#4 | Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás

Tornou-se uma tradição pra mim voltar uma vez por ano aqui no blog para, assim como anuncia o título desta publicação, elencar aqueles que considero os “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Este ano, é claro, não poderia ser diferente, por mais que o Caí da Mudança tenha passado este último semestre completamente jogado às traças (e por isso peço imensuráveis desculpas). Sem mais delongas, você encontra, a seguir, 10 grandes obras da música pop internacional que marcaram a vida de muita gente e que, uma década mais tarde, merecem ser lembradas como as obras-primas que são.

Ah, e antes que me esqueça: caso queira conferir o que listamos para os anos de 2017, 2015 e 2014, basta acessar o nosso acervo de publicações clicando aqui, aqui e aqui, respectivamente. Não deixe, também, de clicar na capa de cada disco para conferir um clipe especial de cada artista. Boa leitura e aproveite cada segundo de nostalgia!

10) DON’T FORGET – DEMI LOVATO

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 23 de setembro de 2008

Singles: “Get Back”, “La La Land” e “Don’t Forget”

Considerações: não é segredo pra ninguém que todo e qualquer jovem ator que começou sua carreira na Disney tenha, voluntariamente ou não, também se aventurado pelo meio musical. Não poderia ser diferente com a Demi Lovato, que após uma estreia bem-sucedida no filme “Camp Rock” (2008), não hesitou em liberar para as lojas do mundo todo o seu primeiro registro vocal solo naquele mesmo ano. Auxiliada pelos meninos do Jonas Brothers, que além de compor também produziram diversas das faixas que integram o “Don’t Forget”, Lovato não economiza no vozeirão e nos entrega o que se tornou o álbum mais alto-astral de sua tão promissora discografia. Sensibilidade e pop-rock se unem para proclamar ao mundo o nascimento de uma das maiores vocalistas de sua geração

Paradas musicais: o álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 89.000 cópias na primeira semana

9) E=MC² – MARIAH CAREY

Gravadora: Island Records

Lançamento: 15 de abril de 2008

Singles: “Touch My Body”, “Bye Bye”, “I’ll Be Lovin’ U Long Time” e “I Stay in Love”

Considerações: Mariah Carey dispensa apresentações! Com milhões de discos vendidos, inúmeros prêmios vencidos e oitavas para dar e vender, é, sem sombra de dúvidas, a maior diva contemporânea da indústria fonográfica. Dando sequência ao multiplatinado “The Emancipation of Mimi” (2005), “E=MC²” segue a fórmula mágica de seu predecessor e é mais do que eficiente ao mesclar batidas pesadas do hip-hop a instrumentais de primeira do R&B. Sempre no controle criativo de cada era que protagoniza, Carey foi muito feliz na escolha de cada produtor que convidou para ajudá-la na árdua tarefa de nos presentear com um dos materiais mais memoráveis de seu catálogo. Danja, Stargate e Jermaine Dupri são apenas alguns dos mais conceituados

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 463.000 cópias na primeira semana

8) BREAKOUT – MILEY CYRUS

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 22 de julho de 2008

Singles: “7 Things”, “See You Again (Rock Mafia Remix)” e “Fly on the Wall”

Considerações: tirando a longa peruca loura que colocou seu nome na boca de 9 entre 10 crianças e adolescentes dos anos 2000, Miley Cyrus não precisou de muito para deixar a sombra de Hannah Montana e ganhar destaque por conta própria. Majoritariamente composto e produzido pelos talentosos Antonina Armato e Tim James (que já haviam colaborado em “Meet Miley Cyrus”), “Breakout” foi o primeiro álbum de Cyrus sem qualquer ligação com a famosa série de TV do Disney Channel. Dando voz à faixas genuinamente autorais, Miley se ampara no bom e velho pop-rock para contar uma triste história de amor que não terminou com um final feliz. Voz, baixo, bateria e teclado provêm o que de melhor poderíamos encontrar de uma das artistas mais completas da atualidade

