Enterrando o passado, Zayn renasce em “Mind Of Mine”, o primeiro álbum de sua carreira solo

Quando a envolvente “Pillowtalk” foi lançada há pouco mais de dois meses como o primeiro single da carreira solo de Zayn, mal sabíamos que a canção se tornaria um hit instantâneo ou que alcançaria o #1 de diversos países do mundo inteiro. Inclusive, naquela época, até chegamos a fazer um post exclusivo (relembre aqui) comentando sobre o potencial da música e toda a ânsia de mudanças que o Sr. Malik vinha alimentando desde que saiu do One Direction. Contudo, as novidades estavam apenas começando.

Sabendo que não seria com apenas uma faixa isolada que conseguiria manter o grande foco do público, foi em meio a inúmeras expectativas que finalmente pudemos descobrir o que o moço veio experimentando após ter deixado a banda que o levou ao estrelato. E, é sobre o novo projeto do cantor, o disco “Mind Of Mine”, e suas maiores influências, que iremos falar um pouquinho mais na publicação de hoje. Então, não perca mais tempo, acomode-se na cadeira (sofá ou qualquer outro lugar onde esteja) e vem com a gente para mais uma resenha musical!

Precedentes:

O cantor em ensaio fotográfico para a “Culture Magazine”

Após sair do anonimato e consagrar-se em uma das boybands mais bem-sucedidas da atualidade, Zayn Malik não demorou para crescer aos olhos do público e se tornar um dos membros mais queridos do One Direction. Recebendo a oportunidade de trabalhar com música enquanto dividia as luzes dos holofotes com os outros quatro colegas do “The X Factor”, as coisas caminharam bem até a estreia da turnê promocional do disco “Four”, o quarto do antigo quinteto.

Isso porque, assim que os primeiros shows da “On The Road Again Tour” tiveram início em fevereiro de 2015, foi questão de poucos dias para Malik abandonar os espetáculos alegando “estresse” – o que, mais tarde, seria confirmado pela sua saída definitiva do grupo. Porém, o que seria apenas um período de férias para “reencontrar-se”, de uma maneira ou outra, acabou não durando muito tempo e mudou a vida de Zayn definitivamente – uma decisão que o redirecionou até um contrato com uma nova gravadora e a abertura de sua tão desejada carreira solo.

Lançamento e detalhes técnicos:

A capa do “Mind Of Mine”, a qual é ilustrada por uma foto de Zayn durante a infância

Passando a maior parte do ano passado trabalhando dentro dos estúdios de gravação amparado a um forte time de produtores e compositores, toda a desesperadora espera pelo primeiro projeto solo de Malik (o quinto de seu catálogo) foi encerrada no último 25 de março. Liberado sob o selo da “RCA Records”, gravadora que mantém vínculos com o cantor desde 2015, “Mind Of Mine” marca não apenas a estreia do garoto como solista, mas também é responsável por mudar radicalmente a maneira como passamos a enxergá-lo profissionalmente. Estreando na primeira posição da “Billboard 200”, espalhou em apenas sete dias impressionantes 157 mil cópias por todos os EUA.

Alavancado pelo lead single “Pillowtalk”, o qual ganhou as rádios de todo o mundo no final de janeiro, o trabalho é atualmente promovido por “Like I Would”, canção que se encontra disponível apenas na edição deluxe do álbum (sim, isso mesmo, você leu direito: o segundo single do material não está disponível na versão standard, como normalmente o é). Para quem acabou se perdendo em meio a tantas faixas disponibilizadas individualmente, vale dizer que as recentes “It’s You” e “Befour”, apesar de já terem seus videoclipes gravados e adicionados ao canal VEVO do cantor, no YouTube, não passaram de singles promocionais.

O vídeo oficial da promocional “Befour”

Com uma sonoridade que caminha predominantemente pelo R&B e pelo R&B alternativo (terminologia usada para se referir ao som mais contemporâneo produzido por cantores como o The Weeknd), “Mind Of Mine”, assim como tantos outros álbuns lançados nos últimos anos, não se contenta em caminhar por uma linha reta e faz uma mistura de sons que vem para exaltar toda a versatilidade de Malik. Passando pelas batidas do pop, folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e até mesmo música clássica, o novo material, surpreendentemente, exala um nível de maturidade que dificilmente encontramos em debut albums.

Mainstream ou independente: e agora?

Não deixe de conferir também o romântico clipe em preto e branco de “It’s You”

Enquanto fazia parte do One Direction e conquistava os corações de milhares de adolescentes de todos os lugares do mundo, inevitavelmente, o som do grupo britânico acabou se orientando bastante pelo pop comercial e característico de qualquer boyband de sucesso (afinal: este sempre foi o seu público alvo). Todavia, assim que teve a chance de se desvincular dos demais integrantes para fazer em estúdio o que já almejava há algum tempo (sabe-se lá desde quando o garoto queria se ver “livre” do contrato que o prendia ao 1D, já que a pressão deveria ser imensa), Zayn não poupou esforços ao convidar pessoas de sua confiança para lhe auxiliarem na busca pela sua verdadeira identidade.

