Os 10 melhores discos de 2017

Apesar de não termos escrito tanto sobre música neste ano, não poderíamos deixar de compartilhar aqui no Caí da Mudança a já tradicional relação com os 10 melhores discos liberados ao longo destes últimos 12 meses. Entretanto, desde já gostaríamos (e precisamos) esclarecer que, diferente dos anos anteriores, foi bastante difícil para nós chegar a uma lista definitiva dos melhores de 2017, uma vez que foram muitas as opções realmente boas e que mereciam o mínimo possível de destaque em um especial como este.

Assim, e sem maiores delongas, você confere a seguir o nosso acirrado top 10, as já conhecidas menções honrosas e, não menos importante, uma pequena surpresa com o que foi considerado, tanto pela crítica quanto pelo público, o melhor álbum pop de 2017. Não se esqueça de clicar nas imagens abaixo para conferir um videoclipe especial de cada álbum e artista, ok? Ah, e ainda vale lembrar que você pode acessar os títulos escolhidos em 2016 (através deste link) e os selecionados em 2015 (por este outro link). Preparados? Então vamos lá:

10) YOUNGER NOW – MILEY CYRUS

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Malibu”, “Younger Now”

Considerações: Distanciando-se da imagem provocativa que construiu com tanto afinco durante as eras “Bangerz” (2013) e “Miley Cyrus & Her Dead Petz” (2015), é num tom mais intimista e raiz que Miley Cyrus ressurge em pleno 2017 com o 6º lançamento de sua diversificada discografia. Impulsionado pelo carro-chefe “Malibu” (#10 no “Hot 100”), “Younger Now” pode não ter atendido às expectativas do público, mas é sem sombra de dúvidas uma obra que merece ser reconhecida. Contando com apenas 11 faixas – todas compostas e produzidas pela própria Miley ao lado de Oren Yoel (com quem já havia trabalhado em “Dead Petz”) –, o disco combina pop-rock a baladinhas country da maneira mais espetacular possível. Totalmente sóbria de sua vida pregressa, é com uma sonoridade bem retrô, mas contemporânea, que a cantora nos apresenta à gravações sublimes (à exceção de “Rainbowland”, é claro) como “Bad Mood”, “Love Someone” e a fantástica faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 45 mil cópias na primeira semana

9) TELL ME YOU LOVE ME – DEMI LOVATO

Gravadora: Island, Safehouse, Hollywood Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Sorry Not Sorry”, “Tell Me You Love Me”

Considerações: Outra ex-Disney star que também marcou 2017 com novo material foi a Demi Lovato, que há dois anos já havia nos surpreendido com o Grammy nominee “Confident” (2015). Colhendo os bons frutos gerados pelo lead single “Sorry Not Sorry” (#6 no “Hot 100”), em seu 6º álbum Lovato perambula, majoritariamente, entre o pop e o R&B, investindo em uma roupagem ainda mais obscura – e deixando claro que sua intenção é mesmo abraçar novos públicos e mercados. Explorando de forma secundária gêneros como synth-pop, gospel, rock e hip-hop, a moça é precisa em sua busca por independência e felicíssima ao nos presentear com as memoráveis “Ruin The Friendship”, “Cry Baby” e “Games” – até mesmo a carnavalesca “Instruction”, com Jax Jones e Stefflon Don, foi lembrada. Trazendo 12 faixas na edição standard, 15 na deluxe e 17 na exclusiva da Target, “Tell Me You Love Me” inclui as produções de Oak Felder, Trevor Brown entre muitos outros

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 75 mil cópias na primeira semana

8) AFTER LAUGHTER – PARAMORE

Gravadora: Fueled by Ramen

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Hard Times”, “Told You So”, “Fake Happy”

Considerações: Quem diria que, após 13 anos de uma sólida carreira construída no rock alternativo, o Paramore pudesse nos surpreender com um álbum totalmente pop? Embalado pelos instrumentais do new wave, do pop-rock, do synth-pop e do power pop, “After Laughter”, o 5º do trio, já demonstra logo em sua faixa de abertura todo o alto-astral ambientado na dance music dos anos 80 que esculpe sua tracklist do início ao fim. Totalmente contagiante e com uma pegada chiclete que não desgruda de nossos ouvidos, o sucessor de “Paramore” (2013) explora desde sons mais alternativos (“No Friend”, “Idle Worship”) a baladinhas suaves (“26”, “Tell Me How”) e canções recheadas de sintetizadores (“Hard Times”, “Rose-Colored Boy”). Recebendo as composições de Hayley Williams, Zac Farro (que desde o começo do ano voltou à formação da banda), Aaron Weiss e Taylor York, todas as 12 músicas nele presentes foram produzidas por York. Não deixe de conferir nossa resenha completa sobre o disco!

