Corajosa, Rihanna nada contra a maré e dá um show de simplicidade com seu novo álbum “Anti”

Antes tarde do que nunca! Desde que Rihanna encerrou a divulgação de seu 7º disco de inéditas (o “Unapologetic”, de 2012) e emplacou alguns hits como “Diamonds”, “Stay” e “Pour It Up”, não se tem falado em outra coisa que não seja o lançamento do tão aguardado “R8” (assim nomeado pelos fãs da cantora). Precedido pelos buzz-singles “FourFiveSeconds”, “Bitch Better Have My Money” e “American Oxygen”, finalmente todo o sofrimento dos fãs teve um fim na última semana (28/01), quando a barbadiana decidiu ceder à pressão popular e liberar oficialmente o trabalho para seus seguidores. Sob a distribuição da “Roc Nation” e da “Westbury Road” (o selo da própria cantora), “Anti” (que na verdade se pronuncia “Entai”) mal foi lançado e já demonstra sinais de que será o assunto mais comentado da indústria fonográfica pelos próximos meses.

Caprichando pesado na divulgação da nova era, foi por meio do projeto “ANTIdiaRy”, uma parceria multimilionária com a Samsung, que Rihanna ousou sem medo e gravou 8 curiosos vídeos responsáveis por nos introduzir ao novo material (assista). Carregados de bastante simbologia e representando cada uma das mais importantes fases da vida de Rihanna, as gravações funcionam como os cômodos de uma única casa, os quais são destrancados gradativamente e revelam os segredos que se escondem por trás do “Anti” (entenda um pouco mais neste link). Para vocês terem uma ideia, o atual contrato da moça com a gigante dos softwares chegou a ser avaliado em 25 milhões de dólares, valor este que tem sido investido na promoção do disco e na próxima turnê de Riri, a qual deverá estrear muito em breve.

Repetindo a parceria de sucesso com o Drake (com quem já havia trabalhado em “What’s My Name” e “Take Care”), é com um dos rappers mais bem sucedidos da atualidade que a cantora gravou “Work”, o first single oficial do novo álbum. Apagando qualquer vestígio deixado pelas canções anteriormente divulgadas e que, aparentemente, estariam ao menos na tracklist do “Anti” (e que no final acabaram por ser engavetadas), Rihanna não teve medo algum de repaginar completamente o rumo que estava tomando na sua mais recente fase musical e na maneira como o público a estava enxergando (algo também vivido por Hilary Duff com o álbum “Breathe In. Breathe Out.” e os singles que o antecederam). Convidando outros artistas super requisitados da indústria como o produtor Timbaland e as cantoras-compositoras Kiesza, Natalia Kills e Florence Welch (das quais somente a primeira não teve uma faixa aproveitada na edição final do disco), Riri se jogou de cabeça no processo criativo do material e, diferente de toda a sua discografia, coescreveu 99% das faixas do “Anti” – fazendo a linha mais autoral de “Rated R” e “Unapologetic”.

Todavia, não é só na parte lírica que o novo álbum da cantora se assemelha aos seus 4º e 7º discos, consequentemente se afastando dos populares “Loud” e “Talk That Talk”: assim como os primeiros, “Anti” soa muito mais sombrio do que poderíamos, um dia, imaginar. É claro que para toda regra existe uma exceção (e é aqui que estamos desconsiderando qualquer faixa mais mainstream de ambos os discos), mas, pela primeira vez em toda sua carreira, Rihanna parece ter optado por um caminho só seu, e não de seus agentes publicitários. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais conhecidos, o novo material foca em um lado da moça que talvez a maioria das pessoas desconheçam: o de uma mulher sensível e cheia de vulnerabilidades (mas, que ao mesmo tempo, é dotada de uma força surpreendente; uma verdadeira sobrevivente do caótico mundo da fama, da popularidade e dos holofotes).

Muito diferente do som experimentado em “Bitch Better Have My Money” e “American Oxygen” (que foram muito mais pesados e conceituais) e levemente semelhante a “FourFiveSeconds” (que apostou em uma batida mais acústica), fica claro em “Anti” que o objetivo da sua criadora foi outro senão afastar-se das tendências seguidas pelos demais músicos de sucesso (algo até então inédito em sua trajetória). É claro que nem todas as canções do material soam tão incomuns assim – como é o caso de “Consideration”, a faixa responsável por abrir o disco e que parece ser o resultado da fusão de “Talk That Talk” com “Unapologetic”; ou “Love on the Brain”, talvez a prima mais velha e madura de “Love Me Like You”, das Little Mix –, mas, em sua maioria, tudo soa muito novo e totalmente inovador para nossos ouvidos.

