6 séries de TV temáticas para você assistir neste Halloween

O Haloween já está quase aí (é nesta terça31 de outubro) e não poderíamos deixar de celebrar, aqui no Caí da Mudança, uma das datas comemorativas mais populares do ano – relembre o especial que preparamos há dois outubros com muita música, filmes, jogos e livros. Assim, e após um intenso 2017 maratonando algumas dezenas de séries de TV, conseguimos separar meia dúzia que não falhará ao levar para o conforto da sua casa toda a obscuridade que é comum a este grande evento sobrenatural.

Ficou interessado? Então confira, a seguir, quais são as nossas 6 dicas infalíveis de séries para assistir neste Dia das Bruxas, e não se esqueça de clicar em cada uma das imagens para assistir ao seu trailer respectivo:


Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!


(Trash)

ASH VS EVIL DEAD (2015 – presente)

Exibida: pelo canal Starz! / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 20 / duração por episódio: 30 minutos

Desenvolvido por: Sam Raimi, Ivan Raimi e Tom Spezialy

Carnificina e humor negro são, sem sombra de dúvidas, os lemas que regem esta grotesca “Scream Queens” para adultos que abre a nossa serielist especial de Halloween! Gravada como uma sequência para os loucos acontecimentos que desencadearam a franquia “Evil Dead”, a superprodução da Starz! narra os passos dados pelo já conhecido Ash Williams (Bruce Campbell), o protagonista e único sobrevivente da trilogia de filmes iniciada pelo memorável “A Morte do Demônio” (1981).

Na série, Ash é um velho solteirão que leva uma vida bem mais ou menos e, trinta anos mais tarde, ainda lida com a triste perda de seus melhores amigos para os deadites do “Necronomicon Ex-Mortis”, o livro dos mortos. Porém, não demora muito para a negligência do “herói” vir à tona e condenar o país com uma infestação de novos demônios sedentos por carne fresca. Sentindo o peso de sua responsabilidade para com a humanidade, Williams vê em Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo) o auxílio que nunca teve para enfrentar o mal e restabelecer a paz de uma vez por todas – isso, é claro, se conseguir contornar os inúmeros obstáculos que aparecem em seu caminho.

Por incrível que pareça, o Ash Williams de “Ash vs Evil Dead” é interpretado pelo mesmo ator que protagonizou os clássicos do terror das décadas de 80 e 90. Contando, ainda, com Lucy Lawless e Ted Raimi no elenco (ambos de “Xena, A Princesa Guerreira”), a comédia é feliz ao trazer Sam Raimi, o criador da franquia, na produção executiva e direção/roteirização do episódio piloto. Com muito sangue, tripas e uma senhora trilha-sonora, qualidade é a palavra-chave para este show imperdível que já possui uma 3ª temporada prevista para fevereiro de 2018.

(Cult)

BATES MOTEL (2013 – 2017)

Exibida: pelo canal A&E / situação: encerrada

Nº de temporadas: 5 / nº total de episódios: 50 / duração por episódio: 45 minutos

Desenvolvido por: Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano

Quem já assistiu ao agoniante “A Órfã” (2009) com certeza acabou se surpreendendo com o show de atuação dado por Vera Farmiga. Porém, o que ninguém esperava é que a irmã mais velha da também atriz Taissa Farmiga fosse consolidar o seu nome tão repentinamente ao co-protagonizar e co-produzir executivamente a aclamadíssima prequela do clássico “Psicose” (1960). Dando vida à desequilibrada Norma Bates, a veterana reencarna na série a mãe do maior homicida hollywoodiano de todos os tempos: o inigualável Norman Bates – interpretado brilhantemente pelo Freddy Highmore, o Charlie de “A Fantástica Fábrica de Chocolete” (2005).

Passando-se alguns anos antes dos trágicos acontecimentos narrados pelo filme de Alfred Hitchcock, em “Bates Motel” acompanhamos a turbulenta vida dos Bates após a morte de Sam, marido de Norma e pai de Norman. Deixando o passado para trás em busca de um recomeço, mãe e filho se mudam do Arizona para o Oregon e, ao comprar/gerenciar um velho hotel, decidem que este será a atual fonte de seu sustento. Tudo daria certo, é claro, se os planos de diversos moradores da cidadezinha de White Pine Bay não interferissem no caminho da família e colocassem em risco o negócio recém-aberto e já sentenciado à falência.

Além de rejuvenescer a pegada cult de “Psicose” ao levar a trajetória de Norman e Norma para os dias atuais, “Bates Motel” nos apresenta a um terceiro personagem principal totalmente inédito: Dylan Massett (Max Thieriot), o filho perdido de Norma. Apesar de nos ganhar com uma fotografia incrível e um cenário realístico que faz muito jus à obra-prima de Hitchcock, é a química entre Farmiga e Highmore que concede à atração do A&E o tom necessário para prender o telespectador imediatamente.

(Vitoriano)

PENNY DREADFUL (2014 – 2016)

Exibida: pelo canal Showtime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 3 / nº total de episódios: 27 / duração por episódio: 55 minutos

Criado por: John Logan

Se existe um programa de TV que todo amante do horror, do drama e dos folclores europeu e norte-americano deveria conhecer é “Penny Dreadful”. Aliás, você pode nem saber, mas o próprio título da série já nos entrega uma palinha sobre o conteúdo abordado em seus episódios tão bem produzidos. Isso porque penny dreadfuls nada mais são senão as já extintas publicações inglesas do século XIX que traziam contos de ficção e horror sob a singela bagatela de um penny (a moeda da Inglaterra). Daí a expressão “centavos de terror”.

Malcolm Murray (Timothy Dalton) é um rico explorador que vive no Reino Unido e dedica seus dias a encontrar Mina (Olivia Llewellyn), sua filha desaparecida. Vivendo sob o mesmo teto que Sembene (Danny Sapani), seu criado, e Vanessa Ives (Eva Green), uma velha conhecida da família, o trio logo descobre que os rastros deixados pelo desaparecimento da garota escondem muito mais mistérios que a razão humana poderia explicar. Assim, não resta muitas opções ao grupo senão recorrer à ajuda do egocêntrico Victor Frankenstein (Harry Treadaway), um médico recluso que dedica seu trabalho a entender a morte, e do charmoso norte-americano Ethan Chandler (Josh Hartnett), um homem de poucas palavras com um talento nato para armas de fogo.

