Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás (#3)

Já não é novidade pra ninguém que acompanha o nosso blog que a música pop se tornou, a longo prazo, uma das temáticas mais frequentes de nossas resenhas e artigos especiais. Assim, dando continuidade a um quadro bastante popular por aqui (mas que no ano passado falhou bruscamente ao dar o ar de sua graça), é com prazer que ressuscitamos o “10 melhores álbuns de 10 anos atrás” com o que é, ao nosso ver, o melhor período vivenciado pela indústria musical contemporânea desde o início dos anos 2000 (reveja as partes 1 e 2).

Voltando para os dias de glória em que as rádios imortalizaram o melhor dos grandes produtores de outrora, é em ritmo de tremenda nostalgia que compilamos, a seguir, 10 discos inesquecíveis que farão você querer entrar em uma máquina do tempo para esquecer tudo o que ouviu recentemente. Ah, e não se esqueça de clicar nas capas dos álbuns para conferir um clipe de cada era, tá bem? Tudo certo? Então prepare-se para relembrar cada um destes hinários que bombaram muito há uma década, começando por:

10) EMPEZAR DESDE CERO – RBD

Gravadora: EMI Music

Lançamento: 20 de novembro de 2007

Singles: “Inalcanzable”, “Empezar Desde Cero” e “Y No Puedo Olvidarte”

Considerações: Conhecido como um dos maiores fenômenos da América Latina de todos os tempos, não é à toa que o RBD rapidamente conquistou milhares e milhares de fãs por todos os países em que a telenovela “Rebelde” chegou a ser exibida. Já experientes após o lançamento de 4 bem-sucedidos discos de estúdio, foi num tom mais intimista que os seis membros do grupo fizeram bonito ao nos entregar esta joia rara que abre o nosso “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Pegando emprestado o tradicional pop-rock chiclete característico de sua própria discografia (principalmente dos discos “Rebelde” e “Celestial”), “Empezar Desde Cero” traz letras mais reflexivas enquanto explora com maestria os vocais de Anahí, Dulce, Maite, Christopher, Alfonso e Christian. Dizendo adeus ao toque bem obscuro do queridinho “Nuestro Amor”, o 5º álbum do sexteto foi o grande responsável por nos apresentar aos hinos insuperáveis “Fuí La Niña”, “No Digas Nada” e “Sueles Volver” – e, ainda, fazer justiça ao dar mais espaço para a talentosíssima Maite Perroni, que pela primeira vez comandou um single (faixa-título) como vocalista principal

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 no “Mexican Albums Chart”, atingindo o #4 na sua quinta semana (número de vendas desconhecido)

9) THE BEST DAMN THING – AVRIL LAVIGNE

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 17 de abril de 2007

Singles: “Girlfriend”, “When You’re Gone”, “Hot” e “The Best Damn Thing”

Considerações: É claro que não deixaríamos a primeira colocada da 1ª parte do nosso especial de fora – ainda mais quando, há exatos 10 anos, pudemos conferir um dos trabalhos mais controversos de toda a carreira de Avril Lavigne. Causando bastante barulho com o lançamento do carro-chefe “Girlfriend” (o qual, curiosamente, tornou-se o único #1 de Avril na “Billboard Hot 100” estadunidense), em “The Best Damn Thing” a canadense não teve medo de deixar o post-grunge totalmente de lado para priorizar um som bem alto-astral puxado mais para o pop e menos para o rock. Contrariando em muito uma significativa parcela de seus fãs que de cara reprovou a mudança repentina no estilo, a Princesinha do Pop-punk não demorou nada para deixar o seu jeito “largada” de lado e adotar uma personalidade cada vez mais provocativa. Musicalmente falando, entretanto, “The Best Damn Thing” foi certeiro e não economizou nos hits, sendo que “When You’re Gone” e “Hot” fizeram bastante sucesso pelo mundo e instantaneamente caíram no gosto popular

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 289.000 cópias na primeira semana

8) DELTA – DELTA GOODREM

Gravadora: Sony BMG, Mercury Records

Lançamento: 20 de outubro de 2007

Singles: “In This Life”, “Believe Again”, “You Will Only Break My Heart” e “I Can’t Break It to My Heart”

Considerações: Você até pode nunca ter ouvido falar de uma das australianas mais talentosas da música internacional atual, mas, Delta Goodrem já havia governado o topo da “ARIA Albums Chart” com seus dois primeiros discos muito antes de repetir o feito com “Delta”. Enterrando seu passado sombrio que havia sido tão bem explorado em “Mistaken Identity” (2004), Goodrem não pensou duas vezes e, com suas energias totalmente recarregadas, tratou de entregar aos fãs um trabalho que realmente refletisse sua triunfal vitória sobre o linfoma de Hodgkin. Transmitindo boas energias em faixas luminosas como “Possessionless” e “God Laughs”, a loira não perdeu tempo e foi além ao nos presentear com um dos singles mais dançantes de sua bem estruturada discografia: a viciante “Believe Again”. Ah, e vale dizer ainda que o “Delta” chegou, inclusive, a estrear na “Billboard 200” estadunidense, na posição #116 (sendo este o único álbum de Goodrem, até o momento, a conseguir tal feito)

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Albums Chart” com vendas de 23.072 cópias na primeira semana

7) HEADSTRONG – ASHLEY TISDALE

Gravadora: Warner Bros.

