Sem perder o foco, novo álbum de Gwen Stefani surpreende com vibe urbana e intimista

Há pouco mais de um mês, tivemos o prazer de escrever um pouquinho mais sobre “Make Me Like You”, o mais recente single assinado pela Gwen Stefanirelembre a nossa publicação. E, como promessa é dívida, não poderíamos deixar o mais recente lançamento da cantora passar em branco aqui no nosso blog sem a elaboração de um post exclusivo em sua comemoração. Agora, quase abril e já com o novíssimo álbum da veterana em mãos, finalmente chegou o momento de descobrir o que uma das maiores vozes dos anos 2000 teve a dizer nas composições do seu recém-lançado disco de inéditas (o qual vem sendo gravado e programado desde o ano passado).

A seguir, fizemos um compilado com tudo o que você precisa saber sobre o maravilhoso “This Is What the Truth Feels Like”. Vem com a gente:

Precedentes, lançamento e detalhes técnicos:

A cantora durante as gravações do clipe de “Make Me Like You”

Terceiro álbum de Stefani como solista e o nono de sua carreira (para quem não sabe, ela também é vocalista da banda No Doubt), “This Is What the Truth Feels Like” é o primeiro projeto solo da moça após quase 10 anos do longínquo “The Sweet Escape”, de dezembro de 2006. Introduzido pelo carro-chefe “Used to Love You”, a emocionante baladinha que foi lançada em outubro de 2015 (e conquistou, de imediato, a aprovação de todos aqueles que acompanham os passos musicais da loira), o disco é hoje promovido por “Misery”, a faixa originalmente pretendida para ser o segundo single (mas que agora atua apenas como música promocional).

Já disponível para compra desde o dia 18 de março, “…Truth Feels Like” foi lançado sob o selo da “Interscope Records”, a mesma responsável pelos outros dois trabalhos solo de Gwen. Estreando na primeira posição da “Billboard 200”, é, até a presente data, o lançamento mais bem-sucedido de Stefani nos charts estadunidenses, sendo o primeiro a atingir o topo da parada. Distribuindo 76 mil cópias na semana que foi finalizada em 24/03 (e contrastando contra as 243 mil do “The Sweet Escape”, que ficou em #3, e as 309 mil do “Love. Angel. Music. Baby.”, que ficou em #5), o atual projeto marca, infelizmente, a first week mais modesta na trajetória da musicista (apesar de não ficar nada atrás dos demais materiais protagonizados pelos outros veteranos da indústria pop).

O lyric video oficial de “Misery”

Recebendo as produções de um time gigantesco de profissionais que variam de Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem a Stargate, a própria cantora é creditada, ao lado de Justin Tranter, como uma das principais compositoras do atual projeto, tendo coescrito cada uma das 18 novas faixas (outros escritores incluem Julia Michaels, Tor Hermansen, Mikkel Eriksen e Willie Maxwell II). Classificado predominantemente como pop, “This Is That the Truth Feels Like” soa como uma moderna combinação de R&B com disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk, gêneros já revisitados milhares de outras vezes pelo extenso catálogo de Gwen (seja no No Doubt ou fora dele).

Redescobrindo-se:

Stefani em imagem oficial do ensaio fotográfico promocional do disco

Apesar de serem inúmeras as referências ao começo da carreira solo de Stefani por todo este novo disco (como a animadinha “Where Would I Be?”, uma junção de reggae-pop com AlunaGeorge que traz um break memorável à la “Hollaback Girl”), muitos são os momentos em que a cantora preferiu dar preferência por um caminho mais moderno e urbano, contrariando a expectativa de quem aguardava por um material ao estilo “Make Me Like You”. Nesse sentido estão as perigosíssimas “Red Flag”, “Asking 4 It” e “Naughty”, músicas que se orientam bastante pelos instrumentais do hip-hop e vêm para exaltar toda a paixão de Gwen pela black music.

Contudo, apesar de todo o álbum se redirecionar bastante para este som retirado diretamente das entranhas do gueto norte-americano, “…Truth Feels Like” não para por aí e nos surpreende na medida em que se desenvolve (e cresce) a cada vez que o colocamos pra tocar. Como se cada nova canção estivesse interligada à sua antecessora e sucessora, o trabalho se fortalece e parece estar enraizado a uma mesma origem musical (por mais que, no começo, soe um tanto quanto “desconexo”; então, tente se sintonizar à essa vibe antes de dar sua opinião final).

