Os 10 melhores álbuns pop de 10 anos atrás (parte 2)

Faz pouco mais de um ano que compartilhei por aqui a primeira parte de um especial que foi pioneiro para as nossas já frequentes playlists que trazem a vocês os melhores trabalhos da música pop internacional (relembre aqui). Hoje, dando sequência aos “10 melhores álbuns pop de 10 anos atrás”, mas desta vez lançados sob o ano de 2005 (o título desta matéria não é uma mera coincidência), a publicação da vez tem como objetivo levar todos nós a um caminho de volta ao passado e à nostalgia, para uma época onde a música, definitivamente, era muito diferente.

Muitos dos títulos a seguir listados já ingressaram diversos de nossos outros especiais – como o “72 Discos” –, mas nem por isso deixarei de mencionar honrosos projetos que merecem um pouquinho da sua atenção e do nosso respeito por toda sua marca na história. A seguir, vamos descobrir quais são estes álbuns e o porquê de juntos formarem os 10 melhores álbuns pop de 10 anos atrás:


PCD – THE PUSSYCAT DOLLS

Gravadora: “Interscope Geffen A&M Records”;

Lançamento: 13/09/2005;

Singles: “Don’t Cha”, “Stickwitu”, “Beep”, “Buttons”, “I Don’t Need a Man” e “Wait a Minute”;

Considerações: Foi com grande estilo que a segunda maior girlband do planeta (atrás apenas das inesquecíveis Spice Girls, é claro) fez a sua estreia no mundo da música com o multiplatinado “PCD”: disco responsável por trazer alguns dos maiores hinos que tivemos o prazer de conhecer há exatamente uma década. Seja pela pegada bem R&B do carro-chefe “Don’t Cha”, o soul romântico de “Stickwitu” ou o supererotismo de “Buttons”, as garotas do Pussycat Dolls podem não estar mais juntas hoje em dia, mas o que fizeram em um passado pouco distante com certeza marcou todos os adoradores da música pop internacional. Contudo, nem de rosas é formada a história do grupo feminino: foi em meio a diversos boatos sobre desentendimentos que a líder Nicole Scherzinger concedeu uma das declarações mais polêmicas de sua brilhante trajetória. Afirmando categoricamente que “gravou 95% dos vocais” presentes no primeiro trabalho da banda (inclusive os vocais de apoio), a morena acabou por se revelar o grande nome por detrás da banda e não demorou muito para sair em carreira solo. Não é à toa que a voz de Scherzinger se sobressaiu por todo o disco, não é mesmo?

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 99 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Buttons”.


REBIRTH – JENNIFER LOPEZ

Gravadora: “Epic Records”;

Lançamento: 23/02/2005;

Singles: “Get Right” e “Hold You Down”;

Considerações: Não foi em vão que Jennifer Lopez decidiu batizar o seu 4º disco de inéditas com o nome “Rebirth”! Deixando para trás o fim do noivado com Ben Affleck e toda a superexposição gerada na mídia, Lopez percebeu que era o momento de retornar para os estúdios de gravação e liberou o novo material três anos após o bem sucedido “This Is Me… Then” (o qual ironicamente havia sido lançado e dedicado ao ex-noivo). Impulsionado pelo lead single “Get Right”, a música não demorou muito para se tornar um dos maiores hits da cantora e hoje se mostra um de seus trabalhos mais populares ao lado das clássicas “Jenny from the Block”, “Love Don’t Cost a Thing” e “If You Had My Love”. Combinando a música dance com o hip-hop dominante dos anos 2000 e o seu já conhecido R&B do início da carreira, JLo não hesitou ao caprichar nas indiretas e imortalizar toda sua angústia em hinos desperdiçados como “He’ll Be Back”, “(Can’t Believe) This Is Me” e “Ryde or Die”. “Encare a verdade, faça isso por você. Você vai sentir falta dele, mas os dias vão passar. Tente o seu melhor para não chorar e mantenha-se viva” – quem disse que músicas sobre coração partido são exclusividade da Adele?

Paradas musicais: O álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas superiores a 260 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Get Right”.