Lançamento: 6 de fevereiro de 2007

Singles: “Be Good To Me”, “He Said, She Said”, “Not Like That” e “Suddenly”

Considerações: Como se não bastasse ver seu nome decolar após protagonizar a franquia “High School Musical”, Ashley Tisdale deu um show de versatilidade quando anunciou sua carreira solo juntamente ao seu 1º álbum de inéditas, o “Headstrong”. Misturando uma pitada de synthpop a muito dance-pop e R&B da melhor qualidade, Tisdale não se acanhou nos batidões e, totalmente desvinculada de Sharpay Evans, deu ao mundo uma pequena prévia de todo o seu poderio vocal. Mesclando faixas que transbordavam o melhor da música eletrônica de uma década atrás (“He Said She Said”, “Goin’ Crazy”) à baladinhas românticas bem clichês e adolescentes (“Unlove You”, “We’ll Be Together”), a garota prodígio rapidamente passou de “uma das Disney stars mais queridas do mundo” para “um dos maiores sonhos de consumo do público masculino” – quando figurou na lista das 100 mulheres mais sexys de 2008, em #10, pela revista “Maxim”. E isso tudo com pouquíssimo tempo de carreira solo!

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 72.000 cópias na primeira semana

6) HANNAH MONTANA 2: MEET MILEY CYRUS – HANNAH MONTANA/MILEY CYRUS

Gravadora: Walt Disney Records, Hollywood Records

Lançamento: 26 de junho de 2007

Singles: “Make Some Noise”, “Nobody’s Perfect” e “Life’s What You Make It” / “See You Again” e “Start All Over”

Considerações: Mundialmente conhecida como o rosto por trás do sucesso da série de TV “Hannah Montana”, foi somente em 2008 que Miley Cyrus começou a fazer dinheiro por si mesma: quando liberou o disco “Breakout”. Entretanto, o que muita gente desconhece é que, um ano antes, diversas rádios internacionais já tocavam os hits da própria Miley; os quais haviam sido recém-lançados em conjunto à 2ª trilha-sonora do aclamado programa do Disney Channel. Assim nasceu “Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus”, o álbum duplo que trazia 10 novas faixas da popstar adolescente mais famosa da TV e mais 10 novas faixas interpretadas por… Miley Cyrus. Enquanto “Hannah Montana 2” repetiu a dose da primeira soundtrack e trouxe à tona um pop mais fabricado destinado ao público infanto-juvenil, “Meet Miley Cyrus” experimentou uma porção de gêneros que culminou na primeira experiência madura de Cyrus como musicista. Compondo 8 das 20 músicas presentes no trabalho, foi nesta obra que a garota lançou o seu primeiro single, “See You Again”, e nos cativou com as pérolas “As I Am” e “Right Here”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 325.000 cópias na primeira semana

5) GOOD GIRL GONE BAD – RIHANNA

Gravadora: Def Jam Recordings, SRP Music Group

Lançamento: 31 de maio de 2007

Singles: “Umbrella”, “Shut Up And Drive”, “Hate That I Love You”, “Don’t Stop The Music”, “Take a Bow”, “Disturbia” e “Rehab”

Considerações: Não que Rihanna fosse uma total desconhecida quando seu prestigiado “Good Girl Gone Bad” chegou às prateleiras das lojas (até porque os hits “SOS” e “Pon de Replay” já haviam abocanhado o #1 e #2 da “Billboard Hot 100” muito antes disso), mas, não podemos negar que foi após o seu lançamento que a carreira da moça decolou de vento em popa. Auxiliada pelo mentor Jay-Z, que de quebra participou do lead single “Umbrella”, o 3º disco da barbadiana foi tão bem supervisionado que recebeu, ainda, o toque de Midas dos super respeitados Ne-Yo, Justin Timberlake, StarGate e Timbaland. Combinando um visual bastante exótico que somente o Caribe tem a oferecer com o vocal inconfundível da Rihanna, “Good Girl Gone Bad” irradiou um R&B bem gostosinho que com certeza não sai da sua cabeça até os dias de hoje. O sucesso foi tamanho que no ano seguinte o álbum foi relançado sob o nome “Good Girl Gone Bad: Reloaded” contendo as inéditas “Take a Bow”, “Disturbia” e “If I Never See Your Face Again”, com o Maroon 5

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 162.000 cópias na primeira semana

