“Slayers”: vale a pena assistir?

Meu querido leitor, se você já é adulto, e adicionalmente passou da casa dos 20, então é bem provável que tenha crescido na companhia dos saudosos programas infantis da TV aberta que exibiam as sempre populares animações japonesas. Em tempos em que a internet discada mais falhava do que funcionava, a criança que existe aí dentro certamente voltava correndo do colégio só para não perder os episódios que faziam a infância ou adolescência de qualquer um muito mais gostosas.

E é através desse clima de pura nostalgia que selecionamos, após uma extensa maratona, o não tão conhecido anime que dá título ao primeiro “Vale a pena assistir?” deste mês (sim, já estamos planejando um segundo artigo ainda para setembro). Sem maiores delongas, vamos ao que realmente nos interessa: descobrir se você perderá tempo ou não dando uma conferida em Slayers.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes:

Algumas das light novels de “Slayers” (fonte da imagem)

Tendo sua origem há exatos 28 anos, quando ganhou um singelo destaque na revista “Dragon Magazine”, em uma curta narrativa, “Slayers” não demorou muito para se consolidar numa sólida franquia que se estendeu rapidamente para as páginas dos mangás e para a telinha das animações e dos jogos de videogames. Contando, inicialmente, as histórias de Hajime Kanzaka que ganharam vida graças aos traços de Rui Araizumi, a marca não fez feio após sua tímida estreia e conquistou o Japão em 15 volumes veiculados pela renomada publicação da editora Fujimi Shobo, entre os anos de 1990 a 2000, no formato light novel.

Seguida pela duradoura “Slayers Special” (1991-2008), as aventuras de Lina Inverse e seus amigos caíram tanto no gosto popular que levou apenas seis anos para sair da indústria literária e chegar até a televisiva no primeiro e grandioso anime exibido pela TV Tokyo, em 1995. Produzido pelos estúdios E.G. Films e J.C.Staff ao longo de 26 episódios, a direção do homônimo “Slayers” ficou a encargo de Takashi Watanabe (“Lost Universe”), enquanto Takao Koyama foi o responsável por adaptar para a TV os 3 primeiros volumes da precursora light novel. E esta era apenas a ponta do iceberg!

Lina Inverse, o cordeiro em pele de lobo:

Lina Inverse, a protagonista de toda a franquia

Na história que nos é apresentada pelo pioneiro “Slayers” (1995), Lina Inverse é uma jovem feiticeira de apenas 15 anos popularmente conhecida como a maior assassina de bandidos e dragões de que se tem notícia. Temida por todos aqueles que mais cedo ou mais tarde acabam entrando em seu caminho, ela logo faz amizade com o habilidoso Gourry Gabriev, um charmoso e avoado espadachim que acompanha nossa jovem protagonista ao longo de todas as 5 temporadas do anime. É durante essa jornada de muitos perigos e desafios que se juntam definitivamente ao seu grupo expedicionário a princesa justiceira Amelia Wil Tesla Saillune, herdeira do trono de Seyruun, e o anterior guerreiro agora transformado em quimera Zelgadis Greywords.

O que muitos não sabem, porém, é que Lina Inverse, ao contrário do que alertam todos os rumores ao seu respeito, é na verdade uma garota muito sensata que não desperdiça uma oportunidade de ajudar o próximo (contanto, é claro, que seja generosamente recompensada por altas quantias de ouro ou por fartas refeições). Orientada por um senso de justiça bastante forte que carrega para onde quer que vá, não é mistério para ninguém que será justamente em suas costas que recairá toda a responsabilidade de salvar não apenas seus queridos amigos, mas também todo o restante da humanidade – principalmente da ameaça infligida pelo maior demônio de todos os tempos, o destruidor Shabranigdo.

A primeira das muitas aberturas fantásticas do anime

Auxiliada por seus companheiros de viagem e por todos aqueles que se prontificam a ajudá-la em sua árdua tarefa (dentre os quais destacamos aqui o sempre misterioso Xellos, o fofíssimo Pokota, a também feiticeira Sylphiel e a bondosa Filia), Lina Inverse aproveita toda essa trajetória de dificuldades e aprendizado para se aprimorar naquilo que melhor sabe fazer: magia. Para os amantes dessa arte oculta que instiga a nossa imaginação há tantos séculos, “Slayers” é uma produção de mão cheia que surpreende a cada novo episódio e não desaponta até mesmo o mais exigente dos telespectadores.

Um só anime, diversas ramificações:

Somente a 1ª temporada chegou dublada ao Brasil, quando foi exibida pela TV Bandeirantes

Encerrados os acontecimentos que desencadeiam “Slayers” (1995), somos então levamos para “Slayers Next” (1996) e “Slayers Try” (1997), o 2º e 3º arcos da franquia que receberam a mesma direção, produção e roteirização da primogênita temporada. Uma curiosidade bastante peculiar sobre estes dois segmentos é que, enquanto “Next” manteve-se fiel ao enredo narrado pela light novel e adaptou para a TV os eventos ocorridos entre os volumes 4 a 8, “Try” nos apresentou uma história totalmente original, ambas com 26 episódios cada. Uma 4ª temporada, denominada “Slayers Again”, até chegou a ser cogitada seguindo o sucesso de “Try”, mas os rumores da época apontam que o projeto foi rapidamente engavetado, sendo que só tivemos notícias de um novo lançamento mais de uma década mais tarde.

Assim, ainda sob a produção do estúdio J.C.Staff, sob a transmissão da TV Tokyo e a direção de Takashi Watanabe – mas desta vez com os roteiros de Jiro Takayama –, os sempre fiéis seguidores de “Slayers” tiveram a honra de ser apresentados, muitos anos depois, a “Slayers Revolution” (2008) e “Slayers Evolution-R” (2009), as duas últimas temporadas responsáveis por colocar um ponto final na série televisiva. Cada uma exibindo 13 novos episódios de uma narrativa inédita inspirada em subplots pertencentes às light novels, ambas as novidades foram liberadas em continuação com uma arte muito mais moderna que, em momento algum, chegou a desrespeitar todo o legado construído pela marca em plenos anos 90. É o novo dando as boas-vindas ao velho da melhor maneira que se pode imaginar!

O outro universo de “Slayers”:

Naga e Lina em poster promocional de “Slayers Perfect” (1995), o primeiro longa-metragem

Paralelamente, o que a maior parte de quem assistiu ao anime (e não deu a mínima atenção para os demais formatos) desconhece é que, diferente do que pôde ser visto na telinha da televisão japonesa, o desfecho do que acontece nos filmes e nos episódios em OVA é inteiramente à parte da série principal, quase funcionando como prequelas. Isso porque não apenas todos os 4 longas-metragens, mas também os 6 episódios extras liberados diretamente em vídeo, nos redirecionam aos primórdios da saga de Lina Inverse, quando a feiticeira sequer conhecia Gourry Gabriev ou sua tão desejada Espada da Luz.

