Distribuindo referências, “A Babá”, da ‘Netflix’, é o filme perfeito para os amantes do terror e da comédia

Desde que o cinema moderno se aperfeiçoou no último meio século e nos apresentou a algumas das melhores obras já criadas pelo homem, o fascínio humano pelo obscuro apenas se expandiu cada vez mais. Se no passado nossos ancestrais precisavam usar a imaginação para decifrar os segredos escondidos em livros de mestres como Edgar Allan Poe, algumas décadas mais tarde seus sucessores puderam ver tudo ganhar vida bem diante de seus olhos. E assim continua até os dias de hoje!

Aproveitando a calorosa onda de terror que tem dado as caras por aqui (aliado ao fato de que finalmente ressuscitamos nossa mirradinha seção de resenhas cinematográficas), também trazemos desta vez outro grande lançamento do mês de outubro que mexeu com a cabeça de todos os órfãos de Alfred Hitchcock e Wes Craven. Disponível na Netflix desde a última sexta-feira 13 (13/10), A Babá (The Babysitter, no original) mal chegou na popular plataforma de streaming e foi certeiro ao reunir, em apenas um filme, todos os elementos primordiais que somente um verdadeiro clássico do horror tem a oferecer. Vem descobrir um pouco mais na resenha a seguir!

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Comédia com terror… dá certo?

Ainda que Judah Lewis e Samara Weaving sejam pouco conhecidos do público, o desempenho de ambos na produção é memorável

Se você, assim como nós do Caí da Mudança, sempre fica receoso quando vê o anúncio de um novo filme de terror, então com certeza já aprendeu a lidar com as abominações que vem nos “aterrorizando” de uns tempos para cá. Ok, este é um discurso que sempre repetimos quando falamos sobre a qualidade cinematográfica – e sabemos o quão chato é bater na mesma tecla incansavelmente –, mas, a indústria do horror se encontra numa situação tão delicada que fica difícil conter a empolgação após o lançamento de um título realmente bom. Não que bons filmes não tenham chegado aos cinemas nesses últimos anos, é claro – e aqui abrimos um parêntese para citar raridades como “Regressão” (2015) e “Quando as Luzes se Apagam” (2016). Porém, quem realmente acompanha os lançamentos da sétima arte e possui um senso crítico menos maleável não se encanta com qualquer produção, por maior que seja o seu marketing.

Outro detalhe que não pode passar despercebido é o fato inquestionável de que, muito mais do que qualquer outro gênero, somente o horror é capaz de fornecer aos seus desenvolvedores uma liberdade criativa que ultrapassa os limites do imaginário humano. Ramificando-se em subgêneros específicos que exploram, cada qual, uma faceta diferente daquilo que nos aflige mais medo ou tensão, por vezes é capaz de combinar-se a elementos que, juntos, intimidam a todos, sem fazer distinção. Um exemplo perfeito dessa junção de elementos está na já resenhada franquia “Evil Dead” (confira), na qual humor negro e gore se unem não apenas para tirar gargalhadas dos telespectadores, mas também para impressioná-los com suas fortes cenas de violência explícita. Até porque, convenhamos, nem só de “Halloween” (1978) e “Sexta-Feira 13” (1980) vivem os cinéfilos amantes do macabro!

Dados técnicos e sinopse:

Bella Thorne dispensa apresentações, não é mesmo?

Dando continuidade a este legado iniciado por Sam Raimi e Bruce Campbell, o veterano McG é o grande responsável por assinar a direção e produção do ora hilário, ora sanguinário “A Babá”. Aliado ao roteiro de Brian Duffield, à trilha sonora de Douglas Pipes e à coprodução de Mary Viola e Zack Schiller, o cara e sua equipe são bem competentes e parecem saber exatamente o que estão fazendo por detrás das câmeras – o que não é bem uma novidade, já que McGinty havia dirigido “As Panteras” (2000) e sua igualmente conhecida sequência (2003). Apesar de carregar uma ambientação bem descontraída claramente voltada para o público adolescente, o longa funciona bem para todas as idades (sendo que sua classificação indicativa, é claro, o aconselha para maiores de 16 anos). Transitando entre a comédia e o terror, chegou a ser bem aceito entre os críticos da mídia internacional, acumulando 71% de aprovação no Rotten Tomatoes – o que, por si só, já é um feito considerável para um filme do gênero.

Anunciado por alguns sites como “um ‘Esqueceram de Mim’ versão adulta”, logo em seus primeiros minutos “The Babysitter” nos apresenta ao clássico garoto desajustado de 12 anos que sofre bullying no colégio diariamente. Chamado de covarde por todos que cruzam seu caminho, Cole (Judah Lewis) precisa lidar com um importante detalhe que agrava ainda mais sua má reputação entre os valentões: ser o único menino de sua idade a ainda ter uma babysitter. A sorte do menino é que, ao contrário daquele clichê de babá dos cinemas que nunca se importa com seus protegidos, a descolada Bee (Samara Weaving) o trata com bastante respeito e reciprocidade. Questionado, certo dia, por sua melhor amiga Melanie (Emily Alyn Lind) se já notou um comportamento suspeito em Bee, Cole decide finalmente investigar se a moça é realmente tudo o que aparenta ser. Se ao menos ele imaginasse o que fosse encontrar…

Confira o trailer legendado de “A Babá”

Aliada ao atleta Max (Robbie Amell), à gótica Sonya (Hana Mae Lee), à cheerleader Allison (Bella Thorne) e ao cômico John (Andrew Bachelor aka King Bach), Bee é a líder de um culto que garante realizar os sonhos mais desesperados de seus membros. Contudo, nem tudo vem de graça, e é claro que um dos requisitos para o ritual satânico que promete cumprir o almejado não poderia ser outro senão o sacrifício humano. Vendo-se preso em casa, em menor número e a alguns cômodos de distância desse grupo totalmente incomum, Cole precisará lidar com as limitações de sua pouca idade para contornar os obstáculos que se colocam entre a porta de seu quarto e a saída. Se ele sairá ileso dessa missão quase impossível você só descobre dando play lá na Netflix!

Um clássico moderno em pleno 2017:

Bella Thorne, Robbie Amell, Samara Weaving, Hana Mae Lee, Andrew Bachelor e Judah Lewis: o elenco de “A Babá” 

Transparecendo, em seus primeiros vinte minutos, um clima bem água com açúcar que é típico das comédias adolescentes, “A Babá” não poupa nos efeitos especiais e nos entrega um banho de sangue inesgotável nos dois terços restantes. O derramamento é tamanho que, em dado momento, a impressão é a de que a tela de nosso PC ou TV sairá tão vermelha quanto o rosto do jovem Cole. Tornando-se cada vez mais tenso conforme o enredo vai se desenrolando, é interessante notar as referências minuciosas que aparecem para nos imergir ao que é proposto. Seja pela citação a clássicos do cinema como “Alien” (1979) e “Predador” (1987) ou pela menção honrosa de ícones da TV como “Star Trek” (1966) e “Mad Men” (2007), a obra de McG é rica em informações e não deixa a desejar, revelando-se um verdadeiro tributo à cultura pop. Tem até um breve (mas inteligente) remember do efeito sonoro que anuncia a chegada do Jason Voorhees.

