“True”: vale a pena ler?

Após quase quatro meses de nossa primeira resenha sobre a trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff, finalmente chegamos a “True: A Verdade”, o capítulo que encerra a extraordinária saga “Elixir”. Ainda sendo auxiliada por Elise Allen (quem já havia dado as caras nos títulos anteriores e ressurge, mais uma vez, como coescritora da obra), Duff continua trazendo em seu derradeiro livro algumas novidades de tirar o fôlego e explora, como de costume, diversos detalhes que fazem de seu trabalho um verdadeiro exemplo de criatividade e espontaneidade.

Entretanto, assim como “Devoted” e diferente de “Elixir”, será inevitável que mencionemos, a seguir, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram nos volumes anteriores (e, é claro, refletiram de alguma maneira no enredo desta sequência). Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos (frisa-se, referentes a “Elixir” e “Devoted”), siga adiante – mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a novela em questão e se interesse por ler os primeiros livros antes de prosseguir, fique com as nossas duas outras resenhas deste especial (clicando aqui e aqui) e pare por aí – depois de devorar tudo, não se esqueça de voltar para cá. Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…

Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa de “True: A Verdade” (você pode ler o primeiro capítulo deste livro acessando este link)

Clea Raymond vive a fase mais difícil de sua vida desde que voltou de uma viagem pela Europa e descobriu, em algumas fotografias de sua câmera, os vestígios de um misterioso homem que transcende a linha entre o tempo e o espaço. Após passar por imensos apuros que, constantemente, desafiaram toda sua capacidade de distinguir a realidade do sobrenatural, a bela fotojornalista parece finalmente ter encontrado a tão sonhada paz ao lado de Sage, sua alma gêmea de inúmeras outras reencarnações. O elixir da vida eterna fora destruído, o que, consequentemente, encerrou toda a caçada obsessiva dos Redentores da Vida Eterna e do Vingança Maldita por poder e sobrevivência – mas, de qualquer maneira, ainda havia uma questão muito mal resolvida nesta história toda: o que aconteceria agora?

Desde que perdera seu corpo e fora obrigado a assumir uma nova pele, Sage passou a agir de modo estranho e agressivo, um comportamento totalmente adverso de sua personalidade naturalmente protetora. Piorando a cada dia, o encantador príncipe encantado acaba por selar o seu destino ao libertar um lado obscuro que coloca em risco não apenas a sua própria segurança, mas também a de todos aqueles que rodeiam sua vida: principalmente Clea. Mais uma vez recorrendo a Ben e Rayna – seus dois melhores amigos –, a moça se vê pressionada contra a parede e precisa, a qualquer custo, encontrar uma cura capaz de trazer de volta aquele que jurara corresponder o seu amor de tantos e tantos séculos atrás. Isso, é claro, se o tempo não permitir que a loucura consuma Sage de dentro para fora irreversivelmente…

Encarregado de colocar um ponto final à toda jornada construída desde o primogênito “Elixir”, “True” não altera sua narrativa e permanece sendo contado em primeira pessoa pela sua grande protagonista central, Clea Raymond. Apropriadamente se amparando aos acertos de “Devoted” e repetindo a explanação intercalada da obra anterior (a qual nos é contada também por Amelia), Hilary mais uma vez estrutura os capítulos de seu terceiro livro em relatos duplos de diferentes personagens: mas desta vez, com a inserção de Rayna. Ganhando um destaque certeiro que surge para cobrir o vazio deixado por sua rápida participação nos demais títulos da franquia, de início a melhor amiga de Clea se mostra rude e pode até não chamar muito a atenção do leitor menos apaixonado. Todavia, mesmo estando coberta de razão, a garota não demora para contornar seus maiores medos com êxito e nos conquista com um amadurecimento admirável (uma evolução que, por diversas vezes, ofusca até mesmo a trama principal). Rayna é, diga-se de passagem, um acréscimo tão positivo quanto Amelia em “Devoted”.

A autora em sessão de autógrafos realizada em abril de 2013

Focando, também, um pouco mais em Sage e em suas constantes crises de personalidade, a batalha que o personagem passa a travar consigo mesmo, inevitavelmente, torna a história muito mais dramática e familiar. Sentindo-se de mãos atadas e sem ter exatamente o que fazer para solucionar o problema, Clea enfraquece na medida em que seu namorado passa a tomar sucessivas atitudes de muito mau gosto (mesmo que contra a sua própria vontade). Se em “Elixir” e “Devoted” a Srtª Raymond gastava a maior parte do tempo fazendo pesquisas de campo e aventurando-se em viagens de alto risco, em “True” sua rotina se resume em atuar como a enfermeira particular de Sage. Tentando dominar as constantes perdas de memória combinadas ao sono, fome e mau-humor intensos de seu par romântico, a perspicaz fotojornalista que havíamos conhecido anteriormente perde o seu brilho rapidamente enquanto demonstra uma fragilidade que não é própria de sua identidade.