Com um tom obscuro que ampara a temática gótica perfeita, a produção se destaca não apenas pelo enredo fascinante, maquiagem de primeira e cenografia impecável, mas também por um elenco competente que se supera a cada novo episódio (principalmente pelas atuações de ouro dos inigualáveis Eva Green, Billie Piper e Rory Kinnear). Literariamente falando, “Drácula”, “O Retrato de Dorian Gray”, “Frankenstein” e “O Médico e o Monstro” são apenas algumas das muitas obras retratadas no decorrer do show.

(Gore)

SLASHER (2016 – presente)

Exibida: pelos canais Super Channel, Chiller e Netflix / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 16 / duração por episódio: 50 minutos

Criado por: Aaron Martin

Quem diria que após uma 1ª temporada interessante (mas com um elenco miserável) a antológica “Slasher” sobreviveria para contar história e renovar-se-ia em um dos melhores lançamentos de 2017. Agora condecorada com o selo de qualidade da Netflix, o título original da canadense Super Channel não teve medo algum de descartar 99,9% de seu time anterior de protagonistas (apenas Christopher Jacot teve um papel de destaque em ambas as temporadas) e apostar as suas fichas em uma roupagem totalmente diferente para a nova season que estreou neste ano.

Enquanto em “Slasher: The Executioner” somos levados para uma cidadezinha do interior atormentada por um serial killer que mata suas vítimas tomando por base os sete pecados capitais, em “Slasher: Guilty Party” acompanhamos cinco ex-monitores de acampamento que retornam para seu antigo local de trabalho a fim de resolver algumas pendências do passado. Sediando, atualmente, uma comunidade espiritual que abriga um grupo bem peculiar de desajustados, o lugar até então pacato vai, aos poucos, encharcando-se com o sangue derramado por um assassino misterioso que tira a vida de suas vítimas com uma brutalidade descomunal.

Uma clássica referência aos filmes slasher dos anos 70 a 90 que tem como regra o gore (“Halooween”, “Sexta-feira 13” e “A Hora do Pesadelo”), “Slasher” é a dica perfeita para quem possui um estômago de ferro capaz de aguentar as pesadas cenas de pura violência explícita que invadem a tela sucessivamente. Apresentando-nos a personagens muito mais carismáticos e a um plot twist digno de cinema, a 2ª temporada da série é eficiente ao nos emergir em sua narrativa e causar-nos o tão desejado desconforto que é próprio deste subgênero tão polêmico do terror. Não que a 1ª seja de todo descartável, mas desde já adiantamos que a atuação do elenco principal é um tanto quanto intragável…

(Bizarro)

CHANNEL ZERO (2016 – presente)

Exibida: pelo canal SyFy / situação: no ar

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 12 / duração por episódio: 45 minutos

Criado por: Nick Antosca

Outra série antológica que merece sua total atenção e segue como um dos melhores lançamentos dos últimos dois anos é a quase desconhecida do público “Channel Zero”. Exibida pelo canal de TV à cabo SyFy, a sinistra criação de Nick Antosca retrata, em cada temporada, uma creepypasta diferente. Creepypastas são nada mais nada menos que histórias macabras encontradas na internet que se passam por lendas urbanas dos dias de hoje. Se verídicas ou ficcionais, ninguém sabe ao certo.

Com muita ousadia e criatividade, os produtores do show foram muito perspicazes ao readaptar a tenebrosa Candle Cove para sua grade televisiva (leia a creepypasta original na íntegra). Em “Channel Zero: Candle Cove” seguimos os passos de Mike Painter (Paul Schneider), um psicólogo infantil que retorna para sua cidade natal a fim de descobrir se o desaparecimento de seu irmão gêmeo, quando criança, está relacionado a um estranho programa de TV que foi ao ar naquele mesmo período. Opostamente, é numa ambientação totalmente diversa (mas ainda bizarra) que “Channel Zero: No-End House” narra a história de Margot Sleator (Amy Forsyth), uma garota órfã de pai que acaba indo parar na inexplicável Casa Sem Fim: uma construção enigmática com seis cômodos que guardam, cada qual, um horror diferente (leia a creepypasta original).

Com nomes sólidos em seu elenco que incluem Fiona Shaw (a Tia Petúnia de “Harry Potter”) e John Carroll Lynch (o Palhaço Twisty de “American Horror Story: Freak Show”), “Channel Zero” sabe como mexer com nosso psicológico minuciosamente, despertando sensações e criando experiências apavorantes. A má notícia é que cada season conta com apenas 6 episódios; a boa é que a superprodução já foi renovada para mais 2 novas temporadas, sendo que a 3ª deverá estrear já em 2018 sob o título “Channel Zero: Butcher’s Block” (confira a primeira prévia liberada).

(Baseado em fatos reais)

THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES (2015)

Exibida: pelo canal Lifetime / situação: encerrada

Nº de temporadas: 1 / nº total de episódios:/ duração por episódio: 45 minutos

Produzida por: Michael J. Mahoney e Stanley M. Brooks

Por fim, é para fechar com chave de ouro que encerramos a nossa serielist de Halloween com “The Lizzie Borden Chronicles”, a sanguinária minissérie do Lifetime que fez questão de dramatizar um dos casos policiais mais inquietantes da História dos EUA. Gravado como uma sequência para o longa-metragem “A Arma de Lizzie Borden” (2014), tanto série quanto filme entram em detalhes sobre o cruel assassinato de Andrew e Abby Borden, o casal assassinado em 1892 com 11 machadadas ele e 19 ela. Apesar de as investigações terem sido inconclusivas, o maior suspeito pelos crimes foi a própria filha de Andrew, Lizzie, que na data dos fatos tinha 32 anos.