Estrelado por sensações de Hollywood (como Bella Thorne) e por revelações prodígios (como Samara Weaving e Judah Lewis), “The Babysitter” acerta (e muito) na escolha de seu elenco. A produção, que também traz como coadjuvantes Hana Mae Lee (de “A Escolha Perfeita”), Andrew Bachelor (de “Punk’d”) e Robbie Amell (de “The Flash”), é, inclusive, o ponto de reencontro entre Amell e Thorne, que haviam contracenado anteriormente no já resenhando “The Duff” (relembre). Compartilhando uma sintonia magistral, é muito prazeroso ver o quanto cada ator se entrega de corpo e alma ao papel que assumiu. Apesar de Weaving roubar a cena e nos deixar apaixonados por sua beleza e carisma imediatos, o cast de apoio brilha tanto que, por vezes, não sabemos se estamos torcendo para os mocinhos ou para os vilões. A cereja do bolo, por exemplo, fica com Mae Lee e sua eficiência para dar vida à insana Sonya.

De todas as observações positivas que levantamos no decorrer desta resenha, talvez o único ponto que deixe um pouco a desejar (principalmente para os fãs) esteja a aparição bem breve de Bella Thorne – que, graças ao peso de seu renome, carregou sozinha a divulgação do longa nas mídias sociais. Entretanto, mesmo que não tenha aparecido tanto em cena (quantitativamente falando), seu destaque não poderia ter sido mais divertido. Com apenas 85 minutos (1h25min) de duração, “A Babá” é a escolha perfeita para quem procura por uma atração objetiva que sabe exatamente para o que veio. Dominando com experiência os elementos indispensáveis que separam os bons filmes de terror dos ruins, McG não poderia ter nos presenteado com um lançamento tão clássico em pleno finzinho de 2017. Um presentão de Natal para quem estava ansioso para assistir a um espetáculo realmente interessante!

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Após anos de espera, “Amityville: O Despertar” finalmente é liberado, mas aniquila nossas expectativas

Não há muito que possamos fazer quando um projeto até então dado como certo passa a ser adiado inúmeras e inúmeras vezes, não é mesmo? Seja pelo orçamento apertado, sejam por cláusulas contratuais burocráticas, incontáveis obras do cinema, da música e da televisão já sofreram o pão que o diabo amassou antes de finalmente ver a luz do dia (isso quando, de fato, o conseguiram). Sem termos a certeza de que, um dia, seremos contemplados com o seu lançamento oficial, muitos destes materiais se tornaram lendas vivas que atiçam a nossa curiosidade até hoje.

Seguindo por este caminho tortuoso de tristes expectativas e incertezas, Amityville: O Despertar (The Awakening, no original) é o mais recente título de uma extensa lista de sobreviventes que conseguiram, com muito custo, sair do papel para a nossa realidade. Finalizado desde 2014, o aguardado longa-metragem passou por inúmeras sessões de edição até finalmente ser liberado nas vésperas do Halloween passado (28/10). Agora protagonizando a nossa publicação da vez, você confere, a seguir, quais foram as nossas principais ponderações sobre este filme que, por pouco, não acabou engavetado.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes, original de 79 e remake de 2005:

A queridinha do público Bella Thorne é quem protagoniza o novo longa de uma das franquias mais antigas do terror

Todos já estão cansados de saber que indústria cinematográfica vive um difícil momento em que elementos imprescindíveis, como um roteiro bem escrito, são esporadicamente deixados de lado para se priorizar detalhes não tão importantes assim. É claro que, vez ou outra, somos contemplados com pérolas inesperadas que realmente acertam em seu conjunto, mas, tem sido cada vez mais difícil encontrar longas-metragens originais que nos cativem de imediato pela magia de seu enredo. Não poderia ser diferente, é claro, com o horror, que não apenas se encontra carente de novidades como vem reciclando, já há algum tempo, a antiga e nem tão infalível assim fórmula dos remakes, sequências e prequelas.

Se somente neste ano conferimos nos cinemas os herdeiros mais jovens de clássicos como “Alien” (1979) e “It” (1990), ainda em 2017 pudemos presenciar o renascimento de um cult responsável por remodelar tudo o que conhecemos sobre filmes de casas mal-assombradas: o intrigante “Terror em Amityville” (1979). Dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por James Brolin e Margot Kidder, o terror sobrenatural setentista não fez feio ao dar o pontapé inicial para uma franquia que conta, atualmente, com 18 títulos entre filmes lançados nos cinemas e diretamente em vídeo. Você certamente, é claro, já deve ter assistido ao remake de 2005, com o Ryan Reynolds e a Chloë Grace Moretz, mas, não é desta refilmagem massacrada pela crítica especializada que estamos falando desta vez (ainda que “O Despertar” não tenha sido tão bem recebido assim).

Acumulando baixíssimos 18% de aprovação no Rotten Tomatoes e 42/100 no Metacritic, o novo Amityville, apesar de sustentar alguns furos cruéis que poderiam ter sido facilmente evitados, não é de todo ruim; e se comparado a outros projetos de franquias famosas como “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), ainda está muito além de diversas bombas que explodiram nos últimos anos. Entretanto, antes de entrarmos no mérito da questão, convém recapitularmos algumas décadas no tempo para relembrar os exatos acontecimentos da vida real que inspiraram um dos títulos mais respeitados pelos amantes deste gênero.

Realidade x ficção… a genialidade dos metafilmes:

Imagem promocional de “Amityville: O Despertar” que dá destaque à tão temida casa situada no nº 112 da Ocean Avenue

O ano é 1974 e Ronald DeFeo Jr, até então com 23 anos, comete um dos assassinatos mais brutais da história dos EUA durante a madrugada do dia 13 de novembro. Munido de um rifle Marlin 336c, o filho mais velho de Ronald e Louise não pensou duas vezes antes de adentrar o quarto de cada membro da família e, sem dó ou piedade, disparar contra as seis pessoas que adormeciam sob o 112 da Ocean Avenue, em Amityville, Nova Iorque. Alegando insanidade, pois teria cometido o crime após ouvir “as vozes de suas vítimas conspirando contra si”, DeFeo foi levado a julgamento e acabou condenado a seis penas de 25 anos cada. Ele permanece até hoje recolhido num presídio de segurança máxima localizado em Fallsburg, Nova Iorque. Apesar de todos os títulos da franquia exagerarem na hora de misturar fantasia com realidade, estes são os principais fatos vinculados ao caso que correu na Justiça norte-americana um ano depois, em 1975.

Sendo este o Amityville de maior visibilidade desde o remake de 2005 (outros oito filmes foram liberados nesse meio tempo), “O Despertar” nos introduz a uma técnica bem interessante e pouco explorada pelas atuais sequências dos grandes clássicos do terror. Isso porque o seu roteiro obedece às técnicas de um metafilme, ou seja, um filme derivado de um filme. Logo, os eventos narrados no longa se passam no mundo real, totalmente à parte da linha cronológica proposta por qualquer dos demais Amityville, que são todos retratados como ficção. É claro que existem diversas similaridades necessárias entre este e seus lançamentos antecessores (até porque estamos falando de um filme de terror), mas, logo fica claro que estes pontos de encontro entre passado e futuro vêm bem a calhar. Um exemplo de metafilme que deu super certo é o aclamado “A Hora do Pesadelo 7” (1994), do mestre do horror Wes Craven.