Desta maneira, tanto em “Slayers Perfect” (1995) [também conhecido como “Slayers The Motion Picture” e “Slayers The Movie: Perfect Edition”]; como em “Slayers Return” (1996) [também conhecido como “Slayers Movie 2: The Return”]; “Slayers Great” (1997); e “Slayers Gorgeous” (1998), Lina desbrava o mundo ao lado de ninguém menos que Naga, a Serpente, uma atrapalhada feiticeira que se autointitula a maior inimiga da protagonista – apesar de, na verdade, nutrir uma grande amizade por ela.

O mesmo, é claro, se repete nos lançamentos em OVA, os quais podem ser encontrados por aí sob os nomes “Slayers Special” (1996) [também chamado de “Slayers: Dragon Slave”, “Slayers: Explosion Array” e “Slayers: The Book of Spells”]; e “Slayers Excellent” (1998), tendo, cada, 3 episódios, totalizando 6. A grande exceção, talvez, fique com o 5º filme da franquia, “Slayers Premium” (2001), um curta-metragem de 30 minutos; e a participação de Nama em “Slayers Evolution-R”, que foram o mais próximo tivemos de uma colisão entre o passado e o presente da vida de Lina.

“Slayers” nos videogames:

Tela de entrada de “Slayers” (1994), o primeiro jogo da franquia liberado para o SNES

Se você se interessou para reviver a fascinante jornada de Lina Inverse e seus amigos nos videogames, então precisa saber que a franquia “Slayers” se expandiu para os títulos: “Slayers” (1994), para o SNES; “Slayers Royal” (1997) e “Slayers Royal 2” (1998), para Sega Saturn e PlayStation; e “Slayers Wonderful” (1998), para PlayStation. Vale dizer, também, que diversos de seus personagens, como Lina, Gourry e Naga, cresceram tanto na indústria eletrônica que ganharam destaque em crossovers como “Magical Battle Arena” (2008), para PC; “Heroes Phantasia” (2012), para PSP; e “Granblue Fantasy” (2014), para Android e iOS.

Comédia, romance e uma leve pitada de erotismo:

Imagem promocional de “Slayers Evolution-R” (2009), a última temporada do programa

Quebrando o padrão dos animes de ação e aventura da década de 90 que traziam, quase que em sua maioria, protagonistas masculinos, “Slayers” esteve tão à frente de seu tempo que foi, provavelmente, um dos pioneiros a explorar o girl power entre seus jovens telespectadores. E fique sabendo que esta não foi uma decisão exclusiva dos estúdios E.G. Films e J.C.Staff, pois, desde a época das light novels e mangás a franquia já possuía como público alvo os jovens leitores japoneses do sexo masculino (tanto que os primeiros mangás foram publicados como seinen e os mais recentes como shōnen). Seguindo por esta linha de raciocínio, não seria de todo absurdo se os traços da animação seguissem fiéis ao material impresso e sexualizassem o corpo feminino ao extremo, como de fato aconteceu, sendo Naga, a Serpente o maior exemplo disso.

Em contrapartida, grande parte da comédia proveniente de “Slayers” parte exatamente dessa premissa, uma vez que Lina Inverse é uma garota baixinha e desprovida de um corpo violão, recebendo, para sua infelicidade, os comentários mais asquerosos possíveis. Como boa feiticeira que é, ela não deixa barato e está sempre enfeitiçando aqueles que ousam criticar sua aparência, não pensando duas vezes antes de mirar um “Fireball” ou “Dragon Slave” nos tarados de plantão que têm a audácia de chamá-la de “sem peito”. Transbordando impaciência e impulsividade, é graças ao cuidado redobrado de Amelia, Gourry e Zelgadis que Lina não perde a cabeça a todo momento e consegue manter o foco em si mesma, seja para desempenhar as tarefas que lhe são passadas pelos homens de poder de cada cidade que visita, seja para frequentar um restaurante e deixá-lo à beira da falência.

Uma última vertente do programa que não poderia deixar de ser mencionada, é claro, é o romance, já que a nossa protagonista e Gourry chegam a viver alguns raríssimos momentos bem calientes – o que não é lá muito fácil para Lina, pois o cara é bastante tapado e estraga qualquer chance de conquistar a sua amada. O espadachim é tão disputado pelo elenco feminino que somos agraciados, em “Slayers Next”, com um dos mais divertidos episódios de toda a animação: “You Can’t Escape! The Return of the Obsessive Martina!”, o 6º dessa temporada. Apesar de nunca explorado com maiores detalhes, fortes indícios nos fazem crer que também existiu no anime um outro romance platônico envolvendo Amelia e Zelgadis, mas essa é uma teoria que jamais pôde ser comprovada na TV, pois o grupo sempre esteve tão ocupado combatendo o mal que jamais conseguiu tirar um segundo para refletir sobre suas vidas amorosas. Se não está fácil nem para Lina e Gourry, quem dirá para Amelia e Zel!

Um clássico que poucos conhecem:

Amelia, Gourry, Lina, Xellos (fundo) e Zelgadis, o grupo completo

Como não é muito difícil de se imaginar após uma resenha tão positiva como esta, “Slayers” é a nossa primeira indicação de anime do mês para todos aqueles que não dispensam uma produção de qualidade que sabe dosar comédia com fantasia na medida certa – e o mais importante: com aquela pitada de nostalgia que somente os animes clássicos são capazes de nos proporcionar. Nem um pouco arrastado, cada arco desenvolve-se brilhantemente ao passo que até mesmo os fillers não devem ser evitados. Assista-os: você não pode perder a oportunidade única de ver Lina e Amelia cantando e dançando em “The Forbidden Dance? Where is the Strongest Spell?” (S02E14) com roupas bem ao estilo Sailor Moon (veja aqui um trechinho).

Trazendo, inclusive, alguns efeitos sonoros bem similares aos de cults como “Dragon Ball Z”, você não demorará para notar que, assim como outros grandes clássicos noventistas, “Slayers” segue uma linha de produção infalível que há anos se perdeu por entre os últimos lançamentos japoneses. Com jogadas inteligentes de roteiro e uma caracterização das personagens tão específica que entrará na sua cabeça para certamente jamais sair (existe risada mais irritante, adorável e maravilhosa que a de Naga, a Serpente?), o show extravasa criatividade ao mesmo tempo que controla uma simplicidade sem tamanhos. Se é tempero que você quer, então pode se recostar na cadeira e relaxar, pois este aqui tem de sobra.

Este artigo é dedicado ao amigo Kelvin

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“Yu-Gi-Oh! Zero” (1998): vale a pena assistir?

O ano de 2016 foi, definitivamente, muito importante para a inclusão de uma temática tão pouco explorada aqui no Caí da Mudança, mas que, de vez em quando, surge para entreter os insaciáveis amantes da cultura oriental: as animações japonesas. E, se você tem o costume esporádico de acompanhar o escasso material que já produzimos para a nossa seção de desenhos animados, então deve saber que “Yu-Gi-Oh!” foi, de longe, o título que mais apareceu entre as nossas publicações voltadas exclusivamente para o público otaku.

