Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás (#3)

Já não é novidade pra ninguém que acompanha o nosso blog que a música pop se tornou, a longo prazo, uma das temáticas mais frequentes de nossas resenhas e artigos especiais. Assim, dando continuidade a um quadro bastante popular por aqui (mas que no ano passado falhou bruscamente ao dar o ar de sua graça), é com prazer que ressuscitamos o “10 melhores álbuns de 10 anos atrás” com o que é, ao nosso ver, o melhor período vivenciado pela indústria musical contemporânea desde o início dos anos 2000 (reveja as partes 1 e 2).

Voltando para os dias de glória em que as rádios imortalizaram o melhor dos grandes produtores de outrora, é em ritmo de tremenda nostalgia que compilamos, a seguir, 10 discos inesquecíveis que farão você querer entrar em uma máquina do tempo para esquecer tudo o que ouviu recentemente. Ah, e não se esqueça de clicar nas capas dos álbuns para conferir um clipe de cada era, tá bem? Tudo certo? Então prepare-se para relembrar cada um destes hinários que bombaram muito há uma década, começando por:

10) EMPEZAR DESDE CERO – RBD

Gravadora: EMI Music

Lançamento: 20 de novembro de 2007

Singles: “Inalcanzable”, “Empezar Desde Cero” e “Y No Puedo Olvidarte”

Considerações: Conhecido como um dos maiores fenômenos da América Latina de todos os tempos, não é à toa que o RBD rapidamente conquistou milhares e milhares de fãs por todos os países em que a telenovela “Rebelde” chegou a ser exibida. Já experientes após o lançamento de 4 bem-sucedidos discos de estúdio, foi num tom mais intimista que os seis membros do grupo fizeram bonito ao nos entregar esta joia rara que abre o nosso “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Pegando emprestado o tradicional pop-rock chiclete característico de sua própria discografia (principalmente dos discos “Rebelde” e “Celestial”), “Empezar Desde Cero” traz letras mais reflexivas enquanto explora com maestria os vocais de Anahí, Dulce, Maite, Christopher, Alfonso e Christian. Dizendo adeus ao toque bem obscuro do queridinho “Nuestro Amor”, o 5º álbum do sexteto foi o grande responsável por nos apresentar aos hinos insuperáveis “Fuí La Niña”, “No Digas Nada” e “Sueles Volver” – e, ainda, fazer justiça ao dar mais espaço para a talentosíssima Maite Perroni, que pela primeira vez comandou um single (faixa-título) como vocalista principal

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 no “Mexican Albums Chart”, atingindo o #4 na sua quinta semana (número de vendas desconhecido)

9) THE BEST DAMN THING – AVRIL LAVIGNE

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 17 de abril de 2007

Singles: “Girlfriend”, “When You’re Gone”, “Hot” e “The Best Damn Thing”

Considerações: É claro que não deixaríamos a primeira colocada da 1ª parte do nosso especial de fora – ainda mais quando, há exatos 10 anos, pudemos conferir um dos trabalhos mais controversos de toda a carreira de Avril Lavigne. Causando bastante barulho com o lançamento do carro-chefe “Girlfriend” (o qual, curiosamente, tornou-se o único #1 de Avril na “Billboard Hot 100” estadunidense), em “The Best Damn Thing” a canadense não teve medo de deixar o post-grunge totalmente de lado para priorizar um som bem alto-astral puxado mais para o pop e menos para o rock. Contrariando em muito uma significativa parcela de seus fãs que de cara reprovou a mudança repentina no estilo, a Princesinha do Pop-punk não demorou nada para deixar o seu jeito “largada” de lado e adotar uma personalidade cada vez mais provocativa. Musicalmente falando, entretanto, “The Best Damn Thing” foi certeiro e não economizou nos hits, sendo que “When You’re Gone” e “Hot” fizeram bastante sucesso pelo mundo e instantaneamente caíram no gosto popular

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 289.000 cópias na primeira semana

8) DELTA – DELTA GOODREM

Gravadora: Sony BMG, Mercury Records

Lançamento: 20 de outubro de 2007

Singles: “In This Life”, “Believe Again”, “You Will Only Break My Heart” e “I Can’t Break It to My Heart”

Considerações: Você até pode nunca ter ouvido falar de uma das australianas mais talentosas da música internacional atual, mas, Delta Goodrem já havia governado o topo da “ARIA Albums Chart” com seus dois primeiros discos muito antes de repetir o feito com “Delta”. Enterrando seu passado sombrio que havia sido tão bem explorado em “Mistaken Identity” (2004), Goodrem não pensou duas vezes e, com suas energias totalmente recarregadas, tratou de entregar aos fãs um trabalho que realmente refletisse sua triunfal vitória sobre o linfoma de Hodgkin. Transmitindo boas energias em faixas luminosas como “Possessionless” e “God Laughs”, a loira não perdeu tempo e foi além ao nos presentear com um dos singles mais dançantes de sua bem estruturada discografia: a viciante “Believe Again”. Ah, e vale dizer ainda que o “Delta” chegou, inclusive, a estrear na “Billboard 200” estadunidense, na posição #116 (sendo este o único álbum de Goodrem, até o momento, a conseguir tal feito)

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Albums Chart” com vendas de 23.072 cópias na primeira semana

7) HEADSTRONG – ASHLEY TISDALE

Gravadora: Warner Bros.

