Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

Precisamos falar sobre “Grey’s Anatomy”

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Bad news. I’m just bad news.” (Portions for Foxes”, Rilo Kiley)

Se auto anunciando como “notícia ruim” ao fundo, Grey’s Anatomy estreava na TV americana em 27 de março de 2005, enquanto Meredith Grey se apresentava a Derek Shepherd e ao público, por um encontro de apenas uma noite, que se tornaram 269 – e contando.

Meredith, Alex, George, Izzie e Cristina formavam o quinteto “M.A.G.I.C.”, internos no Seattle Grace Hospital.

Criada por Shonda Rhimes, a série estreou como um surpreendente sucesso de crítica e audiência, contando a história de Meredith Grey (Ellen Pompeo), filha da renomada cirurgiã geral, Elis Grey (Kate Burton), iniciando sua vida profissional como interna ao lado de Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers), sob o comando da residente Miranda Bailey (Chandra Wilson), no fictício Seattle Grace Hospital, localizado em Seattle, Washington.

Tendo seus episódios nomeados a partir de músicas, Grey’s Anatomy faz um paralelo entre os casos médicos da semana e a vida pessoal de seus cirurgiões. Colocando em pauta assuntos que vão desde causas sociais, como espaço da mulher na sociedade, discriminação e diversidade sexual, a luto, superação e ética de trabalho, a série não apenas se mantém atual e relevante, mas também passa a ser uma obra de efeito edificante para sua audiência.

“A audiência realmente se identifica com a personagem de Ellen Pompeo. Estamos seguindo a jornada desta mulher e de todas as pessoas que estão ao lado dela. Não é sobre um grande número de truques, é sobre assistir a pessoas evoluindo.” (Shonda Rhimes)

CAST

Elenco original de “Grey’s Anatomy”.

Com roteiro ágil e boa linha de desenvolvimento, o desempenho do elenco é frequentemente descrito como “fenomenal” pela crítica especializada e fãs do show.

De personalidades marcantes e distintas, os personagens de Grey’s Anatomy tendem a ser carismáticos e cativantes, à sua própria maneira. Há Cristina em seu perfil sarcástico e competitivo, seu brilhantismo e excelência em cardio, que recobrem sua vulnerabilidade – que numa sequência hilária, a faz implorar para ser sedada. Há o admirável e encantador amadurecimento de Alex Karev. Os sábios conselhos de Richard Webber (James Pickens, Jr.), que costuram a história entre o passado e o presente. A autenticidade de Callie (Sara Ramirez) dançando em suas calcinhas, em tom de liberdade. A amabilidade e memória fotográfica de Lexie Grey (Chyler Leigh).

Amelia Shepherd teve sua primeira aparição na série em 07.03 “Superfreak”, sendo adicionada ao elenco fixo na 11ª temporada, após o fim de “Private Practice”.

Mesmo com algumas despedidas durante suas 12 temporadas no ar, fosse com bombas, tiroteios, acidentes aéreos ou um simples adeus, o elenco permanece como um dos pontos de destaque da série. Adicionada ao fim da primeira temporada, Addison Montgomery (Kate Walsh), planejada apenas para um arco de poucos episódios, foi tão bem recebida que acabou entrando para o elenco fixo da série e, posteriormente ganhando seu próprio show: “Private Practice” (2007 – 2013), mostrando a vida de Addison após sua partida de Seattle. Mais recentemente, Amelia Shepherd (Caterina Scorsone), personagem originada de Private Practice, foi adicionada ao elenco fixo de Grey’s entre as temporadas 10 e 11 e rapidamente tornou-se uma das favoritas entre fãs e críticos do show, trazendo frescor e se ajustando bem à dinâmica da série. Maggie Pierce (Kelly McCreary) também foi uma grata surpresa (literalmente!).

A química entre os personagens também é um ponto de aclamação. O relacionamento de Meredith e Derek (Patrick Dempsey) é visto como um dos mais memoráveis da TV. A amizade das Twisted Sisters (apelido carinhosamente dado por Owen (Kevin McKidd) à Meredith e Cristina) foi considerada como o fio condutor do show. Grande parte dos relacionamentos explorados ao longo do show foram bem recebidos, graças ao duo de esforços por parte do elenco e dos roteiristas, estes, [quase] sempre bem sucedidos nos planos para os personagens.

É tudo sobre Meredith Grey

“Se você estivesse na sala dos roteiristas, você provavelmente me diria que o tema é Meredith, porque é o que eu continuo dizendo: ‘A série é apenas sobre Meredith Grey!'” (Shonda Rhimes, sobre Grey’s Anatomy e sua 11ª temporada)

Meredith Grey é, sem dúvidas, uma das personagens de trajetórias mais marcantes da TV. Seu desenvolvimento e linha evolutiva são tão bem trabalhados, que, mesmo que não fossem o plano inicial para a série e sua protagonista, considerando a longevidade do show, são impecáveis.

