À procura de novos horizontes, Delta Goodrem rompe as amarras e abre suas asas em “Wings of the Wild”

Há pouco mais de dois meses demos destaque, aqui no Caí da Mudança, para um dos últimos trabalhos assinados pela cantora australiana Delta Goodrem: a baladinha super pessoal “Dear Life” (relembre, agora mesmo, a nossa resenha especial sobre a música). Acontece que, de lá para cá, muita água rolou por mares e oceanos internacionais; e como se não fosse o suficiente abocanhar todos os elogios da mídia regional com uma gravação totalmente épica e não menos que honesta, a loira foi além ao liberar, no dia 1º julho, o seu esperadíssimo 5º disco de inéditas.

Sucedendo o saudoso “Child of the Universe” (2012), “Wings of the Wild” aproveitou o buzz gerado pelo hit incontestável “Wings” (recorde) e foi muitíssimo feliz ao chegar derrubando muros com “Enough”, o dueto recém-lançado em parceria com a rapper estadunidense Gizzle. Amparada a uma letra poderosa que não apenas traça novos limites como impõe objetivos mais promissores à atual fase artística da moça, a colaboração ocupa o posto de “Dear Life” de maneira memorável nos entregando um dos trabalhos mais audaciosos já protagonizados por Goodrem desde a dançante “Believe Again”.

A cantora em ensaio fotográfico para o álbum “Wings of the Wild”

Entretanto, não é só de singles que a musicista sobrevive e, se seu recente repertório acerta na escolha das faixas que o representam muito bem comercialmente, também ganha a confiança do ouvinte pela qualidade que é inerente à cada canção que o compõe. Isso, é claro, não nasceu de um dia para o outro, e se o esforço de Delta e sua equipe foi árduo desde o início das gravações (quando a nova era ainda era planejada e começara a ganhar forma), ao final o mérito atingido não poderia ser outro senão o exalado do começo ao fim pelo “Wings of the Wild”.

Gravado entre os anos de 2013 a 2016, “Wild” é distribuído sob o selo da “Sony Music Australia” e foi antecedido pela promocional “Only Human” (ouça) – além das oficiais “Wings”, “Dear Life” e “Enough”. Soando predominantemente pop, o material é bastante eclético e conta com inúmeras influências de gêneros como a dance music, o rap e até mesmo um pouco de rock. Atingindo o #8 nos charts neozelandeses, o disco estreou direto no topo australiano e já ostenta um merecido certificado de ouro pela impressionante venda de 35 mil cópias (este é o quarto #1 da moça na parada de álbuns de sua terra natal, sendo o primeiro em nove anos – quando o “Delta” encabeçou o feito lá em 2007).

Contendo as produções de Vince Pizzinga (quem trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e do duo DNA, “Wings of the Wild” abarca um time de compositores gigantesco que vai desde Martin Johnson (“Rock N Roll”, Avril Lavigne), a David Hodges (antigo membro do Evanescence), Jon Hume (vocalista do Evermore) e aos integrantes do 3OH!3 (Nathaniel Motte e Sean Foreman). Coescrevendo 12 das 13 faixas presentes no disco (à exceção de “I Believe in a Thing Called Love”, cover da banda inglesa The Darkness), Goodrem prepara atualmente a 4ª turnê de sua prestigiada carreira – a qual já possui, até o fechamento deste post, alguns shows agendados até novembro deste ano.

Confere só esse vídeo super legal publicado pelo “Delta Goodrem Brazil” que promove as Olimpíadas do Rio 2016 ao som de “In the Name of Love”, uma das novas faixas do “Wings of the Wild”

Descrito, pela própria cantora, como um trabalho que caminha pelas temáticas da “selvageria, da crueza e da liberdade”, “Wings of the Wild” distancia-se um pouco do pop que o público esteve acostumado a ouvir no restante do catálogo de Delta e se revela muito mais desafiador que o esperado. Isso porque, diferente das duas gravações anteriores (“Delta” e “Child of the Universe”) que haviam sido projetadas de forma pouco pretensiosa, este novo álbum não se contenta com pouco e vai muito além ao estender o perímetro sonoro pelo qual Goodrem tanto perambulou por esta última década. Recuperando a vivacidade tão nítida de “Mistaken Identity” (2004), as canções inéditas que fazem parte deste novo material se entrelaçam à temática proposta por sua vocalista e comprovam um nível de coesão genial.

