Natalia Kills X Teddy Sinclair: mera vítima ou grande culpada da sua falta de profissionalismo?

Devo admitir a vocês que cheguei a cogitar esta publicação há duas ou três semanas, mas, por alguma razão desconhecida, dispensei a ideia e parti escrevendo sobre outros temas diversos. Navegando pelo meu blog e consultando os termos de busca mais frequentes (sim, eu consigo ver tudo o que vocês pesquisam por aqui <3) encontrei a seguinte frase que acabou me chamando a atenção: “Natalia Kills crise de identidade”. Eu sei que nem todos conhecem o trabalho desenvolvido pela cantora, então, justo se faz falarmos um pouquinho sobre a trajetória dela antes de entrarmos no assunto e comentarmos sobre todo o bafafá que rolou há alguns meses deste ano.

Se você nunca ouviu falar da cantora britânica, talvez seja hora de parar de ler esta postagem e dar uma conferida nos videoclipes de “Mirrors” e “Problem”, okay? Pronto? Então já podemos continuar daqui em diante.

Apesar de nunca ter feito uma grande estreia em toda sua carreira, a verdade é que Natalia Kills já atendeu por diversos outros nomes antes de chegar ao que adotou por mais de 4 anos. Já sendo chamada de Verbalicious e Natalia Cappuccini, por exemplo, foi somente como Kills que a inglesa lançou seus dois materiais principais e conquistou um seleto grupo de fãs que passou a segui-la para todos os cantos. Apontada como “a nova Lady Gaga” para alguns críticos mais conservadores, o 1º disco da cantora, “Perfectionist”, foi liberado lá atrás, em 2011, sob o selo da “Interscope Records” e a mentoria de will.i.am, o líder do Black Eyed Peas. Lançando 4 singles e recebendo a produção de alguns nomes super respeitados do meio como Fernando Garibay e Akon, o debut album da morena estreou em #129 no Reino Unido, o mercado principal de Kills, e #134 na “Billboard 200”, a tão sonhada indústria norte-americana.

Seguindo seus passos criativos como cantora e compositora (não podemos esconder o fato de que Kills nunca dispensou sua contribuição lírica no catálogo que possui), “Trouble” ganhou vida em 2013 subindo incríveis 64 posições na “Billboard 200” (se compararmos ao disco antecessor) e estreando numa satisfatória posição de nº #70. O novo álbum falhou ao ingressar nos charts britânicos e mundiais, mas, é extremamente perceptível e louvável o modo como Natalia contornou melhor os traços de sua personalidade e cresceu muito o som transmitido em sua 2ª obra. Isso tanto é verdade que, pouco tempo depois, até mesmo a “Rainha do Pop” acabou se surpreendendo com os trabalhos escritos por Natalia e a chamou para escrever para o disco “Rebel Heart” (2015). Da colaboração de Kills com Madonna surgiu “Holy Water”, a faixa que entrou para a versão standard do álbum e agradou bastante os fãs de ambas as cantoras.

Aparentemente solidificando os trilhos de sua carreira e partindo para uma grande estreia junto ao mercado estadunidense (afinal, não é qualquer britânico que salta mais de 60 posições nos charts dos EUA de um álbum para outro e possui uma colaboração com Madonna em seu currículo), a morena acabou sendo convidada para ocupar a bancada do “X Factor Nova Zelândia” em março de 2015. Ao lado de seu marido, o também cantor Willy Moon, tudo estava indo muito bem até… surgir Joe Irvine, um dos candidatos do programa.

Usando um terno escuro combinado com gel nos cabelos penteados para trás (nada que um homem já não tenha usado em algum momento da sua vida, rs), Natalia resolveu dizer o que pensava sobre o garoto e elaborou uma crítica mais ácida que o próprio veneno do extraterrestre de “Alien: O Oitavo Passageiro”. Atirando para todos os lados (menos no talento do próprio candidato, que era o foco do programa), ela foi a grande responsável por marcar na história televisiva dos reality shows um dos momentos mais tensos desde a briga “Nicki Minaj X Mariah Carey” que aconteceu na concorrência. Sabe o que Natalia disse?

“Senhoras e senhores, eu vou apenas dizer o óbvio: nós temos uma cópia. Como uma artista que respeita a integridade artística e propriedade intelectual, eu estou realmente enojada em como você copiou o meu marido. Do cabelo até o terno, você não dá valor ou respeito para a originalidade? É barato, é nojento. É uma atrocidade artística. Eu estou absolutamente incomodada e constrangida por sentar aqui na sua presença”.

