Porque Serena van der Woodsen é a melhor personagem da série de TV Gossip Girl

Quem se liga em séries de TV provavelmente já ouviu falar do fenômeno adolescente Gossip Girl: programa inspirado na coletânea de livros escrita por Cecily von Ziegesar e que foi ao ar entre os anos de 2007 a 2012, pela The CW. Comandada pelos já experientes Josh Schwartz e Stephanie Savage (os mesmos criadores de “The O.C.”), a superprodução fez bastante sucesso por onde passou e não falhou ao alavancar a carreira de jovens talentos como Blake Lively, Leighton Meester e até mesmo Taylor Momsen, a ex-atriz e atual vocalista do The Pretty Reckless.

Comemorando o fato de que seu episódio piloto foi exibido pela primeira vez há quase 10 anos, em um já longínquo 19 de setembro de 2007, resolvemos tirar a poeira da prateleira e preparamos este artigo especial para relembrar o império de uma das mais amadas (e detestadas) personalidades da cultura pop moderna. Antes, entretanto, vale a pena puxar na memória a fascinante história que sustenta este show.

Este texto contém spoilers: siga por sua conta e risco. Boa leitura!

Gossip Girl here…

…your one and only source into the scandalous lives of Manhattan’s elite

Passando-se em uma Nova Iorque dos tempos atuais, Gossip Girl (“A Garota do Blog”, no Brasil) nos apresenta à vida de dramas e excessos protagonizada por seis adolescentes frequentadores do Upper East Side, um dos bairros mais nobres e badalados de Manhattan. Tudo se inicia quando Serena van der Woodsen (Blake Lively) retorna para sua cidade natal decidida a solucionar os problemas que a levaram a passar um longo período afastada dos amigos e dos familiares. Devendo lidar com as consequências de sua drástica escolha – principalmente com as desavenças compartilhadas com sua até então melhor amiga Blair Waldorf (Leighton Meester) e com sua mãe, Lily (Kelly Rutherford) –, a moça vai aos poucos se reintroduzindo à costumeira rotina de outrora enquanto tenta não cometer os mesmos erros que assombram seu passado.

Evitando, a princípio, seu antigo círculo de amigos – do qual fazem parte os populares Nate Archibald e Chuck Bass (Chace Crawford e Ed Westwick, respectivamente) –, S, como é chamada pelos mais íntimos, acaba por conhecer e se apaixonar pelo sistemático aspirante a escritor Dan Humphrey (Penn Badgley): um garoto comum de classe média que vive no Brooklyn juntamente com o pai, Rufus (Matthew Settle), e a irmã caçula, Jenny (Taylor Momsen). Como se já não bastasse familiarizar-se com toda a pressão imposta pela alta sociedade local, Serena e seus colegas precisam lidar ainda com os conflitos criados pela sempre problemática Gossip Girl: uma blogueira anônima que se ocupa em publicar toda e qualquer fofoca que se esconde por detrás da escandalosa vida da elite de Manhattan. Assim, é dada a largada para uma complexa trama desenvolvida ao longo de 121 episódios organizados em 6 distintas temporadas.

Uma estrela dando vida à outra:

Quem interpreta Serena é a encantadora Blake Lively, também conhecida por seu trabalho nos filmes “A Incrível História de Adaline” (2015) e “Águas Rasas” (2016)

Escalada para estrelar Gossip Girl (até porque não é coincidência seu nome ser o primeiro a aparecer durante os créditos de apresentação), Blake Lively é quem personifica a nossa it girl Serena van der Woodsen. Entretanto, não é segredo para ninguém que, com o desenrolar das temporadas, foi o casal inédito no universo literário Blair Waldorf e Chuck Bass (Meester e Westwick) que conquistou a devoção de todos aqueles que acompanharam a série desde a sua estreia. Seja pela química impressionante partilhada entre a dupla, seja pelo descaso dos roteiristas em dar um desfecho decente para sua principal protagonista, a verdade é que, mesmo em seus piores momentos, Lively conseguiu fazer muito com o pouco que lhe foi entregue para aprimorar. Ofuscada, esporadicamente, pelas tramas vivenciadas por seus colegas de trabalho (as quais, diga-se de passagem, eram bem mais espontâneas e interessantes), a loira permaneceu determinada do início ao fim e nos entregou o que é, ao nosso ver, uma das personas mais intrigantes da história televisiva contemporânea. E isso tudo não teria funcionado, é claro, se a própria Blake não tivesse nos emprestado todo o brilho e empatia que seu semblante transmite com tanta naturalidade.

