Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

Anahí quebra o jejum e finalmente libera “Inesperado”, o seu novo (e encantador) 6º disco solo

Não é novidade para ninguém que Anahí foi a maior precursora do RBD ao apostar todas as suas fichas na carreira solo e consolidar-se na indústria do entretenimento após o término do grupo que integrou e conheceu por meio da novela “Rebelde”. Preparando sabiamente o futuro de sua trajetória como solista (um caminho que tem percorrido desde 1992), a inesquecível intérprete de Mia Colucci não poupou esforços ao visitar alguns estúdios de gravação durante o ano de 2009 e caprichar no seu aguardadíssimo quinto disco de inéditas (o primeiro após um intervalo de nove anos). Assim nasceu “Mi Delirio”, e o resto não apenas entrou para a história como você já deve ter ouvido falar.

O ponto é que, desde que encerrou a promoção e divulgação do seu aclamado álbum – lá por volta de 2011 –, a morena não fez muita questão de seguir com sua carreira artística além de liberar alguns singles promocionais e protagonizar a novela “Dos Hogares”. Casando em 2012 com Manuel Velasco Coello, governador de Chiapas (um dos 32 estados mexicanos), por muito tempo se discutiu se, um dia, Anahí voltaria a subir até os palcos musicais e daria continuidade à sua discografia com um posterior novo trabalho. Felizmente, foi após muita espera e inúmeras incertezas que 2015 chegou trazendo o que era desejado por todos aqueles que já não aguentavam mais esse torturante hiato indeterminado. Dessa forma, fomos apresentados às inéditas “Están Ahí” e “Rumba”.

A cantora mexicana em ensaio promocional para o “Inesperado” (fotos por Uriel Santana)

Agitando as coisas ao lado de Wisin, é verdade que “Rumba” já havia dado as caras por aqui em uma publicação pouco animadora, mas que, na época, foi eficaz ao nos preparar para os próximos capítulos de um dos comebacks mais aguardados deste último quinquênio. Sucedido pelos singles oficiais “Boom Cha” e “Eres” e da promocional “Siempre Tú”, finalmente todo esse segredo teve um fim na última semana: quando, no dia 3, “Inesperado” ganhou as prateleiras mexicanas e lojas virtuais do mundo todo. Atualmente sendo promovido pela balada mid-tempo “Amnesia”, o novo disco gravado entre os anos de 2015 e 2016 recebeu o selo da “Universal Music” e não só marca a entrada da cantora em uma nova gravadora (após a venda da “EMI”) como também a redireciona para uma sonoridade bem diferente da qual estávamos acostumados.

Em entrevista para a edição de junho da revista “Fernanda”, a moça se mostrou bastante entusiasmada com “Inesperado” e disse que seu recente projeto “é uma produção cheia de colaborações, surpresas e coisas inesperadas: por isso eu quis chamá-lo assim. [Além de ser] o nome de uma das canções, a verdade é que passei por coisas muito imprevisíveis nesse tempo todo. […] Fico muito orgulhosa disso, pois, acredito que quando se dedica, tudo sai muito bem”. Ela, inclusive, conta que, apesar de a probabilidade de voltar para a televisão seja mínima no momento (por conta das inúmeras horas de gravação demandadas por uma novela), seguirá “fazendo a sua música” e espera que todos “recebam com carinho” o lançamento em questão.

Predominantemente pop, “Inesperado” usa e abusa dos elementos típicos do dance-pop e vai além ao incorporar instrumentais influenciados pelo electropop, pelo reggaeton, pelo pop-rock e até mesmo pelo funk carioca. Incluindo 12 novas faixas das quais 2 são covers originalmente gravados por Ana Belén e Víctor Manuel (em “La Puerta de Alcalá”) e Hombres G (em “Temblando”), o sexto álbum de Anahí é rico em colaborações especiais e traz featurings com Wisin, Gente de Zona, Zuzuka Poderosa, David Bustamante e Julión Álvarez. Assinando a composição de 3 faixas exclusivas (os singles “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”), a musicista ainda divide os créditos de escrita com grandes nomes da música latina que já haviam marcado presença no respeitado “Mi Delirio”, dentre os quais destacamos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”).