THE EMANCIPATION OF MIMI – MARIAH CAREY

Gravadora: “The Island Def Jam Music Group”;

Lançamento: 12/04/2005;

Singles: “It’s Like That”, “We Belong Together”, “Shake It Off”, “Get Your Number”, “Don’t Forget About Us” [presente na edição platinum], “Fly Like a Bird” [promocional] e “Say Somethin’”;

Considerações: Depois de passar por poucas e boas, ver sua vida particular de pernas para o ar e lidar com o fraco desempenho de seus dois últimos discos, a diva suprema dos anos 90 resolveu dar um tapa na poeira e deixou a tristeza de lado com “The Emancipation of Mimi”, seu 10º álbum de inéditas. Convidando alguns dos mais requisitados produtores e cantores da black music (como Jermaine Dupri, Pharrell Williams, Nelly, Snoop Dogg e Twista), Carey não poupou esforços de elaborar o projeto que marcaria um renascimento não apenas de sua vida como cantora, mas também como figura pública. Liderada pela quente “It’s Like That”, o 10º álbum de Mariah foi ganhando força no decorrer dos meses até culminar em “We Belong Together”: a 2ª música de maior êxito da cantora na “Billboard Hot 100” (a qual chegou a passar 14 semanas não consecutivas em #1). “The Emancipation Of Mimi” foi relançado na chamada “Ultra Platinum Edition”, a versão que continha 5 novas músicas e o 5º single da bem sucedida era: a baladinha “Don’t Forget About Us”.

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 404 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “We Belong Together”.


B IN THE MIX: THE REMIXES – BRITNEY SPEARS

Gravadora: “Jive Records” e “Zomba Group of Companies”;

Lançamento: 22/11/2005;

Singles: “And Then We Kiss” [promocional apenas na Austrália e Nova Zelândia];

Considerações: Britney já continha em seu catálogo quatro grandes álbuns quando resolveu pegar alguns de seus maiores sucessos e reuni-los em uma coletânea de remixes a qual nomeou “B in the Mix: The Remixes”, lançada durante o outono norte-americano de 2005. Impulsionada pela recente “Someday (I Will Understand)” (liberada meses antes daquele mesmo ano) e a inédita “And Then We Kiss”, ambas compostas pela “Princesinha do Pop”, o disco conta com 11 canções remixadas que levam ao ouvinte o melhor das pistas de dança ao longo de ótimos 54 minutos. Trazendo 3 outras faixas que ficaram de fora da edição padrão mas que entraram para a versão japonesa do material (“Stronger”, “I’m Not a Girl, Not Yet a Woman” e outro remix de “Someday”), apesar de ter sido recebido de maneira morna pela crítica, o álbum se saiu bem nas vendas e é estimado que tenha ultrapassado 1 milhão de cópias por todo o mundo, 119 mil apenas em território estadunidense (dados de 2011). Uma continuação do “B in the Mix” bem menos cativante incluindo versões repaginadas dos singles extraídos dos álbuns “Blackout”, “Circus”, “The Singles Collection” e “Femme Fatale” foi lançada em 2011 com favoráveis vendas pelos EUA (9 mil apenas na primeira semana).

Paradas musicais: O álbum estreou em #4 na “Billboard Dance/Electronic Albums” com vendas de 14 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe fan made de “And Then We Kiss (Junkie XL Remix)”.


CONFESSIONS ON A DANCE FLOOR – MADONNA

Gravadora: “Warner Bros. Records”;

Lançamento: 11/11/2005;

Singles: “Hung Up”, “Sorry”, “Get Together” e “Jump”;

Considerações: 2005 foi mesmo um ano de grandes retornos para as veteranas da música pop! “Confessions on a Dance Floor”, o 10º álbum de inéditas da “Rainha do Pop”, foi o título recebido pelo trabalho que nos trouxe as impecáveis “Sorry” e “Hung Up” (essa última recebendo samples de “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)”, o hino atemporal do ABBA). Estruturado como a setlist de um DJ (as faixas foram encaixadas e seguem em uma única sequência, como se tudo fosse uma música só), a maior influência de Madonna para o álbum foi a sonoridade dos anos 70 e 80 (Donna Summer, Pet Shop Boys, Bee Gees e Depeche Mode), incluindo, para isso, suas produções ultramodernas. Muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da música contemporânea, “Confessions” rendeu à Madonna uma vitória no “Grammy” de 2007 na categoria “Melhor Álbum Dance/Eletrônico”. Produzido pela própria Madonna ao lado do sempre fiel Mirwais Ahmadzaï (com quem já havia trabalhado em “Music” e “American Life”) e Bloodshy and Avant (“Piece of Me” e “Toxic”, da Britney Spears), o disco traz ainda um dos maiores nomes que música eletrônica já viu em sua longa história: o prestigiado Stuart Price. Relembre o nosso post exclusivo comemorando os 10 anos do “Confessions on a Dance Floor”.