Problemas, problemas e mais problemas:

Álcool, drogas e garotos são apenas algumas das muitas válvulas de escape utilizadas por Serena para fugir de seus problemas domésticos

Sem muitos rodeios, é inevitável dizer que Serena é a típica colegial bonita, rica e popular que consegue tudo o que quer sem o mínimo de esforço (este é, a propósito, um dos pontos mais reiterados ao longo de todo o programa). Com fama de festeira e bastante namoradeira, a menina desconta na bebida e nos garotos todas as frustrações que encontra diariamente dentro de casa. Crescida em uma família desajustada graças ao divórcio de seus pais que resultou na agitada vida amorosa de sua mãe e no afastamento completo de seu pai, S e seu irmão mais novo, Eric (Connor Paolo), desde muito jovens tiveram de aprender a encarar o mundo como ele realmente é – diferente dos Humphrey, por exemplo, que sempre tiveram o apoio de Rufus; ou dos Waldorf, que contaram com a total dedicação da melhor empregada de todos os tempos (e espiã nas horas vagas), Dorota Kishlovsky (Zuzanna Szadkowski).

Conhecida por ser uma garota problemática que não leva nada muito a sério, é ao lado de Georgina Sparks (Michelle Trachtenberg) que Serena atinge o fundo do poço incontáveis e incontáveis vezes – chegando a acreditar, inclusive, ter sido a responsável pela morte de um homem, lá no final da 1ª temporada. Ingênua que só vendo, seus planos dificilmente dão certo – até porque, quando a situação se complica, prefere assumir a culpa e sair de cena, enclausurando-se em um casulo de inseguranças que a isola daqueles que mais ama. É em um desses momentos de maior desespero que presenciamos a verdadeira face da Srtª van der Woodsen durante a reta final da 5ª temporada: alguém com sérios problemas de confiança que permanece cometendo os mesmíssimos erros em um triste loop infinito.

She’s a maneater:

Cena de “G.G.” (S05E13), o divertido episódio em que Serena sonha ser Marilyn Monroe na clássico “Os Homens Preferem as Loiras” (1953)

Sempre muito bem vestida, com os cabelos impecáveis e a maquiagem no lugar, não é em vão que Serena atrai para si todos os olhares daqueles que frequentam os colégios “Constance Billard School for Girls” e “St. Jude’s School for Boys”. Entrando e saindo de diversos relacionamentos amorosos (o que, nas palavras de sua BFF, pode se resumir em: “Nate, then Dan, then Dan again, Aaron, Gabriel, Carter, Tripp, then Dan again, then Nate again”), S tende a ser volátil tanto no amor quanto em sua vida particular. Sempre dividida entre o que realmente quer e o que as pessoas próximas de seu convívio esperam de si, é com a ajuda de Queen B que, constantemente, a garota sai de cima do muro e opta por algo que tenha a ver com a sua personalidade. Bem resolvida sexualmente, vez ou outra confunde liberdade com promiscuidade, redirecionando suas atitudes para um caminho de descarada insensatez – como quando transou com Nate e Dan enquanto estavam comprometidos ou apaixonados por ninguém menos que… Blair. Complicado!

Muito mais do que apenas um rostinho bonito:

Serena e Blair em um dos momentos mais aconchegantes da série em “Bad News Blair”, (S01E04)

Todavia, se a filha dos van der Woodsen transborda defeitos e encabeça diversas das situações mais desnecessárias de todo o Upper East Side, ela também não poupa esforços quando o assunto é o bem e proteção daqueles que mais importam em sua vida: sua família e amigos.

Sua primeira grande demonstração de caráter pode ser vista no memorável “Poison Ivy” (S01E03), episódio em que Blair tenta ridicularizá-la em público e Serena, sem hesitar, assume uma mentira para encobertar a tentativa de suicídio do irmão. Seis episódios mais tarde (“Blair Waldorf Must Pie!”) a premissa se comprova quando, mais uma vez, S estende uma mão amiga quando o transtorno alimentar de B vem à tona inesperadamente. E isso porque não mencionamos a inúmeras tentativas de inserção de Dan ao mundo dos grã-finos, ou a sua boa vontade em fazer parte de tudo aquilo que o namorado lhe apresentou – a garota até fingiu não saber jogar sinuca apenas para massagear o ego do cara. Sejamos honestos: aturar Dan Humphrey não é tarefa fácil!

