Os roteiros originais de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” e “Animais Fantásticos e Onde Habitam”: vale a pena ler?

Dando continuidade ao nosso último “vale a pena ler?”, quando trouxemos para cá um pouquinho mais sobre a franquia Harry Potter (relembre), decidimos destacar desta vez outras duas obras bastante comentadas entre os assíduos leitores da autora britânica J.K. Rowling. Publicados, pela primeira vez, há pouco menos de dois anos, foi em meio a controvérsias e muito falatório que os roteiros originais de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e Animais Fantásticos e Onde Habitam saíram do teatro e do cinema para ganhar um espacinho especial nas prateleiras do mundo todo.

Acompanhando o sucesso de bilheteria que fez destas novas histórias o presente perfeito para quem não havia se contentado com o fim da série após “Relíquias da Morte” (2007) – e suas adaptações cinematográficas de 2010 e 2011 –, a publicação de ambas vai além e serve como porta de entrada para o ingresso de jovens fãs da nova geração de leitores. Sem mais delongas, vocês encontram, a seguir, nossas breves ponderações sobre estes dois livros responsáveis por perpetuar a marca Harry Potter e, mais adiante, ficam com outros dois volumes tão interessantes quanto que também tivemos a feliz oportunidade de ler (e que não poderiam passar despercebidos em nosso blog).

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois

Capa oficial de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Sempre foi difícil ser Harry Potter, e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Oficialmente anunciada como a 8ª história do Menino que Sobreviveu, passando-se 19 anos depois, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada começa exatamente onde o epílogo de “Relíquias da Morte” nos deixou há mais de uma década: na estação de King’s Cross, no momento em que as famílias Potter, Granger-Weasley e Malfoy despacham seus filhos para mais um ano letivo. Reunidos na já popular plataforma nove e meia, Alvo Potter, Rosa Granger-Weasley e Escórpio Malfoy estão mais do que ansiosos para dar início ao seu primeiro ano em Hogwarts. Familiarizados com a antiga inimizade outrora compartilhada por seus pais, é entre rumores maldosos e a pressão que somente um Potter seria capaz de carregar que Alvo e Escórpio descobrem uma improvável amizade que ameaça desestabilizar todo o universo bruxo.

Narrando uma nova aventura com viagens no tempo, os efeitos da teoria do caos e o retorno de alguns nomes já conhecidos do passado, “Cursed Child” é a peça teatral com script de Jack Thorne baseado na história escrita por ele, John Tiffany e pela própria J.K Rowling. No elenco principal Jamie Parker, Paul Thornley, Noma Dumezweni, Poppy Miller, Alex Price, Sam Clemmett e Anthony Boyle interpretam Harry, Rony, Hermione, Gina, Draco, Alvo e Escórpio, respectivamente. Tendo estreado em 30 de julho de 2016, no West End de Londres, a obra foi muito bem recebida pela crítica especializada e, no mês passado, chegou até a Broadway (já tendo previsão de ser levada para Melbourne até 2019). Apesar de a própria autora admitir em seu perfil do Twitter que o enredo deveria ser considerado canônico (ou seja, desempenhando a função de uma sequência oficial), não é segredo para ninguém que muita gente não aprovou o desfecho tomado por Thorne para o teatro. Há quem diga, inclusive, que Rowling sequer escreveu a história, tendo apenas assinado seu nome posteriormente – o que não passa de mera especulação, é claro.

Por se tratar do roteiro de uma peça teatral, é verdade que não podemos esperar por uma descrição minuciosa dos cenários ou das personagens, já que a exposição dos fatos com certeza deve funcionar melhor visualmente, assistindo ao espetáculo, do que apenas o lendo. Mesmo assim, e apesar de muitos leitores levantarem alguns furos no script que jamais ocorreriam se estivéssemos falando de um 8º romance escrito inteiramente por J.K., “Cursed Child” tem o seu valor e nos traz, ainda que de modo simplista, a experiência única de vermos Harry, Rony e Hermione vivendo suas vidas após a Batalha de Hogwarts. Canônico ou não, é uma obra que merece a sua atenção e que somente depois de lida deverá receber (ou não) o aval do leitor! Publicado em 2016 pela Little, Brown, no Reino Unido (e pela Rocco, no Brasil), “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: Partes Um e Dois” possui 343 páginas e pode ser encontrado nas versões capa dura ou brochura.

Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original

Capa oficial de “Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: O pesquisador e magizoólogo Newt Scamander acabou de completar uma volta ao mundo em busca das criaturas mágicas mais raras e incomuns. Ao chegar em Nova York, sua intenção é fazer apenas uma breve parada. Mas a maleta de Newt é trocada, e parte de seus animais fantásticos foge para a cidade, o que significa problemas para todos…

Sucesso de bilheterias que arrecadou impressionantes 814 milhões de dólares mundialmente (mais do que “Prisioneiro de Azkaban”, o filme com menos receita dentre os 8 da franquia), “Onde Habitam” é apenas o primeiro de uma nova série composta por 5 longas-metragens que promete levar para os cinemas a fascinante vida de Newt Scamander. Passando-se em 1926 (seis décadas antes da história do jovem Harry), é com bastante timidez e simplicidade que o nosso protagonista chega nos EUA carregando consigo uma maleta cheia de animais mágicos que estudou e catalogou ao longo de sua carreira. Como não é muito difícil de se adivinhar, inúmeras destas criaturas acabam escapando, cabendo a Newt e a um seleto grupo de deslocados a tarefa de recuperar uma a uma antes que toda a comunidade bruxa seja exposta ao mundo trouxa.

Seguindo os passos de “Criança Amaldiçoada”, esta edição de Animais Fantásticos e Onde Habitam apresenta em suas páginas o roteiro original do filme que pudemos conhecer no dia 17 de novembro de 2016. Protagonizado por Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler e Alison Sudol, o longa ainda inclui em seu elenco nomes de peso como Colin Farrell e Ezra Miller. Dirigido por David Yates (o também responsável pelas adaptações cinematográficas de nº 5 a 8 da série principal), contou com o roteiro da própria J.K. Rowling, ao passo que a trilha-sonora ficou com o renomado James Newton Howard (“Uma Linda Mulher”, “O Sexto Sentido”). Indicado a duas categorias do Oscar de 2017, venceu a de Melhor Figurino, sendo este o primeiro título do Universo Mágico da autora a levar uma estatueta para casa. Prevista para o dia 16 de novembro deste ano, a sequência “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” já teve o seu primeiro trailer revelado e promete ser um sucesso ainda maior (assista).

Apesar de trazer uma narrativa dos fatos e uma descrição de cenários/personagens muito mais sucintas que às da obra principal (livros 1 a 7), não podemos negar que, pelo menos aqui, Rowling se atentou em nos presentear com o mínimo possível de detalhes – seja pela forma como os indivíduos se portam a cada cena, seja por questões subjetivas que talvez não tenham sido captadas durante a exibição do filme. Introduzindo-nos a novas criaturas criadas especialmente para o longa (como o rapinomônio e o pássaro-trovão), “Onde Habitam” homenageia o livro-texto de Hogwarts com bastante eficiência, não se esquecendo de dar destaque ao pelúcio, ao seminviso e ao occami, por exemplo. Por mais que não estejamos falando de um romance propriamente dito, quase dá para se deliciar com este roteiro e deixar a imaginação recriar dentro de nossas cabeças o que foi dirigido por Yates nos estúdios da Heyday Films. Publicado em 2016 pela Little, Brown, no Reino Unido (e pela Rocco, no Brasil), “Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original” possui 293 páginas e pode ser encontrado em capa dura com jacket incluindo lindíssimos detalhes em tinta dourada. Arte de capa e ilustrações internas pelo estúdio MinaLima.