4) BRAVE – JENNIFER LOPEZ

Gravadora: Epic Records

Lançamento: 4 de outubro de 2007

Singles: “Do It Well” e “Hold It Don’t Drop It”

Considerações: Que há anos Jennifer Lopez concilia uma invejável carreira de sucesso em Hollywood com uma multiplatinada trajetória na música todos já estão cansados de saber. Porém, muito antes de migrar para as batidas do electro-pop e conquistar as pistas de dança com “On the Floor” e “Dance Again”, JLo ainda perambulava por um R&B bem mais suave e orquestral, e é esta a sonoridade que pudemos contemplar do início ao fim de “Brave”, o 6º de sua discografia. Solidificando o carro-chefe “Do It Well” como uma de suas canções mais icônicas, foi com bastante requinte e autoconfiança que a norte-americana de sangue latino nos bombardeou com o seu trabalho mais consistente até o momento. Finalmente impondo sua identidade e superando em muito seus álbuns anteriores (que, convenhamos, continham diversas faixas bem “tapa buraco”), Lopez não poupou na afinação e parece ter entregado tudo de si nas brilhantes “Hold It Don’t Drop It” e “Mile in These Shoes”. Destaque, ainda, para a refrescante “Forever” e a emocionante faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #12 na “Billboard 200” com vendas de 52.600 cópias

3) X – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Parlophone Records

Lançamento: 21 de novembro de 2007

Singles: “2 Hearts”, “Wow”, “In My Arms”, “All I See” e “The One”

Considerações: Completando, neste ano, três décadas de estrada, não é novidade para ninguém que a australiana Kylie Minogue é a proprietária de um dos catálogos mais respeitados dentro do meio musical internacional. E, foi há exatos 10 anos que tivemos a grandiosa honra de conhecer “X”, o 10º álbum de estúdio da veterana. Originalmente nomeado “Magnetic Electric”, o aguardadíssimo sucessor de “Body Language” (2003) foi, para Kylie, o mesmo que “Delta” foi para Delta Goodrem; isso porque, assim como a sua conterrânea, Minogue acabara de vencer uma árdua e superexposta batalha contra o câncer (de mama). Contando com a ajuda de profissionais de renome como Bloodshy & Avant, Guy Chambers e Calvin Harris, a voz que dá vida ao sucesso “In My Arms” revelou, à época, que não quis repetir toda a melancolia de “Impossible Princess” (1997) e deu preferência a um som bem mais alegre e contagiante. Seguindo as tendências do electro-pop, “X” é bastante eclético e compõe-se tanto de instrumentais mais sofisticados (como “Like a Drug” e “Sensitized”) quanto de baladinhas suaves e românticas (como “All I See” e “Cosmic”). Extravasando positividade, teve até espaço para “No More Rain”, a sensacional canção composta pela própria australiana no intuito de dizer adeus a seu triste diagnóstico anterior

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Awards” com vendas de 16.000 cópias na primeira semana

2) DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 21 de março de 2007

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”

Considerações: Todo jovem artista que se lança na indústria do entretenimento possui a probabilidade de protagonizar, em determinado momento de sua trajetória, algum programa de televisão voltado ao público infantil. Apesar de Hilary Duff ter passado exatamente por isso, é claro que não demoraria muito para a moça entrar na vida adulta e demonstrar um forte desejo de mudar a sua imagem pública como profissional. Com anseios de amadurecimento, em “Dignity” a nova morena do pedaço conseguiu não apenas elaborar o melhor trabalho de sua carreira como também adquiriu o respeito de todos aqueles que não levavam a sério o seu brilhante engajamento como musicista. Perfeitamente envolvida na produção executiva e composição de seu 4º disco de inéditas, Duff teve tempo de sobra para nos contar um pouquinho mais sobre a separação de seus pais (“Stranger”, “Gypsy Woman”), o rompimento com o próprio namorado (possivelmente a faixa-título) e um feliz incidente envolvendo um stalker russo (“Dreamer”). Com vocais mais contidos combinados a instrumentais dançantes cheios de muita elegância, Hilary nunca esteve tão confortável em um trabalho que exalasse tanta honestidade e autodeterminação

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 140.000 cópias na primeira semana

1) BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 25 outubro de 2007

Singles: “Gimme More”, “Piece of Me” e “Break the Ice”