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 371.000 cópias na primeira semana

7) DEPARTURE – JESSE McCARTNEY

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 20 de maio de 2008

Singles: “Leavin’”, “It’s Over”, “How Do You Sleep?” e “Body Language”

Considerações: seguindo o exemplo de Hilary Duff com o prestigiado “Dignity” (2007), foi com precisão e bastante coragem que Jesse McCartney enterrou qualquer vestígio de sua antiga carreira de sucesso junto ao público adolescente ao lançar seu 3º disco de inéditas. Influenciado por grandes astros da música como Prince, Michael Jackson e Madonna, em “Departure” McCartney nos presenteia com uma obra que, apesar de ainda pender para o pop, flerta em muito com a black music frequentemente utilizada por Justin Timberlake. Um divisor de águas em sua discografia, o sucessor de “Right Where You Want Me” (2006) chegou a ser relançado um ano mais tarde sob o título “Departure: Recharged” contendo 5 novas músicas – incluindo o single “Body Language” e outras joias raras como “Crash & Burn”

Paradas musicais: o álbum estreou em #14 na “Billboard 200” com vendas de 30.200 cópias na primeira semana

6) BITTERSWEET WORLD – ASHLEE SIMPSON

Gravadora: Geffen Records

Lançamento: 19 de abril de 2008

Singles: “Outta My Head (Ay Ya Ya)” e “Little Miss Obsessive”

Considerações: houve um momento da década passada em que o pop-rock predominou nas paradas de sucesso e alavancou a carreira de muitos jovens cantores. Ocorre que, após a aclamação de álbuns como “Confessions on a Dance Floor” (de Madonna) e “Blackout” (de Britney Spears), muito se discutiu sobre o que estava em alta, e consequentemente muitos artistas acabaram migrando para um som mais eletrônico. Acompanhando a maioria, mas passando por essa transição de maneira brilhante, Ashlee Simpson prova em “Bittersweet World” que é possível dar vida a um bom disco pop que soe moderno, original e despretensioso. Bem à vontade com sua voz rouca que casou tão bem aos instrumentais exóticos de músicas como “Murder” e “No Time for Tears”, a moça acerta a mão na parte lírica e se restabelece como a ótima compositora que sempre foi

Paradas musicais: o álbum estreou em #4 na “Billboard 200” com vendas de 47.000 cópias na primeira semana

5) HARD CANDY – MADONNA

Gravadora: Warner Bros. Records

Lançamento: 19 de abril de 2008

Singles: “4 Minutes”, “Give It 2 Me” e “Miles Away”

Considerações: e já que estamos falando de música pop, nada mais justo senão incluir em nosso top 5 o que considero o meu álbum favorito daquela que sustenta o título de “Rainha do Pop”. Despindo-se da vontade de chocar o público com os assuntos polêmicos que permearam sua trajetória desde o início, em “Hard Candy” Madonna parece ter tirado um pouco o pé do acelerador e se incumbido da simples tarefa de gravar um disco que soasse o mais atual (e natural) possível. Convidando nomes de peso como Justin Timberlake, Pharrell Williams e Kanye West, a veterana responsável por abrir as portas para a maioria das cantoras pop nunca esteve tão acessível para os públicos das mais diversas idades. Prova disso é a “Sticky & Sweet Tour” (2008-2009), série de shows que promoveu o CD e segue, em pleno 2018, como a turnê feminina mais lucrativa da história

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 280.000 cópias na primeira semana

4) FUNHOUSE – PINK

Gravadora: LaFace Records

Lançamento: 24 de outubro de 2008

Singles: “So What”, “Sober”, “Please Don’t Leave Me”, “Funhouse”, “I Don’t Believe You” e “Glitter in the Air”