Não muito diferente no post de hoje, finalmente chegou o momento de darmos alguns passos em direção às origens do “Monstros de Duelo” e tirar do baú a primeira experiência televisiva que se encarregou de nos apresentar à incrível saga de Yugi Muto. Senhoras e senhores, com vocês… “Yu-Gi-Oh! Zero”.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes… o primeiro “Yu-Gi-Oh!”:

As diversas faces de Yami Yugi: as três primeiras retratadas em “Duel Monsters” e a última em “Zero” (autor desconhecido)

Apesar de ter se tornado o trabalho mais popular de toda a exitosa franquia “Yu-Gi-Oh!” (“Rei dos Jogos”, em tradução livre), muitos não sabem que “Duel Monsters” (2000-2004) não foi o primeiro produto inspirado no mangá de mesmo nome a ter os seus capítulos redirecionados para episódios de televisão. Isso porque de abril a outubro de 1998 foi ao ar, pela “TV Asahi”, o autointitulado “Yu-Gi-Oh!”, a promissora animação da “Toei Animation” desenvolvida em apenas 27 episódios que levaram aos telespectadores toda a originalidade da história inicialmente contada e ilustrada por Kazuki Takahashi dois anos antes, em 1996.

Sob a direção de Hiroyuki Kakudou, a simplista produção de olhar visionário não fez feio e tentou, a todo custo, manter-se o mais fiel possível da obra original que anos antes era sucesso moderado entre o público leitor japonês. Narrando-nos a história de Yugi Muto, o anime original afasta-se em muito da proposta intentada por “Duel Monsters” e, apesar de nos apresentar formalmente aos melhores amigos do protagonista que já haviam dado as caras na conhecida e aclamada “sequência”, pouco reproduz do que nos foi ensinado ao longo de 224 episódios.

Produzido pela companhia “NAS” (“Nihon Ad Systems”) com o apoio do “Studio Gallop”, “Duel Monsters” rendeu cinco temporadas que foram subdivididas em inúmeros arcos – dentre os quais se destaca, é claro, o pioneiro “Duelist Kingdom”, da season 1. Já o mangá foi originalmente publicado pela “Weekly Shōnen Jump” (revista semanal de responsabilidade da editora “Shueisha”) e chegou a ser comercializado até o ano de 2004. No Brasil sua veiculação só aconteceu seis anos mais tarde, quando a editora nipo-brasileira “JBC” distribuiu a HQ entre os anos de 2006 a 2010 – quando a franquia já era febre em todo o território nacional.

Como Yin e Yang:

 Enquanto no anime de 2000 as diferenças entre Yugi Muto e Yami Yugi eram bem frágeis e pouco nos convenciam, em “Zero” (1998) desde o início o telespectador possui a certeza de que se encontra diante de duas personalidades completamente opostas
Enquanto no anime de 2000 as diferenças entre Yugi Muto e Yami Yugi eram bem frágeis e pouco nos convenciam, em “Zero” (1998) o telespectador tem a certeza de que se encontra diante de duas personalidades completamente opostas desde o início (autor desconhecido)

Influenciado pelos 7 primeiros volumes do mangá de Kazuki Takahashi, “Zero” (como foi nomeado décadas mais tarde pelos fãs da franquia no intuito exclusivo de diferenciar o primeiro desenho animado do segundo – que a nível mundial também recebeu apenas o título “Yu-Gi-Oh!”, sem o “Duel Monsters”) nos introduz ao nosso popular jovem protagonista de uma maneira jamais vista antes. Isso porque diferente da linha de produção pré-moldada pelos roteiristas da “NAS” e do “Studio Gallop”, a animação de 1998 não se atropela ao “vender o seu produto” e delimita de maneira formidável os contornos que separam Yugi Muto de Yami Yugi.

Dessa forma, “Zero” acerta ao repetir as inseguranças do menino Yugi que já eram de nosso conhecimento (em “Duel Monsters”) e vai além ao retratá-lo como alguém exageradamente sensível, tímido e deveras solitário (características tão pouco exploradas na superprodução de 2000). Vítima de um terrível caso de bullying diário, Muto é extremamente altruísta e sustenta uma bondade sem tamanhos – a qual, por diversas vezes, transcende um estado de inocência que beira a tolice. O garoto sofre tanta dor física e pressão psicológica que é inevitável ao telespectador não passar a maior parte dos episódios revezando-se entre a compaixão e a impunidade daqueles que tentam lhe fazer algum mal.

Todavia, como Yin e Yang, Yami Yugi (o antigo espírito que habita o Enigma do Milênio) também ganha bastante destaque por todo o anime e merece apontamentos a serem tecidos à parte. Exaltando um senso de justiça extremista capaz de rebaixar Maximillion Pegasus para o nível de mero aprendiz, o lado sombrio de Yugi age de maneira fria e desconhece o significado de palavras como racionalidade e piedade. Um verdadeiro justiceiro fora-da-lei, nosso segundo protagonista (por vezes antagonista) possui um senso de humor mórbido e não pensa duas vezes antes de fazer com que os vilões da animação sejam confrontados pessoalmente com o mal que habita em seus corpos. Já dizia o antigo “Código de Hamurabi”: “olho por olho, dente por dente…”

O verdadeiro “Rei dos Jogos”:

Yugi Muto transformando-se em Yami Yugi

Se “Duel Monsters” economizou na quantidade de jogos/desafios e deu preferência ao bom e velho “Monstros de Duelo”, “Zero” também ganha pontos do telespectador ao fugir do característico jogo de cartas e incorpora uma infinidade de outras competições bem inusitadas. Resgatando clássicos como o ioiô e o nostálgico RPG dos anos 80, o anime nos traz episódios em que estratégia, lógica e sorte se revelam ferramentas fundamentais para qualquer um que decida cruzar o caminho do todo poderoso “Rei dos Jogos”. Ah, e ainda tem espaço para o “Monstros dos Dados Masmorra” (que também chegou a ganhar um pequeno destaque no anime de 2000), “Monstros de Cápsula” (este com um spin-off todinho de 12 episódios) e até mesmo um campeonato regional multidisciplinar promovido pelo mauricinho mais detestado/idolatrado de toda a história da franquia: Seto Kaiba.

A abertura de “Yu-Gi-Oh! Zero”

Mais do que meros personagens:

Por ter ido ao ar apenas no Japão, “Zero” acabou se tornando bem menos conhecido que “Duel Monsters” e os demais spin-offs produzidos nos últimos anos

Já iniciando com uma trilha sonora que soa super nostálgica até mesmo para quem jamais assistiu a qualquer episódio da animação, “Zero” desenvolve-se de maneira muito mais intimista que “Duel Monsters” e tem seu enredo focado numa quantidade bem menor de personagens.