Considerações: Eis que chegamos ao topo da nossa lista com o que é considerado, por muitos (inclusive por nós do Caí da Mudança), o melhor álbum pop deste milênio. E quando falamos em “Blackout” qualquer elogio definitivamente não é exagero! É curioso, contudo, que o maior nome por trás de sua criação não estivesse com o juízo completamente no lugar quando o carro-chefe “Gimme More” chegou em setembro de 2007 trazendo uma Britney Spears novinha em folha. Vivendo um verdadeiro inferno na Terra, a insubstituível Princesinha do Pop usou e abusou dos sintetizadores enquanto as composições do disco, claramente inspiradas pelas manchetes sensacionalistas dos tabloides da época, se encarregaram de expor uma crítica social e tanto. O sucesso foi tamanho que o 2º single do material, “Piece of Me”, entrou para a setlist de todas as turnês posteriores ao seu lançamento e ainda deu nome à atual residência que a cantora realiza em Las Vegas desde 2013, a “Britney: Piece of Me”. Tudo isso, é claro, não teria sido possível se não houvesse o envolvimento de mestres como Danja, Bloodshy & Avant, Kara DioGuardi, Keri Hilson e Jim Beanz. Em 2012, o “Rock and Roll Hall of Fame” incluiu “Blackout” em sua conceituada biblioteca musical

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 290.000 cópias na primeira semana


BÔNUS) MY DECEMBER – KELLY CLARKSON

Gravadora: RCA Records, 19 Recordings

Lançamento: 22 de junho de 2007

Singles: “Never Again”, “Sober”, “One Minute” e “Don’t Waste Your Time”

Considerações: Por fim, antes de encerrarmos a 3ª parte do “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”, cabe a nós incluir uma importante menção honrosa ao 3º álbum de estúdio da primeiríssima vencedora do “American Idol”, Kelly Clarkson. Bem diferente do pop-rock mainstream que dominou o exitoso “Breakaway” (2004), “My December” aposta toda as suas fichas em uma sonoridade bem mais pesada e expressiva fortemente influenciada pelo rock. Coescrevendo cada uma das 13 faixas presentes na edição standard, Clarkson não teve medo de dar uma pausa nas parcerias de sucesso proporcionadas por Max Martin e Dr. Luke e mergulhou de cabeça por um caminho bem mais intimista que de longe nos fez lembrar o saudoso “Thankful” (2003). Você certamente já ouviu o lead single “Never Again”, que atingiu o #8 da “Billboard Hot 100”

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 291.000 cópias na primeira semana


E aí, deixamos algum trabalho de fora? Em sua opinião quais são os 10 melhores lançamentos de 10 anos atrás? Conte-nos a sua opinião.

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Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

À procura de novos horizontes, Delta Goodrem rompe as amarras e abre suas asas em “Wings of the Wild”

Há pouco mais de dois meses demos destaque, aqui no Caí da Mudança, para um dos últimos trabalhos assinados pela cantora australiana Delta Goodrem: a baladinha super pessoal “Dear Life” (relembre, agora mesmo, a nossa resenha especial sobre a música). Acontece que, de lá para cá, muita água rolou por mares e oceanos internacionais; e como se não fosse o suficiente abocanhar todos os elogios da mídia regional com uma gravação totalmente épica e não menos que honesta, a loira foi além ao liberar, no dia 1º julho, o seu esperadíssimo 5º disco de inéditas.

Sucedendo o saudoso “Child of the Universe” (2012), “Wings of the Wild” aproveitou o buzz gerado pelo hit incontestável “Wings” (recorde) e foi muitíssimo feliz ao chegar derrubando muros com “Enough”, o dueto recém-lançado em parceria com a rapper estadunidense Gizzle. Amparada a uma letra poderosa que não apenas traça novos limites como impõe objetivos mais promissores à atual fase artística da moça, a colaboração ocupa o posto de “Dear Life” de maneira memorável nos entregando um dos trabalhos mais audaciosos já protagonizados por Goodrem desde a dançante “Believe Again”.

A cantora em ensaio fotográfico para o álbum “Wings of the Wild”

Entretanto, não é só de singles que a musicista sobrevive e, se seu recente repertório acerta na escolha das faixas que o representam muito bem comercialmente, também ganha a confiança do ouvinte pela qualidade que é inerente à cada canção que o compõe. Isso, é claro, não nasceu de um dia para o outro, e se o esforço de Delta e sua equipe foi árduo desde o início das gravações (quando a nova era ainda era planejada e começara a ganhar forma), ao final o mérito atingido não poderia ser outro senão o exalado do começo ao fim pelo “Wings of the Wild”.

Gravado entre os anos de 2013 a 2016, “Wild” é distribuído sob o selo da “Sony Music Australia” e foi antecedido pela promocional “Only Human” (ouça) – além das oficiais “Wings”, “Dear Life” e “Enough”. Soando predominantemente pop, o material é bastante eclético e conta com inúmeras influências de gêneros como a dance music, o rap e até mesmo um pouco de rock. Atingindo o #8 nos charts neozelandeses, o disco estreou direto no topo australiano e já ostenta um merecido certificado de ouro pela impressionante venda de 35 mil cópias (este é o quarto #1 da moça na parada de álbuns de sua terra natal, sendo o primeiro em nove anos – quando o “Delta” encabeçou o feito lá em 2007).