Se você acha que Willy Moon fosse amenizar todo o escândalo e tentar defender o cara, talvez seja melhor repensar isso. “Para mim isso tudo parece um pouco brega e absurdo. É como Norman Bates [personagem do filme “Psicose”] vestido com as roupas da mãe. Só que um pouco mais bizarro. Sinto que você vai costurar a pele de alguém na sua cara e depois matar todo mundo na plateia. Mas… É isso que você vai fazer?”.

“É o que eu disse, é nojento, você me deixa enojada, você não tem identidade. Não suporto! Estou com vergonha de estar aqui” finalizou a voz de “Saturday Night”.

É claro que não demorou mais de um dia para o assunto se espalhar pelo mundo todo e revoltar uma multidão de pessoas que, juntas, formaram uma indestrutível corrente de ódio ao casal de artistas. Para você ter uma ideia, uma petição online com mais de 77 mil assinaturas pediu a expulsão de Natalia e Willy do programa, o que, obviamente, também aconteceu em menos de 24 horas.

Foi em uma nota oficial que Mark Weldon, um dos responsáveis pela emissora neozelandesa, relatou que o casal foi “cordialmente convidado a se retirar na mesma noite do incidente”. E não para por aí: “Mesmo que se espere que os jurados do ‘X Factor’ façam críticas às apresentações, nós não vamos tolerar comentários tão destrutivos vindos de qualquer um deles. Os participantes se doam completamente e esperam receber uma crítica profissional e construtiva. Nós já não temos confiança que Kills e Moon são as pessoas certas para ocuparem o papel de jurados do X Factor, e eles sairão do show imediatamente”.

Em entrevista à “MTV” australiana, Kills negou que seu acesso de raiva tenha sido uma jogada de marketing para conseguir audiência. “Não há nenhuma conspiração por trás disso tudo. Amo meu marido com todo meu coração e estamos unidos, não importa o que aconteça. Há muitos lados desta história e eu não vou colocar toda uma indústria que está aqui há anos entretendo as massas em problemas, então, eu quero agradecer a todos pelo apoio. Eu só quero desejar ao Joe e a todos os garotos do meu grupo toda a sorte durante a competição”.

Essa foi a versão contada por absolutamente 90% dos tabloides e sites de notícias de todo o planeta, mas, será que é mesmo a única versão dos fatos? Em entrevista para a “Billboard”, Natalia decidiu abrir o jogo e disse um pouco mais sobre o assunto. Finalmente se desculpando pelo ocorrido, ela afirmou que “muita coisa acontece nos bastidores de um reality show, e o que você vê nem sempre é a história toda. O programa me trouxe para trazer a minha paixão, expressão dramática e perspectiva. Fui encorajada a ser franca e as coisas ficaram de lado. Joe, eu espero que você possa me perdoar e desejo a você o melhor! Seja natural, diferente e seja você!”.

Toda essa história já aconteceu há mais de 4 meses, mas, até hoje é possível encontrar mensagens de ódio deixadas pelas pessoas nas redes sociais da cantora. Então, o que Natalia Kills poderia fazer para superar essa terrível fase, voltar à rotina e esquecer o trágico episódio? Não, meus caros, ela não tirou férias de 2 anos e resolveu passar uma temporada no Havaí. Talvez reforçando mais ainda o erro cometido no “X Factor” ao idolatrar seu marido mais do que o normal, a ácida ex-jurada resolveu fazer uma homenagem ao amado trocando, mais uma vez, seu nome artístico. Pelo instagram, a ex-Natalia Kills deixou a seguinte mensagem:

“Há um ano, quando casei com Willy Moon eu peguei seu sobrenome (Sinclair). Há um longo tempo, meus amigos e familiares próximos me chamam de Teddy e meu marido decidiu que seria lindo passar o resto da minha vida com meu nome mais íntimo unido ao meu nome de casada. Então, há um ano tenho sido Srª. Teddy Natalia Noemi Sinclair e eu nunca me senti mais natural, honesta e poderosa. E finalmente estou pronta para convidá-los a me abordarem pessoalmente já que sinto que somos tão próximos e sou muito grata pelo apoio e amor de vocês. Adoro todos vocês. Me chamem de Teddy. Me chamem de Natalia. Me chamem de louca. Contanto que me chamem”.

