#CoopGeeks: Tirando da Estante – Terror em Silent Hill

Há uma semana, uma das melhores adaptações de um game para a realidade cinematográfica completou incríveis 10 anos desde que veio à tona em um distante 2006. Inspirado, majoritariamente, no primeiro “Silent Hill” lançado em 1999 pela “Konami” para PSOne, o longa dirigido por Christophe Gans foi responsável não apenas por dar continuidade na obra-prima criada por Keiichiro Toyama, mas também por levar toda a franquia para um novo horizonte muito além daquele coordenado pelo sanguinário universo dos jogos eletrônicos. Relembrando as principais informações e curiosidades que cercam essa gigante produção estrelada por Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden e Jodelle Ferland, trazemos, no link a seguir, um apanhado com tudo o que você precisa saber sobre o macabro filme sem entregar nenhum spoiler muito revelador. Curtiu? Então confira, agora mesmo, o nosso:

TIRANDO DA ESTANTE: TERROR EM SILENT HILL

ATENÇÃO: Esta publicação contém imagens perturbadoras e violentas. Se você tiver estômago fraco ou for menor de 16 anos, esse texto não é indicado para você; prossiga por sua conta e risco.

#CoopGeeks: Artigo – Por que os filmes de terror não são mais como os de antigamente?

Se você curte assistir filmes de terror, então com certeza, em algum momento da sua vida, deve ter se questionado com a pergunta que dá título a esta publicação – principalmente após conferir os grandes clássicos de décadas atrás que tanto marcaram a história do cinema mundial. Movidos por essa dúvida tão cruel que deixa muita gente incompreendida, decidimos entrar de cabeça por esta temática e, após refletir bastante com os nossos próprios botões, elaboramos uma super lista com diversas possíveis respostas para este “tabu” da indústria do horror. Será que o trabalho do diretor conta tanto assim? E o que dizer dos atores e de todo o resto da equipe de produção? Roteiro e censura podem influenciar em alguma coisa? Descubra, agora mesmo, tudo o que tivemos a falar sobre o assunto em:

POR QUE OS FILMES DE TERROR NÃO SÃO MAIS COMO ANTIGAMENTE?

Afrontando a mesmice dos cinemas, “Sobrenatural” surpreende em “trilogia” que vale a pena ver

Quem entende de terror e tem acompanhado os mais recentes lançamentos que rolaram por estes últimos anos sabe que a franquia “Sobrenatural” (“Insidious”) é, além de uma das mais bem sucedidas do mundo, uma das mais idolatradas pelo público. Todavia, entre a fortuna que foi arrecadada em tão pouco tempo com orçamentos que jamais ultrapassaram a casa dos 10 milhões de dólares, há uma razão (para não dizer várias) para que a saga de James Wan o tenha consagrado como um dos mais respeitados diretores paranormais dos tempos modernos.

Que Wan já havia conquistado o respeito popular com “Jogos Mortais” em um distante 2004, isso todos nós já sabemos, mas, de certa maneira, ainda havia muito a ser provado ao longo dos anos – e felizmente “Sobrenatural” foi a chave para que isso viesse à tona. Na publicação de hoje, a fim de melhor compreender o olhar visionário deste expert do macabro, faremos uma aprofundada análise sobre os detalhes que se escondem atrás da fascinante trilogia de longas-metragens que chegou para modificar muitos dos nossos conceitos sobre “um bom filme de terror”.


Este texto é livre de spoilers: boa leitura! Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder nenhuma das nossas últimas atualizações.


Capítulo 1… repaginando a indústria do terror:

Desde que os clássicos dos anos 80 foram lançados e traumatizaram muitos telespectadores com suas marcantes cenas de violência, carnificina e banhos de sangue, muito se copiou na indústria do terror e pouco se inovou. Idealizando a concepção do “quanto mais sangue, melhor”, não há como negar que poucas foram as produções que ousaram sair desta zona de conforto nas últimas três décadas e se arriscaram ao ir atrás de um caminho totalmente alternativo. Felizmente, “Sobrenatural” foi uma delas!

