Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

Exalando sensualidade, Britney Spears retorna mais eclética do que nunca no seu novo disco “Glory”

Nem faz muito tempo desde que falamos, pela última vez, sobre a “Princesinha do Pop” por aqui, no Caí da Mudança (sim, estamos nos referindo à recente resenha de “Make Me…” que pode ser conferida, na íntegra, por meio deste link). Entretanto, aproveitando uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada, mais uma vez voltamos a divulgar e enaltecer o bom nome de Britney Spears agora que o 9º álbum de estúdio da norte-americana finalmente se encontra disponível entre nós, meros mortais ouvintes de música pop. Antecedido pela parceria com o rapper G-Eazy e por faixas promocionais como “Private Show”, o intitulado “Glory” mal chegou ao mercado e já ganha a nossa atenção por protagonizar a resenha musical da publicação de hoje – a qual, diga-se de passagem, merece um pouquinho da sua atenção, caro leitor!

Desde que a era “Britney Jean” chegou ao fim e fomos apresentados ao até então novo carro-chefe da “Srtª American Dream”, no ano passado, muito se discutiu entre os fãs de Spears se “Pretty Girls” tinha o potencial necessário para ocupar o posto de “um autêntico single da cantora”. Desagradando muitos e conquistando bem poucos, o featuring com a Iggy Azalea não só acabou por não vingar como também deixou muita gente com uma pulga atrás da orelha no que se referia à originalidade até então empenhada para o próximo disco da loira. Parte desta insegurança, é claro, acabou por ser sanada no mês de julho, quando o lead-single “Make Me…” foi liberado, de surpresa, na madrugada do dia 14 para o dia 15. Entretanto, muita água ainda estava por vir… e assim, entre uma promocional aqui e outra ali, aguardamos pacientemente pela divulgação do material completo que há quase 3 anos era esperado ansiosamente pelo pessoal da B Army.

Enterrando o fracasso de “Pretty Girls” e “Britney Jean”, “Glory” ressurge como o comeback que Britney Spears merecia em sua carreira

Liberado oficialmente no último 26 de agosto, o sucessor de “Britney Jean” (2013) é o segundo do catálogo da moça a ser distribuído sob o selo da “RCA Records”, gravadora que atualmente representa a performer após o fim da “Jive”, em 2011. Contendo a produção executiva de Karen Kwak (A&R em “Loud”, da Rihanna), “Glory” segue predominante pelo pop e traz consigo inspirações na música eletrônica, alternativa, hip-hop, reggae, rock, R&B e funk. Distanciando-se, gradativamente, das batidas mais genéricas que tanto marcaram presença nos dois últimos discos liberados por ela, o popular “B9” fez bonito nos charts estadunidenses e estreou direto no top 3 da “Billboard 200”, em #3, com vendas de 111 mil cópias na primeira semana (contra 107 mil do “Jean” – que, em 2013, estreou em #4). Este é o 10º disco de Britney a entrar para o top 5 da parada (a coletânea “Greatest Hits: My Prerogative” também teve uma ótima estreia, lá em 2004, em #4)!

Exibindo uma vasta lista de compositores que inclui nomes bem promissores como Ed Drewett, Simon Wilcox, Danny Parker, E. Kidd Bogart e Justin Tranter (profissionais que já escreveram para Little Mix, Demi Lovato, Shawn Mendes, Beyoncé e Justin Bieber, respectivamente), Spears assina 7 das 18 faixas pertencentes ao “Glory” (são 12 na edição standard, 17 na deluxe e 18 na japonesa). Todavia, o que muitos não sabem é que, além da própria “Princesinha do Pop”, outra importante contribuição para o novo material foi a jovem sensação do mainstream Julia Michaels (“Sorry” e “Hands to Myself”) que, destas 18 novas canções, deixou a sua marca sobre 7 (3 em parceria com a Britney). No que se refere ao trabalho de produção, encontramos a presença de 20 dos mais disputados especialistas em música contemporânea, dentre os quais se destacam o já conhecido Burns (o cara por trás de “Make Me..”), Mischke, Cashmere Cat, Nick Monson, Mattman & Robin, Ian Kirkpatrick, Twice as Nice, Tramaine “Young Fyre” Winfrey etc.