Contudo, Teddy Sinclair, que ainda responde pelo username @NataliaKills pelo Twitter, revelou na rede social que não pretende mudar o foco de sua carreira como cantora e disse que pretende seguir novos caminhos em breve. Agora fazendo parte de uma banda, Teddy já adiantou a seus seguidores que seu próximo álbum não será lançado como o de uma artista solo, pois “acha muito entediante se apresentar sozinha em cima dos palcos”. Afirmando que “admira bastante o trabalho de grupos com o Hole e o Garbage”, ela acrescentou que pretende mudar sua sonoridade para a música indie além de cogitar abandonar sua atual gravadora.

Todos devem pensar que, após a demissão do “X Factor” e a gigantesca visibilidade negativa adquirida pelo vexame envolvendo o calouro tenham colocado a inglesa em maus lençóis, mas, a verdade é que tudo isso acabou se refletindo de diversas maneiras. Isso porque, desde dezembro de 2014 a cantora Rihanna havia compartilhado uma pequena prévia de uma música que estaria presente em seu 8º disco de inéditas, o popularmente chamado de “#R8”. E, e essa mesma faixa voltou a ser assunto durante a semana depois de Natalia ser questionada no Twitter se teria mesmo composto ou não uma canção para o novo material da caribenha. Para quem não sabe, estamos falando de “Kiss It Better”, música escrita por Teddy para a dona do sucesso “Diamonds” que poderá (ou não) integrar a tracklist do tão almejado disco de Rihanna (nada confirmado ainda).

Como a própria Teddy Sinclair disse diversas vezes nas entrevistas acima, uma história realmente pode ter mais de um lado, assim como as duas faces de uma moeda. Contudo, mesmo assim nos resta fazer algumas perguntas: o que levou uma das maiores promessas da música inglesa a tomar a atitude completamente reprovável de humilhar um calouro sem nenhuma experiência? Será que ter trabalhado com Madonna preencheu tanto assim o ego da cantora a ponto de se achar tão superior a qualquer outro artista? Qual é a linha imaginária que divide amor da obsessão e pode manter um relacionamento saudável para qualquer ser humano? Ou será que existem outros pontos mais obscuros em toda essa história que ainda não vieram à tona?

Seja bem-vinda Teddy Sinclair, estamos ansiosos para ouvir o que você tem preparado nos estúdios de gravação. Porém, não se esqueça: mudar seu nome não vai mudar o seu passado, a sua história. Infelizmente, você terá que ralar MUITO para reconquistar o público e provar que, talvez, ainda exista algum resquício de profissionalismo dentro dessa cabecinha tão complicada. Boa sorte, você vai precisar!

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1/7: Os meus 72 discos favoritos – LIGHTS OFF

2. Lights Off

LIGHTS OFF foi o bloco escolhido para abrir nosso especial sobre os meus 72 discos favoritos por razões óbvias de eu ser uma gótica experimental rainha das trevas usuária de roupas pretas, e pra dizer bem a verdade também não sei o porquê disso, apenas senti que seria uma boa forma de começarmos.

Luz e trevas são dois extremos que sempre caminharam lado a lado assim como tantos outros opostos, mas isso não quer dizer que tudo o que é bom está posicionado para o lado mais claro e o que é ruim para o mais escuro. Foi exatamente isso que tentei expressar por meio desta publicação.

Durante o decorrer de todo o texto, tentei relacionar aqui trabalhos sólidos, consistentes, que trazem em sua essência uma experiência de vida nem sempre bem resolvida. De decepções amorosas para uma busca pela independência de sua personalidade, os artistas aqui retratados, da sua maneira, tentaram quebrar os moldes e mostrar vulnerabilidade sem perder o controle de suas carreiras, e por isso provaram ser verdadeiros ícones da música contemporânea.

Com esta playlist, busquei levar ao leitor uma dica de som para se ouvir sem sair de casa, debaixo dos cobertores ou apenas jogado no sofá, curtindo a vibe, só relaxando de todo o estresse do dia-a-dia que consome nossos corpos e nossas mentes. A minha parte está feita, agora é com você! Ah, e antes que eu me esqueça: faça tudo isso, mas não se esqueça de apagar as luzes!


01. BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records, 2007;

Singles: “Gimme More”, “Piece Of Me” e “Break The Ice”;

Não deixe de ouvir também: “Heaven On Earth”, “Toy Soldier”, “Perfect Lover” e “Why Should I Be Sad”.

