7 séries de TV já encerradas que maratonamos em 2017 e merecem sua total atenção

Por mais que a televisão tenha perdido grande parte de sua soberania após a expansão da internet, continuamos anualmente a ser apresentados a diversas novidades que se alistam para competir na acirrada batalha disputa por audiência. Entre novos espetáculos que fazem sua estreia inesperadamente e títulos já conhecidos que retornam para temporadas inéditas, ainda existem aquelas produções que, mesmo depois de concluídas (ou canceladas), permanecem instigando nosso interesse.

Foi pensando exatamente nestas séries de TV já arquivadas que selecionamos, a seguir, 7 que maratonamos neste ano e que não poderão passar batido por você que adora uma atração de qualidade. Ficou interessado? Então confira nossa lista completa de super indicações para acompanhar durante as suas férias de fim de ano e não se esqueça de clicar em cada uma das imagens para assistir a um trailer ou vídeo promocional:

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro necessário para o bom entendimento deste artigo será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura). Boa leitura!

DESPERATE HOUSEWIVES (2004 – 2012)

Exibida: pelo canal ABC / Criada por: Marc Cherry

Gêneros: drama, comédia, mistério

Nº de temporadas: 8 / nº total de episódios: 180 / duração por episódio: 43 minutos

E é com um dos maiores sucessos da gigantesca ABC que abrimos o nosso especial de séries já encerradas que você precisa conhecer! Dando bastante visibilidade para temas como divórcio, traição, tragédias e a mulher no mercado de trabalho, a soap opera de Marc Cherry não deixa a desejar e está constantemente nos surpreendendo com reviravoltas incríveis que nos pegam de surpresa. Vencedora de 6 prêmios Emmy e 2 Globos de Ouro, chegou a ganhar a sua própria versão brasileira há alguns anos: o remake “Donas de Casa Desesperadas”, que contou com a participação especial de Sônia Braga e foi exibido pela RedeTV, em 2008.

Trazendo uma premissa bem interessante, o enredo de “Desperate Housewives” gira em torno do cotidiano quase comum de cinco diferentes donas de casa. Interpretadas por Teri Hatcher, Felicity Huffman, Marcia Cross, Eva Longoria e Nicollette Sheridan, as vizinhas Susan, Lynette, Bree, Gabrielle e Edie não têm do que se queixar sobre a vida que levam na aparentemente perfeita Wisteria Lane, Fairview. Surpreendidas, certo dia, pelo suicídio misterioso da dedicada Mary Alice (Brenda Strong), o grupo vai aos poucos abrindo os olhos para o subúrbio que o cerca e descobrindo as verdades que se escondem por detrás dos gramados bem cuidados de sua tão amável vizinhança. Abordando, em cada temporada, uma história e mistério diferentes, somos gradualmente apresentados a novas donas de casa, dentre as quais devemos citar a suntuosa Renee (Vanessa Williams) e a maníaca por controle Katherine (Dana Delany).

TELENOVELA (2015 – 2016)

Exibida: pelo canal NBC Criada por: Chrissy Pietrosh, Jessica Goldstein, Robert Harling

Gêneros: sitcom, comédia

Nº de temporadas: 1 / nº total de episódios: 11 / duração por episódio: 22 minutos

E já que começamos com “Desperate Housewives”, nada mais justo senão prosseguirmos com este inusitado sitcom da NBC também protagonizado por uma de nossas donas de casa prediletas. Reciclando todo o glamour de Gabrielle Solis, Eva Longoria (que também assina o programa como produtora executiva) é Ana Sofia Calderon, a estrela principal de uma popular telenovela recheada com os maiores clichês de toda e qualquer produção latina. Sem saber falar uma única palavra em espanhol na vida real, a atriz é frequentemente auxiliada por Mimi Moncada (Diana-Maria Riva), sua melhor amiga e também figurinista da atração.

Sustentando status de estrela internacional, Ana Sofia, até então confiante e segura de si, passa a se sentir intimidada com a chegada de Xavier Castillo (Jencarlos Canela) para o elenco de Las Leyes de Pasión; principalmente porque ele, além de muito atraente, é na verdade seu ex-marido infiel. Brincando com situações hilárias que variam desde um ator gay que interpreta um galã heterossexual (Jose Moreno Brooks) a uma veterana invejosa com pinta de Soraya Montenegro (Alex Meneses), “Telenovela” garante ao telespectador boas gargalhadas do início ao fim. Uma pena que tenha sido cancelada logo em sua temporada de estreia!