Engajada em cuidar de todos aqueles que vêm ao seu auxílio, S dificilmente guarda rancor e consegue ultrapassar barreiras ao perdoar o que para muitos é imperdoável: sejam os planos maquiavélicos arquitetados por Georgina, seja o quase homicídio culposo orquestrado por Juliet Sharp (Katie Cassidy). Porém, de todos os bons atos praticados pela moça, reaproximar-se de seu pai foi, provavelmente, um dos mais bonitos que pudemos conferir em 121 episódios de série. Deixando todo o orgulho e a mágoa de lado, Serena mostrou que poderia ter sido brasileira e jamais desistiu daquele que foi responsável por quase duas décadas de negligência, mesmo após ter sido dispensada pela segunda vez durante o arco que uniu a 2ª à 3ª temporada; e uma terceira, mais tarde, quando Lola Rhodes (Ella Rae Peck) revelou-se sua meia-irmã.

It Girl, Interrupted:

Serena no revigorante “Yes, Then Zero” (S05E01)

Como se não bastasse sua facilidade em fazer novos amigos (e o bônus de deixar muitos morrendo de inveja, simultaneamente), Serena quebra todos os estereótipos de sua boa aparência quando o assunto é seu lado intelectual, e não apenas social. Leitora de grandes clássicos como “Os Belos e Malditos” (1922), de F. Scott Fitzgerald, ela foi capaz de se adaptar com bastante naturalidade aos muitos empregos que desempenhou entre as temporadas 3 a 5 – quando, é claro, finalmente conseguiu manter o foco em si mesma e deixou os garotos para segundo plano.

Trabalhando para KC Cunningham (Deanna Russo) como publicista de ninguém menos que Tyra Banks (que na série deu vida à atriz Ursula Nyquist), a loira ainda teve tempo de se aventurar com maestria pelos universos hollywoodiano, político e editorial: quando foi assistente pessoal de uma grande produtora de filmes; auxiliou Tripp van der Bilt (Aaron Tveit) em seu escritório por um breve espaço de tempo; e escreveu para Nate no “The New York Spectator”, como colunista.

Contudo, não sendo capaz de aquietar seu imenso conglomerado de incertezas, foram necessárias 4 temporadas e meia para que todas as suas inseguranças transbordassem no que podemos chamar de a fase mais obscura de sua vida. Após ver todos seus relacionamentos amorosos afundarem, sobreviver a propostas desgastantes de trabalho e até mesmo substituir Georgina no controle do blog da Gossip Girl, Serena isolou-se tanto de suas virtudes que esteve irreconhecível nos episódios que antecederam a season finale da 5ª temporada. Ela chegou, inclusive, a deixar Manhattan e adotar uma nova identidade (Sabrina) quando sua recaída em drogas a levou a ser reanimada por paramédicos em um trem. Um triste destino para alguém que havia lutado tanto para se tornar uma pessoa melhor.

Negligenciada pela família, pelos amigos e até mesmo pelos roteiristas:

Voltas e mais voltas

Projetada para ser a queridinha do público, a verdade nua e crua é que, com o desenrolar dos anos, Serena van der Woodson foi jogada às traças enquanto Blair Waldorf consolidou-se na maior estrela por detrás da superprodução da The CW. A impressão é que, ao longo de 6 temporadas de show, sua maior protagonista surgiu do nada para não chegar a lugar algum, enquanto cada uma das demais personagens conseguiram evoluir o mínimo possível – até mesmo Jenny, que saiu de cena nas duas últimas temporadas; e Nate, que desde o início da série preencheu o papel de indivíduo mais avulso do Upper East Side. Iniciando sua jornada como a garota que queria descobrir a sua verdadeira identidade, S termina Gossip Girl sem um desfecho para a sua inspiradora jornada de autoaprendizado, a qual desde o início do programa revelou-se, de longe, a mais consistente.

Com uma lista significativa de ex-namorados e um conhecidíssimo histórico de mau comportamento, Serena definitivamente não é um modelo quando o assunto é a moral ou os bons costumes (por mais que tenha, sim, se doado de todo coração em cada relacionamento que integrou). Carregando mais erros que acertos, por incontáveis vezes pisou feio na bola com aqueles que mais amava, quase sempre motivada pelos argumentos mais egoístas ou infantis. Por isso, não é de se estranhar que os deslizes de Blair e Chuck puderam ser facilmente perdoados pelos telespectadores, já que, de alguma maneira, o casal foi capaz de amadurecer através de sua extensa caminhada de intrigas; enquanto a amiga acabou crucificada, morta e sepultada pela grande maioria de quem acompanhou o espetáculo. Mas isso, talvez, tenha uma explicação bem mais simples do que se pode imaginar!