Lançamento: 6 de fevereiro de 2007

Singles: “Be Good To Me”, “He Said, She Said”, “Not Like That” e “Suddenly”

Considerações: Como se não bastasse ver seu nome decolar após protagonizar a franquia “High School Musical”, Ashley Tisdale deu um show de versatilidade quando anunciou sua carreira solo juntamente ao seu 1º álbum de inéditas, o “Headstrong”. Misturando uma pitada de synthpop a muito dance-pop e R&B da melhor qualidade, Tisdale não se acanhou nos batidões e, totalmente desvinculada de Sharpay Evans, deu ao mundo uma pequena prévia de todo o seu poderio vocal. Mesclando faixas que transbordavam o melhor da música eletrônica de uma década atrás (“He Said She Said”, “Goin’ Crazy”) à baladinhas românticas bem clichês e adolescentes (“Unlove You”, “We’ll Be Together”), a garota prodígio rapidamente passou de “uma das Disney stars mais queridas do mundo” para “um dos maiores sonhos de consumo do público masculino” – quando figurou na lista das 100 mulheres mais sexys de 2008, em #10, pela revista “Maxim”. E isso tudo com pouquíssimo tempo de carreira solo!

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 72.000 cópias na primeira semana

6) HANNAH MONTANA 2: MEET MILEY CYRUS – HANNAH MONTANA/MILEY CYRUS

Gravadora: Walt Disney Records, Hollywood Records

Lançamento: 26 de junho de 2007

Singles: “Make Some Noise”, “Nobody’s Perfect” e “Life’s What You Make It” / “See You Again” e “Start All Over”

Considerações: Mundialmente conhecida como o rosto por trás do sucesso da série de TV “Hannah Montana”, foi somente em 2008 que Miley Cyrus começou a fazer dinheiro por si mesma: quando liberou o disco “Breakout”. Entretanto, o que muita gente desconhece é que, um ano antes, diversas rádios internacionais já tocavam os hits da própria Miley; os quais haviam sido recém-lançados em conjunto à 2ª trilha-sonora do aclamado programa do Disney Channel. Assim nasceu “Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus”, o álbum duplo que trazia 10 novas faixas da popstar adolescente mais famosa da TV e mais 10 novas faixas interpretadas por… Miley Cyrus. Enquanto “Hannah Montana 2” repetiu a dose da primeira soundtrack e trouxe à tona um pop mais fabricado destinado ao público infanto-juvenil, “Meet Miley Cyrus” experimentou uma porção de gêneros que culminou na primeira experiência madura de Cyrus como musicista. Compondo 8 das 20 músicas presentes no trabalho, foi nesta obra que a garota lançou o seu primeiro single, “See You Again”, e nos cativou com as pérolas “As I Am” e “Right Here”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 325.000 cópias na primeira semana

5) GOOD GIRL GONE BAD – RIHANNA

Gravadora: Def Jam Recordings, SRP Music Group

Lançamento: 31 de maio de 2007

Singles: “Umbrella”, “Shut Up And Drive”, “Hate That I Love You”, “Don’t Stop The Music”, “Take a Bow”, “Disturbia” e “Rehab”

Considerações: Não que Rihanna fosse uma total desconhecida quando seu prestigiado “Good Girl Gone Bad” chegou às prateleiras das lojas (até porque os hits “SOS” e “Pon de Replay” já haviam abocanhado o #1 e #2 da “Billboard Hot 100” muito antes disso), mas, não podemos negar que foi após o seu lançamento que a carreira da moça decolou de vento em popa. Auxiliada pelo mentor Jay-Z, que de quebra participou do lead single “Umbrella”, o 3º disco da barbadiana foi tão bem supervisionado que recebeu, ainda, o toque de Midas dos super respeitados Ne-Yo, Justin Timberlake, StarGate e Timbaland. Combinando um visual bastante exótico que somente o Caribe tem a oferecer com o vocal inconfundível da Rihanna, “Good Girl Gone Bad” irradiou um R&B bem gostosinho que com certeza não sai da sua cabeça até os dias de hoje. O sucesso foi tamanho que no ano seguinte o álbum foi relançado sob o nome “Good Girl Gone Bad: Reloaded” contendo as inéditas “Take a Bow”, “Disturbia” e “If I Never See Your Face Again”, com o Maroon 5

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 162.000 cópias na primeira semana

4) BRAVE – JENNIFER LOPEZ

Gravadora: Epic Records

Lançamento: 4 de outubro de 2007

Singles: “Do It Well” e “Hold It Don’t Drop It”