Sinopse e dados técnicos:

Em estado vegetativo por dois anos, James Walker progride da noite para o dia quando a família se muda para a assombrosa casa do filme

Em “Amityville: The Awakening”, Belle (Bella Thorne) se muda com a mãe (Jennifer Jason Leigh), a irmã mais nova (Mckenna Grace) e o irmão gêmeo debilitado (Cameron Monaghan) para uma grande casa colonial situada na famigerada vila de Amityville. Alegando que o novo endereço se encontra mais próximo da casa de uma tia dos garotos (Jennifer Morrison) e da clínica onde James faz tratamento, Joan esconde das filhas o histórico macabro que somente o nº 112 da Ocean Avenue tem a contar. Aterrorizada pelos eventos sobrenaturais vinculados ao irmão que têm se manifestado todas às noites, às 3h15min, Belle não demora para descobrir a verdade e se vê, sozinha, lutando contra um antigo mal que permaneceu adormecido por 40 anos.

Com uma receita bem tímida que atingiu os 7,4 milhões mundialmente (o orçamento é desconhecido), o lançamento de “O Despertar” se deu de maneira bem limitada, quando entrou em cartaz em alguns cinemas dos EUA no dia 28 de outubro e estreou em DVD, Blu-ray e HD Digital em 14 de novembro. Pronto desde 2014, o trabalho sofreu inúmeros adiamentos antes de ser finalmente liberado neste ano, sendo a censura uma das causas principais. Inicialmente classificado como rated R (proibido para menores de 17 anos), o filme originalmente anunciado para janeiro de 2015 sofreu restrições de idade com o passar dos meses e, após diversas edições, foi lançado sob o selo PG 13 (não aconselhável para menores de 13 anos). No Brasil, é permitido para maiores de 14 anos. Com duração de 87 minutos (1h27min), a produção da Blumhouse Productions recebe a direção do também roteirista Franck Khalfoun e combina terrorsuspensemistério.

Confira o trailer legendado de “Amityville: The Awakening”

Uma infinidade de pontas soltas:

Juliet (Grace) e Belle (Thorne) são as vítimas que mais sofrem no novo Amityville

Apesar de explorar assuntos bem interessantes, como a síndrome do encarceramento – e até mesmo incluir uma nova versão para a memorável cena do enxame de moscas –, o longa é confuso e nos entrega diversas pistas que não nos levam a lugar algum. Passagens bíblicas até chegam a ser citadas, mas sem um propósito ou finalidade. A religião em si, que a princípio poderia ter oportunizado a exibição de flashbacks ou de diálogos mais esclarecedores, apenas marca presença para logo ser deixada de lado. Aliás, é exatamente pela falta de uma explicação mais convincente envolvendo a fé na vida das personagens que a trama alcança seu clímax de maneira muito, muito apagada. E isso tudo, é claro, se dá graças à atuação bem mediana de Jennifer Jason Leigh, a matriarca da família, e à má construção de sua persona (neste último caso, é claro, por culpa do roteiro).

Pouco convincente, Leigh nos apresenta à uma viúva inexpressiva que parece ter passado os últimos anos de sua vida trancafiada em uma instituição para loucos. Tudo bem, é de se esperar que Joan tenha vivido o inferno na Terra após os eventos que deixaram seu filho em estado vegetativo por dois anos, mas, é indesculpável o descaso que ela projeta em suas outras filhas, Belle e Juliet. Em termos de maternidade, a Sra. Walker apenas perde para Margaret White, a mãe de Carrie (a Estranha).

E já que o assunto é deslize, outra escorregada bem feia e que merece destaque está no sumiço inexplicável das únicas pessoas que parecem levar Belle a sério: Terrence (Thomas Mann) e Marissa (Taylor Spreitler). Uma vez que nossa protagonista sofreu diversos problemas para se ajustar no início do longa, era de se esperar que os colegas ao menos apontassem a cara para dar um grito ou dois nas cenas finais…

Porém, nem tudo são tropeços:

Cameron Monaghan está incrível em todas as suas aparições

O ponto alto de “The Awakening” sem sombra de dúvidas está na atuação bem satisfatória de Cameron Monaghan e Bella Thorne, que para gêmeos, não chegam a desenvolver uma simbiose fenomenal, mas mergulham de cabeça ao projeto proposto. Monaghan, que pode ser visto em séries de TV como “Shameless” e “Gotham”, convence rápido e transmite com competência toda a aflição vivenciada por sua personagem zumbi. Enquanto nas duas primeiras metades do filme sua expressão facial ilustra com bastante honestidade toda a angústia de James para com sua triste condição, no terço restante o ator encarna uma perversidade que beira à psicopatia do próprio Ronald DeFeo. É sério, o cara manda muito bom no que faz!

Bella Thorne, por sua vez, tão familiarizada a retratar bad girls em inúmeros projetos para a televisão e o cinema (“The Duff”, “Scream”, “The Babysitter”), repete aqui sua faceta mais frágil (“Famous in Love”) e logo monopoliza a empatia imediata do público. Não que seu trabalho se equipare ao de lendas como Meryl Streep ou de estrelas promissoras como Emily Blunt, mas, não podemos negar que a moça tem carisma e desenvolve com maestria tudo que lhe é demandado. Tanto o é que Bella se sobressai em praticamente todo o longa, talvez apenas pecando quando chega o momento de dar vida à garotinha acanhada e de maquiagem pesada que se exclui socialmente – convenhamos que Bella Thorne sustenta uma certa imponência que a impede de ser vista como uma mera menina desajustada.

À exceção de dois ou três jumpscares horríveis que beiram o ridículo, “O Despertar” é bem razoável e até que cumpre o seu papel como título da franquia Amityville. Apesar de a revelação final ser uma das mais toscas que você verá nesta nova leva de filmes de terror, o seu desenvolvimento é eficaz o bastante para entreter sem entendiar. O maior problema de todos, e isso fica claro em menos de meia hora de filme, está nas inúmeras edições posteriores feitas para amenizar a fenomenal ambientação sombria que pudemos acompanhar no primeiro trailer do longa, liberado lá em 2014. O resultado final, certamente, teria sido bem diferente se não o tivessem censurado tanto…

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6 séries de TV temáticas para você assistir neste Halloween

O Haloween já está quase aí (é nesta terça31 de outubro) e não poderíamos deixar de celebrar, aqui no Caí da Mudança, uma das datas comemorativas mais populares do ano – relembre o especial que preparamos há dois outubros com muita música, filmes, jogos e livros. Assim, e após um intenso 2017 maratonando algumas dezenas de séries de TV, conseguimos separar meia dúzia que não falhará ao levar para o conforto da sua casa toda a obscuridade que é comum a este grande evento sobrenatural.

Ficou interessado? Então confira, a seguir, quais são as nossas 6 dicas infalíveis de séries para assistir neste Dia das Bruxas, e não se esqueça de clicar em cada uma das imagens para assistir ao seu trailer respectivo:


Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!


(Trash)

ASH VS EVIL DEAD (2015 – presente)

Exibida: pelo canal Starz! / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 20 / duração por episódio: 30 minutos

Desenvolvido por: Sam Raimi, Ivan Raimi e Tom Spezialy

Carnificina e humor negro são, sem sombra de dúvidas, os lemas que regem esta grotesca “Scream Queens” para adultos que abre a nossa serielist especial de Halloween! Gravada como uma sequência para os loucos acontecimentos que desencadearam a franquia “Evil Dead”, a superprodução da Starz! narra os passos dados pelo já conhecido Ash Williams (Bruce Campbell), o protagonista e único sobrevivente da trilogia de filmes iniciada pelo memorável “A Morte do Demônio” (1981).

