Hora de se atualizar: conheça os últimos lançamentos da música pop nacional

Como a maioria de vocês já deve saber, o Caí da Mudança é um blog que frequentemente destaca as melhores dicas, novidades e clássicos que cercam a cultura popular em geral, de música a cinema, games a livros, televisão a premiações. E, uma vez ou outra, o especial “Hora de se atualizar” dá as caras por aqui para informar todos aqueles que nem sempre têm tempo de correr atrás de tudo que vira notícia pelo mundão da internet.

Dando continuidade a este quadro, decidimos, na publicação de hoje, deixar um pouco de lado a já costumeira música internacional (que é o nosso grande foco) e selecionamos alguns materiais 100% nacionais que foram liberados há pouquíssimo tempo. Com um conteúdo bastante diversificado (temos música boa para todos os gostos), você confere, a seguir, seis trabalhos lançados nestes últimos dois meses que definitivamente não poderão faltar na sua playlist. Se liga só na nossa seleção:

Boy Magia – Valesca Popozuda (single)

Após deixar o Gaiola das Popozudas e dominar o Brasil com “Beijinho no Ombro”, desde 2013 a funkeira mais popular de todos os tempos vem tentando emplacar um hit que fosse capaz de impulsionar a sua tão comentada carreira solo. E, a mais recente aposta de Valesca para as rádios nacionais é “Boy Magia”, a faixa liberada como single no último 5 de fevereiro pela “Pardal Records” – e distribuída pela “Universal Music Brasil”. Caprichando bastante na produção, a nova música vem em boa hora e demonstra que, cada vez mais, a cantora tem buscado se profissionalizar e dado preferência por um som que fosse livre para todas as idades. Substituindo a já conhecida pornografia explícita por frases de conotação sexual leve e muito bom humor, Popozuda recorre à rotineira gíria utilizada pelo público LGBT e tenta nos ganhar com uma letra divertida e um instrumental que combina o melhor do pop nacional com o funk melody. (Deixe o seu preconceito de lado pois) vale a pena conferir!

OUÇA “BOY MAGIA”


Problema Meu – Clarice Falcão (álbum)

Se você já ouviu e curtiu as músicas da Clarice Falcão extraídas do brilhante “Monomania”, então precisa conhecer o novíssimo lançamento protagonizado pela moça no cenário do pop nacional. Após tirar o melhor do folk e da MPB em seu debut album, desta vez a recifense chega fazendo bastante barulho com “Problema Meu”, o segundo disco de sua (ainda em desenvolvimento) carreira musical – o primeiro lançado sob o selo da “Chevalier de Pas”, gravadora da própria cantora. Eternizando passagens intensas por gêneros como o rock, o brega e até mesmo a bossa nova, Falcão decidiu deixar o acústico de seu primeiro trabalho um pouquinho de lado e confiou sem medo nas produções de Alexandre Kassin (nome bem popular na indústria musical brasileira que já trabalhou até mesmo com Caetano Veloso) para este recente projeto. Disponível para compra desde 26/02, “Banho de Piscina”, “Vagabunda” e “Clarice” são apenas algumas das fantásticas 14 novas faixas que destacamos por aqui e que integram o álbum que tem como carro-chefe a totalmente irônica “Irônico”.

ASSISTA AO CLIPE DE “IRÔNICO”


Fogo na Saia – Lexa (single/clipe)

Dando continuidade à divulgação de seu primeiro disco, a carioca Lexa escolheu a agitada “Fogo na Saia” para substituir a baladinha “Pior Que Sinto Falta” e representar o terceiro single oficial do trabalho liberado sob o selo da “Som Livre”. Lançada para o público no último dia 7, o clipe para a canção surgiu na internet na mesma data e conta com a direção da dupla Jun Yassuda Júnior e Fernando D’Araújo. Investindo na coreografia que foi criada pela própria Lexa ao lado de duas amigas, a produção brinca com um jogo de luzes que, em diversas cenas, nos remetem à capa do “Disponível” – técnica que já havia sido testada anteriormente no vídeo gravado para a faixa-título. Recebido de maneira bem morna pelo público, “Fogo na Saia” tem uma batida chiclete que, assim como os demais singles assinados pela cantora, representam toda sua paixão pelo pop-funk, pela autoexpressão e por seus ideais feministas. É uma pena que, graças a uma edição tão simples, o resultado final do vídeo tenha deixado a dança (que até então parecia ser o grande forte deste lançamento) tão paradinha se comparada à sua proposta inicial.