Altamente moderno desde a sua primeira audição, “Wings of the Wild” nos harmoniza uma infinidade de gêneros que, diferente das recentes bagunças lançadas pelos demais artistas de 2013 para cá, funciona de maneira exímia e exibe todo o comprometimento de Delta com a criação, composição, produção e finalização de seu trabalho. Tomando apenas por norte (mas não como inspiração) um pouco de tudo que tem tocado nas rádios internacionais, a experiência que a australiana adquiriu ao lado de Anthony Egizii e David Musumeci (o duo DNA, o mesmo responsável pelos dois primeiros singles oficiais desta era) certamente foi eficaz ao abrir seus horizontes e introduzi-la para um novo público muito mais contemporâneo.

Gravada em parceria com a rapper Gizzle, “Enough” funciona como o 3º single oficial do álbum e teve seu videoclipe dirigido por Matt Sharp (o mesmo de “You Ruin Me”, do The Veronicas)

Aventurando-se pelo dance de “Feline” e “In the Name of Love”, pela black music de “Enough” e pelo pop mais simplista de “Just Call”, “Encore” e “Hold On”, “Wings of the Wild” se sobressai ferozmente e até se mostra nostálgico em “Heavy” e “I’m Not Giving Up” (ao retrabalhar a sonoridade que Goodrem construiu desde o início da sua carreira). E isso tudo sem mencionarmos toda a energia contagiante de “The River” e a pureza fenomenal de “I Believe in a Thing Called Love” e “Only Human”,  que não só trazem uma lufada de fôlego extra para o som mais linear do restante da tracklist como nos apresentam facetas bem interessantes de sua intérprete.

Ostentando instrumentais marcantes dignos de uma verdadeira profissional que se mantém atualizada acerca das tendências de hoje em dia, o 5º álbum de Delta evolui de forma expressiva nos vocais e pode surpreender bastante o ouvinte que pouco conhece de sua trajetória. Dona de três oitavas e de um timbre peculiar que lhe proporciona uma voz cheia de emoção e desenvoltura, Goodrem nunca esteve tão à vontade ao entoar seus novos hinos de maneira bem segura e objetiva, convencendo-nos sobre o teor de cada composição e seu real objetivo como formadora de opinião. Até mesmo “Enough”, que comporta uma letra mais direta/agressiva para ouvidos mais sensíveis, não foge da proposta trazida pelo disco e se destaca por um autocontrole sem medidas.

Similar aos diversos hits que têm bombado pelos quatro cantos do planeta, “Wings of the Wild” felizmente não cai na mesmice e permanece fiel à linha evolutiva que Delta vem construindo desde 2002, quando estourou com o seu primeiro disco de estúdio. Bem estruturado e com produções muito originais que conseguem extrair o melhor da musicista, assim como nos antecessores “Innocent Eyes”, “Mistaken Identity”, “Delta” e “Child of the Universe” é impossível não se arrepiar com a combinação perfeita de vocal, instrumental, ritmo e temática. Naturalmente criativo e superior a qualquer outro álbum pop protagonizado pelos ídolos mainstream dos mercados norte-americano e europeu, o material está no ponto e deve agradar todos aqueles que curtem música internacional (e provavelmente se encontram decepcionados com o que tem sido lançado por aí). Delta Goodrem, mais uma vez, conseguindo o feito extraordinário de superar a si mesma enquanto eleva o nível e conduz uma verdadeira aula sobre autoconhecimento, honestidade e inovação – e o mais importante: sem perder o foco de sua personalidade.

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