BODY OF PROOF (2011 – 2013)

Exibida: pelo canal ABC Criada por: Christopher Murphey

Gêneros: drama médico, comédia

Nº de temporadas: 3 / nº total de episódios: 42 / duração por episódio: 42 minutos

Também transmitida pelo grupo ABC já há um bom tempo, “Body of Proof” (“Prova do Crime”,  no Brasil, quando foi exibida pela Rede Globo, em 2013) é a dica perfeita para todos que adoram séries investigativas que ofereçam algum diferencial. Isso porque, ao contrário dos inúmeros e inúmeros CSI’s, nesta acompanhamos os passos de uma equipe completa de médicos legistas que dedica os seus dias a examinar corpos em busca de solução para casos até então impossíveis de solucionar.

Antes uma brilhante e renomada neurocirurgiã, a Dra. Megan Hunt (Dana Delany, também de “Desperate Housewives”) vê sua vida mudar drasticamente após sofrer um acidente automobilístico que custou a precisão de sua coordenação motora. Movida pela perda de um paciente na mesa de operações e pelo inquietante suicídio de seu pai, Hunt se dedica à nova carreira com afinco e não pensa duas vezes antes de passar por cima de qualquer um que se ponha à sua frente – o que, ocasionalmente, a coloca em atrito com a Dra. Kate Murphy (Jeri Ryan), sua superior. Teimosa, orgulhosa e destemida, Megan é o tipo de profissional que dificilmente erra; mas quando comete o menor dos deslizes, faz o possível (e impossível) para restaurar a ordem.

FRIKJENT (2015 – 2016)

Exibida: pelo canal TV2 Criada por: Anna Bache-Wiig, Siv Rajendram Eliassen

Gêneros: crime, drama

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 18 / duração por episódio: 45 minutos

Provavelmente nossa recomendação menos conhecida, é com prazer que listamos esta superprodução norueguesa entre tantas norte-americanas que sempre marcam presença por aqui. Liberada internacionalmente sob o título “Acquitted”, logo de início “Frikjent” se preocupa em destrinchar uma trama não menos que envolvente ilustrada pelos belíssimos cenários naturais que somente o norte-europeu tem a nos oferecer. Trazendo nomes bastante talentosos (como o do protagonista Nicolai Cleve Broch), a obra merece nossos aplausos pelas atuações impecáveis de Lena Endre (que interpreta a cruel Eva Hansteen) e Ellen Dorrit Petersen (que dá vida à incompreendida Inger Moen Hansteen).

Após viver 20 anos na Ásia e construir um império multimilionário, Aksel Borgen (Nicolai Cleve Broch) retorna para sua cidade natal a fim de salvar os negócios de uma importante empresa que gera a economia local. O que sua esposa (Elaine Tan) não sabe, todavia, é que antes de deixar a Noruega o marido havia sido acusado pelo brutal assassinato de sua namorada dos tempos de colégio, Karine (Susanne Boucher). Atormentado pela família da vítima, que também é a proprietária da empresa que veio para comprar, o empresário não demora para notar que não é bem-vindo ali e passa a viver um verdadeiro inferno orquestrado por todos que jamais aceitaram sua absolvição. Preso entre o passado e o presente, ele terá que provar mais uma vez sua inocência, tanto perante à Justiça quanto perante à população local.

GOSSIP GIRL (2007 – 2012)

Exibida: pelo canal The CW Desenvolvida por: Josh Schwartz

Gêneros: drama adolescente

Nº de temporadas: 6 / nº total de episódios: 121 / duração por episódio: 43 minutos

Baseada no livro homônimo de Cecily von Ziegesar, foi da noite para o dia que esta prima próxima de “The O.C.” se converteu em um dos maiores sucessos adolescentes de todos os tempos! E não é para menos: além de reunir um time bem interessante de jovens atores, a atração foi feliz ao combinar uma trilha-sonora magnífica às tendências da moda (daquela época, é claro) e ao tão desejado estilo de vida dos ricos e famosos. Completando 10 anos em setembro passado, “Gossip Girl” recebeu um artigo bastante introspectivo que publicamos já há algum tempo. Você confere “Porque Serena van der Woodsen é a melhor personagem de ‘Gossip Girl’” acessando este link!

