O que podemos esperar de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Em meio a tantas críticas à “Warner Bros.” por ter publicado uma prévia tão sucinta e pouco reveladora em dezembro do ano passado (o chamado “trailer de apresentação”), diversas foram as queixas redirecionadas a “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o novo spin-off de Harry Potter que será recontado 70 anos antes da história principal (você pode ler mais sobre o assunto por meio desta matéria especial que escrevemos para o Co-op Geeks). Porém, quatro meses depois, a distribuidora estadunidense decidiu deixar o mistério de lado e nos entregou, de bandeja, o primeiro teaser completo do que encontraremos em sua mais recente grande aposta para os cinemas de todo o planeta.

Com estreia programada para o dia 18 de novembro nos EUA e no Reino Unido, respectivamente (em território nacional o longa deverá chegar um dia antes), na publicação de hoje decidimos analisar os dois primeiros trailers do filme estrelado por Eddie Redmayne e relacionar mais abaixo muito do que temos especulado sobre esta nova era mágica. Assim, selecionamos a seguir seis motivos que certamente ajudarão na nossa preparação para o que vem pela frente – e, quem sabe, clarear as ideias de todos aqueles que ainda não sabem o que pensar da trilogia inédita que teremos o prazer de conhecer em pouco mais de seis meses. Vem com a gente:

1. Roteiro original de J.K. Rowling:

J.K. Rowling, a escritora de “Harry Potter”

Se estivéssemos nos preparando para assistir a um filme inspirado no universo Harry Potter que contasse com qualquer outro roteirista do mundo, por mais aclamado que fosse, provavelmente muitas dessas críticas e medos seriam no mínimo razoáveis. Mas, felizmente, este não é o nosso caso. Isso porque a própria criadora de toda essa franquia esmagadora é a responsável pelo roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” – o que deveria, por si só, trazer uma segurança maior a qualquer fã ou admirador do bruxinho mais amado de todos os tempos. Quem melhor senão a mãe de Harry e seus amigos para decidir quais serão os próximos passos da série criada por ela mesma?

É claro que, se observarmos o passado por um ângulo mais crítico, não podemos nos esquecer que foi a própria J.K. quem decidiu tomar diversos caminhos cruéis durante o desenrolar de sua trama literária original (especialmente no que se refere a aniquilar alguns de nossos personagens preferidos). Todavia, no geral, Rowling não é de desapontar – e nós temos certeza que esta não será a primeira vez que a britânica pisará na bola.

2. Direção de David Yates:

Cena final de “Relíquias da Morte: Parte 2”, filme dirigido por David Yates

De fato, o senhor Yates (o cara responsável pelos quatro últimos Harry Potter) pode não ter sido a primeira opção para dirigir “Animais Fantásticos”, mas, o que muita gente não sabe é que, antes dele, outra figurinha carimbada chegou a ser cogitada para dar vida ao novo longa-metragem: Alfonso Cuarón. Após desmentir os rumores que rondavam os preparativos do spin-off em maio de 2014, a recusa do grande nome por trás de “O Prisioneiro de Azkaban”, inegavelmente, levou J.K. e os produtores do novo projeto a ninguém menos que o diretor de “A Ordem da Fênix”, “O Enigma do Príncipe” e “As Relíquias da Morte Partes 1 e 2”.

Alguém mais consegue notar esta estranha coincidência? Ao nosso ver, a busca por um profissional que já tenha dirigido outros títulos da série, definitivamente, mostra a grande preocupação que a equipe de produção está tendo de, ao menos, manter um mínimo de fidelidade aos antecedentes que vem construindo desde 2001. Em poucas palavras: se você quer ter uma ideia da direção que “Animais Fantásticos” irá tomar, basta checar o caminho feito pelos quatro últimos filmes da franquia. Por mais que tenha uma história completamente independente e diferente das aventuras do “Menino que Sobreviveu”, toda a parte visual deverá estar lá, mais uma vez transbordando criatividade e nos fazendo mergulhar de cabeça por esta eletrizante viagem pela magia dos cinemas.