Se em “A Arma de Lizzie Borden” ficamos em dúvida se a moça teria de fato matado seu pai e madrasta, em “The Lizzie Borden Chronicles” temos a certeza absoluta disso. Passaram-se apenas quatro meses de sua comentada absolvição, mas Lizzie (Christina Ricci) e sua irmã mais velha, Emma (Clea DuVall), ainda tentam recomeçar suas vidas em meio à popularidade negativa que adquiriram em Fall River, Massachusetts. Decidida a manter seu status perante à sociedade, Lizzie logo percebe que não será nada fácil concretizar seus objetivos com tantas pessoas em seu encalço prontas para tirar proveito de sua fama. Bem, se ao menos esse pessoal conhecesse o sangue frio que corre pelas veias da Srtª Borden e sua inescrupulosa habilidade com armas brancas…

Além de dar vida à Lizzie Borden em ambas as produções, Christina Ricci também trabalhou como co-produtora executiva da série ao lado de Judith Verno. Sustentando uma atuação fenomenal que lhe rendeu a aclamação da crítica, a atriz nunca esteve tão poderosa em um papel que fosse capaz de explorar tão bem seu talento nato para o horror. Até porque, convenhamos, uma vez Wandinha Addams… sempre Wandinha Addams.


E aí, você já conhecia essas superproduções de terror? Acha que nos esquecemos de alguma? Conta pra gente quais são as suas recomendações para este Halloween, seja para séries, filmes, livros ou quaisquer outras atrações.

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Porque Serena van der Woodsen é a melhor personagem da série de TV “Gossip Girl”

Quem se liga em séries de TV provavelmente já ouviu falar do fenômeno adolescente Gossip Girl: programa inspirado na coletânea de livros escrita por Cecily von Ziegesar e que foi ao ar entre os anos de 2007 a 2012, pela The CW. Comandada pelos já experientes Josh Schwartz e Stephanie Savage (os mesmos criadores de “The O.C.”), a superprodução fez bastante sucesso por onde passou e não falhou ao alavancar a carreira de jovens talentos como Blake Lively, Leighton Meester e até mesmo Taylor Momsen, a ex-atriz e atual vocalista do The Pretty Reckless.

Comemorando o fato de que seu episódio piloto foi exibido pela primeira vez há quase 10 anos, em um já longínquo 19 de setembro de 2007, resolvemos tirar a poeira da prateleira e preparamos este artigo especial para relembrar o império de uma das mais amadas (e detestadas) personalidades da cultura pop moderna. Antes, entretanto, vale a pena puxar na memória a fascinante história que sustenta este show.

Este texto contém spoilers: siga por sua conta e risco. Boa leitura!

Gossip Girl here…

…your one and only source into the scandalous lives of Manhattan’s elite

Passando-se em uma Nova Iorque dos tempos atuais, Gossip Girl (“A Garota do Blog”, no Brasil) nos apresenta à vida de dramas e excessos protagonizada por seis adolescentes frequentadores do Upper East Side, um dos bairros mais nobres e badalados de Manhattan. Tudo se inicia quando Serena van der Woodsen (Blake Lively) retorna para sua cidade natal decidida a solucionar os problemas que a levaram a passar um longo período afastada dos amigos e dos familiares. Devendo lidar com as consequências de sua drástica escolha – principalmente com as desavenças compartilhadas com sua até então melhor amiga Blair Waldorf (Leighton Meester) e com sua mãe, Lily (Kelly Rutherford) –, a moça vai aos poucos se reintroduzindo à costumeira rotina de outrora enquanto tenta não cometer os mesmos erros que assombram seu passado.

Evitando, a princípio, seu antigo círculo de amigos – do qual fazem parte os populares Nate Archibald e Chuck Bass (Chace Crawford e Ed Westwick, respectivamente) –, S, como é chamada pelos mais íntimos, acaba por conhecer e se apaixonar pelo sistemático aspirante a escritor Dan Humphrey (Penn Badgley): um garoto comum de classe média que vive no Brooklyn juntamente com o pai, Rufus (Matthew Settle), e a irmã caçula, Jenny (Taylor Momsen). Como se já não bastasse familiarizar-se com toda a pressão imposta pela alta sociedade local, Serena e seus colegas precisam lidar ainda com os conflitos criados pela sempre problemática Gossip Girl: uma blogueira anônima que se ocupa em publicar toda e qualquer fofoca que se esconde por detrás da escandalosa vida da elite de Manhattan. Assim, é dada a largada para uma complexa trama desenvolvida ao longo de 121 episódios organizados em 6 distintas temporadas.

Uma estrela dando vida à outra:

Quem interpreta Serena é a encantadora Blake Lively, também conhecida por seu trabalho nos filmes “A Incrível História de Adaline” (2015) e “Águas Rasas” (2016)

Escalada para estrelar Gossip Girl (até porque não é coincidência seu nome ser o primeiro a aparecer durante os créditos de apresentação), Blake Lively é quem personifica a nossa it girl Serena van der Woodsen. Entretanto, não é segredo para ninguém que, com o desenrolar das temporadas, foi o casal inédito no universo literário Blair Waldorf e Chuck Bass (Meester e Westwick) que conquistou a devoção de todos aqueles que acompanharam a série desde a sua estreia. Seja pela química impressionante partilhada entre a dupla, seja pelo descaso dos roteiristas em dar um desfecho decente para sua principal protagonista, a verdade é que, mesmo em seus piores momentos, Lively conseguiu fazer muito com o pouco que lhe foi entregue para aprimorar. Ofuscada, esporadicamente, pelas tramas vivenciadas por seus colegas de trabalho (as quais, diga-se de passagem, eram bem mais espontâneas e interessantes), a loira permaneceu determinada do início ao fim e nos entregou o que é, ao nosso ver, uma das personas mais intrigantes da história televisiva contemporânea. E isso tudo não teria funcionado, é claro, se a própria Blake não tivesse nos emprestado todo o brilho e empatia que seu semblante transmite com tanta naturalidade.

Problemas, problemas e mais problemas:

Álcool, drogas e garotos são apenas algumas das muitas válvulas de escape utilizadas por Serena para fugir de seus problemas domésticos

Sem muitos rodeios, é inevitável dizer que Serena é a típica colegial bonita, rica e popular que consegue tudo o que quer sem o mínimo de esforço (este é, a propósito, um dos pontos mais reiterados ao longo de todo o programa). Com fama de festeira e bastante namoradeira, a menina desconta na bebida e nos garotos todas as frustrações que encontra diariamente dentro de casa. Crescida em uma família desajustada graças ao divórcio de seus pais que resultou na agitada vida amorosa de sua mãe e no afastamento completo de seu pai, S e seu irmão mais novo, Eric (Connor Paolo), desde muito jovens tiveram de aprender a encarar o mundo como ele realmente é – diferente dos Humphrey, por exemplo, que sempre tiveram o apoio de Rufus; ou dos Waldorf, que contaram com a total dedicação da melhor empregada de todos os tempos (e espiã nas horas vagas), Dorota Kishlovsky (Zuzanna Szadkowski).