Contendo as produções de Vince Pizzinga (quem trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e do duo DNA, “Wings of the Wild” abarca um time de compositores gigantesco que vai desde Martin Johnson (“Rock N Roll”, Avril Lavigne), a David Hodges (antigo membro do Evanescence), Jon Hume (vocalista do Evermore) e aos integrantes do 3OH!3 (Nathaniel Motte e Sean Foreman). Coescrevendo 12 das 13 faixas presentes no disco (à exceção de “I Believe in a Thing Called Love”, cover da banda inglesa The Darkness), Goodrem prepara atualmente a 4ª turnê de sua prestigiada carreira – a qual já possui, até o fechamento deste post, alguns shows agendados até novembro deste ano.

Confere só esse vídeo super legal publicado pelo “Delta Goodrem Brazil” que promove as Olimpíadas do Rio 2016 ao som de “In the Name of Love”, uma das novas faixas do “Wings of the Wild”

Descrito, pela própria cantora, como um trabalho que caminha pelas temáticas da “selvageria, da crueza e da liberdade”, “Wings of the Wild” distancia-se um pouco do pop que o público esteve acostumado a ouvir no restante do catálogo de Delta e se revela muito mais desafiador que o esperado. Isso porque, diferente das duas gravações anteriores (“Delta” e “Child of the Universe”) que haviam sido projetadas de forma pouco pretensiosa, este novo álbum não se contenta com pouco e vai muito além ao estender o perímetro sonoro pelo qual Goodrem tanto perambulou por esta última década. Recuperando a vivacidade tão nítida de “Mistaken Identity” (2004), as canções inéditas que fazem parte deste novo material se entrelaçam à temática proposta por sua vocalista e comprovam um nível de coesão genial.

Altamente moderno desde a sua primeira audição, “Wings of the Wild” nos harmoniza uma infinidade de gêneros que, diferente das recentes bagunças lançadas pelos demais artistas de 2013 para cá, funciona de maneira exímia e exibe todo o comprometimento de Delta com a criação, composição, produção e finalização de seu trabalho. Tomando apenas por norte (mas não como inspiração) um pouco de tudo que tem tocado nas rádios internacionais, a experiência que a australiana adquiriu ao lado de Anthony Egizii e David Musumeci (o duo DNA, o mesmo responsável pelos dois primeiros singles oficiais desta era) certamente foi eficaz ao abrir seus horizontes e introduzi-la para um novo público muito mais contemporâneo.

Gravada em parceria com a rapper Gizzle, “Enough” funciona como o 3º single oficial do álbum e teve seu videoclipe dirigido por Matt Sharp (o mesmo de “You Ruin Me”, do The Veronicas)

Aventurando-se pelo dance de “Feline” e “In the Name of Love”, pela black music de “Enough” e pelo pop mais simplista de “Just Call”, “Encore” e “Hold On”, “Wings of the Wild” se sobressai ferozmente e até se mostra nostálgico em “Heavy” e “I’m Not Giving Up” (ao retrabalhar a sonoridade que Goodrem construiu desde o início da sua carreira). E isso tudo sem mencionarmos toda a energia contagiante de “The River” e a pureza fenomenal de “I Believe in a Thing Called Love” e “Only Human”,  que não só trazem uma lufada de fôlego extra para o som mais linear do restante da tracklist como nos apresentam facetas bem interessantes de sua intérprete.

Ostentando instrumentais marcantes dignos de uma verdadeira profissional que se mantém atualizada acerca das tendências de hoje em dia, o 5º álbum de Delta evolui de forma expressiva nos vocais e pode surpreender bastante o ouvinte que pouco conhece de sua trajetória. Dona de três oitavas e de um timbre peculiar que lhe proporciona uma voz cheia de emoção e desenvoltura, Goodrem nunca esteve tão à vontade ao entoar seus novos hinos de maneira bem segura e objetiva, convencendo-nos sobre o teor de cada composição e seu real objetivo como formadora de opinião. Até mesmo “Enough”, que comporta uma letra mais direta/agressiva para ouvidos mais sensíveis, não foge da proposta trazida pelo disco e se destaca por um autocontrole sem medidas.

Similar aos diversos hits que têm bombado pelos quatro cantos do planeta, “Wings of the Wild” felizmente não cai na mesmice e permanece fiel à linha evolutiva que Delta vem construindo desde 2002, quando estourou com o seu primeiro disco de estúdio. Bem estruturado e com produções muito originais que conseguem extrair o melhor da musicista, assim como nos antecessores “Innocent Eyes”, “Mistaken Identity”, “Delta” e “Child of the Universe” é impossível não se arrepiar com a combinação perfeita de vocal, instrumental, ritmo e temática. Naturalmente criativo e superior a qualquer outro álbum pop protagonizado pelos ídolos mainstream dos mercados norte-americano e europeu, o material está no ponto e deve agradar todos aqueles que curtem música internacional (e provavelmente se encontram decepcionados com o que tem sido lançado por aí). Delta Goodrem, mais uma vez, conseguindo o feito extraordinário de superar a si mesma enquanto eleva o nível e conduz uma verdadeira aula sobre autoconhecimento, honestidade e inovação – e o mais importante: sem perder o foco de sua personalidade.