No que se refere a Ben – ou até mesmo a outros personagens secundários, à exceção de um comeback triunfal que não daremos mais informações –, a escritora pouco avança e nada nos entrega de novo sobre o melhor amigo de Clea (o que, ao nosso ver, não soa de todo ruim, já que o conhecíamos razoavelmente bem até este momento). A descrição dos cenários é razoavelmente boa e, seguindo o que já havia nos sido introduzido antes, consegue capturar o leitor com facilidade até a onda de acontecimentos que se arrasta bem lentamente do primeiro capítulo até o sétimo. Indo direto ao ponto, a verdade é que…

…se podemos tirar uma primeira impressão de “True: A Verdade” logo quando encerramos a sua leitura é que, diferente de seus antecessores, este parece ter sido um livro desenvolvido exclusivamente para encerrar a saga “Elixir” – e nada mais que isso. Sem a mesma energia contagiante dos volumes de abertura, a obra só ganha força na sua segunda metade, quando Hilary e Elise acrescentam um pouquinho de mitologia e ocultismo para o cotidiano de seu quarteto fantástico (Clea, Sage, Ben e Rayna). Majoritariamente maçante e desmotivador, “True” piora ao deixar alguns furos na história que vêm para trazer diversas interrogações em questões importantes que haviam sido levantadas por toda a novela, como: o que aconteceu com Amelia e sua família (personagens que, neste livro, nem chegam a ser mencionados)? E quanto ao desaparecimento do pai de Clea, Grant Raymond? (esse questionamento nem chega a ser respondido explicitamente)? Qual foi o fim levado pelos Redentores da Vida Eterna e pela Vingança Maldita (obviamente que, com o fim do elixir, a VM se viu livre de sua maldição; mas, em “True” seus membros simplesmente “desaparecem do mapa”)?

Nos encaminhando para um fim bem simples, mas satisfatório, o volume final da trilogia “Elixir” é, de longe, o pior entre os três títulos veiculados ao romance original escrito por Duff e Allen. Não que o desfecho da história tenha adquirido proporções ruins, mas, a impressão é a de que alguns aspectos da trama foram deixados totalmente de lado sem receber a sua devida atenção (e conclusão) – como se tivessem sido retirados do forno antes do tempo adequado. Porém, não há motivos para tanto desânimo! Acertando na construção dos três últimos capítulos e do epílogo que são não menos que sensacionais, a jovem escritora continua nos presenteando com um trabalho que, mesmo sem os pingos nos Is, merece nossa parabenização. Claro que não podemos iniciar a leitura de “True” sem passar antes pelos seus irmãos mais velhos “Elixir” e “Devoted”, mas, isoladamente, o livro permanece sendo uma ótima dica para quem gostou de fazer parte da história de Clea Raymond e aprovou a carreira de Hilary Duff como romancista.

Lançado originalmente em abril de 2013 pela “Simon & Schuster”, “True” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir” e “Devoted”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) naquele mesmo ano. Com tradução de Yukari Fujimura (os volumes anteriores haviam sido traduzidos por Otávio Albuquerque), o título final da saga “Elixir” possui 262 páginas divididas em 18 capítulos + epílogo.

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“Devoted”: vale a pena ler?

Há pouco mais de dois meses rolou por aqui a última edição do nosso “Vale a pena ler?”, o quadro onde indicamos alguma obra literária e falamos um pouquinho mais sobre tudo que lhe é pertinente. Agora, diminuindo o tempo de uma atualização para outra e cumprindo a promessa que havia sido feita naquela oportunidade, trazemos na publicação de hoje a resenha de “Devoted: Devoção”, o segundo volume da novela criada e desenvolvida pela atriz e cantora Hilary Duff.

Todavia, diferente de quando iniciamos os primeiros debates com “Elixir” (título que marca o início desta saga), será inevitável mencionar, mais abaixo, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram no trabalho antecessor e refletem bastante nesta sequência. Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos, siga em frente, mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a trilogia “Elixir” e se interesse por ler o primeiro livro antes de prosseguir, fique com a nossa primeira resenha deste especial e pare por aí (depois de devorá-lo, não se esqueça de voltar para cá). Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…


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Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa internacional de “Devoted: Devoção”, o segundo título da série “Elixir”

Depois de protagonizar a maior aventura de sua vida e até mesmo chegar a pensar que o homem misterioso que aparecia em suas fotografias era uma ameaça sobrenatural, Clea Raymond vive os piores momentos possíveis após os acontecimentos que finalizaram “Elixir”. Sem a companhia de Sage e com a incerteza de saber se sua alma gêmea está viva ou não, a fotojornalista se arrasta pelos dias vivendo por um intenso período de luto e aceitação. Recuperando-se da perda de seu pai Grant (que desde o volume anterior permanece desaparecido) e também de seu recém-namorado, tudo fica ainda pior quando a raiva toma conta da moça e a afasta de Ben, o melhor amigo que já havia dado as caras inúmeras outras vezes no debut best-seller.