Afinadíssima, Anahí esbanja também sua ótima (e invejável) forma física aos inacreditáveis 33 anos

Liberado em pré-venda duas semanas antes do seu lançamento oficial, “Inesperado” começou com o pé direito e fez bonito ao abocanhar todas as posições do top 5 do iTunes nacional: um dos territórios onde a cantora leva vantagem devido ao forte público que carrega por aqui. Atingindo o #1 dos charts digitais brasileiros e de mais outros quatro países (Colômbia, República Dominicana, Equador e Peru), o trabalho que conta com a produção de Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara (este último conhecido por já ter trabalhado com Lady Gaga e Thalía) atingiu o #2 no México e foi majoritariamente bem recebido pela crítica especializada – muitos dos quais elogiaram o retorno de Anahí para suas raízes latinas.

Combinando simetricamente música latina com baladas poderosas e faixas mais genéricas, “Inesperado” poderia (apenas à título exemplificativo, é claro) facilmente ser dividido em quatro atos formados, cada qual, de três faixas. O primeiro deles, e provavelmente o mais aguardado por todos aqueles que já haviam ouvido e aprovado o “Mi Delirio”, é o que trata de levar até o ouvinte um pop mais comercial – este representado por “Están Ahí”, “Juntos En La Oscuridad” e “Siempre Tú”. Ganhando destaque pelo uso de dance-pop e electropop, a vocalista não peca ao trazer canções altamente contagiantes que nos fazem lembrar o porquê de seu disco anterior tê-la consagrado tanto perante os fãs, o público e a mídia.

Curiosamente, é interessante que o mainstream não tenha dominado todo o atual trabalho e que a cantora tenha decidido dar uma nova chance para a sonoridade preponderante em sua terra natal – e que tivesse mais a ver com as suas origens latinas, por óbvio. Assim, o segundo arco de “Inesperado” chega até os nossos ouvidos por meio de “Arena Y Sol”, “Rumba” e “Boom Cha”. Intensamente regado a muito reggaeton (um ritmo que tem feito bastante sucesso por toda a América Latina pelos últimos anos), é aqui que duas das principais colaborações vocais que chamam a atenção dentre as 12 novas faixas vêm à tona: “Boom Cha”, gravada em parceria com a funkeira Zuzuka Poderosa; e “Rumba”, com o cantor porto-riquenho Wisin (do duo Wisin & Yandel).

O videoclipe oficial de “Eres”, dueto gravado com o cantor mexicano Julión Álvarez

Partindo para a terceira parte, deve ter sido depois de relembrar os felizardos acertos de seu catálogo musical com a gravação e liberação de algumas baladas de peso movidas a muita emoção que Anahí não deixou nada a desejar ao incluir no disco suas já conhecidas canções mais lentas. Fazendo uma brilhante homenagem aos velhos tempos de “Sálvame”, “Temblando”, “Amnesia” e “Eres” nos ganham logo de cara e se mostram, definitivamente, as melhores faixas deste gênero desde que “Alérgico” havia chegado para trazer um pouco mais de sensibilidade para o “Mi Delirio” – convenhamos que o que veio depois da primeira parceria dela com o Noel Schajris não chegou a causar tanta comoção assim.

Por fim, se a “Primeira Dama do Pop” não teve receio algum de relembrar suas origens mais íntimas abraçando de vez o reggaeton, também não teve medo recuperar toda a nostalgia que ajudou a construir não só ao lado do RBD, mas também muito antes, quando já atuava como solista. Dessa forma, o quarto ato de “Inesperado” é brilhantemente encerrado com “Me Despido”, “La Puerta De Alcalá” e a “faixa-título”: a primeira, levemente semelhante à sonoridade que rolou por todo o “Baby Blue” (de 2000) e as duas últimas bem similares ao som do “Empezar Desde Cero” (de 2007) e do “Para Olvidarte De Mí” (de 2009). Quer maneira melhor de manter-se fiel à sua própria identidade senão trazendo em pleno 2016 um pouquinho do que havia marcado sua trajetória há tantos anos atrás?