O fim de um amor… e o começo de outro:

“This Is What the Truth Feels Like”, o novo álbum de Gwen Stefani, possui 12 faixas na edição standard e outras 6 bônus que foram parar nas versões internacional, deluxe e japonesa

Partindo para uma vertente mais pessoal que, inevitavelmente, foi inspirada pelo inferno vivido pela cantora após superar o fim de um casamento de 13 anos, encontramos em “Me Without You”, “Loveable” e “Rare” grandes apostas que poderiam, facilmente, ter substituído a morna “Used to Love You” sem maiores transtornos. Falando diretamente sobre o divórcio e todo o processo de reconstrução de sua independência, Stefani capricha nas indiretas das duas primeiras canções e deixa claro que, a partir de agora, “pode amar, dizer e fazer o que bem entende”. Ah, e isso sem nos esquecermos da melodiosa “Rare”, que assim como o segundo single do álbum, vem para enterrar o passado e falar um pouco mais sobre a ótima fase vivida pela loira ao lado do também cantor Blake Shelton (desde que decidiram se “conhecer melhor” após um primeiro contato no reality show “The Voice”, os recém-namorados não se desgrudam mais).

Entretanto, como boa musicista que é e que gosta de valorizar o seu passado, não é só com este novo som que Gwen decidiu preencher sua mais recente era (e aqui vai a dica para todos aqueles que não curtem “mudanças de estilo” inesperadas).

Nem tão diferente assim:

Você confere a tracklist completa do disco acessando este link

Relembrando bastante toda a excentricidade e confusão que tanto amamos conhecer em “Love. Angel. Music. Baby.”, “Rocket Ship” e “Obsessed” têm a importante tarefa de, assim como o break de “Where Would I Be?”, resgatar a já conhecida identidade de Gwen Stefani como solista (não que esta nova sonoridade não tivesse, por si só, sido capaz de fazê-lo).

Aventurando-se por batidas insanas que nos trazem um show de cores e luzes digno do seu primeiro disco solo, a loira esbanja uma criatividade sem tamanhos em faixas que, além de cativantes, provam que nem toda edição deluxe necessariamente é recheada com canções “tapa buraco” (aquelas que só entram no CD para ocupar espaço). Aliás, muito pelo contrário: você precisa ouvir algumas pérolas como “Splash” e “War Paint”, que apesar de serem bem diferentes de tudo que já foi gravado pela cantora, continuam a exalar a forte personalidade de Stefani.

A voz da experiência:

Contando seu tempo com o No Doubt, Gwen está na indústria musical há exatos 30 anos

Em meio a tantos destaques (como a misteriosa “You’re My Favorite”, a montanha-russa de sensações “Getting Warmer” e a libertadora faixa-título “Truth”), é incrível como o terceiro álbum solo de Gwen não desaponta em uma faixa sequer. Apesar de seguir uma única direção do começo ao fim (à exceção, é claro, da super alto astral “Make Me Like You”), todo o disco soa muito maduro e sombrio, características bem condizentes com tudo o que a cantora passou após o término de seu casamento e que inspirou as novas composições. Sendo uma obra completamente dedicada ao amor, às despedidas e a um recomeço forçado, “…Truth Feels Like” é tão enigmático que ganha sempre um pouco mais da nossa atenção a cada play, revelando um milhão de facetas até então desconhecidas de uma das estrelas pop mais multifacetadas deste milênio.

Sem cair na mesmice e deixando de ser melodramático o tempo inteiro (o que convenhamos, era o maior perigo ao se optar por essa temática tão pessoal), todo o conjunto de músicas parece ter sido programado para fechar o ciclo de maneira perfeita, nadando contra a maré de recentes trabalhos que mais parecem “coletâneas de singles” a “álbuns de estúdio”. Totalmente coeso ao trabalhar nas influências que, juntas, foram capazes de fundir em um som homogêneo e harmônico, “This Is What the Truth Feels Like” extrapola o previsível e vem carregado com faixas totalmente originais recheadas com muito fôlego e carisma (duvido que você terá vontade de pular qualquer uma delas).

Quem comanda?
Quem comanda?

A produção do disco combinada ao vocal exótico da cantora casaram TÃO BEM que até nos esquecemos que este novo material levou tanto tempo para ver a luz do dia (só esperamos que o próximo não demore tanto assim, não é?!). Trabalhando com refrãos intensos e dando uma leve pincelada em tudo que tem tocado no mercado mainstream, o terceiro álbum de Gwen Stefani é, certamente, não apenas um dos melhores lançamentos do ano, mas também um verdadeiro encontro de alta qualidade com a experiência que só um nome como o de Gwen é capaz de nos propiciar. Vida longa à rainha!!!


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