Hora de se atualizar! Saiba quais foram os melhores lançamentos musicais do último bimestre (pt 1)

Viajou nessas últimas semanas? Esteve trabalhando feito um escravo? Sofreu amnésia ou entrou em coma? Não se preocupe, pois chegou o momento de relaxar, encostar-se nas almofadas e ficar sabendo quais foram os mais recentes lançamentos que movimentaram o universo musical. A seguir, relacionei apenas alguns dos mais interessantes e consistentes trabalhos que chamaram a atenção do público e nos mostraram que, apesar de já estarmos quase no meio de outubro, ainda existe muita coisa para acontecer antes do ano acabar. Se liga só:


Vanessa Carlton quer que você tire um tempinho para admirar a natureza no lyric vídeo de “Willows”, faixa inédita do disco “Liberman”:

Depois de finalmente ouvir o novo EP da cantora, liberado em julho passado, e conferir o material inédito nele contido (o qual introduziu as eletrizantes “Take It Easy” e “Blue Pool”), devo admitir que cheguei a ficar um pouco preocupado com o atual rumo tomado por Vanessa Carlton. Quem acompanha a carreira da moça e já checou o maravilhoso “Rabbits on the Run”, de 2011, sabe que um som mais acústico e cru são o forte da musicista, como pudemos conhecer através dos singles “Carousel” e “I Don’t Want to Be a Bride”. E, para a minha felicidade, esta fantástica fórmula mágica pela qual Vanessa une seu doce vocal ao impressionismo e suavidade de seu piano foram acertadamente repetidas em “Willows”, canção inédita que estará presente em “Liberman”, o novo álbum da morena. Com previsão de estreia para o dia 23 de outubro deste ano (wow, falta menos de duas semanas), com certeza encontraremos no próximo trabalho muito desse naturalismo e misticismo que permeiam a vida e carreira da Srtª Carlton. Você pode saber um pouco mais sobre o som produzido por Vanessa acessando o nosso especial: “Quem avisa amigo é! Você deveria prestar mais atenção na cantora Vanessa Carlton”.

ASSISTA AQUI AO LYRIC VIDEO DE “WILLOWS”, A NOVA MÚSICA DA VANESSA CARLTON.


Despindo-se das polêmicas, Miley Cyrus lança balada emocional para promover o filme “Freeheld”! Conheça “Hands Of Love”:

Parece que minhas preces foram finalmente atendidas! Não é de hoje que eu tenho falado sobre todas as coisas loucas que Miley Cyrus tem feito desde que “We Can’t Stop” foi lançada há 2 anos, mas, se tudo correr da maneira que eu espero (e aguardo há muito tempo), a moça não deverá demorar muito para focar de vez em seu talento e se esquecer das irresponsabilidades que tem protagonizado (não que seja da minha conta, claro!). Abraçando sua pansexualidade, Miley foi a responsável por dar voz à brilhante “Hands Of Love”, música que promove o filme “Freeheld” e trará as atrizes Ellen Page e Julianne Moore no elenco. Composta pela multitalentosa Linda Perry (a mesma que está sempre trabalhando com Christina Aguilera), Cyrus decidiu caprichar desta vez e, diferente do que já aconteceu com algumas de suas demais baladas, se conteve mais nos vocais desta gravação. O resultado não poderia ter sido outro: a polêmica loira nos presenteou com uma bela música gravada por uma bela voz que não precisa gritar aqui e ali para provar que possui uma voz poderosa. Quer saber mais sobre o filme? Então acesse este link. Não deixe de ler ainda o nosso especial: “O que está acontecendo com a vida e carreira de Miley Cyrus?”.

OUÇA AQUI “HANDS OF LOVE”, A NOVA MÚSICA DA MILEY CYRUS.


Joe Jonas está cheio de gás em “Cake By the Ocean”, o primeiro single de sua nova banda, a DNCE:

Jamais escondi o fato de que o Joe sempre foi o meu Jonas favorito, e parece que ganhei mais um motivo para continuar com essa preferência! Não se abalando com a morna movimentação de seu primeiro álbum solo no mercado musical (o “Fastlife”, de 2011), o irmão do meio dos Jonas Brothers decidiu dar um tapa na poeira e anunciou, neste ano, a formação da sua nova banda: a DNCE. Aliando-se à JinJoo Lee (na guitarra), Cole Whittle (no baixo e teclado) e ao antigo baterista dos JB, Jack Lawless, Joe e seus parceiros fizeram bem em escolher “Cake By the Ocean” como o seu single de estreia. Assinando com a “Republic Records” e partindo para o dance-rock, o grupo (e o seu vocalista, principalmente) parece finalmente ter encontrado um caminho próprio na indústria e demonstra que vai persistir para dar força ao seu nome e sair do “anonimato”. Ah, e se você acha que ele desistirá fácil de fazer da DNCE uma banda tão popular quanto a Jonas Brothers, talvez seja melhor mudar de ideia: “eu tenho a minha cabeça no lugar. Estou pronto para chegar lá e construir uma base de fãs” disse Joe, categórico, em recente entrevista à “Billboard”.

ASSISTA AQUI AO LYRIC VIDEO DE “CAKE BY THE OCEAN”, A NOVA MÚSICA DA DNCE.