Definitivamente, “Inesperado” se mostra o material mais diversificado da ex-RBD até o presente momento e não apenas se sobressai devido ao seu profundo teor eclético, como também em decorrência do alto padrão de qualidade que é inerente a cada faixa que o integra. É certo que, apesar de inovar ao trazer inúmeros duetos do início ao fim (algo raro de se ver no catálogo da cantora), a maioria dos convidados especiais não se encaixa perfeitamente com a melodiosa voz de Anahí (apesar de ainda funcionar bem) e poderia facilmente ter sido dispensada na edição final do disco (das cinco parcerias nele presentes, Gente de Zona é quem recebe os nossos mais sinceros parabéns). Contudo, se a musicista decidiu por repartir a luz dos holofotes com os demais artistas que recebem destaque em seu novo álbum, ela também prospera ao beber de outras fontes musicais que chegaram em boa hora para revitalizar a sua sonoridade. Mesmo que se distancie um pouco do pop que maravilhosamente tanto nos encantou em seu trabalho anterior, Anahí permanece fiel ao seu histórico e trazendo o que de melhor sabe fazer sem cair nas mesmices: música boa de verdade.

“Inesperado”, o novo disco de Anahí, já se encontra disponível para compra digital desde o dia 3 deste mês; entretanto, sua versão física só deverá começar a ser comercializada no Brasil a partir de 24 de junho. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Anahí está cheia de ‘fuego’ em “Rumba”, o single que marca o seu retorno ao mundo musical

Depois de encerrar a divulgação de seu quinto disco de inéditas em 2011, com o single “Para Qué”, muito se questionou se um dia Anahí voltaria mesmo para os estúdios de gravação e daria sequência à sua bem sucedida trajetória musical. Essa incerteza se manifestou por longos três anos, quando a cantora chegou a anunciar que faria uma pausa na carreira para se dedicar ao noivado, às causas nobres e a nova vida de primeira dama de Chiapas. Atualmente casada com Manuel Velasco Coello, o governador do estado mexicano, a decisão tomada pela ex-Rebelde foi por muito tempo o maior tormento de seus seguidores mais fieis que não se contentaram nem mesmo com a liberação da promocional “Absurda”, em 2013.

Contudo, depois de um longo inverno sem fim, 2015 chegou e tem se mostrado um ano de muitas novidades para os admiradores da cantora latina. Dando indícios de que ainda possuía muita vontade de retornar aos palcos, foi em abril deste ano, durante uma entrevista ao programa “Maxine Woodside”, que Anahí comentou se concordava ou não com o retorno da banda RBD. Brincando com seus fãs, ela afirmou que: “se me chamassem, amanhã mesmo estaria com a saia e a gravata. Eu brinco que, se me dizem ‘RBD’, eu digo: onde quer que seja. Antes de qualquer coisa, tenho um agradecimento profundo e imenso ao Pedro Damián [produtor da novela “Rebelde”]. Graças a ele, os seis RBDs somos o que somos hoje, e não digo apenas como artistas, mas como pessoas. Para mim, a gratidão é uma das coisas mais importantes na vida. Então, assim que me falarem, já estou de rebelde”.

Acendendo o pavio da bomba-relógio que acabara de armar, as declarações da vocalista de “Quiero” foram o necessário para começar um dos maiores burburinhos do ano pelos corredores da indústria fonográfica. Quebrando o silêncio e a lacuna de dois anos sem uma nova música, foi depois de quase um mês desta entrevista que a mexicana resolveu fazer o seu esperado comeback junto ao meio musical. Escolhendo a inédita “Están Ahí”, um trocadilho com o seu próprio nome (EstAn ahí = Anahí, sacaram?), a cantora fez bonito ao homenagear alguns fãs super sortudos no lyric vídeo da música – o qual pode ser visto no player mais abaixo.

Ainda sob o selo da “EMI Music”, gravadora que a acolheu desde os lançamentos do RBD, Anahí não se contentou em ser a primeira ex-integrante do grupo a atingir o topo do iTunes Brasil e continuou a sua rotina de lançamentos musicais. Marcando “Están Ahí” como promocional e buscando uma nova sonoridade, foi em 10/07 que a cantora liberou “Rumba” para as rádios de sua terra natal e abraçou de vez as suas origens latinas. Gravada em parceria com o cantor porto-riquenho Wisin, somente nesta semana foi finalmente revelada a data de seu lançamento para as lojas virtuais: o single poderá ser comprado nesta próxima sexta-feira (24/07).