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Demi Lovato continua de bem com o corpo em “Body Say”, o seu super positivo (e sensual) novo single

Desde que lançou o seu quinto disco de inéditas e o veiculou a três novos singles (“Cool for the Summer”, “Confident” e “Stone Cold”), Demi Lovato não diminuiu o ritmo de sua carreira e soube como manter-se no estrelato ao colaborar em trabalhos de outros respeitados artistas, como o Fall Out Boy (no remix de “Irresistible”) e o Brad Paisley (na country “Without a Fight”) – as quais podem ser conferidas aqui e aqui.

Entretanto, desde que “Stone Cold” ganhou maior visibilidade em março deste ano e foi selecionada para representar o terceiro single do álbum “Confident” (2015), a intérprete de “Give Your Heart a Break” permaneceu sem muitas novidades e parece ter encerrado precocemente a divulgação do bem recepcionado sucessor de “Demi” (2013). Felizmente, essa ausência de lançamentos perdurou apenas até o começo deste mês, quando a nova “Body Say” ganhou os serviços de streaming no dia 1º de julho após o que parece ter sido uma chuva de rumores intermináveis.

Demi Lovato em ensaio fotográfico por Mike Rosenthal para a revista “American Way” (2016)

Enviada para as rádios pop no último dia 12 (e adicionada ao catálogo virtual do iTunes três dias mais tarde), a faixa predominantemente R&B rege-se pelas influências do electropop e aborda, liricamente, as já conhecidas sexualidade e autoconfiança que tanto marcaram presença em “Confident”. Distribuída sob os selos da “Island”, “Safehouse” e “Republic Records”, “Body Say” foi composta pela própria morena em parceria com Simon Wilcox (“Write On Me”, Fifth Harmony) e Nolan Lambroza (“Good for You”, Selena Gomez – este último também responsável pelo trabalho de produção da música). Apresentada pela primeira vez durante a “Future Now Tour”, a canção é esperada para integrar a tracklist do próximo disco de Demi (o que, até o presente momento, não foi confirmado pela moça ou sua assessoria de imprensa).

Seguindo fielmente os passos anteriormente dados pelo hit “Cool for the Summer” (a colaboração de Lovato com o Max Martin que rendeu à cantora um respeitado #11 na “Billboard Hot 100”), “Body Say” repete a sonoridade mais madura de seus singles anteriores e, logo de cara, nos surpreende por sua roupagem profundamente intimista e cativante. Com um instrumental bem contemporâneo similar aos recentes materiais de Justin Bieber e Selena Gomez (e até mesmo ao repertório da própria Demi, como “Wildfire” e “Old Ways”), a canção caminha bem do início ao fim e é feliz ao soar comercial de uma forma nada pretensiosa.

O áudio oficial de “Body Say”

Com vocais mais contidos e harmônicos que vêm para nos trazer uma faceta mais adulta de sua intérprete (o que, diga-se de passagem, funciona bem com o timbre da musicista – e, ao nosso ver, supera o too much de “Stone Cold”), “Body Say” cresce na medida em que seus versos se tornam mais e mais sensuais. Desenrolando-se por toda a composição como se brincasse com a imaginação do ouvinte em trechos como “você pode me tocar devagar, acelere, amor, me faça suar”, a produção do single é certeira ao retrabalhar o que já temos ouvido por aí de uma forma totalmente nova, sem demonstrar desespero ou aflição – e o melhor de tudo: sem recorrer à linguagem explícita.

Chegando até o público como mais um novo capítulo da jornada de Demi pela saúde e autoconfiança de seu corpo, o novo single apresenta-se de forma positiva e é o indício de que muita coisa boa pode chegar com o passar dos próximos meses e anos. De um modo geral, é verdade que “Body Say” não se mostra tão diferente do que havíamos conhecido nas 13 faixas inéditas do “Confident”, mas, de qualquer maneira, seu lançamento não nos pode passar despercebido – e por uma boa razão. Isso porque, pela primeira vez desde o distante “Here We Go Again” (2009), Lovato parece finalmente ter se encontrado pelo cenário musical e vem demonstrando um forte interesse em construir sua imagem por meio de trabalhos que estejam intimamente ligados à sua personalidade e identidade.

Soando assim, tão análogo ao que conhecemos no ano passado, “Body Say” pode ser o início da tão sonhada estabilidade e reconhecimento de Demi Lovato pela tão vasta indústria fonográfica (seja em questão de charts, seja em questão de crítica ou aprovação popular). O que nos resta saber, por ora, é se os projetos futuros da cantora permanecerão se orientando por esta vertente mais madura (e assim, nos permitindo alimentar nossas esperanças) ou se, mais uma vez, a vocalista acabará repetindo os erros do passado ao se entregar para um caminho mais genérico e/ou confuso (como aquele que se alastrou por grande parte do “Unbroken” e “Demi”). Estamos torcendo para que não!