Mais uma vez lutando contra o tempo, caberá à Srtª Raymond a tarefa de fazer tudo o que está ao seu alcance para reaver o grande amor de sua vida – e, ao menos, se desvencilhar das emboscadas planejadas pelos dois grandes grupos rivais que estão atrás de Sage: os Redentores da Vida Eterna e o Vingança Maldita. Aliando-se a velhos amigos e buscando a ajuda de pessoas que jamais imaginaria precisar, Clea vai aos poucos adentrando em uma trama que vai muito além da sua vida pessoal com o homem que o destino lhe escolheu e ultrapassa os limites da ganância por poder pretendida por seus arqui-inimigos. Enfrentando perigos muito maiores que os anteriormente narrados na obra inicial, desta vez não apenas a segurança de Clea estará em jogo como também a de todos aqueles que cruzarem o caminho do inestimável elixir da vida eterna.

Continuando diretamente de onde “Elixir” parou, “Devoted” já começa com o difícil processo de conformação pelo qual Clea está passando após ter sido afastada de Sage. Remoendo, a cada dia, tudo que acontecera de errado em sua última viagem até o Japão, a angústia se torna uma rotina para a protagonista e a leva a um intenso sentimento de inutilidade que a atormenta cada vez mais. Sem saber exatamente o que fazer para ter novas notícias sobre o namorado (e mesmo se vendo sem qualquer saída racional), a moça continua alimentando suas esperanças mais profundas e não deixa, um minuto sequer, de se preocupar com o homem que mudara sua vida e existência para sempre. E, é exatamente toda essa devoção dela para com seu par romântico que definirá a conclusão que a história chegará ao longo de suas muito bem estruturadas páginas de pura imprevisibilidade.

Novamente auxiliada por Elise Allen, Duff não poupa seus esforços em tentar convencer o leitor sobre o quão importante um personagem é para o outro; e, dessa forma, acrescenta ao enredo inúmeros obstáculos que, cada um à sua maneira, deverão enfrentar para que possam ficar juntos. Como verdadeiros desafios que testarão todo o amor que Clea sente por Sage e vice-versa, o casal deverá aprender a não confiar em qualquer pessoa e a separar as aparências da realidade: uma missão que se mostra muito mais complexa do que parece ser. Para isso, personagens inéditos são inseridos desde os primeiros capítulos da obra e, além de darem uma nova perspectiva para o segundo volume da trilogia, nos entrega um fôlego extra que ajudará a acompanhar tudo sem que percamos o interesse.

A autora promovendo e autografando “Devoted” na “Barnes & Noble” (Nova Iorque), em 10/10/11

Outra novidade que “Devoted” nos introduz logo em suas páginas iniciais é a segunda narrativa contada especialmente por Amelia, uma das novas personalidades que ganham destaque por este título. Dando uma quebra à visão limitada e unilateral que se fez presente por todo o “Elixir” (e que havia sido motivo de crítica em nossa última resenha), aqui a autora expande o universo que rodeia sua história de forma tão minuciosa que, assim como no lançamento anterior, faz com que originalidade seja a palavra-chave de seu trabalho. Até mesmo os novos relatos pessoais de Clea ganharam maiores proporções e, se antes os holofotes centravam-se exclusivamente na adorada protagonista da série, agora temos uma ideia aprimorada de como cada personagem desenvolve o seu papel pelo desenrolar do livro.

E isso porque ainda nem mencionamos a estratégia de explorar uma quantidade maior de capítulos (enquanto “Elixir” apresenta 13, “Devoted” inclui 28), uma tática que definitivamente funcionou bem por aqui: além de nos deixar muito mais curiosos com o que vem pela frente (você devora cada subdivisão sem nem ao menos perceber), torna a leitura infinitamente mais agradável (convenhamos que não é sempre temos disposição ou disponibilidade para ler durante muito tempo).

Mais uma vez brincando com o sobrenatural e trazendo inúmeras referências à parapsicologia, telecinésia e projeção da consciência são algumas das muitas temáticas abordadas em “Devoted” e exploradas ao lado do popular conto do elixir da vida eterna. Dando grande destaque, ainda, às duas facções que tentam, a todo custo, atingir seus próprios objetivos, os conflitos que permeiam o romance desencadeiam em uma perseguição tão alucinante que deixa a de “Elixir” parecendo uma “história para criança dormir”. Com uma reviravolta impressionante e totalmente inesperada, Hilary soube como desenvolver o gancho perfeito que nos guiará até “True: A Verdade” e superar o final pouco motivador que encerrou o título inicial.