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 na “Billboard 200” com vendas de 67 mil cópias na primeira semana

7) BEAUTIFUL TRAUMA – PINK

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 13 de outubro de 2017

Singles: “What About Us”, “Beautiful Trauma”

Considerações: Separados por um interminável espaço de 5 anos, foi após muita espera dos fãs que o 7º álbum da Pink chegou há poucos meses para suceder o exitoso “The Truth About Love” (2012). Aliando-se aos velhos amigos Max Martin e Shellback, é em seu já familiar pop-rock ora pessoal, ora ousado, que a voz por trás de hits como “Just Like a Pill” surge com as indispensáveis “Revenge” (com o Eminem), “Whatever You Want” e “Secrets”. Creditada na composição de cada uma das 12 faixas presentes no disco, Pink acerta em cheio na vibe transmitida pelo “Beautiful Trauma” – a qual nos lembra, inevitavelmente, a do smash hit “Fuckin’ Perfect” (principalmente por “For Now”). Entre tantos artistas medíocres que sempre parecem acompanhar as tendências do momento e nunca inovam, é muito bom ver uma veterana fazendo música pop moderna com a mesma qualidade de seus trabalhos antecessores. Destaque especial, ainda, para “Barbies” e “Where We Go”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 408 mil cópias na primeira semana

6) REPUTATION – TAYLOR SWIFT

Gravadora: Big Machine Records

Lançamento: 10 de novembro de 2017

Singles: “Look What You Made Me Do”, “…Ready For It?”

Considerações: Pegando-nos de surpresa após os boatos que apontavam seu retorno para este ano, Taylor Swift não se contentou com uma estreia simplória e chegou com tudo com sua “Look What You Made Me Do” (#1 no “Hot 100”). Quebrando o recorde de vídeo mais visualizado no YouTube nas primeiras 24h (foram 43,2 milhões de views), a moça encaixou “…Ready for It?” (#4) na sequência e a partir daí não deu mais descanso para quem estava ansioso pelo seu 2º lançamento pop. Trazendo Ed Sheeran e Future em “End Games”, o 6º da cantora, assim como seu antecessor, capricha nas batidas de electropop e synth-pop produzidas por ninguém menos que Jack Antonoff, Max Martin e Shellback – aliás, a própria Taylor assina a produção de algumas faixas junto com a produção executiva. Muito mais obscuro e desafiador que o “1989” (2014), “Reputation” caminha por uma montanha-russa de altos e baixos que vai desde hits prontos como “I Did Something Bad”, “Don’t Blame Me” e “Dancing With Our Hands Tied” à gravações que jamais deveriam ter visto a luz do dia, como “Gorgeous”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 1.238 milhão de cópias na primeira semana

5) PLACES – LEA MICHELE

Gravadora: Columbia Studios

Lançamento: 28 de abril de 2017

Singles: “Love Is Alive”

Considerações: Contrariando o pop mainstream que tem tocado nas rádios ano após ano (inclusive o que marcou presença em seu debut album), é num tom mais cru e super afinado que Lea Michele nos embala em “Places”, sua 2ª experiência pelos estúdios de gravação. Recordando o passado de Michele na Broadway, o aguardado sucessor de “Louder” (2014) não deixa a desejar no quesito autenticidade e supera (em muito) a estreia mais comercial da ex-estrela de “Glee” há 4 anos com o single “Cannonball”. Trazendo as composições de grandes nomes da indústria musical atual (como Linda Perry, Ellie Goulding e Julia Michaels), “Places” extrapola vivacidade nas baladas muito bem produzidas pelos talentosos John Shanks, Xandy Barry (do multiplatinado duo Wax Ltd) entre outros. Apesar de pouco divulgado na mídia, o disco, que conta com 11 faixas na edição padrão e 13 na exclusiva da Target, não falhou no quesito gravações atemporais, dentre as quais devemos mencionar “Heavenly”“Hey You”“Sentimental Memories”

Paradas musicais: O álbum estreou em #28 na “Billboard 200” com vendas de 16 mil cópias na primeira semana

4) FLICKER – NIALL HORAN

Gravadora: Neon Haze, Capitol Records

Lançamento: 20 de outubro de 2017

Singles: “This Town”, “Slow Hands”, “Too Much to Ask”