Além de Joey, Téa e Tristan (que no anime são apresentados em seus nomes originais: Jonouchi, Anzu e Honda, respectivamente), dos inseparáveis (e bem mais egoístas) irmãos Kaiba e dos recorrentes Shadi e Bakura, o anime da “Toei Animation” resgata a fidelidade do mangá e nos traz a presença da meiga Miho Nosaka: o quinto membro do famoso quarteto que acabou sendo injustificadamente ocultado dois anos mais tarde pela “NAS” e pelo “Studio Gallop”. Responsável por impulsionar o lado mais apaixonado de Tristan (Honda), o “elemento surpresa” em “Zero” equilibra consideravelmente o elenco feminino e concede à Téa (Anzu) a oportunidade de não se sentir tão incompreendida em meio a garotos tão perdidamente bobos e impulsivos.

Nos disponibilizando mais tempo para conhecer o Sr. Muto (o avô do Yugi), podemos acompanhar ainda todo o amadurecimento de Joey (Jonouchi) como melhor amigo do protagonista; o bom-humor de Tristan, que por alguma razão desapareceu na “sequência” de 2000; e a seriedade de Téa, que em “Duel Monsters” deixou muito a desejar no quesito autoestima. Até mesmo os vilões de “Zero” desenvolvem seus propósitos com maior agressividade e sensibilidade, convencendo-nos de que a humanização presente no desenho ultrapassa a mera pretensão de “ser apenas um entre tantos outros projetos de sucesso”.

O “Jogo das Trevas” como você nunca viu:

Obscuro, bem obscuro… (autor desconhecido)

Sustentando uma história de fundo mais singela e livre de muitas extravagâncias, “Zero” foca bastante no relacionamento interpessoal de seus personagens e nos leva para situações comuns ao dia a dia de qualquer pessoa. Assim, não espere que toda a tecnologia de “Duel Monsters” dê as caras por aqui, já que de longe este não foi um objetivo intentado por Hiroyuki Kakudou, o diretor da animação. Em muitos dos episódios, inclusive, o drama e a simplicidade tomam conta da trama e o desfecho segue assim, tentando a todo momento nos emergir para a realidade do que nos está sendo transmitido para nossos olhos. Um simples passeio em um parque de diversões ou o assalto de uma lanchonete são mais do que suficientes para nos entreter por mais de 20 minutos; e esta particularidade, com certeza, é o segredo para nos deixar tão confortáveis e sedentos por mais ao fim de cada narrativa.

(In)Felizmente, como o anime não chegou a ser distribuído para outros países do globo (incluindo o gigante continental do Norte), a versão que assistimos de “Zero” é a original japonesa sem as inúmeras modificações investidas pelas produtoras americanas a fim de se censurar a obscuridade que é inerente das produções orientais. Muito mais cru e bizarro que qualquer outro título da franquia “Yu-Gi-Oh!”, a impressão que temos é a de que a “Toei Animation” não poupou esforços de tentar mexer com o psicológico do telespectador, entregando-nos um trabalho recheado de tabus e de uma forte simbologia que transborda para todos os cantos. Se você detesta a censura, então provavelmente irá adorar a ausência dela neste desenho.

Partindo para uma direção completamente oposta da grande maioria das animações atuais, “Zero” nos traz aquele gostinho de sinceridade que eventualmente é deixado de lado para poupar o público infantil de temas tão pesados como insanidade e violência. Não há dúvidas que essa falta de barreiras, por vezes, pode chocar os telespectadores desavisados – e, certamente, ocasionar um pequeno mal-estar naqueles que não esperam ser confrontados tão diretamente assim. Entretanto, por mais que a obra exceda este conformismo com o qual já estamos acostumados há tanto tempo, é sempre bom conhecer “novas” produções que conseguem quebrar o padrão de maneira tão honesta e autêntica. Mais do que um anime qualquer que nos cativa por sua versatilidade incomparável, “Yu-Gi-Oh! Zero” enxerga muito além de qualquer outro título desta exitosa franquia e coloca em pratos limpos a natureza humana como ela realmente é na maior parte do tempo: fria, calculista, complicada e um bocado injusta.


Este artigo fala sobre “Yu-Gi-Oh! Zero”, o primeiro anime que foi ao ar em 1998. Para saber mais sobre a franquia “Yu-Gi-Oh!”, leia o nosso especial publicado no Co-op Geeks. Caso esteja procurando pelo segundo anime produzido pela “NAS” e que foi ao ar entre os anos de 2000 a 2004, fique com o “Vale a pena assistir” de “Yu-Gi-Oh! Duel Monsters”.


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“Stranger Things” (1ª temporada): vale a pena assistir?

Se você não esteve em coma nos últimos dois meses então provavelmente já ouviu falar sobre “Stranger Things”: a nova série da “Netflix” que se tornou um fenômeno de imediato. Seguindo a linha de outros espetáculos transmitidos pelo que é hoje uma das maiores plataformas de streaming do planeta, “Things” repete o sucesso de suas antecessoras e, assim como tudo o que tem sido exibido com exclusividade pelo site, se sobressai com um nível de qualidade por vezes inacreditável. Combinando elenco a roteiro, direção, fotografia, temática, trilha sonora e muito mais, o tema do nosso “Vale a pena assistir?” de hoje está imperdível – e você precisa conferir, a seguir, tudo o que é necessário saber sobre uma das novidades mais comentadas do ano. Estão preparados?

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

2016 é o novo 1986… o retrô está de volta:

Ao lado de Eleven, o trio formado por Mike, Dustin e Lucas (da direita para a esquerda) é, com certeza, um dos maiores motivos para você conhecer “Stranger Things”

Esqueça tudo o que você conhece e que tenha acontecido após o início da década de 90! Totalmente ambientada nos anos 80, “Stranger Things” se passa na pacata cidade de Hawkins, Indiana: um lugar onde os registros policiais praticamente não existem – e o mais grave que pode acontecer a alguém é o furto de anões de jardim.

Nos introduzindo a um grupo de garotos comuns que divide o seu tempo entre tarefas de escola e partidas de RPG (jogo que foi auge na época e popularizou-se graças ao pioneiro “Dungeons & Dragons”), a trama ganha forma quando Will Byers (Noah Schnapp) misteriosamente desaparece sem deixar maiores vestígios. Impulsionando um sistema de buscas auxiliado pelos próprios moradores da região, a polícia – e toda a cidade – se vê paralisada diante do incidente enquanto a mãe do menino, Joyce (Winona Ryder), tenta fazer tudo que está ao seu alcance para encontrar o caçula da família.

Paralelamente, uma agência secreta governamental que opera nas redondezas acaba perdendo o controle de seus experimentos e faz com que as falhas de seus estudos se esbarrem no cotidiano normal dos habitantes de Hawkins. Interceptando ligações telefônicas e “dando um jeito” em todos aqueles que entram em seu caminho (mesmo que involuntariamente), caberá aos poderosos chefões do governo norte-americano a difícil missão de encobertar a infinidade de segredos que, gradualmente, nos é revelada ao longo de cada intenso episódio.