Ainda assim… humana:

Desconstruindo o conto de fadas

É indiscutível que o público televisivo, de uma maneira geral, demonstra um apreço muito maior por aquelas obras que fogem um pouco da realidade e priorizam a romantização de seu roteiro – e, voluntariamente, impõem o clássico casal dos contos de fadas que sofre à beça antes de conquistar o tão almejado “felizes para sempre”. Convenhamos: não é qualquer um que se simpatiza com a vida comum de uma garota insegura e problemática. Logo, é de se esperar que qualquer personagem ou situação que não se enquadre neste “padrão fantasioso” exigido pela demanda popular seja rejeitado de plano, tal como pudemos conferir no caso da Srtª van der Woodsen. Ao contrário de Blair, a luta de Serena não é contra a aprovação externa, mas interna.

Ao invés de darem à moça a oportunidade perfeita de se encontrar como mulher e profissional, de descobrir-se feliz por mérito próprio, sem a ajuda de um homem (tal como executaram tão bem no início da penúltima temporada), a produção da série preferiu encobrir todas as reais inseguranças que Serena carregou desde a exibição do episódio piloto com um casamento sem propósito algum. A questão a ser discutida nem é se S combina com Dan, mas por que o seu relacionamento prosperou tão rápido quando se havia muito a ser discutido na vida particular de ambos. Tanto um quanto o outro demonstraram, desde o início, defeitos que jamais poderiam ser ultrapassados sem um longo período de preparação e crescimento individuais.

No fim do noite, quando deitamos nossa cabeça no travesseiro e paramos para relembrar cada momento do nosso dia, Serena van der Woodsen é o maior exemplo de que nós, como seres humanos, gastamos a maior parte de nossas vidas cometendo erros (muitas vezes aqueles que prometemos nunca mais cometer). E tudo bem se isso acontecer. Mesmo que, eventualmente, nos encontremos em um indesviável loop de tropeços, tudo o que precisamos nos lembrar é que sempre haverá uma nova oportunidade de consertar o que fizemos de errado. Por mais difícil ou complicada que esteja nossa atual situação, não podemos jamais nos esquecer de acreditar que, mais cedo ou mais tarde, iremos acertar – ou recomeçar, se este for o caso, assim como Serena tanto tentou. O segredo não está em viver o conto de fadas dos nossos sonhos (porque, querendo ou não, estamos falando da vida real), mas em superar os obstáculos do dia a dia e tentar, sempre, dar o nosso melhor ‘eu’. Apesar de beneficiada pelos privilégios que sempre a acompanharam desde o nascimento, Serena van der Woodsen é tão imperfeita, real e complicada quanto você e eu.

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Com reboot inesperado, Paramore celebra toda sua positividade no novo álbum “After Laughter”

É comum a toda e qualquer pessoa encontrar um momento na vida em que repaginar o visual revela-se algo necessário não apenas para a autoestima e o bem-estar, mas também para a autodescoberta de uma nova identidade. E quando esses indivíduos, em especial, trabalham com o meio artístico, é bem provável que a busca por caminhos até então inexplorados reflita direta ou indiretamente naquilo em que estão habituados a produzir, e isso não é segredo para ninguém. Seja por meio de gêneros do cinema e da TV muitas vezes intocados pela filmografia de nossos atores favoritos, essa mudança repentina de ares não poderia ser diferente e também persegue alguns dos profissionais mais populares da indústria fonográfica – e, felizmente, nos rende alguns lançamentos memoráveis que são recebidos de braços bem abertos por nossas bibliotecas musicais.

Os integrantes do Paramore em photoshoot para a revista “DIY” (foto por: Pooneh Ghana; edição: maio/17)

E, por óbvio, o Paramore jamais seria uma exceção à esta regra quase que sagrada. Após nos conquistar com “Ain’t It Fun”, a vencedora do “Grammy 2015” de “Melhor Canção Rock”, lá do álbum homônimo “Paramore” (2013), finalmente chegou o momento do trio comandado por Hayley Williams nos deixar ouvir o que aprontou nos estúdios de gravação por estes últimos quatro anos. Liberado oficialmente há menos de uma semana (12/05) – poucos dias após vazar na internet, é claro –, “After Laughter” mal saiu do forno e já tem conquistado tanto a crítica especializada quanto o público em geral. Liderado pelo carro-chefe “Hard Times” (#90 no “Hot 100” da Billboard norte-americana), o 5º disco de inéditas do Paramore é atualmente promovido por “Told You So”, a faixa super oitentista que recebeu, recentemente, um clipe totalmente vintage e recheado de referências à moda daquela época (não deixe de assistir).

Distribuído sob o selo da “Fueled by Ramen”, “After Laughter” vai direto ao ponto e, sem qualquer enrolação, nos apresenta à breves (e incríveis) 12 novas faixas, todas produzidas por Taylor York (o guitarrista da banda) e Justin Meldal-Johnsen (que já havia trabalhado anteriormente em “Paramore”). Recebendo as composições de Hayley Williams, Zac Farro (que desde o começo de 2017 voltou para a formação), Aaron Weiss (vocalista do MewithoutYou) e York, o novíssimo trabalho inspira-se bastante no new wave dos anos 80 e ainda navega pelos sempre bem-vindos pop rock e synth-pop – gêneros que já haviam marcado presença em hits passados dos álbuns “All We Know Is Falling” (2005), “Riot!” (2007), “Brand New Eyes” (2009) e “Paramore” (2013).