BÔNUS:

Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens

Capa oficial de “Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Conheça Newt, Tina, Queenie, Jacob e muitos outros neste guia completo dos personagens de Animais Fantásticos e Onde Habitam!

Pegando carona no sucesso esmagador das adaptações cinematográficas de Harry Potter, foi com uma estratégia brilhante de marketing que algumas editoras do Brasil e do mundo lançaram coletâneas incríveis reunindo o que de melhor foi levado para as salas de cinema de 2001 para cá. Sucedendo os famigerados “Magia do Cinema”, “Das Páginas para as Telas”, “O Livro dos Personagens”, “Dos Lugares Mágicos”, “Das Criaturas” e mais recentemente “Dos Artefatos Mágicos”, um dos últimos volumes a também ganhar sua própria versão impressa foi o Guia dos Personagens de Animais Fantásticos e Onde Habitam, escrito por Michael Kogge e totalmente traduzido por Regiane Winarski.

Bombardeando-nos com imagens promocionais e capturas de tela incríveis do longa que nos introduz às aventuras do Sr. Scamander, a obra ainda dá destaque ao figurino, acessórios e personalidade de suas personagens, reunindo informações básicas sobre o enredo sem entregar quaisquer spoilers. A arte gráfica do filme, criada especialmente pelo estúdio MinaLima (também responsável pelo design gráfico dos demais 8 filmes da franquia) pode ser visto na íntegra por meio de cartazes, pôsteres e propagandas de tirar o fôlego, todos reproduzidos nas páginas internas do Guia. Caso queira saber mais sobre o trabalho de Miraphora Mina e Eduardo Lima, não deixe de acessar seu site oficial.

Curiosamente, é evidente que a confecção deste livro se deu antes da pós-produção do filme, pois além de trazer alguns poucos ângulos jamais vistos pelos telespectadores, inclui em suas páginas um subplot que não chegou a entrar para a edição definitiva do roteiro. Estamos falando, é claro, da ex-namorada de Jacob, Mildred, que o abandona com um anel de noivado em mãos após nosso não-maj favorito não conseguir o empréstimo do banco para abrir sua padaria. Outras cenas deletadas (como o hino do colégio Ilvermorny e o farosutil) podem ser encontradas diretamente no YouTube. Publicado em 2016 pela Scholastic, nos EUA (e pela Rocco Jovens Leitores, no Brasil), “Animais Fantásticos e Onde Habitam: Guia dos Personagens” possui 144 páginas e pode ser encontrado em capa dura.

Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação

Capa oficial de “Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação” (clique para ampliar)

Sinopse oficial: Quando foi convidada a fazer o discurso de paraninfa na Universidade Harvard, J.K. Rowling escolheu falar à turma de formandos sobre dois temas que lhe são muito caros: os benefícios do fracasso e a importância da imaginação. Ter a coragem de fracassar, disse ela, é tão fundamental para uma vida boa quanto qualquer medida convencional de sucesso; imaginar a si mesmo no lugar do outro – em particular de alguém menos afortunado – é uma virtude exclusivamente humana a ser alimentada a todo custo. Desde então, as histórias contadas por Rowling e as perguntas provocadoras que ela faz aos jovens formandos inspiraram incontáveis pessoas a pensar no que significa ter uma “vida boa”. Com temas como o fracasso, as dificuldades, a imaginação e a inspiração, este livro ainda é tão relevante hoje como foram suas palavras nove anos atrás. Quando nos atrevemos a assumir um risco, e talvez fracassar, e tiramos proveito do poder de nossa imaginação, podemos todos começar a viver com menos cautela e, assim, tornamo-nos mais receptivos às oportunidades que a vida tem a nos oferecer.

Por fim, nossa publicação não estaria completa se não incluíssemos o que certamente é um dos relatos mais honestos que J.K. Rowling proferiu em toda sua brilhante carreira dedicada à literatura e à filantropia. Convidada para discursar como paraninfa para os formandos de turma de 2008 de Harvard, é com muita desenvoltura que a autora volta algumas décadas no tempo e se recorda de fatos que marcaram sua trajetória como estudante de literatura inglesa. Enfatizando a linha tênue que separa o medo pela pobreza do temor pelo fracasso, em Vidas Muito Boas Rowling admite que já chegou a viver miseravelmente antes de atingir o sucesso e alcançar o status atual que a condecorou com a Ordem do Império Britânico (OBE).

Orgulhando-se dos caminhos que escolheu e da força de vontade reunida para superar os obstáculos que a vida lhe impôs, a escritora relembra seus dias como funcionária da Anistia Internacional e agradece a empatia conquistada ainda aos 20 e poucos anos de idade. Encorajando os formandos de Harvard a tomar suas decisões com sabedoria e muita imaginação, J.K. mais uma vez nos prova que é uma escritora muito à frente de seu tempo nesta obra que você certamente repetirá a leitura assim que terminar. Publicado em 2015 pela Sphere, na Grã-Bretanha (e pela Rocco, no Brasil), “Vidas Muito Boas: As Vantagens do Fracasso e a Importância da Imaginação” possui 75 páginas e pode ser encontrado em capa dura com jacket. Arte de capa e ilustrações internas por Joel Holland adaptadas por Jorge Paes para a edição brasileira.

Caso tenha gostado deste artigo, não deixe de conferir também o nosso “vale a pena ler?” com a série Harry Potter acessando este link.

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“Harry Potter”: vale a pena ler?

Quem acompanha nosso blog e redes sociais sabe que estamos, constantemente (e a contragosto de quem não curte) publicando resenhas, notícias e informações sobre o universo mágico de J.K. Rowling. O que muitos desconhecem, entretanto, é que a incrível história do bruxinho órfão que vivia com os tios foi, desde o início, uma das maiores inspirações para o nascimento do Caí da Mudança. Posteriormente, acabamos criando o quadro que dá título a este artigo – o “Vale a pena ler?” –, e é claro que, sendo esta nossa franquia literária favorita, não poderíamos deixar de dedicar um texto especial à brilhante jornada de Harry Potter e seus amigos.

Assim, relemos, de setembro pra cá, cada um dos oito sete volumes que completam a obra e, ao revisitar os terrenos de Hogwarts mais uma vez, pudemos relembrar cada detalhe imprescindível que não poderia passar despercebido em uma resenha como esta. Sem maiores delongas, você encontra, a seguir, todas as impressões que fomos capazes de reunir e que, bem possivelmente, te convencerão a se aventurar pelo que consideramos o maior fenômeno infanto-juvenil de todos os tempos. Capas de viagem aos ombros e varinhas à mão, segurem firme ao cabo de suas Cleansweeps e vamos lá pois a nossa primeira aula de História da Magia está prestes a começar.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura, apenas ilustrativamente). Boa leitura!

