1/7: Os meus 72 discos favoritos – LIGHTS OFF

2. Lights Off

LIGHTS OFF foi o bloco escolhido para abrir nosso especial sobre os meus 72 discos favoritos por razões óbvias de eu ser uma gótica experimental rainha das trevas usuária de roupas pretas, e pra dizer bem a verdade também não sei o porquê disso, apenas senti que seria uma boa forma de começarmos.

Luz e trevas são dois extremos que sempre caminharam lado a lado assim como tantos outros opostos, mas isso não quer dizer que tudo o que é bom está posicionado para o lado mais claro e o que é ruim para o mais escuro. Foi exatamente isso que tentei expressar por meio desta publicação.

Durante o decorrer de todo o texto, tentei relacionar aqui trabalhos sólidos, consistentes, que trazem em sua essência uma experiência de vida nem sempre bem resolvida. De decepções amorosas para uma busca pela independência de sua personalidade, os artistas aqui retratados, da sua maneira, tentaram quebrar os moldes e mostrar vulnerabilidade sem perder o controle de suas carreiras, e por isso provaram ser verdadeiros ícones da música contemporânea.

Com esta playlist, busquei levar ao leitor uma dica de som para se ouvir sem sair de casa, debaixo dos cobertores ou apenas jogado no sofá, curtindo a vibe, só relaxando de todo o estresse do dia-a-dia que consome nossos corpos e nossas mentes. A minha parte está feita, agora é com você! Ah, e antes que eu me esqueça: faça tudo isso, mas não se esqueça de apagar as luzes!


01. BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records, 2007;

Singles: “Gimme More”, “Piece Of Me” e “Break The Ice”;

Não deixe de ouvir também: “Heaven On Earth”, “Toy Soldier”, “Perfect Lover” e “Why Should I Be Sad”.

É um tanto quanto curioso que o melhor álbum da legendária Miss Britney Spears tenha sido gravado e lançado na fase mais obscura de sua vida, vocês não acham? Superando um divórcio conturbado e aprendendo a lidar com a nova vida de mãe solteira pressionada pela máfia dos tabloides, Spears fez muito bem ao tomar as rédeas de seu 5º disco de inéditas atuando como a única diretora executiva do trabalho. “Blackout” é tão influente em sua discografia que é inevitável não compará-lo com os discos que o sucederam, que querendo ou não sofreram uma leve decaída sonora. Por mais que o disco “Britney”, lá de 2001, tenha sido um divisor de águas que nos apresentou uma Britney mais sexualizada (mas ainda não tão amadurecida), “Blackout” foi o responsável por nos introduzir uma cantora completamente nova para nossos ouvidos! Como uma fênix negra e sedenta para nos contar a sua verdadeira história de vida, “Blackout” sussurra em seus sintetizadores bem posicionados que Britney, pela primeira vez, nos revelou ser um ser humano digno de respeito, admiração e muita aclamação.


02. Dignity02. DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records, 2007;

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”;

Não deixe de ouvir também: “Dignity”, “Gypsy Woman”, “No Work, All Play” e “Happy”.

Hilary Duff passou sua adolescência gravando diversos filmes e discos voltados para o público mais jovem, e isso foi fundamental para consagrar seu nome entre meninas e meninos do mundo inteiro. Porém, é natural do ser humano querer se desprender do passado e abraçar o presente, e não poderia ter sido diferente com a cantora – que já não era mais uma garotinha de 16 anos. Agora uma jovem mulher de seus quase 20 anos, foi também em 2007 que a eterna Lizzie McGuire tingiu seus cabelos de escuro e liberou para seus fãs o seu 4º álbum de estúdio, “Dignity”. Seguindo os passos de Madonna e Britney Spears, Hilary abandonou de vez o pop-rock e decidiu apostar todas suas fichas no electropop, o que mais tarde se provou a escolha mais sensata de sua carreira musical. Compondo 13 das 14 faixas de “Dignity” (fato este também inédito em sua discografia), o disco surgiu no mercado como um verdadeiro tapa na cara de todos aqueles que diziam ser a cantora um produto do meio desprovido de qualquer talento nato! Go girl, e que venha o “Dignity 2.0”.


03. Bittersweet World03. BITTERSWEET WORLD – ASHLEE SIMPSON

Gravadora: Geffen Records, 2008;

Singles: “Outta My Head (Ay Ya Ya)” e “Little Miss Obsessive”;

Não deixe de ouvir também: “No Time For Tears”, “Ragdoll”, “What I’ve Become” e “Murder”.

Desde o incidente no “Saturday Night Live”, em 2004, quando Simpson se utilizou de um playback mal executado para uma apresentação no programa devido a problemas vocais, muito se subestimou os trabalhos musicais da cantora, e isso foi algo que a acompanhou ao longo dos anos. Todavia, sempre bem disposta a demonstrar o contrário, Ashlee fez magia nos estúdios de gravação ao elaborar “Bittersweet World”, seu 3º da carreira. Menos pessoal que os anteriores, o álbum soa mais genérico e divertido que “Autobiography” e “I Am Me”, mas ainda se mostra bem estruturado e despretensioso, nos apresentando um lado de Simpson mais natural e bem a vontade consigo mesma. Se rendendo as batidas suaves e dançantes, Ashlee deixa claro que não possui o talento vocal de sua irmã, Jessica, mas enfatiza que é mestre na produção de álbuns e que sabe compor como ninguém.