Considerações: Que há anos Jennifer Lopez concilia uma invejável carreira de sucesso em Hollywood com uma multiplatinada trajetória na música todos já estão cansados de saber. Porém, muito antes de migrar para as batidas do electro-pop e conquistar as pistas de dança com “On the Floor” e “Dance Again”, JLo ainda perambulava por um R&B bem mais suave e orquestral, e é esta a sonoridade que pudemos contemplar do início ao fim de “Brave”, o 6º de sua discografia. Solidificando o carro-chefe “Do It Well” como uma de suas canções mais icônicas, foi com bastante requinte e autoconfiança que a norte-americana de sangue latino nos bombardeou com o seu trabalho mais consistente até o momento. Finalmente impondo sua identidade e superando em muito seus álbuns anteriores (que, convenhamos, continham diversas faixas bem “tapa buraco”), Lopez não poupou na afinação e parece ter entregado tudo de si nas brilhantes “Hold It Don’t Drop It” e “Mile in These Shoes”. Destaque, ainda, para a refrescante “Forever” e a emocionante faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #12 na “Billboard 200” com vendas de 52.600 cópias

3) X – KYLIE MINOGUE

Gravadora: Parlophone Records

Lançamento: 21 de novembro de 2007

Singles: “2 Hearts”, “Wow”, “In My Arms”, “All I See” e “The One”

Considerações: Completando, neste ano, três décadas de estrada, não é novidade para ninguém que a australiana Kylie Minogue é a proprietária de um dos catálogos mais respeitados dentro do meio musical internacional. E, foi há exatos 10 anos que tivemos a grandiosa honra de conhecer “X”, o 10º álbum de estúdio da veterana. Originalmente nomeado “Magnetic Electric”, o aguardadíssimo sucessor de “Body Language” (2003) foi, para Kylie, o mesmo que “Delta” foi para Delta Goodrem; isso porque, assim como a sua conterrânea, Minogue acabara de vencer uma árdua e superexposta batalha contra o câncer (de mama). Contando com a ajuda de profissionais de renome como Bloodshy & Avant, Guy Chambers e Calvin Harris, a voz que dá vida ao sucesso “In My Arms” revelou, à época, que não quis repetir toda a melancolia de “Impossible Princess” (1997) e deu preferência a um som bem mais alegre e contagiante. Seguindo as tendências do electro-pop, “X” é bastante eclético e compõe-se tanto de instrumentais mais sofisticados (como “Like a Drug” e “Sensitized”) quanto de baladinhas suaves e românticas (como “All I See” e “Cosmic”). Extravasando positividade, teve até espaço para “No More Rain”, a sensacional canção composta pela própria australiana no intuito de dizer adeus a seu triste diagnóstico anterior

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “ARIA Awards” com vendas de 16.000 cópias na primeira semana

2) DIGNITY – HILARY DUFF

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 21 de março de 2007

Singles: “Play With Fire”, “With Love” e “Stranger”

Considerações: Todo jovem artista que se lança na indústria do entretenimento possui a probabilidade de protagonizar, em determinado momento de sua trajetória, algum programa de televisão voltado ao público infantil. Apesar de Hilary Duff ter passado exatamente por isso, é claro que não demoraria muito para a moça entrar na vida adulta e demonstrar um forte desejo de mudar a sua imagem pública como profissional. Com anseios de amadurecimento, em “Dignity” a nova morena do pedaço conseguiu não apenas elaborar o melhor trabalho de sua carreira como também adquiriu o respeito de todos aqueles que não levavam a sério o seu brilhante engajamento como musicista. Perfeitamente envolvida na produção executiva e composição de seu 4º disco de inéditas, Duff teve tempo de sobra para nos contar um pouquinho mais sobre a separação de seus pais (“Stranger”, “Gypsy Woman”), o rompimento com o próprio namorado (possivelmente a faixa-título) e um feliz incidente envolvendo um stalker russo (“Dreamer”). Com vocais mais contidos combinados a instrumentais dançantes cheios de muita elegância, Hilary nunca esteve tão confortável em um trabalho que exalasse tanta honestidade e autodeterminação

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 140.000 cópias na primeira semana

1) BLACKOUT – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 25 outubro de 2007

Singles: “Gimme More”, “Piece of Me” e “Break the Ice”

Considerações: Eis que chegamos ao topo da nossa lista com o que é considerado, por muitos (inclusive por nós do Caí da Mudança), o melhor álbum pop deste milênio. E quando falamos em “Blackout” qualquer elogio definitivamente não é exagero! É curioso, contudo, que o maior nome por trás de sua criação não estivesse com o juízo completamente no lugar quando o carro-chefe “Gimme More” chegou em setembro de 2007 trazendo uma Britney Spears novinha em folha. Vivendo um verdadeiro inferno na Terra, a insubstituível Princesinha do Pop usou e abusou dos sintetizadores enquanto as composições do disco, claramente inspiradas pelas manchetes sensacionalistas dos tabloides da época, se encarregaram de expor uma crítica social e tanto. O sucesso foi tamanho que o 2º single do material, “Piece of Me”, entrou para a setlist de todas as turnês posteriores ao seu lançamento e ainda deu nome à atual residência que a cantora realiza em Las Vegas desde 2013, a “Britney: Piece of Me”. Tudo isso, é claro, não teria sido possível se não houvesse o envolvimento de mestres como Danja, Bloodshy & Avant, Kara DioGuardi, Keri Hilson e Jim Beanz. Em 2012, o “Rock and Roll Hall of Fame” incluiu “Blackout” em sua conceituada biblioteca musical