Conhecida por ser uma garota problemática que não leva nada muito a sério, é ao lado de Georgina Sparks (Michelle Trachtenberg) que Serena atinge o fundo do poço incontáveis e incontáveis vezes – chegando a acreditar, inclusive, ter sido a responsável pela morte de um homem, lá no final da 1ª temporada. Ingênua que só vendo, seus planos dificilmente dão certo – até porque, quando a situação se complica, prefere assumir a culpa e sair de cena, enclausurando-se em um casulo de inseguranças que a isola daqueles que mais ama. É em um desses momentos de maior desespero que presenciamos a verdadeira face da Srtª van der Woodsen durante a reta final da 5ª temporada: alguém com sérios problemas de confiança que permanece cometendo os mesmíssimos erros em um triste loop infinito.

She’s a maneater:

Cena de “G.G.” (S05E13), o divertido episódio em que Serena sonha ser Marilyn Monroe na clássico “Os Homens Preferem as Loiras” (1953)

Sempre muito bem vestida, com os cabelos impecáveis e a maquiagem no lugar, não é em vão que Serena atrai para si todos os olhares daqueles que frequentam os colégios “Constance Billard School for Girls” e “St. Jude’s School for Boys”. Entrando e saindo de diversos relacionamentos amorosos (o que, nas palavras de sua BFF, pode se resumir em: “Nate, then Dan, then Dan again, Aaron, Gabriel, Carter, Tripp, then Dan again, then Nate again”), S tende a ser volátil tanto no amor quanto em sua vida particular. Sempre dividida entre o que realmente quer e o que as pessoas próximas de seu convívio esperam de si, é com a ajuda de Queen B que, constantemente, a garota sai de cima do muro e opta por algo que tenha a ver com a sua personalidade. Bem resolvida sexualmente, vez ou outra confunde liberdade com promiscuidade, redirecionando suas atitudes para um caminho de descarada insensatez – como quando transou com Nate e Dan enquanto estavam comprometidos ou apaixonados por ninguém menos que… Blair. Complicado!

Muito mais do que apenas um rostinho bonito:

Serena e Blair em um dos momentos mais aconchegantes da série em “Bad News Blair”, (S01E04)

Todavia, se a filha dos van der Woodsen transborda defeitos e encabeça diversas das situações mais desnecessárias de todo o Upper East Side, ela também não poupa esforços quando o assunto é o bem e proteção daqueles que mais importam em sua vida: sua família e amigos.

Sua primeira grande demonstração de caráter pode ser vista no memorável “Poison Ivy” (S01E03), episódio em que Blair tenta ridicularizá-la em público e Serena, sem hesitar, assume uma mentira para encobertar a tentativa de suicídio do irmão. Seis episódios mais tarde (“Blair Waldorf Must Pie!”) a premissa se comprova quando, mais uma vez, S estende uma mão amiga quando o transtorno alimentar de B vem à tona inesperadamente. E isso porque não mencionamos a inúmeras tentativas de inserção de Dan ao mundo dos grã-finos, ou a sua boa vontade em fazer parte de tudo aquilo que o namorado lhe apresentou – a garota até fingiu não saber jogar sinuca apenas para massagear o ego do cara. Sejamos honestos: aturar Dan Humphrey não é tarefa fácil!

Engajada em cuidar de todos aqueles que vêm ao seu auxílio, S dificilmente guarda rancor e consegue ultrapassar barreiras ao perdoar o que para muitos é imperdoável: sejam os planos maquiavélicos arquitetados por Georgina, seja o quase homicídio culposo orquestrado por Juliet Sharp (Katie Cassidy). Porém, de todos os bons atos praticados pela moça, reaproximar-se de seu pai foi, provavelmente, um dos mais bonitos que pudemos conferir em 121 episódios de série. Deixando todo o orgulho e a mágoa de lado, Serena mostrou que poderia ter sido brasileira e jamais desistiu daquele que foi responsável por quase duas décadas de negligência, mesmo após ter sido dispensada pela segunda vez durante o arco que uniu a 2ª à 3ª temporada; e uma terceira, mais tarde, quando Lola Rhodes (Ella Rae Peck) revelou-se sua meia-irmã.

It Girl, Interrupted:

Serena no revigorante “Yes, Then Zero” (S05E01)

Como se não bastasse sua facilidade em fazer novos amigos (e o bônus de deixar muitos morrendo de inveja, simultaneamente), Serena quebra todos os estereótipos de sua boa aparência quando o assunto é seu lado intelectual, e não apenas social. Leitora de grandes clássicos como “Os Belos e Malditos” (1922), de F. Scott Fitzgerald, ela foi capaz de se adaptar com bastante naturalidade aos muitos empregos que desempenhou entre as temporadas 3 a 5 – quando, é claro, finalmente conseguiu manter o foco em si mesma e deixou os garotos para segundo plano.

Trabalhando para KC Cunningham (Deanna Russo) como publicista de ninguém menos que Tyra Banks (que na série deu vida à atriz Ursula Nyquist), a loira ainda teve tempo de se aventurar com maestria pelos universos hollywoodiano, político e editorial: quando foi assistente pessoal de uma grande produtora de filmes; auxiliou Tripp van der Bilt (Aaron Tveit) em seu escritório por um breve espaço de tempo; e escreveu para Nate no “The New York Spectator”, como colunista.

Contudo, não sendo capaz de aquietar seu imenso conglomerado de incertezas, foram necessárias 4 temporadas e meia para que todas as suas inseguranças transbordassem no que podemos chamar de a fase mais obscura de sua vida. Após ver todos seus relacionamentos amorosos afundarem, sobreviver a propostas desgastantes de trabalho e até mesmo substituir Georgina no controle do blog da Gossip Girl, Serena isolou-se tanto de suas virtudes que esteve irreconhecível nos episódios que antecederam a season finale da 5ª temporada. Ela chegou, inclusive, a deixar Manhattan e adotar uma nova identidade (Sabrina) quando sua recaída em drogas a levou a ser reanimada por paramédicos em um trem. Um triste destino para alguém que havia lutado tanto para se tornar uma pessoa melhor.