Precedentes e aritmancia:

Harry experimentando o Chapéu Seletor na seleção das casas de Hogwarts – arte por Thomas Taylor, o responsável pela primeira edição de “A Pedra Filosofal” (1997)

Publicado pela primeira vez em junho de 1997, pela Bloomsbury, é espantoso que “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (“Philosopher’s Stone”, no Reino Unido) tenha levado tanto tempo para cativar a atenção do público. Rejeitado, de plano, por inúmeras editoras que se recusaram a “publicar uma obra tão extensa voltado ao público infanto-juvenil”, é fato que o primogênito de J.K. Rowling percorreu um longo caminho de incertezas antes de consolidar-se no sucesso pelo qual o conhecemos atualmente. Foi somente dois anos depois, em 99, que “Sorcerer’s Stone” (como o livro foi recebido nos EUA) apareceu no topo dos mais vendidos do The New York Times – alguns meses após a escritora fazer sua estreia na mesma lista com “A Câmara Secreta” (“Chamber of Secrets”), a sequência liberada em 98, na Grã-Bretanha.

Impulsionando uma série de filmes que levou para o mundo o brilhantismo que somente um gênio como J.K. poderia desenvolver, o primeiro longa-metragem chegou nas telonas dos cinemas em novembro de 2001, sob a direção de Chris Columbus (“Esqueceram de Mim 1 e 2”) e o protagonismo de Daniel Radcliffe. Acumulando, segundo dados da revista Mundo Estranho (edição nº 196, de junho de 2017) 7,7 bilhões de dólares em bilheteria, a franquia também não fez feio no meio literário e espalhou, pelo globo, 450 milhões de exemplares vendidos (4 milhões só no Brasil), em 200 territórios, traduzido para 79 idiomas. Não é à toa que esta é a série literária mais vendida de todos os tempos! Entusiasmando a criação de uma nova marca que hoje compreende jogos de vídeo-game, peças de teatro, livros paralelos, souvenirs e até mesmo parques temáticos, nunca um registro da literatura obteve tanto sucesso a ponto de se expandir para tantos formatos diferentes. Não há dúvidas de que a obra, por si só, já ultrapassou em muito a sua própria criadora.

A história do Menino que Sobreviveu:

O armário embaixo da escada – arte por Jim Kay, o responsável pela edição ilustrada de “A Pedra Filosofal” (2015)

À primeira vista, o filho de Lílian e Tiago Potter é o que podemos chamar de uma criança comum – se levarmos em conta, é claro, que crianças comuns de 10 anos normalmente são órfãs, vivem de favor na casa dos tios e possuem como quarto um armário embaixo da escada. Crescendo sem o afeto e o respeito dos Dursley, a cada dia o menino Potter se vê invisível em um mundo onde o primo, Duda, recebe do bom e do melhor sem demonstrar o mínimo de gratidão. Conformado com sua infeliz realidade, é com bastante incredulidade que Harry recebe, no dia do seu 11º aniversário, a notícia que vira sua vida de cabeça para baixo: ele não apenas é um bruxo como possui uma vaga para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, uma das melhores da Europa.

Orientado pelo meio-gigante Rúbeo Hagrid a pegar o Expresso de Hogwarts na estação de King’s Cross, o garoto embarca em direção ao desconhecido e vai, aos poucos, descobrindo mais sobre seu passado e sobre o cruel assassinato de seus pais quando era apenas um bebê. Saindo ileso das mãos do terrível Lorde Voldemort portando apenas uma cicatriz em forma de raio na testa, Harry não demora a fazer amigos e aprender tudo sobre o mundo da magia. Frequentemente aconselhado pelo sábio Professor Alvo Dumbledore, o diretor do colégio, o garoto logo percebe que o mal permanece à espreita e que ainda há muito a ser feito para que a comunidade bruxa viva em paz de uma vez por todas. Recebendo a ajuda do atrapalhado Rony Weasley e da sabe-tudo Hermione Granger, Harry enfrenta perigos que ultrapassam o imaginário humano e que surgem para comprovar que o céu é o limite para uma mente à frente de seu tempo como a de J.K. Rowling.

O protagonista (im)perfeito:

Potter na Batalha de Hogwarts – arte por Mary GrandPré, a responsável pela capa norte-americana de “As Relíquias da Morte” (2007)

Encantado com o maravilhoso novo universo de possibilidades que na casa dos tios não passaria de um sonho impossível, não é de se estranhar que Harry, assim como os demais primeiranistas vindos de famílias trouxas (aquelas sem poderes mágicos), encontre em Hogwarts o conforto de um lar. Contudo, se a rotina dos estudantes já é por si só desafiadora, para Potter o cotidiano se revela um pouquinho mais complicado, já que a maior parte de seus colegas o venera como um verdadeiro herói de batalha. Lidando com a fama por ter derrotado o maior bruxo das trevas de todos os tempos – e a glória por um feito que sequer se recorda –, é com muita modéstia e coragem que o garoto progride como personagem e ensina ao leitor as vantagens de ser uma boa pessoa.

Não tão inteligente quanto Hermione, mas sem sombra de dúvidas mais perspicaz do que Rony, Harry jamais se mostrou, em sua vida acadêmica, um aluno exemplar. Por vezes preguiçoso e até mesmo irresponsável, é uma surpresa que tenha obtido notas satisfatórias em seus NOM’s (Níveis Ordinários em Magia, exames prestados pelos alunos do 5º ano) em “O Enigma do Príncipe” (2005). Entretanto, quem consegue ler as entrelinhas não demora a perceber que o diferencial de Potter não está precisamente em sua habilidade em magia – que é, conforme comprovado em “O Cálice de Fogo” (2000), muito aquém da de outros estudantes de Hogwarts, Durmstrang e Beauxbatons (duas outras escolas europeias). Destemido do início ao fim e ousado como ninguém, é a sua evidente inexperiência para com os problemas que aparecem em sua trajetória que faz Harry conquistar a confiança do leitor quase que instantaneamente – afinal, é essa trivialidade que o faz tão acessível a todos nós, meros mortais.

O Messias x o descendente do Führer:

Harry e seu arqui-inimigo, Lorde Voldemort – arte por Jonny Duddle, o responsável pela capa britânica de “As Relíquias da Morte” (2014)

Criado à base da indiferença, Harry enfrenta uma jornada desgastante na qual precisa provar para todos, inclusive para si mesmo, que caráter e fibra moral devem falar mais alto que popularidade e reconhecimento. A busca por poder jamais se revelou uma meta para ele, então talvez, por conta disso, o Menino que Sobreviveu tenha se mostrado um líder tão eficiente. Como cresceu de forma marginalizada, é natural para Potter respeitar as individualidades alheias, por mais “vergonhoso” que seja ter como amigo alguém que usa brincos de nabo ou colares de rolha. Curiosamente, o passado do protagonista não se diferencia muito da vida pregressa do próprio antagonista, que em contrapartida, devido à sua falta de empatia e ao excesso de preconceitos, desponta como um dos vilões mais amargos e impiedosos da cultura popular.