O nascimento de alguns… e a ascensão para outros:

Millie Bobby Brown e Winona Ryder, o encontro de duas gerações tão promissoras

Protagonizado por um time de atores mirins que, até o momento, não havia participado de muitos outros projetos de renome, a superprodução acerta ao redirecionar toda sua atenção para os novatos que ganham nossa empatia instantaneamente. Narrando a nostálgica aventura de Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin) atrás do melhor amigo desaparecido, a trajetória do trio muda radicalmente com a chegada de Eleven/Onze (Millie Bobby Brown), uma garota bastante incomum que parece saber mais do que aparenta – e que, é claro, não demorará para roubar todos os holofotes para si.

Também nos entregando as atuações brilhantes de Natalia Dyer (Nancy Wheeler) e Charlie Heaton (Jonathan Byers), irmãos mais velhos de Mike e Will, respectivamente, “Stranger Things” conta com os recorrentes – e bem convincentes – Joe Keery (Steve Harrington) e Shannon Purser (Barbara Holland), namorado e melhor amiga de Nancy.

Sob a pele do chefe de polícia Jim Hopper, o destemido David Harbour divide o elenco adulto com Cara Buono (Karen Wheeler), Matthew Modine (Dr. Martin Brenner) e ninguém menos que Winona Ryder, o nome mais experiente e consagrado de toda a série. Conhecida por ter estrelado diversos clássicos da cultura popular como “Os Fantasmas Se Divertem” (1988), “Edward Mãos de Tesoura” (1990) e “Garota, Interrompida” (1999), a veterana se destaca por uma singularidade que lhe é inerente, convencendo-nos com uma interpretação cheia de paixão e honestidade. Ryder, definitivamente, não brinca em serviço!

Um pouco de História não faz mal a ninguém:

MKULTRA, um programa clandestino (e real) da CIA, serve como uma das influências para a série

Flertando com o sobrenatural e com o passado, a produção dos Duffer Brothers é precisa em sua narrativa e aproveita-se de todos os recursos históricos da época em busca de exatidão e credibilidade. Passando-se, como dito, em uma América dos anos 80, o enredo aproveita o plano de fundo da Guerra Fria (que ainda se movimentava a todo vapor e só foi perder velocidade com o fim da União Soviética, em 1991) e traz à tona algumas teorias de conspiração que frequentemente são reafirmadas por programas e séries de TV. Uma dessas teorias foi o real MKULTRA, um programa clandestino da CIA (o Serviço de Inteligência dos EUA) que chegou a fazer experimentos em seres humanos com drogas e inúmeros meios de tortura, abuso e procedimentos cirúrgicos. Haja fôlego para tanta informação!

Transbordando temáticas e inspirações:

Dá pra acreditar que “Stranger Things” já virou até um joguinho para PC? (Compatível com Windows, MAC e Linux)

Vindo até nós como “uma homenagem à cultura dos anos 80”, “Things” não nega suas origens e revela-se um verdadeiro tributo ao trabalho dos gigantes do cinema Steven Spielberg, John Carpenter e George Lucas. Driblando entre a ficção científica, o sobrenatural, o terror, o mistério e o drama, a série ainda toma por influência as obras literárias de Stephen King e diversos cults como “Alien” (1979), “Poltergeist” (1982), “E.T.: O Extraterrestre” (1982), “A Hora do Pesadelo” (1984), “Os Goonies” (1985) entre outros. A gama de inspiração é tão extensa que sobrou até para alguns títulos do survival horror a função de contribuir para o que conhecemos do programa – como o lendário “Silent Hill” (1999) e o recente “The Last of Us” (2013)

Falando sobre bullying e preconceito, os diálogos que encontramos por toda a série são bem fieis à linguagem oitentista, um período em que a liberdade sexual costumava ser bastante oprimida desde a infância (e adjetivos como “bicha” corriam de boca em boca da forma mais pejorativa possível). Trazendo exemplos clássicos da perseguição sofrida por milhares de crianças e adolescentes durante o período escolar, “Stranger Things” também divide a concentração do telespectador para abarcar outros temas recorrentes como divórcio, família, amizade, violência, opressão estatal, ciência, parapsicologia e a moderna representatividade. De nerds a negros e inúmeros outros grupos rejeitados pelas grandes massas (e rotulados como “desajustados”) – tem até espaço para a displasia cleidocraniana, uma doença que atinge um dos personagens/atores do programa –, o espetáculo critica com veemência os padrões impostos pela sociedade e tenta ser o mais diversificado possível (com toda a razão do mundo, é claro).

A 2ª temporada vem aí:

A sequência que todos estão esperando…

Construída em uma única temporada disponível desde julho passado com 8 episódios que variam de 42 a 55 minutos, “Stranger Things” conta com a produção executiva dos Duffer Brothers (os criadores da série) auxiliados por Shawn Levy e Dan Cohen. Produzido pela “21 Laps Entertainment” e pela “Monkey Massacre” (e claro, distribuído exclusivamente pela “Netflix”), o show já foi confirmado para uma season 2 que tem estreia agendada para 2017, em 9 novos episódios. Bem recebida pela crítica especializada, a sua estreia acumulou 95% de aprovação pelo Rotten Tomatoes e 76/100 pelo Metacritic.

Vídeo hilário da apresentadora Xuxa gravado especialmente para divulgação da primeira temporada no Brasil

Um começo mais do que perfeito, mas um final…

A trilha sonora de “Stranger Things”, que tem de The Clash a New Order e Dolly Parton, é sem sombra de dúvidas outro grande acerto da produção (confira)

Conquistando crianças e adultos sem visar um público específico, a novidade é certeira em sua proposta e não apenas homenageia a infância de muitos como também é eficaz ao trazer para as novas gerações todo o brilho de uma das melhores décadas passadas. Apesar de destacar-se por toda sua parte visual que é bastante fiel ao cinema e TV oitentistas (o que inclui cenário, figurino e, é claro, esbarra no próprio lado cultural e histórico de nossos parentes mais velhos), “Things” possui uma história muito bem amarrada que, em momento algum, deixa a desejar. Com um roteiro digno de um clássico infantil bem ao estilo de “Os Goonies” e “E.T.: O Extraterrestre”, a série desencadeia-se em uma sequência louca de eventos que acontece de forma paralela – mas que, da maneira mais coesa possível, culmina em um mesmo caminho derradeiro.

Todavia, por mais que administre tudo isso em doses perfeitas de pura nostalgia que solidificam-se nos 7 primeiros (e maravilhosos) capítulos de sua grade, a produção comete o desculpável deslize de fechar o ciclo de modo demasiadamente apressado, deixando o telespectador um tanto quanto confuso. Não que a season finale coloque os pés entre as mãos e deixe muitos furos na história (claro que a maioria destes foram propositais e deverão ser fechados com as próximas temporadas), mas, é como se não tivéssemos o tempo necessário para digerir todas as informações que nos bombardeiam em apenas 53 minutos de duração – se divididos em dois episódios finais, provavelmente ficaríamos mais bem à vontade.

