Os roteiros originais de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” e “Animais Fantásticos e Onde Habitam”: vale a pena ler?

Dando continuidade ao nosso último “vale a pena ler?”, quando trouxemos para cá um pouquinho mais sobre a franquia Harry Potter (relembre), decidimos destacar desta vez outras duas obras bastante comentadas entre os assíduos leitores da autora britânica J.K. Rowling. Publicados, pela primeira vez, há pouco menos de dois anos, foi em meio a controvérsias e muito falatório que os roteiros originais de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e Animais Fantásticos e Onde Habitam saíram do teatro e do cinema para ganhar um espacinho especial nas prateleiras do mundo todo.

Acompanhando o sucesso de bilheteria que fez destas novas histórias o presente perfeito para quem não havia se contentado com o fim da série após “Relíquias da Morte” (2007) – e suas adaptações cinematográficas de 2010 e 2011 –, a publicação de ambas vai além e serve como porta de entrada para o ingresso de jovens fãs da nova geração de leitores. Sem mais delongas, vocês encontram, a seguir, nossas breves ponderações sobre estes dois livros responsáveis por perpetuar a marca Harry Potter e, mais adiante, ficam com outros dois volumes tão interessantes quanto que também tivemos a feliz oportunidade de ler (e que não poderiam passar despercebidos em nosso blog).

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois

Capa oficial de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Sempre foi difícil ser Harry Potter, e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Oficialmente anunciada como a 8ª história do Menino que Sobreviveu, passando-se 19 anos depois, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada começa exatamente onde o epílogo de “Relíquias da Morte” nos deixou há mais de uma década: na estação de King’s Cross, no momento em que as famílias Potter, Granger-Weasley e Malfoy despacham seus filhos para mais um ano letivo. Reunidos na já popular plataforma nove e meia, Alvo Potter, Rosa Granger-Weasley e Escórpio Malfoy estão mais do que ansiosos para dar início ao seu primeiro ano em Hogwarts. Familiarizados com a antiga inimizade outrora compartilhada por seus pais, é entre rumores maldosos e a pressão que somente um Potter seria capaz de carregar que Alvo e Escórpio descobrem uma improvável amizade que ameaça desestabilizar todo o universo bruxo.

Narrando uma nova aventura com viagens no tempo, os efeitos da teoria do caos e o retorno de alguns nomes já conhecidos do passado, “Cursed Child” é a peça teatral com script de Jack Thorne baseado na história escrita por ele, John Tiffany e pela própria J.K Rowling. No elenco principal Jamie Parker, Paul Thornley, Noma Dumezweni, Poppy Miller, Alex Price, Sam Clemmett e Anthony Boyle interpretam Harry, Rony, Hermione, Gina, Draco, Alvo e Escórpio, respectivamente. Tendo estreado em 30 de julho de 2016, no West End de Londres, a obra foi muito bem recebida pela crítica especializada e, no mês passado, chegou até a Broadway (já tendo previsão de ser levada para Melbourne até 2019). Apesar de a própria autora admitir em seu perfil do Twitter que o enredo deveria ser considerado canônico (ou seja, desempenhando a função de uma sequência oficial), não é segredo para ninguém que muita gente não aprovou o desfecho tomado por Thorne para o teatro. Há quem diga, inclusive, que Rowling sequer escreveu a história, tendo apenas assinado seu nome posteriormente – o que não passa de mera especulação, é claro.

Por se tratar do roteiro de uma peça teatral, é verdade que não podemos esperar por uma descrição minuciosa dos cenários ou das personagens, já que a exposição dos fatos com certeza deve funcionar melhor visualmente, assistindo ao espetáculo, do que apenas o lendo. Mesmo assim, e apesar de muitos leitores levantarem alguns furos no script que jamais ocorreriam se estivéssemos falando de um 8º romance escrito inteiramente por J.K., “Cursed Child” tem o seu valor e nos traz, ainda que de modo simplista, a experiência única de vermos Harry, Rony e Hermione vivendo suas vidas após a Batalha de Hogwarts. Canônico ou não, é uma obra que merece a sua atenção e que somente depois de lida deverá receber (ou não) o aval do leitor! Publicado em 2016 pela Little, Brown, no Reino Unido (e pela Rocco, no Brasil), “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois” possui 343 páginas e pode ser encontrado nas versões capa dura ou brochura.

Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original

Capa oficial de “Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: O pesquisador e magizoólogo Newt Scamander acabou de completar uma volta ao mundo em busca das criaturas mágicas mais raras e incomuns. Ao chegar em Nova York, sua intenção é fazer apenas uma breve parada. Mas a maleta de Newt é trocada, e parte de seus animais fantásticos foge para a cidade, o que significa problemas para todos…

Sucesso de bilheterias que arrecadou impressionantes 814 milhões de dólares mundialmente (mais do que “Prisioneiro de Azkaban”, o filme com menos receita dentre os 8 da franquia), “Onde Habitam” é apenas o primeiro de uma nova série composta por 5 longas-metragens que promete levar para os cinemas a fascinante vida de Newt Scamander. Passando-se em 1926 (seis décadas antes da história do jovem Harry), é com bastante timidez e simplicidade que o nosso protagonista chega nos EUA carregando consigo uma maleta cheia de animais mágicos que estudou e catalogou ao longo de sua carreira. Como não é muito difícil de se adivinhar, inúmeras destas criaturas acabam escapando, cabendo a Newt e a um seleto grupo de deslocados a tarefa de recuperar uma a uma antes que toda a comunidade bruxa seja exposta ao mundo trouxa.

Seguindo os passos de “Criança Amaldiçoada”, esta edição de Animais Fantásticos e Onde Habitam apresenta em suas páginas o roteiro original do filme que pudemos conhecer no dia 17 de novembro de 2016. Protagonizado por Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler e Alison Sudol, o longa ainda inclui em seu elenco nomes de peso como Colin Farrell e Ezra Miller. Dirigido por David Yates (o também responsável pelas adaptações cinematográficas de nº 5 a 8 da série principal), contou com o roteiro da própria J.K. Rowling, ao passo que a trilha-sonora ficou com o renomado James Newton Howard (“Uma Linda Mulher”, “O Sexto Sentido”). Indicado a duas categorias do Oscar de 2017, venceu a de Melhor Figurino, sendo este o primeiro título do Universo Mágico da autora a levar uma estatueta para casa. Prevista para o dia 16 de novembro deste ano, a sequência “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” já teve o seu primeiro trailer revelado e promete ser um sucesso ainda maior (assista).

Apesar de trazer uma narrativa dos fatos e uma descrição de cenários/personagens muito mais sucintas que às da obra principal (livros 1 a 7), não podemos negar que, pelo menos aqui, Rowling se atentou em nos presentear com o mínimo possível de detalhes – seja pela forma como os indivíduos se portam a cada cena, seja por questões subjetivas que talvez não tenham sido captadas durante a exibição do filme. Introduzindo-nos a novas criaturas criadas especialmente para o longa (como o rapinomônio e o pássaro-trovão), “Onde Habitam” homenageia o livro-texto de Hogwarts com bastante eficiência, não se esquecendo de dar destaque ao pelúcio, ao seminviso e ao occami, por exemplo. Por mais que não estejamos falando de um romance propriamente dito, quase dá para se deliciar com este roteiro e deixar a imaginação recriar dentro de nossas cabeças o que foi dirigido por Yates nos estúdios da Heyday Films. Publicado em 2016 pela Little, Brown, no Reino Unido (e pela Rocco, no Brasil), “Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original” possui 293 páginas e pode ser encontrado em capa dura com jacket incluindo lindíssimos detalhes em tinta dourada. Arte de capa e ilustrações internas pelo estúdio MinaLima.

BÔNUS:

Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens

Capa oficial de “Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Conheça Newt, Tina, Queenie, Jacob e muitos outros neste guia completo dos personagens de Animais Fantásticos e Onde Habitam!

Pegando carona no sucesso esmagador das adaptações cinematográficas de Harry Potter, foi com uma estratégia brilhante de marketing que algumas editoras do Brasil e do mundo lançaram coletâneas incríveis reunindo o que de melhor foi levado para as salas de cinema de 2001 para cá. Sucedendo os famigerados “Magia do Cinema”, “Das Páginas para as Telas”, “O Livro dos Personagens”, “Dos Lugares Mágicos”, “Das Criaturas” e mais recentemente “Dos Artefatos Mágicos”, um dos últimos volumes a também ganhar sua própria versão impressa foi o Guia dos Personagens de Animais Fantásticos e Onde Habitam, escrito por Michael Kogge e totalmente traduzido por Regiane Winarski.

