“Harry Potter”: vale a pena ler?

Quem acompanha nosso blog e redes sociais sabe que estamos, constantemente (e a contragosto de quem não curte) publicando resenhas, notícias e informações sobre o universo mágico de J.K. Rowling. O que muitos desconhecem, entretanto, é que a incrível história do bruxinho órfão que vivia com os tios foi, desde o início, uma das maiores inspirações para o nascimento do Caí da Mudança. Posteriormente, acabamos criando o quadro que dá título a este artigo – o “Vale a pena ler?” –, e é claro que, sendo esta nossa franquia literária favorita, não poderíamos deixar de dedicar um texto especial à brilhante jornada de Harry Potter e seus amigos.

Assim, relemos, de setembro pra cá, cada um dos oito sete volumes que completam a obra e, ao revisitar os terrenos de Hogwarts mais uma vez, pudemos relembrar cada detalhe imprescindível que não poderia passar despercebido em uma resenha como esta. Sem maiores delongas, você encontra, a seguir, todas as impressões que fomos capazes de reunir e que, bem possivelmente, te convencerão a se aventurar pelo que consideramos o maior fenômeno infanto-juvenil de todos os tempos. Capas de viagem aos ombros e varinhas à mão, segurem firme ao cabo de suas Cleansweeps e vamos lá pois a nossa primeira aula de História da Magia está prestes a começar.

Texto livre de spoilers (claro que algum ou outro será mencionado mais cedo ou mais tarde, mas de forma sucinta e segura, apenas ilustrativamente). Boa leitura!

Precedentes e aritmancia:

Harry experimentando o Chapéu Seletor na seleção das casas de Hogwarts – arte por Thomas Taylor, o responsável pela primeira edição de “A Pedra Filosofal” (1997)

Publicado pela primeira vez em junho de 1997, pela Bloomsbury, é espantoso que “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (“Philosopher’s Stone”, no Reino Unido) tenha levado tanto tempo para cativar a atenção do público. Rejeitado, de plano, por inúmeras editoras que se recusaram a “publicar uma obra tão extensa voltado ao público infanto-juvenil”, é fato que o primogênito de J.K. Rowling percorreu um longo caminho de incertezas antes de consolidar-se no sucesso pelo qual o conhecemos atualmente. Foi somente dois anos depois, em 99, que “Sorcerer’s Stone” (como o livro foi recebido nos EUA) apareceu no topo dos mais vendidos do The New York Times – alguns meses após a escritora fazer sua estreia na mesma lista com “A Câmara Secreta” (“Chamber of Secrets”), a sequência liberada em 98, na Grã-Bretanha.

Impulsionando uma série de filmes que levou para o mundo o brilhantismo que somente um gênio como J.K. poderia desenvolver, o primeiro longa-metragem chegou nas telonas dos cinemas em novembro de 2001, sob a direção de Chris Columbus (“Esqueceram de Mim 1 e 2”) e o protagonismo de Daniel Radcliffe. Acumulando, segundo dados da revista Mundo Estranho (edição nº 196, de junho de 2017) 7,7 bilhões de dólares em bilheteria, a franquia também não fez feio no meio literário e espalhou, pelo globo, 450 milhões de exemplares vendidos (4 milhões só no Brasil), em 200 territórios, traduzido para 79 idiomas. Não é à toa que esta é a série literária mais vendida de todos os tempos! Entusiasmando a criação de uma nova marca que hoje compreende jogos de vídeo-game, peças de teatro, livros paralelos, souvenirs e até mesmo parques temáticos, nunca um registro da literatura obteve tanto sucesso a ponto de se expandir para tantos formatos diferentes. Não há dúvidas de que a obra, por si só, já ultrapassou em muito a sua própria criadora.