Trazendo relações interpessoais muito mais espontâneas e intimistas, é interessante observar como a escritora aprendeu com seus próprios tropeços e corrigiu os buracos que antes, mesmo imperceptíveis, geravam um pequeno desconforto ao leitor mais detalhista. Superando em muito a sua grande estreia pelo cenário literário, “Devoted” caminha para uma direção brilhante que se mostra totalmente coerente com a multifacetada carreira de uma das maiores estrelas da última década. Basta descobrir se o capítulo final desta jornada se sairá tão bem quanto os dois primeiros – os quais, diga-se de passagem, superaram todas as nossas expectativas.

Lançado oficialmente em outubro de 2011 pela “Simon & Schuster”, “Devoted” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) um ano depois, em 2012. Com tradução de Otávio Albuquerque, o segundo volume da saga “Elixir” possui 317 páginas divididas em 28 capítulos.

Em breve estará disponível aqui no Caí da Mudança o “Vale a pena ler?” com “True: A Verdade”, a obra que encerra esta trilogia. Fique de olho para mais informações.

“Elixir”: vale a pena ler?

Apesar de esporadicamente atualizarmos a nossa seção literária com um post ou outro no qual recomendamos a leitura de alguma obra, já faz um bom tempinho que não vemos por aqui a continuação do especial “Vale a pena ler?” – o último foi com “Quadribol Através dos Séculos”, da J.K. Rowling (relembre). É um tanto quanto óbvio que, para escrever uma resenha literária, primordial que a pessoa por trás do texto leia algum livro, e talvez esta seja a maior justificativa pela grande ausência deste quadro aqui no Caí da Mudança (e, por isso, peço desculpas pela negligência e já os comunico de que isto tem sido revisto cuidadosamente).

Explicações à parte, chegou o grande momento de resgatarmos este especial lá do fundo do baú (afinal, a nossa última atualização se deu em um já longínquo setembro de 2015) e revelar que o título escolhido para marcar este retorno foi “Elixir”, o primeiro volume da trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff. Na publicação de hoje, conheceremos apenas “Elixir”, mas já prometo, desde já, tentar ler o mais breve possível as sequências “Devoted: Devoção” e “True: A Verdade” para fechar este ciclo rapidamente – e, quem sabe, iniciar muitos outros ao longo dos próximos meses (e não dos próximos semestres).

Este texto é livre de spoilers: boa leitura!

Capa alternativa de “Elixir”

A primeira informação que precisamos ter em mente é que Hilary Duff, apesar de ser uma multifacetada cantora e atriz, não é uma novata no mundo dos negócios: além de já ter desenhando a sua própria linha de roupas, a moça já associou o seu nome a diversos outros produtos como bonecas, fragrâncias e muitas outras mercadorias disponibilizadas no mercado ao longo dos últimos 14 anos. Todavia, “Elixir” marca a sua estreia como romancista, então talvez seja um tanto quanto compreensível que seu primeiro livro se mostre uma obra bem “meia-boca”, certo? É aí que você se engana (e logo mais saberá o porquê).

Recebendo o auxílio de Elise Allen (escritora que assina a obra ao lado de Duff e já trabalhou em diversos outros projetos, como “Autumn Falls”, de Bella Thorne), “Elixir” foi publicado pela “Simon & Schuster” – uma das maiores editoras de língua inglesa de todo o mundo – em outubro de 2010. No Brasil, o romance com elementos de ficção foi traduzido por Otávio Albuquerque e redistribuído pela Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais). Disponível para compra desde junho de 2011, possui 280 páginas divididas em 13 capítulos. Seu sucesso comercial foi tão grande que chegou a entrar para a cobiçada lista dos poderosos best-sellers do “The New York Times”, na sessão de livros infantojuvenis.

Logo em seu capítulo de abertura, Hilary e Elise nos introduzem ao estimado personagem central de sua trama: Clea Raymond. Filha de um conhecido cirurgião e de uma influente senadora norte-americana, desde muito jovem a garota sabe o que é ter os holofotes virados para si e vive em uma constante luta contra a mídia e os paparazzi que a perseguem para todos os cantos. Trabalhando com fotojornalismo e viajando o mundo para os lugares mais inimagináveis, Clea divide seu tempo entre a paixão pela fotografia e a atenção de seus dois melhores amigos: Rayna, uma namoradeira nata, e Ben, o clássico Sr. Friendzone.

A capa nacional de “Elixir”

Após passar por um grande tumulto na França ao lado de Rayna, Clea retorna para os Estados Unidos e tenta tocar sua vida adiante. Todavia, enquanto vasculha algumas das fotos tiradas em sua última viagem pela Europa, ela percebe um detalhe assustador que jamais notara antes em qualquer trabalho de sua carreira: um homem misterioso que aparece ao fundo de cada captura, sempre escondido em meio aos cenários visitados. Intrigada com esta presença aparentemente fantasmagórica e movida pelo desaparecimento inexplicável de seu pai, Grant, ela recorre à ajuda de seus melhores amigos para decifrar suas dúvidas e percorre por países como o Brasil e o Japão para tentar entender a estranha ligação desses eventos até então incomunicáveis.