É um tanto quanto curioso que o melhor álbum da legendária Miss Britney Spears tenha sido gravado e lançado na fase mais obscura de sua vida, vocês não acham? Superando um divórcio conturbado e aprendendo a lidar com a nova vida de mãe solteira pressionada pela máfia dos tabloides, Spears fez muito bem ao tomar as rédeas de seu 5º disco de inéditas atuando como a única diretora executiva do trabalho. “Blackout” é tão influente em sua discografia que é inevitável não compará-lo com os discos que o sucederam, que querendo ou não sofreram uma leve decaída sonora. Por mais que o disco “Britney”, lá de 2001, tenha sido um divisor de águas que nos apresentou uma Britney mais sexualizada (mas ainda não tão amadurecida), “Blackout” foi o responsável por nos introduzir uma cantora completamente nova para nossos ouvidos! Como uma fênix negra e sedenta para nos contar a sua verdadeira história de vida, “Blackout” sussurra em seus sintetizadores bem posicionados que Britney, pela primeira vez, nos revelou ser um ser humano digno de respeito, admiração e muita aclamação.


02. Dignity02. DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records, 2007;

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”;

Não deixe de ouvir também: “Dignity”, “Gypsy Woman”, “No Work, All Play” e “Happy”.

Hilary Duff passou sua adolescência gravando diversos filmes e discos voltados para o público mais jovem, e isso foi fundamental para consagrar seu nome entre meninas e meninos do mundo inteiro. Porém, é natural do ser humano querer se desprender do passado e abraçar o presente, e não poderia ter sido diferente com a cantora – que já não era mais uma garotinha de 16 anos. Agora uma jovem mulher de seus quase 20 anos, foi também em 2007 que a eterna Lizzie McGuire tingiu seus cabelos de escuro e liberou para seus fãs o seu 4º álbum de estúdio, “Dignity”. Seguindo os passos de Madonna e Britney Spears, Hilary abandonou de vez o pop-rock e decidiu apostar todas suas fichas no electropop, o que mais tarde se provou a escolha mais sensata de sua carreira musical. Compondo 13 das 14 faixas de “Dignity” (fato este também inédito em sua discografia), o disco surgiu no mercado como um verdadeiro tapa na cara de todos aqueles que diziam ser a cantora um produto do meio desprovido de qualquer talento nato! Go girl, e que venha o “Dignity 2.0”.


03. Bittersweet World03. BITTERSWEET WORLD – ASHLEE SIMPSON

Gravadora: Geffen Records, 2008;

Singles: “Outta My Head (Ay Ya Ya)” e “Little Miss Obsessive”;

Não deixe de ouvir também: “No Time For Tears”, “Ragdoll”, “What I’ve Become” e “Murder”.

Desde o incidente no “Saturday Night Live”, em 2004, quando Simpson se utilizou de um playback mal executado para uma apresentação no programa devido a problemas vocais, muito se subestimou os trabalhos musicais da cantora, e isso foi algo que a acompanhou ao longo dos anos. Todavia, sempre bem disposta a demonstrar o contrário, Ashlee fez magia nos estúdios de gravação ao elaborar “Bittersweet World”, seu 3º da carreira. Menos pessoal que os anteriores, o álbum soa mais genérico e divertido que “Autobiography” e “I Am Me”, mas ainda se mostra bem estruturado e despretensioso, nos apresentando um lado de Simpson mais natural e bem a vontade consigo mesma. Se rendendo as batidas suaves e dançantes, Ashlee deixa claro que não possui o talento vocal de sua irmã, Jessica, mas enfatiza que é mestre na produção de álbuns e que sabe compor como ninguém.


04. Born This Way04. BORN THIS WAY – LADY GAGA

Gravadora: Interscope Records, 2011;

Singles: “Born This Way”, “Judas”, “The Edge Of Glory”, “Yoü And I” e “Marry The Night”;

Não deixe de ouvir também: “Government Hooker”, “Scheiße”, “Heavy Metal Lover” e “Electric Chapel”.

Após dominar as pistas de dança do mundo inteiro com o disco “The Fame” e seu EP posterior, “The Fame Monster”, Lady Gaga precisava de um novo material para dar sequência a sua trajetória na indústria fonográfica, e “Born This Way” foi a decisão tomada pela garota prodígio. Abrindo alas com a polêmica faixa-título – acusada por muitos de conter plágio descarado de um hit antigo da Madonna -, Gaga deixou as fofocas de lado e se manteve forte na divulgação do seu 2º disco de inéditas. Conseguindo superar toda a obscuridade trabalhada na sua era Monster, Stefani Germanotta caprichou ao trazer instrumentais totalmente improváveis no novo material, trabalhando arduamente na produção e divulgação de cada detalhe e performance que chegou a encabeçar. Cada vez mais independente e dona de si, Lady Gaga mostra para o mundo que a cada lançamento a sua imagem é renovada e uma nova faceta é trazida a tona, por mais que algumas bizarrices do começo da carreira jamais abandonem o seu dia-a-dia.