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 350 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Sorry”.


NUESTRO AMOR – RBD

Gravadora: “EMI Music”;

Lançamento: 22/09/2005;

Singles: “Nuestro Amor”, “Aún Hay Algo”, “Tras de Mí” e “Este Corazón”;

Considerações: Com uma pegada pop-rock característica do próprio grupo, os integrantes do RBD devem se sentir satisfeitos com todas as glórias alcançadas com o lançamento do seu 2º disco de inéditas (trabalho classificado platina em diversos países do mundo). Seja pelos vocais poderosos de Anahí na faixa-título ou pela consistência trazida por Maite Perroni em músicas como “Qué Hay Detrás” e “Fuera”, a extinta banda ultrapassou todos os limites do inimaginável quando se dispôs a gravar o “Nuestro Amor” – e consequentemente deixou lá atrás o pop morno de seu álbum debut (“Rebelde”). Destaque para “Me Voy”, faixa que o grupo regravou como um cover para “Gone” (da Kelly Clarkson), e “Feliz Cumpleaños”, originalmente “Happy Worst Day” (da sueca Mikeyla). Formado pelo sexteto Anahí, Dulce Maria, Maite Perroni, Alfonso Herrera, Christopher von Uckermann e Christian Chávez, não é uma obra do destino ter sido o RBD uma das maiores fontes de inspiração para os milhares de adolescentes latino-americanos que acompanharam a novela estrelada pelos músicos e passaram pela conturbada fase da adolescência.

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Mexican Albums Chart” com vendas superiores a 160 mil cópias em apenas 7 horas.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Nuestro Amor”.


LIFE – RICKY MARTIN

Gravadora: “Columbia Records”;

Lançamento: 10/10/2005;

Singles: “I Don’t Care”, “Drop It on Me” e “It’s Alright”;

Considerações: Anos antes de nos conquistar com “Música + Alma + Sexo” (2011), o 1º disco do cantor lançado após sua saída do armário, Ricky Martin já fazia bonito dentro dos estúdios de gravação quando nos ofertou “Life”, o 8º álbum de sua discografia. Famoso por sua beleza estonteante e por uma sensualidade fora do comum, o material foi o grande responsável por restabelecer o porto-riquenho como um forte símbolo sexual e por colocá-lo em um caminho mais urbano, influenciado pelos elementos do hip-hop e do R&B. Sem negar suas origens latinas e fazendo um mix entre os idiomas inglês e espanhol, Martin não deixou sua fã-base caliente de lado e tratou de incluir na tracklist do disco as faixas “Qué Más Da” e “Déjate Llevar” (versões de “I Don’t Care” e “It’s Alright”, respectivamente, gravadas em sua língua materna). Cheio de gás e em uma de suas melhores fases, Ricky e seu apaixonante álbum ainda nos impressiona em pleno 2015 com algumas das músicas mais viciantes de seu distinto catálogo, tais como “I Am”, “Life” e “This Is Good”.

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 na “Billboard 200” com vendas de 73 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “I Don’t Care”.


JAGGED LITTLE PILL ACOUSTIC – ALANIS MORISSETTE

Gravadora: “Maverick Records” e “Warner Bros Records”;

Lançamento: 13/06/2005;

Singles: “Hand in My Pocket” [apenas nos EUA];

Considerações: Depois de ganhar o mundo com o sucesso esmagador de “Jagged Little Pill”, o seu 3º álbum de inéditas liberado como o 1º da carreira internacional, Alanis Morissette percebeu que não poderia cometer o erro de deixar passar em branco o aniversário de 10 anos de sua clássica obra prima. Assim nasceu “Jagged Little Pill Acoustic”, o disco liberado exatamente uma década após o lançamento do álbum principal e que reunia todas as faixas anteriormente gravadas em 1995. Recebendo uma roupagem mais crua que enaltecia todo o poder vocal de Morissette, a releitura do trabalho foi divulgada com a liberação de “Hand in My Pocket” apenas em território estadunidense, onde o álbum estreou na posição #50 na parada dos 200 álbuns mais populares da semana. A capa de “Jagged Little Pill Acoustic”, que é nitidamente similar à arte utilizada pelo disco original, foi propositalmente escolhida para homenagear o trabalho que fez de Alanis uma das cantoras mais adoradas de todos os tempos.