Impulsionado por uma história cativante que se desenrola naturalmente, “Elixir” acerta em diversos passos e nos surpreende com uma leitura de fácil compreensão, sem termos muitos rebuscados ou desnecessários. Dividido em apenas 13 capítulos que geralmente beiram as 20 páginas, o livro surpreende ao não cair no monótono e nos guia sedentos até suas derradeiras palavras, sempre trazendo uma nova informação para saciar toda a curiosidade que criamos logo que começamos a lê-lo. Combinando tons de ficção com romance e aventura, tudo cresce na medida em que cada situação e personagem parecem estar posicionados perfeitamente em seus devidos lugares, tudo milimetricamente calculado.

Narrando toda a história em primeira pessoa, logo de cara Duff investe todos os seus esforços em fazer com que nos apaixonemos por Clea – e, para isso, recorre a características bem peculiares de algumas personalidades que viveu para as telonas dos cinemas (como Sam Montgomery, de “A Nova Cinderela”; e Holly Hamilton, de “Paixão de Aluguel”). Tanto o é que, inevitavelmente, em diversos momentos é bem provável que você leia sobre Clea e imagine a própria Hilary sob a sua pele, dando vida a uma garota divertida, inteligente e desajeitada, mas um bocado séria e até mesmo cética. Completamente o oposto de sua melhor amiga (Rayna), Clea parece não se importar muito para as vantagens de ser uma celebridade e se mostra uma pessoa altamente introspectiva, alguém que nem sempre diz o que realmente pensa: talvez uma versão mais madura da Terri Fletcher, de “Na Trilha da Fama”. Resumidamente, é impossível não se simpatizar (e, é claro, se identificar) com ela.

Hilary na “Borders Books & Music” de Nova Iorque, em outubro de 2010, durante sessão de autógrafos de “Elixir” (foto por Jason Kempin)

O interessante sobre “Elixir” é que, apesar de misturar diversos contos e lendas mitológicas com os dias atuais de uma Connecticut do século XXI, a ousadia da autora funciona bem e nos faz ver a tudo com um olhar de admiração, e não de rejeição. É verdade que o livro divide-se o tempo todo entre os sentimentos de Clea com as situações que a rodeiam e os mistérios que se camuflam por esta realidade paralela, mas, diferente do que poderíamos esperar, a Srtª Raymond não decepciona e revela um senso de humanidade imensurável. Diferente de outras mocinhas da literatura que criam uma devoção macabra pelos homens de suas vidas e passam a viver em sua função (como, por exemplo, a Bella Swan, de “Crepúsculo”), Clea mostra-se um indivíduo altamente comum que toma as atitudes de um ser humano equilibrado. Assim como você e eu, ela possui os seus momentos de insegurança e orgulho, e é exatamente por este lado imperfeito que a garota não passa despercebida diante de nossos olhos.

Todavia, em meio a tantos passos certeiros e aplaudíveis, talvez os únicos deslizes cometidos pela autora se mostrem na maneira como os cenários são tão pouco explorados em alguns capítulos da trama (não que isso tenha ocorrido pela falta de tentativa, é claro) e em como todo o enredo foca muito em Clea e quase nada nos demais personagens – mesmo sendo narrado em primeira pessoa, nós sabemos que dava para contornar melhor esse ponto, hein dona Hilary!? Contudo, mesmo não sendo um Shakespeare dos tempos modernos, Duff ganha pontos positivos por ter desenvolvido uma história original que, sem sombra de dúvidas, merece a atenção de cada um de nós (um detalhe que, ao meu ver, já é mais do que suficiente para introduzi-la tão bem ao universo literário). Como um longa-metragem que é exibido ao virar de cada página, “Elixir” é uma obra que vale a pena ser conferida não apenas por ter sido escrita por um dos maiores nomes femininos da atual “Hollywood”, mas principalmente por trazer toda a magia que somente um bom livro pode ser capaz de transmitir.

Se interessou por “Elixir”? Então leia agora mesmo o primeiro capítulo deste livro acessando este link.

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“Quadribol Através dos Séculos”: vale a pena ler?

Não faz muito tempo que estreei por aqui a nossa primeira publicação destinada ao cenário da literatura e, coincidentemente (ou não), o post de hoje que dá continuidade ao nosso especial “Vale a Pena Ler?” também foi retirado do fabuloso mundo de Harry Potter. “Quadribol Através dos Séculos” (“Quidditch Through the Ages”, no original), publicado pela “Bloomsbury Publishing” em março de 2001, foi o segundo trabalho lançado pela britânica J.K. Rowling como spin-off da série principal composta por 7 livros que ganhou o mundo em 1997.