05. Impossible Princess05. IMPOSSIBLE PRINCESS – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Deconstruction Records, 1997;

Singles: “Some Kind Of Bliss”, “Did It Again”, “Breathe” e “Cowboy Style”;

Não deixe de ouvir também: “Too Far”, “I Don’t Need Anyone”, “Limbo” e “Dreams”.

“Impossible Princess” está para Kylie Minogue assim como “Blackout” está para Britney Spears! 10 anos antes da “Princesinha do Pop” ter alguns surtos, raspar a própria cabeça e agredir um paparazzo, Kylie Minogue não andava em sua melhor fase quando gravou e liberou seu 6º álbum de estúdio, em 1997. Sofrendo uma profunda depressão e crise de identidade (leia mais sobre isso acessando este link), você pode notar que dificilmente a australiana inclui as faixas deste disco nas setlists de suas turnês mundiais – o que é realmente uma pena. Inspirando-se no trip-hop, indie rock e folk, este foi o primeiro trabalho em que Kylie resolveu tomar as rédeas de sua imagem criativa e palpitar na nova direção que a guiava, compondo todas as músicas do álbum e chegando a produzir algumas. Mais audaciosa do que nunca, é válido dizer que esta joia rara mal compreendida da discografia de Minogue veio para reforçar que a jovem estrela da novela “Neighbours” é uma mulher que possui a capacidade de tirar o fôlego de qualquer um.


06. A Little More Personal (Raw)06. A LITTLE MORE PERSONAL (RAW) – LINDSAY LOHAN

Gravadora: Casablanca Records, 2005;

Singles: “Confessions Of A Broken Heart (Daughter To Father)”;

Não deixe de ouvir também: “I Live For The Day”, “If It’s Alright”, “Fastlane” e “Edge Of Seventeen”.

Foi acompanhada da já experiente Kara DioGuardi que Lindsay Lohan atuou como produtora executiva de seu 2º trabalho musical, o sombrio “A Little More Personal (Raw)”. Cansada da imagem de “boa moça” que conquistou ao estrelar diversos longa-metragens para o império de Mickey Mouse, a nossa bad girl favorita de Hollywood precisava de uma válvula de escape para dizer às pessoas que não era tão inocente assim. Foi dessa maneira que “Personal” caiu como uma luva bem em suas mãos. Afastando-se um pouco da música que costumava fazer no começo de sua carreira, o novo material fala por si em músicas como “I Live For The Day” e “If It’s Alright”, a parte mais profunda desta nova era. Utilizando-se de algumas batidas do rock e do pop mais intensas e inovadoras, sua voz soa mais clara e bem trabalhada neste álbum, caminhando em contrapartida aos vocais agressivos apresentados em seu disco debut. “A Little More Personal (Raw)” nos faz refletir que Lindsay nunca teve a ambição de ser uma grande vocalista, apesar de já ter participado de algumas boas performances ao vivo. Mas num mundo de cantoras que usam e abusam de autotune para sobreviver à demanda dos dias de hoje, será que a cantora não conseguiria lidar facilmente com isso sem precisar recorrer aos artifícios dos estúdios de gravação?


07. Light Me Up07. LIGHT ME UP – THE PRETTY RECKLESS

Gravadora: Interscope Records, 2010;

Singles: “Make Me Wanna Die”, “Miss Nothing” e “Just Tonight”;

Não deixe de ouvir também: “My Medicine”, “Since You’re Gone”, “Light Me Up” e “You”.

Eu duvido que quem chegou a acompanhar a série “Gossip Girl” – e se deliciava com as cenas da pequena Jenny Humphrey – já conseguiu imaginar a atriz Taylor Momsen como uma estrela do rock. Abandonando a série para trabalhar com mais afinco em sua banda, o The Pretty Reckless (apesar de os boatos serem bem mais cruéis), o primeiro álbum do grupo balançou as paradas musicais do Reino Unido em pleno 2010, quando o lead single foi liberado meses antes do lançamento oficial do “Light Me Up”. Levando o seu rock alternativo para os jovens de todo o mundo, a troca de imagem de Momsen parece ter sido uma boa escolha não só para os seus fãs mais fieis como também para a própria cantora, que passou a agir mais naturalmente para onde quer que se apresentasse. Mostrando que tem talento e que está bem disposta para consolidar sua carreira na indústria fonográfica, “Light Me Up” é uma ótima escolha de álbum para quem curte um rock mais suave e que ainda não conhece o trabalho do The Pretty Reckless.


08. Perfectionist08. PERFECTIONIST – NATALIA KILLS

Gravadora: Interscope Records, 2011;

Singles: “Mirrors”, “Wonderland”, “Free” e “Kill My Boyfriend”;

Não deixe de ouvir também: “Break You Hard”, “Love Is A Suicide”, “Superficial” e “Nothing Lasts Forever”.

Chamada por muitos de “a nova Lady Gaga”, “Perfectionist” foi o disco responsável por introduzir a novata Natalia Kills no mercado musical, em 2011. Com o apoio de will.i.am – principal produtor a ajudar Kills no início de sua carreira, tendo inclusive atuado como um dos coprodutores do primeiro álbum da inglesa -, Natalia sempre marcou sua arte com uma forte imagem criativa, deixando claro para todos que não era apenas uma estrela qualquer. Agraciada com sua leve e incisiva voz, foi acompanhada de uma megaprodução que a jovem britânica levou para seus fãs 15 grandes faixas eletrônicas (algumas mais que outras) e expressou sua vontade de dominar as baladinhas das grandes metrópoles e das cidades do interior. Sempre bem resolvida quanto a sua identidade como artista, Kills é um exemplo de profissional da música que sabe o que faz no estúdio e não peca ao conciliar o mainstream com a sua invejável capacidade de expressão.


09. Body Music09. BODY MUSIC – ALUNAGEORGE

Gravadora: Island Records, 2013;

Singles: “You Know You Like It”, “Your Drums, Your Love”, “Attracting Flies” e “Best Be Believing”;

Não deixe de ouvir também: “Outlines”, “Bad Idea”, “Superstar” e “Just A Touch”.

Uma descoberta ainda recente para mim, o disco aqui apresentado surgiu como a indicação de um grande amigo numa seleta lista de outros álbuns que ouvi e explorei há menos de um ano. Sem sombra de dúvidas o título que mais chamou a minha atenção, esta é uma produção que não poderia estar de fora deste especial! AlunaGeorge é um duo britânico formado por Aluna Francis e George Reid, em atividade desde 2012, responsáveis pela produção, composição e gravação das faixas presente no brilhante “Body Music”, o debut album dos caras. Seguindo os trilhos do synthpop, trip hop e UK garage, o álbum teve uma ótima estreia na “Terra da Rainha”, local onde Francis e Reid têm seu público principal, e um desempenho razoável em diversos países da Europa. Eu tenho certeza que é ouvindo este álbum que você se perguntará incessantemente assim como eu faço já há algum tempo: quando o mundo acordará para essa dupla maravilhosa e o AlunaGeorge receberá o seu tão merecido efeito-Adele?


10. Rabbits On The Run10. RABBITS ON THE RUN – VANESSA CARLTON

Gravadora: Razor & Tie Records, 2011;

Singles: “Carousel”, “I Don’t Want To Be A Bride” e “Hear The Bells”;

Não deixe de ouvir também: “Fairweather Friend”, “Dear California”, “Tall Tales For Spring” e “In The End”.

Conhecida pelo mega hit “A Thousand Miles”, o qual fez parte da trilha sonora do inesquecível filme “As Branquelas”, Vanessa Carlton decidiu se inspirar nas obras literárias de Stephen Hawking (“A Brief History of Time”) e Richard Adams (“Watership Down”) para o seu 4º álbum de inéditas, “Rabbits On The Run”. O interessante do projeto é que este é o primeiro trabalho independente lançado pela jovem wicca, gravado à época totalmente ao vivo no “Real World Studios”, em Londres. O álbum é tão surpreendente que soa como uma espirituosa coletânea de canções de ninar contemporâneas, mas completamente voltadas para o público adulto. “Carousel”, o carro-chefe, por exemplo, é uma refrescante música piano-pop que nos traz o melhor de Vanessa Carlton em tempos atuais: sua doce voz e os inseparáveis instrumentais estrategicamente bem colocados. Não é de hoje que a senhorita Carlton nos exibe sua genialidade, não é mesmo?


LIGHTS ON, o nosso segundo bloco, estará disponível em breve aqui no blog! Fique de olho e não perca.