Considerações: Primeiro novato do nosso top 10, Niall Horan ainda fazia parte do One Direction quando muitos o classificavam como o membro mais fraco do grupo. Dois anos mais tarde, felizmente, esta falácia logo caiu por terra. Dono de um dos maiores sucessos do ano (“Slow Hands”, #3 na Irlanda, #7 no Reino Unido, #11 nos EUA), Horan causou ainda mais frisson quando “Flicker”, o seu 1º álbum como solista, estreou direto no topo da parada norte-americana (mercado este que nem sempre é tão receptivo a artistas de outros continentes). Coescrevendo cada uma das 13 canções presentes no disco, Niall ainda é creditado pelo violão que podemos ouvir em 9 delas. Inspirado por bandas antigas de rock, como o Eagles e o Fleetwood Mac, “Flicker” caminha predominantemente pelo folk pop produzido por profissionais como Greg Kurstin, Julian Bunetta e Jacquire King. Se você gostou da maravilhosa “Slow Hands”, então não pode deixar de conferir as igualmente icônicas “On the Loose”, “Mirrors” e “The Tide”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 152 mil cópias na primeira semana

3) RAINBOW – KESHA

Gravadora: Kemosabe, RCA Records

Lançamento: 11 de agosto de 2017

Singles: “Praying”, “Woman”, “Learn to Let Go”

Considerações: Renascendo como uma fênix não apenas figurativamente, mas também literalmente, foi após uma árdua batalha judicial contra o produtor Dr. Luke que Kesha conseguiu finalmente dar continuidade à sua carreira. Dizendo adeus ao electropop que predominou em seus trabalhos anteriores, em “Rainbow” a cantora abandona de vez o efeito robótico que a fez tão famosa no início da década e, com a voz mais limpa do que nunca, experimenta gêneros como pop rock, glam rock, neo soul e country pop. Entoando o hino mais feminista do ano (“Woman”), é entre letras intimistas (“Bastards”, “Praying”), sonoridades regionais (“Hunt You Down”, “Spaceship”) e hits dançantes (“Learn to Let Go”) que o 3º álbum e Kesha a colocou novamente em evidência no mundo todo. Dando um tapa na cara de todos que duvidavam de seu poderio vocal, a loira esteve tão intimamente ligada ao processo criativo do disco que subscreveu a composição de suas 14 faixas, além da produção executiva de todo o material; outros produtores incluem Ricky Reed e Drew Pearson

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 117 mil cópias na primeira semana

2) HARRY STYLES – HARRY STYLES

Gravadora: Erskine, Columbia Records

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Sign of the Times”, “Two Ghosts”, “Kiwi”

Considerações: Livrando-se da pegada teen inerente a cada disco e música de sua boyband, foi impulsionado pelo soft rock e britpop que Harry Styles fez o que consideramos a melhor estreia solo de um integrante da One Direction. Iniciado pelo carro-chefe “Sign of the Times” (#1 no UK, #4 nos EUA), o 1º disco de Harry – que assim como os de Zayn e Niall também estreou direto no topo da “Billboard 200” –, acerta em cheio nas produções de Jeff Bhasker, Alex Salibian e Tyler Johnson que em nada se assemelham aos lançamentos do 1D. Rendendo, ainda os singles “Kiwi”“Two Ghosts”, “Harry Styles” chegou a ser amplamente divulgado em diversos programas de rádio, TV e internet (como a insuperável edição de 2017 do “Victoria’s Secret Fashion Show” que você certamente ouviu falar). Coescrevendo todas as 10 faixas que compõem a tracklist do material, o vocalista ascende magistralmente e revela-se, sem esforço, uma das maiores apostas para o futuro da música internacional. Não deixe de conferir “Carolina”, “Only Angel” e “Ever Since New York”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 230 mil cópias na primeira semana

1) HEARTS THAT STRAIN – JAKE BUGG

Gravadora: Virgin EMI Records

Lançamento: 1º de setembro de 2017

Singles: “How Soon the Dawn”

Considerações: Pode parecer curioso que um blog tão familiarizado a resenhar álbuns de música pop opte por selecionar o trabalho de um artista alternativo para encabeçar uma lista de melhores discos do ano. Entretanto, fica difícil não o fazer quando paramos para ouvir, e consequentemente nos apaixonar, pelo 4º de inéditas do músico inglês Jake Bugg. Liberado um ano e três meses após “On My One” (2016), “Hearts That Strain” dá continuidade à trajetória de Jake por suas variações favoritas da indie music, dentre as quais se destacam o indie rock, indie folk, folk rock e country folk. Compondo, sozinho, cada uma das 11 faixas que aparecem no álbum, Bugg ainda participou ativamente do processo de produção do material, tendo desta vez recebido a ajuda de Dan Auerbach (o guitarrista e vocalista do The Black Keys) na árdua tarefa. Convidando Noah Cyrus para dividir os vocais na melódica “Waiting”, o cara transcende a musicalidade de qualquer outra obra liberada em 2017 com uma introspecção que beira à perfeição. Já queremos “Indigo Blue” como próximo single!