Negligenciada pela família, pelos amigos e até mesmo pelos roteiristas:

Voltas e mais voltas

Projetada para ser a queridinha do público, a verdade nua e crua é que, com o desenrolar dos anos, Serena van der Woodson foi jogada às traças enquanto Blair Waldorf consolidou-se na maior estrela por detrás da superprodução da The CW. A impressão é que, ao longo de 6 temporadas de show, sua maior protagonista surgiu do nada para não chegar a lugar algum, enquanto cada uma das demais personagens conseguiram evoluir o mínimo possível – até mesmo Jenny, que saiu de cena nas duas últimas temporadas; e Nate, que desde o início da série preencheu o papel de indivíduo mais avulso do Upper East Side. Iniciando sua jornada como a garota que queria descobrir a sua verdadeira identidade, S termina Gossip Girl sem um desfecho para a sua inspiradora jornada de autoaprendizado, a qual desde o início do programa revelou-se, de longe, a mais consistente.

Com uma lista significativa de ex-namorados e um conhecidíssimo histórico de mau comportamento, Serena definitivamente não é um modelo quando o assunto é a moral ou os bons costumes (por mais que tenha, sim, se doado de todo coração em cada relacionamento que integrou). Carregando mais erros que acertos, por incontáveis vezes pisou feio na bola com aqueles que mais amava, quase sempre motivada pelos argumentos mais egoístas ou infantis. Por isso, não é de se estranhar que os deslizes de Blair e Chuck puderam ser facilmente perdoados pelos telespectadores, já que, de alguma maneira, o casal foi capaz de amadurecer através de sua extensa caminhada de intrigas; enquanto a amiga acabou crucificada, morta e sepultada pela grande maioria de quem acompanhou o espetáculo. Mas isso, talvez, tenha uma explicação bem mais simples do que se pode imaginar!

Ainda assim… humana:

Desconstruindo o conto de fadas

É indiscutível que o público televisivo, de uma maneira geral, demonstra um apreço muito maior por aquelas obras que fogem um pouco da realidade e priorizam a romantização de seu roteiro – e, voluntariamente, impõem o clássico casal dos contos de fadas que sofre à beça antes de conquistar o tão almejado “felizes para sempre”. Convenhamos: não é qualquer um que se simpatiza com a vida comum de uma garota insegura e problemática. Logo, é de se esperar que qualquer personagem ou situação que não se enquadre neste “padrão fantasioso” exigido pela demanda popular seja rejeitado de plano, tal como pudemos conferir no caso da Srtª van der Woodsen. Ao contrário de Blair, a luta de Serena não é contra a aprovação externa, mas interna.

Ao invés de darem à moça a oportunidade perfeita de se encontrar como mulher e profissional, de descobrir-se feliz por mérito próprio, sem a ajuda de um homem (tal como executaram tão bem no início da penúltima temporada), a produção da série preferiu encobrir todas as reais inseguranças que Serena carregou desde a exibição do episódio piloto com um casamento sem propósito algum. A questão a ser discutida nem é se S combina com Dan, mas por que o seu relacionamento prosperou tão rápido quando se havia muito a ser discutido na vida particular de ambos. Tanto um quanto o outro demonstraram, desde o início, defeitos que jamais poderiam ser ultrapassados sem um longo período de preparação e crescimento individuais.

No fim do noite, quando deitamos nossa cabeça no travesseiro e paramos para relembrar cada momento do nosso dia, Serena van der Woodsen é o maior exemplo de que nós, como seres humanos, gastamos a maior parte de nossas vidas cometendo erros (muitas vezes aqueles que prometemos nunca mais cometer). E tudo bem se isso acontecer. Mesmo que, eventualmente, nos encontremos em um indesviável loop de tropeços, tudo o que precisamos nos lembrar é que sempre haverá uma nova oportunidade de consertar o que fizemos de errado. Por mais difícil ou complicada que esteja nossa atual situação, não podemos jamais nos esquecer de acreditar que, mais cedo ou mais tarde, iremos acertar – ou recomeçar, se este for o caso, assim como Serena tanto tentou. O segredo não está em viver o conto de fadas dos nossos sonhos (porque, querendo ou não, estamos falando da vida real), mas em superar os obstáculos do dia a dia e tentar, sempre, dar o nosso melhor ‘eu’. Apesar de beneficiada pelos privilégios que sempre a acompanharam desde o nascimento, Serena van der Woodsen é tão imperfeita, real e complicada quanto você e eu.

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#CoopGeeks: Tirando da Estante – Friends

Muita coisa mudou imensamente desde que “Friends” foi ao ar, pela primeira vez, em um longínquo setembro de 1994: uma época em que muitos de nós ainda mal sabíamos andar ou falar. Tornando-se uma referência mundial para outros programas televisivos que o sucederam, o aclamado sitcom perdurou por uma década levando até o público um material inovador que, diga-se de passagem, foi certeiro ao conquistar gerações e gerações de apaixonados telespectadores.

Relembrando diversos pontos imperdíveis, na publicação de hoje para o Co-op Geeks selecionamos um compilado de informações que não poderia passar despercebido em uma publicação tão nostálgica como esta. Tentando agradar tanto aos ressentidos órfãos de David Crane e Marta Kauffman quanto aos novatos que jamais viram um episódio sequer, vocês encontram, no link a seguir, um pouquinho mais sobre um dos melhores espetáculos já produzidos na história da televisão norte-americana. Estão prontos?

TIRANDO DA ESTANTE: FRIENDS

“Stranger Things” (1ª temporada): vale a pena assistir?

Se você não esteve em coma nos últimos dois meses então provavelmente já ouviu falar sobre “Stranger Things”: a nova série da “Netflix” que se tornou um fenômeno de imediato. Seguindo a linha de outros espetáculos transmitidos pelo que é hoje uma das maiores plataformas de streaming do planeta, “Things” repete o sucesso de suas antecessoras e, assim como tudo o que tem sido exibido com exclusividade pelo site, se sobressai com um nível de qualidade por vezes inacreditável. Combinando elenco a roteiro, direção, fotografia, temática, trilha sonora e muito mais, o tema do nosso “Vale a pena assistir?” de hoje está imperdível – e você precisa conferir, a seguir, tudo o que é necessário saber sobre uma das novidades mais comentadas do ano. Estão preparados?