Na série, Ash é um velho solteirão que leva uma vida bem mais ou menos e, trinta anos mais tarde, ainda lida com a triste perda de seus melhores amigos para os deadites do “Necronomicon Ex-Mortis”, o livro dos mortos. Porém, não demora muito para a negligência do “herói” vir à tona e condenar o país com uma infestação de novos demônios sedentos por carne fresca. Sentindo o peso de sua responsabilidade para com a humanidade, Williams vê em Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo) o auxílio que nunca teve para enfrentar o mal e restabelecer a paz de uma vez por todas – isso, é claro, se conseguir contornar os inúmeros obstáculos que aparecem em seu caminho.

Por incrível que pareça, o Ash Williams de “Ash vs Evil Dead” é interpretado pelo mesmo ator que protagonizou os clássicos do terror das décadas de 80 e 90. Contando, ainda, com Lucy Lawless e Ted Raimi no elenco (ambos de “Xena, A Princesa Guerreira”), a comédia é feliz ao trazer Sam Raimi, o criador da franquia, na produção executiva e direção/roteirização do episódio piloto. Com muito sangue, tripas e uma senhora trilha-sonora, qualidade é a palavra-chave para este show imperdível que já possui uma 3ª temporada prevista para fevereiro de 2018.

(Cult)

BATES MOTEL (2013 – 2017)

Exibida: pelo canal A&E / situação: encerrada

Nº de temporadas: 5 / nº total de episódios: 50 / duração por episódio: 45 minutos

Desenvolvido por: Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano

Quem já assistiu ao agoniante “A Órfã” (2009) com certeza acabou se surpreendendo com o show de atuação dado por Vera Farmiga. Porém, o que ninguém esperava é que a irmã mais velha da também atriz Taissa Farmiga fosse consolidar o seu nome tão repentinamente ao co-protagonizar e co-produzir executivamente a aclamadíssima prequela do clássico “Psicose” (1960). Dando vida à desequilibrada Norma Bates, a veterana reencarna na série a mãe do maior homicida hollywoodiano de todos os tempos: o inigualável Norman Bates – interpretado brilhantemente pelo Freddy Highmore, o Charlie de “A Fantástica Fábrica de Chocolete” (2005).

Passando-se alguns anos antes dos trágicos acontecimentos narrados pelo filme de Alfred Hitchcock, em “Bates Motel” acompanhamos a turbulenta vida dos Bates após a morte de Sam, marido de Norma e pai de Norman. Deixando o passado para trás em busca de um recomeço, mãe e filho se mudam do Arizona para o Oregon e, ao comprar/gerenciar um velho hotel, decidem que este será a atual fonte de seu sustento. Tudo daria certo, é claro, se os planos de diversos moradores da cidadezinha de White Pine Bay não interferissem no caminho da família e colocassem em risco o negócio recém-aberto e já sentenciado à falência.

Além de rejuvenescer a pegada cult de “Psicose” ao levar a trajetória de Norman e Norma para os dias atuais, “Bates Motel” nos apresenta a um terceiro personagem principal totalmente inédito: Dylan Massett (Max Thieriot), o filho perdido de Norma. Apesar de nos ganhar com uma fotografia incrível e um cenário realístico que faz muito jus à obra-prima de Hitchcock, é a química entre Farmiga e Highmore que concede à atração do A&E o tom necessário para prender o telespectador imediatamente.

(Vitoriano)

PENNY DREADFUL (2014 – 2016)

Exibida: pelo canal Showtime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 3 / nº total de episódios: 27 / duração por episódio: 55 minutos

Criado por: John Logan

Se existe um programa de TV que todo amante do horror, do drama e dos folclores europeu e norte-americano deveria conhecer é “Penny Dreadful”. Aliás, você pode nem saber, mas o próprio título da série já nos entrega uma palinha sobre o conteúdo abordado em seus episódios tão bem produzidos. Isso porque penny dreadfuls nada mais são senão as já extintas publicações inglesas do século XIX que traziam contos de ficção e horror sob a singela bagatela de um penny (a moeda da Inglaterra). Daí a expressão “centavos de terror”.

Malcolm Murray (Timothy Dalton) é um rico explorador que vive no Reino Unido e dedica seus dias a encontrar Mina (Olivia Llewellyn), sua filha desaparecida. Vivendo sob o mesmo teto que Sembene (Danny Sapani), seu criado, e Vanessa Ives (Eva Green), uma velha conhecida da família, o trio logo descobre que os rastros deixados pelo desaparecimento da garota escondem muito mais mistérios que a razão humana poderia explicar. Assim, não resta muitas opções ao grupo senão recorrer à ajuda do egocêntrico Victor Frankenstein (Harry Treadaway), um médico recluso que dedica seu trabalho a entender a morte, e do charmoso norte-americano Ethan Chandler (Josh Hartnett), um homem de poucas palavras com um talento nato para armas de fogo.

Com um tom obscuro que ampara a temática gótica perfeita, a produção se destaca não apenas pelo enredo fascinante, maquiagem de primeira e cenografia impecável, mas também por um elenco competente que se supera a cada novo episódio (principalmente pelas atuações de ouro dos inigualáveis Eva Green, Billie Piper e Rory Kinnear). Literariamente falando, “Drácula”, “O Retrato de Dorian Gray”, “Frankenstein” e “O Médico e o Monstro” são apenas algumas das muitas obras retratadas no decorrer do show.

(Gore)

SLASHER (2016 – presente)

Exibida: pelos canais Super Channel, Chiller e Netflix / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 16 / duração por episódio: 50 minutos

Criado por: Aaron Martin

Quem diria que após uma 1ª temporada interessante (mas com um elenco miserável) a antológica “Slasher” sobreviveria para contar história e renovar-se-ia em um dos melhores lançamentos de 2017. Agora condecorada com o selo de qualidade da Netflix, o título original da canadense Super Channel não teve medo algum de descartar 99,9% de seu time anterior de protagonistas (apenas Christopher Jacot teve um papel de destaque em ambas as temporadas) e apostar as suas fichas em uma roupagem totalmente diferente para a nova season que estreou neste ano.

Enquanto em “Slasher: The Executioner” somos levados para uma cidadezinha do interior atormentada por um serial killer que mata suas vítimas tomando por base os sete pecados capitais, em “Slasher: Guilty Party” acompanhamos cinco ex-monitores de acampamento que retornam para seu antigo local de trabalho a fim de resolver algumas pendências do passado. Sediando, atualmente, uma comunidade espiritual que abriga um grupo bem peculiar de desajustados, o lugar até então pacato vai, aos poucos, encharcando-se com o sangue derramado por um assassino misterioso que tira a vida de suas vítimas com uma brutalidade descomunal.

Uma clássica referência aos filmes slasher dos anos 70 a 90 que tem como regra o gore (“Halooween”, “Sexta-feira 13” e “A Hora do Pesadelo”), “Slasher” é a dica perfeita para quem possui um estômago de ferro capaz de aguentar as pesadas cenas de pura violência explícita que invadem a tela sucessivamente. Apresentando-nos a personagens muito mais carismáticos e a um plot twist digno de cinema, a 2ª temporada da série é eficiente ao nos emergir em sua narrativa e causar-nos o tão desejado desconforto que é próprio deste subgênero tão polêmico do terror. Não que a 1ª seja de todo descartável, mas desde já adiantamos que a atuação do elenco principal é um tanto quanto intragável…

(Bizarro)

CHANNEL ZERO (2016 – presente)

Exibida: pelo canal SyFy / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 12 / duração por episódio: 45 minutos

Criado por: Nick Antosca

Outra série antológica que merece sua total atenção e segue como um dos melhores lançamentos dos últimos dois anos é a quase desconhecida do público “Channel Zero”. Exibida pelo canal de TV à cabo SyFy, a sinistra criação de Nick Antosca retrata, em cada temporada, uma creepypasta diferente. Creepypastas são nada mais nada menos que histórias macabras encontradas na internet que se passam por lendas urbanas dos dias de hoje. Se verídicas ou ficcionais, ninguém sabe ao certo.