Considerações: que Pink se consagrou como uma das poucas veteranas de sua geração a ainda dominar os charts em tempos atuais, isso ninguém questiona. Entretanto, foi somente após o lançamento de seu 5º material de estúdio que a cantora chamou de vez a atenção daqueles que ignoravam seu talento nato para construir as obras de arte que compõem seu catálogo. Dona de uma voz única que lhe confere a dramaticidade necessária para dar vida a seus hits atemporais, em “Funhouse” a cantora nos convida para uma montanha-russa de altos e baixos que resume muito bem a vida de qualquer pessoa emotiva. Seja pela loucura contagiante de “So What” ou pelo tom mais obscuro de “Ave Mary A”“Sober”, este é o álbum perfeito para quem sabe apreciar um trabalho de qualidade que clama para ser ouvido em volume máximo

Paradas musicais: o álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 180.000 cópias na primeira semana

3) THE FAME – LADY GAGA

Gravadora: Interscope Records

Lançamento: 19 de agosto de 2008

Singles: “Just Dance”, “Poker Face”, “Eh, Eh (Nothing Else I Can Say)”, “LoveGame” e “Paparazzi”

Considerações: é até estranho quando paramos para pensar e percebemos que Lady Gaga, aquela de “Poker Face”, se lançou no mercado musical há exatos 10 anos. Apenas uma novata buscando por seu espaço na música, foi com trabalho árduo que Stefani Germanotta conquistou a todos com seus hits prontos que ajudaram a disseminar o eletropop e synthpop ao redor do mundo. Alavancando a carreira de produtores como RedOne (que nos anos seguintes se tornou um dos profissionais mais requisitados entre os famosos), a moça logo se estabeleceu como uma das mulheres mais poderosas do meio artístico graças ao autogerenciamento de sua multifacetada carreira. E isso tudo apenas teve início graças àquele que é considerado, por muitos, o seu álbum mais revolucionário. O sucesso foi tanto que, em 2019, “The Fame” ganhou um relançamento contendo 8 novas músicas – incluindo os hinos “Bad Romance” e “Telephone”

Paradas musicais: o álbum estreou em #17 na “Billboard 200” com vendas de 24.000 cópias na primeira semana (mas, posteriormente, atingiu o #2, vendendo 169.000 cópias, em 2010)

2) CIRCUS – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 28 de novembro de 2008

Singles: “Womanizer”, “Circus”, “If U Seek Amy” e “Radar”

Considerações: estamos em 2018 e não restam quaisquer dúvidas de que Britney Spears é a maior exemplo de superação da cultura popular. Após ser perseguida, humilhada e ter sua vida exposta da maneira mais invasiva possível, a “Princesa do Pop” fez o impossível quando contornou as controvérsias que acompanharam a era “Blackout” e chegou em 2008 com o revigorante “Circus”. Dando continuidade à sonoridade dançante que se fez presente em seu trabalho anterior, dessa vez a loira não poupou esforços e caprichou bastante na mensagem que quis passar em cada faixa do novo material. Mandando indiretas para a mídia sensacionalista nas provocantes “Kill the Lights” e “If U Seek Amy”, Britney ainda teve tempo de homenagear os filhos na canção de ninar “My Baby” e brincar com o desconhecido em “Blur” e “Amnesia”. E tudo isso enquanto via o público acolhê-la, novamente, como a “Srta. Sonho Americano” que sempre foi desde os seus 17 anos

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 505.000 cópias na primeira semana

1) I AM…SASHA FIERCE – BEYONCÉ

Gravadora: Columbia Records

Lançamento: 12 de novembro de 2008

Singles: “If I Were a Boy”, “Single Ladies (Put a Ring on It)”, “Diva”, “Halo”, “Ego”, “Sweet Dreams”, “Broken-Hearted Girl”, “Video Phone” e “Why Don’t You Love Me”

