Lady Gaga retorna cheia de atitude em “Perfect Illusion”, o seu novo hit que em nada nos ilude

Pois é, pessoal, quem é vivo sempre aparece! Após passarmos quase um ano sem qualquer novidade (considerando, é claro, que “Til It Happens to You” foi liberada em setembro do ano passado), Lady Gaga finalmente decidiu pôr um fim ao hiato de sua carreira musical e protagonizou um dos maiores comebacks de 2016 nesta última sexta-feira, dia 9. Despedindo-se da era jazz que tanto marcou sua trajetória – quando do lançamento de “Cheek to Cheek” (2014), álbum que gravou em parceria com o Tony Bennett –, a novata mais querida da década passada cedeu aos pedidos de populares e liberou, na íntegra, o novo carro-chefe de seu 5º disco de estúdio (o primeiro lançamento pop desde “ARTPOP”, de 2013). Nomeada “Perfect Illusion”, a canção causou o maior burburinho pelos seis continentes e, hoje, ilustra a nossa publicação do dia.

Desde que o sucessor de “Born This Way” (2011) teve sua divulgação encerrada com “G.U.Y.”, em março de 2014, e a norte-americana redirecionou toda sua atenção para projetos paralelos como a série “American Horror Story: Hotel”, muito se falou (e cogitou) sobre o que seria produzido pela moça em um futuro não muito distante. Vencendo categorias importantes no “Grammy Awards” e no “Globo de Ouro”, Lady Gaga não poderia estar na fase mais positiva de sua carreira após a recente perseguição sofrida pelos tabloides e haters que tanto pegaram em seu pé após o desempenho morno de seu último material de inéditas. Deixando as críticas negativas de lado e unindo suas forças a outros profissionais de respeito da indústria fonográfica, nascia o que seria um novo começo para uma das artistas mais multifacetadas de nossa geração.

Comparecendo à rádio britânica “BBC1”, Lady Gaga não perdeu a oportunidade e nos agraciou com um trechinho ao vivo de “Perfect Illusion” que pode ser conferido neste link

Gravado nos estúdios “Shangri La”, localizado em Malibu, Califórnia, o lead-single do “LG5” permanece sob a supervisão e distribuição da “Interscope Records”, selo que administra a carreira da cantora desde a sua estreia, com o “The Fame” (2008). Composta e produzida pela própria Gaga em parceria com Kevin Parker (vocalista da banda Tame Impala), Mark Ronson (“Rehab”, Amy Winehouse) e BloodPop (“Better”, Britney Spears; “Sorry”, Justin Bieber), “Perfect Illusion” orienta-se tanto pelo pop quanto pelo disco-rock, gêneros que deverão se mostrar bastante presentes nesta nova era que acaba de içar velas. Majoritariamente aclamada pelos fãs e pela crítica especializada, a canção recebeu inúmeros elogios por sua produção singular e pelos expressivos vocais da musicista que jamais estiveram tão crus (leia-se desprovidos de auto-tune) em um trabalho dirigido ao público mainstream. Nos charts, atingiu o #1 no iTunes de mais de 60 países (a “Billboard” ainda não divulgou os seus números oficiais).

Despindo-se de todo o glamour que tanto marcou presença em seus lançamentos principais, a nascida Stefani Germanotta reaproveitou os resultados da “limpeza de imagem” conduzida por suas aventuras pelo jazz e surge, agora, mais descontraída do que nunca. Aposentando (pelo menos por ora) as roupas extravagantes que tanto galgaram sua carreira há não menos que 7 anos, a própria capa de “Perfect Illusion” revela-se um perfeito tapa na cara de todos aqueles que jamais imaginaram ver a nova-iorquina em modelitos “consideradas normais” – se bem que, em se tratando de Gaga, qualquer figurino feito de tecido, e não carne, pode ser considerado normal. Usando uma camiseta preta básica, shorts jeans e coturnos escuros, a moça tem sido fotografada em todos os cantos assim, bem menos produzida e com um visual digno de uma verdadeira estrela do rock. E já que estamos falando em rock…