Livre, leve e solta, Selena Gomez está uma delicinha em “Me & the Rhythm”, a nova faixa promocional do álbum “Revival”:

Selena Gomez já dizia há certo tempo que seu segundo disco solo, “Revival” (lançado oficialmente nesta última sexta-feira, 09/10), seria um grande projeto, mas eu tenho certeza que muitos duvidavam o quão essa informação poderia ser mesmo verdadeira. Movendo a divulgação do material, “Me & the Rhythm” foi a canção escolhida para funcionar como a primeira e única faixa promocional do álbum, liberada direto para a loja virtual da Apple, o iTunes. Composta pela própria morena ao lado de Julia Michaels, Justin Tranter, Mattias Larsson e Robin Fredriksson (e produzida pelos dois últimos), a música brinca com as batidas da deep house e a influência da disco music, tendo sido frequentemente comparada pelos críticos de plantão à Donna Summer e o som que bombou nos anos 70. Encontrando o perfeito equilíbrio entre o sex appeal e os limites de sua voz, é muito bom que Gomez tenha parado de tentar alcançar as difíceis notas produzidas em seus discos anteriores para gravar algo mais condizente com a sua realidade (que é tão harmônica e bonita como a de qualquer outra grande vocalista). “Eu começo a sentir agora como se realmente fosse livre, e estou livre. O calor é mútuo, não importa qual seja a sua história, seja livre comigo”. Logo, logo estará disponível aqui no blog a nossa resenha sobre o “Revival”, então fique de olho! ATUALIZADO: leia aqui “De Demi à Selena: um olhar crítico sobre o amadurecimento dos álbuns ‘Confident’ e ‘Revival’.”

OUÇA AQUI “ME & THE RHYTHM”, A NOVA MÚSICA DA SELENA GOMEZ.


Lady Gaga ensina o que é ser fashion no cover de “I Want Your Love”, a música originalmente gravada pelo Chic que promove a coleção primavera/verão da “Tom Ford”:

Desde os primeiros singles do álbum “The Fame”, de 2008, Lady Gaga jamais teve medo de aventurar-se por uma carreira na música paralela ao mundo da moda, uma cultura que sempre esteve muito presente em seus trabalhos visuais e nas letras de suas composições. Atingindo o ápice de seu expressionismo fashion em “Bad Romance”, single de 2009 que fez da cantora um dos maiores nomes do novo milênio, a nova-iorquina resolveu relembrar um pouco as suas origens com a coleção primavera/verão da “Tom Ford”, uma das maiores marcas do mercado da moda. Regravando o hit “I Want Your Love”, que foi sucesso na voz da banda Chic nos anos 70, Gaga é vista no vídeo desfilando super à vontade ao lado de diversos modelos que estão vestindo as peças de roupa da coleção preparada por Ford e sua equipe. Ainda não sabemos quais serão os caminhos trilhados pelo próximo álbum da cantora, mas, se tiver o mínimo de “I Want Your Love” já saberemos que será um arraso. Depois de todo aquele clima pesado trazido pela era “ARTPOP”, é quase libertador ver a cantora em um som mais descontraído, não é mesmo?

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE “I WANT YOUR LOVE”, A NOVA MÚSICA DA LADY GAGA.


“Confident”, o novo single de Demi Lovato, ganha megaprodução que conta com a participação especial de Michelle Rodriguez:

Demi estava de boas, dormindo na prisão de segurança máxima, quando foi convocada pelo pessoal de lá para caçar ninguém menos que Michelle Rodriguez, uma das personalidades mais marcantes da série de filmes “Resident Evil”. Movida pela condição de que, se capturasse a inimiga receberia o perdão da Justiça, a morena se envolve em diversos combates corpo a corpo para cumprir seu objetivo e se ver livre da nada saborosa comida da prisão. Musicalmente, a primeira impressão que tive de “Confident” me remeteu às antigas demos de 2009 gravadas e descartadas por Ashley Tisdale e Vanessa Hudgens, mas não há como negar que Lovato se dá muito melhor com a música predominantemente pop à eletrônica. Com vocais muito mais efetivos que o first single “Cool for the Summer”, “Confident” apresenta uma letra perfeitamente condizente com a atual fase vivida pela cantora, que parece finalmente estar em paz com seu corpo e mente. Afinal: “o que há de errado em ser confiante?”. O novo álbum de Demi está programado para ser lançado no dia 16 de outubro deste ano (leia aqui a nossa resenha).

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE “CONFIDENT”, A NOVA MÚSICA DA DEMI LOVATO.


