Dos livros para nossos smartphones: afinal, os novos jogos para celular de “Harry Potter” valem a pena?

Ainda estimulados pelos nossos dois últimos “vale a pena ler?”, quando destrinchamos a série literária Harry Potter (relembre) e os roteiros originais de “Criança Amaldiçoada” e “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (relembre), desta vez decidimos mudar um pouco o curso e, saindo das páginas dos livros, voltamos toda nossa atenção para as telas de nossos smartphones. Ansiosos pela oportunidade interagir com o universo mágico de J.K. Rowling em um outro nível, foi com muita euforia que presenciamos, de 2016 para cá, o lançamento de dois novos games liberados exclusivamente para Android e iOS.

Seja estudando em Hogwarts ou investigando criaturas para o Ministério da Magia, Harry Potter: Hogwarts Mystery e Animais Fantásticos: Mistérios chegaram com tudo nas lojas virtuais e, sem qualquer custo (ou quase isso), nos deixaram ainda mais entusiasmados com o tão amado mundo dos bruxos. Mas, em meio a tantas dúvidas, a pergunta que não quer calar não poderia ser outra: com a possibilidade de lucro nas alturas, será que estes jogos cumprem o seu propósito ou são apenas uma tentativa ardilosa de tirar dinheiro dos fãs? Façam suas apostas e acompanhem, a seguir, nossos principais apontamentos.

Precedentes em outros consoles:

“Lego Harry Potter: Years 1-4” (2010), game disponível para iOS, Android, PC, Nintendo DS, Wii, PS3, PS4, PSP e Xbox 360

Não é de hoje que a trajetória do “Menino que Sobreviveu” é recontada em títulos que ganharam os consoles das mais variadas gerações. Isso porque, já no começo dos anos 2000, “A Pedra Filosofal” (2001) e “A Câmara Secreta” (2002) tentaram, mesmo que nos simplórios gráficos do primeiro PlayStation, reproduzir a experiência única de comandar um jovem Harry por entre os corredores de Hogwarts (relembre nossos jogos favoritos para PS1 clicando aqui e aqui). Os anos se passaram e, com eles, fomos contemplados com gráficos cada vez melhores combinados à jogabilidades muito mais elaboradas.

Ganhando seu espaço em lançamentos redirecionados para PC, PS2, PS3, PS4PS Vita, PSP, GameCube, Xbox, Xbox 360, Wii, Nintendo DS, GBC e GBA, o legado de Potter surge agora apostando todas suas fichas em games destinados para a maior classe consumidora de jogos eletrônicos da atualidade. Fazendo uso do nome comercial que somente esta marca possui, os novos títulos exploram uma jogabilidade simples que não deverá ser um desafio para jovens e adultos de qualquer idade. Porém, todo cuidado é pouco, e antes que suas expectativas aumentem demais, algumas ponderações precisam ser feitas.

A sua carta de Hogwarts finalmente chegou:

Aula de voo em “Harry Potter: Hogwarts Mystery”

É com esta chamada super convidativa que a Jam City e a Portkey Games anunciaram, no começo do ano, o que muita gente esperava desde a popularização dos jogos gratuitos para smartphones. Se comprometendo a nos entregar a tão sonhada vida de um aluno de Hogwarts, a produtora de “Panda Pop” já havia antecipado que o jogador encontraria diversas novidades em Harry Potter: Hogwarts Mystery, incluindo: assistir aulas com os professores Snape, McGonagall, Hooch e Flitwickescolher sua própria casarealizar feitiçosparticipar de duelosexplorar o castelo e se aventurar numa nova história escrita especialmente para o game. Passando-se alguns anos antes do primeiro ano de Harry na escola, logo após a queda de Lorde Voldemort, o jogo se vende como um RPG, ofertando-nos diversas respostas para os questionamentos que são feitos em seu decorrer. Bem, pelo menos é o que dizem, pois só quem já jogou RPGs deste tipo sabe que nem sempre isso funciona de verdade.

Detalhes à parte, “Hogwarts Mystery” utiliza um sistema de energia bem semelhante ao “Britney Spears: American Dream” (relembre nossa resenha para o Co-op Geeks) na qual o jogador precisa clicar quantas vezes forem necessárias em uma ação determinada para cumprir seus objetivos (assim como exemplificado na imagem que introduz este tópico). Logo, você não precisará de muitos minutos para notar que não dá para passar horas jogando, a não ser, é claro, que resolva reabastecer suas energias com diamantes comprados com dinheiro de verdade (ou adquiridos gratuitamente enquanto joga). Caso não queira mexer na carteira, o jeito mesmo é esperar 1h40min para ver seu reservatório mais uma vez completo – ou sair clicando em pontos específicos do cenário para recolher frações de energia distribuídas periodicamente. Assim como os demais free to play, a maior parte dos itens realmente legais só podem ser desbloqueados com dinheiro de verdade; por isso, paciência ao acumular suas moedas e diamantes.

Disponível para download desde abril de 2018 para Android e iOS, “Harry Potter: Hogwarts Mystery” permite que você viva os sete anos de Hogwarts em uma nova aventura inspirada pelo universo mágico de J.K. Rowling. Desenvolvido pela Jam City, Inc. sob a licença da Portkey Games, é indicado para usuários maiores de 10 anos e deve ser jogado conectado à internet. Veja o trailer

Quebrando um pouco a fórmula escarrada dos click and point, a surpresa de “Hogwarts Mystery” fica mesmo no momento em que sua personagem deverá lançar feitiços, voar de vassoura e preparar poções. Isso porque, para usar Lumos, Incendio ou Flipendo, basta que você repita os desenhos que aparecerão na tela do seu celular para ver a magia finalizada (como na imagem acima). Outro ponto positivo, e certamente o mais inovador, é a possibilidade de montar seu próprio avatar da maneira que bem entender. Com diversas opções de formato de rosto, nariz, olhos, cor de pele e penteados, o jogador finalmente tem a chance de se ver “andando” pelos terrenos de Hogwarts e dividindo aulas com seus colegas de classe (as aspas se deve ao fato de que, tecnicamente, você não anda, pois a tela só se movimenta horizontalmente enquanto seu avatar fica paradinho no canto esquerdo). Por fim, também devemos destacar os duelos, que apesar de simples, são bem divertidos. Numa simples releitura do clássico jokenpô, os comandos agressivo, defensivo e sorrateiro substituem a pedra, o papel e a tesoura da brincadeira original.