Paradas musicais: O álbum estreou em #50 na “Billboard 200” com vendas atualmente desconhecidas.

Ouça: e assista a esta apresentação acústica de “You Oughta Know”.


A LITTLE MORE PERSONAL (RAW) – LINDSAY LOHAN

Gravadora: “Casablanca Records” e “Rise Records”;

Lançamento: 05/12/2005;

Singles: “Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father)”;

Considerações: Cansada da imagem de “boa moça” que conquistou ao estrelar diversos filmes para o império de Walt Disney, a nossa bad girl favorita acabou por precisar de uma válvula de escape para provar às pessoas que não era mais uma criança. Este sem sombra de dúvidas foi um dos maiores objetivos tentados por “A Little More Personal (Raw)”, o 2º disco gravado por Lindsay Lohan em sua trajetória musical. Afastando-se da sonoridade que costumava fazer no começo da carreira, o novo material fala por si do começo ao fim! Pegando emprestado algumas batidas do rock e combinando-as com um pop mais agressivo, a rouca voz da cantora casou bem com os instrumentais trabalhados no projeto combinados as tristes e realistas composições que escreveu ao lado de Kara Dioguardi e Greg Wells. De fato, Lohan jamais se mostrou uma vocalista bem preparada em suas raras apresentações ao vivo, mas, em um mundo de cantoras que usam e abusam de autotune/playback para sobreviver à demanda da atualidade, LiLo é um nome que faz muita falta na indústria musical.

Paradas musicais: O álbum estreou em #20 na “Billboard 200” com vendas de 82 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father)”.


I AM ME – ASHLEE SIMPSON

Gravadora: “Geffen Records”;

Lançamento: 18/10/2005;

Singles: “Boyfriend” e “L.O.V.E.”;

Considerações: Ashlee Simpson ainda respirava um ar meio pesado quando resolveu deixar os erros do passado para trás e dar continuidade à sua carreira tão promissora. Liberando seu 2º álbum de estúdio pouco mais de um ano após o bem sucedido “Autobiography”, o carro-chefe “Boyfriend” chegou com tudo mandando indiretas para uma ex-melhor amiga e logo de cara pegou uma surpreendente #20 colocação na “Billboard Hot 100”. Platinando seus cabelos e já começando com uma louca fuga policial que leva a um show particular em um galpão secreto e abandonado (o nostálgico enredo do videoclipe), o lead single é apenas uma das várias faixas que acentuam os fortes vocais da cantora gravados para seu disco mais pessoal e sombrio até a presente data. Caprichando nas composições de todas as canções gravadas para o álbum (as quais foram coescritas por Kara Dioguardi e John Shanks), Ashlee brinca em “I Am Me” de ser uma corajosa aspirante do rock que não poupa esforços em entregar ao seu ouvinte alguns ótimos instrumentais movidos à muita guitarra, violão, piano e sintetizadores de primeira qualidade.

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 220 mil cópias na primeira semana.

Ouça: e assista ao videoclipe de “Boyfriend”.


Você já conhecia alguns destes trabalhos? Quais os seus discos favoritos de 2005 mas que não entraram para a nossa nostálgica lista? Deixe as suas dicas mais abaixo.

A inlapidada carreira musical de Lindsay Lohan

Não é injustificadamente que Lindsay Lohan seja uma das celebridades mais populares de todo o show business e uma das figuras mais perseguidas pelos paparazzi que perambulam por cada lugar frequentado pela elite hollywoodiana. Consolidando uma carreira de sucesso nos cinemas, a filha mais velha de Dina e Michael Lohan fez sua estreia lá atrás, em 1998, no longa “Operação Cupido”, e desde então não parou de surpreender o seu público com cada projeto que se envolveu (e cada balada que marcou presença). Aparecendo também em diversos outros filmes de grande bilheteria – “Sexta-feira Muito Louca” (2003), “Meninas Malvadas” (2004) e “Herbie: Meu Fusca Turbinado” (2005) –, Lindsay revezou seu precioso tempo no decorrer de todos esses anos entre tentar ser uma atriz de prestígio e aproveitar o máximo de sua juventude.