Bombardeando-nos com imagens promocionais e capturas de tela incríveis do longa que nos introduz às aventuras do Sr. Scamander, a obra ainda dá destaque ao figurino, acessórios e personalidade de suas personagens, reunindo informações básicas sobre o enredo sem entregar quaisquer spoilers. A arte gráfica do filme, criada especialmente pelo estúdio MinaLima (também responsável pelo design gráfico dos demais 8 filmes da franquia) pode ser visto na íntegra por meio de cartazes, pôsteres e propagandas de tirar o fôlego, todos reproduzidos nas páginas internas do Guia. Caso queira saber mais sobre o trabalho de Miraphora Mina e Eduardo Lima, não deixe de acessar seu site oficial.

Curiosamente, é evidente que a confecção deste livro se deu antes da pós-produção do filme, pois além de trazer alguns poucos ângulos jamais vistos pelos telespectadores, inclui em suas páginas um subplot que não chegou a entrar para a edição definitiva do roteiro. Estamos falando, é claro, da ex-namorada de Jacob, Mildred, que o abandona com um anel de noivado em mãos após nosso não-maj favorito não conseguir o empréstimo do banco para abrir sua padaria. Outras cenas deletadas (como o hino do colégio Ilvermorny e o farosutil) podem ser encontradas diretamente no YouTube. Publicado em 2016 pela Scholastic, nos EUA (e pela Rocco Jovens Leitores, no Brasil), “Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens” possui 144 páginas e pode ser encontrado em capa dura.

Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação

Capa oficial de “Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Quando foi convidada a fazer o discurso de paraninfa na Universidade Harvard, J.K. Rowling escolheu falar à turma de formandos sobre dois temas que lhe são muito caros: os benefícios do fracasso e a importância da imaginação. Ter a coragem de fracassar, disse ela, é tão fundamental para uma vida boa quanto qualquer medida convencional de sucesso; imaginar a si mesmo no lugar do outro – em particular de alguém menos afortunado – é uma virtude exclusivamente humana a ser alimentada a todo custo. Desde então, as histórias contadas por Rowling e as perguntas provocadoras que ela faz aos jovens formandos inspiraram incontáveis pessoas a pensar no que significa ter uma “vida boa”. Com temas como o fracasso, as dificuldades, a imaginação e a inspiração, este livro ainda é tão relevante hoje como foram suas palavras nove anos atrás. Quando nos atrevemos a assumir um risco, e talvez fracassar, e tiramos proveito do poder de nossa imaginação, podemos todos começar a viver com menos cautela e, assim, tornamo-nos mais receptivos às oportunidades que a vida tem a nos oferecer.

Por fim, nossa publicação não estaria completa se não incluíssemos o que certamente é um dos relatos mais honestos que J.K. Rowling proferiu em toda sua brilhante carreira dedicada à literatura e à filantropia. Convidada para discursar como paraninfa para os formandos de turma de 2008 de Harvard, é com muita desenvoltura que a autora volta algumas décadas no tempo e se recorda de fatos que marcaram sua trajetória como estudante de literatura inglesa. Enfatizando a linha tênue que separa o medo pela pobreza do temor pelo fracasso, em Vidas Muito Boas Rowling admite que já chegou a viver miseravelmente antes de atingir o sucesso e alcançar o status atual que a condecorou com a Ordem do Império Britânico (OBE).

Orgulhando-se dos caminhos que escolheu e da força de vontade reunida para superar os obstáculos que a vida lhe impôs, a escritora relembra seus dias como funcionária da Anistia Internacional e agradece a empatia conquistada ainda aos 20 e poucos anos de idade. Encorajando os formandos de Harvard a tomar suas decisões com sabedoria e muita imaginação, J.K. mais uma vez nos prova que é uma escritora muito à frente de seu tempo nesta obra que você certamente repetirá a leitura assim que terminar. Publicado em 2015 pela Sphere, na Grã-Bretanha (e pela Rocco, no Brasil), “Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação” possui 75 páginas e pode ser encontrado em capa dura com jacket. Arte de capa e ilustrações internas por Joel Holland adaptadas por Jorge Paes para a edição brasileira.

Caso tenha gostado deste artigo, não deixe de conferir também o nosso “vale a pena ler?” com a série Harry Potter acessando este link.

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