Com muita ousadia e criatividade, os produtores do show foram muito perspicazes ao readaptar a tenebrosa Candle Cove para sua grade televisiva (leia a creepypasta original na íntegra). Em “Channel Zero: Candle Cove” seguimos os passos de Mike Painter (Paul Schneider), um psicólogo infantil que retorna para sua cidade natal a fim de descobrir se o desaparecimento de seu irmão gêmeo, quando criança, está relacionado a um estranho programa de TV que foi ao ar naquele mesmo período. Opostamente, é numa ambientação totalmente diversa (mas ainda bizarra) que “Channel Zero: No-End House” narra a história de Margot Sleator (Amy Forsyth), uma garota órfã de pai que acaba indo parar na inexplicável Casa Sem Fim: uma construção enigmática com seis cômodos que guardam, cada qual, um horror diferente (leia a creepypasta original).

Com nomes sólidos em seu elenco que incluem Fiona Shaw (a Tia Petúnia de “Harry Potter”) e John Carroll Lynch (o Palhaço Twisty de “American Horror Story: Freak Show”), “Channel Zero” sabe como mexer com nosso psicológico minuciosamente, despertando sensações e criando experiências apavorantes. A má notícia é que cada season conta com apenas 6 episódios; a boa é que a superprodução já foi renovada para mais 2 novas temporadas, sendo que a 3ª deverá estrear já em 2018 sob o título “Channel Zero: Butcher’s Block” (confira a primeira prévia liberada).

(Baseado em fatos reais)

THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES (2015)

Exibida: pelo canal Lifetime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 1 / nº total de episódios:/ duração por episódio: 45 minutos

Produzida por: Michael J. Mahoney e Stanley M. Brooks

Por fim, é para fechar com chave de ouro que encerramos a nossa serielist de Halloween com “The Lizzie Borden Chronicles”, a sanguinária minissérie do Lifetime que fez questão de dramatizar um dos casos policiais mais inquietantes da História dos EUA. Gravado como uma sequência para o longa-metragem “A Arma de Lizzie Borden” (2014), tanto série quanto filme entram em detalhes sobre o cruel assassinato de Andrew e Abby Borden, o casal assassinado em 1892 com 11 machadadas ele e 19 ela. Apesar de as investigações terem sido inconclusivas, o maior suspeito pelos crimes foi a própria filha de Andrew, Lizzie, que na data dos fatos tinha 32 anos.

Se em “A Arma de Lizzie Borden” ficamos em dúvida se a moça teria de fato matado seu pai e madrasta, em “The Lizzie Borden Chronicles” temos a certeza absoluta disso. Passaram-se apenas quatro meses de sua comentada absolvição, mas Lizzie (Christina Ricci) e sua irmã mais velha, Emma (Clea DuVall), ainda tentam recomeçar suas vidas em meio à popularidade negativa que adquiriram em Fall River, Massachusetts. Decidida a manter seu status perante à sociedade, Lizzie logo percebe que não será nada fácil concretizar seus objetivos com tantas pessoas em seu encalço prontas para tirar proveito de sua fama. Bem, se ao menos esse pessoal conhecesse o sangue frio que corre pelas veias da Srtª Borden e sua inescrupulosa habilidade com armas brancas…

Além de dar vida à Lizzie Borden em ambas as produções, Christina Ricci também trabalhou como co-produtora executiva da série ao lado de Judith Verno. Sustentando uma atuação fenomenal que lhe rendeu a aclamação da crítica, a atriz nunca esteve tão poderosa em um papel que fosse capaz de explorar tão bem seu talento nato para o horror. Até porque, convenhamos, uma vez Wandinha Addams… sempre Wandinha Addams.


E aí, você já conhecia essas superproduções de terror? Acha que nos esquecemos de alguma? Conta pra gente quais são as suas recomendações para este Halloween, seja para séries, filmes, livros ou quaisquer outras atrações.

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Sem perder o foco, Manu Gavassi salva o pop nacional e se reinventa no incrível novo álbum “Manu”

Quem acompanha a indústria musical certamente já deve ter percebido que este ramo se tornou, em pouquíssimo tempo, num dos mercados mais abrangentes do universo artístico. Em tempos em que a diversidade foi conquistada e é celebrada abertamente, a tecnologia e a acessibilidade abriram portas que recebem, diariamente, milhares de jovens talentos interessados em seguir a tão sonhada carreira profissional. É assim no exterior e que não poderia ser diferente no Brasil, por mais que o pop nacional permaneça bem carente de nomes interessados em produzir um som de qualidade.

Reunindo um time competente de produtores, aprimorando sua escrita e reinventando-se da imagem que adquiriu quando era uma mera colaboradora da revista Capricho, é com maestria que Manu Gavassi protagoniza a nossa resenha especial desta semana. Atualmente promovendo o 3º disco de inéditas de sua carreira – o “Manu” –, a moça também se desdobra em diversos projetos paralelos e revela-se um dos nomes mais multifacetados do cenário cultural nacional. Quer saber um pouco mais sobre a atual fase vivida pela promissora sensação do pop brasileiro? Então vamos lá!

Precedentes e caminho independente com “Vício”:

Se você já ouviu falar sobre Manu Gavassi então definitivamente já associou o nome da cantora ao primeiro grande sucesso de sua carreira: o first single “Garoto Errado”, que não apenas esteve presente no homônimo “Manu Gavassi”, de 2010, como também integrou a trilha-sonora da novela “Rebelde”, da Rede Record. Seguindo os passos daqueles que motivaram sua trajetória musical – dentre os quais podemos destacar desde Sandy à Selena Gomez –, Manu não tardou para fazer a alegria dos fãs e, três anos mais tarde, liberou o seu aguardadíssimo 2º experimento pelos estúdios de gravação: o disco “Clichê Adolescente”. Não se contentando com a trajetória apenas na música, Gavassi foi além e, apenas em 2014, expandiu seus horizontes e aventurou-se como atriz na 22ª temporada de “Malhação” e na novela “Em Família”, ambas da Rede Globo. Neste ano, ela ainda lança o seu primeiro livro: “Olá, Caderno”, pela Editora Rocco.

Entretanto, foi somente a partir do EP independente “Vício” que a paulistana de 24 anos chacoalhou de vez o pop brazuca ao incorporar-se numa nova persona totalmente empoderada e cheia de atitude. Recebendo a produção de ninguém menos que Junior Lima (da dupla Sandy & Junior) e Dudinha, o extended play nos trouxe 5 novas músicas, incluindo o autoral carro-chefe “Camiseta” e a faixa-título cheia de alfinetadas “Vício”. Investindo de vez no synth-pop e assinando a composição de todo o material, Gavassi nunca soou tão à vontade e dona de si em um trabalho que transbordasse tanta contemporaneidade e maturidade. Bem, pelo menos até fechar contrato com uma nova gravadora e lançar o seu 3º álbum de inéditas…

Produções de peso com os melhores do mercado:

Liberado neste primeiro semestre de 2017, no dia 21 de abril, sob o selo da Universal Music, é com a direção artística da própria cantora e de Felipe Simas que “Manu” chegou às prateleiras das lojas nos apresentando à 12 novas músicas impecáveis. Antecedido pelo primeiro single “Hipnose”, o material não fez feio e reuniu as produções de ouro de nomes que incluem Pedro Dash, Marcelo Ferraz, Mãozinha, Umberto Tavares (Anitta, Ludmilla) e Tropkillaz. Compondo todas as canções com uma versatilidade única – e sendo acertadamente auxiliada por Ana Caetano, do Anavitória, em uma faixa aqui e outra acolá –, Gavassi aborda temas como amor, flerte e inseguranças com uma honestidade incomparável.