Chegando ao Brasil no mesmo ano sob a responsabilidade da “Rocco”, a editora por trás dos lançamentos principais da franquia, a obra de Rowling traz ao leitor uma criativa viagem de volta ao passado que o introduzirá a um tempo em que bruxos e bruxas ainda possuíam um limitado sistema de locomoção e transporte. Apresentando-nos 10 capítulos que discorrerão desde “A evolução da vassoura voadora” até “O quadribol hoje”, é interessante notarmos como o esporte se fez presente na vida mágica desde os seus primórdios, da mesma forma como também esteve presente no desenrolar do universo trouxa (o mundo dos seres não-bruxos, aqueles não dotados de poderes mágicos).

Assinado sob o pseudônimo Kennilworthy Whisp, o “famoso especialista em quadribol que possui como passatempos o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas”, o livro é uma réplica idêntica de um exemplar retirado da biblioteca de Hogwarts, pelo professor Dumbledore. Por mais que Madame Pince, a protetora bibliotecária, tenha se recusado muito a colaborar com o amado diretor, Alvo conseguiu convencê-la de que sua ação se amparava em um fim muito maior e todos os nascidos trouxas tiveram a honra de prestigiar mais uma obra-prima vinda da mamãe J.K.

Assim como “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, em “Quadribol Através dos Séculos” a autora também demonstrou todo o seu apreço às causas sociais e reverteu as vendas do livro para a “Comic Relief”, uma organização “fundada em 1985 por um grupo de comediantes britânicos” que tiveram o objetivo de “angariar fundos para projetos que promovam a justiça social e ajudem a conter a pobreza”. Segundo a instituição: “cada centavo doado a Comic Relief é encaminhado para onde é mais necessário, por intermédio de organizações internacionalmente reconhecidas como a Save the Children e a Oxfam”.

Também ganhando um prefácio escrito pelo próprio professor Dumbledore, é informado ao leitor em seu interior que “a Colic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libras desde que começou em 1985 – mais de 34 milhões de galeões). Todos os envolvidos em trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou a preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com sua venda fossem destinados a um fundo aberto em nome de Harry Potter pela Colic Relief U.K. e por J.K. Rowling”.

Imagem retirada da internet

Diferente das já conhecidas anotações de Harry, Rony e Hermione que marcaram as páginas de “Animais Fantásticos…” (que a propósito, foi transladado do exemplar do próprio Harry), “Quadribol Através dos Séculos” não apresenta nenhum manuscrito feito pelo trio de bruxos ou por qualquer outro estudante de Hogwarts – até porque, conhecendo bem Madame Pince, duvido muito que tal atitude seria autorizada ou passada adiante impune. Porém, logo que abrimos sua capa é possível encontrar uma relação com 18 nomes que recorreram ao livro junto à biblioteca, tais como Cedrico Diggory, os irmãos Weasley e Olívio Wood, o capitão do time de quadribol da Grifinória que aparece em “A Pedra Filosofal” e demais volumes da saga.

Mais adiante, para sanar a ausência das brincadeiras entre Harry e Rony que nos fez amar ainda mais “Animais Fantásticos…”, são retratadas diversas gravuras que ilustram todo o livro, o qual é ainda intercalado com diversas cartas que relatam os primeiros jogos de quadribol de que se tem notícia. Seja pela imagem de uma antiga “vassoura medieval exibida no Museu de Quadribol, em Londres”, ou pela caracterização do “Pomorim Dourado” (o passarinho que antecedeu a entrada do pomo de ouro ao lado das demais bolas), a obra contém também algumas críticas dos mais populares escritores do universo bruxo, tais como Bathilda Bagshot (“Hogwarts, Uma História”) e Rita Skeeter (a mesquinha repórter do “Profeta Diário”).

Se você tem medo de comprar “Quadribol Através dos Séculos” e não entender nada sobre o que a autora está querendo lhe dizer, não se preocupe, pois além de nos ensinar as regras do esporte o registro traz uma seleta lista com os times de quadribol oficiais da Grã-Bretanha e da Irlanda, além de outros espalhados pelas Américas, África e Oceania. Você sabia que na Ásia as vassouras não são vistas com bons olhos pela sua população devidos à tradição milenar de se usar os tapetes voadores? Mas isso não impediu o Toyohashi Tengu, do Japão, de “quase vencer o Gárgulas de Gorodok da Lituânia” em uma partida de 1994.

O quadribol mostrou-se uma febre tão grande entre os admiradores de Harry Potter que em 2003 foi liberado pela “Electronic Arts” o game “Harry Potter: Quidditch World Cup”, jogo esportivo para PlayStation 2 recebido de forma mista pelos críticos profissionais. Bem semelhante ao modo “quidditch” presentes em “Sorcerer’s Stone” e “Chamber Of Secrets” para PSOne (mas desta vez mais abrangente), “World Cup” trazia não apenas a competição tradicional entre as quatro casas de Hogwarts, mas também uma copa que era celebrada a nível mundial. Dá pra acreditar que o jogo lhe possibilitava controlar não apenas os apanhadores da Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, mas até mesmo os demais personagens em suas respectivas funções?