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 290.000 cópias na primeira semana


BÔNUS) MY DECEMBER – KELLY CLARKSON

Gravadora: RCA Records, 19 Recordings

Lançamento: 22 de junho de 2007

Singles: “Never Again”, “Sober”, “One Minute” e “Don’t Waste Your Time”

Considerações: Por fim, antes de encerrarmos a 3ª parte do “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”, cabe a nós incluir uma importante menção honrosa ao 3º álbum de estúdio da primeiríssima vencedora do “American Idol”, Kelly Clarkson. Bem diferente do pop-rock mainstream que dominou o exitoso “Breakaway” (2004), “My December” aposta toda as suas fichas em uma sonoridade bem mais pesada e expressiva fortemente influenciada pelo rock. Coescrevendo cada uma das 13 faixas presentes na edição standard, Clarkson não teve medo de dar uma pausa nas parcerias de sucesso proporcionadas por Max Martin e Dr. Luke e mergulhou de cabeça por um caminho bem mais intimista que de longe nos fez lembrar o saudoso “Thankful” (2003). Você certamente já ouviu o lead single “Never Again”, que atingiu o #8 da “Billboard Hot 100”

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 291.000 cópias na primeira semana


E aí, deixamos algum trabalho de fora? Em sua opinião quais são os 10 melhores lançamentos de 10 anos atrás? Conte-nos a sua opinião.

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Teria Avril Lavigne sido morta e substituída por uma sósia? Entenda essa louca teoria (e porque não)

Após diversos boatos se espalharem para todos os lados dizendo que grandes astros da música como Michael Jackson e Elvis Presley poderiam estar vivos, a teoria de conspiração que defende a morte e substituição da cantora Avril Lavigne por uma sósia é, provavelmente, uma das mais macabras e comentadas na história da internet. Já tem um bom tempo que li sobre esse assunto pela primeira vez, mas, depois de ser recentemente perguntado por uma colega de classe sobre o suposto ocorrido (e conversarmos bastante), cheguei à conclusão que seria uma boa ideia escrever um post reunindo os meus pontos de vista sobre essa “lenda urbana virtual”. Porém, antes de começar a discorrer sobre o que eu acredito, fundamental conhecermos o que é falado por aí para depois compararmos aos meus fundamentos e chegarmos às conclusões que você irá tirar por si só.

Isso pode parecer novidade para quem pouco conhece da trajetória da canadense, mas, acredite: essa tese extremista possui até mesmo página na web (que conta com mais de 2 milhões de acessos) e centenas de pessoas que levam adiante os ideais levantados por esses “caçadores de mistérios”. Seja pelas mudanças no modo de se vestir ou pela sonoridade de suas músicas mais recentes (que passaram do post-grunge para um pop mais chiclete), vários outros fatores como marcas de nascença e alternâncias na voz fazem muita gente crer que a Lavigne que surgiu lá em 2002 não é a mesma da década atual. Mas, de onde são tiradas todas essas informações? Em que elas se baseiam? Existe algum pingo de bom senso nisso ou tudo não passa de palpites aleatórios?

Ensaio fotográfico promocional para o álbum “Let Go”

Tudo teria supostamente começado ainda em 2003, quando a verdadeira Avril detinha grande popularidade após uma estreia de sucesso no mercado musical com o disco “Let Go” e os hits inquestionáveis “Complicated”, “I’m With You”, “Sk8er Boi” e “Losing Grip”. Diz a lenda que a cantora não estava passando por bons momentos e, não sabendo lidar com uma forte depressão e a pressão do público, teria cometido suicídio. Então, para ocultar o trágico episódio e dar continuidade à carreira da moça (que contaria com um segundo disco quase pronto), uma sósia (supostamente chamada Melissa Vandella), teria sido convocada para se passar pela original. Sim, é o que acreditam!

“Under My Skin”, o segundo álbum de Lavigne (e o primeiro de Melissa, agora vivendo “sob a pele” de sua antecessora, se considerarmos a tese), chega às lojas de todo o mundo em maio de 2004 e até então nenhuma suspeita havia sido sequer cogitada. Isso até os fãs da cantora ouvirem o que estava armazenado dentro do disco e ficarem com a pulga atrás da orelha depois de conhecer algumas canções como “Nobody’s Home”, “Together” e “My Happy Ending”. De alguma maneira, esse pessoal cogita a possibilidade de essa “Nova Avril” se sentir culpada com todo a história por trás do seu novo trabalho e, tentando passar adiante a verdade sobre tudo, teria ingressado em um constante sistema de mensagens subliminares que seriam enviadas por meio de composições e outros sinais estratégicos.