Demonstrando todo o simbolismo que se esconde atrás desta experiência inédita que tem transbordado positividade para todos os cantos, Williams revelou recentemente que “After Laughter” tem sido “(…) um grande passo para nós como banda e é definitivamente um novo som. Nós estamos muito orgulhosos disso. Eu sinto que [que o álbum] realmente reflete quem nós somos agora”. Contudo, você pode até já ter ouvido as novas músicas do grupo e espalhado as boas novas por aí, mas provavelmente está se questionando sobre o real significado deste título tão curioso. “After Laughter é sobre o olhar no rosto das pessoas quando elas terminam de rir. Se você olhar alguém por tempo suficiente, sempre verá aquele olhar que vem em seu rosto quando para de sorrir, e eu sempre achei isso muito fascinante, imaginar o que a trouxe de volta à realidade”.

Exaustão, depressão e ansiedade são apenas alguns dos muitos temas abordados liricamente pelo “After Laughter”

Dando-nos um gostinho de tudo que vem pela frente, “After Laughter” tenta nos conquistar com a supremacia de seu alto-astral e já abre os trabalhos com a queridinha “Hard Times”, a primogênita que inicia a tracklist do 5º disco de inéditas da banda. Totalmente contagiante e com uma pegada chiclete que é típica do pop e dance lá da década de 80, o lead-single possui uma estrutura bastante simples que, em questão de segundos, entrará na sua cabeça para não sair pelo restante da semana (pelo menos). Não muito diferente, este é o caminho reafirmado por “Rose-Colored Boy” e “Told You So”, estas duas supermodernas faixas dançantes que parecem ter sido retiradas (e restauradas) de um badalado clube noturno nova-iorquino de 30 anos atrás.

Deixando a ambientação um pouco mais suave, “Forgiveness” e “Fake Happy” abrem o segundo arco do álbum, este responsável por harmonizar a sonoridade trabalhada até aqui e trazer um equilíbrio mais do que convidativo – antes, é claro, de nos encaminhar para o ápice de sua fragilidade com a intimista “26”, o verdadeiro coração de “After Laughter”. Bem crua e guiada pelas cordas de um violão poderoso que acentuam toda a honestidade da voz de Hayley Williams, a balada é comovente o suficiente para não desapontar, obviamente.

Recuperando a energia gradativamente, “Pool” cresce em nossos ouvidos e, sem muita cerimônia, revela-se uma das melhores gravações do material (e, por que não, do próprio catálogo do Paramore). Instintivamente apaixonante, a 7ª canção chega ao seu fim após nos cativar com uma inocência estrondosa que deságua na tão boa quanto “Grudges” – a qual foi memoravelmente comparada, pela crítica gringa, ao trabalho de outros grandes artistas, como o The Cure e The Bangles. Assim, chegamos a “Caught in the Middle”, que mesmo sem perder a energia inicial de “After Laughter”, fraqueja discretamente e dá indícios de que precisamos de uma nova lufada de ar fresco antes de prosseguir.

O clipe de “Hard Times” foi dirigido por Andrew Joffe (o mesmo de “Our Own House” e “Reflections”, do MisterWives)

Este novo fôlego, felizmente, nos é proporcionado pela independente “Idle Worship”, a gravação perfeita (e mais do que bem-vinda) para nos preparar para o adeus inadiável. Após abrir lugar para a brilhante “No Friend”, a única música com dedo de Aaron Weiss na composição (pasmem, é a primeira do Paramore a não apresentar vocais de Hayley Williams), não nos resta outra saída senão abraçar a melancolia imensurável de “Tell Me How” e, já com o coração na mão, aceitar a saudade e nos despedir do que se mostrou, até agora, o melhor disco internacional do ano. Como uma festa retrô carregada de boas vibrações que infelizmente chega ao seu triste fim, “After Laughter” enche o nosso peito com aquela maravilhosa sensação de “dever cumprido” que somente uma banda do patamar do Paramore seria capaz.