Na história do game, você é o irmão mais novo de Jacob, um ex-estudante expulso de Hogwarts por investigar as Criptas Malditas: câmaras amaldiçoadas que, supostamente, estão escondidas no castelo. Só que, para complicar ainda mais sua vida, Jacob está desaparecido, e assim que você dá início ao seu primeiro ano na escola, os boatos sobre ele perseguem sua personagem para onde quer que ela vá. Dividido entre a vontade de aprender magia e a busca pela verdade, o jogador moldará sua personalidade de acordo com as escolhas que toma. Muitas destas escolhas dependerão, é claro, dos níveis de coragem, empatia e sabedoria a serem preenchidos durante a jogatina. Inevitavelmente, logo você se verá investigando as tais Criptas Malditas, e é graças à ajuda de seus amigos (à contragosto de Mérula Snyder, uma aluna mesquinha da Sonserina) que o desfecho da trama vai aos poucos se revelando. Gradativamente, novos feitiços, personagens e lugares se tornam acessíveis conforme você avança no jogo.

Aguce estes olhos de águia:

Investigando a mansão dos Cloke no mistério nº 9 de “Animais Fantásticos: Mistérios”

Mudando de pato para ganso, Animais Fantásticos: Mistérios (“Fantastic Beasts: Cases from the Wizarding World”) não apenas nos traz uma trama diferente, mas também arrisca em uma jogabilidade mais retrô. Recentemente alistado pelo Ministério da Magia para trabalhar como investigador pelo Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, aqui o jogador precisará aguçar sua habilidade visual para desvendar os casos pendentes de solução submetidos ao seu setor. Acompanhado da divertida Mathilda Grimblehawk, é seu dever por um fim aos muitos problemas causados por bruxos e trouxas que ameaçam a segurança das mais fascinantes criaturas mágicas. Como seu trabalho não é moleza, também entram em cena outros funcionários do Ministério e do Hospital St. Mungus para ajudar, como o charmoso Cerberus, do Departamento de Execução das Leis da Magia, e o sempre apático curandeiro Omar. Outras personagens de destaque incluem Myra, do Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas, o historiador Sage e a herbologista e mestra em poções Gethsemane.

Sem muitos rodeios, podemos dizer que “Cases from the Wizarding World” se resume, sem tirar nem por, na imagem que encabeça este tópico. Em um cenário visualmente poluído, o jogador deverá indicar cada uma das quinquilharias destacadas da sua lista de itens, assim como nos clássicos jogos de encontrar objetos escondidos popularizados nos primórdios da internet. Apesar da premissa simples (já que é isto que você faz em 95% do game), a jogabilidade não se resume a “clicar e apontar”, pois, conforme informado pelo próprio jogo, o jogador deverá ainda entrevistar testemunhas, analisar provas, lançar feitiços, fazer poções e decifrar pistas escondidas para investigar e resolver os mistérios. Os outros 5% consistem em reunir pedaços de artefatos quebrados, friccionar a tela para limpar a sujeira de determinados objetos, traçar um desenho que simula o movimento da varinha (assim como em “Hogwarts Mystery”) e repetir padrões para resolver quebra-cabeças.

Disponível para download desde novembro de 2016 para Android e iOS, “Animais Fantásticos: Mistérios” apresenta 14 mistérios diferentes inspirados pelo universo mágico de J.K. Rowling. Desenvolvido pela Mediatonic Games em parceria com WB Games, é indicado para todos os públicos e deve ser jogado conectado à internet. Veja o trailer

Cada mistério possui 3 cenários diferentes compostos de 9 cenas (das quais 3 são bônus), sendo que cada cena comporta 5 estrelas. São essas estrelas, conquistadas após explorar as cenas diversas vezes (até você atingir a pontuação necessária), que lhe permitirão executar as tarefas dadas pelo jogo, como lançar feitiçosconversar com as demais personagens e decifrar as pistas encontradas. Correndo contra o relógio (bem, não que você tenha um tempo determinado para completar sua lista de objetos, mas é claro que quanto maior a demora, menor a pontuação), o jogador encontra ao seu dispor o auxílio daquelas personagens que mencionamos logo acima, cada uma com um número diferente de dicas para dar (variando de 1 a 5), já que muitas das bugigangas são praticamente invisíveis aos olhos mais esguios. Entre os bônus de cada cenário você encontra: uma cena espelhada, uma contagem regressiva e um jogo dos sete erros.

Apesar de as poções disponíveis congelarem o tempo por alguns segundos e aumentarem o número de dicas e o multiplicador de pontos, no fim se mostram pouco eficazes, já que só podem ser obtidas com diamantes (comprados com dinheiro de verdade) ou com ingredientes localizados aleatoriamente. É claro que estes diamantes também podem ser adquiridos gratuitamente, mas de forma muito mais escassa (como nas missões extras e com o bônus diário). Além disso, por mais que a interação com a sua lista de contatos seja mínima (seus amigos são utilizados exclusivamente para dar dicas), a maior falha de “Mistérios” está mesmo no sistema de reposição de energia, que assim como o de “Hogwarts Mystery” é recarregado com o passar do tempo. Isso porque, para investigar cada cena, são necessárias 20 esferas de energia, e seu contador possui um limite máximo de 120; logo, só dá para investigar uma cena 6 vezes até chegar a zero. Seguindo a mesma lógica das poções, também dá para comprar energia adicional, mas esteja desde já preparado para mexer no seu bolso.

