10 dicas para escrever bem: um básico passo a passo que poderá melhorar (e muito) a sua escrita

Desde que comecei a escrever para o blog e compartilhei por aí o material que criei e desenvolvi ao longo de quase dois anos, acabei, mesmo que sem muitas intenções, chamando a atenção de um pessoal que aprovou as técnicas de escrita que aprendi a dominar ao longo dos anos. Com isso em mente, decidi montar uma singela lista com os principais pontos que me ajudaram (e continuam ajudando) na elaboração de todos os textos que aqui são publicados – para, quem sabe, dar um empurrãozinho nos leitores que gostariam de aprender a “escrever bem”, mas não sabem por onde começar.

Contudo, vale esclarecer que “escrever bem” é algo completamente subjetivo, pois o que é bom para mim pode não ser para o restante das pessoas. Além disso, nada garante que as dicas a seguir irão, de fato, funcionar para você… é tudo uma questão de paciência, adaptação e muita disciplina. Dados estes avisos iniciais, vamos descobrir com a ajuda da nossa querida Hermione Granger, a bruxa mais inteligente de sua geração, quais são as valiosas dicas que tenho guardado comigo já há um bom tempo e que definitivamente fazem toda a diferença na hora de colocar minhas ideias em prática.


1) Ler com habitualidade pode te ajudar a escrever melhor:

É verdade que a antiga crença do “quem lê mais escreve melhor” divide opiniões quando se trata dos possíveis reflexos positivos que a leitura repercute na escrita, mas, admito que quando esta assertiva é levantada não demoro muito para manifestar meu total apoio à causa. Possivelmente não te tornará um Shakespeare dos tempos modernos, é claro, mas, falo por experiência própria ao revelar que só passei a demonstrar maior interesse por uma boa escrita quando mergulhei de cabeça no universo literário (e devorei obras atrás de obras sem nem ao menos contar os dias ou páginas restantes). Talvez essa associação seja até meio óbvia para alguns, já que o hábito da leitura saudável proporciona ao leitor uma visão de mundo muito mais ampla, capacitando-o com pontos de vistas que antes eram sequer cogitados. Ler inegavelmente brinca com a curiosidade do indivíduo, fazendo-o se tornar muito mais crítico e compreensivo, sem falar que expande o vocabulário, incluindo palavras “difíceis” que não demorarão para se tornar usuais ao longo do dia a dia. Logo, não precisa ser um gênio para descobrir que a internet é uma das maiores fontes de possibilidades dos dias de hoje; desde que você aprenda a explorá-la como uma rica e densa floresta de informações úteis, desbrave à vontade (mas cuidado com o que lê por aí, ok?).


2) Dê um tempo para si e para a sua inspiração:

Infelizmente, inspiração não é um botão que funciona quando pressionado a nosso gosto e vontade, sendo certamente uma das virtudes mais imprevisíveis que o homem foi capaz de dominar ao longo de sua vida (engraçado como a única certeza da inspiração é a sua incerteza). É bem possível que, em determinados momentos, você esteja sentado diante de papel e caneta (ou do computador) altamente motivado a produzir algo criativo e original, mas completamente desacompanhado desta palavrinha mágica tão essencial que assombra milhares de escritores dos mais diversos níveis. Quando isso de fato acontece, não há outro remédio senão dar um tempo para si mesmo: respire fundo, abstraia, faça outras tarefas e ocupe a sua mente com outras ideias. Quando o momento certo chegar, você saberá – não fique esperando e esperando, pois será muito mais trabalhoso e doloroso. Ah, e se a bendita inspiração chegar no momento errado (quando você estiver ocupado fazendo algo inadiável, por exemplo), não pense duas vezes antes de fazer anotações dos principais pontos que poderão te ajudar mais tarde. Este esquema de elaborar rascunhos, utilizando palavras-chaves, pode ser uma dica muito bem-vinda se você souber como deixar a preguiça de lado.