Progredindo como as páginas de um bom livro que consegue nos emergir em sua narrativa e nos desconectar do plano físico, “Stranger Things” é uma ótima dica para todos aqueles que há muito esperavam por uma série que fosse capaz de tirar o fôlego sem muito blá-blá-blá. Mais um título entre os diversos dos últimos anos que foram lançados fora da TV e conseguiram, por vezes, se sobressair à plataforma mais clássica que nos acompanha desde a década de 40, a obra-prima dos Duffer Brothers surge para nos corroborar que o futuro está cada vez mais próximo e inadiável. Após passarmos longos 70 anos debruçados em frente aos antiquados televisores de tubo que foram, aos poucos, substituídos pelas telas de LCD e LED, cada vez mais o amanhã se torna imprevisível – e, por que não, até um pouco assustador…

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“True”: vale a pena ler?

Após quase quatro meses de nossa primeira resenha sobre a trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff, finalmente chegamos a “True: A Verdade”, o capítulo que encerra a extraordinária saga “Elixir”. Ainda sendo auxiliada por Elise Allen (quem já havia dado as caras nos títulos anteriores e ressurge, mais uma vez, como coescritora da obra), Duff continua trazendo em seu derradeiro livro algumas novidades de tirar o fôlego e explora, como de costume, diversos detalhes que fazem de seu trabalho um verdadeiro exemplo de criatividade e espontaneidade.

Entretanto, assim como “Devoted” e diferente de “Elixir”, será inevitável que mencionemos, a seguir, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram nos volumes anteriores (e, é claro, refletiram de alguma maneira no enredo desta sequência). Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos (frisa-se, referentes a “Elixir” e “Devoted”), siga adiante – mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a novela em questão e se interesse por ler os primeiros livros antes de prosseguir, fique com as nossas duas outras resenhas deste especial (clicando aqui e aqui) e pare por aí – depois de devorar tudo, não se esqueça de voltar para cá. Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…

Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa de “True: A Verdade” (você pode ler o primeiro capítulo deste livro acessando este link)

Clea Raymond vive a fase mais difícil de sua vida desde que voltou de uma viagem pela Europa e descobriu, em algumas fotografias de sua câmera, os vestígios de um misterioso homem que transcende a linha entre o tempo e o espaço. Após passar por imensos apuros que, constantemente, desafiaram toda sua capacidade de distinguir a realidade do sobrenatural, a bela fotojornalista parece finalmente ter encontrado a tão sonhada paz ao lado de Sage, sua alma gêmea de inúmeras outras reencarnações. O elixir da vida eterna fora destruído, o que, consequentemente, encerrou toda a caçada obsessiva dos Redentores da Vida Eterna e do Vingança Maldita por poder e sobrevivência – mas, de qualquer maneira, ainda havia uma questão muito mal resolvida nesta história toda: o que aconteceria agora?

Desde que perdera seu corpo e fora obrigado a assumir uma nova pele, Sage passou a agir de modo estranho e agressivo, um comportamento totalmente adverso de sua personalidade naturalmente protetora. Piorando a cada dia, o encantador príncipe encantado acaba por selar o seu destino ao libertar um lado obscuro que coloca em risco não apenas a sua própria segurança, mas também a de todos aqueles que rodeiam sua vida: principalmente Clea. Mais uma vez recorrendo a Ben e Rayna – seus dois melhores amigos –, a moça se vê pressionada contra a parede e precisa, a qualquer custo, encontrar uma cura capaz de trazer de volta aquele que jurara corresponder o seu amor de tantos e tantos séculos atrás. Isso, é claro, se o tempo não permitir que a loucura consuma Sage de dentro para fora irreversivelmente…

Encarregado de colocar um ponto final à toda jornada construída desde o primogênito “Elixir”, “True” não altera sua narrativa e permanece sendo contado em primeira pessoa pela sua grande protagonista central, Clea Raymond. Apropriadamente se amparando aos acertos de “Devoted” e repetindo a explanação intercalada da obra anterior (a qual nos é contada também por Amelia), Hilary mais uma vez estrutura os capítulos de seu terceiro livro em relatos duplos de diferentes personagens: mas desta vez, com a inserção de Rayna. Ganhando um destaque certeiro que surge para cobrir o vazio deixado por sua rápida participação nos demais títulos da franquia, de início a melhor amiga de Clea se mostra rude e pode até não chamar muito a atenção do leitor menos apaixonado. Todavia, mesmo estando coberta de razão, a garota não demora para contornar seus maiores medos com êxito e nos conquista com um amadurecimento admirável (uma evolução que, por diversas vezes, ofusca até mesmo a trama principal). Rayna é, diga-se de passagem, um acréscimo tão positivo quanto Amelia em “Devoted”.

A autora em sessão de autógrafos realizada em abril de 2013

Focando, também, um pouco mais em Sage e em suas constantes crises de personalidade, a batalha que o personagem passa a travar consigo mesmo, inevitavelmente, torna a história muito mais dramática e familiar. Sentindo-se de mãos atadas e sem ter exatamente o que fazer para solucionar o problema, Clea enfraquece na medida em que seu namorado passa a tomar sucessivas atitudes de muito mau gosto (mesmo que contra a sua própria vontade). Se em “Elixir” e “Devoted” a Srtª Raymond gastava a maior parte do tempo fazendo pesquisas de campo e aventurando-se em viagens de alto risco, em “True” sua rotina se resume em atuar como a enfermeira particular de Sage. Tentando dominar as constantes perdas de memória combinadas ao sono, fome e mau-humor intensos de seu par romântico, a perspicaz fotojornalista que havíamos conhecido anteriormente perde o seu brilho rapidamente enquanto demonstra uma fragilidade que não é própria de sua identidade.

No que se refere a Ben – ou até mesmo a outros personagens secundários, à exceção de um comeback triunfal que não daremos mais informações –, a escritora pouco avança e nada nos entrega de novo sobre o melhor amigo de Clea (o que, ao nosso ver, não soa de todo ruim, já que o conhecíamos razoavelmente bem até este momento). A descrição dos cenários é razoavelmente boa e, seguindo o que já havia nos sido introduzido antes, consegue capturar o leitor com facilidade até a onda de acontecimentos que se arrasta bem lentamente do primeiro capítulo até o sétimo. Indo direto ao ponto, a verdade é que…

…se podemos tirar uma primeira impressão de “True: A Verdade” logo quando encerramos a sua leitura é que, diferente de seus antecessores, este parece ter sido um livro desenvolvido exclusivamente para encerrar a saga “Elixir” – e nada mais que isso. Sem a mesma energia contagiante dos volumes de abertura, a obra só ganha força na sua segunda metade, quando Hilary e Elise acrescentam um pouquinho de mitologia e ocultismo para o cotidiano de seu quarteto fantástico (Clea, Sage, Ben e Rayna). Majoritariamente maçante e desmotivador, “True” piora ao deixar alguns furos na história que vêm para trazer diversas interrogações em questões importantes que haviam sido levantadas por toda a novela, como: o que aconteceu com Amelia e sua família (personagens que, neste livro, nem chegam a ser mencionados)? E quanto ao desaparecimento do pai de Clea, Grant Raymond? (esse questionamento nem chega a ser respondido explicitamente)? Qual foi o fim levado pelos Redentores da Vida Eterna e pela Vingança Maldita (obviamente que, com o fim do elixir, a VM se viu livre de sua maldição; mas, em “True” seus membros simplesmente “desaparecem do mapa”)?