Liricamente, “Glory” não foge muito da temática já trabalhada em álbuns como o “In the Zone”, “Blackout” e “Femme Fatale” e acaba pendendo, majoritariamente, para uma vertente altamente sexual (não é preciso ser um grande fã da cantora para se ter conhecimento disso, não é verdade?). Porém, abrindo algumas raras exceções que vêm bem a calhar, o recente lançamento não sobrevive apenas do carnal e é certeiro ao tornar as coisas um pouco mais pessoais em algumas composições que se revelam não menos que memoráveis, como nas românticas “Man on the Moon” e “Just Luv Me”, ou até mesmo na rancorosa “Liar” – se você esteve esperando por baladas mais melancólicas como “Perfume” e “Don’t Cry”, sinto lhe dizer que estas ficarão para a próxima ocasião.

Para promover seu novo disco, Britney compareceu em programas de TV como “The Late Late Show with James Corden” (sim, o comentadíssimo Carpool Karaoke), “The Ellen DeGeneres Show” e ainda se apresentou na última edição do “VMA”

Já iniciando ao som de “Invitation”, a própria Britney a descreve como “a perfeita canção de abertura”, a faixa responsável por “realmente pegar o tom do álbum por um todo”. Declarando, aqui, não apenas sua inspiração na nova geração de artistas, mas também sua procura por um som mais moderno e homogêneo, Spears soa suave do começo ao fim no que nos parece ser uma singela releitura de “Survivors” e “Revival”, faixas presentes no último disco de Selena Gomez – informação já confirmadíssima pela loira. Neste sentido estão, ainda, a já mencionada “Just Luv Me” (que, em um tom mais lento, nos carrega para um refrão bastante similar ao do hit “Good for You”, de Gomez); a experimental “Man on the Moon” (baladinha mid-tempo assinada pelos mesmos criadores de “Ghosttown”, de Madonna; e “Another Lonely Night”, de Adam Lambert) e a sedutora “Just Like Me” (que nos relembra, de alguma maneira assustadoramente inexplicável, o antigo repertório da musicista).

Partindo para uma vibe mais urbana e totalmente coerente com os atuais sucessos que têm tocado nas rádios internacionais, encontramos não só o lead-single “Make Me…” (o qual, aliás, é o único featuring do disco) como também as super modernas “Better” e “Love Me Down”. Enquanto a primeira se desenvolve por um instrumental à la “Thank You” (Meghan Trainor) e culmina em um refrão genuinamente “Purpose” (Justin Bieber), a segunda capta o que a Gwen Stefani tão bem soube fazer em seu recente “This Is What the Truth Feels Like” (em faixas como “Rocket Ship” e “Obsessed”) ao combinar R&B com hip-hop e pop de uma maneira bastante divertida. Por esta direção, mas de uma maneira muito mais autêntica, surgem, ainda, as queridinhas “Slumber Party”que extrai o melhor de Britney em uma viagem de volta aos velhos tempos de “In the Zone” e “Blackout”; “Clumsy”que nos remete às inéditas do “My Prerogative” sob um ponto de vista oitentista; e “What You Need”que traz aquela inevitável ousadia rockstar explorada em faixas bônus do “Circus” e “Femme Fatale”.

Dirigido por Randee St. Nicholas, o videoclipe de “Make Me…” já ultrapassou 27 milhões de visualizações no YouTube (até o fechamento deste post)

Todavia, nem tudo são flores, e se Spears é feliz ao marcar presença com sua forte personalidade por aproximadamente 80% de todo o “Glory”, ela peca ao se arriscar em canções que nada condizem com o restante de seu 9º álbum de inéditas (e nem com a discografia, para sermos francos). Este é o triste caso de “Private Show” (que assim como a “Passenger” nos entrega vocais insuportavelmente desconfortáveis) e “Liar” (que, apesar de começar interessante, não chega a lugar algum e se perde numa produção barulhenta e recheada de auto-tune).