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

2016 é o novo 1986… o retrô está de volta:

Ao lado de Eleven, o trio formado por Mike, Dustin e Lucas (da direita para a esquerda) é, com certeza, um dos maiores motivos para você conhecer “Stranger Things”

Esqueça tudo o que você conhece e que tenha acontecido após o início da década de 90! Totalmente ambientada nos anos 80, “Stranger Things” se passa na pacata cidade de Hawkins, Indiana: um lugar onde os registros policiais praticamente não existem – e o mais grave que pode acontecer a alguém é o furto de anões de jardim.

Nos introduzindo a um grupo de garotos comuns que divide o seu tempo entre tarefas de escola e partidas de RPG (jogo que foi auge na época e popularizou-se graças ao pioneiro “Dungeons & Dragons”), a trama ganha forma quando Will Byers (Noah Schnapp) misteriosamente desaparece sem deixar maiores vestígios. Impulsionando um sistema de buscas auxiliado pelos próprios moradores da região, a polícia – e toda a cidade – se vê paralisada diante do incidente enquanto a mãe do menino, Joyce (Winona Ryder), tenta fazer tudo que está ao seu alcance para encontrar o caçula da família.

Paralelamente, uma agência secreta governamental que opera nas redondezas acaba perdendo o controle de seus experimentos e faz com que as falhas de seus estudos se esbarrem no cotidiano normal dos habitantes de Hawkins. Interceptando ligações telefônicas e “dando um jeito” em todos aqueles que entram em seu caminho (mesmo que involuntariamente), caberá aos poderosos chefões do governo norte-americano a difícil missão de encobertar a infinidade de segredos que, gradualmente, nos é revelada ao longo de cada intenso episódio.

O nascimento de alguns… e a ascensão para outros:

Millie Bobby Brown e Winona Ryder, o encontro de duas gerações tão promissoras

Protagonizado por um time de atores mirins que, até o momento, não havia participado de muitos outros projetos de renome, a superprodução acerta ao redirecionar toda sua atenção para os novatos que ganham nossa empatia instantaneamente. Narrando a nostálgica aventura de Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin) atrás do melhor amigo desaparecido, a trajetória do trio muda radicalmente com a chegada de Eleven/Onze (Millie Bobby Brown), uma garota bastante incomum que parece saber mais do que aparenta – e que, é claro, não demorará para roubar todos os holofotes para si.

Também nos entregando as atuações brilhantes de Natalia Dyer (Nancy Wheeler) e Charlie Heaton (Jonathan Byers), irmãos mais velhos de Mike e Will, respectivamente, “Stranger Things” conta com os recorrentes – e bem convincentes – Joe Keery (Steve Harrington) e Shannon Purser (Barbara Holland), namorado e melhor amiga de Nancy.

Sob a pele do chefe de polícia Jim Hopper, o destemido David Harbour divide o elenco adulto com Cara Buono (Karen Wheeler), Matthew Modine (Dr. Martin Brenner) e ninguém menos que Winona Ryder, o nome mais experiente e consagrado de toda a série. Conhecida por ter estrelado diversos clássicos da cultura popular como “Os Fantasmas Se Divertem” (1988), “Edward Mãos de Tesoura” (1990) e “Garota, Interrompida” (1999), a veterana se destaca por uma singularidade que lhe é inerente, convencendo-nos com uma interpretação cheia de paixão e honestidade. Ryder, definitivamente, não brinca em serviço!

Um pouco de História não faz mal a ninguém:

MKULTRA, um programa clandestino (e real) da CIA, serve como uma das influências para a série

Flertando com o sobrenatural e com o passado, a produção dos Duffer Brothers é precisa em sua narrativa e aproveita-se de todos os recursos históricos da época em busca de exatidão e credibilidade. Passando-se, como dito, em uma América dos anos 80, o enredo aproveita o plano de fundo da Guerra Fria (que ainda se movimentava a todo vapor e só foi perder velocidade com o fim da União Soviética, em 1991) e traz à tona algumas teorias de conspiração que frequentemente são reafirmadas por programas e séries de TV. Uma dessas teorias foi o real MKULTRA, um programa clandestino da CIA (o Serviço de Inteligência dos EUA) que chegou a fazer experimentos em seres humanos com drogas e inúmeros meios de tortura, abuso e procedimentos cirúrgicos. Haja fôlego para tanta informação!

Transbordando temáticas e inspirações:

Dá pra acreditar que “Stranger Things” já virou até um joguinho para PC? (Compatível com Windows, MAC e Linux)

Vindo até nós como “uma homenagem à cultura dos anos 80”, “Things” não nega suas origens e revela-se um verdadeiro tributo ao trabalho dos gigantes do cinema Steven Spielberg, John Carpenter e George Lucas. Driblando entre a ficção científica, o sobrenatural, o terror, o mistério e o drama, a série ainda toma por influência as obras literárias de Stephen King e diversos cults como “Alien” (1979), “Poltergeist” (1982), “E.T.: O Extraterrestre” (1982), “A Hora do Pesadelo” (1984), “Os Goonies” (1985) entre outros. A gama de inspiração é tão extensa que sobrou até para alguns títulos do survival horror a função de contribuir para o que conhecemos do programa – como o lendário “Silent Hill” (1999) e o recente “The Last of Us” (2013)

Falando sobre bullying e preconceito, os diálogos que encontramos por toda a série são bem fieis à linguagem oitentista, um período em que a liberdade sexual costumava ser bastante oprimida desde a infância (e adjetivos como “bicha” corriam de boca em boca da forma mais pejorativa possível). Trazendo exemplos clássicos da perseguição sofrida por milhares de crianças e adolescentes durante o período escolar, “Stranger Things” também divide a concentração do telespectador para abarcar outros temas recorrentes como divórcio, família, amizade, violência, opressão estatal, ciência, parapsicologia e a moderna representatividade. De nerds a negros e inúmeros outros grupos rejeitados pelas grandes massas (e rotulados como “desajustados”) – tem até espaço para a displasia cleidocraniana, uma doença que atinge um dos personagens/atores do programa –, o espetáculo critica com veemência os padrões impostos pela sociedade e tenta ser o mais diversificado possível (com toda a razão do mundo, é claro).