Os garotos do Echosmith estão prontos para o baile de primavera em “Let’s Love”, o quarto single do álbum “Talking Dreams”:

“Cool Kids”, o primeiro single da banda Echosmith, foi lançada há quase 2 anos e meio e se tornou um dos maiores sucessos pop-indie que os EUA e o mundo pode acompanhar nesta atual década. A música pegou um ótimo #13 na “Billboard Hot 100” e de lá pra cá outras duas (“Come Together” e “Bright”) chegaram para dar continuidade ao legado recém-construído pelos irmãos Graham, Sydney, Noah e Jamie Sierota. Finalmente conseguindo se tornar as “crianças legais” que tanto sonharam, agora é a vez de “Let’s Love” não deixar a peteca cair e prolongar a estadia do grupo sob as luzes dos holofotes. Composta pelos quatro membros ao lado de seu pai, Jeffery David, os meninos formam no clipe da canção aquela descolada banda que toca nos tão sonhados bailes de primavera dos colégios norte-americanos. Com direito a muitas bolas de espelho (ou popularmente chamadas de disco balls) e vários filhotinhos de cachorro super fofos, os Sierota vão em “Let’s Love” te dar mais um motivo para amar a banda e ficar de olho nos seus próximos lançamentos.

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE “LET’S LOVE”, A NOVA MÚSICA DA ECHOSMITH.


A segunda parte desse especial estará disponível em breve. Não perca!

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4/7: Os meus 72 discos favoritos – TEEN SPIRIT

5. Teen Spirit

Depois de sobreviver às 3 primeiras partes deste último especial que tenho encabeçado aqui no blog (você pode lê-las aqui), jamais imaginei que conseguiria arranjar tanta paciência para continuar trazendo para vocês um pouco de tudo aquilo que tanto gosto no mercado musical. Eu sempre fui muito minucioso em cada publicação que preparo e publico por aqui, e confesso que acaba não sendo muito animadora a pressão de escrever algo interessante em tão pouco tempo – já que tenho liberado cada bloco semanalmente.

No fim das contas, eu não sei se alguém tem acompanhado ou não essa mini jornada pelos meus arquivos pessoais, mas admito que materializar esse universo abstrato tem me trazido boas recordações de tempos que não voltam mais. É com esse pequeno discurso nada motivacional que Deixando o falatório de lado, vamos falar agora sobre TEEN SPIRIT, o 4º bloco dos meus 72 discos favoritos que traz para vocês 11 obras musicais planejadas e distribuídas quando alguns de meus músicos favoritos de anos atrás ainda davam os seus passos iniciais em suas carreiras tão precoces.

E para começar…


01. Hannah Montana 2 - Meet Miley Cyrus30. HANNAH MONTANA 2: MEET MILEY CYRUS – HANNAH MONTANA/MILEY CYRUS

Gravadora: Walt Disney Records / Hollywood Records, 2007;

Singles: “Nobody’s Perfect” / “See You Again” e “Start All Over”;

Não deixe de ouvir também: “Old Blue Jeans” e “One In A Million” / “East Northumberland High” e “Clear”.

…Miley Cyrus é Hannah Montana sim senhores (ou costumava há 5 longos anos)! Foi com a 2ª e maravilhosa trilha sonora de um dos seriados mais badalados já criados pelo “Disney Channel” que a jovem filha de Billy Ray Cyrus teve a grande oportunidade de estrear o seu 1º material desvinculado da peruca loira que a fez tão famosa. Isso porque o pessoal por trás da imagem pública do programa teve a brilhante ideia de liberar a aguardadíssima próxima soundtrack nos mesmos moldes que a série era levada para as televisões de milhares de crianças do mundo. Até porque se na TV as crianças tinham Hannah Montana e Miley Stewart por que não incluir dois discos no próximo lançamento do programa contendo músicas não só da Hannah como também da Miley? Assim nasceu “Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus”, o disco que trazia 10 novas músicas da popstar adolescente mais famosa do mundo das telinhas com mais 10 músicas de sua prodígio intérprete. Convenhamos que comprar um e levar dois é uma ideia que a agrada qualquer um, não é mesmo? Você poderia a qualquer hora se cansar da loira e partir pra morena ou vice-e-versa (okay, não tive segundas intenções ao pensar nisso).


02. Here We Go Again31. HERE WE GO AGAIN – DEMI LOVATO

Gravadora: Hollywood Records, 2009;

Singles: “Here We Go Again” e “Remember December”;

Não deixe de ouvir também: “U Got Nothin’ On Me”, “Got Dynamite”, “World Of Chances” e “Everything You’re Not”.

Não faz muito tempo que me aproveitei da ocasião para rasgar elogios a este álbum em uma publicação exclusiva de nossa Srtª Devonne (saiba do que estou falando clicando aqui), e não seria agora que perderia a chance de voltar a falar deste trabalho que tanto respeito. Eu sei que Demi não estava na melhor fase de sua vida quando da gravação e divulgação de “Here We Go Again”, seu 2º material de inéditas, mas isso não diminui a grande admiração que sinto por cada música aqui retratada. Por mais que os problemas alimentares e a automutilição tenham afetado em muito a voz da cantora durante 2009 e 2010 (procure pelas performances de “Remember December” realizadas nessa época), é realmente muito estimulante saber que uma iniciante no mundo da música possa desenvolver uma visão artística tão fascinante como a abordada nesta obra do pop clássico/retro-chic. É Demi dando o melhor de si em um disco que pouco chama a atenção de quem o ouve despercebidamente, mas muito berra pela busca de sua própria identidade.


03. Sparks Fly32. SPARKS FLY – MIRANDA COSGROVE

Gravadora: Columbia Records, 2010;

Singles: “Kissin U”;

Não deixe de ouvir também: “Shakespeare”, “Oh Oh”, “Brand New You” e “Adored”.