Conhecido por sua frieza descomunal que nos lembra a de outros ditadores do mundo trouxa, o nascido Tom Riddle é o exemplo perfeito de indivíduo ardiloso que sabe como construir um império fundado no terror e na mentira. Assim como Hitler e os ideais do nazismo, Voldemort é adepto da teoria que defende a supremacia da raça ariana (ou do sangue puro, como é retratado pelos livros de J.K.). Reunindo seguidores por toda a Grã-Bretanha durante sua ascensão ao poder, ele e seus Comensais da Morte são conhecidos por prender, torturar e assassinar qualquer um que se oponha a lhes prestar obediência. Não é à toa que suas artimanhas para controlar a comunidade bruxa o leve a se infiltrar na política, a censurar à imprensa e a modificar a grade escolar no intuito de “reeducar” as próximas gerações. Bem, um pouco parecido com o que temos vivido por aqui!

Harry Potter e o Enigma do Sucesso:

O icônico Ford Anglia voador – arte por Kazu Kibuishi, o responsável pela capa norte-americana de “A Câmara Secreta” (2013)

Voltando duas décadas no tempo, desde a primeira leitura de “A Pedra Filosofal” (1997) já nos era evidente que Rowling não veio para brincar! Desenvolvendo com maestria a narrativa de sua obra, a britânica não poupa em plot twists que realmente funcionam e deixam qualquer um de queixo caído. Amarrando as contradições entre o passado e o presente com uma linha tênue que somente é revelada ao final de “As Relíquias da Morte” (2007), a escritora nos instiga a criar teorias que, certamente, jamais chegarão aos pés da real solução apresentada. Transbordando criatividade e exercitando sua imaginação de maneira ímpar, a ex-professora de língua inglesa não para por aí e também acerta na construção dos personagens e de seus cenários encantados. Repletos com uma humanidade excepcional que nos impossibilita de não criar vínculos afetivos, suas criações possuem profundidade e precisão, sempre descritos por detalhes intimistas que fazem toda a diferença durante a leitura. Quem não gostaria de estudar em Hogwarts e ser amigo de Luna Lovegood, Hagrid ou Dobby?

Abordando temáticas importantíssimas que vão além do conflito entre o bem e o mal, os livros de J.K. derrubam barreiras ao levar para o mundo bruxo os problemas corriqueiros de qualquer sociedade trouxa como a nossa. Seja pela escravidão dos elfos domésticos, os maus tratos infantis sofridos pelo protagonista ou o preconceito propagado aos “sangues ruins” (que se assemelha em muito ao racismo, ao sexismo e à homofobia), muitas são as metáforas utilizadas pela escritora para quebrar o silêncio e desarmar os bichos-papões do nosso dia a dia. Depressão, perda de entes queridos e bullying na escola também não foram esquecidos! As próprias virtudes de cada uma das casas de Hogwarts (coragem, astúcia, inteligência e lealdade) são um reiterado lembrete de que, como pessoas, não somos iguais, melhores ou piores que os outros – oras, cada um possui as suas próprias qualidades e afinidades. A graça está na diversidade!

Incumbido de despertar o que de melhor habita em nosso íntimo, o enredo de “Harry Potter” está constantemente reforçando a ideia de que devemos apreciar as coisas mais simples da vida, como o amor, a amizade, o respeito e a empatia ao próximo. Exatamente por ter seu coração no lugar e por saber diferenciar o certo do errado, Potter jamais teve medo de aceitar os riscos de cada batalha e sempre priorizou o bem daqueles que ama em detrimento de seus próprios interesses. Digno do respeito de seus semelhantes e da incompreensão daqueles que só pensam em si mesmos, Harry é, assim como nós, levado a encarar seus maiores medos a fim de lidar com cada dificuldade que aparece em seu caminho – seja como salvador da bruxandade, seja como adolescente descobrindo seu lugar no mundo (afinal, ele não é tão diferente de qualquer outro garoto de sua idade, seja bruxo ou trouxa). Apesar de muitas vezes ficarmos apavorados pelas incertezas que o futuro nos reserva (já que não possuímos profecias ou vira-tempos capazes de predizer ou mudar o tempo), o que seria da vida sem alguns dragões, não é mesmo?!

Se você gostou deste artigo então não pode deixar de conferir os nossos “Vale a pena ler?” com “Quadribol Através dos Séculos” (aqui) e “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (aqui). Para entender melhor nossas perspectivas pessoais sobre a obra como um todo, recomendamos a leitura de “Os decisivos reflexos de Harry Potter na minha vida e para onde tudo isso me levou” (aqui). Um obrigado à Isabel Barbosa pela consulta à sua monografia que discorre sobre a influência do nazismo nas obras de J.K. Rowling.

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Fifth Harmony pode ter perdido seu membro mais valioso, mas o mundo ganhou Camila Cabello

Há quem diga que grupos musicais, principalmente os formados apenas por vocalistas, já nascem com um destino predefinido. E, se pararmos para analisar a carreira das muitas boybands e girlbands que estouraram de The Beatles para cá, até dá para encontrar um pouco de razão em tais alegações. Entre lágrimas e risos, foi com bastante pesar que diversas fã bases tiveram de se contentar com a trajetória solo (e muitas vezes mais promissora) de alguns de seus integrantes mais queridos. Esta premissa, é claro, não poderia ser diferente com os grupos da atualidade, que certamente, assim como seus antecessores, jamais possuíram uma garantia da longevidade de seu sucesso. Foi assim com Spice Girls, Destiny’s Child, *NSYNC, RBD, Rouge, Girls Aloud, Jonas Brothers e One Direction, e por óbvio não poderia ser diferente também com o Fifth Harmony.

Já lidando com os boatos de uma carreira solo desde que integrava o quinteto formado no palco do The X Factor (principalmente após colaborar com Shawn Mendes e Machine Gun Kelly em “I Know What You Did Last Summer” e “Bad Things”), é fato que Camila Cabello percorreu um caminho nada fácil antes de ascender-se em um dos nomes mais comentados da música pop em 2018. Tentando uma abordagem levada pelo pop-dance, foi com o sample de “Genie in a Bottle” e uma sonoridade bem puxada para “Cheap Thrills” que Cabello deu voz ao seu 1º single como solista. Lançada oficialmente no mesmo dia em que seu clipe ganhou o YouTube (em um medley com a também inédita “I Have Questions”), “Crying in the Club” não fez feio no mercado internacional e rendeu à cubana alguns selos de platina e ouro por países como Austrália, Brasil e EUA.

Em dezembro passado Camila completou um ano fora do grupo que a levou ao estrelato

Porém, Camila jamais se contentou com “pouco” e, sem parar de experimentar novos sons, não teve medo algum de mergulhar de cabeça no hip-hop de “OMG”: faixa que dividiu os vocais com o rapper Quavo – e isso porque não mencionamos as muitas colaborações que assinou com Major Lazer, Pitbull e Cashmere Cat em “Know No Better”, “Hey Ma” e “Love Incredible”. Apesar de ter seu nome sob os holofotes mais luminosos da indústria fonográfica, é bem verdade que a moça demorou para repetir a atenção que conquistara com os hits “Worth It”, “Work from Home” e “All in My Head (Flex)” – todos do Fifth Harmony. Seu 1º álbum solo até então atendia pelo nome de “The Hurting. The Healing. The Loving.” e, apesar de (àquela época) não sabermos nada de oficial sobre seu lançamento, muitos já apostavam que o trabalho seria bem recepcionado pelo público.