Rendendo-se de vez ao dance-pop tão popularizado nas rádios gringas de todo o planeta, a moça chegou a revelar, em entrevista concedida à revista “Glamour”, que este “é como se fosse o primeiro CD. No primeiro, eu tinha 16 anos, não sabia da parte visual, identidade visual… Neste, eu pude participar de tudo: dos arranjos, escolher os produtores. Foi diferente de tudo que eu já tinha vivido”. Sobre suas inspirações na hora de compor, ela contou ao “Correio Braziliense” que ouviu muito Melanie Martinez, Lily Allen, Lorde, Justin Bieber e Selena Gomez, concluindo que “sempre ouvi muita música pop”. E, realmente, é nessa vibe bem dançante e contagiante à la “Purpose” que “Manu” chega a nossos ouvidos e nos conquista desde o primeiro play.

As incríveis nudes de Manu:

Casando perfeitamente instrumentais intensos ao doce vocal de sua intérprete, “Manu” não economiza nos hits e proporciona ao ouvinte a sensação única de conferir “o que de melhor bomba lá fora” numa versão genuinamente brasileira. Sob a condução de composições sólidas que dizem muito sobre a boa e atual fase vivida por Gavassi, o álbum não perde tempo e de cara nos introduz aos devaneios de uma mulher poderosa que sabe realmente o que quer. Aliás, se pudéssemos escolher uma palavra-chave para caracterizar o disco como um todo, esta definitivamente seria ousadia – seja pela parte lírica, seja pela visual. Despindo-se do machismo que é inerente à sociedade em que vivemos, não é necessário muito esforço para entender que o nu de “Manu” vem exatamente para reforçar uma forte e importante mensagem de autoaceitação e bem-estar com o seu próprio corpo.

Exalando sensualidade e confiança da primeira à última faixa, o material é certeiro ao abrir os trabalhos com a supermoderna “Hey”, a candidata perfeita para 3º single desta nova era. Passando pela queridinha “Hipnose”, é num ritmo totalmente comercial que somos dirigidos para a primeira colaboração de Manu com a Ana Caetano: a radiofônica “Perigo”. Culminando em “Muito Muito” (a atual música de trabalho da moça), é com muito desdém que ouvimos Manoela entoar a composição mais atrevida de seu crescente catálogo autoral. Ainda percorrendo este caminho dançante onde a energia parece não chegar ao fim, a viciante “Me Beija” mal começa e logo acaba para dar lugar à “23”, o primeiro ponto de descanso de uma tracklist digna de Carly Rae Jepsen ou da nova Taylor Swift.

O clipe de “Muito Muito” teve direção de João Monteiro e Fernando Moraes

Assim, como quem não quer nada, “Manu” vai aos poucos recuperando o fôlego e, antes de voltar mais provocativo do que nunca com “Mentiras Bonitas”, tem tempo para nos tranquilizar com “Fora de Foco”, a última das três parcerias celebradas com a talentosa integrante do Anavitória (a outra é “Me Beija”). Passando a tocha para “Heart Song”, Gavassi permanece interpretando versos bem fofos antes de dar voz à última de suas gravações mais sexys: a segunda candidata perfeita para single “Ninguém Vai Saber”. Já nos preparando para o adeus inevitável, “Antes do Fim” chega num tom bem intimista que muito nos lembra os clássicos da MPB que não são mais produzidos nos dias de hoje. Quase como uma faixa perdida numa cápsula do tempo, a penúltima canção do material continua reverberando em nossos ouvidos antes de “Aqui Estamos Nós” apontar com diversos questionamentos inteligentes que colocam um ponto final bem melódico ao grandioso sucessor de “Clichê Adolescente”.

A solução que todos estávamos esperando:

Não é preciso ser crítico musical ou entender de música para perceber que o pop, no Brasil, destaca-se negativamente como um dos gêneros mais mal investidos pelos artistas que aqui seguem carreira. Em tempos em que o sertanejo universitário é a primeira escolha entre as duplas que se lançam anualmente no mercado e o funk carioca lidera o número de visualizações musicais do YouTube, mais os gêneros que tanto fazem sucesso lá fora acabam por ser deixados de lado em nossa terra natal. Seja pela pouca visibilidade que as plataformas brasileiras oferecem, seja pela falta de interesse daqueles que apenas engolem os trabalhos internacionais sem nem ao menos digerir, mais e mais negligenciamos os poucos profissionais que se empenham em preencher essa lacuna que há anos permanece nos assombrando.

Assim, acreditamos que não falamos apenas por nós quando reclamamos do quão monótono é ligar o rádio ou ir à uma festa e encontrar sempre os mesmos hits enlatados que o brasileiro consome tão compulsivamente – e o pior: sem nem ao menos dar uma chance para outras sonoridades diferentes. Em um país onde Sandy, Wanessa ou até mesmo a ainda novata Anitta já fincaram suas bandeiras e nos presentearam com alguns dos melhores lançamentos dos últimos anos (e da última década), precisamos cada vez mais dar valor àqueles que utilizam de seus esforços para nos trazer um som cheio de autenticidade.

Porém, nem tudo são lágrimas! Por mais que vivamos na era medieval da música pop brasileira (e este é um fato incontroverso), não podemos nunca perder nossas esperanças, sempre pensando que, por mais difíceis que as coisas estejam, tempos melhores deverão chegar em breve. Se até ontem lamentávamos a ausência de um nome realmente compromissado em dar prosseguimento ao império iniciado por estas super-heroínas cheias de talento, pelo menos agora temos a certeza de que o Brasil possui alguém mais do que competente para salvar os nossos ouvidos dos modismos que parecem nunca chegar ao fim. É com você, Manu Gavassi!

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Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás (#3)

Já não é novidade pra ninguém que acompanha o nosso blog que a música pop se tornou, a longo prazo, uma das temáticas mais frequentes de nossas resenhas e artigos especiais. Assim, dando continuidade a um quadro bastante popular por aqui (mas que no ano passado falhou bruscamente ao dar o ar de sua graça), é com prazer que ressuscitamos o “10 melhores álbuns de 10 anos atrás” com o que é, ao nosso ver, o melhor período vivenciado pela indústria musical contemporânea desde o início dos anos 2000 (reveja as partes 1 e 2).