“Eu não saberia te dizer porque ela se sentia daquela maneira, e ela se sentia assim dia após dia. Eu não podia ajudá-la, eu só a via cometer os mesmos erros novamente. O que está errado agora? Ela nem sabe aonde pertence. Ela quer ir pra casa, mas não há ninguém em casa. É aí que ela se encontra, destroçada por dentro. Sem ter para onde ir, para secar suas lágrimas […]. Os sentimentos ela esconde, os sonhos ela não consegue achar. Ela está perdendo a cabeça, ela ficou para trás. Ela não consegue achar seu lugar, ela está perdendo a sua fé. Ela caiu em desgraça, ela está despedaçada” (trechos de “Nobody’s Home” que retratariam os últimos dias de vida da “Antiga Avril”); “Algo não está certo, eu posso sentir isso dentro de mim. A verdade não está muito longe […]. Quando eu apago as luzes, quando eu fecho meus olhos, a realidade vem até mim, e eu estou vivendo uma mentira” (trechos de “Together” que retratariam a verdade por trás da “Nova Avril”); “Vamos falar que está acabado, não é como se estivéssemos mortos. Foi alguma coisa que eu fiz? Foi alguma coisa que você disse? Não me deixe esperando numa cidade tão morta, pendurada tão alto numa corda tão frágil” (trechos de “My Happy Ending” que retratariam o modo como a “Antiga Avril” se suicidou: pelo uso de uma corda).

Achou pouco ou quer mais? Muita coisa estaria escondida por trás de “Under My Skin” e não pararia apenas nas composições de suas faixas (que foram todas escritas por Lavigne): a começar principalmente pelo título do álbum. Em tradução literal, “under my skin” seria o equivalente para “debaixo da minha pele”, a situação que a sósia estaria vivendo desde que resolvera assumir o posto que lhe fora outrora oferecido. Partindo para o ensaio fotográfico do material, diversas imagens com um teor sombrio, que remeteriam ao luto e ao sangue (o preto e vermelho da capa do disco) seriam uma demonstração de que Melissa estaria falando o óbvio para quem quisesse ouvir.

Ensaio fotográfico realizado em 2002

Deixando 2004 no passado, 2007 chegou para causar mais burburinho com o lançamento do terceiro álbum da cantora, “The Best Damn Thing”, e o single “Girlfriend”. Pondo em risco todas as declarações cedidas em entrevistas realizadas no começo da carreira com a “Antiga Avril” de que “jamais usaria roupas fofas da moda, posaria de forma sensual para revistas, ‘venderia sexo’ ou seria uma diva”, a loira passou a adotar um comportamento que incluía algumas escolhas um tanto quanto duvidosas. Partindo para a música pop e deixando cada vez mais de lado o estilo menina “maloqueira” que adotara para se lançar na carreira, o papo de que “gostaria que as pessoas a conhecessem apenas pela sua música e sua voz” nem parecia ter sido pensado ou utilizado em qualquer momento anterior da sua vida. Roupas de grife, dançarinas bem treinadas, coreografias animadas e muito rosa – tudo o que a cantora chegou a repudiar um dia – passaram a se tornar elementos essenciais do cotidiano da “Nova Avril”, que cada vez mais “desapontava” seus antigos fãs e adquiria novos por onde passava.

Mas, não se deixe levar acreditando que estes são os únicos argumentos da teoria que defende a morte e substituição de uma das artistas canadenses mais populares da atualidade. De acordo com diversas buscas realizadas na internet que compararam dados coletados da “cantora original e da sua suposta sósia”, diversos pontos incomunicáveis deram forma à tese e concretizaram ainda mais a dedução feita pelos seguidores mais inquietos da musicista.

O primeiro deles refere-se às características físicas da moça, que, de acordo com os “pesquisadores”, está no formato do rosto, principalmente do nariz (o que teria sido comprovado por um especialista no assunto; veja a imagem). E, as diferenças vão ainda mais além quando o assunto é a altura em questão: em 2002, Avril mediria 1,58, enquanto que, a partir de 2004, a mesma teria “perdido” 3cm (passando a medir 1,55). É verdade que podemos perder de 3cm a 5cm de altura com o passar das décadas, mas, o “encolhimento” a estes níveis só se dá com a velhice, por volta dos 70 anos.

Por mais que as mudanças de personalidade, atitude e estilo sejam mesmo marcantes (para não dizer gritantes) quando colocamos uma Avril ao lado da outra, nenhuma outra distinção seria mais verídica que as contidas nos vocais da moça. De acordo com as pesquisas celebradas, a “Antiga Avril” cantaria como uma mezzo-soprano, enquanto a “Nova Avril” seria uma legítima soprano (grosseiramente falando: a cantora original teria uma voz mais encorpada, ao passo que a da atual seria mais aguda e propensa e não atingir determinadas notas). A diferença em questão poderia ser observada com maior clareza em músicas como “I’m With You” e “Complicated”, como podemos acompanhar por estes vídeos comparativos (aqui e aqui), ou no cover de “Knockin’ on Heaven’s Door”, do Bob Dylan (aqui).