A 2ª temporada vem aí:

A sequência que todos estão esperando…

Construída em uma única temporada disponível desde julho passado com 8 episódios que variam de 42 a 55 minutos, “Stranger Things” conta com a produção executiva dos Duffer Brothers (os criadores da série) auxiliados por Shawn Levy e Dan Cohen. Produzido pela “21 Laps Entertainment” e pela “Monkey Massacre” (e claro, distribuído exclusivamente pela “Netflix”), o show já foi confirmado para uma season 2 que tem estreia agendada para 2017, em 9 novos episódios. Bem recebida pela crítica especializada, a sua estreia acumulou 95% de aprovação pelo Rotten Tomatoes e 76/100 pelo Metacritic.

Vídeo hilário da apresentadora Xuxa gravado especialmente para divulgação da primeira temporada no Brasil

Um começo mais do que perfeito, mas um final…

A trilha sonora de “Stranger Things”, que tem de The Clash a New Order e Dolly Parton, é sem sombra de dúvidas outro grande acerto da produção (confira)

Conquistando crianças e adultos sem visar um público específico, a novidade é certeira em sua proposta e não apenas homenageia a infância de muitos como também é eficaz ao trazer para as novas gerações todo o brilho de uma das melhores décadas passadas. Apesar de destacar-se por toda sua parte visual que é bastante fiel ao cinema e TV oitentistas (o que inclui cenário, figurino e, é claro, esbarra no próprio lado cultural e histórico de nossos parentes mais velhos), “Things” possui uma história muito bem amarrada que, em momento algum, deixa a desejar. Com um roteiro digno de um clássico infantil bem ao estilo de “Os Goonies” e “E.T.: O Extraterrestre”, a série desencadeia-se em uma sequência louca de eventos que acontece de forma paralela – mas que, da maneira mais coesa possível, culmina em um mesmo caminho derradeiro.

Todavia, por mais que administre tudo isso em doses perfeitas de pura nostalgia que solidificam-se nos 7 primeiros (e maravilhosos) capítulos de sua grade, a produção comete o desculpável deslize de fechar o ciclo de modo demasiadamente apressado, deixando o telespectador um tanto quanto confuso. Não que a season finale coloque os pés entre as mãos e deixe muitos furos na história (claro que a maioria destes foram propositais e deverão ser fechados com as próximas temporadas), mas, é como se não tivéssemos o tempo necessário para digerir todas as informações que nos bombardeiam em apenas 53 minutos de duração – se divididos em dois episódios finais, provavelmente ficaríamos mais bem à vontade.

Progredindo como as páginas de um bom livro que consegue nos emergir em sua narrativa e nos desconectar do plano físico, “Stranger Things” é uma ótima dica para todos aqueles que há muito esperavam por uma série que fosse capaz de tirar o fôlego sem muito blá-blá-blá. Mais um título entre os diversos dos últimos anos que foram lançados fora da TV e conseguiram, por vezes, se sobressair à plataforma mais clássica que nos acompanha desde a década de 40, a obra-prima dos Duffer Brothers surge para nos corroborar que o futuro está cada vez mais próximo e inadiável. Após passarmos longos 70 anos debruçados em frente aos antiquados televisores de tubo que foram, aos poucos, substituídos pelas telas de LCD e LED, cada vez mais o amanhã se torna imprevisível – e, por que não, até um pouco assustador…

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Precisamos falar sobre “Grey’s Anatomy”

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

Bad news. I’m just bad news.” (Portions for Foxes”, Rilo Kiley)

Se auto anunciando como “notícia ruim” ao fundo, Grey’s Anatomy estreava na TV americana em 27 de março de 2005, enquanto Meredith Grey se apresentava a Derek Shepherd e ao público, por um encontro de apenas uma noite, que se tornaram 269 – e contando.

Meredith, Alex, George, Izzie e Cristina formavam o quinteto “M.A.G.I.C.”, internos no Seattle Grace Hospital.

Criada por Shonda Rhimes, a série estreou como um surpreendente sucesso de crítica e audiência, contando a história de Meredith Grey (Ellen Pompeo), filha da renomada cirurgiã geral, Elis Grey (Kate Burton), iniciando sua vida profissional como interna ao lado de Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers), sob o comando da residente Miranda Bailey (Chandra Wilson), no fictício Seattle Grace Hospital, localizado em Seattle, Washington.

Tendo seus episódios nomeados a partir de músicas, Grey’s Anatomy faz um paralelo entre os casos médicos da semana e a vida pessoal de seus cirurgiões. Colocando em pauta assuntos que vão desde causas sociais, como espaço da mulher na sociedade, discriminação e diversidade sexual, a luto, superação e ética de trabalho, a série não apenas se mantém atual e relevante, mas também passa a ser uma obra de efeito edificante para sua audiência.

“A audiência realmente se identifica com a personagem de Ellen Pompeo. Estamos seguindo a jornada desta mulher e de todas as pessoas que estão ao lado dela. Não é sobre um grande número de truques, é sobre assistir a pessoas evoluindo.” (Shonda Rhimes)

CAST

Elenco original de “Grey’s Anatomy”.

Com roteiro ágil e boa linha de desenvolvimento, o desempenho do elenco é frequentemente descrito como “fenomenal” pela crítica especializada e fãs do show.

De personalidades marcantes e distintas, os personagens de Grey’s Anatomy tendem a ser carismáticos e cativantes, à sua própria maneira. Há Cristina em seu perfil sarcástico e competitivo, seu brilhantismo e excelência em cardio, que recobrem sua vulnerabilidade – que numa sequência hilária, a faz implorar para ser sedada. Há o admirável e encantador amadurecimento de Alex Karev. Os sábios conselhos de Richard Webber (James Pickens, Jr.), que costuram a história entre o passado e o presente. A autenticidade de Callie (Sara Ramirez) dançando em suas calcinhas, em tom de liberdade. A amabilidade e memória fotográfica de Lexie Grey (Chyler Leigh).

Amelia Shepherd teve sua primeira aparição na série em 07.03 “Superfreak”, sendo adicionada ao elenco fixo na 11ª temporada, após o fim de “Private Practice”.