Passando-se em uma Nova Iorque dos tempos atuais, “Gossip Girl” (“A Garota do Blog”, no Brasil) nos apresenta à vida de dramas e excessos protagonizada por seis adolescentes frequentadores do Upper East Side. Tudo se inicia quando Serena van der Woodsen (Blake Lively) retorna para sua cidade natal decidida a solucionar os problemas que a levaram a passar um longo período afastada dos amigos e familiares. Devendo lidar com as consequências de sua escolha – principalmente pelas desavenças compartilhadas com sua até então melhor amiga Blair Waldorf (Leighton Meester) –, a moça vai aos poucos se reintroduzindo à costumeira rotina de outrora enquanto tenta desviar dos constantes ataques da problemática Gossip Girl: uma blogueira anônima que se ocupa em publicar toda e qualquer fofoca sobre sua vida e a de seus amigos.

UNDER THE DOME (2013 – 2015)

Exibida: pelo canal CBS Desenvolvida por: Brian K. Vaughan

Gêneros: mistério, drama, ficção científica

Nº de temporadas: 3 / nº total de episódios: 39 / duração por episódio: 43 minutos

Por mais que existam diversos comentários depreciativos por aí que desmereçam este grande sucesso da CBS, a adaptação de “Sob a Redoma”, do rei do horror Stephen King, é outro título que não poderíamos deixar de fora de nossa serielist. Também, com a produção executiva de Steven Spielberg e do próprio King não tinha como dar errado, não é mesmo? Vale dizer que no Brasil o show chegou a ser exibido pela Rede Globo sob o título “Under the Dome – Prisão Invisível”, em 2014; e pela TNT como “O Domo”.

Iniciada por uma 1ª temporada que arrecadou respeitáveis 72/100 no Metacritic e 81% no Rotten Tomatoes, a série nos leva para Chester’s Mill, uma pacata cidade do interior que é acometida por um gigantesco e indestrutível globo que recai por toda sua região. Completamente isolados do mundo externo, não demora para que os habitantes locais entrem em conflito sobre o que é melhor para o futuro da cidade, a qual rapidamente se vê sem recursos para abrigar a todos que ali se encontram. Estrelada por Mike Vogel, Rachelle Lefevre, Britt Robertson, Alexander Koch, Colin Ford, Dean Norris e Mackenzie Lintz, “Under the Dome” retrata com perfeição a perversidade humana e as atrocidades que nossa raça é capaz de cometer quando se encontra em situações extremas. Se Big Jim Rennie não é a personagem mais detestável de uma série de TV, então não sabemos qual é!

THE CLIENT LIST (2012 – 2013)

Exibida: pelo canal Lifetime Criada por: Suzanne Martin

Gêneros: drama

Nº de temporadas: 2 / nº total de episódios: 25 / duração por episódio: 43 minutos

Encerrando com chave de ouro, é com prazer que elencamos aqui a audaciosa “The Client List”. Baseada no telefilme de mesmo nome também estrelado por Jennifer Love Hewitt, dirigido por Eric Laneuville e transmitido pelo Lifetime Network, em 2010, a produção acompanha a trajetória Riley Parks, uma amorosa e dedicada mãe de família. Apesar de lidar com as dificuldades financeiras inerentes a qualquer família norte-americana de classe média, Riley vive a vida que sempre sonhou ao lado dos filhos e do marido, Kyle (Brian Hallisay). Entretanto, o cenário muda radicalmente quando Kyle foge de casa sem dar maiores explicações.

Responsável pelas dívidas do casal e correndo o sério risco de ser despejada, a moça sai em busca de emprego e começa a trabalhar no The Rub, uma estimada casa de massagens que também oferece serviços diferenciados para uma lista de clientes especiais. Dividida entre o recato de sua família e as aventuras sexuais que protagoniza em seu ambiente de trabalho, Riley passa a atuar como uma agente dupla e não demora para notar em si um potencial que jamais vira em toda sua vida. Prevista para uma 3ª temporada, “The Client List” foi cancelada após diferenças criativas envolvendo os roteiristas do estúdio e a protagonista, que também exercia a função de produtora executiva ao lado de outros 11 profissionais.