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Christina Aguilera abre seu coração para Orlando e nos emociona com nova música! Conheça “Change”

Foi assim, sem qualquer alarde ou aviso prévio, que a noite de quinta (16) para sexta (17) se tornou um pouquinho mais especial quando a nova música de Christina Aguilera surgiu misteriosamente em nossas redes sociais. Antecedida por um boato que começou a percorrer a web momentos antes do seu lançamento oficial, é verdade que a nova balada da cantora foi certeira ao investir na emoção e merecidamente ser bem recepcionada de imediato pelo público; todavia, existe um lado muito mais sombrio por trás da inédita “Change” que infelizmente não poderia passar despercebido em uma resenha como esta.

Se você, caro leitor, tem acompanhado as últimas notícias internacionais, então certamente já ficou sabendo do terrível massacre que tomou a cidade de Orlando no último dia 12 – quando 49 pessoas foram brutalmente assassinadas (e 53 ficaram feridas) em uma boate voltada para a comunidade LGBTQ. Após movimentar as manchetes de toda a mídia e se tornar o assunto mais comentado da semana, o tiroteio a sangue frio foi classificado como o mais grave da história dos EUA – o que, consequentemente, gerou uma onda de solidariedade que se espalhou rapidamente para o resto do mundo. E, entre diversas celebridades que cederam um pouquinho do seu tempo para falar sobre o ocorrido, Aguilera decidiu botar a mão na massa e, assim como o reconfortante discurso de Lady Gaga, não exagerou ao tentar fazer algo um pouco mais eficaz para os envolvidos em tamanha tragédia.

Christina em ensaio fotográfico de 2014 (foto por Mark Liddell)

Composta pela própria Christina em parceria com Fancy Hagood e Flo Reutter – e produzida pelo último –, a nova e superpoderosa balada é distribuída sob o selo da “RCA Records” (a gravadora da musicista) e é aguardada para estar presente no próximo álbum da loira, o qual é esperado para ainda este ano. Tal qual como aconteceu com “Lift Me Up”, há seis anos (quando a parceria com Linda Perry foi liberada tempos antes do disco “Bionic” em prol às vítimas do desastre no Haiti), especula-se que a novidade não seja lançada como o próximo single oficial de Xtina, mas tão somente uma faixa avulsa de caráter beneficente. Em uma nota de imprensa que ganhou o site da moça junto com o lançamento em questão, foi revelado que, durante o período de três meses (17/06 a 14/09), todas as vendas digitais acumuladas com a canção por meio do iTunes serão revertidas para o “National Compassion Fund” em benefício das vítimas e familiares atingidos pela atrocidade. A seguir, você confere, na íntegra, a tradução completa do conteúdo veiculado na carta aberta ao público escrita pela veterana:


“A horrível tragédia que aconteceu em Orlando continua a incomodar muito a minha mente. Eu estou continuamente direcionando muito amor e muitas orações para as vítimas e seus familiares. Como muitos outros, também quero ser parte da mudança que este mundo precisa sofrer para se tornar um local inclusivo onde a humanidade possa se amar de forma livre e apaixonada. Nós vivemos em uma época de diversidade, uma época de possibilidades infinitas, onde a expressão individual é algo a ser celebrado. No lugar disso, eu fico aqui imaginando quantas pessoas cheias de amor podem ser afetadas por tanto ódio.

Apesar desta tristeza tão pesada, eu acredito que o mundo tem mais amor do que imaginamos. A gente precisa amar de novo, aprender que uma só pessoa pode sim fazer a diferença; é só mantermos o amor em nossos corações. Como Nelson Mandela disse uma vez: ‘ninguém nasce odiando uma pessoa pela sua cor, passado ou religião. As pessoas precisam aprender o que é o ódio, e se elas podem aprender a odiar, então também podem ser ensinadas a amar, porque o amor vem mais naturalmente do coração humano do que o oposto’.

Todos temos a oportunidade de espalhar o amor, encorajar a individualidade e fazer diferença aos outros – nós estamos nesta juntos, como um, unidos pelo amor. Mando a todos meu amor, pensamentos e orações”.