Como atriz devo dizer que Miranda Cosgrove nunca me chamou muito a atenção, mas tive uma surpresa gritante quando conheci seu trajeto pela carreira como cantora. Não que ela tenha os poderosos agudos de Ariana Grande ou o grave profundo de Miley Cyrus, mas é surpreendente o tão comercial a voz de Miranda pode soar entre a atual leva de cantoras que pouco inovam e muito se deixam levar pelo mainstream – sem saber exatamente o que estão fazendo. Naturalmente talentosa e agradável, Cosgrove soa como uma promessa de artista que tem muito a nos apresentar, desde que, é claro, que faça algumas escolhas sábias e bem pensadas. Engana-se você de achar que a morena não sabe o que está fazendo quando pega um microfone e sobe no palco ou corre pro estúdio de gravação pra trabalhar suas habilidades musicais: “Sparks Fly” acumula trabalhos co-escritos com gênios da indústria como Avril Lavigne (“Daydream”), Kesha (“Disgusting”) e Max Martin (“Oh Oh”). Cadê a senhorita trabalhando na voz e nesse próximo álbum, hein mulher? Como bem definiria a sempre sincera Narcisa Tamborindeguy: para de gravar série e lança música pros gays, PROS GAYS (me exaltei, desculpem)!!!


04. Harry Potter and the Philosopher's Stone Soundtrack33. HARRY POTTER AND THE PHILOSOPHER’S STONE (SOUNDTRACK) – JOHN WILLIAMS

Gravadora: Atlantic Records, 2001;

Singles: Não há;

Não deixe de ouvir também: “Harry’s Wondrous World”, “Christmas at Hogwarts“, “The Face of Voldemort” e “Hedwig’s Theme”.

Quando cheguei a considerar a entrada de uma trilha sonora de um grande clássico dos cinemas para este especial, pensei comigo “por que não?”, e sem hesitar, inclui “Harry Potter and the Philosopher’s Stone” (“Sorcerer’s Stone”, nos EUA) na categoria que melhor representasse minha adorada infância. Para vocês terem uma ideia, eu passei anos e anos da minha vida lendo as bíblias escritas pela mestra J.K. Rowling e, mais tarde, me deliciando com as suas adaptações cinematográficas sempre com o costumeiro frio na barriga de um primeiro encontro. Foram 8 longa-metragens que, cada um ao seu tempo, me tocaram com suas profundas soundtracks; todavia, devo lhes confessar que nenhuma marcou tanto como “A Pedra Filosofal”. Não sei como dizer, mas, é como se John Williams conseguisse capturar exatamente o que o livro tenta passar ao seu leitor de uma forma sobrenaturalmente mágica, digno do próprio mundo único criado por Rowling. É impossível ser um potterhead e não se emocionar com o trabalho desenvolvido por Williams nos 3 primeiros filmes da série, especialmente no 1º deles! Vem matar a saudade comigo.


05. Breakout34. BREAKOUT – MILEY CYRUS

Gravadora: Hollywood Records, 2008;

Singles: “7 Things”, “See You Again (Rock Mafia Remix)” e “Fly On The Wall”;

Não deixe de ouvir também: “Breakout”, “Girs Just Wanna Have Fun”, “Bottom Of The Ocean” e “Simple Song”.

Acho que ninguém por aqui deve saber, mas antes de escrever neste blog, eu já tive um outro no qual publicava notícias sobre a cultura pop diariamente. O nome? The Breakout. Claro que hoje em dia o título soa completamente descompassado e fora de mão para o jovem adulto de 22 anos que me tornei, mas, à época, foi de grande valia para o papel de adolescente reprimido que interpretei durante anos da minha vida. Voltando para 2015, olho para trás e vejo o quão importante e fundamental o 2º disco solo de Miley Cyrus foi na colaboração de quem eu me tornei hoje e do que eu considero bom ou não neste meio musical. Não mais um fã da ex-intérprete de Hannah Montana, é com muito orgulho que digo a vocês que eu me sinto agraciado por ter acompanhado a pequena Miley em sua era de ouro, quando os tempos eram outros e muita coisa ainda mantinha-se “diferente” dos rumos tomados atualmente. Num tempo que não volta mais, fica aqui a minha pequena homenagem para uma voz que por diversas vezes me guiou por momentos complicados em que não havia nada além de isolamento e uma densa neblina acinzentada. PS: como não fiz nenhuma observação musical acerca deste trabalho, me limitarei apenas em dizer que das 12 faixas brilhantes que o compõem, 2 são regravações de outros artistas: “Girls Just Want To Have Fun” da Cyndi Lauper e “Four Walls” de Cheyenne Kimball.


06. Fight or Flight35. FIGHT OR FLIGHT – EMILY OSMENT

Gravadora: Wind-Up Records, 2010;

Singles: “Let’s Be Friends” e “Lovesick”;

Não deixe de ouvir também: “Get Yer Yah Yah’s Out”, “Marisol”, “Double Talk” e “Gotta Believe In Something”.