Voltando para os dias de glória em que as rádios imortalizaram o melhor dos grandes produtores de outrora, é em ritmo de tremenda nostalgia que compilamos, a seguir, 10 discos inesquecíveis que farão você querer entrar em uma máquina do tempo para esquecer tudo o que ouviu recentemente. Ah, e não se esqueça de clicar nas capas dos álbuns para conferir um clipe de cada era, tá bem? Tudo certo? Então prepare-se para relembrar cada um destes hinários que bombaram muito há uma década, começando por:

10) EMPEZAR DESDE CERO – RBD

Gravadora: EMI Music

Lançamento: 20 de novembro de 2007

Singles: “Inalcanzable”, “Empezar Desde Cero” e “Y No Puedo Olvidarte”

Considerações: Conhecido como um dos maiores fenômenos da América Latina de todos os tempos, não é à toa que o RBD rapidamente conquistou milhares e milhares de fãs por todos os países em que a telenovela “Rebelde” chegou a ser exibida. Já experientes após o lançamento de 4 bem-sucedidos discos de estúdio, foi num tom mais intimista que os seis membros do grupo fizeram bonito ao nos entregar esta joia rara que abre o nosso “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Pegando emprestado o tradicional pop-rock chiclete característico de sua própria discografia (principalmente dos discos “Rebelde” e “Celestial”), “Empezar Desde Cero” traz letras mais reflexivas enquanto explora com maestria os vocais de Anahí, Dulce, Maite, Christopher, Alfonso e Christian. Dizendo adeus ao toque bem obscuro do queridinho “Nuestro Amor”, o 5º álbum do sexteto foi o grande responsável por nos apresentar aos hinos insuperáveis “Fuí La Niña”, “No Digas Nada” e “Sueles Volver” – e, ainda, fazer justiça ao dar mais espaço para a talentosíssima Maite Perroni, que pela primeira vez comandou um single (faixa-título) como vocalista principal

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 no “Mexican Albums Chart”, atingindo o #4 na sua quinta semana (número de vendas desconhecido)

9) THE BEST DAMN THING – AVRIL LAVIGNE

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 17 de abril de 2007

Singles: “Girlfriend”, “When You’re Gone”, “Hot” e “The Best Damn Thing”

Considerações: É claro que não deixaríamos a primeira colocada da 1ª parte do nosso especial de fora – ainda mais quando, há exatos 10 anos, pudemos conferir um dos trabalhos mais controversos de toda a carreira de Avril Lavigne. Causando bastante barulho com o lançamento do carro-chefe “Girlfriend” (o qual, curiosamente, tornou-se o único #1 de Avril na “Billboard Hot 100” estadunidense), em “The Best Damn Thing” a canadense não teve medo de deixar o post-grunge totalmente de lado para priorizar um som bem alto-astral puxado mais para o pop e menos para o rock. Contrariando em muito uma significativa parcela de seus fãs que de cara reprovou a mudança repentina no estilo, a Princesinha do Pop-punk não demorou nada para deixar o seu jeito “largada” de lado e adotar uma personalidade cada vez mais provocativa. Musicalmente falando, entretanto, “The Best Damn Thing” foi certeiro e não economizou nos hits, sendo que “When You’re Gone” e “Hot” fizeram bastante sucesso pelo mundo e instantaneamente caíram no gosto popular

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 289.000 cópias na primeira semana

8) DELTA – DELTA GOODREM

Gravadora: Sony BMG, Mercury Records

Lançamento: 20 de outubro de 2007

Singles: “In This Life”, “Believe Again”, “You Will Only Break My Heart” e “I Can’t Break It to My Heart”

Considerações: Você até pode nunca ter ouvido falar de uma das australianas mais talentosas da música internacional atual, mas, Delta Goodrem já havia governado o topo da “ARIA Albums Chart” com seus dois primeiros discos muito antes de repetir o feito com “Delta”. Enterrando seu passado sombrio que havia sido tão bem explorado em “Mistaken Identity” (2004), Goodrem não pensou duas vezes e, com suas energias totalmente recarregadas, tratou de entregar aos fãs um trabalho que realmente refletisse sua triunfal vitória sobre o linfoma de Hodgkin. Transmitindo boas energias em faixas luminosas como “Possessionless” e “God Laughs”, a loira não perdeu tempo e foi além ao nos presentear com um dos singles mais dançantes de sua bem estruturada discografia: a viciante “Believe Again”. Ah, e vale dizer ainda que o “Delta” chegou, inclusive, a estrear na “Billboard 200” estadunidense, na posição #116 (sendo este o único álbum de Goodrem, até o momento, a conseguir tal feito)

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Albums Chart” com vendas de 23.072 cópias na primeira semana

7) HEADSTRONG – ASHLEY TISDALE

Gravadora: Warner Bros.

Lançamento: 6 de fevereiro de 2007

Singles: “Be Good To Me”, “He Said, She Said”, “Not Like That” e “Suddenly”

Considerações: Como se não bastasse ver seu nome decolar após protagonizar a franquia “High School Musical”, Ashley Tisdale deu um show de versatilidade quando anunciou sua carreira solo juntamente ao seu 1º álbum de inéditas, o “Headstrong”. Misturando uma pitada de synthpop a muito dance-pop e R&B da melhor qualidade, Tisdale não se acanhou nos batidões e, totalmente desvinculada de Sharpay Evans, deu ao mundo uma pequena prévia de todo o seu poderio vocal. Mesclando faixas que transbordavam o melhor da música eletrônica de uma década atrás (“He Said She Said”, “Goin’ Crazy”) à baladinhas românticas bem clichês e adolescentes (“Unlove You”, “We’ll Be Together”), a garota prodígio rapidamente passou de “uma das Disney stars mais queridas do mundo” para “um dos maiores sonhos de consumo do público masculino” – quando figurou na lista das 100 mulheres mais sexys de 2008, em #10, pela revista “Maxim”. E isso tudo com pouquíssimo tempo de carreira solo!

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 72.000 cópias na primeira semana

6) HANNAH MONTANA 2: MEET MILEY CYRUS – HANNAH MONTANA/MILEY CYRUS

Gravadora: Walt Disney Records, Hollywood Records

Lançamento: 26 de junho de 2007

Singles: “Make Some Noise”, “Nobody’s Perfect” e “Life’s What You Make It” / “See You Again” e “Start All Over”

Considerações: Mundialmente conhecida como o rosto por trás do sucesso da série de TV “Hannah Montana”, foi somente em 2008 que Miley Cyrus começou a fazer dinheiro por si mesma: quando liberou o disco “Breakout”. Entretanto, o que muita gente desconhece é que, um ano antes, diversas rádios internacionais já tocavam os hits da própria Miley; os quais haviam sido recém-lançados em conjunto à 2ª trilha-sonora do aclamado programa do Disney Channel. Assim nasceu “Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus”, o álbum duplo que trazia 10 novas faixas da popstar adolescente mais famosa da TV e mais 10 novas faixas interpretadas por… Miley Cyrus. Enquanto “Hannah Montana 2” repetiu a dose da primeira soundtrack e trouxe à tona um pop mais fabricado destinado ao público infanto-juvenil, “Meet Miley Cyrus” experimentou uma porção de gêneros que culminou na primeira experiência madura de Cyrus como musicista. Compondo 8 das 20 músicas presentes no trabalho, foi nesta obra que a garota lançou o seu primeiro single, “See You Again”, e nos cativou com as pérolas “As I Am” e “Right Here”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 325.000 cópias na primeira semana

5) GOOD GIRL GONE BAD – RIHANNA

Gravadora: Def Jam Recordings, SRP Music Group

Lançamento: 31 de maio de 2007

Singles: “Umbrella”, “Shut Up And Drive”, “Hate That I Love You”, “Don’t Stop The Music”, “Take a Bow”, “Disturbia” e “Rehab”

Considerações: Não que Rihanna fosse uma total desconhecida quando seu prestigiado “Good Girl Gone Bad” chegou às prateleiras das lojas (até porque os hits “SOS” e “Pon de Replay” já haviam abocanhado o #1 e #2 da “Billboard Hot 100” muito antes disso), mas, não podemos negar que foi após o seu lançamento que a carreira da moça decolou de vento em popa. Auxiliada pelo mentor Jay-Z, que de quebra participou do lead single “Umbrella”, o 3º disco da barbadiana foi tão bem supervisionado que recebeu, ainda, o toque de Midas dos super respeitados Ne-Yo, Justin Timberlake, StarGate e Timbaland. Combinando um visual bastante exótico que somente o Caribe tem a oferecer com o vocal inconfundível da Rihanna, “Good Girl Gone Bad” irradiou um R&B bem gostosinho que com certeza não sai da sua cabeça até os dias de hoje. O sucesso foi tamanho que no ano seguinte o álbum foi relançado sob o nome “Good Girl Gone Bad: Reloaded” contendo as inéditas “Take a Bow”, “Disturbia” e “If I Never See Your Face Again”, com o Maroon 5