Colhendo, a longo prazo, os bons frutos gerados pela ótima passagem de “Havana” pelos charts mundiais, a novata acertou na estratégia e não pensou duas vezes antes de conceder ao seu feat com Young Thug o acertado status de lead single. Aproveitando a febre latina criada por “Despacito” e “Mi Gente” que alavancou os nomes de Luis Fonsi e J Balvin, Cabello também nos deu uma aula de empreendedorismo (e necessidade) ao descartar muito do que já havia feito para dar continuidade à mensagem transmitida pelo seu exitoso smash hit. Confiando em sua ancestralidade caribenha, foi influenciada pelos gêneros reggaeton e R&B que Camila liberou, no dia 12 de janeiro, o homônimo “Camila”, sua 1ª experiência como solista pelos estúdios de gravação. Coescrevendo cada uma de suas novas canções ao lado dos notórios Ryan Tedder, Justin Tranter e Simon Wilcox, a moça arrancou os elogios dos críticos e acumulou, no famigerado Metacritic, satisfatórios 75/100.

Distribuído sob os selos da Epic Records, Syco Music e Sony Music, “Camila” cumpriu com o prometido e ultrapassou em muito as expectativas de vendas esperadas para a sua primeira semana em território norte-americano. Distribuindo 119 mil cópias na first week, o trabalho atingiu o #1 na Billboard 200 enquanto “Havana”, simultaneamente, também figurava em #1 em outra importante parada musical dos charts gringos, a Billboard Hot 100 (aliás, a última pessoa a atingir tal feito tinha sido Beyoncé, que em 2003 dominara o mundo com o “Dangerously in Love” e seu carro-chefe “Crazy in Love”). Contendo 11 faixas na edição standard, 12 na da Target e 13 na versão limitada japonesa, o disco recebeu as produções de nomes que vão desde Frank Dukes (“Congratulations”) a Jarami, Skrillex (“Where Are Ü Now”), T-Minus (“How Low”), Bart Schoudel, The Futuristics (“Fetish”), SickDrumz e Jesse Shatkin (“Chandelier”).

Latina da cabeça aos pés: o ensaio fotográfico de “Camila” evidencia bastante as origens da cantora cubana

Indo direto ao ponto, podemos dizer, a grosso modo, que “Camila” explora três vertentes bem distintas entre si, mas que, graças ao bom trabalho de seu time de produtores, fundem-se numa só com uma homogeneidade sem precedentes. A mais evidente, é claro, não poderia ser outra senão aquela já mencionada logo acima, a grande responsável por fazer Cabello mudar de planos bem no meio do caminho. Trazendo um pouquinho mais da sonoridade de sua terra natal, o sucesso de “Havana” foi tamanho que Camila não teve escolha senão encaixar na tracklist do disco outras faixas também tropicais e capazes de dar prosseguimento ao legado iniciado pelo imbatível lead single. Assim, é com bastante desenvoltura que a morena nos apresenta às também maravilhosas “She Loves Control” e “Inside Out”, gravações que, arriscamos dizer, não deverão demorar para chamar a atenção da mídia graças a seu impactante poder radiofônico.

Nem tudo, porém, são rosas! Acompanhando os comentários que seguiram sua saída do 5H (e aqui incluímos a cruel indireta protagonizada pelas meninas do grupo no palco do último VMA), é claro que Camila dedicaria muito do seu tempo livre para dar vida a composições mais intimistas que tivessem a ver com sua personalidade. Desabafando sobre desilusões amorosas e até mesmo a “falta de amigos de verdade”, “Consequences”, “Real Friends” e “Something’s Gotta Give” dão uma pausa no alto astral do bloco anterior e especializam-se em curar algumas feridas até então super expostas. Bem afinada e confiante sobre seus versos melodramáticos, Cabello supera em muito sua anterior tentativa de emplacar uma balada memorável (com “I Have Questions”) e entrega-nos três das mais honestas composições para uma jovem musicista de sua geração.

A estrela (felizmente) solitária

Por fim, todo artista pop que se preze sempre encontra uma maneira, mesmo que discreta, que incorporar as tendências do mainstream aos seus principais trabalhos de estúdio, por mais autorais que sejam suas intenções. Pegando um pouquinho de Lorde em “Into It” e de Hailee Steinfeld em “All These Years” (compare), Camila brinca com a nossa intimidade na desafiadora “In the Dark” antes de fechar o terceiro arco do disco com a já conhecida “Never Be the Same”, a balada mid-tempo com elementos de R&B que atualmente promove o disco como 2º single. Convenhamos que um disco pop não seria tão pop sem a presença de uma gravação ou outra mais clichê, não é mesmo?

(Re)construindo sua imagem do nada apoiada apenas pelo suporte de sua fã-base, é impressionante ver o quanto Camila cresceu em um espaço de tempo tão curto, mas muito bem aproveitado. Aliás, se voltarmos para 2016, podemos notar que a saída da moça do Fifth Harmony se deu num momento um tanto quanto inesperado, pois a girlband jamais estivera em tamanha evidência em toda sua carreira. Caminhando a esmo sem sequer ter uma noção do som que gostaria de criar para sua aguardada estreia como solista, as muitas faixas liberadas antes de “Havana” são a prova de que, se não tivesse “deixado a metade de seu coração” em Cuba, talvez as coisas estariam um pouquinho diferentes agora. Dando as costas para os materiais sem personalidade que consolidaram seu ex-grupo como um dos mais amados da década, também nos surpreende ver que, costurando o pop chiclete com a música latina, Cabello conseguiu encontrar seu diferencial sem soar forçado ou aproveitador.

O clipe oficial de “Havana”

Quem acompanhou todo o bafafá que foi a novela Camila x 5H sabe que indiretas brotaram por toda a internet, principalmente as vindas do quarteto – e aqui abrimos um parêntese não para criticar as demais integrantes do grupo, mas a equipe por trás de sua marca, que não poupou esforços de deixar bastante claro que a ausência de sua quinta integrante jamais faria falta. Descartada como se nunca tivesse existido, a cubana viu-se abandonada por aqueles que, a princípio, deveriam ter apoiado (ou ao menos respeitado) sua procura por independência; mesmo que de sua boca tenham saído apenas agradecimentos. Agora sem precisar dividir os vocais com Lauren, Normani, Ally e Dinah, até percebemos que, de fato, a voz de Camila não casava tão bem com as das demais garotas, apesar de fluir bem natural em suas músicas solo (vide a avalanche de críticas negativas que acompanharam as primeiras performances ao vivo de “Work from Home”).

Não podemos afirmar que a provável imagem de vítima tenha colaborado para a bem sucedida estreia de Cabello; mas, também não dá pra negar que voltas por cima são um afrodisíaco especial entre o público norte-americano (como Britney após 2007 ou Kesha após Dr. Luke). Talvez sensibilizados e empáticos com as persistentes tentativas de Camila de emplacar uma trajetória solo, os EUA tenham finalmente deixado seu patriotismo conservador de lado – mesmo que por apenas alguns meses – para abraçar a capital de Cuba como sua mais velha e querida amiga. Mas também, convenhamos que os próprios esforços da morena merecem ser valorizados! Sempre simpática, extrovertida e com um sorriso no rosto, não é difícil de entender o amor que a moça desperta entre seus mais assíduos fãs, comunidade esta que vem crescendo gradual e espontaneamente. Metade do seu coração pode estar em Havana, Camila, mas o nosso está inteiramente com você!