3. Eddie Redmayne como ator principal:

Eddie Redmayne em ensaio promocional para o filme “A Garota Dinamarquesa”

Se você ainda não assistiu a qualquer filme que traga Eddie Redmayne em seu elenco (seja principal, seja de apoio), então já passou da hora de fazer uma rápida busca pelo Google e se ligar aos resultados que encontrará à sua disposição. Aclamadíssimo não apenas pela crítica, mas também pelo público e pelas incontáveis premiações de prestígio, vale dizer que, só para você ter uma ideia, Eddie chegou a estrear dois dos maiores lançamentos destes últimos dois anos: “A Garota Dinamarquesa” e “A Teoria de Tudo” – aliás, não foi em vão que este rendeu a Redmayne o “Oscar” de “Melhor Ator” na edição de 2015 do evento.

Agora sob a pele de Newt Scamander, a pressão para repetir os saudosos feitos do passado é grande, mas, definitivamente, não impossível. Interessante notar também que, pela primeira vez na História, as adaptações de Harry Potter para os cinemas decidiram apostar em um jovem talento que, diferente dos principais astros da trama de oito filmes, não fosse um estranho completamente alheio do público (como Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que puderam ver suas carreiras decolar em razão da própria franquia). Estaria a equipe por trás do spin-off interessada em aliar o impressionante histórico de Eddie a toda grandiosidade deste novo projeto e fazer desta a maior estreia cinematográfica de um filme Harry Potter?

4. Referências a outros filmes da série Harry Potter:

Captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos” mostra os pertences pessoais de Newt Scamander (detalhe para o cachecol da Lufa-Lufa, casa a qual o bruxo pertenceu quando estudou na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts)

Apesar de não ter nem dois minutos de duração, o pouco tempo de “Animais Fantásticos” que pudemos conferir no primeiro trailer do longa (assista) já foi o suficiente para fazer três referências ao antigo universo Harry Potter – e convenhamos que, naquela época, o filme ainda estava em produção (ou seja, o estúdio tinha pouco material para exibir).

A começar pelo marcante “Lumos Maxima” (o mesmo da abertura de “O Prisioneiro de Azkaban”), o trailer de apresentação nos levou a duas outras cenas marcantes que nos remetem ao universo do bruxinho nas telonas dos cinemas: os efeitos especiais usados em menos de 20 segundos de vídeo (que nos fazem lembrar das demais introduções elaboradas pela “Warner” de quando a magia do cenário se mexia para formar o logo da produtora) e a trilha sonora de John Williams (sim, a faixa utilizada a partir de 1min20s é uma versão editada de “Hedwig’s Theme”, a mesma de “A Pedra Filosofal”).

Os quatro protagonistas do longa-metragem

Partindo para o segundo trailer do longa-metragem (assista), é dito que Newt foi expulso de Hogwarts por ter “colocado em risco a vida humana com um animal”, apesar de “um dos professores ter contestado firmemente a sua expulsão”. E quem seria melhor para fazer isso senão o super idolatrado Alvo Dumbledore? Pronunciando claramente o nome do diretor mais amado que o mundo bruxo já teve, é especulado, inclusive, que o querido personagem poderá fazer uma aparição em algum título da futura trilogia (não necessariamente no primeiro) – e como o spin-off se passa 70 anos antes do original, não espere por Michael Gambon no papel.

5. Novas criaturas criadas especialmente para o filme:

Pelúcio em captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos”

Ainda no segundo trailer do filme, “Animais Fantásticos” nos apresenta ao tão falado pelúcio (niffler, no original) e ao que foi chamado de swooping evil (investida maligna, em tradução livre). Todavia, apesar de o primeiro ser um animal já mencionado não apenas no livro didático escrito por Rowling (em 2001) como também em “O Cálice de Fogo”, o segundo é uma fera inteiramente nova criada especialmente para os cinemas. Se seguirmos esta lógica, não deverá demorar muito para que novos trailers sejam liberados no decorrer dos próximos meses e peguem para si a missão de nos trazer muitas outras novidades sobre o que nos aguarda lá em novembro.

Você pode ler mais sobre o pelúcio e o swooping evil através desta matéria publicada pelo site Potterish.

O segundo trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

6. Um spin-off literário pode acontecer:

A capa britânica de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o livro didático escrito por Rowling em 2001

Talvez estejamos sonhando alto demais ao cogitar esta possibilidade, mas, confesso que estaríamos sendo completamente insensatos se não levantássemos esta teoria e pensássemos um pouquinho não apenas nos milhares de fãs que a franquia tem espalhados por todo o globo, mas também no gigantesco lucro que poderia ser gerado de seus bolsos.