Recebendo a direção de James Wan e a escrita de Leigh Whannell, o longa nos introduz à história dos Lambert, a família chefiada por Josh (Patrick Wilson) e Renai (Rose Byrne). Pais de três filhos, os problemas do casal começam quando todos se mudam para uma nova casa e o seu primogênito, Dalton (Ty Simpkins), entra em coma logo após sofrer um acidente inesperado. Sem a ajuda dos médicos, os pais resolvem recorrer aos conselhos da mãe de Josh e pedem o auxílio de uma sensitiva, Elise Rainier (Lin Shaye), alguém que já havia sido útil em um passado um tanto quanto longínquo e agora está de volta para confrontar o obscuro mais uma vez.

Apesar de ser o primeiro da trilogia, vale dizer que, na linha do tempo, “Sobrenatural” (2011) narra a segunda leva de acontecimentos vividos no universo aterrorizante da franquia de Wan, sendo precedido por “Capítulo 3” (2015) e sucedido por “Capítulo 2” (2013). Com um orçamento de 1,5 milhão de dólares, o filme fez mágica ao produzir a invejável receita de 97 milhões e render ao galã Patrick Wilson uma passagem de ida direto à “Invocação do Mal”, a exitosa obra também dirigida por Wan (e que traz, também, a talentosa Vera Farmiga no elenco).

Capítulo 2… pondo (ou apagando) os pingos dos ‘I’s?

Se o papel de “Sobrenatural” (2011) foi fazer o telespectador usar a sua massa cinzenta para compreender a enxurrada de mistérios que lhe é apresentada por mais de uma hora e meia, “Capítulo 2” (“Insidious: Chapter 2”, de 2013) chegou dois anos depois para intensificar ainda mais esse complicado processo investigativo. Após caprichar sem medo no roteiro que havia escrito sozinho para a produção de 2011, Leigh Whannell decidiu tornar as coisas muito mais interessantes ao convidar o próprio James Wan para dividir os créditos da história contada no segundo filme – a qual ganhou diversos novos detalhes completamente inusitados e de tirar o fôlego.

Repetindo seu cargo como diretor, em “Capítulo 2” Wan volta a nos narrar as chocantes experiências vividas pela família Lambert após as tragédias do primeiro filme; depois de lutar contra o sobrenatural e fazer uma visita intensa ao “outro lado”, Josh (Wilson) tenta reconstruir sua vida e apagar os pesadelos do passado. Mas, diferente do que sua família imagina (e logo descobrirá), a assombração do filme anterior não se dará por satisfeita tão cedo e tentará, mais uma vez, cumprir o maior de seus objetivos: retornar para o mundo dos vivos no corpo de alguém.

Aliado a uma nova onda de acontecimentos que responderão muitas brechas deixadas no longa inicial (e talvez colocar diversas interrogações na cabeça daquele telespectador mais distraído), “Sobrenatural: Capítulo 2” acerta ao nos exibir uma narrativa secundária muito mais tenebrosa que a iniciada pela obra anterior. Trazendo o mesmo elenco do primeiro filme, o trabalho teve um orçamento de 5 milhões de dólares e rendeu a impressionante receita de 162 milhões.

Capítulo 3… o conteúdo adicional que deu certo:

Dizem os mais velhos que “um é pouco, dois é bom, e três é demais”, mas, será que esta assertiva procede por aqui? Após fechar o ciclo perfeitamente em “Capítulo 2” (não deixando nenhum espaço para que a saga da família Lambert pudesse ter uma possível continuidade), “Sobrenatural: O Início” (“Insidious: Chapter 3”, de 2015) chegou não para narrar o futuro dos episódios que marcaram o filme anterior, mas sim para dar uma versão mais detalhada de como teria se solidificado a carreira de Elise Rainier como uma das maiores sensitivas dos cinemas (então, não espere ver Patrick Wilson ou Rose Byrne dando as caras por este filme).