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Quebrando o jejum, Kylie Minogue libera “Dancing”, sua mais recente aposta para o mercado country-pop

Como o ano mal começou, é natural que, a essa altura do campeonato, não conheçamos a lista completa de veteranos da indústria musical programados para um comeback ao longo de 2018. Entretanto, se a ansiedade de alguns não colabora e tende a crescer cada vez mais, pelo menos os admiradores de Kylie Minogue podem dormir sossegados. Esperado desde 2017, o aguardadíssimo retorno da australiana para os holofotes se faz, desta vez, por meio da eloquente “Dancing”, faixa que deverá dividir a opinião de sua tão devotada fã-base.

Liberada oficialmente nesta última sexta-feira (19/01), a canção encerra o hiato de quase quatro anos desde o último material pop da cantora, o agridoce “Kiss Me Once” (2014). Tudo bem que, de lá para cá, tivemos o (re)lançamento do natalino “Kylie Christmas” (2015), mas, convenhamos que é no mainstream que Minogue se sobressai – ainda mais se levarmos em conta sua fabulosa habilidade de reinvenção que nos acompanha há nada menos que três décadas. Isso mesmo, você leu direito: são 30 anos de Kylie Minogue no meio musical!

Previsto para o dia 6 de abril, “Golden” será o 14º álbum de estúdio de Kylie Minogue

Apresentando-nos o que parece ser uma nova faceta para a carreira de sua intérprete, “Dancing” marca não apenas a saída de Kylie da Roc Nation, mas também a nova contratação com a BMG e a consequente volta para a Mushroom Records: gravadora responsável por lançar Minogue no mercado. Entretanto, se a nostalgia e a lógica nos preveem que esta é a oportunidade perfeita para o nascimento de um novo “Fever” (2001) ou “Body Language” (2003), talvez seja melhor repensarmos nossas apostas para o vindouro “Golden”.

Gravado em Los Angeles, Londres e Nashville, o 14º álbum de Kylie deverá sim, para infelicidade de alguns, seguir a linha country que influencia seu lead single. Composta pela própria cantora ao lado de Amy Wadge (“Thinking Out Loud”, Ed Sheeran) e Sky Adams (“Talk to Ya”, HRVY), a música foi inteiramente produzida por Adams, que também assina a produção de outras 8 faixas do registro. Entretanto, se uma pequena parcela do público torce o nariz para as novidades que estão por vir, a crítica especializada não tem pensado duas vezes antes de aclamar a sua chegada – como no caso da Entertainment Weekly, que já intitulou o possível futuro hit como “o trabalho mais refrescante desde o ‘Impossible Princess’”.

Combinando country-pop com electropop, “Dancing” certamente será a faixa que melhor representa a sonoridade geral do novo disco. Isso porque, em recente entrevista ao The Guardian, Minogue foi categórica ao revelar que sua obra falará muito sobre “liberdade, autodescoberta, vida e amor; uma colisão de alguns elementos do country e dance feitos no altar de Dolly Parton em uma pista de dança”. Contudo, não precisamos prever o futuro para ler nas entrelinhas! Assim, basta uma rápida checada na tracklist do disco para descobrir que muita dessa autodescoberta deverá abordar a recente separação da cantora com o ex-noivo, o ator britânico Joshua Sasse (principalmente pelas sugestivas “A Lifetime to Repair” e “One Last Kiss”).

O áudio oficial de “Dancing”

Voltando para “Dancing”, é de se estranhar, entretanto, que haja uma rejeição do público (por menor que seja) pela audácia de Kylie ao buscar em um dos gêneros mais populares dos EUA o conforto para suas novas gravações. Apesar de muitos insistirem que o “Joanne” (2016) tornou o country relevante para os atuais artistas de música pop (o que é, de certa forma, verdade), convenhamos que Lady Gaga não é nenhuma pioneira no assunto. Sim, estamos nos referindo a “Cowboy Style”, o 4º single do “Impossible Princess” (1997). É fato que as músicas indie e eletrônica desenvolveram-se quase que intrinsecamente por todo o 6º álbum de estúdio da musicista, mas, também não há como negar a forte influência do gênero raiz sob a canção que encerrava aquela era – e chegou, inclusive, a pegar um #39 na Austrália (ouça aqui).

Ainda transbordando uma positividade sem tamanhos que é inerente a cada carro-chefe de seu catálogo, Kylie e sua “Dancing” são a prova contundente de que criador e criatura nunca estiveram em tamanha sincronia. Ok, não temos pretensão alguma de desmerecer qualquer lançamento anterior da australiana (até porque, é claro, ainda não perdemos o juízo perfeito), mas é impossível não notar uma faísca diferenciada que se manifesta desde os acordes iniciais. Crescendo em nossos ouvidos gradualmente, a canção pode até confundir quem não está acostumado a ouvir Minogue experimentando gêneros alheios ao pop, mas basta o pré-refrão engatar o empolgante “can’t stand still” para percebermos o nascimento de um novo clássico Kylie.

Se por um lado “Dancing” é mais simplista e não carrega o ar refinado de “Into the Blue”, por outro sua produção puxada ora para o acústico, ora para o electropop, se revela também muito mais audível. Caprichando nos vocais que estão sempre impecáveis, Minogue não economiza na pegada chiclete que nos conquista desde o primeiro play. Aliás, arriscamos dizer que, desde o começo dos anos 2000, quando fomos contemplados pelos lead singles “Spinning Around” e “Can’t Get You Out of My Head”, não nos deparamos com um refrão tão viciante, magistralicônico e simpático para os moldes de Kylie Minogue. A espera realmente valeu a pena, pois não há dúvidas de que a cantora acertou em cheio na escolha do novo single que deverá sim, a curto ou a longo prazo, se tornar uma das músicas mais memoráveis de sua tão autêntica discografia.

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Os 10 melhores discos de 2017

Apesar de não termos escrito tanto sobre música neste ano, não poderíamos deixar de compartilhar aqui no Caí da Mudança a já tradicional relação com os 10 melhores discos liberados ao longo destes últimos 12 meses. Entretanto, desde já gostaríamos (e precisamos) esclarecer que, diferente dos anos anteriores, foi bastante difícil para nós chegar a uma lista definitiva dos melhores de 2017, uma vez que foram muitas as opções realmente boas e que mereciam o mínimo possível de destaque em um especial como este.