Sucessor de “Lotus” (2012), o próximo disco de Aguilera é aguardado para este ano

Cantando precisamente sobre a mudança que muitos têm esperado da sociedade conturbada na qual vivemos (ou sobrevivemos?), Christina não se limita à temáticas “polêmicas” como orientação sexual e diversidade de gênero e vai além ao incluir em “Change” sua total reprovação ao racismo e à xenofobia (outros dois males terríveis que tristemente nos afetam mais e mais dia após dia) – você confere a tradução completa da canção aqui. Levemente inspirada pelo R&B e pelo pop que constantemente dão as caras em seu catálogo, a música soa, à primeira vista, como a sólida combinação do perfeccionismo de “Bionic” com o lado mais intimista de metade do “Lotus” (os últimos discos liberados pela cantora, em 2010 e 2012, respectivamente). Semelhanças à parte, a balada não se resume apenas em comparações banais e esdrúxulas, e, este é o momento no qual pedimos a você, caro leitor, que nos permita abrir uma ressalva em nosso blog para sair da nossa zona de conforto técnica e discorrer um pouquinho mais sobre a questão social que contorna a maravilhosa “Change”. Assim, nos permitimos enxergar esta música recém-lançada não como uma prévia do próximo (e aguardadíssimo) álbum da grande vocalista que é Aguilera, mas, talvez, uma profunda reflexão do que ela precisou passar para chegar aonde se encontra atualmente.

É de conhecimento de todos que acompanham a indústria fonográfica que os últimos anos não foram os mais fáceis para a carreira musical da intérprete de “Genie in a Bottle” – no que se refere à questão comercial e promocional, é claro. Após ver seus dois últimos álbuns com um desempenho bem aquém daquele obtido pelos exitosos “Christina Aguilera” (1999), “Stripped” (2002) e “Back to Basics” (2006), a loira viveu uma maré de azar que, inevitavelmente, prejudicou em muito o seu nome perante o mercado contemporâneo. Dando a volta por cima e, inclusive, quebrando recordes de público em um recente festival do qual foi a atração principal, Xtina ressurge agora com o que pode ser não apenas o começo de uma nova era em sua discografia, mas também o renascimento de quem ela se tornou como artista (e pessoa). E “Change” é, em nossa opinião, a escolha perfeita para nos introduzir a esta “Nova-Antiga Aguilera” muito mais segura de si.

O lyric vídeo oficial de “Change”, a nova música da cantora

Como todos já estão cansados de saber, não apenas o Brasil, mas o planeta Terra, como um todo, se encontra em um período em que informação e conhecimento estão disponíveis bem na palma de nossas mãos – seja pelo uso da internet, seja pelos demais meios de comunicação. Contudo, se possuímos a sorte grande de viver na tão desejada era do avanço tecnológico, também estamos sujeitos a fazer parte (ativa ou passivamente) de um retrocesso que é completamente anormal para a história da humanidade. Ao invés de o ser humano se adequar para acompanhar todo o crescimento que é inerente de seu trabalho duro como pesquisador e desbravador, cada vez mais nos sujeitamos a situações como a de Orlando, na qual uma imensidão de pessoas é privada de sua felicidade (e até mesmo de sua vida) em decorrência de alguns que não são capazes de aceitar o amor e as diferenças entre seus iguais.

E, apesar de muitos taparem o sol com a peneira ou simplesmente ignorar o fato de que tudo o que tem acontecido é a mais pura demonstração de que chegamos até o fim dos tempos, é exatamente o contrário que esta “Nova-Antiga Christina” está tentando nos fazer enxergar por meio de “Change” (uma tarefa que, diga-se de passagem, já desempenha desde os primórdios de sua carreira em pérolas como “Beautiful” e “The Voice Within”). Não que a moça tenha mudado abruptamente o seu modo de agir ou de trabalhar como cantora e compositora, pois, o seu atual lançamento reflete muito mais uma evolução espiritual do que meramente musical. Utilizando-se de sua voz para falar sobre a dor que milhões de pessoas suportam diariamente para conseguir viver suas vidas com um mínimo de honestidade consigo mesmas, Aguilera, mais uma vez, acerta ao abraçar as minorias e provar que seu coração consegue exceder a magnitude de qualquer nota musical bem executada. No fim, tudo que nos resta é manter a esperança e continuar lutando para fazer do mundo um lugar melhor. E claro, isso nos leva a crer que…

…Não importa quem somos ou para onde vamos, desde que saibamos como respeitar quem está à nossa volta, independente de seus gostos pessoais, características externas (e/ou internas) ou objetivos de vida. Infelizmente, o ser humano não tem sido capaz de acompanhar tudo o que foi capaz de criar até aqui, e se um dia ele já pôde ser visto como alguém brilhante dotado de sabedoria infinita, tudo o que nos resta hoje é admirar quem nós já fomos, mas não no que nos tornamos. De alguma maneira escabrosamente assustadora, perdemos o nosso propósito em vida e nos deixamos levar por um instinto irracional que não acomete nem o pior dos animais selvagens (estes sim justificadamente irracionais). De fato, se pararmos para fazer uma rápida análise sobre tudo o que dissemos anteriormente, sem qualquer cunho religioso ou científico, podemos chegar à única conclusão de que o mal não existe… mas sim, o homem.

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