O longa já se inicia e ganha força quando Elise (Lin Shaye) é visitada pela jovem Quinn Brenner (Stefanie Scott), uma garota que não aprendeu a lidar com a morte da própria mãe e está à procura de alguém que a auxilie a se comunicar com “o outro lado”. Alertada sobre os perigos desta prática e ignorando os riscos de sua teimosia, a vida de Quinn vira de cabeça para baixo quando um misterioso homem infiltra-se em seu dia a dia em uma experiência bem semelhante à protagonizada por Renai e Josh em “Sobrenatural 1 e 2”. Contudo, diferente das outras vezes, Elise parece não estar mais tão segura de seus poderes, e este mero detalhe fará toda a diferença para o desfecho de toda a produção.

Oficialmente, “O Início” é uma prequela, ou seja, uma história que se passa no mesmo ambiente iniciado pelo filme de 2011, mas que narra acontecimentos que ocorreram antes da história original. Sem James Wan na direção (ele só trabalhou como produtor), a função de dirigir o trabalho foi passada ao multifacetado Leigh Whannell, o já conhecido roteirista dos projetos anteriores que voltou, mais uma vez, para também escrever o enredo da terceira produção. O resultado foi que, dos 10 milhões de dólares investidos nas filmagens, a arrecadação atingiu os 113 milhões.

Uma nova visão sobre o macabro:

Logo de cara, podemos resumir toda a franquia em dois extremos que se comunicam esporadicamente: a história que se desenrola ao longo dos dois primeiros filmes (os de 2011 e 2013) e a que é contada na produção posterior (a de 2015). Como já comentado mais acima, “Capítulo 2” encerra o ciclo de acontecimentos originados em “Sobrenatural”, então é natural que a terceira produção soe um tanto quanto desconexa das anteriores (na verdade, ela mais parece um bônus criado para agradar aos fãs mais dedicados do que um título independente, como foi a segunda). Todavia, mesmo não acrescentando muito aos seus antecessores, a prequela não deixa de ter o seu charme e chega em boa hora para quebrar dois dos maiores deslizes cometido por Wan: a péssima tensão familiar que atrapalhou (em muito) o ritmo natural dos longas-metragens iniciais e a maneira como os seus protagonistas não pareciam ter ideia alguma do que estavam fazendo (qual pai ou mãe deixaria seus filhos sozinhos por tanto tempo?).

Contudo, em meio a poucos equívocos, “Sobrenatural” acerta a mão ao renegar as já batidas (e sempre pouco criativas) cenas de mutilação e tortura reproduzidas incansavelmente pelos clássicos do terror B e se contenta em ganhar a nossa atenção de uma maneira muito mais autêntica. Tanto o é que muitos dos seus momentos de clímax se dão com maior frequência no lugar conhecido como “o distante” (uma espécie de segunda dimensão que está constantemente brincando com a nossa imaginação) e menos no nosso próprio plano externo; um truque de mestre planejado por Wan e reutilizado por Whannell para nos dizer que, naquele lugar, tudo poderia acontecer – é impossível não se conectar com cada um dos personagens e não sentir todo o pavor experimentado por eles.

Deixando o vermelho de lado e o típico serial killer a ver navios, a trilogia (que na verdade nem funciona como uma trilogia, já que o terceiro filme está longe de ser uma sequência) iniciada pelo homônimo “Sobrenatural” (2011) se distancia em muito dos clichês propagados pela última década e aposta as suas fichas em uma abordagem totalmente nova, mas que vale a pena ser conferida. Mudando radicalmente o caminho natural seguido pelas últimas produções e caprichando bastante em quesitos como direção, elenco, figurino e roteiro (esta última uma área pouco explorada pela maioria dos filmes de terror), o longa foca em um grande desfecho que fala por si só, prendendo a nossa atenção do começo ao fim. Chegando para radicalizar o modo como estávamos acostumados a assistir filmes de terror, “Sobrenatural” é muito feliz ao amarrar seus personagens em uma trama obscura e altamente complexa, mas que, do começo ao fim, se mostra inteligente, criativa e memorável.