Ensaio fotográfico promocional para o álbum “Under My Skin”

Outras mudanças bruscas envolvendo a Srtª Avril e a Srtª Melissa se daria em relação à caligrafia (os traços em autógrafos teriam sido projetados com laços abertos por uma e fechados por outra) e a pintas localizadas em diferentes partes do corpo das duas garotas (algumas teriam sido até “reproduzidas” pela “Nova Avril”, mas não teriam sido projetada de maneira perfeita), como nos braços e no rosto. Segundo os investigadores, o primeiro autógrafo (veja imagem) teria sido inclusive copiado da era “Let Go” para a “Under My Skin” (diferença de 2 anos; confira a foto), apesar de não ter sido muito bem sucedido (o que teria originado o novo autógrafo da era “The Best Damn Thing”, de 2007; imagem aqui). Em relação as marcas de nascença, Lavigne teria quatro pintas no braço que poderiam ter sido copiadas por Vandella, além de dois sinais perto da testa (Melissa tem apenas um; comparação). Aliás: Melissa teria muitas outras pintas que a Avril não teria (imagem comparativa).

Encerrando as suspeitas desse pessoal, a prova cabal de que a canadense realmente encobriria toda essa história seria uma entrevista concedida ao programa “Pânico na Band”, realizada já há um ano. Quando questionada sobre “ter morrido e sido substituída por um clone”, ela apenas responde que nunca leu sobre isso, que só tinha ouvido falar”, depois se contradizendo que “ouviu falar pelos entrevistadores”. Diversos gestos corporais (como levar a mão até o cabelo, orelha ou rosto enquanto fala; olhar mais para o chão; fechar mais os olhos e dar um sorriso forçado que envolve apenas os músculos da boca e não os do rosto) que teriam sido “executados” pela loira, seriam indícios de que Lavigne estaria mesmo mentindo sobre tudo (veja o vídeo), dando mais gás à teoria em estudo.

Relacionados os principais pontos abordados acima (acredite, existem muitos outros defendidos por aí, mas tentei enumerar somente os mais consistentes), passemos agora a analisar cada suposição levantada pelo pessoal que definitivamente deve ter passado muito tempo à procura de possíveis vestígios deixados por Melissa Vandella.

Se tem algo que é afirmado pela teoria e eu realmente assino embaixo é o fato consumado de que Avril Lavigne realmente não é mais a mesma pessoa do início de sua carreira, por mais que tenha inclusive prestado uma linda homenagem durante o clipe de “Here’s to Never Growing Up” (assista). Quando foi descoberta no começo do milênio e introduzida à indústria musical, diversas características (físicas e comportamentais) acabaram sendo evidenciadas ao decorrer de 2002 e 2003, quando a cantora parecia ter total autonomia de quem ela era ou gostaria de ser. Nessa época, diversas entrevistas para revistas e programas televisivos foram realizadas, e em grande parte delas Avril se mostrava convicta de não querer adotar um estilo mais delicado ou feminino demais, como é declarado aqui. Estranho que já no vídeo gravado para o single “Don’t Tell Me”, o primeiro do “Under My Skin” (lançado após a suposta morte), Lavigne seja filmada usando uma blusinha rosa e apareça de calcinha andando pelo seu quarto, não? Se existisse mesmo uma sósia por trás de tudo, será que não seria mais prudente esperar um pouco para mudar o figurino e inserir peças de roupa mais provocantes e coloridas?

Dizem que a estampa dessa camiseta traz uma foto da “Antiga Avril” deitada, para alguns supostamente morta. Clique aqui para ver ampliada

A teoria aponta que o disco “Under My Skin”, quase como um todo, teria sido gravado já pela sósia como uma forma de tributo à morte de sua antecessora, e que a capa e o ensaio fotográfico representariam um estado de luto pela “Nova Avril”. Realmente, é bem provável que o álbum tenha sido lançado simbolizando a morte, mas vocês chegaram a pensar que poderia simplesmente retratar o encerramento de uma fase e o início de outra? A morte, por si só (artisticamente falando), não é necessariamente o término da vida de alguém, podendo representar, para tanto, o fim artístico da “Antiga Avril”, aquela que se rebelava contra todos e parecia deixar sua adolescência tomar conta de quem ela realmente era – o que justificaria a foto estampada na camiseta (ao lado), como a “morte simbólica” (e não vital) da Avril do “Let Go”.

Mais adiante, é sugerido que Avril teria, misteriosamente, encolhido 3cm no intervalo de 2 anos: um fato biologicamente impossível de acontecer (a menos que ela tenha feito o procedimento inverso das irmãs Wilson de “As Branquelas”, rs). Será que alguém chegou a cogitar a possibilidade de terem levantado um dado inexato sobre a cantora, o lançado na mídia (lá em 2002) e, mais tarde (em 2004), o corrigido? Afinal: nem tudo o que lemos na internet é verídico, e sabe-se lá quem disse em 2002 que Lavigne teria 1,58 (e não 1,55). Outra coisa possível de ter acontecido é terem medido a cantora de forma equivocada lá atrás, quando foi informado a sua altura pela primeira vez. Devo dizer a vocês que diversas professoras do Ensino Médio me deram alturas diferentes no período de 4 anos, tendo uma delas, inclusive, me afirmado que eu cresci 13cm de um ano para o outro (quem pode dizer que isso é mesmo verdade?). Mesmo em fase de crescimento, esse número não é um tanto improvável?