Assim, e sem maiores delongas, você confere a seguir o nosso acirrado top 10, as já conhecidas menções honrosas e, não menos importante, uma pequena surpresa com o que foi considerado, tanto pela crítica quanto pelo público, o melhor álbum pop de 2017. Não se esqueça de clicar nas imagens abaixo para conferir um videoclipe especial de cada álbum e artista, ok? Ah, e ainda vale lembrar que você pode acessar os títulos escolhidos em 2016 (através deste link) e os selecionados em 2015 (por este outro link). Preparados? Então vamos lá:

10) YOUNGER NOW – MILEY CYRUS

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Malibu”, “Younger Now”

Considerações: Distanciando-se da imagem provocativa que construiu com tanto afinco durante as eras “Bangerz” (2013) e “Miley Cyrus & Her Dead Petz” (2015), é num tom mais intimista e raiz que Miley Cyrus ressurge em pleno 2017 com o 6º lançamento de sua diversificada discografia. Impulsionado pelo carro-chefe “Malibu” (#10 no “Hot 100”), “Younger Now” pode não ter atendido às expectativas do público, mas é sem sombra de dúvidas uma obra que merece ser reconhecida. Contando com apenas 11 faixas – todas compostas e produzidas pela própria Miley ao lado de Oren Yoel (com quem já havia trabalhado em “Dead Petz”) –, o disco combina pop-rock a baladinhas country da maneira mais espetacular possível. Totalmente sóbria de sua vida pregressa, é com uma sonoridade bem retrô, mas contemporânea, que a cantora nos apresenta à gravações sublimes (à exceção de “Rainbowland”, é claro) como “Bad Mood”, “Love Someone” e a fantástica faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 45 mil cópias na primeira semana

9) TELL ME YOU LOVE ME – DEMI LOVATO

Gravadora: Island, Safehouse, Hollywood Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Sorry Not Sorry”, “Tell Me You Love Me”

Considerações: Outra ex-Disney star que também marcou 2017 com novo material foi a Demi Lovato, que há dois anos já havia nos surpreendido com o Grammy nominee “Confident” (2015). Colhendo os bons frutos gerados pelo lead single “Sorry Not Sorry” (#6 no “Hot 100”), em seu 6º álbum Lovato perambula, majoritariamente, entre o pop e o R&B, investindo em uma roupagem ainda mais obscura – e deixando claro que sua intenção é mesmo abraçar novos públicos e mercados. Explorando de forma secundária gêneros como synth-pop, gospel, rock e hip-hop, a moça é precisa em sua busca por independência e felicíssima ao nos presentear com as memoráveis “Ruin The Friendship”, “Cry Baby” e “Games” – até mesmo a carnavalesca “Instruction”, com Jax Jones e Stefflon Don, foi lembrada. Trazendo 12 faixas na edição standard, 15 na deluxe e 17 na exclusiva da Target, “Tell Me You Love Me” inclui as produções de Oak Felder, Trevor Brown entre muitos outros

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 75 mil cópias na primeira semana

8) AFTER LAUGHTER – PARAMORE

Gravadora: Fueled by Ramen

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Hard Times”, “Told You So”, “Fake Happy”

Considerações: Quem diria que, após 13 anos de uma sólida carreira construída no rock alternativo, o Paramore pudesse nos surpreender com um álbum totalmente pop? Embalado pelos instrumentais do new wave, do pop-rock, do synth-pop e do power pop, “After Laughter”, o 5º do trio, já demonstra logo em sua faixa de abertura todo o alto-astral ambientado na dance music dos anos 80 que esculpe sua tracklist do início ao fim. Totalmente contagiante e com uma pegada chiclete que não desgruda de nossos ouvidos, o sucessor de “Paramore” (2013) explora desde sons mais alternativos (“No Friend”, “Idle Worship”) a baladinhas suaves (“26”, “Tell Me How”) e canções recheadas de sintetizadores (“Hard Times”, “Rose-Colored Boy”). Recebendo as composições de Hayley Williams, Zac Farro (que desde o começo do ano voltou à formação da banda), Aaron Weiss e Taylor York, todas as 12 músicas nele presentes foram produzidas por York. Não deixe de conferir nossa resenha completa sobre o disco!

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 na “Billboard 200” com vendas de 67 mil cópias na primeira semana

7) BEAUTIFUL TRAUMA – PINK

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 13 de outubro de 2017

Singles: “What About Us”, “Beautiful Trauma”

Considerações: Separados por um interminável espaço de 5 anos, foi após muita espera dos fãs que o 7º álbum da Pink chegou há poucos meses para suceder o exitoso “The Truth About Love” (2012). Aliando-se aos velhos amigos Max Martin e Shellback, é em seu já familiar pop-rock ora pessoal, ora ousado, que a voz por trás de hits como “Just Like a Pill” surge com as indispensáveis “Revenge” (com o Eminem), “Whatever You Want” e “Secrets”. Creditada na composição de cada uma das 12 faixas presentes no disco, Pink acerta em cheio na vibe transmitida pelo “Beautiful Trauma” – a qual nos lembra, inevitavelmente, a do smash hit “Fuckin’ Perfect” (principalmente por “For Now”). Entre tantos artistas medíocres que sempre parecem acompanhar as tendências do momento e nunca inovam, é muito bom ver uma veterana fazendo música pop moderna com a mesma qualidade de seus trabalhos antecessores. Destaque especial, ainda, para “Barbies” e “Where We Go”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 408 mil cópias na primeira semana

6) REPUTATION – TAYLOR SWIFT

Gravadora: Big Machine Records

Lançamento: 10 de novembro de 2017

Singles: “Look What You Made Me Do”, “…Ready For It?”

Considerações: Pegando-nos de surpresa após os boatos que apontavam seu retorno para este ano, Taylor Swift não se contentou com uma estreia simplória e chegou com tudo com sua “Look What You Made Me Do” (#1 no “Hot 100”). Quebrando o recorde de vídeo mais visualizado no YouTube nas primeiras 24h (foram 43,2 milhões de views), a moça encaixou “…Ready for It?” (#4) na sequência e a partir daí não deu mais descanso para quem estava ansioso pelo seu 2º lançamento pop. Trazendo Ed Sheeran e Future em “End Games”, o 6º da cantora, assim como seu antecessor, capricha nas batidas de electropop e synth-pop produzidas por ninguém menos que Jack Antonoff, Max Martin e Shellback – aliás, a própria Taylor assina a produção de algumas faixas junto com a produção executiva. Muito mais obscuro e desafiador que o “1989” (2014), “Reputation” caminha por uma montanha-russa de altos e baixos que vai desde hits prontos como “I Did Something Bad”, “Don’t Blame Me” e “Dancing With Our Hands Tied” à gravações que jamais deveriam ter visto a luz do dia, como “Gorgeous”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 1.238 milhão de cópias na primeira semana

5) PLACES – LEA MICHELE

Gravadora: Columbia Studios

Lançamento: 28 de abril de 2017

Singles: “Love Is Alive”

Considerações: Contrariando o pop mainstream que tem tocado nas rádios ano após ano (inclusive o que marcou presença em seu debut album), é num tom mais cru e super afinado que Lea Michele nos embala em “Places”, sua 2ª experiência pelos estúdios de gravação. Recordando o passado de Michele na Broadway, o aguardado sucessor de “Louder” (2014) não deixa a desejar no quesito autenticidade e supera (em muito) a estreia mais comercial da ex-estrela de “Glee” há 4 anos com o single “Cannonball”. Trazendo as composições de grandes nomes da indústria musical atual (como Linda Perry, Ellie Goulding e Julia Michaels), “Places” extrapola vivacidade nas baladas muito bem produzidas pelos talentosos John Shanks, Xandy Barry (do multiplatinado duo Wax Ltd) entre outros. Apesar de pouco divulgado na mídia, o disco, que conta com 11 faixas na edição padrão e 13 na exclusiva da Target, não falhou no quesito gravações atemporais, dentre as quais devemos mencionar “Heavenly”“Hey You”“Sentimental Memories”

Paradas musicais: O álbum estreou em #28 na “Billboard 200” com vendas de 16 mil cópias na primeira semana

