foi dedicado como um tributo à sua morte e toda sua influência no cenário do horror.

Lamentando a perda de Craven em seu perfil do Facebook, o também diretor de filmes de terror John Carpenter (“Halloween”) publicou na rede social que “Wes nos deixou muito cedo, que era realmente um diretor old school” e agradeceu por “ter tido bons momentos ao lado do colega”, enfatizando que ele “era um grande amigo, um ótimo diretor e um bom homem”. Outro nome que se comoveu com o incidente foi Courteney Cox, a Gale Weathers de “Pânico”, quem se solidarizou ao escrever que “o mundo perdeu um grande homem, meu amigo e mentor, Wes Craven. Meu coração permanece com a sua família”.

Já tem alguns anos que os filmes de terror passaram a ser vistos com outros olhos pelo seu público alvo, o qual muitas vezes é exigente e pouco se surpreende com as ideais exploradas pelos atuais profissionais da área. Costumeiramente amparado em uma história de fundo pouco criativa sendo interpretada por um elenco incapaz de cativar o telespectador, o falecimento do gigante Wes Craven surge como um último suspiro de todo o seu legado deixado ao longo das últimas décadas. Sua visão macabra e senso de humor sádico com certeza nos fará sentir saudades de toda a sua dedicação não apenas como diretor e roteirista, mas também como exímio amante deste gênero que carrega milhares de fãs por onde se alastra.

É realmente angustiante saber que jamais veremos uma nova obra cinematográfica dirigida e coordenada pelo grande mestre, mas, se servir de consolo, devo lembrar-vos que algumas figuras ilustres como Freddy Krueger sempre estarão nos esperando dentro de nossos sonhos para nos propiciar alguns momentos de total desespero e imensa gratidão.

Descanse em paz, Wes, nós sentiremos a sua falta!

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