Paradas musicais: O álbum estreou em #7 na “UK Albums” (nº de cópias desconhecido)

ÁLBUM BÔNUS:

MELODRAMA – LORDE

Gravadora: Lava, Republic Records

Lançamento: 16 de junho de 2017

Singles: “Green Light”, “Perfect Places”, “Homemade Dynamite”

Considerações: Seríamos loucos se, em uma publicação como esta, não abríssemos um espacinho para falar sobre o 2º álbum de inéditas da neozelandesa Lorde. Afinal, não é qualquer trabalho que consegue, simultaneamente, liderar diversas listas de fim de ano, ser aclamado entre o público e a crítica e ainda indicado a “Album of the Year” pela maior premiação musical da história: o Grammy. Precedendo “Pure Heroine” (2013), não é em vão que “Melodrama” foi nomeado com o título que ostenta. Intercalando gêneros diversos que variam do dance-pop de “Green Light” a baladas carregadas por piano como “Liability”, o disco explora temas como a solidão e rompimentos amorosos de maneira louvável e intensa. Auxiliada por Jack Antonoff, Malay e Frank Dukes, Lorde compôs e produziu cada uma das 11 músicas que fazem de “Melodrama” o sucesso que ele é. Dê o play nas ótimas “Supercut”, “Perfect Places”, “Writer In the Dark” e “Sober”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 109 mil cópias na primeira semana

MENÇÕES HONROSAS:

E aí, querido leitor? Quais foram os seus álbuns favoritos de 2017? Apesar de elencarmos acima o que consideramos os 10 melhores lançamentos do ano, é importante citarmos outros discos que também ganharam destaque nestes últimos meses e que, sem sombra de dúvidas, merecem ao menos nossas menções honrosas. Assim, também destacamos o “Meaning of Life”, da Kelly Clarkson; o “The Ride”, da Nelly Furtado; o “El Dorado”, da Shakira; o “Blue Lips”, da Tove Lo; o “Evolve”, do Imagine Dragons; e o “Dua Lipa”, da Dua Lipa. Muito obrigado por nos acompanhar em 2017 e um Feliz Ano Novo pra você e para toda sua família!

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Com reboot inesperado, Paramore celebra toda sua positividade no novo álbum “After Laughter”

É comum a toda e qualquer pessoa encontrar um momento na vida em que repaginar o visual revela-se algo necessário não apenas para a autoestima e o bem-estar, mas também para a autodescoberta de uma nova identidade. E quando esses indivíduos, em especial, trabalham com o meio artístico, é bem provável que a busca por caminhos até então inexplorados reflita direta ou indiretamente naquilo em que estão habituados a produzir, e isso não é segredo para ninguém. Seja por meio de gêneros do cinema e da TV muitas vezes intocados pela filmografia de nossos atores favoritos, essa mudança repentina de ares não poderia ser diferente e também persegue alguns dos profissionais mais populares da indústria fonográfica – e, felizmente, nos rende alguns lançamentos memoráveis que são recebidos de braços bem abertos por nossas bibliotecas musicais.

Os integrantes do Paramore em photoshoot para a revista “DIY” (foto por: Pooneh Ghana; edição: maio/17)

E, por óbvio, o Paramore jamais seria uma exceção à esta regra quase que sagrada. Após nos conquistar com “Ain’t It Fun”, a vencedora do “Grammy 2015” de “Melhor Canção Rock”, lá do álbum homônimo “Paramore” (2013), finalmente chegou o momento do trio comandado por Hayley Williams nos deixar ouvir o que aprontou nos estúdios de gravação por estes últimos quatro anos. Liberado oficialmente há menos de uma semana (12/05) – poucos dias após vazar na internet, é claro –, “After Laughter” mal saiu do forno e já tem conquistado tanto a crítica especializada quanto o público em geral. Liderado pelo carro-chefe “Hard Times” (#90 no “Hot 100” da Billboard norte-americana), o 5º disco de inéditas do Paramore é atualmente promovido por “Told You So”, a faixa super oitentista que recebeu, recentemente, um clipe totalmente vintage e recheado de referências à moda daquela época (não deixe de assistir).