Imagem retirada da internet
Imagem retirada da internet

Com apenas 63 páginas, o livro pode ser adquirido atualmente por menos de R$20,00 em qualquer loja virtual do país. Recebendo a tradução da já conhecida Lia Wyler (a mesma da série principal), todos os nomes originais criados por Rowling ganharam a sua própria versão aportuguesada, desde os times profissionais até os demais esportes bruxos também praticados em cima de vassouras que são abordados pelo senhor Whisp.

Assim como já dito anteriormente, num primeiro momento “Quadribol Através dos Séculos” pode parecer uma escolha estranha para quem que desconhece as histórias de Harry Potter, mas, isso acaba se provando uma completa inverdade. Assim como o futebol conquistou o mundo como o esporte mais amado e idolatrado pelos milhões de trouxas que estão espalhados por aí, este livro surge para nos dizer que, apesar de serem tão diferentes, bruxos e muggles (no original) possuem mais semelhanças do que qualquer um poderia imaginar. Se os humanos tiveram esse direito, por que então os feiticeiros não poderiam desenvolver também a sua própria paixão esportiva estampada em um dos jogos mais emocionantes do universo da literatura?

Para encerrar, os deixo com aquela mesma conclusão que usei para encerrar o magnífico “Animais Fantásticos e Onde Habitam”: apesar de serem livros curtos que podem ser facilmente lidos em um único dia, os três spin-offs trazem a já mundialmente conhecida magia da britânica de capturar a atenção do leitor e fazer com que ele tenha vontade de devorar capítulo atrás de capítulo incessantemente. Como sempre muito inteligente, cada detalhe inserido nestas obras vêm apenas para reforçar em nosso íntimo que, mesmo após o término de sua maior série, o mundo de Harry Potter consegue superar qualquer barreira imposta pelas páginas dos livros ou os telões dos cinemas. Demonstrando que este é um trabalho completamente atemporal, sempre que quisermos poderemos pegar uma dessas obras para reviver sua fascinante história ou colocar aquele DVD esperto para matarmos as saudades dos brilhantes atores que cresceram junto com a gente. Afinal, como já dizia o sábio professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore: “Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem”.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam”: vale a pena ler?

Se você conhece o universo Harry Potter com certeza já deve ter ouvido falar em “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (“Fantastic Beasts and Where to Find Them”, em inglês), apenas um dos três spin-offs da saga escrita pela britânica J.K. Rowling. Lançado originalmente em março de 2001, pela “Bloomsbury”, a versão brasileira deste clássico nos foi adaptada no mesmo ano pela “Rocco”, a mesma editora responsável pela publicações nacionais de o primeiro “A Pedra Filosofal” até o derradeiro “As Relíquias da Morte”.

Por mais improvável que pareça, em “Animais Fantásticos…” encontramos uma verdadeira enciclopédia que correlaciona as 75 criaturas mágicas que fazem parte do mundo de Harry e seus amigos – muitas das quais podem ser vistas não apenas nas páginas da saga principal como também nos filmes levados para o cinema. Utilizando-se do pseudônimo Newt Scamander, o autor por trás da obra (no lançamento bruxo, é claro), J.K. não poupou criatividade ao trazer para os fãs um pouquinho de toda a magia que acompanhou cada um dos feiticeiros ocupantes das prestigiadas cadeiras da fabulosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Além do glossário, que é a parte mais legal da obra, “Animais Fantásticos…” traz uma nota sobre o autor, um prefácio escrito pelo próprio Alvo Dumbledore, uma aprofundada introdução sobre o estudo da magizoologia e a classificação elaborada pelo Ministério da Magia com a periculosidade de cada criatura. Indo de X a XXXXX, o “Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas” classificou os animais em: X. tedioso; XX. inofensivo/pode ser domesticado; XXX. bruxo competente pode enfrentar; XXXX. perigoso/exige conhecimento especializado/bruxo perito pode enfrentar; e XXXXX. mata bruxos/impossível treinar ou domesticar (ou como acertadamente diz uma anotação rabiscada na página: “ou qualquer coisa que Hagrid goste”, hahahahha).

Livro essencial para qualquer estudante do colégio mágico, a versão que podemos comprar em qualquer livraria ou loja virtual do país é uma cópia autêntica da usada por Harry nos seus dias de aprendiz em Hogwarts. Compilando até mesmo algumas das anotações manuscritas por ele, Rony e Hermione (com muita relutância, conforme frisou o diretor em seu prefácio), logo na primeira página já encontramos uma divertida discussão entre o casal de bruxos mais querido da literatura falando sobre a prioridade na compra de algumas bombas de bosta. Duas páginas depois, não muito diferente, Rony provoca seu melhor amigo com um hilário “Harry gosta da Murta que Geme” logo depois de brincarem de jogo da velha e forca (hahahhaha, mais alguma dúvida de que J.K. é um gênio no que faz?). Saca só a imagem a seguir:

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Com apenas 63 páginas (bem diferente de “A Ordem da Fênix”, o maior volume da série, com suas modestas 702), o livro pode ser adquirido atualmente por menos de R$20,00 e foi lançado conjuntamente com “Quadribol Através dos Séculos”, de autoria do Kennilworthy Whisp (J.K. nunca negou sua paixão por nomes “estranhos”, não é mesmo?).