Relembrando os velhos tempos experimentais de artista iniciante – lá por volta de 2007, quando se apresentava em concertos menores ao lado de Lady Starlight –, a “Mother Monster” decidiu mais uma vez repaginar a sonoridade de suas músicas e, deixando o pop para segundo plano (mas sem esquecê-lo), trouxe uma significativa influência rock para o lead-single de seu próximo álbum. Já nos introduzindo a batidas insanas que poderiam muito bem pertencer a qualquer trabalho de uma banda dos anos 80 ou 90, Gaga não economizou na criatividade e foi completamente feliz ao convidar Parker, Ronson e BloodPop para extrair do quarteto uma das canções mais surpreendentes do ano. Distanciando-se do pop mais mainstream que Britney Spears e Gwen Stefani priorizaram em seus últimos discos e do R&B tradicional que Beyoncé vem reaproveitando desde 2013, “Perfect Illusion” dá um tiro no escuro e, repleta de coragem, reafirma a posição de sua intérprete como uma criadora de tendências, e não seguidora (diferente do genérico “ARTPOP” que tanto pecou pela falta de originalidade).

Em apenas quatro dias o áudio oficial de “Perfect Illusion” ultrapassou 10 milhões de visualizações no YouTube (imagine quando o clipe for liberado?)

Exibindo vocais poderosos que se revezam com trechos que são narrados de maneira suave e provocante (similares aos das eras “The Fame” e “The Fame Monster”), por todo seu catálogo a vocalista jamais esteve tão à vontade com seu timbre natural de voz (até mesmo em comparação às inesquecíveis “Bad Romance”, “Born This Way” e “Yoü And I” – que, como já é sabido, também apostaram no vozeirão que é característico da moça). Falando sobre as desilusões no amor, a música encaixa melodia a instrumental de forma bastante confortável  ao longo de seus três minutos e dois segundos de duração e surpreende em muito o ouvinte que jamais parara para reparar no quão multifacetada Gaga consegue soar – uma artista que consegue se dar bem em qualquer gênero que embale os seus singles, desde o eletrônico para o jazz, pop e, agora, disco-rock (cantar, definitivamente, é o seu maior talento). Reproduzindo um comentário humorístico que foi feito na internet, mas que, resguardadas as devidas proporções, até que chega a fazer algum sentido… “não bastasse salvar o pop, ela também voltou para salvar o rock”.

Sobre o novo álbum:

Já nos adiantando que o “LG5” (ainda sem nome definitivo) “está quase pronto”, a loira revelou em recente entrevista à “BBC1” que “trabalhou com o Mark Ronson por todo o CD”, sendo que o ex-parceiro musical de Amy Winehouse também será creditado como produtor executivo – fãs de RedOne, acalmem-se, pois o popular hitmaker também já foi confirmado como produtor em uma das futuras faixas. Contendo, ainda, uma parceria com a Florence Welch (a vocalista do Florence + the Machine, a quem Gaga foi só elogios), o sucessor de “Cheek to Cheek” será lançado ainda neste ano. Sobre o atual single de trabalho, a cantora acrescentou que “‘Perfect Illusion’ fala sobre as coisas falsas que parecem ser reais do nosso dia a dia, como nas redes sociais, por exemplo” – você confere muitas outras informações sobre o processo criativo da música acessando este link.

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9 thoughts on “Lady Gaga retorna cheia de atitude em “Perfect Illusion”, o seu novo hit que em nada nos ilude

  1. Lari Reis 18 de setembro de 2016 / 8:10 PM

    Já falei isso antes, mas eu gosto muito da forma como você escreve! Fico pensando… Precisamos conversar, pra eu aprender algumas coisas.
    Sobre a música em questão, eu ainda não posso opinar. Tá disponível aqui no post, mas no momento que estou lendo e comentando, não posso ouvir. Só não queria deixar passar. Ouvirei em breve, desde já, curiosa também com outras épocas da carreira de Gaga que você mencionou. Como deve se lembrar, minha relação com ela é recente e “rasa”, por assim dizer. Vou tentar aproveitar esse novo álbum pra me aproximar!