Felizmente, nos reapresentando àquela antiga “fórmula Britney” que há anos não era aprimorada, as três melhores do disco não fazem nada feio e vêm para dar um banho na falta de coesão que tem movido a cantora de 2013 para cá – sim, estamos nos referindo às obras-primas “Do You Wanna Come Over?”, “Change Your Mind (No Seas Cortes)” e “Coupure Électrique”. Bastante eclético, o álbum é rico em influências (tem espaço tanto para a farofa de “Hard to Forget Ya” quanto para o pancadão de “If I’m Dancing”) e, apesar de não trazer uma linha conceitual uniforme (como a que costumava ser predominante pelos álbuns da “Princesinha do Pop”), merece os nossos parabéns por suas produções atuais e carismáticas.

Superando em muito a falta de comprometimento do “Britney Jean” e a frigidez do “Femme Fatale”, o 9º material da norte-americana é um achado que vem para enterrar com categoria os trabalhos esquecíveis que a mesma tem conduzido tão mal pelos últimos 5 anos. Não que este disco chegue aos pés da qualidade de “In the Zone”, genialidade de “Blackout” ou grandiosidade de “Circus”, mas, não há como negar que “Glory” acerta ao tentar revitalizar a imagem do ícone Britney Spears para um público mais jovem que muitas vezes desconhece seus grandes feitos do passado. Com um som amplamente moderno que casa bem voz a instrumental, a veterana consegue extrair o melhor de sua personalidade em canções bem produzidas que podem não ser as melhores de sua carreira, mas merecem um lugarzinho especial em nossa biblioteca musical. Considerando que, há quase uma década, a “Princesinha do Pop” vivia a fase mais obscura de sua vida e atingia o fundo do poço, é bastante inspirador vê-la, mais uma vez, fazendo aquilo que tanto gosta de fazer sem perder o jeito.

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Recuperando suas energias, Britney Spears está de volta com “Make Me…”, o 1º (e mediano) single do “B9”

Demorou, mas saiu! Apesar de não fazer muito tempo desde que tivemos o prazer de contemplar novo material de inéditas da eterna “Princesinha do Pop” (os seus últimos lançamentos foram os singles “Pretty Girls” e “Tom’s Diner”, ambos do ano passado – fora a beneficente “Hands”), a verdade é que a maioria dos fãs de Britney Spears passou o último semestre a polvorosa após os rumores de que uma nova música poderia ser liberada muito em breve. Depois de comentários apontarem que a novidade poderia ser apresentada ao vivo, no palco do último “Billboard Music Awards” (realizado há já distantes dois meses), membro nenhum da B Army (como é conhecida a fã-base da loira) tirou uma folga sequer até que o inalcançável 14 de julho chegou, há algumas semanas, para por um fim aos milhões de corações aflitos que cercam os quatro cantos do planeta.

E assim, de surpresa, fomos introduzidos a “Make Me…”, a nova colaboração da Srtª Spears com o rapper e produtor G-Eazy que abre o 9º álbum de estúdio de sua já extensa discografia (e aguardado sucessor do “Britney Jean”, de 2013). Conduzida pelas batidas do synthpop aliadas ao bom e velho R&B (um gênero que, cá entre nós, dificilmente falha e jamais cai de moda), a faixa foi encaminhada para as rádios contemporâneas cinco dias após o seu lançamento oficial e já comemora o feito de ter estreado muito bem nos charts estadunidenses, na posição #17 (logo depois do “fiasco” de “Pretty Girls”, que nadou até a orla da praia, pegou um tímido #29 e foi arrastada pela força da maré). Tornando-se a 18ª música da cantora a entrar para o top 20 da “Billboard Hot 100” (um feito que, sem sombra de dúvidas, não é dos mais fáceis), o lead single do “B9” é a 6ª melhor estreia de Britney em sua carreira – atrás apenas de “Hold It Against Me” (#1), “3” (#1), “Circus” (#3), “Work Bitch” (#12) e “Scream & Shout” (#12).