Controvérsias, expectativas e acessibilidade:

Além de trazer gráficos bem feitos e o mais detalhistas possíveis, diversas personagens clássicas, como Hagrid, dão as caras em “Hogwarts Mystery”

Por muito e muito tempo, diversos admiradores da obra de J.K. Rowling sonharam com o dia em que se veriam caminhando livremente entre os fabulosos cenários que compõem o universo mágico de Harry Potter. Seja pessoalmente, visitando os parques temáticos de Orlando e Londres, ou virtualmente, por meio de jogos de videogame, é unânime dizer que este sonho já se agarrou, nem que seja uma única vez, a todos aqueles que já leram ou assistiram as aventuras do bruxinho mais famoso de todos os tempos. Surgindo como uma luz no fim do túnel, foi em uma torrente chuva de expectativas que os games que dão título a esta resenha, principalmente “Hogwarts Mystery”, reacenderam uma chama antiga que jamais deixou o peito de um verdadeiro potterhead. Ansiosos pela chance de viver sua própria história e de moldar sua personagem no melhor estilo “The Sims”, fãs do mundo inteiro interromperam seus afazeres para conferir a novidade com os seus próprios olhos.

Entretanto, não precisamos ir muito longe para encontrar (e é claro, compreender) o descontentamento que a maioria esmagadora dos jogadores apontou enquanto dava uma chance para os lançamentos em questão. Isso porque, como mencionado anteriormente, o sistema de energia que ambos os jogos utilizam é o pior possível, obrigando-nos a aguardar por horas para finalizar tarefas já iniciadas (a menos que você queira gastar seu dinheiro de verdade). Logo, este é um impasse que certamente estimulou muita gente a desinstalar os aplicativos de seus celulares, o que não censuramos. Outros pontos bastante criticados entre os usuários incluem bugs que fecham o aplicativo sem mais nem menos e barras de loading que jamais se completam – o que, honestamente, é compreensível para “Hogwarts Mystery”, mas não para “Animais Fantásticos” (afinal, o primeiro foi lançado há pouco mais de um mês e sem sombra de dúvidas passará por inúmeras atualizações até se estabilizar).

Apesar do grande número de downloads na Apple Store e na Google Play, significativa é a parcela de gamers que se recusam a levar a sério qualquer jogo lançado diretamente para smartphone, seja do universo Harry Potter ou de outro qualquer. Por mais que muitas desenvolvedoras realmente se valham do nome de marcas famosas para chamar a atenção e lucrar em cima disso, algumas raras exceções deveriam ser retiradas desta grande generalização preconceituosa feita por crianças de 12 a 30 anos insatisfeitas com o sucesso alheio. É verdade que a liberdade de escolhas e o envolvimento com a história de “Mistérios” são praticamente nulos se comparados aos de “Hogwarts Mystery” (e os deste, simultaneamente, se comparados aos de jogos lançados para PS4 e Xbox One), mas o que precisamos sempre ter em mente é que estamos falando de títulos disponibilizados gratuitamente em plataformas que não possuem os recursos necessários para rodar a tecnologia de ponta dos consoles da última geração.

Tecnicamente falando, os novos jogos de Harry Potter para celular pecam em inúmeros aspectos que deixam o jogador na mão quando não deveriam. Todavia, o que muita gente se esquece é que não dá para fazer milagre sem obter o mínimo feedback possível (sim, estamos falando de retorno financeiro). Ganhando-nos pela benevolência de atingir as grandes massas com um trabalho bonito que adapta, com fidelidade, toda a magia que já havia nos conquistado com o primeiro livro em 1997, “Animais Fantásticos: Mistérios” e “Harry Potter: Hogwarts Mystery” são um presente e tanto para quem sempre quis jogar um jogo da franquia, mas nunca teve um console em casa.

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Anúncios

Distribuindo referências, “A Babá”, da ‘Netflix’, é o filme perfeito para os amantes do terror e da comédia

Desde que o cinema moderno se aperfeiçoou no último meio século e nos apresentou a algumas das melhores obras já criadas pelo homem, o fascínio humano pelo obscuro apenas se expandiu cada vez mais. Se no passado nossos ancestrais precisavam usar a imaginação para decifrar os segredos escondidos em livros de mestres como Edgar Allan Poe, algumas décadas mais tarde seus sucessores puderam ver tudo ganhar vida bem diante de seus olhos. E assim continua até os dias de hoje!

Aproveitando a calorosa onda de terror que tem dado as caras por aqui (aliado ao fato de que finalmente ressuscitamos nossa mirradinha seção de resenhas cinematográficas), também trazemos desta vez outro grande lançamento do mês de outubro que mexeu com a cabeça de todos os órfãos de Alfred Hitchcock e Wes Craven. Disponível na Netflix desde a última sexta-feira 13 (13/10), A Babá (The Babysitter, no original) mal chegou na popular plataforma de streaming e foi certeiro ao reunir, em apenas um filme, todos os elementos primordiais que somente um verdadeiro clássico do horror tem a oferecer. Vem descobrir um pouco mais na resenha a seguir!

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Comédia com terror… dá certo?