ASSISTA AO CLIPE DE “FOGO NA SAIA”


LP – Luiza Possi (álbum)

Em atividade desde 2002, não é novidade para ninguém que Luiza Possi segue firme os passos de sua mãe (a também cantora Zizi Possi) e tem, após quase 15 anos, se mostrado um dos nomes mais queridos da atual MPB. Gravando diversas canções que já foram usadas como tema musical de inúmeras novelas, a loira volta com tudo após o lançamento de “Sobre Amor e o Tempo”, de 2013, e desta vez nos introduz a “LP”, seu sexto álbum de estúdio. Conduzido pelo lead-single “Insight”, cover do paraense Jaloo, o trabalho lançado em 11/03 conta ainda com a regravação do sucesso dos anos 80 “Como Eu Quero”, do Kid Abelha, e “O Meu Amor Mora no Rio”, do Pélico. Trazendo outras sete faixas inéditas, sua atual música de trabalho é “Aventura”, canção composta pela própria Luiza ao lado do Thiaguinho. Fazendo uma mistura de pop com R&B e algumas baladas mais acústicas que exaltam toda sua afinação, Possi mostra uma versatilidade gigante em um repertório não menos que memorável. Destaque para as músicas “Sigo”, “Você Tem o Dom” e “Sem Pressa”. Se interessou? Então vale dizer, ainda, que a moça participa atualmente do “Lab LP”, um canal que é semanalmente atualizado com regravações de clássicos da música nacional e internacional retrabalhadas pela poderosa voz de Luiza. Não deixe de se atualizar!

ASSISTA AO CLIPE DE “INSIGHT”


Leandro Buenno – Leandro Buenno (EP)

Participante da terceira temporada do “The Voice Brasil” (que foi ao ar no ano de 2014), Leandro Buenno aproveitou estes últimos meses para dar uma passadinha pelos estúdios de gravação e preparar o seu primeiro material oficial. E, o resultado de tanto trabalho duro nos rendeu “Leandro Buenno”, o primeiro extended play assinado pelo discípulo da Claudia Leitte que chegou até os nossos ouvidos no dia 11 deste mês. Combinando música pop com eletrônica (um som que, definitivamente, é o grande forte do também DJ), o conjunto de cinco músicas inéditas liberadas pela “OH Produções” sob a licença da “Sony Music Brasil” inclui “Essa Noite”, o primeiro single de Leandro que teve seu clipe liberado no YouTube em novembro passado, e “Sei Lá”, um dueto com a também ex-participante do reality Nikki. Divulgando e apostando suas fichas na sua atual música de trabalho, “Mil Maneiras” já se encontra disponível no canal VEVO do cantor e, assim como a sua antecessora, revela o grande potencial do novato que tem tudo para dominar as pistas de dança do Brasil inteiro.

ASSISTA AO LYRIC VIDEO DE “MIL MANEIRAS”


Sigo de Volta – Tiago Iorc (EP)

Se você já conhece o trabalho do Tiago Iorc com o maravilhoso “Troco Likes”, o primeiro álbum de estúdio do brasiliense a focar no pop nacional (e o quarto de sua carreira), então precisa conhecer de uma vez por todas o EP “Sigo de Volta”. Dando sequência à sua sonoridade já familiar que vai de MPB a pop e acústico, a coletânea de três novas canções traz “Mulher”, “Amor Sem Onde” e o atual single “Chega Pra Cá”, todas descartadas do último trabalho lançado pelo cantor. Produzidas pelo próprio Tiago em parceria com DeepLick e lançadas pela “SLAP” (o selo oficial da “Som Livre”) em 11/03, todo o material foi composto pelo músico e vem para completar a era iniciada no ano passado com as exitosas “Coisa Linda”, “Amei Te Ver” e “Alexandria”. Planejando a gravação de um DVD oficial para este semestre e uma turnê nacional para o segundo, o próximo disco de Iorc continua sem data de lançamento definida (apesar de termos o forte pressentimento de que não deverá demorar muito para estar entre a gente).