Por alguma razão desconhecida e bastante enigmática, esta é a primeira vez em um considerável espaço de tempo que temos o prazer de ouvir um artista das antigas (não nos esquecendo que o Paramore já está com 13 anos de estrada) soar tão revigorante para os atuais padrões do mercado fonográfico. De alguma forma quase que sobrenatural, “After Laughter” chega em nossas mãos como um saudoso reboot de tudo que já ouvimos desde o lançamento de “All We Know Is Falling”, o disco de estreia dos estadunidenses. Sem qualquer sombra de dúvidas, Williams, York e Farro souberam como amadurecer o seu som sem perder a boa mão para a música – e, assim, reinventar um dos nomes mais prestigiados do cenário musical sem o uso de falsos artifícios ou modismos escrachados. Ainda é o Paramore e ainda soa como o Paramore, apesar de não podermos esconder o fato de que esta mudança repentina de ares, apesar de nos ter pego de surpresa, fez um bem danado para os nossos ouvidos.

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#CoopGeeks: 5 motivos para assistir “Fullmetal Alchemist”

Sucesso internacional em todas as mídias em que foi lançado, “Fullmetal Alchemist”, anime inspirado no mangá de mesmo nome escrito e ilustrado por Hiromu Arakawa (o qual circulou originalmente pelo Japão durante os anos de 2001 a 2010, em 27 volumes), é o grande destaque do nosso TOP 5 de hoje para o Co-op Geeks. Produzido pelo estúdio “Bones” e desenvolvido ao longo de 51 episódios dirigidos por Seiji Mizushima e roteirizados por Shō Aikawa – e que foram ao ar pela primeira vez entre outubro de 2003 a outubro de 2004, pela “MBS” –, não demorou muito para sair da “Terra do Sol Nascente” e transformar-se em uma franquia gigantesca que alcançou o universo dos videogames, dos cinemas e até mesmo dos álbuns de figurinhas.

Assim, decidimos trazer para vocês, queridos leitores, 5 motivos inquestionáveis para todos aqueles que já pensaram em conferir esta obra, mas que, por alguma razão, não levaram seus planos adiante (e precisam, de uma vez por todas, conhecer um dos melhores animes da década passada). Fiquem tranquilos… texto é livre de spoilers:

5 MOTIVOS PARA ASSISTIR “FULLMETAL ALCHEMIST”

Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

“Yu-Gi-Oh! Zero” (1998): vale a pena assistir?

O ano de 2016 foi, definitivamente, muito importante para a inclusão de uma temática tão pouco explorada aqui no Caí da Mudança, mas que, de vez em quando, surge para entreter os insaciáveis amantes da cultura oriental: as animações japonesas. E, se você tem o costume esporádico de acompanhar o escasso material que já produzimos para a nossa seção de desenhos animados, então deve saber que “Yu-Gi-Oh!” foi, de longe, o título que mais apareceu entre as nossas publicações voltadas exclusivamente para o público otaku.

Não muito diferente no post de hoje, finalmente chegou o momento de darmos alguns passos em direção às origens do “Monstros de Duelo” e tirar do baú a primeira experiência televisiva que se encarregou de nos apresentar à incrível saga de Yugi Muto. Senhoras e senhores, com vocês… “Yu-Gi-Oh! Zero”.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes… o primeiro “Yu-Gi-Oh!”:

As diversas faces de Yami Yugi: as três primeiras retratadas em “Duel Monsters” e a última em “Zero” (autor desconhecido)

Apesar de ter se tornado o trabalho mais popular de toda a exitosa franquia “Yu-Gi-Oh!” (“Rei dos Jogos”, em tradução livre), muitos não sabem que “Duel Monsters” (2000-2004) não foi o primeiro produto inspirado no mangá de mesmo nome a ter os seus capítulos redirecionados para episódios de televisão. Isso porque de abril a outubro de 1998 foi ao ar, pela “TV Asahi”, o autointitulado “Yu-Gi-Oh!”, a promissora animação da “Toei Animation” desenvolvida em apenas 27 episódios que levaram aos telespectadores toda a originalidade da história inicialmente contada e ilustrada por Kazuki Takahashi dois anos antes, em 1996.

Sob a direção de Hiroyuki Kakudou, a simplista produção de olhar visionário não fez feio e tentou, a todo custo, manter-se o mais fiel possível da obra original que anos antes era sucesso moderado entre o público leitor japonês. Narrando-nos a história de Yugi Muto, o anime original afasta-se em muito da proposta intentada por “Duel Monsters” e, apesar de nos apresentar formalmente aos melhores amigos do protagonista que já haviam dado as caras na conhecida e aclamada “sequência”, pouco reproduz do que nos foi ensinado ao longo de 224 episódios.