Ainda que Judah Lewis e Samara Weaving sejam pouco conhecidos do público, o desempenho de ambos na produção é memorável

Se você, assim como nós do Caí da Mudança, sempre fica receoso quando vê o anúncio de um novo filme de terror, então com certeza já aprendeu a lidar com as abominações que vem nos “aterrorizando” de uns tempos para cá. Ok, este é um discurso que sempre repetimos quando falamos sobre a qualidade cinematográfica – e sabemos o quão chato é bater na mesma tecla incansavelmente –, mas, a indústria do horror se encontra numa situação tão delicada que fica difícil conter a empolgação após o lançamento de um título realmente bom. Não que bons filmes não tenham chegado aos cinemas nesses últimos anos, é claro – e aqui abrimos um parêntese para citar raridades como “Regressão” (2015) e “Quando as Luzes se Apagam” (2016). Porém, quem realmente acompanha os lançamentos da sétima arte e possui um senso crítico menos maleável não se encanta com qualquer produção, por maior que seja o seu marketing.

Outro detalhe que não pode passar despercebido é o fato inquestionável de que, muito mais do que qualquer outro gênero, somente o horror é capaz de fornecer aos seus desenvolvedores uma liberdade criativa que ultrapassa os limites do imaginário humano. Ramificando-se em subgêneros específicos que exploram, cada qual, uma faceta diferente daquilo que nos aflige mais medo ou tensão, por vezes é capaz de combinar-se a elementos que, juntos, intimidam a todos, sem fazer distinção. Um exemplo perfeito dessa junção de elementos está na já resenhada franquia “Evil Dead” (confira), na qual humor negro e gore se unem não apenas para tirar gargalhadas dos telespectadores, mas também para impressioná-los com suas fortes cenas de violência explícita. Até porque, convenhamos, nem só de “Halloween” (1978) e “Sexta-Feira 13” (1980) vivem os cinéfilos amantes do macabro!

Dados técnicos e sinopse:

Bella Thorne dispensa apresentações, não é mesmo?

Dando continuidade a este legado iniciado por Sam Raimi e Bruce Campbell, o veterano McG é o grande responsável por assinar a direção e produção do ora hilário, ora sanguinário “A Babá”. Aliado ao roteiro de Brian Duffield, à trilha sonora de Douglas Pipes e à coprodução de Mary Viola e Zack Schiller, o cara e sua equipe são bem competentes e parecem saber exatamente o que estão fazendo por detrás das câmeras – o que não é bem uma novidade, já que McGinty havia dirigido “As Panteras” (2000) e sua igualmente conhecida sequência (2003). Apesar de carregar uma ambientação bem descontraída claramente voltada para o público adolescente, o longa funciona bem para todas as idades (sendo que sua classificação indicativa, é claro, o aconselha para maiores de 16 anos). Transitando entre a comédia e o terror, chegou a ser bem aceito entre os críticos da mídia internacional, acumulando 71% de aprovação no Rotten Tomatoes – o que, por si só, já é um feito considerável para um filme do gênero.

Anunciado por alguns sites como “um ‘Esqueceram de Mim’ versão adulta”, logo em seus primeiros minutos “The Babysitter” nos apresenta ao clássico garoto desajustado de 12 anos que sofre bullying no colégio diariamente. Chamado de covarde por todos que cruzam seu caminho, Cole (Judah Lewis) precisa lidar com um importante detalhe que agrava ainda mais sua má reputação entre os valentões: ser o único menino de sua idade a ainda ter uma babysitter. A sorte do menino é que, ao contrário daquele clichê de babá dos cinemas que nunca se importa com seus protegidos, a descolada Bee (Samara Weaving) o trata com bastante respeito e reciprocidade. Questionado, certo dia, por sua melhor amiga Melanie (Emily Alyn Lind) se já notou um comportamento suspeito em Bee, Cole decide finalmente investigar se a moça é realmente tudo o que aparenta ser. Se ao menos ele imaginasse o que fosse encontrar…

Confira o trailer legendado de “A Babá”

Aliada ao atleta Max (Robbie Amell), à gótica Sonya (Hana Mae Lee), à cheerleader Allison (Bella Thorne) e ao cômico John (Andrew Bachelor aka King Bach), Bee é a líder de um culto que garante realizar os sonhos mais desesperados de seus membros. Contudo, nem tudo vem de graça, e é claro que um dos requisitos para o ritual satânico que promete cumprir o almejado não poderia ser outro senão o sacrifício humano. Vendo-se preso em casa, em menor número e a alguns cômodos de distância desse grupo totalmente incomum, Cole precisará lidar com as limitações de sua pouca idade para contornar os obstáculos que se colocam entre a porta de seu quarto e a saída. Se ele sairá ileso dessa missão quase impossível você só descobre dando play lá na Netflix!

Um clássico moderno em pleno 2017:

Bella Thorne, Robbie Amell, Samara Weaving, Hana Mae Lee, Andrew Bachelor e Judah Lewis: o elenco de “A Babá” 

Transparecendo, em seus primeiros vinte minutos, um clima bem água com açúcar que é típico das comédias adolescentes, “A Babá” não poupa nos efeitos especiais e nos entrega um banho de sangue inesgotável nos dois terços restantes. O derramamento é tamanho que, em dado momento, a impressão é a de que a tela de nosso PC ou TV sairá tão vermelha quanto o rosto do jovem Cole. Tornando-se cada vez mais tenso conforme o enredo vai se desenrolando, é interessante notar as referências minuciosas que aparecem para nos imergir ao que é proposto. Seja pela citação a clássicos do cinema como “Alien” (1979) e “Predador” (1987) ou pela menção honrosa de ícones da TV como “Star Trek” (1966) e “Mad Men” (2007), a obra de McG é rica em informações e não deixa a desejar, revelando-se um verdadeiro tributo à cultura pop. Tem até um breve (mas inteligente) remember do efeito sonoro que anuncia a chegada do Jason Voorhees.