    • Marcelo 21 de setembro de 2016 / 2:20 PM

      Hey, mais uma vez, obrigado pelo carinho de sempre, Lari. E… SIM, precisamos mesmo conversar, e não apenas para aprender, mas também para me ensinar um bocado de coisas novas (já que me considero bem inexperiente nos gêneros que você aborda predominantemente no Yellow). A Gaga é uma artista que normalmente inova nos lançamentos musicais, e acho bastante interessante observar as milhares de facetas que ela tem a mostrar. Acho que esse novo álbum te agradará bastante (apesar de não tê-lo ouvido – e claro, levando em consideração a pegada desse primeiro single).

      • Lari Reis 21 de setembro de 2016 / 5:50 PM

        Vamos conversar 🙂
        Sobre Gaga, eu via ela muito como um personagem, sabe? E ainda que tenha sido/seja, hoje eu tenho uma visão diferente até em função de depoimentos dela. Eu via apenas como um personagem mercadológico, mas não era (só) isso. Então, depois de entender que ela realmente tem uma voz que me agrada e que tinha o desejo de se apresentar como artista com profundidade, eu me interessei! Que venha o novo álbum ^^

      • Marcelo 22 de setembro de 2016 / 3:23 PM

        Sabe que, quando a vi pela primeira vez, também tive a mesma impressão (bom, acho que 99% das pessoas pensaram o mesmo)! Mas, de alguma maneira ou de outra, ela soube como amadurecer a sua imagem artística e foi além ao provar que estava muito acima das bizarrices que a acompanharam desde o começo da carreira. Eu penso que, se todo o figurino exagerado combinado ao glitter e saltos de muitos centímetros a ajudaram a ganhar destaque (coisa que, atualmente, é um artifício para tanta gente sem talento), então, que bom que hoje ela pode se despir um pouco de toda essa “maquiagem visual” e se apresentar de maneira mais livre, mais à vontade. Que venha o novo álbum (+1).

      • Lari Reis 22 de setembro de 2016 / 10:04 PM

        Cara, você colocou um ponto muito legal! Os artifícios para se destacar se fazem super necessários. Infelizmente, hoje a qualidade musical já é colocada em segundo plano (pra não descer mais). Ela soube contornar, tirando proveito disso. Agora é ver por onde vai seguir. Já vi fã que não gostou dessa primeira música, por exemplo (?)!

      • Marcelo 24 de setembro de 2016 / 5:03 PM

        Infelizmente, muita gente se agarra a uma imagem trabalhada pelo artista e não consegue se desvincular disso, não aceita que o “fazedor da arte” tem o direito de ir além e buscar por novos horizontes, novas aventuras. E, como sabemos, o pop em si costuma ser um gênero bastante superficial, mais voltado ao dinheiro que a própria arte. Em poucas palavras e em minha humilde opinião: não gostar de algo é completamente aceitável (o que no popular pode ser descrito como “ninguém é obrigado a nada”)… agora, criticar o artista (como eu tenho visto) e fazer a cruz dele… paciência, né? Ainda bem que a Gaga soube contornar isso de forma tão honesta!

      • Lari Reis 26 de setembro de 2016 / 7:34 PM

        Me parece que as pessoas encontram cada vez mais dificuldades em separar obra e pessoa na figura de um artista. Eu pensava até que as redes sociais poderiam servir pra humanizar mais esse pessoal e mostrar pros fãs que artista é gente, que palco é performance e vida é vida. Mas, acho que não foi por esse caminho. Os que mais conseguem se separar disso e se desvincular da pressão de não mudar o que uma vez apresentaram ao público, são os que se “escondem” ou criaram uma persona que não pode ser levada a sério (tipo o Marlyn Manson).
        Mas, acho que nada impede Gaga de se apresentar de uma nova forma e depois mudar isso de novo quando quiser. Madonna fez isso quando quis mostrar que não era só provocação e sexo. Foi criticada por uns, mas foi conseguindo firmar sua imagem de uma artista cheia de possibilidades também. E deu no que deu, né!

      • Marcelo 27 de setembro de 2016 / 9:46 PM

        Sim, disse tudo. Belas palavras, Lari.

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