MENÇÕES HONROSAS:

E aí, caro leitor? Já conhecia alguma destas séries de TV? É aqui que abrimos um parêntese para acrescentar, além dos títulos que aparecem em nossa lista, outras produções que também maratonamos neste ano e definitivamente merecem um pouquinho do seu tempo. Assim, destacamos as instigantes “Complications” (2015) e “Stalker” (2014–2015) e, ainda, as aterrorizantes “Penny Dreadful” (2013–2015), “Bates Motel” (2013–2017) e “The Lizzie Borden Chronicles” (2015). Você pode, inclusive, ler um pouco mais sobre estas três últimas acessando o nosso último especial de Halloween.

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Porque Serena van der Woodsen é a melhor personagem da série de TV “Gossip Girl”

Quem se liga em séries de TV provavelmente já ouviu falar do fenômeno adolescente Gossip Girl: programa inspirado na coletânea de livros escrita por Cecily von Ziegesar e que foi ao ar entre os anos de 2007 a 2012, pela The CW. Comandada pelos já experientes Josh Schwartz e Stephanie Savage (os mesmos criadores de “The O.C.”), a superprodução fez bastante sucesso por onde passou e não falhou ao alavancar a carreira de jovens talentos como Blake Lively, Leighton Meester e até mesmo Taylor Momsen, a ex-atriz e atual vocalista do The Pretty Reckless.

Comemorando o fato de que seu episódio piloto foi exibido pela primeira vez há quase 10 anos, em um já longínquo 19 de setembro de 2007, resolvemos tirar a poeira da prateleira e preparamos este artigo especial para relembrar o império de uma das mais amadas (e detestadas) personalidades da cultura pop moderna. Antes, entretanto, vale a pena puxar na memória a fascinante história que sustenta este show.

Este texto contém spoilers: siga por sua conta e risco. Boa leitura!

Gossip Girl here…

…your one and only source into the scandalous lives of Manhattan’s elite

Passando-se em uma Nova Iorque dos tempos atuais, Gossip Girl (“A Garota do Blog”, no Brasil) nos apresenta à vida de dramas e excessos protagonizada por seis adolescentes frequentadores do Upper East Side, um dos bairros mais nobres e badalados de Manhattan. Tudo se inicia quando Serena van der Woodsen (Blake Lively) retorna para sua cidade natal decidida a solucionar os problemas que a levaram a passar um longo período afastada dos amigos e familiares. Devendo lidar com as consequências de sua drástica escolha – principalmente pelas desavenças compartilhadas com a até então melhor amiga Blair Waldorf (Leighton Meester), além de sua mãe, Lily (Kelly Rutherford) –, a moça vai aos poucos se reintroduzindo à costumeira rotina de outrora enquanto tenta não re-cometer os erros que assombram seu passado.

Evitando, a princípio, seu antigo círculo de amigos – do qual fazem parte os populares Nate Archibald e Chuck Bass (Chace Crawford e Ed Westwick, respectivamente) –, S, como é chamada pelos mais íntimos, acaba por conhecer e se apaixonar pelo sistemático aspirante a escritor Dan Humphrey (Penn Badgley): um garoto comum de classe média que vive no Brooklyn com o pai, Rufus (Matthew Settle), e a irmã caçula, Jenny (Taylor Momsen). Como se já não bastasse estar familiarizada com toda a pressão imposta pela alta sociedade local, Serena e seus colegas precisam ainda lidar com os conflitos criados pela sempre problemática Gossip Girl: uma blogueira anônima que se ocupa em publicar toda e qualquer fofoca que se esconde atrás da escandalosa vida da elite de Manhattan. Assim, é dada a largada para uma complexa trama desenvolvida ao longo de 121 episódios organizados em 6 distintas temporadas.

Uma estrela dando vida à outra:

Quem interpreta Serena é a encantadora Blake Lively, também conhecida por seu trabalho nos filmes “A Incrível História de Adaline” (2015) e “Águas Rasas” (2016)

Escalada para estrelar Gossip Girl (até porque não é coincidência seu nome ser o primeiro a aparecer durante os créditos de abertura), Blake Lively é quem personifica a nossa it girl Serena van der Woodsen. Entretanto, não é segredo para ninguém que, com o desenrolar das temporadas, foi o casal inédito no universo literário Blair Waldorf e Chuck Bass (Meester e Westwick) que conquistou a devoção de todos aqueles que acompanharam a série desde a sua estreia. Seja pela química impressionante partilhada entre a dupla, seja pelo descaso dos roteiristas em dar um desfecho decente para sua principal protagonista, a verdade é que, mesmo em seus piores momentos, Lively conseguiu fazer muito com o pouco que lhe foi entregue para aprimorar. Ofuscada, esporadicamente, pelas tramas vivenciadas por seus colegas de trabalho (as quais, diga-se de passagem, eram bem mais espontâneas e interessantes), a loira permaneceu determinada do início ao fim e nos entregou o que é, ao nosso ver, uma das personas mais intrigantes da história televisiva contemporânea. E isso tudo não teria funcionado, é claro, se a própria Blake não tivesse nos emprestado todo o brilho e empatia que seu semblante transmite com tanta naturalidade.

Problemas, problemas e mais problemas:

Álcool, drogas e garotos são apenas algumas das muitas válvulas de escape utilizadas por Serena para fugir de seus problemas domésticos

Sem muitos rodeios, é inevitável dizer que Serena é a típica colegial bonita, rica e popular que consegue tudo o que quer sem o mínimo de esforço – este é, a propósito, um dos pontos mais reiterados ao longo de todo o programa. Com fama de festeira e bastante namoradeira, a menina desconta na bebida e nos garotos todas as frustrações que encontra diariamente dentro de casa. Crescida em um ambiente tóxico graças ao divórcio de seus pais que resultou na agitada vida amorosa de sua mãe e no afastamento completo de seu pai, desde muito jovens S e seu irmão mais novo, Eric (Connor Paolo), tiveram de aprender a encarar o mundo como ele realmente é – diferente dos Humphrey, por exemplo, que sempre tiveram o apoio de Rufus, ou dos Waldorf, que contaram com a total dedicação da melhor empregada de todos os tempos e espiã nas horas vagas Dorota Kishlovsky (Zuzanna Szadkowski).

Conhecida por ser uma garota problemática que não leva nada muito a sério, é ao lado de Georgina Sparks (Michelle Trachtenberg) que Serena atinge o fundo do poço repetidamente – chegando a assumir, mesmo que erroneamente, a responsabilidade pela morte de um homem, lá no final da 1ª temporada. Ingênua que só vendo, seus planos dificilmente dão certo – até porque, quando a situação se complica, prefere assumir a culpa e sair de cena, enclausurando-se em um casulo de inseguranças que a isola daqueles que mais ama. É em um desses momentos de maior desespero que presenciamos a verdadeira face da Srtª van der Woodsen durante a reta final da 5ª temporada: alguém com sérios problemas de confiança que permanece cometendo os mesmíssimos erros em um triste loop infinito.

She’s a maneater:

Cena de “G.G.” (S05E13), o divertido episódio em que Serena sonha ser Marilyn Monroe na clássico “Os Homens Preferem as Loiras” (1953)

Sempre muito bem vestida, com os cabelos impecáveis e a maquiagem no lugar, não é em vão que Serena atrai para si todos os olhares daqueles que frequentam os colégios Constance Billard School for Girls e St. Jude’s School for Boys. Entrando e saindo de diversos relacionamentos amorosos (o que, nas palavras de sua BFF, pode se resumir em: “Nate, then Dan, then Dan again, Aaron, Gabriel, Carter, Tripp, then Dan again, then Nate again”), S tende a ser volátil tanto no amor quanto em sua vida particular. Sempre dividida entre o que realmente quer e o que as pessoas esperam de si, é com a ajuda de Queen B que, constantemente, a garota sai de cima do muro e opta por algo que tenha a ver com sua personalidade. Bem resolvida sexualmente, vez ou outra confunde liberdade com promiscuidade, optando por escolhas que a levam para um caminho de descarada insensatez – como quando transou com Nate e Dan enquanto estavam comprometidos ou apaixonados por ninguém menos que… Blair. Complicado!

Muito mais do que apenas um rostinho bonito:

Serena e Blair em um dos momentos mais aconchegantes da série em “Bad News Blair”, (S01E04)

Todavia, se a filha dos Van der Woodsen transborda defeitos e encabeça diversas das situações mais desnecessárias do Upper East Side, ela também não poupa esforços quando o assunto é o bem e proteção daqueles que mais considera: sua família e amigos.

Sua primeira grande demonstração de caráter pode ser vista no memorável “Poison Ivy” (S01E03), episódio em que Blair tenta ridicularizá-la publicamente e Serena, sem hesitar, assume uma mentira para encobertar a tentativa de suicídio do irmão. Seis episódios mais tarde (“Blair Waldorf Must Pie!”) a premissa se comprova quando, mais uma vez, S estende uma mão amiga quando o transtorno alimentar de B vem à tona sem mais nem menos. E isso porque não mencionamos as inúmeras tentativas de inserção de Dan ao mundo dos grã-finos, ou sua boa vontade em fazer parte de tudo aquilo que o namorado lhe apresentou – a garota até fingiu não saber jogar sinuca apenas para massagear o ego do cara. Sejamos honestos: aturar Dan Humphrey não é tarefa fácil!

Engajada em cuidar daqueles que vêm ao seu auxílio, S dificilmente guarda rancor e consegue ultrapassar barreiras ao perdoar o que para muitos é imperdoável: e é aqui que elencamos não apenas os maquiavélicos planos de Georgina como também o doente quase-homicídio orquestrado por Juliet Sharp (Katie Cassidy). Porém, de todos os bons atos praticados pela moça, reaproximar-se de seu pai foi, provavelmente, um dos mais bonitos que pudemos conferir em 121 episódios de série. Deixando a mágoa de lado, Serena mostrou que poderia ter sido brasileira e jamais desistiu daquele que foi responsável por quase duas décadas de negligência – mesmo após ter sido dispensada pela segunda vez durante o arco que uniu a 2ª à 3ª temporada; ou mais tarde, quando Lola Rhodes (Ella Rae Peck) revelou-se sua meia-irmã (e o Sr. Van der Woodsen colocou Serena para escanteio novamente).

It Girl, Interrupted:

Serena no revigorante “Yes, Then Zero” (S05E01)

Como se não bastasse sua facilidade em fazer novos amigos (e o bônus de deixar as pessoas morrendo de inveja por isso), Serena quebra todos os estereótipos de sua boa aparência quando o assunto é seu lado intelectual. Leitora de grandes clássicos como “Os Belos e Malditos” (1922), de F. Scott Fitzgerald, a moça foi capaz de se adaptar com bastante naturalidade aos diversos empregos que desempenhou entre as temporadas 3 e 5 – quando, é claro, finalmente conseguiu manter o foco em si mesma e deixou os garotos para segundo plano.

Trabalhando para KC Cunningham (Deanna Russo) como publicista de ninguém menos que Tyra Banks (que na série deu vida à atriz Ursula Nyquist), a loira ainda teve tempo de se aventurar com maestria pelos universos hollywoodiano, político e editorial: quando foi assistente pessoal de uma grande produtora de filmes; auxiliou Tripp van der Bilt (Aaron Tveit) em seu escritório por um breve espaço de tempo; e escreveu para Nate no “The New York Spectator”, como colunista.

Contudo, não sendo capaz de aquietar seu imenso conglomerado de incertezas, foram necessárias 4 temporadas e meia para que todas suas inseguranças transbordassem no que podemos chamar de a fase mais obscura de sua vida. Após ver todos seus relacionamentos amorosos afundarem, sobreviver a propostas desgastantes de trabalho e até mesmo substituir Georgina no controle do blog da Gossip Girl, Serena isolou-se tanto de suas virtudes que esteve irreconhecível nos episódios que antecederam a season finale da 5ª temporada. Ela chegou, inclusive, a deixar Manhattan e adotar uma nova identidade (Sabrina) quando sua recaída em drogas a levou a ser reanimada por paramédicos em um trem. Um triste destino para alguém que havia lutado tanto para se tornar uma pessoa melhor.