#CoopGeeks: “A Colina Escarlate – O romance gótico de Del Toro”

Quem conhece o trabalho de Guillermo del Toro, sabe que bizarro e genialidade são palavras que expressam exatamente as mais populares obras já dirigidas, produzidas ou roteirizadas por um dos diretores mais idolatrados dos últimos tempos. Conhecido por títulos como “O Labirinto do Fauno”, “Hellboy” e “Círculo de Fogo”, “A Colina Escarlate” (“Crimson Peak”) é o mais recente longa-metragem assinado pelo cineasta mexicano e que não pode passar despercebido por você, caro leitor (e telespectador) amante das histórias de fantasmas. Estrelado por Mia Wasikowska (“Alice no País das Maravilhas”), Tom Hiddleston (“Thor”) e Jessica Chastain (“Interestelar”), a produção ganhou os cinemas de todo o mundo em outubro do ano passado e é o tema do nosso mais recente post em parceria com o “Co-op Geeks”. Ficou interessado? Então não deixe de ler na íntegra, agora mesmo, o nosso artigo:

A COLINA ESCARLATE: O ROMANCE GÓTICO DE DEL TORO

Timidamente, “The Duff” acerta e se mostra a comédia adolescente que estávamos precisando

Faz pouco mais de uma semana que compartilhamos por aqui uma publicação sobre dois dos maiores clássicos da comédia teen de todos os tempos: “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e “Meninas Malvadas” (2004) – não deixe de relembrar. Agora, fazendo uma breve busca pelo Senhor Google à procura dos mais comentados lançamentos que rolaram durante o ano de 2015, é com “The Duff” que ilustraremos o post de hoje e falaremos um pouquinho mais sobre o tão agitado (e perigoso) universo adolescente. Pegue a sua pipoca, prepare os seus assentos e boa leitura!

A primeira coisa que precisamos saber sobre a produção da “Lionsgate” e da “CBS Films” é que, assim como o gigante de 2004 estrelado por Lindsay Lohan e Rachel McAdams, “The Duff” também originou-se de uma obra literária lançada muito antes para as páginas dos livros. Inspirado no registro de mesmo nome escrito por Kody Keplinger e publicado em 2011, você pode não acreditar, mas o trabalho distribuído sob a licença da “Hachette Kids Hodder Children” foi liberado quando a escritora tinha apenas 17 anos. Dirigido pelo ganhador do “Oscar” Ari Sandel e roteirizado por Josh A. Cagan, o filme foi estrelado por Mae Whitman, Robbie Amell e Bella Thorne.

Bianca Piper (Mae Whitman), a nossa protagonista

Tudo começa quando Bianca Piper (Whitman), uma inteligente estudante do último ano do Ensino Médio, leva uma vida comum e desajeitada ao lado de suas duas melhores amigas: duas meninas que, aparentemente, não têm nada em comum com a sua falta de popularidade. Lindas, poderosas e queridas por todos, as deslumbrantes Jess Harris (Skyler Samuels) e Casey Cordero (Bianca Santos), diferente da melhor amiga, atraem todos os olhares à sua volta e se mostram o sonho de consumo de 9 a cada 10 garotos. Porém, a história só toma forma e caminha para o seu derradeiro destino final quando o clássico galã do time de futebol (Wes, interpretado por Amell) e a patricinha diabólica (Madison, interpretada por Thorne) aparecem em cena para completar o time de estrelas e fazer do longa-metragem um dos mais divertidos sobre o temática adolescente.

Conversando com Wes em uma festa na casa de Madison, Bianca descobre-se na triste e surpreendente condição de D.U.F.F. (“designated ugly fat friend”, expressão que em nossa língua significaria algo como “amigo designado para ser feio e gordo”). Nas palavras do garoto, D.U.F.F. nada mais é senão aquele amigo “menos atraente” que os populares carregam para cima e para baixo para passarem a impressão de que são mais bonitos que o normal – apesar de não ser necessariamente “feio ou gordo”, a regra é que o D.U.F.F. seja o membro menos interessante do seu grupo (para provocar essa distinção de aparências). E como se não fosse o suficiente, além de bancar o acessório, cabe ao D.U.F.F. atuar como um facilitador, uma espécie de secretário particular encarregado de guardar informações e marcar encontros dos populares do seu grupo com os dos demais grupos, servindo como uma “ponte de acesso”.