Considerações: Beyoncé é outro grande nome que dispensa apresentações – até porque, convenhamos, não é obra do acaso a moça levar para casa nossa medalha de ouro. Acostumada a se reinventar a cada nova era que encabeça, foi com “I Am…Sasha Fierce” que o universo pop se curvou de vez àquela que é considerada a artista mais completa dos últimos tempos – e não, não estamos a superestimando. Dona de uma voz poderosa que causa inveja a qualquer aspirante de diva pop, a esposa de Jay-Z trouxe em seu 3º disco toda a desenvoltura pela qual é conhecida acompanhada de um dos conceitos mais extraordinários já experimentados nesta indústria. Introduzidos a um disco duplo, em “I Am…” encontramos baladas midtempo de R&B, folk e rock alternativo que representam o lado mais vulnerável de Beyoncé; ao passo que “Sasha Fierce”, o segundo disco, investe em batidas uptempo de eletropop que possuem a intenção de dar voz ao alter-ego que a musicista assume quando está em cima dos palcos. Mais afinada do que nunca, Queen B lançou inúmeras edições do “I Am…Sasha Fierce”, todas com capas e tracklists diferentes

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 482.000 cópias na primeira semana

BÔNUS) FEARLESS – TAYLOR SWIFT

Gravadora: Big Machine Records

Lançamento: 11 de novembro de 2008

Singles: “Love Story”, “White Horse”, “You Belong with Me”, “Fifteen” e “Fearless”

Considerações: muito antes de Taylor Swift comandar os charts da Billboard com seus hits pop, houve uma época em que a cantora trilhava um caminho de bastante sucesso na música country. Compondo álbuns e singles dedicados a seus antigos desafetos amorosos, foi com seu jeitinho suave de menina inocente que a moça levou não um, mas dois gramofones na edição de 2010 do Grammy: um por “Melhor Álbum Country” e outro por “Álbum do Ano”. Movido pelo sucesso esmagador de singles como “You Belong with Me”“Love Story”, “Fearless” também foi sucesso de crítica e atingiu, no Metacritic, impressionantes 73/100 (nota que, aliás, nem é a sua mais alta, já que o “Speak Now” e o “Red” se encontram empatados com 77/100). Quem diria que hoje ela se tornaria uma das popstars mais rentáveis, não é mesmo?

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 592.000 cópias na primeira semana


E aí, gostou da nossa lista? Algum grande trabalho lançado há uma década ficou de fora da nossa seleção especial? Não deixe de nos contar no espaço para comentários a seguir quais são os seus 10 melhores álbuns de 10 anos atrás.

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Beyoncé abraça suas origens e fala sobre racismo, traição e perdão em “Lemonade”, seu novo álbum visual

Existe uma razão para todo lançamento musical da Beyoncé causar o maior estardalhaço entre o público e fazer o planeta Terra parar de girar: e é claro que desta vez não seria diferente com “Lemonade”, o sexto disco de estúdio da cantora norte-americana. Após colocar o dedo na ferida com sua mais recente música de trabalho, a ex-Destiny Child finalmente botou a boca no trombone e não teve pena de soltar os cachorros até mesmo para cima de Jay-Z, a maior influência por trás do recente projeto.

Falando sobre o novo álbum visual da veterana (o segundo de sua carreira) e algumas de suas principais influências, na resenha de hoje faremos uma complexa mistura de música com empoderamento feminino, causas sociais e outros temas que não poderiam faltar em um post sobre a musicista mais multifacetada de todos os tempos. Se interessou? Então segure-se firme, aperte os cintos e venha com a gente:

Precedentes com “Formation” e “Super Bowl”:

Durante o vídeo de “Formation”, a cantora exibe todo o legado deixado pela cultura afro ao longo das décadas

Seguindo o seu já conhecido padrão de lançar material inédito sem qualquer aviso prévio – o qual foi experimentado pela primeira vez há pouco mais de dois anos, quando o álbum “Beyoncé” veio à tona, de surpresa, em dezembro de 2013 –, Queen B decidiu mais uma vez levar o público à loucura ao liberar na internet o lead-single “Formation” em fevereiro deste ano. Porém, foi somente um dia depois, com a sua enérgica apresentação no show do intervalo da 50ª edição do “Super Bowl” (a atração de maior audiência da televisão estadunidense), que o mundo passaria a ver Beyoncé de uma maneira muito, mas muito diferente.