Confirmando que divulgação é a alma do negócio e faz o mundo do entretenimento girar, foi neste último 17/07, no palco dos “Premios Juventud” que a dupla deu vida à primeira apresentação de “Rumba”. Dividindo o mesmo palco que recebeu as aparições do grupo Fifth Harmony e da também ex-RBD Maite Perroni, Anahí e Wisin deram um show de animação com direito a figurinos sexy e a companhia de diversas dançarinos bem coreografados. Aproveitando sua viagem até Miami, a cidade que sediou os “Premios Juventud” deste ano, os cantores não perderam tempo e chamaram ZZinc Group (os mesmos de “Follow the Leader”, de Wisin & Yandel com Jennifer Lopez) para dirigir e rodar o videoclipe do single. O material, diferente da música, ainda não possui data de lançamento, mas muito do que rolou nos bastidores pode ser conferido aqui e aqui.

Mas, se você acha que as novidades param por aqui, então talvez seja melhor se segurar na sua cadeira! Isso porque, segundo a própria cantora, o seu novo álbum está quase pronto e já tem até estreia prevista para breve. Em recente entrevista ao site “Ritmoson”, Any disse que seu sexto trabalho de estúdio deverá sair já em outubro de 2015. Segundo Any: “há uns singles muito bons, umas músicas muito boas e estou muito contente com o trabalho que temos feito. Foi mais de um ano trabalhando nesse material, com gente incrível do mundo da música, e estou feliz”. Aliás, sobre “Rumba”, a sua intérprete foi apenas elogios: “ela é uma grande festa. Queria retornar com algo assim. Queria surpreender com algo distinto, diferente do que já havia feito. Espero que gostem, pois o mais importante é isso. Está nas mãos de vocês. Que gostem!”. Vocês acreditam que até uma turnê internacional está sendo cogitada?

Nesta playlist você confere os áudios oficiais de “Rumba”, “Están Ahí”, a performance realizada no “Premios Juventud 2015” e a entrevista ao “Ritmoson”

Ah, e tem mais! De acordo com alguns boatos que têm circulado a internet iniciados pelo estilista da Anahí e de outros ex-integrantes do RBD, a mexicana teria convidado uma super estrela do pop latino para participar do seu novo álbum. E esse alguém seria ninguém mais, ninguém menos que a popstar Dulce Maria. De acordo com Tony Berber, as duas ex-colegas de banda teriam gravado uma música juntas que será lançada provavelmente com o novo disco da morena. Procurando encontrar qualquer vestígio de que a colaboração é mesmo real, diversos sites resolveram sair em busca de provas e chegaram a uma frase em comum: “haciendo travesuras”. Isso porque ambas as cantoras publicaram fotos em suas redes sociais usando a dita legenda, levando-nos a crer que seria um pequeno verso da suposta parceria. A primeira delas foi Dulce Maria, que publicou esta foto em um estúdio de gravação há três semanas; logo seguida por Anahí, que publicou esta outra com algumas amigas. Apenas colocando mais lenha na fogueira, o mesmo Tony Berber tweetou:

E aí, será que esse possível featuring vai mesmo sair dos estúdios de gravação e entrar para as nossas playlists?

Depois de termos ouvido “Están Ahí” pela primeira vez, confessamos que a música não nos surpreendeu tanto como o imaginado e, apesar de hoje aprovarmos a canção, no fim ela se mostra não muito diferente dos outros singles já liberados pela cantora (seguindo uma linha pop mais genérica). Afinal: após tanto tempo afastada dos holofotes, é natural que o ouvinte espere mais de uma artista do nível de Anahí. E, é com pesar que chegamos à conclusão que “Rumba” não foge muito do lançamento anterior e, provavelmente, não será a melhor faixa do novo disco. Também soando pouco inovadora ou criativa (será que mais ninguém notou uma semelhança gritante com “Adrenalina”, do mesmo Wisin com o Ricky Martin e a Jennifer Lopez?), é aqui que nos fazemos a seguinte indagação: estaria Anahí trilhando o mesmo caminho percorrido recentemente por Maite Perroni com o seu primeiro álbum solo e investindo mais na sua própria cultura?