Quem se surpreendeu com as batidas supereletrônicas que moveram o universo pop entre os anos de 2011 a 2013 pode não saber, mas “Fight Or Flight”, o debut album de Emily Osment, já trabalhava em cima dessa temática muito antes do eletropop se estabilizar como mainstream. Deixando de lado qualquer resquício da garota inocente que conhecemos no 1º extended play de Osment, “All The Right Wrongs”, “Fight Or Flight” segue dando continuidade à precoce carreira como musicista que Emily desenvolveu na reta final da série “Hannah Montana” – na qual interpretava a melhor amiga de Miley Stewart, Lilly Truscott. Desprendendo-se do rótulo de Disney girl recebido por todas as garotas que já trabalharam na fábrica do Mickey Mouse, o álbum chegou a receber grande divulgação aqui no Brasil, ocasião em que a cantora e atriz participou de programas como “Altas Horas” e “Programa da Eliana”. Deixando de lado toda a timidez e pressão que qualquer artista iniciante apresenta em suas primeiras performances ao vivo, a loira mostrou grande coragem ao não fazer uso do playback enquanto entoava algumas de suas músicas mais populares, como a animada “Let’s Be Friends”.


07. Don't Forget36. DON’T FORGET – DEMI LOVATO

Gravadora: Hollywood Records, 2008;

Singles: “Get Back”, “La La Land” e “Don’t Forget”;

Não deixe de ouvir também: “Trainwreck”, “Gonna Get Caught”, “Believe In Me” e “Back Around”.

Muito antes de estourar com “Give Your Heart a Break”, “Heart Attack” ou “Really Don’t Care”, assim como todo e qualquer artista, Demi Lovato precisou passar por uma fase probatória no início de sua carreira logo após estrelar “Camp Rock” – filme em que atuou ao lado dos Jonas Brothers. E para nossa sorte (ou não), “Don’t Forget”, nome do álbum que deu o pontapé inicial para a sua visibilidade como uma artista independente, foi e continua sendo um dos melhores trabalhos já desenvolvidos pela cantora. Totalmente despretensioso e naturalmente cativante, Demi acertou a mão enquanto gravava em estúdio o que seria o primeiro de muitos discos bem produzidos (mas talvez menos originais que este aqui). A sonoridade, é claro, não é tão madura como a trabalhada em “Here We Go Again” ou em grande parte do “Unbroken”, mas para quem curte as habilidades vocais de Lovato este álbum é uma ótima pedida. Talvez a maior vocalista de sua geração, “Don’t Forget” imortalizou a grande estreia de quem hoje é uma das mulheres mais comentadas no mundo das redes sociais – quem nunca usou a expressão “você não sabe pelo o que ela passou” que atire a primeira pedra.


08. Hannah Montana 337. HANNAH MONTANA 3 – HANNAH MONTANA

Gravadora: Walt Disney Records, 2009;

Singles: “Supergirl”;

Não deixe de ouvir também: “Let’s Do This”, “Just A Girl”, “Don’t Wanna Be Torn” e “Let’s Get Crazy”.

Não que Miley Cyrus seja uma artista desinteressante de se acompanhar em pleno 1º semestre de 2015, mas devo confessar a vocês o tão inimaginável é a saudade que eu sinto dos velhos tempos (okay, sei que isso já tá ficando chato). Ainda vivendo sob o controle daqueles que a fizeram uma estrela internacional, 2009 foi provavelmente um dos anos de maior esgotamento para a tão indomável usuária da peruca loira mais cobiçada do mundo televisivo. Para você ter uma ideia, num único ano Cyrus teve de se preparar para a promoção e divulgação da 3ª temporada de Hannah Montana, para a estreia de “Hannah Montana: O Filme” e ainda de encabeçar a liberação de seu 1º EP como Miley Cyrus, o “The Time Of Our Lives” (que trouxe o hit esmagador “Party In The U.S.A.”). E mesmo não demonstrando muito contentamento com os rumos que sua vida seguia, Miley foi capaz de nos presentear com o que seria a trilha sonora mais coesa (de todas as 4 liberadas) da série que estrelou por tanto tempo. Sendo equilibrada ora por uma faixa mais alto astral, ora por uma faixa mais intimista – provavelmente uma tentativa de capturar dois públicos diferentes -, os vocais da cantora nunca estiveram tão fortes e poderosos em toda sua lista discográfica. Duvida? Então confere essas apresentações super intimistas de “Just a Girl” e “Mixed Up”.


09. Kiss & Tell38. KISS & TELL – SELENA GOMEZ & THE SCENE

Gravadora: Hollywood Records, 2009;

Singles: “Tell Me Something I Don’t Know”, “Falling Down” e “Naturally”;

Não deixe de ouvir também: “Kiss & Tell”, “More”, “As A Blonde” e “I Don’t Miss You At All”.

