Anahí quebra o jejum e finalmente libera “Inesperado”, o seu novo (e encantador) 6º disco solo

Não é novidade para ninguém que Anahí foi a maior precursora do RBD ao apostar todas as suas fichas na carreira solo e consolidar-se na indústria do entretenimento após o término do grupo que integrou e conheceu por meio da novela “Rebelde”. Preparando sabiamente o futuro de sua trajetória como solista (um caminho que tem percorrido desde 1992), a inesquecível intérprete de Mia Colucci não poupou esforços ao visitar alguns estúdios de gravação durante o ano de 2009 e caprichar no seu aguardadíssimo quinto disco de inéditas (o primeiro após um intervalo de nove anos). Assim nasceu “Mi Delirio”, e o resto não apenas entrou para a história como você já deve ter ouvido falar.

O ponto é que, desde que encerrou a promoção e divulgação do seu aclamado álbum – lá por volta de 2011 –, a morena não fez muita questão de seguir com sua carreira artística além de liberar alguns singles promocionais e protagonizar a novela “Dos Hogares”. Casando em 2012 com Manuel Velasco Coello, governador de Chiapas (um dos 32 estados mexicanos), por muito tempo se discutiu se, um dia, Anahí voltaria a subir até os palcos musicais e daria continuidade à sua discografia com um posterior novo trabalho. Felizmente, foi após muita espera e inúmeras incertezas que 2015 chegou trazendo o que era desejado por todos aqueles que já não aguentavam mais esse torturante hiato indeterminado. Dessa forma, fomos apresentados às inéditas “Están Ahí” e “Rumba”.

A cantora mexicana em ensaio promocional para o “Inesperado” (fotos por Uriel Santana)

Agitando as coisas ao lado de Wisin, é verdade que “Rumba” já havia dado as caras por aqui em uma publicação pouco animadora, mas que, na época, foi eficaz ao nos preparar para os próximos capítulos de um dos comebacks mais aguardados deste último quinquênio. Sucedido pelos singles oficiais “Boom Cha” e “Eres” e da promocional “Siempre Tú”, finalmente todo esse segredo teve um fim na última semana: quando, no dia 3, “Inesperado” ganhou as prateleiras mexicanas e lojas virtuais do mundo todo. Atualmente sendo promovido pela balada mid-tempo “Amnesia”, o novo disco gravado entre os anos de 2015 e 2016 recebeu o selo da “Universal Music” e não só marca a entrada da cantora em uma nova gravadora (após a venda da “EMI”) como também a redireciona para uma sonoridade bem diferente da qual estávamos acostumados.

Em entrevista para a edição de junho da revista “Fernanda”, a moça se mostrou bastante entusiasmada com “Inesperado” e disse que seu recente projeto “é uma produção cheia de colaborações, surpresas e coisas inesperadas: por isso eu quis chamá-lo assim. [Além de ser] o nome de uma das canções, a verdade é que passei por coisas muito imprevisíveis nesse tempo todo. […] Fico muito orgulhosa disso, pois, acredito que quando se dedica, tudo sai muito bem”. Ela, inclusive, conta que, apesar de a probabilidade de voltar para a televisão seja mínima no momento (por conta das inúmeras horas de gravação demandadas por uma novela), seguirá “fazendo a sua música” e espera que todos “recebam com carinho” o lançamento em questão.

Predominantemente pop, “Inesperado” usa e abusa dos elementos típicos do dance-pop e vai além ao incorporar instrumentais influenciados pelo electropop, pelo reggaeton, pelo pop-rock e até mesmo pelo funk carioca. Incluindo 12 novas faixas das quais 2 são covers originalmente gravados por Ana Belén e Víctor Manuel (em “La Puerta de Alcalá”) e Hombres G (em “Temblando”), o sexto álbum de Anahí é rico em colaborações especiais e traz featurings com Wisin, Gente de Zona, Zuzuka Poderosa, David Bustamante e Julión Álvarez. Assinando a composição de 3 faixas exclusivas (os singles “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”), a musicista ainda divide os créditos de escrita com grandes nomes da música latina que já haviam marcado presença no respeitado “Mi Delirio”, dentre os quais destacamos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”).

Afinadíssima, Anahí esbanja também sua ótima (e invejável) forma física aos inacreditáveis 33 anos

Liberado em pré-venda duas semanas antes do seu lançamento oficial, “Inesperado” começou com o pé direito e fez bonito ao abocanhar todas as posições do top 5 do iTunes nacional: um dos territórios onde a cantora leva vantagem devido ao forte público que carrega por aqui. Atingindo o #1 dos charts digitais brasileiros e de mais outros quatro países (Colômbia, República Dominicana, Equador e Peru), o trabalho que conta com a produção de Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara (este último conhecido por já ter trabalhado com Lady Gaga e Thalía) atingiu o #2 no México e foi majoritariamente bem recebido pela crítica especializada – muitos dos quais elogiaram o retorno de Anahí para suas raízes latinas.