Ok, leitores, pensem com a gente: como já foi dito mais acima e repetido diversas vezes, o roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” está sendo desenvolvido pela própria J.K. Rowling, não apenas a criadora do universo Harry Potter, mas também uma respeitada escritora de longa data. Se o roteiro do filme que veremos em novembro de 2016 está sendo projetado por uma autêntica escritora (e não uma mera roteirista), seria mesmo viável para a dona Jo desperdiçar o trabalho depositado em uma grande produção cinematográfica sem ao menos lançar algo oficial do conteúdo para as páginas dos livros? Afinal, o roteiro está ali, 100% à sua disposição, e convenhamos que liberá-lo em um formato alternativo, como no dos demais livros da série, não seria nenhum esforço incabível (sem falar que aumentaria descomunalmente a promoção e divulgação em cima desta nova trilogia).

Swooping evil em cena do segundo trailer do filme

Foi isso que aconteceu com “Cursed Child”, a peça teatral que teve seu script transformado no 8º livro da série e deverá ganhar as prateleiras das lojas ainda este ano. Sejamos francos: é claro que não apenas a “Warner” como a própria J.K. ou sua editora já deve ter pensado em fazer o mesmo com a história de Newt Scamander há muito, muito tempo! Sonhar nunca é demais, mas, infelizmente, enquanto nada é confirmado, tudo que nos resta é esperar sentados.

ATUALIZAÇÃO (27/04): O Pottermore confirmou, em 26/04, que o roteiro do filme será lançado como livro um dia depois da estreia internacional, ou seja, 19 de novembro. A estreia no Brasil, traduzida, ainda é desconhecida.


Estes foram os nossos primeiros palpites para “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, a nova produção da “Warner Bros.” que se passará no mesmo universo Harry Potter, mas 70 anos antes. E os seus? Conte-nos no espaço para comentários a seguir tudo o que você tem esperado para o novo filme e quais são as suas expectativas para esta nova era que está prestes a se iniciar.

Quer saber mais sobre o filme? Então não deixe de conferir nossa primeira publicação com diversos detalhes técnicos sobre o longa-metragem. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Descanse em paz, Alan Rickman, o nosso eterno Príncipe Mestiço

Foi completamente inconformado que recebi, mais cedo, a notícia de que Alan Rickman, um dos grandes nomes por trás da franquia Harry Potter nos cinemas, falecera aos 69 anos após uma intensa luta contra o câncer. Ganhador do “Globo de Ouro” e estrela de outros filmes de sucesso, como “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões”, “Duro de Matar”, “Perfume – A História de um Assassino” e “Alice no País das Maravilhas”, o ator britânico ficou mundialmente conhecido por ter dado vida ao tão odiado, amado e incompreendido diretor da casa Sonserina: o Professor Snape.

Quem já leu os livros da J.K. Rowling ou, ao menos, assistiu aos longas-metragens produzidos pela “Warner Bros.”, sabe que além de um ícone, Severo Snape foi uma das peças fundamentais na luta do bem contra o mal (tendo, para isso, lutado em defesa de ambos os lados em diversos momentos de sua vida). Assumindo o papel de forma primorosa e conseguindo caracterizar cada pequeno detalhe inserido neste personagem tão instigante, é de cortar o coração que o mundo tenha amanhecido, hoje, muito mais gelado sem a presença desta lenda dos cinemas, dos teatros e de nossas vidas.

Descanse em paz, nosso eterno Príncipe Mestiço.

#CoopGeeks: “Artigo – Tudo o que você precisa saber sobre Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Quem me acompanha por aqui há mais tempo provavelmente já tem conhecimento da minha parceria com o Co-op Geeks: o site de entretenimento geek que dedica muito do seu tempo atualizando o leitor com as melhores notícias, artigos, vídeos e conteúdo informacional que pode ser encontrado pela internet. Esporadicamente, eu dou as minhas caras por lá, e como já combinado anteriormente, faço uma curta chamadinha os comunicando com o que de interessante foi publicado lá no site da comunidade Co-op.