Estrelado por sensações de Hollywood (como Bella Thorne) e por revelações prodígios (como Samara Weaving e Judah Lewis), “The Babysitter” acerta (e muito) na escolha de seu elenco. A produção, que também traz como coadjuvantes Hana Mae Lee (de “A Escolha Perfeita”), Andrew Bachelor (de “Punk’d”) e Robbie Amell (de “The Flash”), é, inclusive, o ponto de reencontro entre Amell e Thorne, que haviam contracenado anteriormente no já resenhando “The Duff” (relembre). Compartilhando uma sintonia magistral, é muito prazeroso ver o quanto cada ator se entrega de corpo e alma ao papel que assumiu. Apesar de Weaving roubar a cena e nos deixar apaixonados por sua beleza e carisma imediatos, o cast de apoio brilha tanto que, por vezes, não sabemos se estamos torcendo para os mocinhos ou para os vilões. A cereja do bolo, por exemplo, fica com Mae Lee e sua eficiência para dar vida à insana Sonya.

De todas as observações positivas que levantamos no decorrer desta resenha, talvez o único ponto que deixe um pouco a desejar (principalmente para os fãs) esteja a aparição bem breve de Bella Thorne – que, graças ao peso de seu renome, carregou sozinha a divulgação do longa nas mídias sociais. Entretanto, mesmo que não tenha aparecido tanto em cena (quantitativamente falando), seu destaque não poderia ter sido mais divertido. Com apenas 85 minutos (1h25min) de duração, “A Babá” é a escolha perfeita para quem procura por uma atração objetiva que sabe exatamente para o que veio. Dominando com experiência os elementos indispensáveis que separam os bons filmes de terror dos ruins, McG não poderia ter nos presenteado com um lançamento tão clássico em pleno finzinho de 2017. Um presentão de Natal para quem estava ansioso para assistir a um espetáculo realmente interessante!

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Após anos de espera, “Amityville: O Despertar” finalmente é liberado, mas aniquila nossas expectativas

Não há muito que possamos fazer quando um projeto até então dado como certo passa a ser adiado inúmeras e inúmeras vezes, não é mesmo? Seja pelo orçamento apertado, sejam por cláusulas contratuais burocráticas, incontáveis obras do cinema, da música e da televisão já sofreram o pão que o diabo amassou antes de finalmente ver a luz do dia (isso quando, de fato, o conseguiram). Sem termos a certeza de que, um dia, seremos contemplados com o seu lançamento oficial, muitos destes materiais se tornaram lendas vivas que atiçam a nossa curiosidade até hoje.

Seguindo por este caminho tortuoso de tristes expectativas e incertezas, Amityville: O Despertar (The Awakening, no original) é o mais recente título de uma extensa lista de sobreviventes que conseguiram, com muito custo, sair do papel para a nossa realidade. Finalizado desde 2014, o aguardado longa-metragem passou por inúmeras sessões de edição até finalmente ser liberado nas vésperas do Halloween passado (28/10). Agora protagonizando a nossa publicação da vez, você confere, a seguir, quais foram as nossas principais ponderações sobre este filme que, por pouco, não acabou engavetado.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Precedentes, original de 79 e remake de 2005:

A queridinha do público Bella Thorne é quem protagoniza o novo longa de uma das franquias mais antigas do terror

Todos já estão cansados de saber que indústria cinematográfica vive um difícil momento em que elementos imprescindíveis, como um roteiro bem escrito, são esporadicamente deixados de lado para se priorizar detalhes não tão importantes assim. É claro que, vez ou outra, somos contemplados com pérolas inesperadas que realmente acertam em seu conjunto, mas, tem sido cada vez mais difícil encontrar longas-metragens originais que nos cativem de imediato pela magia de seu enredo. Não poderia ser diferente, é claro, com o horror, que não apenas se encontra carente de novidades como vem reciclando, já há algum tempo, a antiga e nem tão infalível assim fórmula dos remakes, sequências e prequelas.

Se somente neste ano conferimos nos cinemas os herdeiros mais jovens de clássicos como “Alien” (1979) e “It” (1990), ainda em 2017 pudemos presenciar o renascimento de um cult responsável por remodelar tudo o que conhecemos sobre filmes de casas mal-assombradas: o intrigante “Terror em Amityville” (1979). Dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por James Brolin e Margot Kidder, o terror sobrenatural setentista não fez feio ao dar o pontapé inicial para uma franquia que conta, atualmente, com 18 títulos entre filmes lançados nos cinemas e diretamente em vídeo. Você certamente, é claro, já deve ter assistido ao remake de 2005, com o Ryan Reynolds e a Chloë Grace Moretz, mas, não é desta refilmagem massacrada pela crítica especializada que estamos falando desta vez (ainda que “O Despertar” não tenha sido tão bem recebido assim).

Acumulando baixíssimos 18% de aprovação no Rotten Tomatoes e 42/100 no Metacritic, o novo Amityville, apesar de sustentar alguns furos cruéis que poderiam ter sido facilmente evitados, não é de todo ruim; e se comparado a outros projetos de franquias famosas como “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), ainda está muito além de diversas bombas que explodiram nos últimos anos. Entretanto, antes de entrarmos no mérito da questão, convém recapitularmos algumas décadas no tempo para relembrar os exatos acontecimentos da vida real que inspiraram um dos títulos mais respeitados pelos amantes deste gênero.