Distribuído sob o selo da “Fueled by Ramen”, “After Laughter” vai direto ao ponto e, sem qualquer enrolação, nos apresenta à breves (e incríveis) 12 novas faixas, todas produzidas por Taylor York (o guitarrista da banda) e Justin Meldal-Johnsen (que já havia trabalhado anteriormente em “Paramore”). Recebendo as composições de Hayley Williams, Zac Farro (que desde o começo de 2017 voltou para a formação), Aaron Weiss (vocalista do MewithoutYou) e York, o novíssimo trabalho inspira-se bastante no new wave dos anos 80 e ainda navega pelos sempre bem-vindos pop rock e synth-pop – gêneros que já haviam marcado presença em hits passados dos álbuns “All We Know Is Falling” (2005), “Riot!” (2007), “Brand New Eyes” (2009) e “Paramore” (2013).

Demonstrando todo o simbolismo que se esconde atrás desta experiência inédita que tem transbordado positividade para todos os cantos, Williams revelou recentemente que “After Laughter” tem sido “(…) um grande passo para nós como banda e é definitivamente um novo som. Nós estamos muito orgulhosos disso. Eu sinto que [que o álbum] realmente reflete quem nós somos agora”. Contudo, você pode até já ter ouvido as novas músicas do grupo e espalhado as boas novas por aí, mas provavelmente está se questionando sobre o real significado deste título tão curioso. “After Laughter é sobre o olhar no rosto das pessoas quando elas terminam de rir. Se você olhar alguém por tempo suficiente, sempre verá aquele olhar que vem em seu rosto quando para de sorrir, e eu sempre achei isso muito fascinante, imaginar o que a trouxe de volta à realidade”.

Exaustão, depressão e ansiedade são apenas alguns dos muitos temas abordados liricamente pelo “After Laughter”

Dando-nos um gostinho de tudo que vem pela frente, “After Laughter” tenta nos conquistar com a supremacia de seu alto-astral e já abre os trabalhos com a queridinha “Hard Times”, a primogênita que inicia a tracklist do 5º disco de inéditas da banda. Totalmente contagiante e com uma pegada chiclete que é típica do pop e dance lá da década de 80, o lead-single possui uma estrutura bastante simples que, em questão de segundos, entrará na sua cabeça para não sair pelo restante da semana (pelo menos). Não muito diferente, este é o caminho reafirmado por “Rose-Colored Boy” e “Told You So”, estas duas supermodernas faixas dançantes que parecem ter sido retiradas (e restauradas) de um badalado clube noturno nova-iorquino de 30 anos atrás.

Deixando a ambientação um pouco mais suave, “Forgiveness” e “Fake Happy” abrem o segundo arco do álbum, este responsável por harmonizar a sonoridade trabalhada até aqui e trazer um equilíbrio mais do que convidativo – antes, é claro, de nos encaminhar para o ápice de sua fragilidade com a intimista “26”, o verdadeiro coração de “After Laughter”. Bem crua e guiada pelas cordas de um violão poderoso que acentuam toda a honestidade da voz de Hayley Williams, a balada é comovente o suficiente para não desapontar, obviamente.

Recuperando a energia gradativamente, “Pool” cresce em nossos ouvidos e, sem muita cerimônia, revela-se uma das melhores gravações do material (e, por que não, do próprio catálogo do Paramore). Instintivamente apaixonante, a 7ª canção chega ao seu fim após nos cativar com uma inocência estrondosa que deságua na tão boa quanto “Grudges” – a qual foi memoravelmente comparada, pela crítica gringa, ao trabalho de outros grandes artistas, como o The Cure e The Bangles. Assim, chegamos a “Caught in the Middle”, que mesmo sem perder a energia inicial de “After Laughter”, fraqueja discretamente e dá indícios de que precisamos de uma nova lufada de ar fresco antes de prosseguir.