Polêmicas de lado, o que muitos não sabem, porém, é que a atriz de 29 anos chegou a se aventurar, por um breve espaço de tempo, em uma curta (mas consistente) carreira musical. Gravando dois álbuns de inéditas e liberando cinco singles entre os anos de 2004 e 2008, Lindsay teve a grande oportunidade de compartilhar com os fãs um pouco do seu talento vocal graças aos contratos que assinou com a “Hollywood Records”, selo associado ao grande império do Mickey Mouse, e a “Casablanca Records”, a sua gravadora principal. Emprestando sua voz para a trilha sonora de diversos filmes (tais como “O Diário da Princesa 2: Casamento Real”, na música “I Decide”), o seu papel como Lola em “Confissões de uma Adolescente em Crise” lhe rendeu surpreendentes quatro músicas na soundtrack oficial do clássico filme da “Disney”. Estes foram os primeiros passos dados pela ruiva até os estúdios de gravação…

Liberando seu primeiro álbum de inéditas do ano de 2004, “Speak” foi o trabalho responsável por introduzir Lindsay na movimentada indústria fonográfica e apresentá-la ao público como uma cantora de verdade. Rendendo três singles oficiais que tiveram um desempenho moderado nos mais disputados charts de todo o planeta, as canções “Rumors”, “Over” e “First” atingiram significativas posições em países como a Austrália e a Alemanha, onde figuraram dentro do top 100 das músicas mais tocadas há mais de uma década. Nomeado ao “VMA” do ano de 2005 na categoria “Melhor Vídeo Pop”, o carro-chefe “Rumors” foi a primeira indicação da cantora a um evento musical de renome (e, por mais que tenha perdido para “Since U Been Gone”, da Kelly Clarkson, é um feito que exibe todo o prestígio recebido por Lohan há distantes 10 anos).

Cancelando uma turnê asiática que promoveria o trabalho iniciante, Lindsay não demorou muito para dar à sua marcante estreia no cenário musical uma segunda parte. Quase um ano depois de lançar “Speak”, foi a vez de “A Little More Personal (Raw)” trazer de volta o já conhecido trabalho da ruiva com a produtora e compositora Kara DioGuardi, além de nos introduzir a sua brilhante parceria com os requisitados Greg Wells e Desmond Child. Deixando de lado o teen-pop e dance-pop que se fizeram presentes na essência de seu primeiro disco, “A Little More Personal (Raw)” nos aponta o grande amadurecimento sonoro passado pela sua criadora e os novos caminhos pretendidos desde as suas primeiras gravações. Gerando um único single que não demorou muito para se tornar o maior sucesso de Lohan nos EUA, a balada “Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father)” alcançou uma poderosa #57 posição dentro da “Billboard Hot 100”, a parada mais importante lá da “Terra do Tio Sam”.

Pouco mais de dois anos se passou e, por mais que a ineficaz divulgação de seu segundo álbum não tenha vingado nenhum pouco, a já experiente cantora não mostrava qualquer indício de querer abandonar sua empreitada pelo ramo musical. Investindo pesado no som eletrônico das pistas de dança que dominou as rádios dos anos seguintes, a parceria com Ne-Yo e Stargate na música “Bossy” marcou não apenas a mudança de ares para a cantora na sonoridade de seus projetos, mas também a ajudou a dominar o topo da “Hot Dance Club Play”, a parada dance da “Billboard”. Anunciado como o first single do terceiro álbum de inéditas de LiLo, na época intitulado “Spirit In The Dark”, naquele mesmo ano foi revelado que as gravações do trabalho estavam paralisadas e nenhuma data de lançamento foi sequer cogitada. Aqui foi dado o pontapé inicial para a fase mais obscura não apenas da carreira musical da moça, mas também pessoal e cinematográfica.