Realidade x ficção… a genialidade dos metafilmes:

Imagem promocional de “Amityville: O Despertar” que dá destaque à tão temida casa situada no nº 112 da Ocean Avenue

O ano é 1974 e Ronald DeFeo Jr, até então com 23 anos, comete um dos assassinatos mais brutais da história dos EUA durante a madrugada do dia 13 de novembro. Munido de um rifle Marlin 336c, o filho mais velho de Ronald e Louise não pensou duas vezes antes de adentrar o quarto de cada membro da família e, sem dó ou piedade, disparar contra as seis pessoas que adormeciam sob o 112 da Ocean Avenue, em Amityville, Nova Iorque. Alegando insanidade, pois teria cometido o crime após ouvir “as vozes de suas vítimas conspirando contra si”, DeFeo foi levado a julgamento e acabou condenado a seis penas de 25 anos cada. Ele permanece até hoje recolhido num presídio de segurança máxima localizado em Fallsburg, Nova Iorque. Apesar de todos os títulos da franquia exagerarem na hora de misturar fantasia com realidade, estes são os principais fatos vinculados ao caso que correu na Justiça norte-americana um ano depois, em 1975.

Sendo este o Amityville de maior visibilidade desde o remake de 2005 (outros oito filmes foram liberados nesse meio tempo), “O Despertar” nos introduz a uma técnica bem interessante e pouco explorada pelas atuais sequências dos grandes clássicos do terror. Isso porque o seu roteiro obedece às técnicas de um metafilme, ou seja, um filme derivado de um filme. Logo, os eventos narrados no longa se passam no mundo real, totalmente à parte da linha cronológica proposta por qualquer dos demais Amityville, que são todos retratados como ficção. É claro que existem diversas similaridades necessárias entre este e seus lançamentos antecessores (até porque estamos falando de um filme de terror), mas, logo fica claro que estes pontos de encontro entre passado e futuro vêm bem a calhar. Um exemplo de metafilme que deu super certo é o aclamado “A Hora do Pesadelo 7” (1994), do mestre do horror Wes Craven.

Sinopse e dados técnicos:

Em estado vegetativo por dois anos, James Walker progride da noite para o dia quando a família se muda para a assombrosa casa do filme

Em “Amityville: The Awakening”, Belle (Bella Thorne) se muda com a mãe (Jennifer Jason Leigh), a irmã mais nova (Mckenna Grace) e o irmão gêmeo debilitado (Cameron Monaghan) para uma grande casa colonial situada na famigerada vila de Amityville. Alegando que o novo endereço se encontra mais próximo da casa de uma tia dos garotos (Jennifer Morrison) e da clínica onde James faz tratamento, Joan esconde das filhas o histórico macabro que somente o nº 112 da Ocean Avenue tem a contar. Aterrorizada pelos eventos sobrenaturais vinculados ao irmão que têm se manifestado todas às noites, às 3h15min, Belle não demora para descobrir a verdade e se vê, sozinha, lutando contra um antigo mal que permaneceu adormecido por 40 anos.

Com uma receita bem tímida que atingiu os 7,4 milhões mundialmente (o orçamento é desconhecido), o lançamento de “O Despertar” se deu de maneira bem limitada, quando entrou em cartaz em alguns cinemas dos EUA no dia 28 de outubro e estreou em DVD, Blu-ray e HD Digital em 14 de novembro. Pronto desde 2014, o trabalho sofreu inúmeros adiamentos antes de ser finalmente liberado neste ano, sendo a censura uma das causas principais. Inicialmente classificado como rated R (proibido para menores de 17 anos), o filme originalmente anunciado para janeiro de 2015 sofreu restrições de idade com o passar dos meses e, após diversas edições, foi lançado sob o selo PG 13 (não aconselhável para menores de 13 anos). No Brasil, é permitido para maiores de 14 anos. Com duração de 87 minutos (1h27min), a produção da Blumhouse Productions recebe a direção do também roteirista Franck Khalfoun e combina terrorsuspensemistério.

Confira o trailer legendado de “Amityville: The Awakening”

Uma infinidade de pontas soltas:

Juliet (Grace) e Belle (Thorne) são as vítimas que mais sofrem no novo Amityville

Apesar de explorar assuntos bem interessantes, como a síndrome do encarceramento – e até mesmo incluir uma nova versão para a memorável cena do enxame de moscas –, o longa é confuso e nos entrega diversas pistas que não nos levam a lugar algum. Passagens bíblicas até chegam a ser citadas, mas sem um propósito ou finalidade. A religião em si, que a princípio poderia ter oportunizado a exibição de flashbacks ou de diálogos mais esclarecedores, apenas marca presença para logo ser deixada de lado. Aliás, é exatamente pela falta de uma explicação mais convincente envolvendo a fé na vida das personagens que a trama alcança seu clímax de maneira muito, muito apagada. E isso tudo, é claro, se dá graças à atuação bem mediana de Jennifer Jason Leigh, a matriarca da família, e à má construção de sua persona (neste último caso, é claro, por culpa do roteiro).

Pouco convincente, Leigh nos apresenta à uma viúva inexpressiva que parece ter passado os últimos anos de sua vida trancafiada em uma instituição para loucos. Tudo bem, é de se esperar que Joan tenha vivido o inferno na Terra após os eventos que deixaram seu filho em estado vegetativo por dois anos, mas, é indesculpável o descaso que ela projeta em suas outras filhas, Belle e Juliet. Em termos de maternidade, a Sra. Walker apenas perde para Margaret White, a mãe de Carrie (a Estranha).