O clipe de “Hard Times” foi dirigido por Andrew Joffe (o mesmo de “Our Own House” e “Reflections”, do MisterWives)

Este novo fôlego, felizmente, nos é proporcionado pela independente “Idle Worship”, a gravação perfeita (e mais do que bem-vinda) para nos preparar para o adeus inadiável. Após abrir lugar para a brilhante “No Friend”, a única música com dedo de Aaron Weiss na composição (pasmem, é a primeira do Paramore a não apresentar vocais de Hayley Williams), não nos resta outra saída senão abraçar a melancolia imensurável de “Tell Me How” e, já com o coração na mão, aceitar a saudade e nos despedir do que se mostrou, até agora, o melhor disco internacional do ano. Como uma festa retrô carregada de boas vibrações que infelizmente chega ao seu triste fim, “After Laughter” enche o nosso peito com aquela maravilhosa sensação de “dever cumprido” que somente uma banda do patamar do Paramore seria capaz.

Por alguma razão desconhecida e bastante enigmática, esta é a primeira vez em um considerável espaço de tempo que temos o prazer de ouvir um artista das antigas (não nos esquecendo que o Paramore já está com 13 anos de estrada) soar tão revigorante para os atuais padrões do mercado fonográfico. De alguma forma quase que sobrenatural, “After Laughter” chega em nossas mãos como um saudoso reboot de tudo que já ouvimos desde o lançamento de “All We Know Is Falling”, o disco de estreia dos estadunidenses. Sem qualquer sombra de dúvidas, Williams, York e Farro souberam como amadurecer o seu som sem perder a boa mão para a música – e, assim, reinventar um dos nomes mais prestigiados do cenário musical sem o uso de falsos artifícios ou modismos escrachados. Ainda é o Paramore e ainda soa como o Paramore, apesar de não podermos esconder o fato de que esta mudança repentina de ares, apesar de nos ter pego de surpresa, fez um bem danado para os nossos ouvidos.

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Aah, os anos 2000! As melhores músicas internacionais lançadas na última década que continuam tão nostálgicas quanto antes (Parte 2)

Dando continuidade ao nosso especial que estreou por aqui na semana passada e que relacionou 8 músicas incríveis dos anos 2000 que continuam tão nostálgicas quanto antes, os deixo a seguir com mais 7 faixas também dessa era e que definitivamente merecem um pouquinho da nossa atenção. Assim, fechamos com esta publicação apenas 15 das muitas joias raras que encontram-se tão longe do atual cenário musical internacional e que pretendo trazer periodicamente aqui para vocês.

Lembro a todos, a propósito, que sempre estou aberto a críticas e elogios, inclusive em se tratando de sugestões para futuras publicações. Se existe algo que você gostaria de ver muito aqui pelo Caí da Mudança e que ainda não tive a oportunidade de discorrer sobre, não se sinta envergonhado de me contatar pois atenderei seu pedido o mais breve possível. Sem mais enrolação, os convido ainda para conferir a playlist que se encontra ansiosamente os aguardando no final desta matéria. Se jogue no play e mate toda a saudade que existe dentro de você antes que ela o consuma por completo!


9. A Thousand Miles – Vanessa Carlton

Álbum / ano de lançamento: “Be Not Nobody”, 2002;

Gravadora: “A&M Records”;

Composição: Vanessa Carlton;

Gênero musical: pop;

Posição nas paradas de sucesso: #1 na Austrália, #5 nos EUA, #6 no Reino Unido, #8 na França.

Por mais que eu já tenha falado recentemente sobre esta canção em uma publicação dedicada a cantora e compositora Vanessa Carlton, elaborar uma lista com as melhores músicas da última década e não incluir “A Thousand Miles” seria o pior dos crimes que eu poderia cometer. Intitulada originalmente “Interlude”, foi por meio de “Miles” que a novata norte-americana foi muito bem recepcionada pelo público e pela crítica especializada, recebendo merecidas 3 indicações ao “Grammy” de 2003 nas categorias “Gravação do Ano”, “Música do Ano” e “Melhor Arranjo Instrumental Acompanhado por um Vocalista” (das quais não venceu nenhuma). Tema da comédia “As Branquelas” juntamente com “Crazy In Love” da Beyoncé e a faixa que ocupa nossa 10ª posição desta lista, “A Thousand Miles” possui com certeza um dos instrumentais mais geniais de todos os já criados na história da música pop. Mestra no que faz, Carlton liberou recentemente o extended play “Blue Pool” e se prepara para o lançamento de seu quinto disco de inéditas, o “Liberman”.


10. Let’s Get It Started – The Black Eyed Peas

Álbum / ano de lançamento: “Elephunk”, 2004;

Gravadora: “A&M Records”, “will.i.am Music Group” e “Interscope Records”;

Composição: William Adams, Allan Pineda, Jaime Gomez, Terence Yoshiaki, Michael Fratantuno e George Pajon, Jr.;

Gênero musical: hip hop, funk;

Posição nas paradas de sucesso: #2 na Austrália e Canadá, #11 no Reino Unido, #21 nos EUA.