Ah, a voz! Primeiramente, devo deixar bem claro que não sou nenhum especialista em técnica vocal ou reconhecimento de notas musicais, então, tudo o que vou dizer aqui foi pesquisado e devidamente certificado. É afirmado pelos “pesquisadores” que Avril começou como mezzo-soprano, mas que teria passado a cantar como soprano no intervalo de 2 anos, o que a impossibilitava de atingir as mesmas notas das músicas “Complicated” e “I’m With You”. Antes de mais nada, é completamente possível que uma cantora comece a cantar em um enquadramento vocal e, mais tarde, devido às modificações naturais do seu corpo e o uso de técnicas vocais, passe para outro (como no caso levantado pelos “investigadores”). Da mesma forma, se essa vocalista começar a fumar, gritar com frequência e não cuidar das cordas vocais, poderá “regredir” e passar pelo mesmo estágio de transformação. Assim, a cantora pode tanto “progredir” (passar de mezzo para soprano) como “regredir” (pular de soprano para contralto sem nem dar um oi ao mezzo).

A seguir, uma passagem bem interessante publicada pelo “Vocal Pop” (popular site sobre técnicas vocais) que ilustra exatamente isso: “nessa época [1991] ela [Mariah Carey] cantava como mezzo-soprano dramático […]. Os anos se passaram e como nas mulheres a voz demora mais a se estabilizar, ela veio à digamos ‘virar’ soprano lá por meados de 2002. Nesse período ela começou a usar mais a voz de cabeça dela e optar por esse lado soprano de seu vocal. A voz começou a ficar mais rouca e pesada”.

“No caso da Mariah, a voz dela não se modificou por desleixo, e sim por questões hormonais. Porém afirmo que fatores externos também podem literalmente ‘engrossar’ a voz da pessoa. Como por exemplo beber e fumar, ou gritar muito. Tudo isso acelera o processo de envelhecimento das suas cordas vocais e te deixa vocalmente fraco. Sua voz começa a perder o brilho e aquilo que a torna especial. Vejam o caso de Whitney Houston, ela começou a fumar crack alguns anos antes de morrer e virou um contralto profundo. A voz dela estava tão debilitada que até para falar ela sentia incômodo na garganta. Cantar seus clássicos eram impossíveis. Ao vivo durante as apresentações que fez antes de falecer, ela decepcionara bastante. Mesmo abaixo o tom de suas canções clássicas para cantar mais grave, ela já não aguentava fazer os agudos de antes”.

Se você ainda tem dúvidas de que a voz da cantora é tão diferente assim, então se liga nessas apresentações de 2002 e 2011 com “I’m With You”

Vocês devem achar que eu tenho uma resposta para tudo, e realmente, depois de pesquisar e refletir bastante sobre esse assunto, cheguei à essa mesma conclusão, modéstia à parte! Sobre a caligrafia (e os traços diferentes que teriam sido desenhados de maneiras incompatíveis), vou me recorrer a outra experiência de vida que tive por todos esses anos escolares. Vocês já perceberam que, enquanto você ainda está no colégio e retorna das férias para o início das aulas no começo do ano (lá para fevereiro), uma certa dificuldade de voltar a escrever como antes parece tomar conta da gente nos primeiros dias e semanas? É como se você tivesse “desaprendido” a usar uma caneta, o que consequentemente exigirá um pouco de treino para voltar a escrever com maior naturalidade e precisão (sério, minha caligrafia em todo começo de caderno era tenebrosa). Agora imagine essa situação aliada ao fato de você ser uma pessoa famosa que precisa autografar objetos para fãs escrevendo de pé, sem qualquer apoio e com mais de 100 pessoas empurrando, gritando e metendo CDs, camisetas e agendas na sua cara. Não deve ser muito fácil!

Sobre o ponto da estética (nariz e pintas), não é necessário dizer que a canadense com certeza deve ter se submetido a uma cirurgia plástica para diminuição do nariz, não é?! Todo mundo sabe que a maior parte das celebridades de Hollywood faz cirurgias plásticas para modificar alguma parte de seus corpos, e por que a Avril não seria uma delas? Se compararmos as fotos antigas e recentes da cantora, poderemos perceber que a mudança não é nada assombrosa como a protagonizada por Ashlee Simpson, quem praticamente ganhou um novo nariz depois de passar pelo procedimento operatório. Quanto às pintas, você sabia que não existe nenhuma justificativa cientificamente comprovada do que porquê elas surgem, mas que as pessoas mais claras e com maior exposição ao sol são as mais propensas a adquiri-las? Isso com certeza responderia “as pintas a mais que a ‘Nova Avril’ teria e a ‘Antiga’ não”. Ah, é claro, ainda temos aquela manchinha na testa: a qual poderia facilmente ser removida cirurgicamente ou, até mesmo, ser uma mera espinha (a “Antiga Avril” ainda era uma adolescente; qual adolescente não tem espinhas?).