E já que o assunto é deslize, outra escorregada bem feia e que merece destaque está no sumiço inexplicável das únicas pessoas que parecem levar Belle a sério: Terrence (Thomas Mann) e Marissa (Taylor Spreitler). Uma vez que nossa protagonista sofreu diversos problemas para se ajustar no início do longa, era de se esperar que os colegas ao menos apontassem a cara para dar um grito ou dois nas cenas finais…

Porém, nem tudo são tropeços:

Cameron Monaghan está incrível em todas as suas aparições

O ponto alto de “The Awakening” sem sombra de dúvidas está na atuação bem satisfatória de Cameron Monaghan e Bella Thorne, que para gêmeos, não chegam a desenvolver uma simbiose fenomenal, mas mergulham de cabeça ao projeto proposto. Monaghan, que pode ser visto em séries de TV como “Shameless” e “Gotham”, convence rápido e transmite com competência toda a aflição vivenciada por sua personagem zumbi. Enquanto nas duas primeiras metades do filme sua expressão facial ilustra com bastante honestidade toda a angústia de James para com sua triste condição, no terço restante o ator encarna uma perversidade que beira à psicopatia do próprio Ronald DeFeo. É sério, o cara manda muito bom no que faz!

Bella Thorne, por sua vez, tão familiarizada a retratar bad girls em inúmeros projetos para a televisão e o cinema (“The Duff”, “Scream”, “The Babysitter”), repete aqui sua faceta mais frágil (“Famous in Love”) e logo monopoliza a empatia imediata do público. Não que seu trabalho se equipare ao de lendas como Meryl Streep ou de estrelas promissoras como Emily Blunt, mas, não podemos negar que a moça tem carisma e desenvolve com maestria tudo que lhe é demandado. Tanto o é que Bella se sobressai em praticamente todo o longa, talvez apenas pecando quando chega o momento de dar vida à garotinha acanhada e de maquiagem pesada que se exclui socialmente – convenhamos que Bella Thorne sustenta uma certa imponência que a impede de ser vista como uma mera menina desajustada.

À exceção de dois ou três jumpscares horríveis que beiram o ridículo, “O Despertar” é bem razoável e até que cumpre o seu papel como título da franquia Amityville. Apesar de a revelação final ser uma das mais toscas que você verá nesta nova leva de filmes de terror, o seu desenvolvimento é eficaz o bastante para entreter sem entendiar. O maior problema de todos, e isso fica claro em menos de meia hora de filme, está nas inúmeras edições posteriores feitas para amenizar a fenomenal ambientação sombria que pudemos acompanhar no primeiro trailer do longa, liberado lá em 2014. O resultado final, certamente, teria sido bem diferente se não o tivessem censurado tanto…

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

#CoopGeeks: 5 filmes de terror que quase chegaram lá

O que vem à sua cabeça quando você ouve ou lê a expressão “um bom filme de terror”? Se seu cérebro ficou dividido entre os memoráveis slasher dos anos 70 e 80 (“O Massacre da Serra Elétrica”, “Halloween”, “Sexta-feira 13”) ou entre as lendas do horror psicológico de décadas e décadas atrás (“Psicose”, “O Exorcista”, “O Iluminado”), saiba que é porque você já foi apresentado a algumas obras-primas que, felizmente, eternizaram-se no cenário do cinema internacional e foram condecoradas com muito prestígio ao decorrer dos últimos 50 anos.

Porém, vez ou outra nos deparamos com alguns títulos que, por mais que não tenham um grande reconhecimento de público ou de crítica, não fizeram tão feio e nos passaram aquela sensação de quase terem chegado lá. Seja por seus enredos instigantes, seja pela sua pesada ambientação, muitas dessas produções podem até deixar a desejar em algum requisito ou outro – o que, de qualquer maneira, não diminui o mérito por terem se tornado quase-clássicos de um gênero tão oscilante como o terror. Filmes que, por alguma razão, não receberam (mas mereciam) um pouquinho mais da nossa atenção.

Assim, fizemos algumas buscas pela internet e reunimos, a seguir, 5 longas-metragens injustiçados que você provavelmente não conhece (e pode até já ter ouvido falar), mas que, definitivamente, valem a pena ser conferidos um a um:

5 FILMES DE TERROR QUE QUASE CHEGARAM LÁ

Sem muito blá-blá-blá, Pink e Justin Timberlake liberam suas novas músicas de trabalho! Já ouviu?

Coincidência ou não, é indiscutível que 2016 tem se mostrado o grande ano de retorno de alguns dos mais bem-sucedidos artistas da última década. Após sermos contemplados com os novos discos de Rihanna, Gwen Stefani e Beyoncé (e isso sem mencionar os constantes boatos que envolvem os futuros projetos de Britney Spears, Christina Aguilera e Lady Gaga para ainda o próximo semestre), é chegado o momento de dois dos maiores veteranos que fizeram bastante barulho pelos anos 2000 finalmente revelar quais têm sido seus mais recentes passos pela indústria musical.

E, assim fomos surpreendidos com “Just Like Fire”, a nova música de trabalho da Pink. Sucedendo “The Truth About Love” (o sexto álbum de estúdio da cantora, de 2013) e “Today’s the Day” (faixa que a norte-americana gravou em 2015 para a trilha-sonora do “The Ellen DeGeneres Show”), a novidade serve como carro-chefe para “Alice Através do Espelho”, a sequência do prestigiado “Alice no País das Maravilhas”, de 2010. Aguardado para o dia 27 de maio nos EUA (e um dia antes aqui, no Brasil), o longa-metragem que foi dirigido por James Bobin (e conta com Tim Burton como um de seus produtores) traz o já conhecido elenco formado pelos consagrados Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter e Alan Rickman (R.I.P.).