Encerrando com chave de ouro o “Elephunk”, o 3º álbum de estúdio do BEP, “Let’s Get It Started” deu continuidade ao sucesso atingido por “Shut Up” e abriu o que seria a melhor era do grupo em sua discografia: o disco “Monkey Business”, que traria os hits “Don’t Lie”, “My Humps” e “Pump It”. Certificado 3x platina nos EUA e 1x na Austrália, venceu “Melhor Performance de Rap por um Duo ou Grupo” na 47ª edição do “Grammy”, nas quais havia sido nomeada, ainda, por “Gravação do Ano” e “Melhor Música Rap”. A música é tão querida pelos integrantes do grupo e pelos seus fãs que chegou a fazer uma aparição no álbum de 2009 “The E.N.D.”, em um remix chamado de “Let’s Get Re-Started”.


11. All The Things She Said – t.A.T.u.

Álbum / ano de lançamento: “200 km/h in the Wrong Lane”, 2002;

Gravadora: “Universal Music Group” e “Interscope Records”;

Composição: Sergio Galoyan, Trevor Horn, Martin Kierszenbaum, Elena Kiper e Valeriy Polienko;

Gênero musical: pop-rock, electronica;

Posição nas paradas de sucesso: #1 na Austrália, Áustria, Alemanha, Irlanda, Reino Unido e Suíça, #2 na França e #20 nos EUA.

Anunciadas no começo dos anos 2000 como a primeira dupla de cantoras lésbicas do cenário pop, as meninas do t.A.T.u. fizeram uma grande estreia mundial com a sua primeira gravação na língua inglesa, a versão americanizada de “Ya Soshla S Uma”. Atingindo o topo das paradas de sucessos de diversos países (principalmente da Europa), Lena Katina e Yulia Volkova polemizaram bastante ao encenar alguns momentos bem quentes debaixo de um chuvão que foram incluídas no videoclipe do single. Trocando beijos e abraços enquanto um grupo de pessoas observa a tudo com um olhar conservador, parte dessa polêmica foi levada até o palco do “The Tonight Show with Jay Leno”, ocasião em que Lena e Yulia se beijaram sem permissão da emissora (olha só o corte de edição que censurou a apresentação a partir de 1min e 28s). Bom, a estratégia das meninas parece ter dado certo, já que a dupla adquiriu massivo apoio da comunidade LGBT pelos anos que se seguiram e outros hits acabaram sendo alavancados, dentre os quais devo citar “Not Gonna Get Us”, “How Soon Is Now?” e a também gigante “All About Us”.


12. Since U Been Gone – Kelly Clarkson

Álbum / ano de lançamento: “Breakaway”, 2004;

Gravadora: “RCA Records”;

Composição: Max Martin e Lukasz Gottwald;

Gênero musical: pop-rock, power-pop;

Posição nas paradas de sucesso: #2 nos EUA e Canadá, #3 na Austrália e Áustria, #4 na Irlanda e #5 no Reino Unido.

Deixando para trás o passado de aspirante a cantora profissional, a grande vencedora da primeira edição do “American Idol” resolveu inovar em sua carreira e chamou alguns produtores de peso como Max Martin e Dr. Luke para trabalharem em “Breakaway”, o seu 2º disco de inéditas. Liderado pelo first single “Since U Been Gone”, a qual acabou sendo incluída na lista das “500 Maiores Músicas de Todos os Tempos” da “Rolling Stone”, a faixa foi aclamadíssima pelos críticos da época que insistentemente a chamaram de “um dos mais belos hinos pop da década”. Vencendo a 48ª edição do “Grammy” na categoria “Melhor Performance Vocal Pop Feminina”, essa foi a primeira vitória de Kelly na premiação, a qual já a havia nomeado dois anos antes por “Miss Independent”. Provando que é uma verdadeira e digna estrela do rock, a loira interpreta a pior ex-namorada do mundo e resolve se vingar de seu antigo amado invadindo a casa do atual casal e destruindo tudo o que vê pela frente. Flawless victory, Miss. Clarkson.


13. Say OK – Vanessa Hudgens

Álbum / ano de lançamento: “V”, 2007;

Gravadora: “Hollywood Records” e “EMI Music”;

Composição: Arnthor Birgisson e Savan Kotecha;

Gênero musical: R&B, pop;

Posição nas paradas de sucesso: #61 nos EUA, #124 no Reino Unido.