#1 no iTunes em mais de 50 países, “Make Me…” conquistou o grande público de imediato e abre o 9º álbum da cantora (imagem: Britney e alguns dançarinos durante as gravações do clipe, em 2 de junho)

Distribuída sob o selo da “RCA Records” (gravadora que tem representado a musicista desde 2011, após o fim da “Jive Records”), “Make Me…” foi composta pela própria Britney em parceria com Joe Janiak, Gerard Gillum (o G-Eazy) e Matthew Burns (este último também responsável pelo trabalho de produção do single – e que havia trabalhado anteriormente com a Ellie Goulding, em “Midas Touch”). Majoritariamente bem recebida pela crítica especializada, a canção nos guia por uma composição super sensual que, apesar de trazer versos bem sugestivos, não se revela explícita em qualquer momento.

Já confirmada para participar do “#iHeartRadio Music Festival” (evento que acontece somente no dia 24 de setembro) ao lado de outros nomes como Ariana Grande, Zedd e Usher, Spears deverá incluir, em sua performance, a primeira e muito esperada apresentação televisionada da nova faixa – com ou sem a ajuda de G-Eazy, já que tem rolado, lá pelas rádios europeias, uma versão alternativa sem os vocais do rapper.

Ainda que “Make Me…” tenha sido recepcionada de forma bastante positiva desde o seu lançamento, não é preciso muito esforço para notar que grande era a pressão que rondava os futuros projetos musicais de Britney Spears após a colaboração com a Iggy Azalea. Rejeitada, em sua maioria, não apenas pelos fãs da musicista, mas também pelo público em geral, “Pretty Girls” acabou por não vingar e deixou grande parte das pessoas com um pé atrás a respeito do que viria logo após o dueto com a rapper australiana. Essa incerteza durou não menos que um ano e dois meses, período em que a “Princesinha do Pop” aproveitou para se atualizar com o que vem tocando nas rádios de hoje em dia e convidou alguns dos maiores profissionais atuais para trabalharem massivamente em seu próximo disco de inéditas – dentre os quais encontramos desde o BURNS à dupla Justin Tranter e Julia Michaels (dos hits “Sorry”, do Justin Bieber, e “Good for You”, da Selena Gomez).

Entretanto, por mais que, à primeira vista, “Make Me…” retrabalhe a já conhecida sensualidade a flor da pele que tanto esteve impregnada por todo o “In the Zone” (2003), ainda nos restam algumas dúvidas sobre o novo single da cantora que, possivelmente, só serão resolvidas com a vinda completa do “B9”. A primeira delas e, diga-se de passagem, a que mais martela nossa cabeça, é tentar entender se todo o novo álbum de Spears seguirá essa vibe mais contemporânea e urbana ou se somente o first single do material tem caminhado para esta direção (algo parecido com “Work Bitch” e a desorganização sonora de “Britney Jean”). Não que o trabalho antecessor não tenha rendido algumas boas faixas que vieram para deixar o catálogo de Britney ainda mais completo, mas, convenhamos que harmonia e coesão não foram o grande forte do título descendente de “Femme Fatale” (2011).

O áudio oficial de “Make Me…” – dirigido por David LaChapelle (o mesmo de “Everytime”, de 2004), o clipe para o featuring começou a ser filmado no início de junho e ainda permanece sem data de estreia definida

Por conta desta imprecisão, somos levados a levantar outro importante questionamento: será que esta sonoridade menos eletrônica e mais alternativa funcionará bem com uma artista como a Britney (alguém que já estava acostumada a combinar pop com dance de maneira tão simbiótica e majestosa)? É claro: não é de hoje que a “Srtª American Dream” se aventura pelo mercado mainstream e tenta, com o auxílio de seus respeitados parceiros de estúdio, seguir as tendências da modernidade combinadas a elementos de sua essência tão dominante. Entretanto, mesmo que “Make Me…” tenha a melhor das intenções, não há como negar que o recente processo de revitalização da musicista tenha pendido muito mais para qualquer outro cantor iniciante (de Justin Bieber à Selena Gomez) e muito menos para o seu próprio nome artístico.

