“Quadribol Através dos Séculos”: vale a pena ler?

Não faz muito tempo que estreei por aqui a nossa primeira publicação destinada ao cenário da literatura e, coincidentemente (ou não), o post de hoje que dá continuidade ao nosso especial “Vale a Pena Ler?” também foi retirado do fabuloso mundo de Harry Potter. “Quadribol Através dos Séculos” (“Quidditch Through the Ages”, no original), publicado pela “Bloomsbury Publishing” em março de 2001, foi o segundo trabalho lançado pela britânica J.K. Rowling como spin-off da série principal composta por 7 livros que ganhou o mundo em 1997.

Chegando ao Brasil no mesmo ano sob a responsabilidade da “Rocco”, a editora por trás dos lançamentos principais da franquia, a obra de Rowling traz ao leitor uma criativa viagem de volta ao passado que o introduzirá a um tempo em que bruxos e bruxas ainda possuíam um limitado sistema de locomoção e transporte. Apresentando-nos 10 capítulos que discorrerão desde “A evolução da vassoura voadora” até “O quadribol hoje”, é interessante notarmos como o esporte se fez presente na vida mágica desde os seus primórdios, da mesma forma como também esteve presente no desenrolar do universo trouxa (o mundo dos seres não-bruxos, aqueles não dotados de poderes mágicos).

Assinado sob o pseudônimo Kennilworthy Whisp, o “famoso especialista em quadribol que possui como passatempos o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas”, o livro é uma réplica idêntica de um exemplar retirado da biblioteca de Hogwarts, pelo professor Dumbledore. Por mais que Madame Pince, a protetora bibliotecária, tenha se recusado muito a colaborar com o amado diretor, Alvo conseguiu convencê-la de que sua ação se amparava em um fim muito maior e todos os nascidos trouxas tiveram a honra de prestigiar mais uma obra-prima vinda da mamãe J.K.

Assim como “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, em “Quadribol Através dos Séculos” a autora também demonstrou todo o seu apreço às causas sociais e reverteu as vendas do livro para a “Comic Relief”, uma organização “fundada em 1985 por um grupo de comediantes britânicos” que tiveram o objetivo de “angariar fundos para projetos que promovam a justiça social e ajudem a conter a pobreza”. Segundo a instituição: “cada centavo doado a Comic Relief é encaminhado para onde é mais necessário, por intermédio de organizações internacionalmente reconhecidas como a Save the Children e a Oxfam”.

Também ganhando um prefácio escrito pelo próprio professor Dumbledore, é informado ao leitor em seu interior que “a Colic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libras desde que começou em 1985 – mais de 34 milhões de galeões). Todos os envolvidos em trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou a preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com sua venda fossem destinados a um fundo aberto em nome de Harry Potter pela Colic Relief U.K. e por J.K. Rowling”.

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Diferente das já conhecidas anotações de Harry, Rony e Hermione que marcaram as páginas de “Animais Fantásticos…” (que a propósito, foi transladado do exemplar do próprio Harry), “Quadribol Através dos Séculos” não apresenta nenhum manuscrito feito pelo trio de bruxos ou por qualquer outro estudante de Hogwarts – até porque, conhecendo bem Madame Pince, duvido muito que tal atitude seria autorizada ou passada adiante impune. Porém, logo que abrimos sua capa é possível encontrar uma relação com 18 nomes que recorreram ao livro junto à biblioteca, tais como Cedrico Diggory, os irmãos Weasley e Olívio Wood, o capitão do time de quadribol da Grifinória que aparece em “A Pedra Filosofal” e demais volumes da saga.