Negligenciada pela família, pelos amigos e até mesmo pelos roteiristas:

Voltas e mais voltas

Projetada para ser a queridinha do público, a verdade nua e crua é que, com o desenrolar dos anos, Serena van der Woodson foi jogada às traças enquanto Blair Waldorf consolidou-se na maior estrela da superprodução da The CW. A impressão é que, ao longo de 6 temporadas de show, sua maior protagonista surgiu do nada para não chegar a lugar algum, enquanto cada uma das demais personagens conseguiram evoluir o mínimo possível – até mesmo Jenny, que saiu de cena nas duas últimas temporadas; e Nate, que desde o início da série preencheu o papel de indivíduo mais avulso do Upper East Side. Iniciando sua jornada como a garota que queria descobrir sua verdadeira identidade, S termina Gossip Girl sem um desfecho para a sua inspiradora jornada de autoaprendizado, a qual desde o início do programa revelou-se, de longe, a mais consistente.

Com uma lista significativa de ex-namorados e um conhecidíssimo histórico de mau comportamento, Serena definitivamente não é um modelo quando o assunto é a moral ou os bons costumes (por mais que tenha, sim, se doado de todo coração em cada relacionamento que integrou). Carregando mais erros que acertos, por incontáveis vezes pisou feio na bola com aqueles que mais amava, quase sempre motivada pelos argumentos mais egoístas ou infantis. Por isso, não é de se estranhar que os deslizes de Blair e Chuck puderam ser facilmente perdoados pelos telespectadores, já que, de alguma maneira, o casal foi capaz de amadurecer através de sua extensa caminhada de intrigas; enquanto a amiga acabou crucificada, morta e sepultada pela grande maioria de quem acompanhou o espetáculo. Mas isso, talvez, tenha uma explicação bem mais simples do que se pode imaginar!

Ainda assim… humana:

Desconstruindo o conto de fadas

É indiscutível que o público televisivo, de uma maneira geral, demonstra um apreço muito maior por aquelas obras que fogem um pouco da realidade e priorizam a romantização de seu roteiro – e, voluntariamente, impõem o clássico casal dos contos de fadas que sofre à beça antes de conquistar o “felizes para sempre”. Convenhamos: não é qualquer um que se simpatiza com a vida comum de uma garota insegura e problemática. Logo, é de se esperar que qualquer personagem ou situação que não se enquadre neste “padrão fantasioso” exigido pela demanda popular seja rejeitado de plano, tal como pudemos conferir no caso da Srtª Van der Woodsen. Ao contrário de Blair, a luta de Serena não é contra a aprovação externa, mas interna.

Ao invés de darem à moça a oportunidade perfeita de se encontrar como mulher e profissional, de descobrir-se feliz por mérito próprio, sem a ajuda de um homem (tal como executaram tão bem no início da penúltima temporada), a produção da série preferiu encobrir todas as reais inseguranças que Serena carregou desde a exibição do episódio piloto com um casamento sem propósito algum. A questão a ser discutida nem é se S combina com Dan, mas por que o relacionamento prosperou tão rápido quando ainda existia muito a ser discutido na vida particular de ambos. O casal demonstrou, desde o início, defeitos que jamais poderiam ser ultrapassados sem um longo período de preparação e crescimento individuais.

No fim da noite, quando deitamos nossa cabeça no travesseiro e paramos para relembrar cada momento do nosso dia, Serena van der Woodsen é o maior exemplo de que nós, como seres humanos, gastamos a maior parte de nossas vidas cometendo erros (muitas vezes aqueles que prometemos nunca mais cometer). E está tudo bem se isso acontecer. Mesmo que, eventualmente, nos encontremos em um indesviável loop de tropeços, apenas precisamos nos lembrar que sempre haverá uma nova oportunidade de consertar o que fizemos de errado. Por mais difícil ou complicada que esteja nossa atual situação, não podemos jamais nos esquecer de acreditar que, mais cedo ou mais tarde, iremos acertar – ou recomeçar, se este for o caso, assim como Serena tanto tentou. O segredo não está em viver o conto de fadas dos nossos sonhos (porque, querendo ou não, estamos falando da vida real), mas em superar os obstáculos do dia a dia e tentar, sempre, dar o nosso melhor ‘eu’. Apesar de beneficiada pelos privilégios que sempre a acompanharam desde o nascimento, Serena van der Woodsen é tão imperfeita, real e complicada quanto você e eu.

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.