3) Conheça o tema escolhido com o mínimo de antecedência:

Estar a par do assunto que você escolheu para discorrer é fundamental para o sucesso de seu futuro projeto! Mas, para isso dar certo, você não precisa ser uma enciclopédia ambulante que joga as informações em cima do leitor apenas com o mero objetivo informativo: dicionários foram feitos para consulta esporádica, e não para leitura regular. Dessa forma, é inevitável que você tenha, além de um mínimo de noção sobre o tema da dissertação, uma opinião consolidada em argumentos que, juntos, estejam em total coerência. Se você pretende escrever sobre algo, mas ainda não possui um indício de posicionamento inicial (lembre-se que a neutralidade também é válida: você não precisa concordar ou discordar de tudo que ouve por aí), talvez seja o momento de refletir sobre e partir para a nossa próxima dica…


4) Pesquise e fundamente:

Quem disse que pesquisas acadêmicas são úteis apenas no colégio ou faculdade? Ao assumir a responsabilidade de se tornar um escritor, por mais amadoras que sejam suas intenções, desde já tome o supremo cuidado na escolha do conteúdo que optou por escrever, principalmente se pensa em torná-lo público – seja por meio de blogs, redes sociais, jornais, revistas etc. Credibilidade é como dignidade: uma vez perdida, não será tarefa fácil recuperá-la (ainda mais se você lidar com um público grande que está sempre conferindo seu material e compartilhando-o internet afora). Quando sentir dúvidas sobre determinada informação, não pense duas vezes e pesquise em quantas fontes forem necessárias, não se esquecendo, ao final, de anexar o link do site ou livro consultado (jamais leve os créditos pelo esforço de outra pessoa). Ah, e saiba diferenciar sua opinião de um fato consumado: quando se tratar de algo que tenha realmente acontecido, seja firme, direto e objetivo. Pior do que passar vergonha por algo mal interpretado, que tenha sido amparado em informações pouco confiáveis, é passar a impressão de que seu texto não possui fundamentos, como se tivesse “brotado” no chão como uma erva daninha.


5) Sinta:

Nós nem começamos a escrever e já aprendemos 4 dicas importantes que poderão te ajudar bastante na produção de seus futuros trabalhos. Entretanto, apesar de levar a sério cada uma destas etapas preparatórias, não existe nenhuma outra que este que vos escreve valorize mais do que sentir. Eu não gosto de ver meus textos como meros conglomerados de palavras que juntas contenham começo, meio e fim, mas sim como instrumentos que exteriorizem minhas opiniões e perspectivas. Um texto frio que não seja capaz de captar a atenção do leitor dificilmente prosperará, a menos que apele para assuntos polêmicos ou traga manchetes alarmantes e sensacionalistas. Procure começar com assuntos que te agradem, que façam você se sentir bem e sejam coerentes com a sua bagagem de conhecimentos. Feche os olhos, lembre-se dos motivos que te fazem ter afinidade com o tópico selecionado e tente capturar tudo isso dentro de cada parágrafo.


6) Chegou o grande momento… escreva:

Finalmente, depois de muito se preparar e já ter uma pequena noção do que será tratado, chegou o momento de colocar em prática todas as ideias armazenadas tanto em sua cabeça quanto em seus primeiros rascunhos (isso se você decidiu seguir os conselhos trazidos ao final da nossa dica #2). É aqui onde você não poderá sofrer qualquer tipo de limitação, devendo usar sua imaginação e criatividade livremente, da sua maneira. Não tenha medo de parecer cafona ou careta: apenas coloque no papel tudo o que sentir vontade e que entender válido para o seu texto (por mais superficial que possa parecer). É interessante, mas, nesta etapa você formará apenas o esqueleto da sua obra, o alicerce que manterá de pé tudo o que será abordado do começo ao fim. Não tenha medo e deixe a insegurança de lado, mas sempre se lembre de ser ético e de ter uma noção, mesmo que pequena, daquilo que pretende desenvolver. A liberdade é um instrumento que deve ser usado para externar suas vontades, e não uma arma de fogo capaz de causar discórdia, ódio ou incerteza.


7) Dicionário em mãos:

Aprendemos, na dica #4, a fazer uma profunda e cansativa pesquisa de campo, mas que tinha como mero objetivo dar sustento para o texto já em desenvolvimento (até aqui é esperado que você possua, pelo menos, a primeira versão da futura obra). Porém, é completamente natural que no meio desse procedimento surjam muitas dúvidas de língua portuguesa, principalmente no que se refere à grafia das palavras (se é com SS ou Ç, se possui acento ou não, e assim por diante), ao uso de sinônimos ou à concordância verbal. Felizmente, somos contemplados com os indispensáveis corretores automáticos que já nos dão uma ajuda e tanto em se tratando de erros de digitação ou rápidos lapsos de memória (não se sinta menos inteligente por errar algo que seria óbvio em seu juízo perfeito), mas, é importante lembrar que estes apetrechos nem sempre funcionam adequadamente. Com a ferramenta Google em mãos você conquistará o mundo!