Não há problema algum se, assim como eu, você nunca chegou a assistir qualquer filme da franquia “High School Musical”, mas não pense que as coisas ficaram numa boa se você me disser que nunca ouviu “Say OK”, o 2º single da Vanessa Hudgens para o seu debut album. Composta por Arnthor Birgisson (“Irresistible”, da Jessica Simpson) e Savan Kotecha (“Love Me Like You Do”, da Ellie Goulding), a faixa entrou em cena de última hora e substituiu “Let Go”, a maior pretensão da gravadora para dar continuidade ao caminho já trilhado pelo single “Come Back to Me”. Ganhando um clipe bem fofinho que destaca Baby V com seu affair de “HSM”, Zac Efron, Hudgens chamou suas BFFs para jogarem boliche enquanto flerta com o eterno Troy Bolton, o sonho de consumo de 9 a cada 10 garotas nascidas nos anos 90. Um primeiro videoclipe que mostrava cenas da cantora em uma apresentação da “High School Musical: The Concert” acabou estreando no “Disney Channel” em janeiro de 2007, mas foi pouco veiculado pelas emissoras de TV e a versão com o Zac acabou se tornando a mais conhecida (e querida) pelo público.


14. Suddenly I See – KT Tunstall

Álbum / ano de lançamento: “Eye to the Telescope”, 2005;

Gravadora: “Relentless Records”;

Composição: KT Tunstall;

Gênero musical: alternative rock;

Posição nas paradas de sucesso: #6 na Austrália, #12 no Reino Unido, #21 nos EUA, #25 na Irlanda.

Foi ao som de “Suddenly I See” que um dos filmes mais queridos de todos os tempos, “O Diabo Veste Prada” (estrelado por Meryl Streep e Anne Hathaway), fez uma das aberturas mais icônicas na história dos cinemas. Amplamente divulgada em séries de TV como “Ghost Whisperer” e “Ugly Betty”, o 3º single do “Eye to the Telescope” fez tanto sucesso na “Terra da Rainha” que se arrastou por incríveis 26 semanas dentro do “Top 75 Singles”, uma das paradas de sucesso mais relevantes do Reino Unido. Liberando três clipes para a música (uma versão britânica, uma norte-americana e uma animação), KT chegou a performar sua canção em diversos programas televisivos, como o “The Tonight Show with Jay Leno”, e até mesmo em eventos bem consagrados em nosso globo terrestre, como o “Prêmio Nobel da Paz”, em 2007 (assista porque vale muito a pena). A cantora escocesa causou tanto impacto naquela época que chamou a atenção até mesmo da Secretária de Estado Hillary Clinton, quem usou “Suddenly I See” em sua campanha publicitária para a presidência dos EUA nas eleições de 2008. Parece que a Srtª Tunstall sabe mesmo como espalhar seu nome pelos quatro cantos do planeta!


15. That’s What You Get – Paramore

Álbum / ano de lançamento: “Riot!”, 2008;

Gravadora: “Fueled by Ramen”;

Composição: Hayley Williams, Josh Farro e Taylor York;

Gênero musical: pop-rock, pop-punk, power-pop;

Posição nas paradas de sucesso: #35 na Nova Zelândia, #55 no Reino Unido, #66 nos EUA, #92 no Canadá.

Não adianta vir com essa cara de quem nunca curtiu a era emo que rendeu algumas boas músicas há uns 10 anos que comigo não cola, tudo bem (hahahh)? Brincadeiras a parte, “That’s What You Get” seguiu as bem sucedidas “Misery Business” e “Crushcrushcrush” e marca a discografia do Paramore como o 2º single australiano, 3º estadunidense e 4º britânico do 2º disco de inéditas da banda, o “Riot!”. Nomeado ao “Fuse Awards” de 2008 na categoria “Melhor Vídeo do Ano”, o grupo ainda possuía em sua formação os irmãos Farro quando do lançamento de “That’s What You Get” lá atrás, em 2008. Atualmente composta apenas por Jeremy Davis, Hayley Williams e Taylor York, o trio continua apresentando a faixa em suas mais recentes turnês, como a “Brand New Eyes World Tour” (2009-2012) e a “The Self-Titled Tour” (2013-2015). Dá pra acreditar que a Hayley tinha apenas 19 primaveras quando gravou o clipe junto com o pessoal da banda? Também, aquela carinha de molecona não dá pra enganar muita gente, não é mesmo?


Se ligue na playlist a seguir para deixar essa viagem de volta ao passado ainda mais vibrante e emocionante: