Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

Sem perder o foco, novo álbum de Gwen Stefani surpreende com vibe urbana e intimista

Há pouco mais de um mês, tivemos o prazer de escrever um pouquinho mais sobre “Make Me Like You”, o mais recente single assinado pela Gwen Stefanirelembre a nossa publicação. E, como promessa é dívida, não poderíamos deixar o mais recente lançamento da cantora passar em branco aqui no nosso blog sem a elaboração de um post exclusivo em sua comemoração. Agora, quase abril e já com o novíssimo álbum da veterana em mãos, finalmente chegou o momento de descobrir o que uma das maiores vozes dos anos 2000 teve a dizer nas composições do seu recém-lançado disco de inéditas (o qual vem sendo gravado e programado desde o ano passado).

A seguir, fizemos um compilado com tudo o que você precisa saber sobre o maravilhoso “This Is What the Truth Feels Like”. Vem com a gente:

Precedentes, lançamento e detalhes técnicos:

A cantora durante as gravações do clipe de “Make Me Like You”

Terceiro álbum de Stefani como solista e o nono de sua carreira (para quem não sabe, ela também é vocalista da banda No Doubt), “This Is What the Truth Feels Like” é o primeiro projeto solo da moça após quase 10 anos do longínquo “The Sweet Escape”, de dezembro de 2006. Introduzido pelo carro-chefe “Used to Love You”, a emocionante baladinha que foi lançada em outubro de 2015 (e conquistou, de imediato, a aprovação de todos aqueles que acompanham os passos musicais da loira), o disco é hoje promovido por “Misery”, a faixa originalmente pretendida para ser o segundo single (mas que agora atua apenas como música promocional).

Já disponível para compra desde o dia 18 de março, “…Truth Feels Like” foi lançado sob o selo da “Interscope Records”, a mesma responsável pelos outros dois trabalhos solo de Gwen. Estreando na primeira posição da “Billboard 200”, é, até a presente data, o lançamento mais bem-sucedido de Stefani nos charts estadunidenses, sendo o primeiro a atingir o topo da parada. Distribuindo 76 mil cópias na semana que foi finalizada em 24/03 (e contrastando contra as 243 mil do “The Sweet Escape”, que ficou em #3, e as 309 mil do “Love. Angel. Music. Baby.”, que ficou em #5), o atual projeto marca, infelizmente, a first week mais modesta na trajetória da musicista (apesar de não ficar nada atrás dos demais materiais protagonizados pelos outros veteranos da indústria pop).

O lyric video oficial de “Misery”

Recebendo as produções de um time gigantesco de profissionais que variam de Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem a Stargate, a própria cantora é creditada, ao lado de Justin Tranter, como uma das principais compositoras do atual projeto, tendo coescrito cada uma das 18 novas faixas (outros escritores incluem Julia Michaels, Tor Hermansen, Mikkel Eriksen e Willie Maxwell II). Classificado predominantemente como pop, “This Is That the Truth Feels Like” soa como uma moderna combinação de R&B com disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk, gêneros já revisitados milhares de outras vezes pelo extenso catálogo de Gwen (seja no No Doubt ou fora dele).

Redescobrindo-se:

Stefani em imagem oficial do ensaio fotográfico promocional do disco

Apesar de serem inúmeras as referências ao começo da carreira solo de Stefani por todo este novo disco (como a animadinha “Where Would I Be?”, uma junção de reggae-pop com AlunaGeorge que traz um break memorável à la “Hollaback Girl”), muitos são os momentos em que a cantora preferiu dar preferência por um caminho mais moderno e urbano, contrariando a expectativa de quem aguardava por um material ao estilo “Make Me Like You”. Nesse sentido estão as perigosíssimas “Red Flag”, “Asking 4 It” e “Naughty”, músicas que se orientam bastante pelos instrumentais do hip-hop e vêm para exaltar toda a paixão de Gwen pela black music.

Contudo, apesar de todo o álbum se redirecionar bastante para este som retirado diretamente das entranhas do gueto norte-americano, “…Truth Feels Like” não para por aí e nos surpreende na medida em que se desenvolve (e cresce) a cada vez que o colocamos pra tocar. Como se cada nova canção estivesse interligada à sua antecessora e sucessora, o trabalho se fortalece e parece estar enraizado a uma mesma origem musical (por mais que, no começo, soe um tanto quanto “desconexo”; então, tente se sintonizar à essa vibe antes de dar sua opinião final).

O fim de um amor… e o começo de outro:

“This Is What the Truth Feels Like”, o novo álbum de Gwen Stefani, possui 12 faixas na edição standard e outras 6 bônus que foram parar nas versões internacional, deluxe e japonesa

Partindo para uma vertente mais pessoal que, inevitavelmente, foi inspirada pelo inferno vivido pela cantora após superar o fim de um casamento de 13 anos, encontramos em “Me Without You”, “Loveable” e “Rare” grandes apostas que poderiam, facilmente, ter substituído a morna “Used to Love You” sem maiores transtornos. Falando diretamente sobre o divórcio e todo o processo de reconstrução de sua independência, Stefani capricha nas indiretas das duas primeiras canções e deixa claro que, a partir de agora, “pode amar, dizer e fazer o que bem entende”. Ah, e isso sem nos esquecermos da melodiosa “Rare”, que assim como o segundo single do álbum, vem para enterrar o passado e falar um pouco mais sobre a ótima fase vivida pela loira ao lado do também cantor Blake Shelton (desde que decidiram se “conhecer melhor” após um primeiro contato no reality show “The Voice”, os recém-namorados não se desgrudam mais).

Entretanto, como boa musicista que é e que gosta de valorizar o seu passado, não é só com este novo som que Gwen decidiu preencher sua mais recente era (e aqui vai a dica para todos aqueles que não curtem “mudanças de estilo” inesperadas).

Nem tão diferente assim:

Você confere a tracklist completa do disco acessando este link

Relembrando bastante toda a excentricidade e confusão que tanto amamos conhecer em “Love. Angel. Music. Baby.”, “Rocket Ship” e “Obsessed” têm a importante tarefa de, assim como o break de “Where Would I Be?”, resgatar a já conhecida identidade de Gwen Stefani como solista (não que esta nova sonoridade não tivesse, por si só, sido capaz de fazê-lo).

Aventurando-se por batidas insanas que nos trazem um show de cores e luzes digno do seu primeiro disco solo, a loira esbanja uma criatividade sem tamanhos em faixas que, além de cativantes, provam que nem toda edição deluxe necessariamente é recheada com canções “tapa buraco” (aquelas que só entram no CD para ocupar espaço). Aliás, muito pelo contrário: você precisa ouvir algumas pérolas como “Splash” e “War Paint”, que apesar de serem bem diferentes de tudo que já foi gravado pela cantora, continuam a exalar a forte personalidade de Stefani.

A voz da experiência:

Contando seu tempo com o No Doubt, Gwen está na indústria musical há exatos 30 anos

Em meio a tantos destaques (como a misteriosa “You’re My Favorite”, a montanha-russa de sensações “Getting Warmer” e a libertadora faixa-título “Truth”), é incrível como o terceiro álbum solo de Gwen não desaponta em uma faixa sequer. Apesar de seguir uma única direção do começo ao fim (à exceção, é claro, da super alto astral “Make Me Like You”), todo o disco soa muito maduro e sombrio, características bem condizentes com tudo o que a cantora passou após o término de seu casamento e que inspirou as novas composições. Sendo uma obra completamente dedicada ao amor, às despedidas e a um recomeço forçado, “…Truth Feels Like” é tão enigmático que ganha sempre um pouco mais da nossa atenção a cada play, revelando um milhão de facetas até então desconhecidas de uma das estrelas pop mais multifacetadas deste milênio.