Mais adiante, para sanar a ausência das brincadeiras entre Harry e Rony que nos fez amar ainda mais “Animais Fantásticos…”, são retratadas diversas gravuras que ilustram todo o livro, o qual é ainda intercalado com diversas cartas que relatam os primeiros jogos de quadribol de que se tem notícia. Seja pela imagem de uma antiga “vassoura medieval exibida no Museu de Quadribol, em Londres”, ou pela caracterização do “Pomorim Dourado” (o passarinho que antecedeu a entrada do pomo de ouro ao lado das demais bolas), a obra contém também algumas críticas dos mais populares escritores do universo bruxo, tais como Bathilda Bagshot (“Hogwarts, Uma História”) e Rita Skeeter (a mesquinha repórter do “Profeta Diário”).

Se você tem medo de comprar “Quadribol Através dos Séculos” e não entender nada sobre o que a autora está querendo lhe dizer, não se preocupe, pois além de nos ensinar as regras do esporte o registro traz uma seleta lista com os times de quadribol oficiais da Grã-Bretanha e da Irlanda, além de outros espalhados pelas Américas, África e Oceania. Você sabia que na Ásia as vassouras não são vistas com bons olhos pela sua população devidos à tradição milenar de se usar os tapetes voadores? Mas isso não impediu o Toyohashi Tengu, do Japão, de “quase vencer o Gárgulas de Gorodok da Lituânia” em uma partida de 1994.

O quadribol mostrou-se uma febre tão grande entre os admiradores de Harry Potter que em 2003 foi liberado pela “Electronic Arts” o game “Harry Potter: Quidditch World Cup”, jogo esportivo para PlayStation 2 recebido de forma mista pelos críticos profissionais. Bem semelhante ao modo “quidditch” presentes em “Sorcerer’s Stone” e “Chamber Of Secrets” para PSOne (mas desta vez mais abrangente), “World Cup” trazia não apenas a competição tradicional entre as quatro casas de Hogwarts, mas também uma copa que era celebrada a nível mundial. Dá pra acreditar que o jogo lhe possibilitava controlar não apenas os apanhadores da Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, mas até mesmo os demais personagens em suas respectivas funções?

Imagem retirada da internet
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Com apenas 63 páginas, o livro pode ser adquirido atualmente por menos de R$20,00 em qualquer loja virtual do país. Recebendo a tradução da já conhecida Lia Wyler (a mesma da série principal), todos os nomes originais criados por Rowling ganharam a sua própria versão aportuguesada, desde os times profissionais até os demais esportes bruxos também praticados em cima de vassouras que são abordados pelo senhor Whisp.

Assim como já dito anteriormente, num primeiro momento “Quadribol Através dos Séculos” pode parecer uma escolha estranha para quem que desconhece as histórias de Harry Potter, mas, isso acaba se provando uma completa inverdade. Assim como o futebol conquistou o mundo como o esporte mais amado e idolatrado pelos milhões de trouxas que estão espalhados por aí, este livro surge para nos dizer que, apesar de serem tão diferentes, bruxos e muggles (no original) possuem mais semelhanças do que qualquer um poderia imaginar. Se os humanos tiveram esse direito, por que então os feiticeiros não poderiam desenvolver também a sua própria paixão esportiva estampada em um dos jogos mais emocionantes do universo da literatura?

Para encerrar, os deixo com aquela mesma conclusão que usei para encerrar o magnífico “Animais Fantásticos e Onde Habitam”: apesar de serem livros curtos que podem ser facilmente lidos em um único dia, os três spin-offs trazem a já mundialmente conhecida magia da britânica de capturar a atenção do leitor e fazer com que ele tenha vontade de devorar capítulo atrás de capítulo incessantemente. Como sempre muito inteligente, cada detalhe inserido nestas obras vêm apenas para reforçar em nosso íntimo que, mesmo após o término de sua maior série, o mundo de Harry Potter consegue superar qualquer barreira imposta pelas páginas dos livros ou os telões dos cinemas. Demonstrando que este é um trabalho completamente atemporal, sempre que quisermos poderemos pegar uma dessas obras para reviver sua fascinante história ou colocar aquele DVD esperto para matarmos as saudades dos brilhantes atores que cresceram junto com a gente. Afinal, como já dizia o sábio professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore: “Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem”.