A história do Menino que Sobreviveu:

O armário embaixo da escada – arte por Jim Kay, o responsável pela edição ilustrada de “A Pedra Filosofal” (2015)

À primeira vista, o filho de Lílian e Tiago Potter é o que podemos chamar de uma criança comum – se levarmos em conta, é claro, que crianças comuns de 10 anos normalmente são órfãs, vivem de favor na casa dos tios e possuem como quarto um armário embaixo da escada. Crescendo sem o afeto e o respeito dos Dursley, a cada dia o menino Potter se vê invisível em um mundo onde o primo, Duda, recebe do bom e do melhor sem demonstrar o mínimo de gratidão. Conformado com sua infeliz realidade, é com bastante incredulidade que Harry recebe, no dia do seu 11º aniversário, a notícia que vira sua vida de cabeça para baixo: ele não apenas é um bruxo como possui uma vaga para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, uma das melhores da Europa.

Orientado pelo meio-gigante Rúbeo Hagrid a pegar o Expresso de Hogwarts na estação de King’s Cross, o garoto embarca em direção ao desconhecido e vai, aos poucos, descobrindo mais sobre seu passado e sobre o cruel assassinato de seus pais quando era apenas um bebê. Saindo ileso das mãos do terrível Lorde Voldemort portando apenas uma cicatriz em forma de raio na testa, Harry não demora a fazer amigos e aprender tudo sobre o mundo da magia. Frequentemente aconselhado pelo sábio Professor Alvo Dumbledore, o diretor do colégio, o garoto logo percebe que o mal permanece à espreita e que ainda há muito a ser feito para que a comunidade bruxa viva em paz de uma vez por todas. Recebendo a ajuda do atrapalhado Rony Weasley e da sabe-tudo Hermione Granger, Harry enfrenta perigos que ultrapassam o imaginário humano e que surgem para comprovar que o céu é o limite para uma mente à frente de seu tempo como a de J.K. Rowling.

O protagonista (im)perfeito:

Potter na Batalha de Hogwarts – arte por Mary GrandPré, a responsável pela capa norte-americana de “As Relíquias da Morte” (2007)

Encantado com o maravilhoso novo universo de possibilidades que na casa dos tios não passaria de um sonho impossível, não é de se estranhar que Harry, assim como os demais primeiranistas vindos de famílias trouxas (aquelas sem poderes mágicos), encontre em Hogwarts o conforto de um lar. Contudo, se a rotina dos estudantes já é por si só desafiadora, para Potter o cotidiano se revela um pouquinho mais complicado, já que a maior parte de seus colegas o venera como um verdadeiro herói de batalha. Lidando com a fama por ter derrotado o maior bruxo das trevas de todos os tempos – e a glória por um feito que sequer se recorda –, é com muita modéstia e coragem que o garoto progride como personagem e ensina ao leitor as vantagens de ser uma boa pessoa.

Não tão inteligente quanto Hermione, mas sem sombra de dúvidas mais perspicaz do que Rony, Harry jamais se mostrou, em sua vida acadêmica, um aluno exemplar. Por vezes preguiçoso e até mesmo irresponsável, é uma surpresa que tenha obtido notas satisfatórias em seus NOM’s (Níveis Ordinários em Magia, exames prestados pelos alunos do 5º ano) em “O Enigma do Príncipe” (2005). Entretanto, quem consegue ler as entrelinhas não demora a perceber que o diferencial de Potter não está precisamente em sua habilidade em magia – que é, conforme comprovado em “O Cálice de Fogo” (2000), muito aquém da de outros estudantes de Hogwarts, Durmstrang e Beauxbatons (duas outras escolas europeias). Destemido do início ao fim e ousado como ninguém, é a sua evidente inexperiência para com os problemas que aparecem em sua trajetória que faz Harry conquistar a confiança do leitor quase que instantaneamente – afinal, é essa trivialidade que o faz tão acessível a todos nós, meros mortais.