Depois de falar bastante sobre “Yu-Gi-Oh!”, um dos meus animes favoritos dos tempos de criança, chegou o momento de deixar o passado um pouquinho de lado para discorrermos sobre as maravilhas que nos aguardam no futuro. Isso porque há algum tempo foi finalmente revelado o 1º trailer oficial de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, a nova trilogia da “Warner” que se passará no mesmo universo Harry Potter, mas há 70 anos. Contando as aventuras de Newt Scamander, o novo protagonista da trama, a superprodução que é esperada para o dia 17 de novembro de 2016 conta com roteiro da própria J.K. Rowling (a escritora e criadora da franquia) e direção de David Yates (o mesmo dos últimos quatro filmes da série).

Falando um pouquinho sobre a sinopse, a obra homônima que serviu de inspiração para o filme (e que vocês podem conferir um pouquinho mais com o nosso “Animais Fantásticos e Onde Habitam: vale a pena ler?”), o personagem principal, o elenco e outras observações gerais, o meu novo artigo já está disponível para leitura no Co-op Geeks e pode ser acessado por meio do link a seguir. Você não vai perder essa, não é mesmo?

CLIQUE AQUI PARA LER: “TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM”

Os decisivos reflexos de Harry Potter na minha vida e para onde tudo isso me levou

Acho que vocês já devem ter percebido que tem um bom tempinho que o quadro “Papo Cabeça” (o espaço no qual eu deixo as formalidades de lado e parto para uma conversa mais informal) não dá as caras por aqui em uma publicação mais completa ou intimista. Dessa forma, reforçando-o e trazendo de volta essa importante parte do Caí da Mudança, o post de hoje será o grande responsável por levar até vocês um pouquinho mais sobre mim e sobre algumas das coisas que já conduzi em minha vida. Porém, a conversa da vez não seria completamente honesta se eu não começasse nossa alucinante viagem pelos fabulosos terrenos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts com um breve (bom, quase breve) desabafo pessoal.

Confesso a vocês, caros leitores, que, desde o primeiro instante que tive a ideia de criar um blog e rascunhar sobre os mais variados assuntos envolvendo a cultura popular, Harry Potter se mostrou para mim como o maior desafio que eu poderia aceitar trazer para cá. Isso porque, diferente de qualquer outro tema já tratado e dissecado por aqui, a história do bruxinho órfão que vivia em um armário debaixo de uma escada representa muito mais do que um dos maiores fenômenos da literatura contemporânea: mas, principalmente, uma fundamental fase da minha infância/adolescência. E, para dificultar mais ainda esse obstáculo como a pessoa perfeccionista que sou, o fato é que nunca estou 100% satisfeito com o material que preparo, escrevo e publico por aqui. Todavia, depois de tanto esperar e me sentir inseguro com as minhas próprias habilidades de escrita, decidi há alguns dias enfrentar essa barreira com a melhor maneira que me veio até a mente no momento: escrevendo.

Desde que fui apresentado aos primeiros livros da série pouco tempo depois de assistir ao apaixonante “Pedra Filosofal” no colégio, há distantes 13 anos, cheguei à conclusão que consigo visualizar esse filme, hoje, como o primeiro grande divisor de águas da minha vida. É incrível o quanto pude aprender enquanto lia avidamente página atrás de página, sempre à procura do que guiava cada personagem ao seu profetizado destino final. Mais do que mero leitor, acompanhar Harry Potter deixou há muito de ser um passatempo bobo que este que vos escreve procurava para fazer quando se sentia entediado: eu não mais lia Harry Potter, eu vivia Harry Potter. Sentindo como se fosse teletransportado (ou aparatado, para os entendidos no assunto) para cada cenário mágico da trama (muitas vezes, aliás, sob a pele dos próprios personagens), é incrível tudo o que a mamãe Rowling foi capaz de propiciar a todos os seus milhões de filhos que um dia decidiram pegar os seus livros encantados e dar vida ao que havia ali dentro.