Eu realmente não consigo entender a perseguição que as pessoas gostam de liderar contra Selena Gomez – e se engana quem acredita que isso começou há pouco tempo. Desde que me entendo por gente, musicalmente falando (e quando digo isso me refiro de 2007 adiante), sempre existiu uma certa pré-disposição de taxar a cantora como “sem talento” e demais terminologias que dispensarei meus leitores de lerem aqui no blog. Obviamente, quando falamos de Selena Gomez não estamos nos referindo a alguém que esteja no patamar vocal de Celine Dion ou Whitney Houston em seus melhores dias, mas isso não é justificativa para desmerecer o talento nato que Gomez possui desde sua estreia musical com “Kiss & Tell” e a banda The Scene. Exemplo disso, ao meu ver, foi a música escolhida para 3º single do álbum, “Naturally”, denominada pela “Billboard” como “um suculento, instantâneo e memorável gancho vocal”. Seguindo a linha de Avril Lavigne em “The Best Damn Thing” e Kelly Clarkson em “Breakaway” em seu primeiro disco na Selena Gomez & The Scene, Selena nos prova a cada lançamento musical que não é “apenas mais uma” em meio a tantos artistas que muito dizem e pouco produzem nesse confuso atual mercado fonográfico.


10. Right Where You Want Me39. RIGHT WHERE YOU WANT ME – JESSE MCCARTNEY

Gravadora: Hollywood Records, 2006;

Singles: “Right Where You Want Me” e “Just So You Know”;

Não deixe de ouvir também: “Anybody”, “Just Go”, “Daddy’s Little Girl” e “Gone”.

Depois de encantar milhares de garotas pelo mundo inteiro com as maravilhosas “Beautiful Soul” e “She’s No You” (músicas retiradas de seu 1º álbum de estúdio), foi com este disco que Jesse McCartney resolveu fazer o comeback do hiato de 2 anos tirado dos estúdios de gravação para divulgação do seu debut album. Não muito diferente do pop produzido no disco anterior, o que diferencia o primeiro álbum do “Right Where You Want Me” é que este, diferente do outro, não apresenta um ponto fraco sequer. Muito bem amarrado, cada faixa de “Want Me” se encaixa na temática tentada por JMac de amadurecimento da própria imagem sem cair na perigosa armadilha da mesmice. Em outras palavras: este é aquele álbum que você vai ouvir do começo ao fim sem pular nenhuma faixa por achá-la desinteressante demais. Compondo 14 das 15 faixas, este é outro ponto visível em sua carreira que definitivamente foi fundamental para moldar a figura de príncipe encantado perdido na Idade Contemporânea que somente foi reutilizada anos mais tarde pelos meninos do Jonas Brothers (e talvez também pela banda abaixo enumerada).


11. Midnight Memories40. MIDNIGHT MEMORIES – ONE DIRECTION

Gravadora: Columbia Records, 2013;

Singles: “Best Song Ever”, “Story Of My Life”, “Midnight Memories” e “You And I”;

Não deixe de ouvir também: “Diana”, “Strong”, “Right Now” e “Something Great”.

Confesso que, assim como metade de toda a população da Terra, eu também tive por muito tempo uma ideia pré-concebida a respeito dos meninos do One Direction, me recusando esporadicamente a ouvir suas músicas ou assistir seus clipes. Todavia, foi somente depois de dar uma chance para “Midnight Memories” que resolvi abrir um pouco a minha mente e tentar entender o que era esse fenômeno que movia a vida de 11 a cada 10 garotas que se enquadram na faixa etária dos 15 anos. Não há como negar que as músicas de Harry Styles, Liam Payne, Niall Horan e Louis Tomlinson (sdds Zayn Malik) têm certa tendência para seguir um estilo musical mais infantilizado, contudo, em “Memories” isso claramente foi amenizado em relação aos discos posteriores. Nesse sentido surge “You And I”, poderosa balada entoada pelos meninos e que nos dá uma ideia de como seria um álbum da banda a ser lançado daqui 10 anos. Assim como os Beatles dominaram o coração de milhões de pessoas há tantas décadas passadas, o One Direction faz isso em tempos atuais. Não que o 1D seja tão grandioso como Paul McCartney, John Lennon e seus amigos multipopulares, mas, o que há de errado em se cultuar uma boa boyband em pleno século XXI?


O próximo bloco, URBAN CONCEITUAL, já começou a ser trabalhado e, SÉRIO, você PRECISA ver o que eu tenho planejado pra ele. Aguarde as cenas dos próximos capítulos…

A insegurança musical de Demi Lovato

Desde que me entendo por gente e comecei dar ouvidos para a música pop internacional, lá por volta de 2006 – quando ouvia algumas músicas de Beyoncé e Shakira na “Jovem Pan” -, pude notar que meu gosto musical passou a ficar cada vez mais apurado, seja para a sonoridade dos artistas que conheci nos anos seguintes, seja para a parte visual de todos os seus projetos da área. Porém, antes de me encontrar nessa indústria e fixar aquilo que hoje considero bom em meio a tantos trabalhos duvidosos, precisei passar pela divertida experiência de conhecer “novos” artistas, por vezes baixando suas discografias completas e mergulhando de cabeça em suas carreiras interessantes.

Em meio a tantos cantores, cantoras e bandas, devo confessar (relutantemente) que algumas séries do Disney Channel como “Hannah Montana” foram fundamentais para abrir as portas do que hoje considero sagrado, e que posteriormente se firmou muito importante na formação da minha adolescência, um período não muito fácil na vida de todos nós. Foi nessa época que, por meio do trabalho de Miley Cyrus e Selena Gomez, um amigo meu acabou por baixar algumas músicas de uma novata chamada Demi Lovato, quem até então só havia lançado o seu álbum de estreia.