Nos encaminhando para um fim bem simples, mas satisfatório, o volume final da trilogia “Elixir” é, de longe, o pior entre os três títulos veiculados ao romance original escrito por Duff e Allen. Não que o desfecho da história tenha adquirido proporções ruins, mas, a impressão é a de que alguns aspectos da trama foram deixados totalmente de lado sem receber a sua devida atenção (e conclusão) – como se tivessem sido retirados do forno antes do tempo adequado. Porém, não há motivos para tanto desânimo! Acertando na construção dos três últimos capítulos e do epílogo que são não menos que sensacionais, a jovem escritora continua nos presenteando com um trabalho que, mesmo sem os pingos nos Is, merece nossa parabenização. Claro que não podemos iniciar a leitura de “True” sem passar antes pelos seus irmãos mais velhos “Elixir” e “Devoted”, mas, isoladamente, o livro permanece sendo uma ótima dica para quem gostou de fazer parte da história de Clea Raymond e aprovou a carreira de Hilary Duff como romancista.

Lançado originalmente em abril de 2013 pela “Simon & Schuster”, “True” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir” e “Devoted”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) naquele mesmo ano. Com tradução de Yukari Fujimura (os volumes anteriores haviam sido traduzidos por Otávio Albuquerque), o título final da saga “Elixir” possui 262 páginas divididas em 18 capítulos + epílogo.

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“Scream Queens” (1ª temporada): vale a pena assistir?

Há exatos nove meses ia ao ar, pela programação da “Fox”, a estreia de “Scream Queens”: a mais recente aposta de Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan para os televisores não apenas dos EUA, mas também do mundo inteiro. Após passar um bom tempo sendo escrita, gravada e produzida (vale dizer que o primeiro anúncio oficial se deu em um já distante outubro de 2014?), a série que combina elementos de terror com comédia já caminha para sua segunda temporada e, agora, serve de tema para o nosso “Vale a pena assistir?” do mês de junho!

Não conhece o programa e gostaria de descobrir quais são as nossas perspectivas antes de assistir ao episódio piloto? Então confira, a seguir, o compilado de informações que enumeramos nesta publicação feita especialmente para você!

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes:

Emma Roberts interpreta a protagonista/antagonista Chanel Oberlin

Depois de quebrar recordes de audiência com “Glee” e conquistar o gosto popular com “American Horror Story”, Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan resolveram, mais uma vez, juntar suas forças para trazer até o público algo completamente novo – mas que, cumulativamente, não fugisse dos outros trabalhos que coescreveram ao longo destes últimos anos. Descrita, nas palavras de Murphy, como a reunião de “tudo que amamos, mas que ainda não existia na TV”, “Scream Queens” surgiu assim, como a perfeita “combinação de ‘Atração Mortal’ (filme de 1989) com ‘Sexta-Feira 13’ (1980)”­ – e, como bem acrescenta uma das protagonistas, o teen cult “Meninas Malvadas” (2004). Trazendo um entusiasmo sem tamanhos acompanhado de uma recepção bem mediana, a produção chegou até os jovens estadunidenses no último 22 de setembro e não demorou para se tornar, inevitavelmente, um dos assuntos mais comentados entre os fanáticos por séries de TV.

Inspirado pelos grandes clássicos slasher (subgênero do horror do qual é requisito a presença de um serial killer que mata jovens aleatoriamente) das décadas de 80 e 90, o trio por trás do espetáculo não teve receio algum de sair do básico e misturar comédia com terror, humor negro, sátira e mistério. Ostentando, em seu elenco, nomes bem populares da indústria do entretenimento como Emma Roberts (“AHS: Coven”), Lea Michele (“Glee”) e Jamie Lee Curtis (“Sexta-Feira Muito Louca”), “Scream Queens” vai além ao nos entregar um roteiro bem envolvente e incorporar, ainda, participações especiais de Ariana Grande, Nick Jonas entre tantos outros. Quer mais ou já é o suficiente?

A sinopse:

Nick Jonas como Boone Clemens

A trama por trás da série ganha forma quando a vaidosa Chanel Oberlin (Emma Roberts) sente sua popularidade ameaçada após a Reitora Munsch (Jamie Lee Curtis) conceder a qualquer estudante da Universidade Wallace autorização para se inscrever na rígida fraternidade que tem a patricinha como presidente, a “Kappa Kappa Tau”. Conhecida por sua seletividade e por abrigar somente a elite do campus, de uma hora para outra a “KKT” vai perdendo seu prestígio ao ser coagida a abrigar um considerável número de alunas que não “atende os padrões” exigidos pelas normas da irmandade – dentre as quais se destacam garotas com deficiências físicas, lésbicas, negras e até mesmo uma vlogueira totalmente excêntrica. Com o apoio de suas amigas e subalternas – as quais são “carinhosamente” apelidadas de minions – Chanel #2 (Ariana Grande), Chanel #3 (Billie Lourd) e Chanel #5 (Abigail Breslin), Oberlin não encontra outra saída senão infernizar a vida das estranhas candidatas que, persistentemente, não abandonarão tão cedo o sonho de se tornar uma poderosa Kappa definitiva.

Paralelamente, um estranho vestindo o uniforme de mascote da universidade começa a rondar toda a propriedade caçando qualquer um que, de alguma maneira, se aproxime ou conheça o sombrio passado por trás da “Kappa Kappa Tau”. Aniquilando uma infinidade de vítimas em potencial, o temido Red Devil (Demônio Vermelho) faz a fraternidade perder cada vez mais membros enquanto as suspeitas sobre a sua identidade se tornam, a cada episódio, mais complexas e reveladoras. Caberá a Grace Gardner (Skyler Samuels) e Pete Martínez (Diego Boneta), o quase-casal de mocinhos, desvendar o mistério por trás de tantos homicídios e tentar cessar as sucessivas mortes que desencadeiam ao longo da atração um banho de sangue à la “Sexta-Feira 13”. Em meio a pistas que nos remeterão aos detalhes mais minimalistas e intrigantes, a única certeza contundente é a de que qualquer um, em “Scream Queens”, possui as suas razões para vestir a máscara do assassino e sair por aí, fazendo do local um purgatório de insanidades.

O retorno da “Rainha do Grito”:

Jamie Lee Curtis é a reitora Cathy Munsch

Quem é fissurado nos clássicos do terror de décadas e décadas atrás, provavelmente deve saber que o termo “scream queen” (ou “rainha do grito”, em nosso idioma) é o mais comum para designar as atrizes que desempenham um grande papel em filmes deste gênero. Seja sob a pele de coadjuvantes indefesas que acabam por ter seu destino selado pelas mãos de um serial killer ou de protagonistas que, vez ou outra, conseguem contornar toda a carnificina que as persegue, a verdade é que “gritar” não é o único requisito para que uma profissional da área se consagre com tal honraria – e assim, não é qualquer uma que consegue sustentar o mencionado título da nobreza cinematográfica.