Combinando simetricamente música latina com baladas poderosas e faixas mais genéricas, “Inesperado” poderia (apenas à título exemplificativo, é claro) facilmente ser dividido em quatro atos formados, cada qual, de três faixas. O primeiro deles, e provavelmente o mais aguardado por todos aqueles que já haviam ouvido e aprovado o “Mi Delirio”, é o que trata de levar até o ouvinte um pop mais comercial – este representado por “Están Ahí”, “Juntos En La Oscuridad” e “Siempre Tú”. Ganhando destaque pelo uso de dance-pop e electropop, a vocalista não peca ao trazer canções altamente contagiantes que nos fazem lembrar o porquê de seu disco anterior tê-la consagrado tanto perante os fãs, o público e a mídia.

Curiosamente, é interessante que o mainstream não tenha dominado todo o atual trabalho e que a cantora tenha decidido dar uma nova chance para a sonoridade preponderante em sua terra natal – e que tivesse mais a ver com as suas origens latinas, por óbvio. Assim, o segundo arco de “Inesperado” chega até os nossos ouvidos por meio de “Arena Y Sol”, “Rumba” e “Boom Cha”. Intensamente regado a muito reggaeton (um ritmo que tem feito bastante sucesso por toda a América Latina pelos últimos anos), é aqui que duas das principais colaborações vocais que chamam a atenção dentre as 12 novas faixas vêm à tona: “Boom Cha”, gravada em parceria com a funkeira Zuzuka Poderosa; e “Rumba”, com o cantor porto-riquenho Wisin (do duo Wisin & Yandel).

O videoclipe oficial de “Eres”, dueto gravado com o cantor mexicano Julión Álvarez

Partindo para a terceira parte, deve ter sido depois de relembrar os felizardos acertos de seu catálogo musical com a gravação e liberação de algumas baladas de peso movidas a muita emoção que Anahí não deixou nada a desejar ao incluir no disco suas já conhecidas canções mais lentas. Fazendo uma brilhante homenagem aos velhos tempos de “Sálvame”, “Temblando”, “Amnesia” e “Eres” nos ganham logo de cara e se mostram, definitivamente, as melhores faixas deste gênero desde que “Alérgico” havia chegado para trazer um pouco mais de sensibilidade para o “Mi Delirio” – convenhamos que o que veio depois da primeira parceria dela com o Noel Schajris não chegou a causar tanta comoção assim.

Por fim, se a “Primeira Dama do Pop” não teve receio algum de relembrar suas origens mais íntimas abraçando de vez o reggaeton, também não teve medo recuperar toda a nostalgia que ajudou a construir não só ao lado do RBD, mas também muito antes, quando já atuava como solista. Dessa forma, o quarto ato de “Inesperado” é brilhantemente encerrado com “Me Despido”, “La Puerta De Alcalá” e a “faixa-título”: a primeira, levemente semelhante à sonoridade que rolou por todo o “Baby Blue” (de 2000) e as duas últimas bem similares ao som do “Empezar Desde Cero” (de 2007) e do “Para Olvidarte De Mí” (de 2009). Quer maneira melhor de manter-se fiel à sua própria identidade senão trazendo em pleno 2016 um pouquinho do que havia marcado sua trajetória há tantos anos atrás?

Definitivamente, “Inesperado” se mostra o material mais diversificado da ex-RBD até o presente momento e não apenas se sobressai devido ao seu profundo teor eclético, como também em decorrência do alto padrão de qualidade que é inerente a cada faixa que o integra. É certo que, apesar de inovar ao trazer inúmeros duetos do início ao fim (algo raro de se ver no catálogo da cantora), a maioria dos convidados especiais não se encaixa perfeitamente com a melodiosa voz de Anahí (apesar de ainda funcionar bem) e poderia facilmente ter sido dispensada na edição final do disco (das cinco parcerias nele presentes, Gente de Zona é quem recebe os nossos mais sinceros parabéns). Contudo, se a musicista decidiu por repartir a luz dos holofotes com os demais artistas que recebem destaque em seu novo álbum, ela também prospera ao beber de outras fontes musicais que chegaram em boa hora para revitalizar a sua sonoridade. Mesmo que se distancie um pouco do pop que maravilhosamente tanto nos encantou em seu trabalho anterior, Anahí permanece fiel ao seu histórico e trazendo o que de melhor sabe fazer sem cair nas mesmices: música boa de verdade.

“Inesperado”, o novo disco de Anahí, já se encontra disponível para compra digital desde o dia 3 deste mês; entretanto, sua versão física só deverá começar a ser comercializada no Brasil a partir de 24 de junho. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

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