Aprendendo a viver em um mundo difícil no qual cotidianamente somos testados a explorar nossos limites de resistência (e esperança), hoje eu posso dizer abertamente que me sinto completamente feliz por ter conhecido Harry Potter na época em que o conheci. Vivendo em uma fase complicada passada pela maior parte dos adolescentes que estranhamente não se sente segura ou completa com sua própria identidade, devo admitir que o romance escrito pela ex-professora de língua inglesa apareceu no meu caminho como um revigorante sopro de vida. De alguma maneira, além de não ter tido muitos amigos durante a infância, eu sempre me vi como um garotinho esquisito que jamais soube se encaixar em grupos muito grandes de pessoas (não que eu tenha deixado de ser esse menino em dias mais recentes). Já esgotado de tentar agradar meus colegas de classe e há muito chateado por ser rotineiramente deixado de lado (ora esquecido, ora trocado), tudo que me restou em dado momento foram duas opções completamente decisivas para uma criança emocionalmente machucada: ou eu abriria mão de tudo ou confiaria minha lealdade a outro “pessoal”.

É claro que tive a imensa sorte de ter sido criado por uma família compreensiva que jamais se negou a me dar qualquer tipo de apoio, mas, a ausência de amigos acabou por se tornar um problema muito maior para a criança perdida que eu fui há alguns anos. Já cansado de buscar auxílio em jogos eletrônicos que não mais saciavam toda minha vontade de ser ouvido por alguém, foi lendo os 7 livros principais do universo Harry Potter (emprestados de algumas primas) que todas as minhas angústias infantis puderam ser calorosamente anestesiadas página após página, livro após livro. Tornando-me melhor amigo de todas aquelas “pessoas” que a partir de então acompanharam-me ao passar da década e me viram crescer até o pequeno adulto dos dias de hoje, é incrível a quantidade de ensinamentos aprendidos graças ao dom sobrenatural conferido à J.K. e exercitados em suas obras tão milagrosas.

Os anos foram se arrastando e, conforme fui tocando minha vida adiante, alguns sentimentos acabaram sendo resfriados de uma maneira irrefreável – com a chegada do primeiro emprego meu tempo livre acabou sendo reduzido consideravelmente. Não mais relendo as obras (eu criei o hábito de ler tudo novamente do zero enquanto aguardava os lançamentos de “Ordem da Fênix”, “Enigma do Príncipe” e “Relíquias da Morte”) ou procurando por quaisquer informações voltadas à vida de Harry e seus amigos, o ápice do meu “afastamento” se deu com “Relíquias da Morte – Parte 2”, longa-metragem de 2011 que encerrava toda a trama tão bem criada e amarrada por Rowling.

Evitando ao máximo a dolorosa despedida (que era inevitável desde o começo de tudo, em 97), só tive o impulso necessário para assistir a adaptação 4 anos mais tarde, depois de tanto relutar e dizer para mim mesmo que aquilo era apenas mais um filme (o que era estranho, já que eu havia devorado o livro alguns anos atrás e sabia como tudo terminava). Contudo, por mais que a versão para os cinemas não leve até o público toda a emoção representada pelas tão bem pensadas palavras escritas pela sua criadora original, é impossível, para mim (e provavelmente para qualquer fã de longa data da franquia) não derramar lágrimas enquanto me deparo com algumas das filmagens tão bem ministradas por gênios do meio como Chris Columbus e David Yates.

Agora, em 2015 e não mais “brigado” com o Senhor Potter, “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o 1º filme da nova trilogia inspirada no livro de mesmo nome escrito pela britânica em 2001 (relembre o nosso “vale a pena ler” com a obra), surge para trazer um novo oxigênio para todos os fãs órfãos de Harry Potter (assim como eu). Com roteiro da própria J.K., o trabalho deverá seguir a já conhecida direção da escritora em suas publicações anteriores e poderá misturar muita magia com as mais inimagináveis experiências de vida dignas de serem aplicadas ao dia a dia de qualquer pessoa, como eu e você. Por mais que não seja uma sequência direta que nos narrará as aventuras do tão querido “Golden Trio” formado por Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger, o simples fato de ter algo novo a ser transmitido no mesmo ambiente é, no mínimo, animador (para não dizer acalentador).