Amparada pela experiência dos Jonas Brothers, a iniciante não trazia o glamour de Ashley Tisdale ou a desenvoltura de Miley Cyrus, mas, de alguma forma, sua simpatia extravasava todos os obstáculos impostos pela mídia. Ainda muito tímida, desde cedo Demi fez questão de deixar claro que não era só mais um rostinho bonito e que realmente possuía vontade de mostrar a todos do que era capaz. Dona de uma voz limpa e versátil, logo em suas primeiras músicas de trabalho pudemos notar que a garota estava mais para uma discípula de Christina Aguilera do que de Britney Spears, investindo vez ou outra na potência de seus jovens vocais.

Coescrevendo 9 das 11 faixas de “Don’t Forget”, o debut album de Lovato teve uma ótima estreia na “Billboard 200”, quando pegou um #2 e vendeu 89 mil cópias apenas na semana de estreia, em território estadunidense. Inteligentemente, foram lançados como singles do disco as poderosas “Get Back”, “La La Land” e “Don’t Forget”, que apesar de não serem muito diferentes do pop que tocava em 2008, introduziram a artista perfeitamente ao estrelato padrão da última década. “Camp Rock”, o filme que trazia a cantora no elenco, mal havia sido lançado e o resultado foi que todos fizeram questão de abrir bem os olhos para sua estreia brilhante sob os holofotes. A carreira da garota não poderia estar melhor!

Após diversas aparições em programas de TV, rádios e apresentações televisionadas, Demi já contava com uma significante lista de fãs e seguidores pelo mundo, os mais tarde nomeados lovatics. Vivendo momentos de glória e glamour e com seu nome sendo divulgado em praticamente todas as revistas voltadas para o público feminino adolescente, menos de um ano se passa da estreia de “Don’t Forget” quando “Here We Go Again”, o segundo trabalho de estúdio da moça, vê a luz do dia.

Com uma vibe mais madura e afastada do pop teen característico dos outros artistas da “Hollywood Records” (gravadora afiliada à corporação Disney), e principalmente de seu primeiro álbum, este trabalho soa, de alguma maneira, muito mais consistente que o anterior. Lovato parece ter estudado suas antepassadas Kelly Clarkson e Avril Lavigne a finco para, de sua maneira, gravar um álbum pessoal e cheio de músicas agradáveis aos ouvidos alheios. Trabalhando numa voz mais doce, os instrumentais usados também foram suavizados em “Here We Go Again”. Claro que o disco possui o seu momento alto astral, como em “Got Dynamite”, “Remember December” e “Quiet”, mas nem por isso passou a soar artificial ou genérico. É como se Lovato ainda quisesse ser uma rockstar do pop, mas, ao mesmo tempo, exibisse a sua evidente evolução para os críticos musicais.

Dizem que artistas inteligentes inspiram-se em grandes nomes do passado, mas eu acredito que melhor profissional é aquele que possui a capacidade de olhar para a sua própria história e tirar lições a partir daí. Foi exatamente isso que os produtores e a própria Demi pensaram ao incluir “Catch Me” na tracklist do álbum, faixa gravada nos mesmos moldes da também deliciosa “Don’t Forget”. Não muito diferente, o mesmo aconteceu em “Stop The World”, oportunidade em que Demi convidou Nick Jonas para coescrever a faixa e se desligou dos demais integrantes da banda, podendo, finalmente, caminhar com as próprias pernas. Bom, os esforços pareceram valer a pena, já que “Here We Go Again” estreou em #1 na “Billboard 200” e vendeu 108 mil cópias na primeira semana.

Antes de liberar seu terceiro disco de inéditas, “Unbroken”, em 2011, acontece o inevitável e inesperado para todos aqueles que acompanhavam a carreira da garota: Demi resolve vonluntariamente se internar numa clínica de reabilitação. Após passar grande parte do tempo tentando consertar seus problemas de saúde, é revelado que, além do bullying que sofria na escola, quando criança, Lovato era vítima de distúrbios alimentares, automutilação e transtorno bipolar, o qual descobriu dentro da rehab.

Com a sua saída do programa da Disney “Sonny With a Chance”, Demi passa a trabalhar quase que exclusivamente em cima de seu terceiro álbum, que não soa tão bem estruturado como os anteriores, mas que não deixa de simbolizar um ótimo retorno ao mercado fonográfico. Como numa forma de redenção aos problemas de sua vida particular, a cantora libera os singles “Skyscraper” e “Give Your Heart a Break”, bem aceitas pelo público e populares em rádios de todo o mundo.

Apesar de emanar um som mais genérico que “Don’t Forget” ou “Here We Go Again”, “Unbroken” parece ter sido uma escolha inteligente para reintroduzir Demetria aos holofotes, ainda uma sobrevivente dos resquícios de tudo o que era divulgado pelas más línguas dos tabloides. Estreando em #4 na Billboard 200”, o disco vendeu 96 mil cópias na first week, número abaixo do trabalho anterior, mas acima do disco de estreia.