8) Revise, revise e revise:

Seu texto está pronto, certo? Não, ainda não. Apesar de parecer uma dica lógica e clara como água, muita gente talentosa comete o imperdoável erro de chegar até aqui e pular a etapa que irá decidir a visão geral do seu trabalho – talvez por ser a tarefa mais maçante e que irá testar toda a sua habilidade de ser alguém paciente. Não dá pra tirar do forno um bolo que acabou de ser colocado, não é mesmo? Pode parecer uma comparação boba, mas equiparar seu texto a um bolo e as constantes revisões aos minutos em que ele permanecerá no calor até que faz bastante sentido; afinal: eu não conheço ninguém que goste de comer bolo cru. É aqui que você irá ler, reler e reler o que foi relido para evitar informações desnecessárias que quebrem o ritmo dos seus parágrafos (toda a liberdade usada na dica #6 será esculpida por aqui). Caçar palavras repetidas que possam ser substituídas por sinônimos (por mais que isso já tenha sido feito na dica anterior) também é uma ótima pedida que com certeza deixará seu texto menos cansativo e mais atraente; não se esqueça que obras textuais também podem soar broxantes. Você também precisará checar novamente a concordância verbal, ok?


9) Não se preocupe pensando em quantas pessoas irão ler o seu material:

Você é único e tem sua própria assinatura, então não se deixe levar pela insegurança ou pela pressão das pessoas à sua volta (ou de quaisquer outros fatores externos). Se você não pensar que é o melhor no que faz e ter confiança para dar o melhor de si, então quem o fará? É claro que para isso dar certo você precisará esfriar a cabeça e tentar não se cobrar demais, apenas fazendo o seu melhor e se esforçando para elaborar um trabalho honesto capaz de convencer o leitor (ou defender uma teoria importante para você, se for o caso). Todavia, lembre-se que autoestima elevada não é o mesmo que ser um poço de ignorância e arrogância: saiba valorizar o trabalho das outras pessoas, não menospreze o que encontrar por aí. Aquela velha lição do “respeite para ser respeitado” vale para qualquer lugar e tempo, fora de casa ou não.


10) Só o tempo irá aprimorar o seu dom:

Até hoje sinto um certo desconforto quando releio muitos dos meus primeiros textos publicados no começo deste blog, mas isso não me motiva a excluí-los ou arquivá-los na lixeira do meu servidor. Isso porque eu sei que faz parte do ser humano amadurecer, alcançar novos objetivos e mudar quem costumou ser em um passado distante, e isso é algo que precisamos compreender para levar a vida adiante. Estagnar em uma etapa é o equivalente a regredir, uma hipótese que não podemos permitir de maneira alguma. Se hoje você é capaz de “sentir vergonha” de seus trabalhos iniciais é porque foi capaz de se tornar uma pessoa mais sábia e seletiva, então não se preocupe, pois este é o caminho certo. Não seja tão difícil consigo mesmo, dê-se a chance de ser surpreendido com as próprias habilidades que conseguirá conquistar com o passar do tempo.


Espero que com estas dicas vocês consigam finalmente tomar a maravilhosa iniciativa de fazer parte do universo literário e aprimorar tudo aquilo que aprenderam durante suas jornadas escolar e pós-escolar. Deixem sua marca, mostrem para o mundo aquilo que só vocês são capazes de fazer! Tem alguma dica que gostaria de compartilhar conosco? Então não hesite em dividir conosco seus próprios macetes no espaço para comentários mais abaixo.

9 comentários sobre “10 dicas para escrever bem: um básico passo a passo que poderá melhorar (e muito) a sua escrita

  1. Raphaella Cabral 7 de dezembro de 2015 / 8:01 PM

    Ótimo post, com ótimas dicas e claro, ótima ilustração com a Hermione ali kkk
    ;*

    • Marcelo 7 de dezembro de 2015 / 9:15 PM

      Obrigado pelo carinho. Não consegui imaginar pessoa melhor para ilustrar esse textão, hahahah 😃

  2. Jaírlos 22 de dezembro de 2015 / 8:05 PM

    Tive que voltar aqui para fazer uma confissão. Depois de ler seu texto fui ler outros sites, mas continuei a enxergar os flocos de neve caindo mesmo eles não existindo nas outras páginas kkkk
    Abraço

    • Marcelo 22 de dezembro de 2015 / 10:02 PM

      É a magia do Natal contagiando mais que o ritmo ragatanga, hahahah. Abraços

    • Marcelo 13 de maio de 2018 / 7:27 PM

      Muito obrigado pelo carinho! Sinta-se sempre bem-vinda para voltar quando quiser.

      • Thais Felicia 13 de maio de 2018 / 9:41 PM

        Volto com maior prazer! Gostei muito do seu blog!

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