OUÇA “CHEGA PRA CÁ”


Além destes grandes lançamentos do cenário pop nacional, qual outra novidade da música brasileira (e de qualquer outro gênero musical) fez a sua cabeça recentemente? Não deixe de nos contar qual e por que no espaço para comentários a seguir.

Anitta, Lexa, preconceito e o futuro da música pop-funk brasileira

Como fiel ouvinte da música pop internacional e de todos os seus derivados, confesso que desde os meus primórdios enxerguei o som nacional com certos olhos de receio (ou até mesmo preconceito, para ser mais sincero – não é a toa que este é o nosso primeiro post sobre música nacional). E, nessa vibe de tanto odiar tudo aquilo que era produzido pelos cantores e produtores tupiniquins, acabei, por diversas vezes, me negando a acompanhar alguns dos grandes destaques que já pintaram pelas rádios de todo o Brasil por estes últimos anos.

De fato, apesar de curtir algumas bandas de pop-rock regional, como o Capital Inicial, ou uma cantora ou outra, como a Wanessa (ex-Camargo), nunca fui uma pessoa devota àquilo que tanto fez (e faz) sucesso em nosso país. Entre inúmeros hits da música sertaneja e do funk carioca que dominaram o gosto popular de 9 a cada 10 brasileiros pelo último quinquênio, vocês devem imaginar que minha insatisfação sempre foi muito grande, para não dizer gigante. Contudo, um pouquinho de toda essa implicância estava prestes a mudar há poucos meses deste ano de 2015.

Tudo começou enquanto assistia a um programa musical pela televisão e fui apresentado a uma novata de nome Lexa, a convidada especial daquele dia em questão. Muito simpática e com um vozeirão bem afinado, minha surpresa foi totalmente inesperada ao descobrir que o foco da mencionada cantora era o funk, aquele mesmo que “aprendi” a reprovar ao longo dos muitos anos. Fazendo uma rápida busca pelos canais de TV, não demorei muito para encontrar alguns clipes da tal Lexa, e apesar de não curtir a sonoridade trabalhada por ela e pela sua gravadora, era inegável que a guria tinha talento (e carisma, um dos pontos que mais me chamou a atenção).

A cantora Lexa em ensaio fotográfico para o álbum “Disponível”

Deixando os estereótipos do politicamente correto de lado, resolvi fazer o download de “Disponível”, o primeiro disco da iniciante, e é claro que levei um tombo anda maior ao descobrir que ele não se baseava apenas no (até então) detestado funk. Muito pelo contrário: com uma baladinha ou outra, o debut album de Lexa, apesar de pouco inovador, me surpreendeu ao brincar com uma mistura de sons, indo do romântico R&B norte-americano para um reggae com cara de pop em fração de segundos. E para ser bem sincero, até mesmo as faixas de funk, a grande maioria do trabalho, não eram de todo ruim, com instrumentais interessantes e letras que exaltavam o feminismo, a liberdade e a independência (elementos que permanecem fortemente em alta na sociedade contemporânea).

Feliz com o resultado que ouvi no recente material, a positividade de Lexa me levou a conhecer outra figurinha bem popular do contagiante ritmo carioca. Sim, estou falando de Anitta! Esta muito mais renomada que aquela (convenhamos que o mero lançamento de “Show das Poderosas” já foi o suficiente para transformar a jovem garota em um dos maiores nomes da música brasileira atual), é fato que a nascida Larissa de Macedo Machado conseguiu construir ao longo de quase três anos uma carreira de imenso prestígio e fortuna.

Partindo para seu terceiro álbum de estúdio, o aclamado “Bang”, a cantora e compositora pouco decepciona com o seu mais novo disco de inéditas ao também abraçar sonoridades diversas e reuni-las em um material coeso e totalmente animador (você provavelmente já deve conhecer os sucessos “Deixa Ele Sofrer” e a faixa-título). Ainda focando suas letras no empoderamento feminino, na diversão e no amor, Anitta, assim como Lexa, tem se mostrado um interessante nome da recente leva de artistas que deverá representar o futuro da indústria musical brasileira. Apesar de as comparações serem cada vez mais frequentes (e inevitáveis, uma vez que foram levadas ao estrelado pela mesma empresa publicitária), a verdade é que tanto uma quanto a outra parecem ter objetivos completamente diferentes em suas carreiras.