Batendo de frente com a dura hipocrisia política que toma conta dos estados mais conservadores dos EUA, Bey não poupou esforços ao enaltecer toda a grandiosidade de sua descendência afro-americana e, durante toda a performance, ousou ao escancarar a verdade que se esconde por atrás do racismo, da agressão policial e de toda forma de opressão redirecionada contra os negros marginalizados de seu país (teve até referência aos “Panteras Negras” – movimento da década de 60 que lutou arduamente pela igualdade racial).

Ganhando as manchetes de toda a mídia internacional por sua coragem e determinação, é claro que a canção não demoraria para incomodar “a moral e os bons costumes” daqueles que se sentiram ofendidos e, mais cedo ou mais tarde, acabou impulsionando inúmeras ameaças de boicote ao trabalho da musicista (muitas oriundas da própria polícia norte-americana). Bom, não que isso fosse atrapalhar o que estava por vir…

Lançamento e sucesso instantâneo:

Quer saber mais sobre as referências que se escondem atrás de “Formation”? Então não deixe de conferir esta matéria publicada pelo site Don’t Skip

Liberado com exclusividade no Tidal neste último sábado, 23 de abril, “Lemonade” é comandado por “Formation”, o carro-chefe que ganhou vida no começo do ano e que já havia sido responsável por nos dar uma prévia do que estava por vir. Lançado sob os selos da “Columbia Records” e da “Parkwood Entertainment” (a companhia de propriedade da própria Beyoncé), o material foi anunciado pela primeira vez como um especial de televisão que seria transmitido com exclusividade pela HBO na mesma data (e, mais tarde, seria confirmado assim, sem mais nem menos, como o sexto álbum da cantora).

Apesar de seguir, em sua maioria, a influência da black music que dominou o disco homônimo de 2013, este novo não se resume exclusivamente nas batidas do hip-hop combinadas com o rap-sing de “***Flawless” ou “Feeling Myself” e vai muito mais além ao nos provar que os conhecimentos musicais da cantora ultrapassam os limites de qualquer barreira cultural. Flertando com o country  de “Daddy Lessons” ou o gospel de “Pray You Catch Me” e “Sandcastles”“Lemonade” culmina em uma gama de sonoridades que inclui até mesmo o psychedelic rock de “Freedom” ou o pop sessentista de “Hold Up” (conheça todos os samples utilizados aqui).

Montando um time gigantesco e invejável de profissionais de toda a indústria musical, Diplo, James Blake e Mike Will Made It são apenas alguns dos muitos produtores convidados para trabalhar no projeto e que contribuíram para fazer do trabalho o que ele se tornou. Compondo e produzindo cada uma das 12 novas músicas, Beyoncé também é creditada ao lado de Melina Matsoukas (“We Found Love”, Rihanna), Jonas Åkerlund (“Ray Of Light”, Madonna) e diversos outros como uma das diretoras do material visual que foi transmitido pela poderosa emissora de TV a cabo. Com pouco mais de uma hora de duração, o especial reúne não apenas os clipes desta nova era como também diversas cenas que retratam mulheres do povo que já sofreram alguma perda em decorrência da violência racial (como as mães que tiveram seus filhos assassinados e ganharam destaque na gravação). Anunciado como “um projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres”, “Lemonade” ainda enfoca muito da intimidade de Queen B e é recheado de tocantes momentos que capturam o dia a dia do seio familiar dos Carter.