Em oposição aos últimos 7 discos assinados por Rihanna, “Anti” é aquele que você precisará ouvir mais de uma vez para entender o seu propósito, pois diferente do restante da discografia, não te cativará logo de início (exatamente pela ausência das batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia com as quais já estávamos acostumados). Não que “Work” não cumpra o seu papel de chamar a atenção do público com o seu lado mais festivo e regado a muito R&B (o forte de seus dois intérpretes), mas, assim como todo o resto do material, pende para um lado menos extravagante, mostrando-se o carro-chefe mais modesto (modesto, e não fraco) já liberado pela morena – em contrapartida ao gigantismo de “Umbrella”, “Only Girl (In The World)”, “We Found Love” e “Diamonds”.

Muito pelo contrário: revelando uma faceta mais intimista e humilde, Riri prova que menos pode ser mais e revela que o segredo de “Anti” está exatamente na simplicidade com a qual suas faixas se desenrolam e crescem ao longo de seus serenos 50 minutos e 16 segundos (destaque para “James Joint”, “Never Ending” e “Close To You”). Tendo tempo, ainda, para testar algo mais original nas brilhantes “Woo”, “Desperado” e “Same Ol’ Mistakes”, até mesmo o indie da Florence + the Machine pode ser reutilizado na intro “Goodnight Gotham”, a qual contém elementos de “Only If For A Night” (do álbum “Ceremonials”, de 2011), e foi composta ao lado de Paul Epworth, Florence Welch e C. Boggs. Uma parceria bem improvável que definitivamente deu super certo!

Quase sempre vista como uma máquina de criar hits esmagadores, a cantora (que para muitos não passa de um símbolo sexual que vira e mexe se mete em polêmicas) confirma que ainda há muito para acrescentar ao meio artístico, e que diferente da opinião alheia, não é apenas uma hitmaker qualquer. Com 13 faixas em sua edição standard (e 16 na deluxe), “Anti” não funciona apenas como o sucessor do “Unapologetic” e vai muito mais além ao brincar com instrumentais intensos e vocais louváveis (ora despojados, ora consistentes). Alternando entre o sério, o experimental e o melodramático, é por meio de seu 8º disco de inéditas que Rihanna tenta nos passar a mensagem de que está aí para nos acrescentar algo importante, algo muito maior do que meras canções de pop-chiclete. Se um dia a cantora pode ser chamada de “A Princesa das Pistas”, talvez no futuro ela possa ser lembrada como alguém que não teve medo de se arriscar seguindo o seu coração, a sua intuição e a sua vocação (e não a vontade do público) para se tornar uma lenda da música contemporânea.

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6 thoughts on “Corajosa, Rihanna nada contra a maré e dá um show de simplicidade com seu novo álbum “Anti”

  1. Tatiane Rodrigues 4 de fevereiro de 2016 / 12:34 AM

    Aqui sempre sendo minha fonte de informação, viu?! Não só adorei a matéria, como conheci as propagandas da Samsung, que nem sabia da existência! Obrigada e parabéns!

    • Marcelo 4 de fevereiro de 2016 / 1:42 AM

      Agora você precisa ouvir o álbum novo dela. Tá bem diferente, mas uma delícia, super recomendo. Obrigado ❤

  2. Lari Reis 7 de fevereiro de 2016 / 11:29 AM

    Li algumas pessoas dizendo que Rihanna fez um álbum para agradar a crítica. Eu não sei avaliar isso. Finalmente ouvi ANTI e achei mesmo muito bom. Achei mesmo que ela fugiu do universo em que estava inserida e gostei de ouvir algo que não soasse como “mais do mesmo”. Valorizo quem busca fazer isso no meio pop, sobretudo alguém que já atingiu o sucesso se mantendo fiel a um estilo.

    Queria apenas dizer que achei Higher muito Sia! haha.

    ps: compartilhei seu post na página do Yellow

    • Marcelo 7 de fevereiro de 2016 / 1:47 PM

      Eu vi muita gente criticando a Rihanna por não seguir as tendências, como se fosse obrigação dela só fazer música genérica. A verdade é que criaram muitas expectativas por causa dos últimos singles, e quando ela veio com um álbum totalmente diferente, poucos conseguiram entender a proposta por trás do Anti. Sinceramente, achei esse o trabalho mais sincero dela que ouvi. Você está certíssima, Lari, ela ousou sem medo, e eu também aplaudo isso. Higher é bem Sia mesmo, hahhahah. E obrigado por compartilhar ♥

      • Lari Reis 7 de fevereiro de 2016 / 10:14 PM

        Eu acho que o que vai nos dizer qual é a real de Anti é a sequência. É como Riri vai fazer música de agora em diante. Eu acho ótimo que ela tenha mudado, gostei bem mais!
        :*

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