Horrorizada com a informação, Bianca não demora muito para descobrir que não é a única “amiga designada para ser feia e gorda” da escola e que as pessoas ao seu redor podem ser muito mais cruéis do que poderia imaginar. Este é o caso de Madison, a ex-namorada de Wes que está sempre pronta para fazer da vida de todo mundo um inferno e que não poupa esforços para pisar em qualquer um que cruze o seu caminho (ou que ofereça algum tipo de ameaça ao seu reinado de superficialidades). Decidida a mudar a sua sina, Bianca faz um acordo com o ex de sua rival (o clássico atleta nada inteligente que corre o risco de ser reprovado no colégio) e, juntos, se ajudarão na tarefa de fazer um aumentar as suas notas enquanto o outro muda radicalmente o seu estilo de vida para ser melhor aceito pela sociedade (e pelo garoto dos seus sonhos).

Da esquerda para a direita: Jess Harris (Skyler Samuels), Casey Cordero (Bianca Santos) e Bianca Piper (Mae Whitman)

Contudo, não é apenas pelo time de artistas ou pelo seu enredo interessante que “The Duff” se destaca dos demais filmes sobre o gênero e ganha alguns pontos positivos.

Se existe uma artimanha que foi muito bem empregada pela equipe por trás do longa-metragem é o ponto de contato que a sua história cria com a tecnologia, as redes sociais e o nosso mundo externo. Talvez uma das maiores inseguranças de um diretor ou escritor seja citar fontes que remetam o seu telespectador/leitor à uma data ou momento específico, taxando a produção e fazendo-a perder o seu teor “atemporal” (aquela que você pode acompanhar a qualquer momento e que sempre parecerá atual). Apesar de quase sempre dar certo, a verdade é que definir um momento não é de todo ruim, e isso não apenas funciona bem em “The Duff” como é um dos pontos chave para todo o seu sucesso (com um orçamento de 8,5 milhões de dólares, a receita do filme chegou a ultrapassar os 43 milhões). Fazendo uma menção honrosa ao épico “Os Simpsons” e a sites do nosso dia a dia (como o Twitter, Tumblr e Instagram), diferente do esperado, a “modernidade” que se esconde em cada cena não apenas nos deixa mais familiarizados com a realidade do longa-metragem como também nos faz acreditar que cada personagem realmente saiu do nosso plano físico (e não da imaginação fértil de alguém que pouco entende do assunto).

Madison Morgan (Bella Thorne), a antagonista

Outro ponto importante que não podemos deixar de mencionar é a fantástica caracterização da nossa grande protagonista e a nomeação de Mae Whitman para dar vida à Bianca Piper. Se você já assistiu a qualquer clássico adolescente produzido nos últimos 30 anos, deve saber que é regra a escolha de um rostinho bonito e jovem para interpretar o papel da inocente menina que é feita de boba durante todo o filme (Hilary Duff, Lindsay Lohan e Amanda Bynes que o digam). Todavia, mesmo quebrando algumas dessas regras, Whitman tira de letra e se mostra uma escolha totalmente controversa (e bem sucedida) para o papel. Isso porque, diferente da grande maioria das demais atrizes, Mae não usa minissaia ou possui um corpo padrão retirado das capas de revistas de moda – até pelo contrário, pois é graças à suas roupas estranhas e à atitude nerd-tímida-legal que a protagonista de “The Duff” ganha a nossa confiança logo de cara. Apesar de bonita, Bianca é só uma garota normal que gostaria de ser levada a sério, a típica menina que nós encontramos nos colégios de qualquer lugar do mundo (diferente das modelos magérrimas, bem vestidas e deslumbrantes que estrelam a maioria destes filmes). Se tivesse seguido a regra, com certeza Bella Thorne seria a protagonista (e não a antagonista).