O Messias x o descendente do Führer:

Harry e seu arqui-inimigo, Lorde Voldemort – arte por Jonny Duddle, o responsável pela capa britânica de “As Relíquias da Morte” (2014)

Criado à base da indiferença, Harry enfrenta uma jornada desgastante na qual precisa provar para todos, inclusive para si mesmo, que caráter e fibra moral devem falar mais alto que popularidade e reconhecimento. A busca por poder jamais se revelou uma meta para ele, então talvez, por conta disso, o Menino que Sobreviveu tenha se mostrado um líder tão eficiente. Como cresceu de forma marginalizada, é natural para Potter respeitar as individualidades alheias, por mais “vergonhoso” que seja ter como amigo alguém que usa brincos de nabo ou colares de rolha. Curiosamente, o passado do protagonista não se diferencia muito da vida pregressa do próprio antagonista, que em contrapartida, devido à sua falta de empatia e ao excesso de preconceitos, desponta como um dos vilões mais amargos e impiedosos da cultura popular.

Conhecido por sua frieza descomunal que nos lembra a de outros ditadores do mundo trouxa, o nascido Tom Riddle é o exemplo perfeito de indivíduo ardiloso que sabe como construir um império fundado no terror e na mentira. Assim como Hitler e os ideais do nazismo, Voldemort é adepto da teoria que defende a supremacia da raça ariana (ou do sangue puro, como é retratado pelos livros de J.K.). Reunindo seguidores por toda a Grã-Bretanha durante sua ascensão ao poder, ele e seus Comensais da Morte são conhecidos por prender, torturar e assassinar qualquer um que se oponha a lhes prestar obediência. Não é à toa que suas artimanhas para controlar a comunidade bruxa o leve a se infiltrar na política, a censurar à imprensa e a modificar a grade escolar no intuito de “reeducar” as próximas gerações. Bem, um pouco parecido com o que temos vivido por aqui!

Harry Potter e o Enigma do Sucesso:

O icônico Ford Anglia voador – arte por Kazu Kibuishi, o responsável pela capa norte-americana de “A Câmara Secreta” (2013)

Voltando duas décadas no tempo, desde a primeira leitura de “A Pedra Filosofal” (1997) já nos era evidente que Rowling não veio para brincar! Desenvolvendo com maestria a narrativa de sua obra, a britânica não poupa em plot twists que realmente funcionam e deixam qualquer um de queixo caído. Amarrando as contradições entre o passado e o presente com uma linha tênue que somente é revelada ao final de “As Relíquias da Morte” (2007), a escritora nos instiga a criar teorias que, certamente, jamais chegarão aos pés da real solução apresentada. Transbordando criatividade e exercitando sua imaginação de maneira ímpar, a ex-professora de língua inglesa não para por aí e também acerta na construção dos personagens e de seus cenários encantados. Repletos com uma humanidade excepcional que nos impossibilita de não criar vínculos afetivos, suas criações possuem profundidade e precisão, sempre descritos por detalhes intimistas que fazem toda a diferença durante a leitura. Quem não gostaria de estudar em Hogwarts e ser amigo de Luna Lovegood, Hagrid ou Dobby?

Abordando temáticas importantíssimas que vão além do conflito entre o bem e o mal, os livros de J.K. derrubam barreiras ao levar para o mundo bruxo os problemas corriqueiros de qualquer sociedade trouxa como a nossa. Seja pela escravidão dos elfos domésticos, os maus tratos infantis sofridos pelo protagonista ou o preconceito propagado aos “sangues ruins” (que se assemelha em muito ao racismo, ao sexismo e à homofobia), muitas são as metáforas utilizadas pela escritora para quebrar o silêncio e desarmar os bichos-papões do nosso dia a dia. Depressão, perda de entes queridos e bullying na escola também não foram esquecidos! As próprias virtudes de cada uma das casas de Hogwarts (coragem, astúcia, inteligência e lealdade) são um reiterado lembrete de que, como pessoas, não somos iguais, melhores ou piores que os outros – oras, cada um possui as suas próprias qualidades e afinidades. A graça está na diversidade!