O clipe oficial para o single “Formation”

Saindo do Tidal e ganhando outras plataformas digitais na manhã desta segunda-feira (25/04), o disco já se encontra disponível no iTunes e, em questão de poucas horas, atingiu o #1 em mais de 90 países, incluindo EUA, Brasil e Reino Unido. A edição física só deverá ganhar as prateleiras no dia 6 de maio.

O conceito por trás da limonada:

Prestes a ser estreada, a “The Formation World Tour” deverá percorrer EUA e Europa entre abril a julho deste ano (saiba mais aqui)

Mas, a essa altura do campeonato, muitos de vocês devem estar se questionando o porquê de o novo álbum da musicista ter recebido o nome de “Lemonade” (limonada, em tradução livre). E, para compreendermos a verdadeira mensagem que Queen B quis passar através do seu sexto material inédito, necessário analisarmos dois dos principais pontos levantados até o momento pelos inúmeros meios de comunicação redirecionados à cultura popular.

O primeira deles, de profundo cunho histórico e cultural, está intimamente ligado a uma antiga crença popular na qual negros, se rendendo ao estereótipo de beleza imposto pela própria sociedade contemporânea, usariam limão em uma espécie de tratamento caseiro para clareamento de pele (leia mais). Dermatologistas afirmam que ao entrar em contato com a pele, a fruta (seja a casca ou a limonada) pode causar sérias manchas e irritações de imediato, algo bem parecido com o que nossas mães já diziam ao nos alertar para “não sair debaixo do sol após colocar as mãos em limão”. Para alguns, Beyoncé estaria não só levantando a bandeira do orgulho negro como também fazendo uma árdua crítica a este padrão absurdo criado há séculos pela humanidade que tratou de colocar o homem branco em uma posição de superioridade inexistente (vide o período colonial de todo país que já foi adepto da escravidão).

Para outros, porém, “Lemonade” não para apenas no caráter histórico como entra de cabeça por uma vertente muito mais filosófica: como nos é indicado por “Freedom”, canção lançada em parceria com outro importante ativista na luta contra o racismo: Kendrick Lamar. Na parte final da faixa, é trazido um áudio de Hattie White (avó de Jay-Z) gravado em seu aniversário de 90 anos, no qual ela declara que: [apesar de] ter tido os seus altos e baixos, sempre encontrou a força interior para se reerguer. Lhe foram entregue limões, mas ela fez uma limonada”. A passagem, além de simbolizar um tributo à White, pode ser livremente entendida como uma referência às diversas complicações que a ex-Destiny Child já teve em sua vida e carreira (inclusive ao recente boicote planejado após sua apresentação no show do intervalo do “Super Bowl”). Se a reação de alguns foi tratá-la à base de comentários tão azedos, ela seria capaz de reaproveitar a crítica negativa de alguma maneira. Porém, mesmo dando a volta por cima, ainda havia mais um assunto pendente do qual a loira precisava rasgar o verbo…

Adentrando na intimidade do casal:

Você confere todas as letras e traduções do novo disco acessando este link

Como já dissemos mais acima, a parte visual do novo álbum dá grande destaque aos momentos mais íntimos vividos por Beyoncé e sua família, então é claro que esta temática não ficaria de fora, também, da maioria das composições que integram o “Lemonade”. Contrariando os boatos de que viveria um casamento inteiramente feliz ao lado do marido, todo o novo disco fala sobre as decepções e inconstâncias passadas pelo casal, ponto este que provavelmente culmina em “Don’t Hurt Yourself” e “Sorry”. Nesta última, inclusive, é relatado pela cantora que Jay-Z nem sempre foi tão fiel assim como a maioria de nós chegou a pensar, o que é comprovado pelo trecho final “é melhor ele ligar para aquela Becky do cabelo bom”. Segundo as más línguas, o pivô da infidelidade do rapper seria ninguém menos que a estilista Rachel Roy, uma amiga íntima de Jay-Z que, tomando as dores para si, acabou se comprometendo ao publicar uma imagem suspeita em seu Instagram durante a transmissão do especial na HBO.