Produzido pela companhia “NAS” (“Nihon Ad Systems”) com o apoio do “Studio Gallop”, “Duel Monsters” rendeu cinco temporadas que foram subdivididas em inúmeros arcos – dentre os quais se destaca, é claro, o pioneiro “Duelist Kingdom”, da season 1. Já o mangá foi originalmente publicado pela “Weekly Shōnen Jump” (revista semanal de responsabilidade da editora “Shueisha”) e chegou a ser comercializado até o ano de 2004. No Brasil sua veiculação só aconteceu seis anos mais tarde, quando a editora nipo-brasileira “JBC” distribuiu a HQ entre os anos de 2006 a 2010 – quando a franquia já era febre em todo o território nacional.

Como Yin e Yang:

 Enquanto no anime de 2000 as diferenças entre Yugi Muto e Yami Yugi eram bem frágeis e pouco nos convenciam, em “Zero” (1998) desde o início o telespectador possui a certeza de que se encontra diante de duas personalidades completamente opostas
Enquanto no anime de 2000 as diferenças entre Yugi Muto e Yami Yugi eram bem frágeis e pouco nos convenciam, em “Zero” (1998) o telespectador tem a certeza de que se encontra diante de duas personalidades completamente opostas desde o início (autor desconhecido)

Influenciado pelos 7 primeiros volumes do mangá de Kazuki Takahashi, “Zero” (como foi nomeado décadas mais tarde pelos fãs da franquia no intuito exclusivo de diferenciar o primeiro desenho animado do segundo – que a nível mundial também recebeu apenas o título “Yu-Gi-Oh!”, sem o “Duel Monsters”) nos introduz ao nosso popular jovem protagonista de uma maneira jamais vista antes. Isso porque diferente da linha de produção pré-moldada pelos roteiristas da “NAS” e do “Studio Gallop”, a animação de 1998 não se atropela ao “vender o seu produto” e delimita de maneira formidável os contornos que separam Yugi Muto de Yami Yugi.

Dessa forma, “Zero” acerta ao repetir as inseguranças do menino Yugi que já eram de nosso conhecimento (em “Duel Monsters”) e vai além ao retratá-lo como alguém exageradamente sensível, tímido e deveras solitário (características tão pouco exploradas na superprodução de 2000). Vítima de um terrível caso de bullying diário, Muto é extremamente altruísta e sustenta uma bondade sem tamanhos – a qual, por diversas vezes, transcende um estado de inocência que beira a tolice. O garoto sofre tanta dor física e pressão psicológica que é inevitável ao telespectador não passar a maior parte dos episódios revezando-se entre a compaixão e a impunidade daqueles que tentam lhe fazer algum mal.

Todavia, como Yin e Yang, Yami Yugi (o antigo espírito que habita o Enigma do Milênio) também ganha bastante destaque por todo o anime e merece apontamentos a serem tecidos à parte. Exaltando um senso de justiça extremista capaz de rebaixar Maximillion Pegasus para o nível de mero aprendiz, o lado sombrio de Yugi age de maneira fria e desconhece o significado de palavras como racionalidade e piedade. Um verdadeiro justiceiro fora-da-lei, nosso segundo protagonista (por vezes antagonista) possui um senso de humor mórbido e não pensa duas vezes antes de fazer com que os vilões da animação sejam confrontados pessoalmente com o mal que habita em seus corpos. Já dizia o antigo “Código de Hamurabi”: “olho por olho, dente por dente…”

O verdadeiro “Rei dos Jogos”:

Yugi Muto transformando-se em Yami Yugi

Se “Duel Monsters” economizou na quantidade de jogos/desafios e deu preferência ao bom e velho “Monstros de Duelo”, “Zero” também ganha pontos do telespectador ao fugir do característico jogo de cartas e incorpora uma infinidade de outras competições bem inusitadas. Resgatando clássicos como o ioiô e o nostálgico RPG dos anos 80, o anime nos traz episódios em que estratégia, lógica e sorte se revelam ferramentas fundamentais para qualquer um que decida cruzar o caminho do todo poderoso “Rei dos Jogos”. Ah, e ainda tem espaço para o “Monstros dos Dados Masmorra” (que também chegou a ganhar um pequeno destaque no anime de 2000), “Monstros de Cápsula” (este com um spin-off todinho de 12 episódios) e até mesmo um campeonato regional multidisciplinar promovido pelo mauricinho mais detestado/idolatrado de toda a história da franquia: Seto Kaiba.

A abertura de “Yu-Gi-Oh! Zero”

Mais do que meros personagens:

Por ter ido ao ar apenas no Japão, “Zero” acabou se tornando bem menos conhecido que “Duel Monsters” e os demais spin-offs produzidos nos últimos anos

Já iniciando com uma trilha sonora que soa super nostálgica até mesmo para quem jamais assistiu a qualquer episódio da animação, “Zero” desenvolve-se de maneira muito mais intimista que “Duel Monsters” e tem seu enredo focado numa quantidade bem menor de personagens.