Demonstrando que tem um grande coração e que se preocupa com as causas sociais, Rowling reverteu as vendas de “Animais Fantásticos…” para a “Comic Relief”, uma organização “fundada em 1985 por um grupo de comediantes britânicos” que tiveram o objetivo de “angariar fundos para projetos que promovam a justiça social e ajudem a conter a pobreza”. Segundo a instituição: “cada centavo doado a Comic Relief é encaminhado para onde é mais necessário, por intermédio de organizações internacionalmente reconhecidas como a Save the Children e a Oxfam”. O trabalho beneficente realizado pela instituição é tão importante que até mesmo o Professor Dumbledore, ocupadíssimo diretor de Hogwarts, cedeu um pouco do seu tempo para falar um pouquinho sobre isso na contra-capa do livro: “a renda apurada com a venda deste livro reverterá para a Comic Relief, o que significa que os reais e galeões que você paga por ele realizarão mágicas que ultrapassam os poderes de qualquer bruxo. Se você achar que essa razão não é o suficiente para separar-se do seu dinheiro, só me resta desejar que se um dia uma manticora atacá-lo, os bruxos que passarem e virem sejam mais caridosos e queiram ajudá-lo”.

Contudo, as curiosidades por trás deste livro não terminam por aqui! Você sabia que um filme adaptado em “Animais Fantásticos…” tem sido gravado neste exato momento nos estúdios da “Warner”, não é? Apesar de não sabermos muito sobre o seu enredo, já foi revelado que “a história se passará 70 anos antes das aventuras de Harry Potter começar” e “narrará as aventuras de Newt Scamander”. Sob a direção de David Yates (o mesmo que dirigiu os quatro últimos filmes da série) e com roteiro da J.K., a sua previsão é que chegue para os cinemas no dia 19 de novembro de 2016. Para você ter uma ideia, o ator ganhador do “Oscar” Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”) é quem dará vida a personagem principal da trilogia (sim, já foi confirmado que três novos filmes serão liberados para esta nova franquia). Você confere muitas outras informações técnicas sobre o longa-metragem acessando este link.

Apesar de muitos criticarem o seu trabalho, o livro recebeu a tradução da já experiente Lia Wyler (a mesma dos “Harry Potters” principais), e assim como já é de se imaginar, todos os nomes originais das criaturas mágicas ganharam a sua própria versão aportuguesada, facilitando em muito o nosso entendimento – convenhamos que arpéu (graphorn) e furanzão (jarvey) foram boas escolhas, vai!?

Num primeiro momento, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” pode parecer uma escolha um tanto quanto incoerente para um leitor que desconhece as histórias do bruxinho mais popular de todos os tempos, mas acredite: não o é. É claro que, para compreender alguns dos comentários rabiscados por Harry, Rony e Hermione você deve, no mínimo, assistir aos primeiros filmes e captar alguns detalhes importantes, como a fobia de Rony por aranhas ou a dedicação de Hagrid por animais demasiadamente perigosos. Assim como os seus equivalentes, “Quadribol Através dos Séculos” e “Os Contos de Beedle, o Bardo” (sim, não demorará muito para eu escrever sobre eles por aqui), “Animais Fantásticos…” se mostra um item indispensável para um verdadeiro admirador da maior obra já criada pela mestra J.K. Rowling.

E, o melhor de tudo nem é o fato de todos esses livros terem um custo baixo, já que podem ser facilmente adquiridos pela internet por menos de R$30,00 em alguns sites (isso mesmo, os três), mas para onde esse dinheiro será destinado. Quantas pessoas gostariam de estender uma mão aos menos favorecidos mas não sabem como fazê-lo. Você já pensou em comprar um grande presente para um amigo e, mesmo involuntariamente, ajudar crianças do mundo todo que se sujeitam a condições precárias e desumanas de vida?

Apesar de serem livros curtos que podem ser facilmente lidos em um único dia, os três spin-offs trazem a já mundialmente conhecida magia da britânica de capturar a atenção do leitor e fazer com que ele tenha vontade de devorar capítulo atrás de capítulo incessantemente. Como sempre muito inteligente, cada detalhe inserido nestas obras vêm apenas para reforçar em nosso íntimo que, mesmo após o término de sua maior série, o mundo de Harry Potter consegue superar qualquer barreira imposta pelas páginas dos livros ou os telões dos cinemas. Demonstrando que este é um trabalho completamente atemporal, sempre que quisermos poderemos pegar uma dessas obras para reviver sua fascinante história ou colocar aquele DVD maroto e matarmos as saudades dos brilhantes atores que cresceram conosco. Afinal, como já dizia o sábio professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore: “Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem”.