Detalhes à parte, não é só dos dramas do passado que a musicista sobrevive em seu novo disco e, apesar de abrir as portas para toda a instabilidade de seu casamento com um dos empresários mais bem sucedidos do planeta, deixa claro que, agora, as coisas parecem caminhar melhores. Nesse sentido estão “Love Drought” e “All Night”, faixas não menos que memoráveis que cumprem muito bem a função de equilibrar a ira de Queen B por todo o disco e deixar claro que o perdão, às vezes, é a melhor opção. Afinal: juntos, eles são mais do que capazes de “mover uma montanha, acalmar uma guerra, fazer chover e parar esta seca de amor” [trecho de “Love Drought”].

A verdadeira Beyoncé vem à tona:

Queen B em ensaio fotográfico para o “Lemonade”: uma clara referência ao período colonial norte-americano

Quem acompanha os passos de Beyoncé desde o início sabe que a cantora é expert em combinar elementos da black music e elaborar alguns dos maiores hinos pop que tivemos o prazer de ouvir desde que sua carreira solo teve início lá atrás, em um longínquo 2003. Após tantos anos, muitos foram os hits que levaram o seu nome adiante e deram-lhe o suporte necessário para lhe transformar em um dos maiores ícones da história da música internacional. Todavia, desde o disco “4” que a eterna intérprete de “Crazy In Love” vem se abstendo de elaborar um som redirecionado para as massas em geral, além, é claro, de ter procurado fazer tudo da sua maneira (em matéria de gravação e divulgação), trilhando um caminho totalmente alternativo e pouco visitado pelas demais vocalistas de sua geração. Tendo como ápice o “Beyoncé”, de 2013 (quando deu a louca na mulher e o trabalho inteiro ganhou um formato audiovisual impecável jamais visto antes), definitivamente a Queen B que um dia conhecemos decidiu tomar as rédeas de sua vida e mostrar uma faceta jamais vista antes.

Aliás, não é de hoje que a musicista é acusada de “se vender” para os estereótipos da sociedade moderna e adotar um visual que, por vezes, é tido pelas pessoas como “exclusivo” da mulher branca europeia (o cabelo liso e loiro combinado às inúmeras sessões de Photoshop realizadas pelas mais populares revistas voltadas ao público feminino). Porém, se um dia Queen B foi acusada de negar as suas origens e fazer clareamento de pele, hoje ela não tem medo de reforçar os ideais de líderes afro-americanos como Malcolm X (o qual, inclusive, possui uma importante participação durante o vídeo de “Lemonade”) – em dado momento, é compilado o seguinte trecho de um discurso cedido por ele, em 1962: “quem te ensinou a odiar a cor da sua pele? Quem te ensinou a odiar a textura do seu cabelo? Quem te ensinou a odiar a forma do seu nariz e dos seus lábios? Quem te ensinou a se odiar do início da cabeça à sola dos pés?”.

Definitivamente, existe uma razão para todo lançamento musical da Beyoncé causar o maior estardalhaço entre o público e fazer o planeta Terra parar de girar. Antes, acreditávamos que tudo isso estava relacionado a como a cantora é altamente talentosa e sempre soube como reinventar sua imagem sem perder a essência que a levou até o estrelato. Hoje, felizmente, sabemos que por trás de uma das maiores estrelas que a indústria fonográfica já viu, esconde-se uma mulher poderosa que não tem medo de arrebentar as correntes da hipocrisia e levar até o resto do mundo uma enxurrada de verdades que a humanidade tanto faz questão de esconder. Se um dia Beyoncé não precisou defender seus direitos como cidadã negra perante o público ou o governo norte-americano, hoje ela não tem mais medo de erguer a sua voz para proteger todos aqueles que continuam, diariamente, sofrendo as consequências de uma sociedade baseada nos princípios escravocratas. Porém, a dúvida que não quer calar é: até quando isso será preciso?

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