Envolvendo-se em alguns problemas com a Corte Estadunidense e tendo de lidar com as suas tão comentadas idas e vindas da reabilitação, a estagnação comercial de Lindsay foi provavelmente os piores anos vividos em sua vida tão precoce. Participando de poucos filmes e vendo várias de suas faixas inéditas caírem na web antes mesmo de serem finalizadas (seis demos do “Spirit In The Dark” vieram ao nosso encontro nos anos de 2009 e 2010 misteriosamente), até o primeiro semestre do começo desta década nada mais se soube sobre o futuro de Lohan na música. Preparando um comeback que mal foi anunciado para ser deixado de lado naquele mesmo ano, a última vez em que alguém revelou algo sobre o assunto foi em dezembro de 2013, quando o “TMZ” noticiou que “a cantora esteve em um estúdio de Nova Iorque experimentando algumas canções”. Mesmo sem assinar com nenhuma gravadora até aquele momento, as “fontes” do tabloide informaram que ela “estaria interessada na música eletrônica” e que alguns de seus amigos, como Lady Gaga e Max George (do The Wanted), estariam a apoiando fortemente.

Entretanto, todo esse silêncio assustador foi quebrado há pouco menos de um ano quando uma foto de Lindsay e sua irmã mais nova, Ali, foi publicada nas redes sociais em dezembro de 2014. Dividindo as lentes da câmera com a banda britânica Duran Duran, o encontro entre os músicos acabou nos rendendo a 6ª faixa do disco “Paper Gods”, o 14º do grupo, lançado no mês passado (no dia 11 de setembro). Porém, antes que nos empolgarmos com a novidade, vale dizer que este “retorno” para os estúdios de gravação foi marcado por um ponto bem curioso e controverso: a moça simplesmente não canta. Isso mesmo! Optando apenas por recitar alguns versos que ligam o segundo refrão ao terceiro, LiLo seduz o ouvinte com sua voz rouca enquanto o tenta convencer de que a condição “Danceophobia” não é algo tão ruim assim. Sobre a música, o Duran Duran comentou para a “Billboard” que a parte de Lindsay havia sido inspirada no hino “Thriller”, do Michael Jackson, e que a dramatização desenvolvida pela cantora havia “acertado em cheio” o pretendido.

Desde que se lançou no mercado há mais 10 anos gravando música pop e experimentando o seu lado mais selvagem ao caminhar por um rock mais alternativo, não há como negar o singelo legado deixado por Lindsay na indústria fonográfica e seguido por suas sucessoras. Trabalhando com uma equipe de peso e desenvolvendo os seus dons para a escrita (em “Speak” LiLo co-escreveu 5 das 12 faixas e em “A Little More Personal (Raw)” 7 das 12), a musicista foi ainda mais longe ao atuar como a diretora do clipe gravado para o carro-chefe de seu segundo disco, “Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father)”. Retratando toda a violência familiar sofrida por ela, a irmã e a mãe, Lohan revelou à época de lançamento do vídeo que “sua vida estava em exibição”, o que a convenceu a falar um pouco sobre o conturbado relacionamento com o pai, Michael. Recebendo o apoio de Tommy Mottola, presidente da gravadora da moça (o mesmo que gerenciou a carreira de Mariah Carey nos anos 90), o trabalho foi aclamado pela crítica e nomeado como “um dos videoclipes mais tocantes de todos os tempos” pela VH1 (veja a lista).

Recebendo poucas oportunidades para demonstrar os seus verdadeiros talentos vocais ao vivo, é verdade que uma apresentação ou outra protagonizada pela cantora foi impulsionada pelo uso de playback (quem não usa hoje em dia?), mas é também um fato que Lindsay chegou sim a nos dar uma palinha do que sabia fazer com um microfone ligado. Confira a playlist acima e descubra com o que de melhor ela nos presenteou!

Uma vez, em um passado não muito distante, Lindsay Lohan já esteve sentada no topo do mundo enquanto seu nome era um dos maiores (se não o maior) do pessoal de sua geração. Agora, vivendo debaixo da sombra fresca que formou ao construir uma carreira brilhante no estrelato, pouco sabemos sobre o que o futuro aguarda para a nossa bad girl favorita que cresceu junto com a gente nos divertindo com seus trabalhos de alta qualidade. Ninguém sabe, ao certo, se algum dia teremos o ensejo de ouvir novas músicas gravadas pela cantora e atriz (ou quem sabe uma pequena turnê televisionada, não é mesmo?), mas, que ela tem potencial para ser uma musicista de sucesso, isso ninguém pode negar. Por favor, alguém invista na carreira musical da moça pra ontem!?