Convidada para integrar a bancada do “X Factor” norte-americano ao lado de Britney Spears, L.A. Reid e Simon Cowell, as coisas pareciam voltar a se reorganizar aos poucos enquanto o nome de Demi era mais uma vez recolocado nas boas manchetes dos jornais. Tudo indicava que o próximo trabalho de Lovato tinha tudo para ser o mais aventureiro de sua carreira prodígia (o que não deixou de ser), e “Demi” é liberado em maio de 2013. Pegando um #3 na “Billboard 200”, “Demi” trouxe à cantora sua melhor estreia nos charts americanos, distribuindo 110 mil cópias na semana de estreia.

Entretanto, algumas observações devem ser postas no papel, e como um bom observador assumirei esse papel de carrasco. Desde a grande estreia da pequena garota de “Get Back” lá atrás, em 2008, até o mulherão dos dias atuais de “Really Don’t Care”, muita coisa aconteceu, e, querendo ou não, “nós não sabemos por tudo o que ela passou”. Brincadeiras a parte, esse é um ponto que não posso deixar de esclarecer antes de fazer algumas críticas aqui. Eu não sei por tudo o que ela passou, não sei a profundidade de todos os problemas vividos na fase mais obscura de Demi, e eu tenho noção disso. Porém, como um ouvinte de música pop que acompanha a cantora desde a sua estreia nessa indústria, tenho a minha opinião formada de todo o material bom e ruim liberado por ela.

Não sei se deveria, mas, eu gosto de dividir a discografia de Demi em dois grandes períodos muito importantes para a sonoridade de seus álbuns: o momento pré-reabilitação e o momento pós-reabilitação. De alguma forma, por mais infeliz e machucada que se encontrasse, não posso esconder minha opinião ao dizer que seus primeiros trabalhos soavam muito mais coesos do que os de hoje em dia. As faixas anteriormente trabalhadas, de sua maneira, encaixavam-se uma nas outras, e isso ajudou a pequena Demi a partir em direção ao seu próprio estilo, a sua própria essência. E infelizmente isso parece ter ficado pendente em “Unbroken” e “Demi”.

Eu não estou dizendo que os últimos trabalhos da cantora foram ruins, de maneira alguma (até porque estaria cuspindo no mesmo prato em que comi, já que ouvi ambos centenas de vezes). Contudo, essa mistura de elementos presentes nesses discos não parece ser o melhor caminho para um artista seguir, a fim de se evitar um som completamente descompassado. Desde que bem amarrados, vários ritmos podem sim fazer parte de um álbum sólido e maduro (como eu pude ver em “Here We Go Again”, por exemplo), e nem por isso parecer uma confusão sonora. A impressão que eu tenho é que Demi, como artista, ainda é alguém inseguro de seu potencial, que ainda possui medo de se desvincular de suas raízes adolescentes.

Por um lado, eu compreendo que a cantora queira celebrar a sua vida da melhor maneira possível, com muitas cores, fogos de artifícios e balões luminosos, já que o seu passado não foi dos mais felizes. Entretanto, é imprescindível que isso aconteça na medida certa, sem extrapolar qualquer limite do lógico ou aceitável. Excesso nunca é bom para a própria imagem e, uma vez que a mídia te escolhe para usar de Judas – como já fizeram com Christina Aguilera, Mariah Carey e Lady Gaga – o caminho de volta ao topo se torna duplamente mais difícil.

A prova da insegurança de Lovato é que estes mesmos álbuns que estou criticando possui seus grandes momentos, como podemos notar em “Shouldn’t Come Back” e “Never Been Hurt”, do álbum “Demi”, e “Together” e “My Love is Like a Star”, do álbum “Unbroken”. São faixas comerciais que, nem por deixarem de seguir o mainstream, trazem aquela identidade da Demi que tivemos a honra de conhecer há distantes sete anos.

Enfim, se eu tivesse a oportunidade de aconselhar a Demi de hoje com seu quinto disco de inéditas, eu apenas diria para seguir seu próprio coração, como, aliás, tem sido feito até aqui. Todavia, sem medo de se arriscar, de seguir um caminho diferente ou alternativo. Os melhores discos do pop foram construídos quando o seu idealizador teve a brilhante ideia de se desvincular do passado e olhar para o futuro, sem medo do insucesso ou da não aceitação do público. Como eu disse mais acima, eu considero um grande artista aquele que é capaz de olhar para trás e tirar lições de sua própria história, desde que siga um novo caminho. Será que Demi tem mesmo seguido um novo caminho ou apenas tem adiado a sua grande estreia camuflando seus novos materiais como se autênticos fossem? Será que Demi contrariou o que dizia no começo de sua carreira em “La La Land” e vendeu-se para a máquina de Los Angeles?

Não sabemos como será o quinto disco da cantora, não sabemos qual caminho será seguido ou quais artifícios Lovato usará a seu favor, mas, tudo o que nos resta é aguardar para ver. E claro, torcer para que essa talentosa cantora arrebente as amarras que a prendem e se liberte do seu próprio passado para encontrar-se novamente em sua brilhante e confusa carreira. E como muito bem disse a própria Demi, há sete anos: “Well, I’m not gonna change in the La La Land machine. I will stay the same in the La La Land machine, machine, machine. I won’t change anything in my life, I’m staying myself tonight”.

ATUALIZAÇÃO

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