4) FLICKER – NIALL HORAN

Gravadora: Neon Haze, Capitol Records

Lançamento: 20 de outubro de 2017

Singles: “This Town”, “Slow Hands”, “Too Much to Ask”

Considerações: Primeiro novato do nosso top 10, Niall Horan ainda fazia parte do One Direction quando muitos o classificavam como o membro mais fraco do grupo. Dois anos mais tarde, felizmente, esta falácia logo caiu por terra. Dono de um dos maiores sucessos do ano (“Slow Hands”, #3 na Irlanda, #7 no Reino Unido, #11 nos EUA), Horan causou ainda mais frisson quando “Flicker”, o seu 1º álbum como solista, estreou direto no topo da parada norte-americana (mercado este que nem sempre é tão receptivo a artistas de outros continentes). Coescrevendo cada uma das 13 canções presentes no disco, Niall ainda é creditado pelo violão que podemos ouvir em 9 delas. Inspirado por bandas antigas de rock, como o Eagles e o Fleetwood Mac, “Flicker” caminha predominantemente pelo folk pop produzido por profissionais como Greg Kurstin, Julian Bunetta e Jacquire King. Se você gostou da maravilhosa “Slow Hands”, então não pode deixar de conferir as igualmente icônicas “On the Loose”, “Mirrors” e “The Tide”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 152 mil cópias na primeira semana

3) RAINBOW – KESHA

Gravadora: Kemosabe, RCA Records

Lançamento: 11 de agosto de 2017

Singles: “Praying”, “Woman”, “Learn to Let Go”

Considerações: Renascendo como uma fênix não apenas figurativamente, mas também literalmente, foi após uma árdua batalha judicial contra o produtor Dr. Luke que Kesha conseguiu finalmente dar continuidade à sua carreira. Dizendo adeus ao electropop que predominou em seus trabalhos anteriores, em “Rainbow” a cantora abandona de vez o efeito robótico que a fez tão famosa no início da década e, com a voz mais limpa do que nunca, experimenta gêneros como pop rock, glam rock, neo soul e country pop. Entoando o hino mais feminista do ano (“Woman”), é entre letras intimistas (“Bastards”, “Praying”), sonoridades regionais (“Hunt You Down”, “Spaceship”) e hits dançantes (“Learn to Let Go”) que o 3º álbum e Kesha a colocou novamente em evidência no mundo todo. Dando um tapa na cara de todos que duvidavam de seu poderio vocal, a loira esteve tão intimamente ligada ao processo criativo do disco que subscreveu a composição de suas 14 faixas, além da produção executiva de todo o material; outros produtores incluem Ricky Reed e Drew Pearson

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 117 mil cópias na primeira semana

2) HARRY STYLES – HARRY STYLES

Gravadora: Erskine, Columbia Records

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Sign of the Times”, “Two Ghosts”, “Kiwi”

Considerações: Livrando-se da pegada teen inerente a cada disco e música de sua boyband, foi impulsionado pelo soft rock e britpop que Harry Styles fez o que consideramos a melhor estreia solo de um integrante da One Direction. Iniciado pelo carro-chefe “Sign of the Times” (#1 no UK, #4 nos EUA), o 1º disco de Harry – que assim como os de Zayn e Niall também estreou direto no topo da “Billboard 200” –, acerta em cheio nas produções de Jeff Bhasker, Alex Salibian e Tyler Johnson que em nada se assemelham aos lançamentos do 1D. Rendendo, ainda os singles “Kiwi”“Two Ghosts”, “Harry Styles” chegou a ser amplamente divulgado em diversos programas de rádio, TV e internet (como a insuperável edição de 2017 do “Victoria’s Secret Fashion Show” que você certamente ouviu falar). Coescrevendo todas as 10 faixas que compõem a tracklist do material, o vocalista ascende magistralmente e revela-se, sem esforço, uma das maiores apostas para o futuro da música internacional. Não deixe de conferir “Carolina”, “Only Angel” e “Ever Since New York”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 230 mil cópias na primeira semana

1) HEARTS THAT STRAIN – JAKE BUGG

Gravadora: Virgin EMI Records

Lançamento: 1º de setembro de 2017

Singles: “How Soon the Dawn”

Considerações: Pode parecer curioso que um blog tão familiarizado a resenhar álbuns de música pop opte por selecionar o trabalho de um artista alternativo para encabeçar uma lista de melhores discos do ano. Entretanto, fica difícil não o fazer quando paramos para ouvir, e consequentemente nos apaixonar, pelo 4º de inéditas do músico inglês Jake Bugg. Liberado um ano e três meses após “On My One” (2016), “Hearts That Strain” dá continuidade à trajetória de Jake por suas variações favoritas da indie music, dentre as quais se destacam o indie rock, indie folk, folk rock e country folk. Compondo, sozinho, cada uma das 11 faixas que aparecem no álbum, Bugg ainda participou ativamente do processo de produção do material, tendo desta vez recebido a ajuda de Dan Auerbach (o guitarrista e vocalista do The Black Keys) na árdua tarefa. Convidando Noah Cyrus para dividir os vocais na melódica “Waiting”, o cara transcende a musicalidade de qualquer outra obra liberada em 2017 com uma introspecção que beira à perfeição. Já queremos “Indigo Blue” como próximo single!

Paradas musicais: O álbum estreou em #7 na “UK Albums” (nº de cópias desconhecido)

ÁLBUM BÔNUS:

MELODRAMA – LORDE

Gravadora: Lava, Republic Records

Lançamento: 16 de junho de 2017

Singles: “Green Light”, “Perfect Places”, “Homemade Dynamite”

Considerações: Seríamos loucos se, em uma publicação como esta, não abríssemos um espacinho para falar sobre o 2º álbum de inéditas da neozelandesa Lorde. Afinal, não é qualquer trabalho que consegue, simultaneamente, liderar diversas listas de fim de ano, ser aclamado entre o público e a crítica e ainda indicado a “Album of the Year” pela maior premiação musical da história: o Grammy. Precedendo “Pure Heroine” (2013), não é em vão que “Melodrama” foi nomeado com o título que ostenta. Intercalando gêneros diversos que variam do dance-pop de “Green Light” a baladas carregadas por piano como “Liability”, o disco explora temas como a solidão e rompimentos amorosos de maneira louvável e intensa. Auxiliada por Jack Antonoff, Malay e Frank Dukes, Lorde compôs e produziu cada uma das 11 músicas que fazem de “Melodrama” o sucesso que ele é. Dê o play nas ótimas “Supercut”, “Perfect Places”, “Writer In the Dark” e “Sober”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 109 mil cópias na primeira semana

MENÇÕES HONROSAS:

E aí, querido leitor? Quais foram os seus álbuns favoritos de 2017? Apesar de elencarmos acima o que consideramos os 10 melhores lançamentos do ano, é importante citarmos outros discos que também ganharam destaque nestes últimos meses e que, sem sombra de dúvidas, merecem ao menos nossas menções honrosas. Assim, também destacamos o “Meaning of Life”, da Kelly Clarkson; o “The Ride”, da Nelly Furtado; o “El Dorado”, da Shakira; o “Blue Lips”, da Tove Lo; o “Evolve”, do Imagine Dragons; e o “Dua Lipa”, da Dua Lipa. Muito obrigado por nos acompanhar em 2017 e um Feliz Ano Novo pra você e para toda sua família!

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