Sem cair na mesmice e deixando de ser melodramático o tempo inteiro (o que convenhamos, era o maior perigo ao se optar por essa temática tão pessoal), todo o conjunto de músicas parece ter sido programado para fechar o ciclo de maneira perfeita, nadando contra a maré de recentes trabalhos que mais parecem “coletâneas de singles” a “álbuns de estúdio”. Totalmente coeso ao trabalhar nas influências que, juntas, foram capazes de fundir em um som homogêneo e harmônico, “This Is What the Truth Feels Like” extrapola o previsível e vem carregado com faixas totalmente originais recheadas com muito fôlego e carisma (duvido que você terá vontade de pular qualquer uma delas).

Quem comanda?
Quem comanda?

A produção do disco combinada ao vocal exótico da cantora casaram TÃO BEM que até nos esquecemos que este novo material levou tanto tempo para ver a luz do dia (só esperamos que o próximo não demore tanto assim, não é?!). Trabalhando com refrãos intensos e dando uma leve pincelada em tudo que tem tocado no mercado mainstream, o terceiro álbum de Gwen Stefani é, certamente, não apenas um dos melhores lançamentos do ano, mas também um verdadeiro encontro de alta qualidade com a experiência que só um nome como o de Gwen é capaz de nos propiciar. Vida longa à rainha!!!


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A “antiga” Gwen Stefani está de volta! Vem conhecer “Make Me Like You”, a nova música da cantora

Quem conhece Gwen Stefani e já parou para escutar os maiores sucessos da cantora, sabe que o forte da norte-americana é a música pop carregada com os mais diversificados elementos da dance music, do R&B e do synthpop. Logo, é natural que grande parte das pessoas tenha estranhado o anúncio da emotiva “Used to Love You”, em outubro do ano passado, como o carro-chefe do novo álbum solo da vocalista do No Doubt. Falando sobre o recente divórcio que passou com o ex-marido, Gavin Rossdale, Stefani não teve papas na língua ao abrir seu coração e afirmar, categoricamente, que o fim da união de 13 anos a deixou completamente devastada.

Agora, depois de desabafar da melhor maneira possível sobre o assunto, Gwen sabe que é chegado o momento de virar esta página para tocar sua vida e carreira adiante. Mais feliz do que nunca ao lado de Blake Shelton, seu atual affair, a loira já pensa no futuro de seu próximo disco e liberou, no último dia 12, a faixa escolhida para preencher a vaga de 2º single oficial do material: a inédita “Make Me Like You”. É verdade que “This Is What the Truth Feels Like”, o novo álbum, está programado para ser liberado somente no mês que vem, mas, não podemos deixar a atual música de trabalho da moça passar em branco por aqui, no Caí da Mudança – e é por isso que resolvemos antecipar a resenha sobre o disco falando um pouquinho sobre o novo single na publicação de hoje.

Se em “Used to Love You” Stefani esteve se sentindo incompreendida e confusa com o término de seu relacionamento com o líder da banda Bush, em “Make Me Like You” ela conta um pouquinho mais sobre o início do namoro com Blake Shelton. Depois de divorciarem de seus ex-cônjuges e passarem grande parte do ano passado desmentindo um possível envolvimento amoroso, agora o casal do momento não tem medo berrar aos quatro ventos que as coisas têm ido muito bem ou de fazer grandes demonstrações públicas de carinho – e “Make Me Like You” é apenas mais uma destas comprovações. Para quem não sabe, ambos os artistas se conheceram melhor através do reality show “The Voice”, onde a cantora ocupou a cadeira originalmente destinada à Christina Aguilera e teve a oportunidade de ser apresentada ao atual príncipe encantado/mentor do programa.

A capa oficial do single “Make Me Like You”

Com uma letra altamente sugestiva que não poderia ter sido composta para nenhuma outra pessoa (confira), a faixa foi escrita pela própria Gwen ao lado de Justin Tranter, Julia Michaels (os mesmos caras de “Sorry”, do Justin Bieber, e “Good for You”, da Selena Gomez), Mattias Larsson e Robin Fredriksson (que já trabalharam com Taylor Swift). Produzida por Mattman & Robin (o duo formado por Larsson e Fredriksson), “Make Me Like You” soa predominantemente pop, apesar de, inegavelmente, deixar claro uma influência gigantesca da disco music (aquela mesma popularizada pela Donna Summer nas décadas de 70 e 80). Falando sobre a insegurança de se envolver em um novo relacionamento após passar tanto tempo ao lado de uma única pessoa, Gwen acerta na honestidade e ao encaixar seu novo single logo atrás de “Used to Love You”, fazendo um contraste bacana à la yin-yang.