É verdade que “Mi Delirio”, o último material da agora primeira-dama, é sem sombra de dúvidas o melhor já liberado por ela em sua crescente lista de lançamentos (o que o torna, provavelmente, insuperável). Porém, em se tratando de Anahí, tudo se mostra bem inesperado e não há como ter certeza de nada (pelo menos por enquanto). Afinal: tem sido muito bom ver esse lado mais patriótico da nossa eterna Mia Colucci, e nós temos certeza que será muito melhor descobrir todos os segredos que essa caixinha de surpresas de apenas 1,63m tem reservado para todos nós.

3/7: Os meus 72 discos favoritos – ¡CALIENTE!

4. Caliente

Dando sequência ao especial que elaborei sobre os meus 72 discos favoritos de todos os tempos e, depois de já ter disponibilizado os blocos LIGHTS OFF e LIGHTS ON, é chegada a hora de esquentarmos um pouco as coisas em ¡CALIENTE!, a 3ª parte desse projeto que têm nos feito viajar para tão longe.

Devo adiantá-los que este é o nosso bloco mais curto, mas nem por isso o menos importante ou interessante. A seguir, você encontrará 8 títulos que não necessariamente foram gravados em espanhol, mas que receberam as influências da tão mágica cultura latina. Seja para matar a saudade ou para conhecer trabalhos que muitos de vocês não devem ter ouvido falar antes, esta publicação é destinada a todos aqueles que respeitam a diversidade musical e adoram uma mistura de ritmos, batidas e vibrações diversas.


1. Nuestro amor22. NUESTRO AMOR – RBD

Gravadora: EMI Music, 2005;

Singles: “Nuestro Amor”, “Aún Hay Algo”, “Tras De Mí” e “Este Corazón”;

Não deixe de ouvir também: “Así Soy Yo”, “Fuera”, “Qué Hay Detrás” e “Liso Sensual”.

Todos que hoje têm entre 20 e 25 anos e acompanharam a novela mexicana “Rebelde”, transmitida pelo SBT pela primeira vez entre 2005 e 2006, sabem do que eu estou falando quando menciono “matar a saudade” logo ali em cima. Estrelada pelo sexteto RBD, Anahí, Dulce Maria, Maite Perroni, Alfonso Herrera, Christopher Uckermann e Christian Chavéz foram durante muitos anos os ídolos favoritos de meninos e meninas que passaram pela conturbada fase da adolescência. Com uma pegada pop-rock característica do grupo e da sonoridade da época, os integrantes do RBD devem sentir um imenso orgulho por terem gravado um dos melhores disco de pop latino de todos os tempos. Seja pelos vocais insanos de Anahí na faixa-título “Nuestro Amor” ou pela maturidade trazida por Maite Perroni em “Qué Hay Detrás”, o grupo ultrapassou todos os limites do inimaginável quando gravaram o seu 2º material em estúdio e deixaram o 1º anos-luz de distância em amadurecimento profissional. Destaque ainda para “Me Voy”, faixa que o grupo regravou como um cover para “Gone”, da Kelly Clarkson, e “Feliz Cumpleaños”, originalmente “Happy Worst Day”, da sueca Mikeyla.


2. Loose23. LOOSE – NELLY FURTADO

Gravadora: Geffen Records, 2006;

Singles: “No Hay Igual”, “Promiscuous”, “Maneater”, “Say It Right”, “All Good Things (Como To And End)”, “Te Busqué”, “Do It” e “In God’s Hands”;

Não deixe de ouvir também: “Afraid”, “Glow”, “Somebody To Love” e “Let My Hair Down”.

Com certeza um dos álbuns com mais singles que eu já vi até a presente data, Nelly Furtado estava sentada no topo do mundo quando terminou a divulgação de “Loose”, seu 3º trabalho de inéditas. É neste CD que encontramos as gigantes “Say It Right” e “Promiscuous”, responsáveis por imortalizar o nome de Nelly no cenário musical e fazer com que nenhum outro artista chegasse aos seus pés durante anos e mais anos. A crítica, quando do lançamento de “Loose”, elogiou a atuação de Timbaland no disco, dizendo por diversas vezes que a combinação entre ele e Furtado foi primordial para revitalizar a imagem artística e comercial da cantora. Seja cantando R&B, dance-pop ou hip-hop, Nelly sempre arrasou em sua música independente do estilo que abordasse – por mais que “The Spirit Indestructible”, o incrível último material liberado pela canadense, não tenha sido tão bem recebido pelo público.