Por fim, chegamos à polêmica entrevista com o “Pânico na Band” em que a cantora primeiro se contradiz e depois não responde à pergunta, dando um sorrisinho sem graça. Sem julgar o nível de profissionalismo do programa, da emissora ou de seus contratados, mas, se você assistiu a entrevista completa realizada com a cantora provavelmente notou que em dado momento Lavigne não entende o que lhe é perguntado, pois os entrevistadores (ou pelo menos um deles) não parecem dominar totalmente a língua inglesa. Isso acontece antes da tal pergunta sobre a sua “morte”, o que com certeza deve ter colaborado para o posterior desconforto em responder algo tão “surreal”. Imagine-se você no lugar de uma super estrela da música internacional que vem até um país considerado de terceiro mundo pelo pessoal lá de fora e, na maior boa vontade, se vê obrigada a “provar” que você é você mesma, tudo porque existe uma teoria por aí que defende a sua morte e substituição por uma sósia. Qualquer outro artista (e até mesmo pessoa do anonimato) teria se levantado da cadeira, virado as costas e ido embora sem ao menos se despedir!

Ensaio fotográfico promocional para o álbum “The Best Damn Thing”

Se Avril estivesse mesmo morta e a tal sósia passasse a ocupar o seu lugar de 2003 pra cá, eu lhes pergunto então: quem é Melissa Vandella e por que não encontramos nenhuma imagem sua em pesquisa pelo Google? Boatos afirmam que, antes da sua “morte”, Lavigne teria contratado uma garota de nome Melissa que seria idêntica a ela para trabalhar como dublê, despistando assim fãs e paparazzos em shows e eventos. Se isso é mesmo verdade, por que não encontramos nenhuma imagem mais antiga ou atual da suposta sósia ao lado da cantora original ou em qualquer outro momento aleatório? Uma dublê não teria o direito de ter a sua própria vida, as suas redes sociais e os seus momentos particulares? Estranho, não é mesmo?

Como eu disse um pouco antes: é um fato comprovado que a canadense mudou completamente de estilo durante todos esses anos, algo que ela jamais negou (e até pelo contrário, já discorreu abertamente sobre). Passando a usar e até mesmo a desenhar roupas que nada tinham a ver com o visual escolhido no começo de sua carreira, a Lavigne “pós-Let Go” definitivamente não é mais a mesma de antes, mas isso não quer dizer que a moça tenha morrido e sido substituída por uma sósia, clone ou extraterrestre. Pare de analisar o caso Avril/Melissa por 5 minutos e reflita consigo mesmo quantas vezes você disse para quem quisesse ouvir que jamais faria algo ou que jamais se vestiria de determinada maneira. Agora, pense em quantas dessas vezes você acabou voltando atrás e mudando de opinião, percebendo que antes estava agindo de maneira impensada, com a cabeça quente.

Avril usar rosa, deixar o punk um pouquinho de lado e comer carne de vez em quando (ela afirmou ser uma adepta do veganismo) não devem ser motivos para desmerecer quem ela se tornou com o decorrer do tempo. Analisar os princípios que cada pessoa possui e mudar de ideia é um direito que qualquer um tem, cabendo exclusivamente a cada indivíduo a tarefa decidir quando é o momento de mudar ou de se manter daquela determinada maneira. Imagine o quão infeliz uma pessoa seria se resolvesse vincular-se à declarações cedidas lá atrás, há mais de 13 anos, e passasse a agir somente daquela maneira, pois “mudar não seria uma opção” a ser pensada. Ainda bem que, assim como qualquer pessoa, a cantora cresceu, amadureceu, aceitou o corpo que conquistou com o tempo e ganhou a confiança para participar de trabalhos que melhor condizem com o seu atual estado de espírito.

Se, na pior das hipóteses, Avril Lavigne tenha mesmo morrido e sido substituída por uma sósia (Melissa Vandella ou não), é realmente gratificante que a produção responsável pela cantora tenha localizado uma substituta tão talentosa capaz de propiciar aos fãs um material tão bom como é o que compõe a discografia posterior ao disco “Let Go”. E digo mais: se a “Antiga Avril” foi conhecida por ter sido uma grande artista da sua época, a “Nova Avril” merece uma salva de palmas por ter expandido um império inimaginável que lá em 2002 nenhuma pessoa teria sido capaz de imaginar ou esperar da corajosa novata que conquistou o mundo com sua voz e jeito único de ser. “Nova Avril”, “Antiga Avril”, tanto faz… Avril Lavigne foi, é e continuará sendo eternamente a nossa grande Avril Lavigne!

Todas as informações sobre a teoria Avril Lavigne morreu e foi substituída, incluindo teses, imagens e vídeos, foram retirados deste site. Obrigado à Marília por incentivar a criação deste post e pelas discussões construtivas de que participamos.