Enquanto Anitta já precisa lidar com problemas mais sérios (como a dor de cabeça de uma batalha judicial) e aparenta gozar de uma estabilidade comercial muito mais poderosa, Lexa ainda dá seus primeiros passos pela jornada musical, mostrando, para isso, toda a versatilidade de sua voz em um repertório ainda muito limitado. Caprichando nos covers – como estes de “Give Your Heart a Break”, da Demi Lovato, e “Você Sempre Será”, da Marjorie Estiano, que você PRECISA conferir –, a novata parece querer crescer tanto quanto à sua antecessora, e para isso ambas têm adotado algumas táticas em comum (apesar de suas inquestionáveis diferenças, é claro).

A primeira delas, sem sombra de dúvidas, está em uma grande produção, com direito a clipes recheados de dançarinos bem coreografados e cenários que nos remetem aos trabalhos dos poderosos artistas do Hemisfério Norte – isso sem falarmos da gravação e remasterização de suas canções, que acentuam uma forte preocupação com a qualidade final de som levado para seus álbuns. Contudo, a maior façanha que as duas garotas têm investido pesado é na junção do funk ao pop (o que eu gosto de chamar de pop-funk), trazendo-nos, finalmente, algo de novo neste cenário tão pouco explorado pelos artistas brasileiros da atual década (saudades Sandy & Junior, Kelly Key, Marjorie Estiano e KLB).

“Pior Que Eu Sinto Falta” é um dos mais recentes trabalhos da Lexa que tem se destacado bastante por aí. Assista agora mesmo ao clipe da balada romântica

Que o pop nunca foi o grande foco das paradas de sucesso brasileiras (novidade), isso não sou eu quem diz, mas sim o próprio histórico das maiores empresas de radiodifusão do país, que há muito preferem dar maior enfoque aos demais ritmos populares do Brasil (como o sertanejo, o pagode, o axé e a MPB). Ganhando força com a chegada do novo milênio, o funk, assemelhando-se às demais sonoridades dominantes, há muito deixou de ser considerado um som das periferias para marcar o gosto musical de toda a população. Passando a confirmar presença na playlist de qualquer festa (seja da classe rica, média ou pobre), felizmente os anos 2000 chegaram para mudar o conceito do gênero e a visão que as pessoas tinham do marginalizado estilo sonoro. Todavia, muita coisa ainda estava em construção e mudaria com a virada desta década (2009-2010).

Indo na direção contrária à ostentação e à pornografia que muitos MCs tanto prezam em seus “trabalhos” conhecidíssimos por todo o Brasil, Anitta, Lexa e outros nomes recentes da indústria musical têm sido pioneiros ao reformular o funk e introduzi-lo ao público sob um novo olhar mais comercial e filtrado. Deixando as palavras de baixo calão de lado e focando na composição de músicas que falam muito sobre a confiança e a diversidade, foi graças aos seus trabalhos que hoje somos contemplados com dois tipos de funk: aquele proibidão que rola solto em alguns bailes perigosíssimos do Rio de Janeiro, e este novo, repaginado, sem sombra de dúvidas mais saudável e recomendável para nossos ouvidos.

Desde que me entendo por gente, sempre demonstrei uma preferência maior pela cultura estrangeira, e não apenas em se tratando de música, mas também cinema, literatura e tantos outros ramos do entretenimento em geral. Todavia, jamais enxerguei essa situação como falta de patriotismo ou respeito pelo meu país, e apenas encarei tudo isso como questão de gosto. Afinal: não tenho culpa se por toda minha vida me identifiquei melhor com o conteúdo que veio do exterior ao que eu tive aqui pelo interior. Mudando um pouquinho os meus próprios conceitos sobre o que é bom e o que é ruim, Lexa e Anitta aparecem em meu caminho como dois novos motivos para abraçar o talento nacional e curtir essa garotada que tem tanta sede de crescer e expandir aqui no Brasil tudo o que sempre admirei lá fora.

Sem preconceitos ou prejulgamentos, é tempo de mudar, de abrirmos as nossas mentes para novos horizontes e deixarmos a batida nos guiar.