3. Mi Delirio24. MI DELIRIO – ANAHÍ

Gravadora: EMI Music, 2009;

Singles: “Mi Delirio”, “Me Hipnotizas”, “Quiero”, “Alérgico” e “Para Qué”;

Não deixe de ouvir também: “Qué Mas Da”, “Hasta Que Llegues Tú”, “Él Me Mintió” e “Hasta Que Me Conociste”.

Estamos no ano de 2009 e a nova morena do pedaço não poderia ser outra se não Anahí, agora uma ex-integrante do grupo RBD. Dando continuidade a sua carreira solo musical, é liberado o 5º álbum de estúdio da cantora em novembro do mesmo ano, o atrevido “Mi Delirio”. Já causando horrores com o carro-chefe, Anahí foi motivo de burburinho desnecessário por combinar sexualidade, sadomasoquismo, insanidade e religião num mesmo clipe – como se Madonna e Lady Gaga nunca tivessem feito isso antes. Visionária no que fez, o álbum ganhou uma edição deluxe com 2 remixes de “Mi Delirio” e mais 4 faixas inéditas, entre elas o single “Alérgico” e a obscura “Pobre Tu Alma”. Dona de uma voz suave, mas poderosa – Any foi responsável pela maioria dos high notes em backing vocal do RBD – a mexicana já planeja seu retorno à carreira musical após o estranho abandono de “Absurda”, canção liberada em 2013 mas que não ganhou nenhuma divulgação por parte de sua equipe.


4. Escape25. ESCAPE – ENRIQUE IGLESIAS

Gravadora: Interscope Records, 2001;

Singles: “Hero”, “Escape”, “Love To See You Cry”, “Don’t Turn Off The Lights” e “Maybe”;

Não deixe de ouvir também: “I Will Survive”, “One Night Stand”, “She Be The One” e “If The World Crashes Down”.

Conseguir reconhecimento musical nos dias de hoje não é uma tarefa nada fácil, mas Enrique Iglesias continua sendo um dos poucos que domina a façanha de dividir milhares de fãs não só da América Latina, mas também dos EUA e tantos países da Europa. Apesar de possuir milhões de cópias dos seus 4 primeiros álbuns espalhadas pelo mundo, foi somente em “Escape” que o espanhol passou a expandir seu império por todo o planeta. Trazendo o mega sucesso “Hero”, o 5º álbum do galã foi a primeira grande tentativa musical redirecionada ao mercado norte-americano, sem, é claro, abandonar suas origens espanholas indispensáveis. Dono de uma voz marcante e de um timbre único, nem preciso comentar que este é com certeza um dos fatores que faz Enrique ser o sonho de consumo de 9 entre 10 mulheres, né?


5. She Wolf26. SHE WOLF – SHAKIRA

Gravadora: Epic Records, 2009;

Singles: “She Wolf”, “Did It Again”, “Give It Up To Me” e “Gypsy”;

Não deixe de ouvir também: “Why Wait”, “Men In This Town”, “Mon Amour” e “Loba”.

Este é sem sombra de dúvidas um dos trabalhos menos regionais da colombiana mais popular da história, mas isso não quer dizer que Shakira tenha deixado de lado suas raízes quando da elaboração e gravação de “She Wolf”, seu 8º álbum de inéditas. Apostando pesado no eletropop, sonoridade jamais trabalhada pela cantora em sua discografia, o disco recebeu ainda influências musicais de várias partes do mundo como a África, a Índia e o Oriente Médio. Brincando com diversos estilos musicais (R&B, hip-hop, rock, hindu music), Shakira foi primorosa ao combinar tudo o que podemos ouvir por aí com os seus tão característicos elementos da música latina que a tornaram tão famosa. E tudo isso é acompanhado do que? Isso mesmo, do sotaque castelhano que nos faz rebolar na pista de dança desde os tempos de “Whenever, Wherever”.