Desde o primeiro momento, nos damos com uma personagem extensa, com representação tão fiel da complexidade do ser humano, que nossa empatia é algo quase que instantâneo. A jornada de Meredith passa por diversos estágios. O início de sua carreira, seguindo medicina sob a sombra do legado de sua mãe, lidando com questões internas nunca antes resolvidas. A personificação de Cristina como sua “pessoa”, George e Izzie como companheiros de casa e o atribulado relacionamento com Derek. O abandono pelo pai e a eventual projeção da figura paterna em Richard, que em dado momento, chega a cantar para ela: I’ve got sunshine on a cloudy day.” (My Girl”, The Temptations). Os traumas trazidos da infância (retratada em flashbacks) e como isso influenciou sua formação. Meredith era o eterno paradoxo da pessoa ferida que tinha como trabalho curar pessoas feridas.

A trajetória da personagem e daqueles que a cercam soa interessante exatamente por não ser milimetricamente planejada para “dar certo”, mas para o que quer que aconteça. A vida não segue um script. Não há uma receita definitiva para a felicidade. Eventualidades acontecem e cada um reage a sua própria maneira. Meredith tem sua própria forma de reagir e encarar os acontecimentos. Aqui, ela é a representação de uma pessoa comum vivendo no mundo.

Ao longo do show, Meredith foi construída sobre pilares que a faziam quem era. Os mais evidentes foram sua mãe, Elis Grey, Cristina Yang e Derek Shepherd. Eis então, que entre suas temporadas 10 e 11, Grey’s Anatomy decide que é hora de se reinventar, criar novo fôlego, e não havia melhor forma de fazer isso que não fosse através de sua protagonista – ou melhor, através da desconstrução dela.

“Eu posso viver sem você. Mas eu não quero. Eu jamais vou querer.” (Meredith Grey)

Com sua [brilhante] décima primeira temporada, a série trouxe de volta o enfoque na personagem que dá nome ao show, servindo como uma lupa por onde pudemos assistir sua desconstrução. Família e amizade são elementos realmente importantes na vida de uma pessoa. Quando se constrói alguém, como um castelo de cartas, o que acontece quando se tira as cartas de baixo, uma a uma?

A dinâmica usada pelos roteiristas em desconstruir Meredith não só consolidou sua humanização, deixando-a mais próxima do público, como revitalizou a essência do show. A pergunta lançada pela temporada de “Quem é você sem tudo o que você se tornou?” foi sábia e essencial para o desenvolvimento da personagem e do show.

“Ele é muito sonhador, mas ele não é o sol. Você é.” (Cristina Yang)

A temporada seguinte trata do renascimento de Meredith e de como ela lida com sua própria história. “Você leu minha ficha?”, pergunta ela, em dado momento. A essência nostálgica da nova fase não é mera coincidência. Recriar um ambiente familiar para a personagem junto à suas irmãs e ter Karev como sua nova “pessoa”, foi um meio realmente esperto que Shonda encontrou para representar o recomeço, utilizando o passado da série como referência – como se tudo voltasse para o início, mas agora, de forma mais madura e adulta, sem deixar para trás as lições aprendidas ao longo do percurso. A adaptação, as sequelas, a cura, os aprendizados, a moldagem da nova visão de mundo de Meredith Grey – está tudo primorosamente registrado ali, mostrando que evoluir nunca é uma tarefa fácil.

We’ll do it all. Everything. On our own.(Chasing Cars”, Snow Patrol)

Grey’s Anatomy estará de volta para sua 13ª temporada em 22 de setembro, nos Estados Unidos, pela rede ABC.

Nota do autor

Escrever este texto foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Talvez por, como tantos outros fãs do show, ter uma relação estritamente pessoal com a série e seus personagens. São como pessoas próximas, que estão comigo; que por tantas vezes me ajudam a clarear as ideias. Então um agradecimento especial ao Marcelo, pelo convite de escrever algo para o blog e por todo o apoio e encorajamento. Outro para aquela que não deve ser nomeada Shonda Rhimes, por ter criado algo tão brilhante e edificante para tantas pessoas.

Eu não sei se a vida é sobre um carrossel que nunca para de girar, mas eu realmente acredito que, de alguma forma, para todo final com Chasing Cars”, há um novo começo com Portions for Foxes.

Não importa o quão escuro esteja… O sol vai surgir de novo.” (Meredith Grey)