Seguindo um legado que, possivelmente, foi iniciado há muito tempo por Fay Wray (“King Kong”, 1933), ninguém menos que Jamie Lee Curtis (a estrela principal da franquia “Halloween”, também conhecida como “A Rainha do Grito”) se torna, em “Scream Queens”, um dos maiores (se não o maior) destaques de todo o seu extenso time de celebridades. Deixando o super-heroísmo de Laurie Strode para trás, Curtis é feliz ao encarnar a personalidade e viver, na atração da “Fox”, a narcisista Reitora Munsch. Um constante empecilho para Chanel e para todos aqueles que ousam atrapalhar sua sólida carreira pelos bancos acadêmicos, a megera revela um passado tão antigo e obscuro quanto o que assombra a controversa “Kappa Kappa Tau”. Definitivamente, a veterana é eficiente ao interpretar um papel que foi escrito para ser seu.

Outras “scream queens” notáveis dos cinemas (e que merecem as menções honrosas neste post) são: Heather Langenkamp (“A Hora do Pesadelo”), Neve Campbell (“Pânico”), Jennifer Love Hewitt (“Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”), Sarah Michelle Gellar (“O Grito”), Naomi Watts (“O Chamado”), Katie Cassidy (“Quando Um Estranho Chama”) e Mary Elizabeth Winstead (“Premonição 3”).

A segunda temporada vem aí:

Produzida pela “20th Century Fox Television” em parceria com a “Prospect Films”, a “Ryan Murphy Productions” e a “Brad Falchuk Teley-vision”, a primeira temporada de “Scream Queens” possui 13 episódios com o tempo médio de 45 minutos (imagem do elenco principal)

Após ser recepcionada de forma bem mista pelo público, felizmente “Scream Queens” foi renovada para uma segunda temporada que deverá começar a ser gravada somente no mês que vem, em julho, em novos estúdios da Califórnia (a primeira foi filmada em Nova Orleans). Com estreia prevista para 20 de setembro deste ano, a história se passará dois anos após os eventos que concluíram a primeira temporada e nos introduzirá a cenários totalmente repaginados – e isso sem contar o retorno de grande parte do elenco original interpretando os mesmos personagens sobreviventes do Red Devil (mas, desta vez, imersos em um hospital psiquiátrico).

Até o momento, foi confirmado o retorno de: Emma Roberts, Jamie Lee Curtis, Lea Michele, Abigail Breslin, Billie Lourd, Niecy Nash, Glen Powell e Keke Palmer (dizem os rumores que Harry Styles, do One Direction, poderá dar as suas caras na season 2); e a estreia de John Stamos (“Três é Demais”). Você confere mais informações acessando este link.

Curiosidades que você PRECISA conhecer:

“You Belong to Me”, de Heather Heywood, marca a abertura oficial da série (na imagem: o misterioso Red Devil)

O pessoal do “OK!OK!” listou, no vídeo a seguir, 50 fatos sobre “Scream Queens” que não apenas valem a pena ser conferidos, como também deixam a série muito mais interessante. Não se preocupe, pois em momento algum foram levantados spoilers sobre o desfecho ou a identidade do assassino:

As informações deste vídeo podem ser consultadas diretamente pelo site do IMDb, em inglês (atenção, aqui, para devidos spoilers)

De tudo um pouco:

E por último, mas não menos importante, Lea Michele vive a Chanel #6/Hester Ulrich

Qualquer um que possua um mínimo de conhecimento sobre cultura popular (de televisão a cinema, música à história), certamente encontrará em “Scream Queens” o mesmo que diversos ícones do passado tanto fizeram questão de entregar ao seu público alvo: diversão sem comprometimento. Seguindo a linha de alguns longas-metragens (como o já citado “Meninas Malvadas”, “As Patricinhas de Beverly Hills” e “Todo Mundo em Pânico”) ou até mesmo de séries televisivas (como “Gossip Girl” e “Desperate Housewives”), a criação de Murphy, Falchuk e Brennan não se prende muito aos padrões da normalidade e soa mais como uma sátira da vida real do que um aplaudível show de seriedade – logo, não espere encontrar pelo decorrer da atração situações lógicas totalmente moldáveis ao mundo no qual vivemos.

É verdade que, em meio a piadas misóginas, preconceituosas e não menos que bizarras, “Scream Queens” não se mostra a série mais adequada para o telespectador que possui como única pretensão ser introduzido a um circo de horrores onde o macabro ganha vida e apavora a todos os tipos de público, sem restrições. Muito mais voltado para o humor negro, à sátira e uma leve pincelada de gore, o show se destaca por uma futilidade fora do imaginável – e, à primeira vista, não só pode como acaba sendo rejeitada por aqueles que tinham como prioridade se assustar, e não se divertir. A questão é que, diferente talvez de como foi anunciado (ou de como as pessoas olharam para o seu lançamento), o programa não apresenta nada de assustador e, eventualmente, apenas brinca com os elementos do horror ao incluir situações de perigo comuns aos filmes de terror em seu script.

Entretanto, se o espetáculo peca ao nos confundir com sua temática trash pouco esclarecedora, ele acerta ao repetir os antigos feitos de “Glee” e emergir quem o assiste para uma diversidade social que é inerente a qualquer civilização moderna. Não que seja muito comum encontrar por aí garotas usando colares cervicais em tempo integral, mas, “Scream Queens” abraça a representatividade ao dar destaque para atores negros e incluir personagens de diferentes orientações sexuais – tem até mesmo algumas fortes personalidades com deficiências físicas/distúrbios mentais e outras com extravagantes gostos pessoais. Visualmente falando, a série se utiliza muito dessa imensidão de possibilidades e, ao beber das inesgotáveis fontes que defendem o tratamento igualitário entre minorias e maiorias, se sobressai ao criticar nossa atual condição como sociedade hipócrita, machista, homofóbica e racista – tudo por meio de muita ironia, é claro.

No fim das contas, “Scream Queens” nada mais é senão uma luxuosa mansão do século XXI que, coincidentemente, acabou por ser decorada com os móveis genuínos de uma casa mal-assombrada dos anos 80. Não espere levar sustos ou sentir aflição enquanto acompanha a atração do começo ao fim: você está, claramente, se interessando pelo título errado. Aliado a um figurino impecável, a um trabalho de maquiagem excepcional e a um time de atores que nos entregam valiosos momentos hilários (e gostaríamos de deixar aqui o nosso mais sincero destaque para Niecy Nash, Billie Lourd e, é claro, Emma Roberts), o programa se revela uma ótima opção para quem é ligado em séries humorísticas de TV e compartilha de uma paixão natural pela cultura popular (desde que, é claro, você deixe as suas expectativas de lado). Se você gostou da vibe de “Todo Mundo em Pânico” e é apaixonado por “Meninas Malvadas”, então, com certeza, possui grandes chances de se encantar (e se identificar) com a bombástica criação fashion dos gênios contemporâneos que são Murphy, Falchuk e Brennan.

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