Britney em comercial para a fragrância “Private Show” (assista), nome também recebido por uma das novas músicas do “B9” (imagem: Randee St Nicholas)

De alguma forma estranhamente aleatória, o novo single de Spears soa honestamente bom, mas, deixa a desejar no comprometimento com o seu imponente histórico musical – não precisamos nos esforçar muito para lembrar de lead singles poderosos como “Me Against the Music”, “Womanizer” e “Hold it Against Me”. Com um trabalho de produção muito bem feito, mas completamente genérico, BURNS distancia-se bastante da magnitude de Danja (e até mesmo de Max Martin ou Bloodshy & Avant) e presenteia a cantora com um leve R&B pouco original à la Skrillex. Ainda que, logo de cara, “Make Me…” revele-se uma das faixas de maior potencial liberadas de janeiro deste ano para cá, ela definitivamente não demonstra nenhuma grandiosidade condizente com o “padrão Britney de qualidade” que estávamos acostumados a ouvir há mais de 17 anos.

Não que a canção desaponte como carro-chefe ou soe ruim, pois até concordamos ser uma das escolhas mais inteligentes já feitas por Spears desde a obra-prima “Gimme More” – e os seus vocais, nesta gravação, até merecem os nossos aplausos por tamanha crueza. Contudo, ao nosso ver este não é o single mais autêntico (e muito menos o mais memorável) do vasto catálogo assinado pela “Princesinha do Pop” e por sua maravilhosa equipe interdisciplinar. Apesar de ser completamente condizente com os inúmeros hits que pudemos ouvir de 2015 pra cá, não é preciso conhecer o histórico de Britney a fundo para saber que “Make Me…” é o seu lançamento mais esquecível até o momento (talvez apenas à exceção de “Ooh La La” e “Pretty Girls”).

Ainda não é certo o que Spears tem planejado para os próximos meses e o que exatamente pretende reafirmar com esta nova fase de sua carreira – a qual, felizmente, começou com o pé direito e tem-lhe trazido um fôlego que há muito tempo não era visto por ninguém. Talvez, essa estranheza inicial seja até natural, já que não temos nada para comparar com “Make Me…” além dos seus shows na residência de Vegas (um espetáculo que vem sendo repaginado constantemente para refletir o atual estado de espírito de sua intérprete). Porém, desde já desejamos toda a sorte do mundo para uma lenda viva da música pop que continua, de maneira brilhante, tentando dar o melhor de si para manter-se no topo do estrelato – mesmo que, para isso, seja necessário liberar um trabalho ou outro menos monumental.

Agradecimentos especiais: Júlio César Ferreira

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#CoopGeeks: O que achamos de “Britney Spears: American Dream”

Unindo música pop à misteriosa fórmula secreta detida por Kim Kardashian em sua bem-sucedida estreia pelo mundo virtual, ninguém menos que Britney Spears decidiu se juntar ao time de celebridades que ostenta os seus próprios joguinhos para smartphone. Caprichando em sua divertida versão cartoonizada, a “Princesinha do Pop” não hesitou ao nos apresentar, no mês passado, a “Britney Spears: American Dream”: o lançamento que foi o assunto da nossa publicação lá no Co-op Geeks e que você confere no link a seguir:

O QUE ACHAMOS DE “BRITNEY SPEARS: AMERICAN DREAM”

Anahí quebra o jejum e finalmente libera “Inesperado”, o seu novo (e encantador) 6º disco solo

Não é novidade para ninguém que Anahí foi a maior precursora do RBD ao apostar todas as suas fichas na carreira solo e consolidar-se na indústria do entretenimento após o término do grupo que integrou e conheceu por meio da novela “Rebelde”. Preparando sabiamente o futuro de sua trajetória como solista (um caminho que tem percorrido desde 1992), a inesquecível intérprete de Mia Colucci não poupou esforços ao visitar alguns estúdios de gravação durante o ano de 2009 e caprichar no seu aguardadíssimo quinto disco de inéditas (o primeiro após um intervalo de nove anos). Assim nasceu “Mi Delirio”, e o resto não apenas entrou para a história como você já deve ter ouvido falar.

O ponto é que, desde que encerrou a promoção e divulgação do seu aclamado álbum – lá por volta de 2011 –, a morena não fez muita questão de seguir com sua carreira artística além de liberar alguns singles promocionais e protagonizar a novela “Dos Hogares”. Casando em 2012 com Manuel Velasco Coello, governador de Chiapas (um dos 32 estados mexicanos), por muito tempo se discutiu se, um dia, Anahí voltaria a subir até os palcos musicais e daria continuidade à sua discografia com um posterior novo trabalho. Felizmente, foi após muita espera e inúmeras incertezas que 2015 chegou trazendo o que era desejado por todos aqueles que já não aguentavam mais esse torturante hiato indeterminado. Dessa forma, fomos apresentados às inéditas “Están Ahí” e “Rumba”.