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 162.000 cópias na primeira semana

4) BRAVE – JENNIFER LOPEZ

Gravadora: Epic Records

Lançamento: 4 de outubro de 2007

Singles: “Do It Well” e “Hold It Don’t Drop It”

Considerações: Que há anos Jennifer Lopez concilia uma invejável carreira de sucesso em Hollywood com uma multiplatinada trajetória na música todos já estão cansados de saber. Porém, muito antes de migrar para as batidas do electro-pop e conquistar as pistas de dança com “On the Floor” e “Dance Again”, JLo ainda perambulava por um R&B bem mais suave e orquestral, e é esta a sonoridade que pudemos contemplar do início ao fim de “Brave”, o 6º de sua discografia. Solidificando o carro-chefe “Do It Well” como uma de suas canções mais icônicas, foi com bastante requinte e autoconfiança que a norte-americana de sangue latino nos bombardeou com o seu trabalho mais consistente até o momento. Finalmente impondo sua identidade e superando em muito seus álbuns anteriores (que, convenhamos, continham diversas faixas bem “tapa buraco”), Lopez não poupou na afinação e parece ter entregado tudo de si nas brilhantes “Hold It Don’t Drop It” e “Mile in These Shoes”. Destaque, ainda, para a refrescante “Forever” e a emocionante faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #12 na “Billboard 200” com vendas de 52.600 cópias

3) X – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Parlophone Records

Lançamento: 21 de novembro de 2007

Singles: “2 Hearts”, “Wow”, “In My Arms”, “All I See” e “The One”

Considerações: Completando, neste ano, três décadas de estrada, não é novidade para ninguém que a australiana Kylie Minogue é a proprietária de um dos catálogos mais respeitados dentro do meio musical internacional. E, foi há exatos 10 anos que tivemos a grandiosa honra de conhecer “X”, o 10º álbum de estúdio da veterana. Originalmente nomeado “Magnetic Electric”, o aguardadíssimo sucessor de “Body Language” (2003) foi, para Kylie, o mesmo que “Delta” foi para Delta Goodrem; isso porque, assim como a sua conterrânea, Minogue acabara de vencer uma árdua e superexposta batalha contra o câncer (de mama). Contando com a ajuda de profissionais de renome como Bloodshy & Avant, Guy Chambers e Calvin Harris, a voz que dá vida ao sucesso “In My Arms” revelou, à época, que não quis repetir toda a melancolia de “Impossible Princess” (1997) e deu preferência a um som bem mais alegre e contagiante. Seguindo as tendências do electro-pop, “X” é bastante eclético e compõe-se tanto de instrumentais mais sofisticados (como “Like a Drug” e “Sensitized”) quanto de baladinhas suaves e românticas (como “All I See” e “Cosmic”). Extravasando positividade, teve até espaço para “No More Rain”, a sensacional canção composta pela própria australiana no intuito de dizer adeus a seu triste diagnóstico anterior

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Awards” com vendas de 16.000 cópias na primeira semana

2) DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 21 de março de 2007

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”

Considerações: Todo jovem artista que se lança na indústria do entretenimento possui a probabilidade de protagonizar, em determinado momento de sua trajetória, algum programa de televisão voltado ao público infantil. Apesar de Hilary Duff ter passado exatamente por isso, é claro que não demoraria muito para a moça entrar na vida adulta e demonstrar um forte desejo de mudar a sua imagem pública como profissional. Com anseios de amadurecimento, em “Dignity” a nova morena do pedaço conseguiu não apenas elaborar o melhor trabalho de sua carreira como também adquiriu o respeito de todos aqueles que não levavam a sério o seu brilhante engajamento como musicista. Perfeitamente envolvida na produção executiva e composição de seu 4º disco de inéditas, Duff teve tempo de sobra para nos contar um pouquinho mais sobre a separação de seus pais (“Stranger”, “Gypsy Woman”), o rompimento com o próprio namorado (possivelmente a faixa-título) e um feliz incidente envolvendo um stalker russo (“Dreamer”). Com vocais mais contidos combinados a instrumentais dançantes cheios de muita elegância, Hilary nunca esteve tão confortável em um trabalho que exalasse tanta honestidade e autodeterminação

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 140.000 cópias na primeira semana

1) BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 25 outubro de 2007

Singles: “Gimme More”, “Piece of Me” e “Break the Ice”

Considerações: Eis que chegamos ao topo da nossa lista com o que é considerado, por muitos (inclusive por nós do Caí da Mudança), o melhor álbum pop deste milênio. E quando falamos em “Blackout” qualquer elogio definitivamente não é exagero! É curioso, contudo, que o maior nome por trás de sua criação não estivesse com o juízo completamente no lugar quando o carro-chefe “Gimme More” chegou em setembro de 2007 trazendo uma Britney Spears novinha em folha. Vivendo um verdadeiro inferno na Terra, a insubstituível Princesinha do Pop usou e abusou dos sintetizadores enquanto as composições do disco, claramente inspiradas pelas manchetes sensacionalistas dos tabloides da época, se encarregaram de expor uma crítica social e tanto. O sucesso foi tamanho que o 2º single do material, “Piece of Me”, entrou para a setlist de todas as turnês posteriores ao seu lançamento e ainda deu nome à atual residência que a cantora realiza em Las Vegas desde 2013, a “Britney: Piece of Me”. Tudo isso, é claro, não teria sido possível se não houvesse o envolvimento de mestres como Danja, Bloodshy & Avant, Kara DioGuardi, Keri Hilson e Jim Beanz. Em 2012, o “Rock and Roll Hall of Fame” incluiu “Blackout” em sua conceituada biblioteca musical

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 290.000 cópias na primeira semana


BÔNUS) MY DECEMBER – KELLY CLARKSON

Gravadora: RCA Records, 19 Recordings

Lançamento: 22 de junho de 2007

Singles: “Never Again”, “Sober”, “One Minute” e “Don’t Waste Your Time”

Considerações: Por fim, antes de encerrarmos a 3ª parte do “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”, cabe a nós incluir uma importante menção honrosa ao 3º álbum de estúdio da primeiríssima vencedora do “American Idol”, Kelly Clarkson. Bem diferente do pop-rock mainstream que dominou o exitoso “Breakaway” (2004), “My December” aposta toda as suas fichas em uma sonoridade bem mais pesada e expressiva fortemente influenciada pelo rock. Coescrevendo cada uma das 13 faixas presentes na edição standard, Clarkson não teve medo de dar uma pausa nas parcerias de sucesso proporcionadas por Max Martin e Dr. Luke e mergulhou de cabeça por um caminho bem mais intimista que de longe nos fez lembrar o saudoso “Thankful” (2003). Você certamente já ouviu o lead single “Never Again”, que atingiu o #8 da “Billboard Hot 100”

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 291.000 cópias na primeira semana


E aí, deixamos algum trabalho de fora? Em sua opinião quais são os 10 melhores lançamentos de 10 anos atrás? Conte-nos a sua opinião.

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