Com um instrumental viciante que roubará a sua atenção em questão de segundos, “Make Me Like You” segue pelo caminho que foi aberto pela tumultuada “Spark the Fire” (2014) e nos faz lembrar do início da carreira solo de Stefani. Remetendo-nos a grandes hits como “Rich Girl”, “Hollaback Girl” e “Cool”, a vibe da nova canção harmoniza o vocal da cantora e nos entrega um dos trabalhos mais coesos de sua discografia com o melhor do começo dos anos 2000 aliado à preciosa modernidade de 2016. Se em “Spark the Fire” a loira preferiu seguir a “bagunça organizada” de algumas faixas do “Love. Angel. Music. Baby.” (seu debut album) como “Crash” e “Serious”, em “Make Me Like You” ela resolve tomar as rédeas desta desordem e mostrar que também gosta de levar as coisas mais a sério (isso sem soar nenhum pouco presunçosa).

Outro detalhe interessante acerca do novo single da cantora está no clipe liberado para a música, o qual foi gravado inteiramente ao vivo durante um intervalo do último “Grammy Awards” (evento transmitido na semana passada) – e que você pode assistir no player a seguir. Passando por cenários inspirados na década de 60 e com um cabelo bem Marilyn Monroe, o vídeo dirigido por Sophie Muller é bem colorido e cheio de detalhes que exalam a paixão de Stefani pela moda e pelo bizarro, conceitos que sempre estiveram presentes por toda sua videografia. Com direito a um bar super bonitinho que recebeu o nome de seu atual namorado e com a capa de uma revista que critica todo o sensacionalismo dos tabloides baratos, Gwen não poupou criatividade e fez questão de entregar aos seus fãs um dos trabalhos mais divertidos da última década.

Não deixe de conferir, ainda, esta apresentação realizada no “Jimmy Kimmel Live!”

Por mais que “Used to Love You” não fique muito atrás no quesito qualidade, não é nada estranho que a música tenha tido um desempenho morno nas paradas de sucesso (#52 nos EUA, #157 no Reino Unido), afinal: poucos são os artistas que decidem liberar uma balada como carro-chefe de um projeto futuro. Todavia, por mais que “Make Me Like You” seja a escolha perfeita de faixa para marcar o retorno de um grande nome como o de Gwen, é corajoso da parte da loira ter deixado essa cobrança da mídia de lado para liberar algo que realmente definisse o seu atual estado de espírito naquele momento (ela, literalmente, ligou o “f*da-se” para os charts de sucesso e seguiu seu coração).

Altamente comercial e com uma pegada autêntica que é característica de todos os projetos assinados pela musicista, “Make Me Like You” tem tudo para se tornar um dos maiores sucessos da carreira de Gwen, que não vê um top 10 da “Billboard Hot 100” desde “The Sweet Escape” (2006), do álbum de mesmo nome. Apostando em uma sonoridade super convidativa que não te deixará parado por muito tempo, o single funciona bem e deve ser apenas uma prévia das maravilhas que poderemos ouvir no novo disco de cantora, a ser liberado já no mês que vem. Se em 2015 conhecemos um lado mais intimista e frágil da inesquecível Gwen Stefani, 2016 finalmente chegou para nos apresentar o renascimento de uma das maiores estrelas da música pop a qual tivemos o prazer de amar (e idolatrar) por grande parte da nossa infância e adolescência.

“This Is What the Truth Feels Like”, o 3º álbum solo (e 9º da carreira) de Gwen Stefani, deve ser lançado no dia 18 de março de 2016 pela “Interscope Records”.