04. Born This Way04. BORN THIS WAY – LADY GAGA

Gravadora: Interscope Records, 2011;

Singles: “Born This Way”, “Judas”, “The Edge Of Glory”, “Yoü And I” e “Marry The Night”;

Não deixe de ouvir também: “Government Hooker”, “Scheiße”, “Heavy Metal Lover” e “Electric Chapel”.

Após dominar as pistas de dança do mundo inteiro com o disco “The Fame” e seu EP posterior, “The Fame Monster”, Lady Gaga precisava de um novo material para dar sequência a sua trajetória na indústria fonográfica, e “Born This Way” foi a decisão tomada pela garota prodígio. Abrindo alas com a polêmica faixa-título – acusada por muitos de conter plágio descarado de um hit antigo da Madonna -, Gaga deixou as fofocas de lado e se manteve forte na divulgação do seu 2º disco de inéditas. Conseguindo superar toda a obscuridade trabalhada na sua era Monster, Stefani Germanotta caprichou ao trazer instrumentais totalmente improváveis no novo material, trabalhando arduamente na produção e divulgação de cada detalhe e performance que chegou a encabeçar. Cada vez mais independente e dona de si, Lady Gaga mostra para o mundo que a cada lançamento a sua imagem é renovada e uma nova faceta é trazida a tona, por mais que algumas bizarrices do começo da carreira jamais abandonem o seu dia-a-dia.


05. Impossible Princess05. IMPOSSIBLE PRINCESS – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Deconstruction Records, 1997;

Singles: “Some Kind Of Bliss”, “Did It Again”, “Breathe” e “Cowboy Style”;

Não deixe de ouvir também: “Too Far”, “I Don’t Need Anyone”, “Limbo” e “Dreams”.

“Impossible Princess” está para Kylie Minogue assim como “Blackout” está para Britney Spears! 10 anos antes da “Princesinha do Pop” ter alguns surtos, raspar a própria cabeça e agredir um paparazzo, Kylie Minogue não andava em sua melhor fase quando gravou e liberou seu 6º álbum de estúdio, em 1997. Sofrendo uma profunda depressão e crise de identidade (leia mais sobre isso acessando este link), você pode notar que dificilmente a australiana inclui as faixas deste disco nas setlists de suas turnês mundiais – o que é realmente uma pena. Inspirando-se no trip-hop, indie rock e folk, este foi o primeiro trabalho em que Kylie resolveu tomar as rédeas de sua imagem criativa e palpitar na nova direção que a guiava, compondo todas as músicas do álbum e chegando a produzir algumas. Mais audaciosa do que nunca, é válido dizer que esta joia rara mal compreendida da discografia de Minogue veio para reforçar que a jovem estrela da novela “Neighbours” é uma mulher que possui a capacidade de tirar o fôlego de qualquer um.


06. A Little More Personal (Raw)06. A LITTLE MORE PERSONAL (RAW) – LINDSAY LOHAN

Gravadora: Casablanca Records, 2005;

Singles: “Confessions Of A Broken Heart (Daughter To Father)”;

Não deixe de ouvir também: “I Live For The Day”, “If It’s Alright”, “Fastlane” e “Edge Of Seventeen”.

Foi acompanhada da já experiente Kara DioGuardi que Lindsay Lohan atuou como produtora executiva de seu 2º trabalho musical, o sombrio “A Little More Personal (Raw)”. Cansada da imagem de “boa moça” que conquistou ao estrelar diversos longa-metragens para o império de Mickey Mouse, a nossa bad girl favorita de Hollywood precisava de uma válvula de escape para dizer às pessoas que não era tão inocente assim. Foi dessa maneira que “Personal” caiu como uma luva bem em suas mãos. Afastando-se um pouco da música que costumava fazer no começo de sua carreira, o novo material fala por si em músicas como “I Live For The Day” e “If It’s Alright”, a parte mais profunda desta nova era. Utilizando-se de algumas batidas do rock e do pop mais intensas e inovadoras, sua voz soa mais clara e bem trabalhada neste álbum, caminhando em contrapartida aos vocais agressivos apresentados em seu disco debut. “A Little More Personal (Raw)” nos faz refletir que Lindsay nunca teve a ambição de ser uma grande vocalista, apesar de já ter participado de algumas boas performances ao vivo. Mas num mundo de cantoras que usam e abusam de autotune para sobreviver à demanda dos dias de hoje, será que a cantora não conseguiria lidar facilmente com isso sem precisar recorrer aos artifícios dos estúdios de gravação?


07. Light Me Up07. LIGHT ME UP – THE PRETTY RECKLESS

Gravadora: Interscope Records, 2010;

Singles: “Make Me Wanna Die”, “Miss Nothing” e “Just Tonight”;

Não deixe de ouvir também: “My Medicine”, “Since You’re Gone”, “Light Me Up” e “You”.

