Transbordando feminismo, Meghan Trainor está afiadíssima em “No”, sua nova música e clipe

Se 2015 foi um grande ano para Meghan Trainor, 2016 já começou com o pé direito e tem tudo para superar qualquer expectativa criada por todos aqueles que curtem o som produzido pela cantora. Isso porque, após levar para casa o gramofone de “Artista Revelação” na última edição do “Grammy Awards”, a norte-americana que virou febre com a canção “All About That Bass” mostra que não dorme em serviço e fez questão de nos entregar já no último dia 4 uma brilhante prévia do seu novo trabalho.

Depois de conquistar o topo das paradas de sucesso com os hits do álbum “Title”, finalmente a ex-loira dá os passos iniciais do seu tão aguardado retorno para a indústria musical após a já distante “Like I’m Gonna Lose You”. Prestes a nos disponibilizar o disco “Thank You”, o segundo de sua carreira – e que deverá estar à venda somente daqui há dois meses –, a mais nova aposta de Meghan para as rádios do mundo todo é “No” (estilizada “NØ”), o primeiro single do seu material ainda inédito.

Estreando na posição de nº 11 na “Billboard Hot 100” – a parada de singles mais importante dos EUA –, “No” foi aclamada pela crítica e por grande parte do público, muitos dos quais a compararam ao som das boybands que dominaram o final dos anos 90 e começo do novo milênio (como o NSYNC). Liberada sob o selo da “Epic Records”, a faixa foi composta pela própria cantora em parceria com Jacob Kasher e Ricky Reed enquanto o trabalho de produção ficou sob a responsabilidade de Reed (o mesmo do hit “Bo$$”, do Fifth Harmony).

Com previsão de lançamento para o dia 13 de maio deste ano, “Thank You” (capa acima) trará 11 novas faixas na edição standard e 15 na deluxe, devendo conter, além de “No”, a ainda inédita “Woman Up”

Composta em um único dia, Trainor revelou que a inspiração para a nova música surgiu após sua gravadora afirmar amargamente que “seu próximo material não continha um hit sequer”, o que a fez “entrar em estúdio e gravá-la imediatamente”. Impulsionada pela declaração negativa (e construtiva) e inspirada a dar vida ao que seria seu mais recente hino sobre empoderamento feminino, a faixa fala por si só e foi o suficiente para deixar até mesmo L.A. Reid de queixo caído.

Liricamente, “No” relata a insatisfação de Meghan com as investidas de um homem que não se dá por vencido e tenta conquistá-la a qualquer custo. Sendo contundente ao manter sua postura de independência e afastando a figura da objetificação da mulher, a cantora enche o peito de coragem e faz da sua voz uma verdadeira plataforma capaz de propagar a liberdade e a igualdade, temas ainda vistos com bastante receio pela sociedade moderna (e machista) dos dias atuais.

Dando um basta na ditadura da beleza e na doentia procura pelo corpo perfeito, a moça assumiu suas curvas naturais e fez do clipe de “No” a obra mais ousada de sua carreira (até agora): afinal, existe maneira melhor de esnobar alguém senão convidando suas melhores amigas para sensualizar muito em frente às câmeras? Caprichando no figurino e até mesmo na coreografia, o trabalho é recheado de diversas cenas provocantes que vêm para brincar com o imaginário masculino em meio a um mar de mãos, toques e corpos femininos. Porém, não é só nisso que a morena decidiu inovar!

Apesar de poucos perceberem, é muito comum nesta indústria estabilizar-se em um determinado som e explorá-lo o máximo possível, retirando da sua “galinha dos ovos de ouro” todos os frutos possíveis (e impossíveis). Contrariando esta prática cotidiana e chegando com um visual bem diferente daquele adotado no começo de sua carreira (e não apenas na sonoridade, mas também na aparência), Trainor pode fazer de “Thank You” (graças a “No” e seus singles sucessores) a ferramenta perfeita para consolidar-se de uma vez por todas no cenário musical como uma artista de prestígio e renome.

Liberado na última segunda-feira (21/03), o videoclipe da música traz uma faceta de Meghan Trainor que ainda desconhecíamos

Percorrendo uma trajetória perigosa e que poucos já ousaram trilhar, é gritante a diferença entre a temática abordada no primeiro disco de Meghan e a que parece ser o grande foco de seu futuro projeto (apesar de que, no fundo, não precisamos nos esforçar muito para lembrar que a sua própria estreia por este meio já se iniciou de uma maneira bem autêntica, desligada do mercado mainstream; então, talvez fosse até esperado que o aguardado sucessor de “Title” já chegasse causando um burburinho aqui e outro ali).

Saindo da sua zona de conforto caracterizada pela sonoridade pop influenciada pelas batidas das décadas de 50 e 60, Trainor, de fato, traz em “No” uma nostálgica passagem de volta para os bons e velhos tempos do dance-pop e R&B do final da década de 90 e começo dos anos 2000. Relembrando aquela pegada bem Britney, Christina e Destiny’s Child que tanto fez a cabeça de milhares de adolescentes que hoje já são bem crescidinhos, a musicista demonstra ser uma aluna dedicada que não poupa criatividade ao caprichar na sua lição de casa. Porém, todo cuidado é pouco!

É claro que, em se tratando de um nome tão jovem como o de Meghan Trainor, muitas perguntas sem respostas permanecem pairando pelo ar (algo completamente compreensível, já que a garota mal se lançou como cantora e nada sabemos sobre o que está por vir). Por isso, ao invés de já cantarmos vitória antes da hora, devemos nos preocupar, pelo menos por enquanto, em não criar muitas expectativas. Assim como a recente “Dangerous Woman” de Ariana Grande, “No” é sem sombra de dúvidas um ótimo carro-chefe, mas vale lembrar que este é apenas o começo de uma era que ainda tem muito a revelar. Fazendo da sua experiência pelos holofotes uma eficaz aula de História da Música Norte-americana, a novata prova que mais do que uma mulher com bastante conteúdo e atitude, é alguém que tem o potencial para se tornar um dos maiores ícones da música pop contemporânea. Basta descobrir se Meghan fará boas escolhas daqui por diante, acertando ao usar esse potencial da maneira correta, ou se cairá na mesmice que acaba sendo a grande regra do triste mercado fonográfico dos dias de hoje.

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