“Elixir”: vale a pena ler?

Apesar de esporadicamente atualizarmos a nossa seção literária com um post ou outro no qual recomendamos a leitura de alguma obra, já faz um bom tempinho que não vemos por aqui a continuação do especial “Vale a pena ler?” – o último foi com “Quadribol Através dos Séculos”, da J.K. Rowling (relembre). É um tanto quanto óbvio que, para escrever uma resenha literária, primordial que a pessoa por trás do texto leia algum livro, e talvez esta seja a maior justificativa pela grande ausência deste quadro aqui no Caí da Mudança (e, por isso, peço desculpas pela negligência e já os comunico de que isto tem sido revisto cuidadosamente).

Explicações à parte, chegou o grande momento de resgatarmos este especial lá do fundo do baú (afinal, a nossa última atualização se deu em um já longínquo setembro de 2015) e revelar que o título escolhido para marcar este retorno foi “Elixir”, o primeiro volume da trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff. Na publicação de hoje, conheceremos apenas “Elixir”, mas já prometo, desde já, tentar ler o mais breve possível as sequências “Devoted: Devoção” e “True: A Verdade” para fechar este ciclo rapidamente – e, quem sabe, iniciar muitos outros ao longo dos próximos meses (e não dos próximos semestres).

Este texto é livre de spoilers: boa leitura!

Capa alternativa de “Elixir”

A primeira informação que precisamos ter em mente é que Hilary Duff, apesar de ser uma multifacetada cantora e atriz, não é uma novata no mundo dos negócios: além de já ter desenhando a sua própria linha de roupas, a moça já associou o seu nome a diversos outros produtos como bonecas, fragrâncias e muitas outras mercadorias disponibilizadas no mercado ao longo dos últimos 14 anos. Todavia, “Elixir” marca a sua estreia como romancista, então talvez seja um tanto quanto compreensível que seu primeiro livro se mostre uma obra bem “meia-boca”, certo? É aí que você se engana (e logo mais saberá o porquê).

Recebendo o auxílio de Elise Allen (escritora que assina a obra ao lado de Duff e já trabalhou em diversos outros projetos, como “Autumn Falls”, de Bella Thorne), “Elixir” foi publicado pela “Simon & Schuster” – uma das maiores editoras de língua inglesa de todo o mundo – em outubro de 2010. No Brasil, o romance com elementos de ficção foi traduzido por Otávio Albuquerque e redistribuído pela Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais). Disponível para compra desde junho de 2011, possui 280 páginas divididas em 13 capítulos. Seu sucesso comercial foi tão grande que chegou a entrar para a cobiçada lista dos poderosos best-sellers do “The New York Times”, na sessão de livros infantojuvenis.

Logo em seu capítulo de abertura, Hilary e Elise nos introduzem ao estimado personagem central de sua trama: Clea Raymond. Filha de um conhecido cirurgião e de uma influente senadora norte-americana, desde muito jovem a garota sabe o que é ter os holofotes virados para si e vive em uma constante luta contra a mídia e os paparazzi que a perseguem para todos os cantos. Trabalhando com fotojornalismo e viajando o mundo para os lugares mais inimagináveis, Clea divide seu tempo entre a paixão pela fotografia e a atenção de seus dois melhores amigos: Rayna, uma namoradeira nata, e Ben, o clássico Sr. Friendzone.

A capa nacional de “Elixir”

Após passar por um grande tumulto na França ao lado de Rayna, Clea retorna para os Estados Unidos e tenta tocar sua vida adiante. Todavia, enquanto vasculha algumas das fotos tiradas em sua última viagem pela Europa, ela percebe um detalhe assustador que jamais notara antes em qualquer trabalho de sua carreira: um homem misterioso que aparece ao fundo de cada captura, sempre escondido em meio aos cenários visitados. Intrigada com esta presença aparentemente fantasmagórica e movida pelo desaparecimento inexplicável de seu pai, Grant, ela recorre à ajuda de seus melhores amigos para decifrar suas dúvidas e percorre por países como o Brasil e o Japão para tentar entender a estranha ligação desses eventos até então incomunicáveis.

Impulsionado por uma história cativante que se desenrola naturalmente, “Elixir” acerta em diversos passos e nos surpreende com uma leitura de fácil compreensão, sem termos muitos rebuscados ou desnecessários. Dividido em apenas 13 capítulos que geralmente beiram as 20 páginas, o livro surpreende ao não cair no monótono e nos guia sedentos até suas derradeiras palavras, sempre trazendo uma nova informação para saciar toda a curiosidade que criamos logo que começamos a lê-lo. Combinando tons de ficção com romance e aventura, tudo cresce na medida em que cada situação e personagem parecem estar posicionados perfeitamente em seus devidos lugares, tudo milimetricamente calculado.

Narrando toda a história em primeira pessoa, logo de cara Duff investe todos os seus esforços em fazer com que nos apaixonemos por Clea – e, para isso, recorre a características bem peculiares de algumas personalidades que viveu para as telonas dos cinemas (como Sam Montgomery, de “A Nova Cinderela”; e Holly Hamilton, de “Paixão de Aluguel”). Tanto o é que, inevitavelmente, em diversos momentos é bem provável que você leia sobre Clea e imagine a própria Hilary sob a sua pele, dando vida a uma garota divertida, inteligente e desajeitada, mas um bocado séria e até mesmo cética. Completamente o oposto de sua melhor amiga (Rayna), Clea parece não se importar muito para as vantagens de ser uma celebridade e se mostra uma pessoa altamente introspectiva, alguém que nem sempre diz o que realmente pensa: talvez uma versão mais madura da Terri Fletcher, de “Na Trilha da Fama”. Resumidamente, é impossível não se simpatizar (e, é claro, se identificar) com ela.

Hilary na “Borders Books & Music” de Nova Iorque, em outubro de 2010, durante sessão de autógrafos de “Elixir” (foto por Jason Kempin)

O interessante sobre “Elixir” é que, apesar de misturar diversos contos e lendas mitológicas com os dias atuais de uma Connecticut do século XXI, a ousadia da autora funciona bem e nos faz ver a tudo com um olhar de admiração, e não de rejeição. É verdade que o livro divide-se o tempo todo entre os sentimentos de Clea com as situações que a rodeiam e os mistérios que se camuflam por esta realidade paralela, mas, diferente do que poderíamos esperar, a Srtª Raymond não decepciona e revela um senso de humanidade imensurável. Diferente de outras mocinhas da literatura que criam uma devoção macabra pelos homens de suas vidas e passam a viver em sua função (como, por exemplo, a Bella Swan, de “Crepúsculo”), Clea mostra-se um indivíduo altamente comum que toma as atitudes de um ser humano equilibrado. Assim como você e eu, ela possui os seus momentos de insegurança e orgulho, e é exatamente por este lado imperfeito que a garota não passa despercebida diante de nossos olhos.

Todavia, em meio a tantos passos certeiros e aplaudíveis, talvez os únicos deslizes cometidos pela autora se mostrem na maneira como os cenários são tão pouco explorados em alguns capítulos da trama (não que isso tenha ocorrido pela falta de tentativa, é claro) e em como todo o enredo foca muito em Clea e quase nada nos demais personagens – mesmo sendo narrado em primeira pessoa, nós sabemos que dava para contornar melhor esse ponto, hein dona Hilary!? Contudo, mesmo não sendo um Shakespeare dos tempos modernos, Duff ganha pontos positivos por ter desenvolvido uma história original que, sem sombra de dúvidas, merece a atenção de cada um de nós (um detalhe que, ao meu ver, já é mais do que suficiente para introduzi-la tão bem ao universo literário). Como um longa-metragem que é exibido ao virar de cada página, “Elixir” é uma obra que vale a pena ser conferida não apenas por ter sido escrita por um dos maiores nomes femininos da atual “Hollywood”, mas principalmente por trazer toda a magia que somente um bom livro pode ser capaz de transmitir.

Se interessou por “Elixir”? Então leia agora mesmo o primeiro capítulo deste livro acessando este link.

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5 comentários sobre ““Elixir”: vale a pena ler?

  1. Lari Reis 7 de março de 2016 / 9:56 PM

    Acho que nem sabia que Duff escrevia. Tenho em mente a imagem dela como a personagem carismática dos filmes que já assisti, mas nunca a vi além disso. Achei bem interessante. Não só pela “novidade”, mas por essa resenha tão bacana.
    Uma das coisas que eu mais gosto aqui é como você contextualiza seu leitor sobre a pessoa tema de cada post. Desse jeito, você sempre deixa seu conteúdo acessível. Sei que isso requer dedicação e conhecimento. Valorizo muito seu empenho 🙂

    • Marcelo 8 de março de 2016 / 12:23 AM

      A maioria das pessoas não sabe que ela escreve (eu mesmo, quando descobri, fiquei bem surpreso), então a vontade que dá é de colocar esse post em um outdoor pra espalhar as boas novas, hahahh.
      Nada que uma pesquisa aprofundada e um pouquinho de amor de fã não resolvam. Claro, tento ser o mais imparcial o possível para ter uma visão ampla do assunto (e não camuflar os fatos), mas acho que no fim o que deixa bacana é essa admiração e respeito. Obrigado, Lari ❤

      • Lari Reis 8 de março de 2016 / 11:00 AM

        Vai ver merecia um outdoor mesmo, haha!
        Por nada, Marcelo:
        Beijos!

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