Eu duvido que quem chegou a acompanhar a série “Gossip Girl” – e se deliciava com as cenas da pequena Jenny Humphrey – já conseguiu imaginar a atriz Taylor Momsen como uma estrela do rock. Abandonando a série para trabalhar com mais afinco em sua banda, o The Pretty Reckless (apesar de os boatos serem bem mais cruéis), o primeiro álbum do grupo balançou as paradas musicais do Reino Unido em pleno 2010, quando o lead single foi liberado meses antes do lançamento oficial do “Light Me Up”. Levando o seu rock alternativo para os jovens de todo o mundo, a troca de imagem de Momsen parece ter sido uma boa escolha não só para os seus fãs mais fieis como também para a própria cantora, que passou a agir mais naturalmente para onde quer que se apresentasse. Mostrando que tem talento e que está bem disposta para consolidar sua carreira na indústria fonográfica, “Light Me Up” é uma ótima escolha de álbum para quem curte um rock mais suave e que ainda não conhece o trabalho do The Pretty Reckless.


08. Perfectionist08. PERFECTIONIST – NATALIA KILLS

Gravadora: Interscope Records, 2011;

Singles: “Mirrors”, “Wonderland”, “Free” e “Kill My Boyfriend”;

Não deixe de ouvir também: “Break You Hard”, “Love Is A Suicide”, “Superficial” e “Nothing Lasts Forever”.

Chamada por muitos de “a nova Lady Gaga”, “Perfectionist” foi o disco responsável por introduzir a novata Natalia Kills no mercado musical, em 2011. Com o apoio de will.i.am – principal produtor a ajudar Kills no início de sua carreira, tendo inclusive atuado como um dos coprodutores do primeiro álbum da inglesa -, Natalia sempre marcou sua arte com uma forte imagem criativa, deixando claro para todos que não era apenas uma estrela qualquer. Agraciada com sua leve e incisiva voz, foi acompanhada de uma megaprodução que a jovem britânica levou para seus fãs 15 grandes faixas eletrônicas (algumas mais que outras) e expressou sua vontade de dominar as baladinhas das grandes metrópoles e das cidades do interior. Sempre bem resolvida quanto a sua identidade como artista, Kills é um exemplo de profissional da música que sabe o que faz no estúdio e não peca ao conciliar o mainstream com a sua invejável capacidade de expressão.


09. Body Music09. BODY MUSIC – ALUNAGEORGE

Gravadora: Island Records, 2013;

Singles: “You Know You Like It”, “Your Drums, Your Love”, “Attracting Flies” e “Best Be Believing”;

Não deixe de ouvir também: “Outlines”, “Bad Idea”, “Superstar” e “Just A Touch”.

Uma descoberta ainda recente para mim, o disco aqui apresentado surgiu como a indicação de um grande amigo numa seleta lista de outros álbuns que ouvi e explorei há menos de um ano. Sem sombra de dúvidas o título que mais chamou a minha atenção, esta é uma produção que não poderia estar de fora deste especial! AlunaGeorge é um duo britânico formado por Aluna Francis e George Reid, em atividade desde 2012, responsáveis pela produção, composição e gravação das faixas presente no brilhante “Body Music”, o debut album dos caras. Seguindo os trilhos do synthpop, trip hop e UK garage, o álbum teve uma ótima estreia na “Terra da Rainha”, local onde Francis e Reid têm seu público principal, e um desempenho razoável em diversos países da Europa. Eu tenho certeza que é ouvindo este álbum que você se perguntará incessantemente assim como eu faço já há algum tempo: quando o mundo acordará para essa dupla maravilhosa e o AlunaGeorge receberá o seu tão merecido efeito-Adele?


10. Rabbits On The Run10. RABBITS ON THE RUN – VANESSA CARLTON

Gravadora: Razor & Tie Records, 2011;

Singles: “Carousel”, “I Don’t Want To Be A Bride” e “Hear The Bells”;

Não deixe de ouvir também: “Fairweather Friend”, “Dear California”, “Tall Tales For Spring” e “In The End”.

Conhecida pelo mega hit “A Thousand Miles”, o qual fez parte da trilha sonora do inesquecível filme “As Branquelas”, Vanessa Carlton decidiu se inspirar nas obras literárias de Stephen Hawking (“A Brief History of Time”) e Richard Adams (“Watership Down”) para o seu 4º álbum de inéditas, “Rabbits On The Run”. O interessante do projeto é que este é o primeiro trabalho independente lançado pela jovem wicca, gravado à época totalmente ao vivo no “Real World Studios”, em Londres. O álbum é tão surpreendente que soa como uma espirituosa coletânea de canções de ninar contemporâneas, mas completamente voltadas para o público adulto. “Carousel”, o carro-chefe, por exemplo, é uma refrescante música piano-pop que nos traz o melhor de Vanessa Carlton em tempos atuais: sua doce voz e os inseparáveis instrumentais estrategicamente bem colocados. Não é de hoje que a senhorita Carlton nos exibe sua genialidade, não é mesmo?


LIGHTS ON, o nosso segundo bloco, estará disponível em breve aqui no blog! Fique de olho e não perca.