Se Whitman quebra a regra por não ser uma modelo por excelência, com certeza ela não está sozinha ao extrapolar o requisito da idade que um profissional deve ter para interpretar um adolescente por volta dos seus 16 ou 17 anos. Pode parecer mentira, mas, tanto Mae como Robbie (Wes) já tinham passado dos 25 quando “The Duff” estrelou nos cinemas norte-americanos em 20 de fevereiro do ano passado. Apesar de não aparentarem a idade que possuem, essa na verdade é uma prática bem comum na indústria cinematográfica, e se você não se lembra de nenhum outro caso como este, basta mencionarmos “As Patricinhas de Beverly Hills” e “Meninas Malvadas”, por exemplo. Na primeira produção, Stacey Dash (Dionne, a melhor amiga de Cher), apesar de esbanjar uma beleza sem tamanhos na produção de 1995, já contava com 27 quando deu vida a uma das garotas mais populares do colégio de “Clueless”. O mesmo aconteceu com Rachel McAdams, a inesquecível Regina George – que, na estreia de “Mean Girls”, já contava com 25 (não parece, né?). Realmente, nem sempre um ator adolescente é a melhor opção para estrelar um filme sobre o gênero!

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E já que o assunto é Regina George… se “The Duff” é eficaz ao acumular diversos acertos em quesitos tão improváveis, talvez ele peque em um dos mais óbvios possíveis: a escolha de Bella Thorne para viver uma das antagonistas mais descartáveis da história dos cinemas. Não que Bella seja uma atriz ruim (muito pelo contrário), mas, por mais que a moça tenha se esforçado bastante para interpretar um dos papeis mais medíocres de toda a sua carreira, Madison Morgan é como o “barro” de “Meninas Malvadas” que jamais irá acontecer. Definitivamente inspirada (para não dizer copiada) na Regina George de Tina Fey, a vilã de “The Duff” não apenas não nos convence como se mostra uma personalidade totalmente mal construída, mal trabalhada e mal explorada. Se Regina tinha a magnitude de uma rainha, Madison demonstra a competência de uma mosca varejeira desorientada pela fumaça de um inseticida. Totalmente aleatória, até os momentos mais “bad ass” da personagem parecem incompletos, nos dando a impressão de que Madison não se encaixa com o restante do cenário, mostrando-se alguém frio, desinteressante e completamente entediante. Mas, não é só de acertos que um filme sobrevive, acredito eu!

No geral, “The Duff” pode parecer apenas mais um filme adolescente estrelado por meia dúzia de jovens que nunca ouvimos falar, mas é, sem sombra de dúvidas, um título que não pode passar despercebido dos nossos olhares. Resgatando diversas temáticas que valem a pena ser discutidas – como o bullying, a autoconfiança e a criação de rótulos indesejáveis –, o longa trata tudo isso com bastante bom humor e uma linguagem mais descontraída, típica dos adolescentes, enquanto é narrado pela própria Bianca de uma maneira bem intimista (bem semelhante à “Meninas Malvadas”). Os atores escolhidos para fazerem parte do elenco não poderiam ser melhores (como o Ken Jeong, de “Se Beber, Não Case”, e a Allison Janney, do seriado “Mom”), pois não só mergulharam de cabeça na produção como compartilharam de uma química muito gostosa de ser acompanhada. Caprichando na trilha sonora (que vai de Charli XCX à Jessie J e Fall Out Boy) e fazendo com que tudo soe o mais natural possível, é um filme que vale a pena ser conferido pelo simples fato de trazer uma situação degradante de forma divertida e envolvente, mas sem perder o mais importante: que é o seu lado crítico. Não importa se você conhece, tem ou é um D.U.F.F.: no fim das contas, existem coisas muito mais importantes para se descobrir durante a nada fácil etapa da adolescência.