Falando muito sobre amor, lealdade, confiança e coragem (virtudes cada vez mais raras de serem encontradas na sociedade atual), tudo o que Rowling foi inserindo em seus trabalhos surgiu com o tempo como um complemento das importantes conversas que tive com minha família desde que me entendo por gente. Formando meu caráter em cima do que me foi ensinado por minhas duas mães e meu único pai, é a essas três pessoas que devo toda minha gratidão pela base que me foi dada desde muito cedo – e que, anos antes, faria toda diferença para a superação dos problemas cotidianos. Definitivamente, o Marcelo de hoje não seria o mesmo se não tivesse sido apresentado, lá atrás, ao fantástico garotinho órfão maltratado pelos tios durante sua infância criado pela brilhante J.K. Rowling.

Obrigado, Joanne Kathleen Rowling; não apenas por ter me proporcionado conhecer a melhor série de todos os tempos, mas, especialmente, por ter salvo a minha vida!

“Quadribol Através dos Séculos”: vale a pena ler?

Não faz muito tempo que estreei por aqui a nossa primeira publicação destinada ao cenário da literatura e, coincidentemente (ou não), o post de hoje que dá continuidade ao nosso especial “Vale a Pena Ler?” também foi retirado do fabuloso mundo de Harry Potter. “Quadribol Através dos Séculos” (“Quidditch Through the Ages”, no original), publicado pela “Bloomsbury Publishing” em março de 2001, foi o segundo trabalho lançado pela britânica J.K. Rowling como spin-off da série principal composta por 7 livros que ganhou o mundo em 1997.

Chegando ao Brasil no mesmo ano sob a responsabilidade da “Rocco”, a editora por trás dos lançamentos principais da franquia, a obra de Rowling traz ao leitor uma criativa viagem de volta ao passado que o introduzirá a um tempo em que bruxos e bruxas ainda possuíam um limitado sistema de locomoção e transporte. Apresentando-nos 10 capítulos que discorrerão desde “A evolução da vassoura voadora” até “O quadribol hoje”, é interessante notarmos como o esporte se fez presente na vida mágica desde os seus primórdios, da mesma forma como também esteve presente no desenrolar do universo trouxa (o mundo dos seres não-bruxos, aqueles não dotados de poderes mágicos).

Assinado sob o pseudônimo Kennilworthy Whisp, o “famoso especialista em quadribol que possui como passatempos o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas”, o livro é uma réplica idêntica de um exemplar retirado da biblioteca de Hogwarts, pelo professor Dumbledore. Por mais que Madame Pince, a protetora bibliotecária, tenha se recusado muito a colaborar com o amado diretor, Alvo conseguiu convencê-la de que sua ação se amparava em um fim muito maior e todos os nascidos trouxas tiveram a honra de prestigiar mais uma obra-prima vinda da mamãe J.K.

Assim como “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, em “Quadribol Através dos Séculos” a autora também demonstrou todo o seu apreço às causas sociais e reverteu as vendas do livro para a “Comic Relief”, uma organização “fundada em 1985 por um grupo de comediantes britânicos” que tiveram o objetivo de “angariar fundos para projetos que promovam a justiça social e ajudem a conter a pobreza”. Segundo a instituição: “cada centavo doado a Comic Relief é encaminhado para onde é mais necessário, por intermédio de organizações internacionalmente reconhecidas como a Save the Children e a Oxfam”.

Também ganhando um prefácio escrito pelo próprio professor Dumbledore, é informado ao leitor em seu interior que “a Colic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libras desde que começou em 1985 – mais de 34 milhões de galeões). Todos os envolvidos em trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou a preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com sua venda fossem destinados a um fundo aberto em nome de Harry Potter pela Colic Relief U.K. e por J.K. Rowling”.

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Diferente das já conhecidas anotações de Harry, Rony e Hermione que marcaram as páginas de “Animais Fantásticos…” (que a propósito, foi transladado do exemplar do próprio Harry), “Quadribol Através dos Séculos” não apresenta nenhum manuscrito feito pelo trio de bruxos ou por qualquer outro estudante de Hogwarts – até porque, conhecendo bem Madame Pince, duvido muito que tal atitude seria autorizada ou passada adiante impune. Porém, logo que abrimos sua capa é possível encontrar uma relação com 18 nomes que recorreram ao livro junto à biblioteca, tais como Cedrico Diggory, os irmãos Weasley e Olívio Wood, o capitão do time de quadribol da Grifinória que aparece em “A Pedra Filosofal” e demais volumes da saga.