A cantora mexicana em ensaio promocional para o “Inesperado” (fotos por Uriel Santana)

Agitando as coisas ao lado de Wisin, é verdade que “Rumba” já havia dado as caras por aqui em uma publicação pouco animadora, mas que, na época, foi eficaz ao nos preparar para os próximos capítulos de um dos comebacks mais aguardados deste último quinquênio. Sucedido pelos singles oficiais “Boom Cha” e “Eres” e da promocional “Siempre Tú”, finalmente todo esse segredo teve um fim na última semana: quando, no dia 3, “Inesperado” ganhou as prateleiras mexicanas e lojas virtuais do mundo todo. Atualmente sendo promovido pela balada mid-tempo “Amnesia”, o novo disco gravado entre os anos de 2015 e 2016 recebeu o selo da “Universal Music” e não só marca a entrada da cantora em uma nova gravadora (após a venda da “EMI”) como também a redireciona para uma sonoridade bem diferente da qual estávamos acostumados.

Em entrevista para a edição de junho da revista “Fernanda”, a moça se mostrou bastante entusiasmada com “Inesperado” e disse que seu recente projeto “é uma produção cheia de colaborações, surpresas e coisas inesperadas: por isso eu quis chamá-lo assim. [Além de ser] o nome de uma das canções, a verdade é que passei por coisas muito imprevisíveis nesse tempo todo. […] Fico muito orgulhosa disso, pois, acredito que quando se dedica, tudo sai muito bem”. Ela, inclusive, conta que, apesar de a probabilidade de voltar para a televisão seja mínima no momento (por conta das inúmeras horas de gravação demandadas por uma novela), seguirá “fazendo a sua música” e espera que todos “recebam com carinho” o lançamento em questão.

Predominantemente pop, “Inesperado” usa e abusa dos elementos típicos do dance-pop e vai além ao incorporar instrumentais influenciados pelo electropop, pelo reggaeton, pelo pop-rock e até mesmo pelo funk carioca. Incluindo 12 novas faixas das quais 2 são covers originalmente gravados por Ana Belén e Víctor Manuel (em “La Puerta de Alcalá”) e Hombres G (em “Temblando”), o sexto álbum de Anahí é rico em colaborações especiais e traz featurings com Wisin, Gente de Zona, Zuzuka Poderosa, David Bustamante e Julión Álvarez. Assinando a composição de 3 faixas exclusivas (os singles “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”), a musicista ainda divide os créditos de escrita com grandes nomes da música latina que já haviam marcado presença no respeitado “Mi Delirio”, dentre os quais destacamos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”).

Afinadíssima, Anahí esbanja também sua ótima (e invejável) forma física aos inacreditáveis 33 anos

Liberado em pré-venda duas semanas antes do seu lançamento oficial, “Inesperado” começou com o pé direito e fez bonito ao abocanhar todas as posições do top 5 do iTunes nacional: um dos territórios onde a cantora leva vantagem devido ao forte público que carrega por aqui. Atingindo o #1 dos charts digitais brasileiros e de mais outros quatro países (Colômbia, República Dominicana, Equador e Peru), o trabalho que conta com a produção de Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara (este último conhecido por já ter trabalhado com Lady Gaga e Thalía) atingiu o #2 no México e foi majoritariamente bem recebido pela crítica especializada – muitos dos quais elogiaram o retorno de Anahí para suas raízes latinas.

Combinando simetricamente música latina com baladas poderosas e faixas mais genéricas, “Inesperado” poderia (apenas à título exemplificativo, é claro) facilmente ser dividido em quatro atos formados, cada qual, de três faixas. O primeiro deles, e provavelmente o mais aguardado por todos aqueles que já haviam ouvido e aprovado o “Mi Delirio”, é o que trata de levar até o ouvinte um pop mais comercial – este representado por “Están Ahí”, “Juntos En La Oscuridad” e “Siempre Tú”. Ganhando destaque pelo uso de dance-pop e electropop, a vocalista não peca ao trazer canções altamente contagiantes que nos fazem lembrar o porquê de seu disco anterior tê-la consagrado tanto perante os fãs, o público e a mídia.