E, foi a ajuda do ganhador do “Grammy” Malay (que já trabalhou com Frank Ocean) e de outros produtores como Levi Lennox, MYKL, XYZ e Alan Sampson que Malik conseguiu chegar ao resultado que tanto pretendia. Combinando algumas faixas mais mainstream (“Pillowtalk”, “She”) a outras mais experimentais (“Intermission: Flower”, “Blue”), o cantor parece ter conseguido encontrar um caminho intermediário que fosse capaz de trazer o melhor dos dois mercados em um trabalho que respeitasse qualidade e talento – prepare-se para muitos falsetes, vibratos (It’s You) e até mesmo freestyle (“Lucozade”) e reggae (“Do Something Good”).

Respirando os ares das antigas gerações:

Entre as 20 novas faixas do álbum (você confere a tracklist completa aqui), só há um featuring em “Mind Of Mine”: “Wrong”, com a Kehlani

Assinando cada uma das 20 novas músicas (outros compositores incluem James Griffin, Harold Lilly, Kehlani e Herbie Crichlow), assim como o mix de gêneros revisitados por Malik, a temática de “Mind Of Mine” demonstra uma profunda extensão ao discorrer por letras que variam de amor, felicidade, sexo e tristeza. Tomando por influência o grande legado construído pelas vozes da black music que fizeram parte de sua infância como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince, Zayn não teve medo de caprichar na intimidade e fazer um som bem pessoal, que tentasse definir quem ele realmente era (e é por esta razão que tudo soa tão natural e familiar, sem parecer “forçado” ou pretensioso).

Entre as brilhantes e memoráveis descobertas que podemos encontrar em “Mind Of Mine”, muitas são as gravações autênticas e que funcionam bem por todo o disco, cumprindo seu papel de nos introduzir a um novo Zayn (muito mais maduro, independente e à vontade com o material que está entoando). Contudo, para o caso de você ainda estar um pouco perdido em relação ao que ouvir primeiro ou dar preferência, recomendamos as dançantes “Befour”, “She” e “Like I Would”; e as alternativas “Rear View”, “Borderz” e “Lucozade” – e isso sem mencionar a tocante “Golden”, canção que encerra perfeitamente as edições japonesa e exclusiva da “Target”.

O labirinto mental de “Mind Of Mine”:

Tentando trazer para todos nós um pouquinho de tudo que já aconteceu por sua trajetória (desde o seu gosto musical pessoal à suas experiências de vida como cantor e pessoa), Zayn abre todo seu coração e nos apresenta canções altamente bem produzidas capazes de nos levar a uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas – e o melhor de tudo: sem perder aquele toque cru que é típico dos melhores álbuns autorais. Um claro exemplo disso está em “Pillowtalk”, o carro-chefe que tomou como inspiração o relacionamento amoroso do moço com Perrie Edwards (membro do Little Mix) e que foi o responsável por cativar o público de imediato.

Deixando todas as suas vulnerabilidades expostas a qualquer um que quisesse ouvi-las, o novo trabalho não peca ao entrar na mente do seu intérprete e retirar dali tudo que pudesse ser útil para esta nova empreitada. Ao passo que o álbum vai rolando solto, é como se a voz de Zayn nos conduzisse pelos inúmeros corredores e portas que se escondem em seu subconsciente, sempre prontos para nos contar uma lembrança ou história diferente. Abrindo-se como as páginas de um diário escrito e rasurado pelos intensos sentimentos do garoto, “Mind Of Mine” se mostra bastante coeso e cumpre o seu papel de “limpar o histórico de Malik” ao nos reapresentar um nome que já era conhecido do público… mas que, infelizmente, tinha muito do seu potencial restringido para agradar as grandes massas. Ainda bem que essas correntes foram finalmente rompidas, não é mesmo?


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3 thoughts on “Enterrando o passado, Zayn renasce em “Mind Of Mine”, o primeiro álbum de sua carreira solo

  1. Tatiane Rodrigues 8 de abril de 2016 / 11:16 PM

    Eu não gostava muito de 1D, mas tô adorando o Zayn. O post ficou impecável – como sempre! 💛

    • Marcelo 9 de abril de 2016 / 2:14 PM

      Fico tão feliz de saber que ele está, finalmente, tendo a liberdade que sempre quis (imagino como deve ser trabalhar com algo que você não se identifica). Obrigado, linda ♥

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