Pink em imagem promocional para o single “Just Like Fire”

Composta pela própria Pink ao lado de Max Martin, Shellback e Oscar Holter (o trio que também assina a produção do single), “Just Like Fire” se orienta pelo característico pop-rock que é a marca registrada da musicista e foi lançado pela “RCA Records” (gravadora da loira) em parceria com a “Walt Disney Records” (o selo oficial da produtora do filme). Liberada no último 15 de abril, até o fechamento deste post a canção havia atingido a posição #30 da “Billboard Hot 100” – isso nos EUA, pois na Austrália ela abocanhou o #1 logo após estrear em #2. Com um vídeo dirigido por Dave Meyers (figurinha carimbada na videografia da moça que já havia contribuído para diversos outros trabalhos como “Don’t Let Me Get Me” e “So What”, por exemplo), as gravações ganharam o YouTube no dia 9 maio e, além de destacar a própria Pink imersa nos nostálgicos cenários do filme, divide o seu foco entre o marido e a filha da cantora (o resultado pode ser conferido no player mais abaixo).

Menos de um mês depois, foi a vez do segundo ícone pop em destaque nesta publicação deixar o quarto disco de sua carreira para trás (o “The 20/20 Experience – 2 of 2”, de 2013) e caprichar no que seria o seu tão bem recepcionado comeback para as rádios internacionais. Promovendo a animação “Trolls”, da “DreamWorks”, “Can’t Stop the Feeling!” é a primeira faixa inédita de Justin Timberlake desde “Love Never Felt So Good” (dueto póstumo com o Michael Jackson lançado em maio de 2014). Prevista para o dia 4 de novembro deste ano, a nova produção anunciada como “dos mesmos criadores de Shrek” foi inspirada nos populares bonecos dinamarqueses de mesmo nome e que fizeram bastante sucesso aqui no Brasil entre as décadas de 70 e 90. Além do ex-integrante do NSYNC, estão no elenco do desenho animado Anna Kendrick, Gwen Stefani, Icona Pop, James Corden e Zooey Deschanel.

Produzida por Shellback, Max Martin e seu vocalista, “Can’t Stop the Feeling!” recebeu a composição dos dois últimos e chegou a ser divulgada pela “RCA Records” no último dia 6 deste mês. Combinando pop com funk e a música disco das décadas de 70/80, o single estreou em #1 na “Terra do Tio Sam” e alcançou, até o fechamento deste post, o top 3 do Reino Unido, em #3. Bem recebida pela crítica, a canção teve seu primeiro clipe (o intitulado “first listen”) lançado um dia antes da estreia oficial e inclui diversos membros do elenco (como Kendrick, Corden e Stefani) dançando e improvisando diante das lentes das câmeras (assista). Uma segunda gravação, dirigida por Mark Romanek (“Scream”, de Michael Jackson com Janet Jackson; e “Shake It Off”, de Taylor Swift), foi liberada na noite desta segunda-feira, 16/05 (o qual também pode ser visto mais abaixo).

O clipe oficial de “Just Like Fire”, o tema do longa-metragem “Alice Através do Espelho”

Como já poderia ser previsto, “Just Like Fire” repete a fórmula anteriormente experimentada por Pink em seus últimos sucessos e, apesar de não nos introduzir a nada muito inédito, chama a atenção do ouvinte por seus vocais não menos que memoráveis. Não é novidade para ninguém que, de uns anos para cá, a popstar facilmente se consolidou como uma das vocalistas mais poderosas do meio musical – então, já era de se esperar que seus futuros projetos acabariam sendo marcados pelo vozeirão de sempre da intérprete de “Raise Your Glass”. Como se fizesse uma recapitulação de tudo que já conferimos em sua extensa discografia, o carro-chefe da trilha sonora de “Alice Através do Espelho” pode até não ser a faixa mais brilhante já gravada pela cantora, mas, vem para, mais uma vez, nos relembrar da importância de um nome que fez história por combinar criatividade com excentricidade. Transbordando bastante bom humor, o vídeo que promove o longa exterioriza naturalmente o lado cômico de Alecia Moore e acerta ao dar destaque ao que de melhor ela sabe fazer: entreter o público com um espetáculo de qualidade.

O clipe oficial de “Can’t Stop the Feeling!”, o tema da animação “Trolls”

Não muito diferente, o eterno “Príncipe do Pop” não fica nada atrás ao trazer consigo a candidata perfeita para “um dos maiores hits do ano”. Com uma pegada bem chiclete que faz de “Can’t Stop the Feeling!” um hit instantâneo, Justin caprichou nos estúdios de gravação e veio com tudo ao nos entregar o que pode se tornar a grande sucessora de “Happy”, do Pharrell Williams (o tema de “Meu Malvado Favorito 2”). Partindo para um caminho menos introspectivo que havia se sobressaído em ambas as partes do “The 20/20 Experience”, a nova de Timberlake quebra o R&B que tem sido a sua principal arma desde o seu debut album (de 2002) e o introduz para uma sonoridade muito mais eletrônica (algo pouco visto em seu experiente catálogo). Porém, mesmo brincando com uma temática bem mais mainstream que o habitual, é inegável que, assim como “Just Like Fire”, o novo single do veterano continue exalando a identidade única de seu intérprete – e, ainda que soe diferente de tudo que já liberou para o mercado fonográfico, permaneça fiel a qualquer outro material que assinou ao longo dos últimos 20 anos.

De certa maneira, não há como prever se as atuais músicas de trabalho de Pink e Justin Timberlake irão refletir no som de seus futuros projetos (ainda mais por se tratarem de faixas lançadas para trilha-sonora de filmes, e não lead-singles de álbuns), mas, mesmo que isso não aconteça, é de se esperar que muita coisa boa esteja por vir. Para quem já estava cansado das mesmices que rolaram por estes últimos cinco anos e sentiu saudades do pop que dominou a década passada (e convenhamos que foram poucas as novidades que chegaram aos pés dos hinos insubstituíveis de longínquos 10 anos), talvez o inesperado 2016 seja o novo 2006. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.