Além de Joey, Téa e Tristan (que no anime são apresentados em seus nomes originais: Jonouchi, Anzu e Honda, respectivamente), dos inseparáveis (e bem mais egoístas) irmãos Kaiba e dos recorrentes Shadi e Bakura, o anime da “Toei Animation” resgata a fidelidade do mangá e nos traz a presença da meiga Miho Nosaka: o quinto membro do famoso quarteto que acabou sendo injustificadamente ocultado dois anos mais tarde pela “NAS” e pelo “Studio Gallop”. Responsável por impulsionar o lado mais apaixonado de Tristan (Honda), o “elemento surpresa” em “Zero” equilibra consideravelmente o elenco feminino e concede à Téa (Anzu) a oportunidade de não se sentir tão incompreendida em meio a garotos tão perdidamente bobos e impulsivos.

Nos disponibilizando mais tempo para conhecer o Sr. Muto (o avô do Yugi), podemos acompanhar ainda todo o amadurecimento de Joey (Jonouchi) como melhor amigo do protagonista; o bom-humor de Tristan, que por alguma razão desapareceu na “sequência” de 2000; e a seriedade de Téa, que em “Duel Monsters” deixou muito a desejar no quesito autoestima. Até mesmo os vilões de “Zero” desenvolvem seus propósitos com maior agressividade e sensibilidade, convencendo-nos de que a humanização presente no desenho ultrapassa a mera pretensão de “ser apenas um entre tantos outros projetos de sucesso”.

O “Jogo das Trevas” como você nunca viu:

Obscuro, bem obscuro… (autor desconhecido)

Sustentando uma história de fundo mais singela e livre de muitas extravagâncias, “Zero” foca bastante no relacionamento interpessoal de seus personagens e nos leva para situações comuns ao dia a dia de qualquer pessoa. Assim, não espere que toda a tecnologia de “Duel Monsters” dê as caras por aqui, já que de longe este não foi um objetivo intentado por Hiroyuki Kakudou, o diretor da animação. Em muitos dos episódios, inclusive, o drama e a simplicidade tomam conta da trama e o desfecho segue assim, tentando a todo momento nos emergir para a realidade do que nos está sendo transmitido para nossos olhos. Um simples passeio em um parque de diversões ou o assalto de uma lanchonete são mais do que suficientes para nos entreter por mais de 20 minutos; e esta particularidade, com certeza, é o segredo para nos deixar tão confortáveis e sedentos por mais ao fim de cada narrativa.

(In)Felizmente, como o anime não chegou a ser distribuído para outros países do globo (incluindo o gigante continental do Norte), a versão que assistimos de “Zero” é a original japonesa sem as inúmeras modificações investidas pelas produtoras americanas a fim de se censurar a obscuridade que é inerente das produções orientais. Muito mais cru e bizarro que qualquer outro título da franquia “Yu-Gi-Oh!”, a impressão que temos é a de que a “Toei Animation” não poupou esforços de tentar mexer com o psicológico do telespectador, entregando-nos um trabalho recheado de tabus e de uma forte simbologia que transborda para todos os cantos. Se você detesta a censura, então provavelmente irá adorar a ausência dela neste desenho.

Partindo para uma direção completamente oposta da grande maioria das animações atuais, “Zero” nos traz aquele gostinho de sinceridade que eventualmente é deixado de lado para poupar o público infantil de temas tão pesados como insanidade e violência. Não há dúvidas que essa falta de barreiras, por vezes, pode chocar os telespectadores desavisados – e, certamente, ocasionar um pequeno mal-estar naqueles que não esperam ser confrontados tão diretamente assim. Entretanto, por mais que a obra exceda este conformismo com o qual já estamos acostumados há tanto tempo, é sempre bom conhecer “novas” produções que conseguem quebrar o padrão de maneira tão honesta e autêntica. Mais do que um anime qualquer que nos cativa por sua versatilidade incomparável, “Yu-Gi-Oh! Zero” enxerga muito além de qualquer outro título desta exitosa franquia e coloca em pratos limpos a natureza humana como ela realmente é na maior parte do tempo: fria, calculista, complicada e um bocado injusta.


Este artigo fala sobre “Yu-Gi-Oh! Zero”, o primeiro anime que foi ao ar em 1998. Para saber mais sobre a franquia “Yu-Gi-Oh!”, leia o nosso especial publicado no Co-op Geeks. Caso esteja procurando pelo segundo anime produzido pela “NAS” e que foi ao ar entre os anos de 2000 a 2004, fique com o “Vale a pena assistir” de “Yu-Gi-Oh! Duel Monsters”.


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