6. Celestial27. CELESTIAL – RBD

Gravadora: EMI Music, 2006;

Singles: “Ser O Parecer”, “Celestial”, “Bésame Sin Miedo” e “Dame”;

Não deixe de ouvir também: “Tu Dulce Voz”, “Algún Día”, “Me Cansé” e “Es Por Amor”.

Depois de dois álbuns bem sucedidos e duas turnês que percorreram diversos países da América, o RBD já tinha adquirido tanta fama que era impossível não conhecer os singles do grupo ou a novela estrelada pelo sexteto (no Brasil transmitida pela emissora de Sílvio Santos). Após o bem recebido “Nuestro Amor”, o qual levou um 2º #1 para os integrantes em seu país de origem, o México, “Celestial” chegou as prateleiras castelhanas em 23 de novembro de 2006. Seguindo o formato pop latino trabalhado nos dois primeiros discos da banda – só que dessa vez não tão obscuro como em “Nuestro Amor” -, “Ser O Parecer” foi a faixa escolhida para abrir a divulgação do disco. Assim como os outros discos do RBD, “Celestial” também traz alguns covers em sua tracklist, sendo eles “Tu Dulce Voz” (“The Little Voice”, gravada originalmente por Sahlene – e também regravada por Hilary Duff para o seu álbum de estreia), e “Bésame Sin Medo” (“Kiss Me Like You Mean It”, da norte-americana Sarah Paxton). O 3º trabalho de inéditas da banda foi tão bem recebida nos EUA que conseguiu emplacar um #15 na “Billboard 200”, a relação dos 200 álbuns mais vendidos semanalmente em terras estadunidenses.


7. 728. 7 – ENRIQUE IGLESIAS

Gravadora: Interscope Records, 2003;

Singles: “Addicted” e “Not In Love”;

Não deixe de ouvir também: “California Callin’”, “Break Me, Shake Me”, “Be Yourself” e “Live It Up Tonight”.

Você pode achar que foi só por volta de 2010 que Enrique Iglesias passou a ser visto nas baladas da vida gravando clipes para hits como “I Like It” e “Tonight (I’m Fuckin’ You)”, mas sinto-lhe informar que isso já acontecia há algum tempo. Liberado há distantes 12 anos, o sucessor de “Quizás” aparece como mais uma tentativa de Iglesias em fixar seu nome nos charts norte-americanos. Não tão bem sucedido como “Escape” (2001), “7” é uma ótima dica para quem curte o lado “menos raiz” do cantor e acaba por preferir suas músicas gravadas em inglês. O legal deste disco é que, apesar de ser predominantemente pop, Enrique nunca abandonou 100% os elementos da música latina responsável pela produção de seus trabalhos anteriores, seja por sua voz tipicamente carregada, seja pelos instrumentais de músicas como “Say It”, “Addicted” e “Wish You Were Here (With Me)”.


8. Life29. LIFE – RICKY MARTIN

Gravadora: Columbia Records, 2005;

Singles: “I Don’t Care”, “Drop It On Me” e “It’s Alright”.

Não deixe de ouvir também: “I Won’t Desert You”, “Stop Time Tonight”, “I Am” e “This Is Good”.

“Música + Alma + Sexo” (2011) é definitivamente um dos meus trabalhos favoritos deste esplêndido músico, e pra dizer bem a verdade foi por pouco que não incluí essa obra em ¡CALIENTE!, o nosso 3º bloco dos meus 72 discos favoritos. Todavia, o 8º álbum solo de Martin, “Life”, faz mais jus à palavra que intitula esta publicação e vocês entenderão o porquê disso agora mesmo. Famoso por sua beleza estonteante e por uma sensualidade fora do comum, desde “Livin’ La Vida Loca” não presenciamos o porto-riquenho em uma fase tão… er, gostosa de se ver, e eu não afirmo isso apenas visualmente como também musicalmente. Prova disso é o clipe gravado para o lead single “I Don’t Care” que com certeza corroborá tudo o que disse até agora – qualé, Ricky, “eu não me importo, apenas quero ser seu”. Vale destacar, ainda, as brilhantes “I Am” e “This Is Good”, faixas que integram o álbum e fizeram bonito ao trazer essa imagem mais madura para o cantor.


TEEN SPIRIT vem aí…