Curiosamente, é interessante que o mainstream não tenha dominado todo o atual trabalho e que a cantora tenha decidido dar uma nova chance para a sonoridade preponderante em sua terra natal – e que tivesse mais a ver com as suas origens latinas, por óbvio. Assim, o segundo arco de “Inesperado” chega até os nossos ouvidos por meio de “Arena Y Sol”, “Rumba” e “Boom Cha”. Intensamente regado a muito reggaeton (um ritmo que tem feito bastante sucesso por toda a América Latina pelos últimos anos), é aqui que duas das principais colaborações vocais que chamam a atenção dentre as 12 novas faixas vêm à tona: “Boom Cha”, gravada em parceria com a funkeira Zuzuka Poderosa; e “Rumba”, com o cantor porto-riquenho Wisin (do duo Wisin & Yandel).

O videoclipe oficial de “Eres”, dueto gravado com o cantor mexicano Julión Álvarez

Partindo para a terceira parte, deve ter sido depois de relembrar os felizardos acertos de seu catálogo musical com a gravação e liberação de algumas baladas de peso movidas a muita emoção que Anahí não deixou nada a desejar ao incluir no disco suas já conhecidas canções mais lentas. Fazendo uma brilhante homenagem aos velhos tempos de “Sálvame”, “Temblando”, “Amnesia” e “Eres” nos ganham logo de cara e se mostram, definitivamente, as melhores faixas deste gênero desde que “Alérgico” havia chegado para trazer um pouco mais de sensibilidade para o “Mi Delirio” – convenhamos que o que veio depois da primeira parceria dela com o Noel Schajris não chegou a causar tanta comoção assim.

Por fim, se a “Primeira Dama do Pop” não teve receio algum de relembrar suas origens mais íntimas abraçando de vez o reggaeton, também não teve medo recuperar toda a nostalgia que ajudou a construir não só ao lado do RBD, mas também muito antes, quando já atuava como solista. Dessa forma, o quarto ato de “Inesperado” é brilhantemente encerrado com “Me Despido”, “La Puerta De Alcalá” e a “faixa-título”: a primeira, levemente semelhante à sonoridade que rolou por todo o “Baby Blue” (de 2000) e as duas últimas bem similares ao som do “Empezar Desde Cero” (de 2007) e do “Para Olvidarte De Mí” (de 2009). Quer maneira melhor de manter-se fiel à sua própria identidade senão trazendo em pleno 2016 um pouquinho do que havia marcado sua trajetória há tantos anos atrás?

Definitivamente, “Inesperado” se mostra o material mais diversificado da ex-RBD até o presente momento e não apenas se sobressai devido ao seu profundo teor eclético, como também em decorrência do alto padrão de qualidade que é inerente a cada faixa que o integra. É certo que, apesar de inovar ao trazer inúmeros duetos do início ao fim (algo raro de se ver no catálogo da cantora), a maioria dos convidados especiais não se encaixa perfeitamente com a melodiosa voz de Anahí (apesar de ainda funcionar bem) e poderia facilmente ter sido dispensada na edição final do disco (das cinco parcerias nele presentes, Gente de Zona é quem recebe os nossos mais sinceros parabéns). Contudo, se a musicista decidiu por repartir a luz dos holofotes com os demais artistas que recebem destaque em seu novo álbum, ela também prospera ao beber de outras fontes musicais que chegaram em boa hora para revitalizar a sua sonoridade. Mesmo que se distancie um pouco do pop que maravilhosamente tanto nos encantou em seu trabalho anterior, Anahí permanece fiel ao seu histórico e trazendo o que de melhor sabe fazer sem cair nas mesmices: música boa de verdade.

“Inesperado”, o novo disco de Anahí, já se encontra disponível para compra digital desde o dia 3 deste mês; entretanto, sua versão física só deverá começar a ser comercializada no Brasil a partir de 24 de junho. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.