Mesmo com algumas despedidas durante suas 12 temporadas no ar, fosse com bombas, tiroteios, acidentes aéreos ou um simples adeus, o elenco permanece como um dos pontos de destaque da série. Adicionada ao fim da primeira temporada, Addison Montgomery (Kate Walsh), planejada apenas para um arco de poucos episódios, foi tão bem recebida que acabou entrando para o elenco fixo da série e, posteriormente ganhando seu próprio show: “Private Practice” (2007 – 2013), mostrando a vida de Addison após sua partida de Seattle. Mais recentemente, Amelia Shepherd (Caterina Scorsone), personagem originada de Private Practice, foi adicionada ao elenco fixo de Grey’s entre as temporadas 10 e 11 e rapidamente tornou-se uma das favoritas entre fãs e críticos do show, trazendo frescor e se ajustando bem à dinâmica da série. Maggie Pierce (Kelly McCreary) também foi uma grata surpresa (literalmente!).

A química entre os personagens também é um ponto de aclamação. O relacionamento de Meredith e Derek (Patrick Dempsey) é visto como um dos mais memoráveis da TV. A amizade das Twisted Sisters (apelido carinhosamente dado por Owen (Kevin McKidd) à Meredith e Cristina) foi considerada como o fio condutor do show. Grande parte dos relacionamentos explorados ao longo do show foram bem recebidos, graças ao duo de esforços por parte do elenco e dos roteiristas, estes, [quase] sempre bem sucedidos nos planos para os personagens.

É tudo sobre Meredith Grey

“Se você estivesse na sala dos roteiristas, você provavelmente me diria que o tema é Meredith, porque é o que eu continuo dizendo: ‘A série é apenas sobre Meredith Grey!'” (Shonda Rhimes, sobre Grey’s Anatomy e sua 11ª temporada)

Meredith Grey é, sem dúvidas, uma das personagens de trajetórias mais marcantes da TV. Seu desenvolvimento e linha evolutiva são tão bem trabalhados, que, mesmo que não fossem o plano inicial para a série e sua protagonista, considerando a longevidade do show, são impecáveis.

Desde o primeiro momento, nos damos com uma personagem extensa, com representação tão fiel da complexidade do ser humano, que nossa empatia é algo quase que instantâneo. A jornada de Meredith passa por diversos estágios. O início de sua carreira, seguindo medicina sob a sombra do legado de sua mãe, lidando com questões internas nunca antes resolvidas. A personificação de Cristina como sua “pessoa”, George e Izzie como companheiros de casa e o atribulado relacionamento com Derek. O abandono pelo pai e a eventual projeção da figura paterna em Richard, que em dado momento, chega a cantar para ela: I’ve got sunshine on a cloudy day.” (My Girl”, The Temptations). Os traumas trazidos da infância (retratada em flashbacks) e como isso influenciou sua formação. Meredith era o eterno paradoxo da pessoa ferida que tinha como trabalho curar pessoas feridas.

A trajetória da personagem e daqueles que a cercam soa interessante exatamente por não ser milimetricamente planejada para “dar certo”, mas para o que quer que aconteça. A vida não segue um script. Não há uma receita definitiva para a felicidade. Eventualidades acontecem e cada um reage a sua própria maneira. Meredith tem sua própria forma de reagir e encarar os acontecimentos. Aqui, ela é a representação de uma pessoa comum vivendo no mundo.

Ao longo do show, Meredith foi construída sobre pilares que a faziam quem era. Os mais evidentes foram sua mãe, Elis Grey, Cristina Yang e Derek Shepherd. Eis então, que entre suas temporadas 10 e 11, Grey’s Anatomy decide que é hora de se reinventar, criar novo fôlego, e não havia melhor forma de fazer isso que não fosse através de sua protagonista – ou melhor, através da desconstrução dela.

“Eu posso viver sem você. Mas eu não quero. Eu jamais vou querer.” (Meredith Grey)

Com sua [brilhante] décima primeira temporada, a série trouxe de volta o enfoque na personagem que dá nome ao show, servindo como uma lupa por onde pudemos assistir sua desconstrução. Família e amizade são elementos realmente importantes na vida de uma pessoa. Quando se constrói alguém, como um castelo de cartas, o que acontece quando se tira as cartas de baixo, uma a uma?

A dinâmica usada pelos roteiristas em desconstruir Meredith não só consolidou sua humanização, deixando-a mais próxima do público, como revitalizou a essência do show. A pergunta lançada pela temporada de “Quem é você sem tudo o que você se tornou?” foi sábia e essencial para o desenvolvimento da personagem e do show.

“Ele é muito sonhador, mas ele não é o sol. Você é.” (Cristina Yang)

A temporada seguinte trata do renascimento de Meredith e de como ela lida com sua própria história. “Você leu minha ficha?”, pergunta ela, em dado momento. A essência nostálgica da nova fase não é mera coincidência. Recriar um ambiente familiar para a personagem junto à suas irmãs e ter Karev como sua nova “pessoa”, foi um meio realmente esperto que Shonda encontrou para representar o recomeço, utilizando o passado da série como referência – como se tudo voltasse para o início, mas agora, de forma mais madura e adulta, sem deixar para trás as lições aprendidas ao longo do percurso. A adaptação, as sequelas, a cura, os aprendizados, a moldagem da nova visão de mundo de Meredith Grey – está tudo primorosamente registrado ali, mostrando que evoluir nunca é uma tarefa fácil.

We’ll do it all. Everything. On our own.(Chasing Cars”, Snow Patrol)

Grey’s Anatomy estará de volta para sua 13ª temporada em 22 de setembro, nos Estados Unidos, pela rede ABC.

Nota do autor

Escrever este texto foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Talvez por, como tantos outros fãs do show, ter uma relação estritamente pessoal com a série e seus personagens. São como pessoas próximas, que estão comigo; que por tantas vezes me ajudam a clarear as ideias. Então um agradecimento especial ao Marcelo, pelo convite de escrever algo para o blog e por todo o apoio e encorajamento. Outro para aquela que não deve ser nomeada Shonda Rhimes, por ter criado algo tão brilhante e edificante para tantas pessoas.

Eu não sei se a vida é sobre um carrossel que nunca para de girar, mas eu realmente acredito que, de alguma forma, para todo final com Chasing Cars”, há um novo começo com Portions for Foxes.

Não importa o quão escuro esteja… O sol vai surgir de novo.” (Meredith Grey)