Mais adiante, para sanar a ausência das brincadeiras entre Harry e Rony que nos fez amar ainda mais “Animais Fantásticos…”, são retratadas diversas gravuras que ilustram todo o livro, o qual é ainda intercalado com diversas cartas que relatam os primeiros jogos de quadribol de que se tem notícia. Seja pela imagem de uma antiga “vassoura medieval exibida no Museu de Quadribol, em Londres”, ou pela caracterização do “Pomorim Dourado” (o passarinho que antecedeu a entrada do pomo de ouro ao lado das demais bolas), a obra contém também algumas críticas dos mais populares escritores do universo bruxo, tais como Bathilda Bagshot (“Hogwarts, Uma História”) e Rita Skeeter (a mesquinha repórter do “Profeta Diário”).

Se você tem medo de comprar “Quadribol Através dos Séculos” e não entender nada sobre o que a autora está querendo lhe dizer, não se preocupe, pois além de nos ensinar as regras do esporte o registro traz uma seleta lista com os times de quadribol oficiais da Grã-Bretanha e da Irlanda, além de outros espalhados pelas Américas, África e Oceania. Você sabia que na Ásia as vassouras não são vistas com bons olhos pela sua população devidos à tradição milenar de se usar os tapetes voadores? Mas isso não impediu o Toyohashi Tengu, do Japão, de “quase vencer o Gárgulas de Gorodok da Lituânia” em uma partida de 1994.

O quadribol mostrou-se uma febre tão grande entre os admiradores de Harry Potter que em 2003 foi liberado pela “Electronic Arts” o game “Harry Potter: Quidditch World Cup”, jogo esportivo para PlayStation 2 recebido de forma mista pelos críticos profissionais. Bem semelhante ao modo “quidditch” presentes em “Sorcerer’s Stone” e “Chamber Of Secrets” para PSOne (mas desta vez mais abrangente), “World Cup” trazia não apenas a competição tradicional entre as quatro casas de Hogwarts, mas também uma copa que era celebrada a nível mundial. Dá pra acreditar que o jogo lhe possibilitava controlar não apenas os apanhadores da Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, mas até mesmo os demais personagens em suas respectivas funções?

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Com apenas 63 páginas, o livro pode ser adquirido atualmente por menos de R$20,00 em qualquer loja virtual do país. Recebendo a tradução da já conhecida Lia Wyler (a mesma da série principal), todos os nomes originais criados por Rowling ganharam a sua própria versão aportuguesada, desde os times profissionais até os demais esportes bruxos também praticados em cima de vassouras que são abordados pelo senhor Whisp.

Assim como já dito anteriormente, num primeiro momento “Quadribol Através dos Séculos” pode parecer uma escolha estranha para quem que desconhece as histórias de Harry Potter, mas, isso acaba se provando uma completa inverdade. Assim como o futebol conquistou o mundo como o esporte mais amado e idolatrado pelos milhões de trouxas que estão espalhados por aí, este livro surge para nos dizer que, apesar de serem tão diferentes, bruxos e muggles (no original) possuem mais semelhanças do que qualquer um poderia imaginar. Se os humanos tiveram esse direito, por que então os feiticeiros não poderiam desenvolver também a sua própria paixão esportiva estampada em um dos jogos mais emocionantes do universo da literatura?

Para encerrar, os deixo com aquela mesma conclusão que usei para encerrar o magnífico “Animais Fantásticos e Onde Habitam”: apesar de serem livros curtos que podem ser facilmente lidos em um único dia, os três spin-offs trazem a já mundialmente conhecida magia da britânica de capturar a atenção do leitor e fazer com que ele tenha vontade de devorar capítulo atrás de capítulo incessantemente. Como sempre muito inteligente, cada detalhe inserido nestas obras vêm apenas para reforçar em nosso íntimo que, mesmo após o término de sua maior série, o mundo de Harry Potter consegue superar qualquer barreira imposta pelas páginas dos livros ou os telões dos cinemas. Demonstrando que este é um trabalho completamente atemporal, sempre que quisermos poderemos pegar uma dessas obras para reviver sua fascinante história ou colocar aquele DVD esperto para matarmos as saudades dos brilhantes atores que cresceram junto com a gente. Afinal, como já dizia o sábio professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore: “Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem”.