Incumbido de despertar o que de melhor habita em nosso íntimo, o enredo de “Harry Potter” está constantemente reforçando a ideia de que devemos apreciar as coisas mais simples da vida, como o amor, a amizade, o respeito e a empatia ao próximo. Exatamente por ter seu coração no lugar e por saber diferenciar o certo do errado, Potter jamais teve medo de aceitar os riscos de cada batalha e sempre priorizou o bem daqueles que ama em detrimento de seus próprios interesses. Digno do respeito de seus semelhantes e da incompreensão daqueles que só pensam em si mesmos, Harry é, assim como nós, levado a encarar seus maiores medos a fim de lidar com cada dificuldade que aparece em seu caminho – seja como salvador da bruxandade, seja como adolescente descobrindo seu lugar no mundo (afinal, ele não é tão diferente de qualquer outro garoto de sua idade, seja bruxo ou trouxa). Apesar de muitas vezes ficarmos apavorados pelas incertezas que o futuro nos reserva (já que não possuímos profecias ou vira-tempos capazes de predizer ou mudar o tempo), o que seria da vida sem alguns dragões, não é mesmo?!

Se você gostou deste artigo então não pode deixar de conferir os nossos “Vale a pena ler?” com “Quadribol Através dos Séculos” (aqui) e “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (aqui). Para entender melhor nossas perspectivas pessoais sobre a obra como um todo, recomendamos a leitura de “Os decisivos reflexos de Harry Potter na minha vida e para onde tudo isso me levou” (aqui). Um obrigado à Isabel Barbosa pela consulta à sua monografia que discorre sobre a influência do nazismo nas obras de J.K. Rowling.

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#CoopGeeks: O terror em oito patas – “A Colônia”, de Ezekiel Boone

Mesmo antes de “The Walking Dead” ganhar a indústria das HQs no começo dos anos 2000 e “Resident Evil” estrear para PSOne no meio da década de 90, muito se falava, no âmbito da ficção científica, sobre a chegada de uma era pré-apocalíptica não muito distante. Já acostumados à ideia de um terrível ataque zumbi ou de uma decisiva batalha religiosa envolvendo Deus e o Diabo, não há dúvidas de que recebemos, nos últimos anos, inúmeras novidades que abordaram este tema e conquistaram tanto a TV (“The Strain”, “IZombie”) como o cinema (“Constantine”, “Zumbilândia”).

Entretanto, poucas foram as obras que decidiram inovar radicalmente, e se você, caro leitor, esteve procurando por algo que fosse capaz de tirar o seu fôlego – e, simultaneamente, lhe deixar todo arrepiado –, talvez esta resenha seja a resposta que tanto esperava. Combinando ficção estrangeira com suspense e um pouquinho de romance, você encontrará em “A Colônia”, do novato Ezekiel Boone, diversos motivos que desconstruirão essa mesmice que há muito nos persegue e descobrirá, em uma linguagem bem adulta, os segredos que circundam a sua trama do início ao fim.

O TERROR EM OITO PATAS: A COLÔNIA, DE EZEKIEL BOONE

“True”: vale a pena ler?

Após quase quatro meses de nossa primeira resenha sobre a trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff, finalmente chegamos a “True: A Verdade”, o capítulo que encerra a extraordinária saga “Elixir”. Ainda sendo auxiliada por Elise Allen (quem já havia dado as caras nos títulos anteriores e ressurge, mais uma vez, como coescritora da obra), Duff continua trazendo em seu derradeiro livro algumas novidades de tirar o fôlego e explora, como de costume, diversos detalhes que fazem de seu trabalho um verdadeiro exemplo de criatividade e espontaneidade.

Entretanto, assim como “Devoted” e diferente de “Elixir”, será inevitável que mencionemos, a seguir, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram nos volumes anteriores (e, é claro, refletiram de alguma maneira no enredo desta sequência). Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos (frisa-se, referentes a “Elixir” e “Devoted”), siga adiante – mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a novela em questão e se interesse por ler os primeiros livros antes de prosseguir, fique com as nossas duas outras resenhas deste especial (clicando aqui e aqui) e pare por aí – depois de devorar tudo, não se esqueça de voltar para cá. Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…

Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa de “True: A Verdade” (você pode ler o primeiro capítulo deste livro acessando este link)

Clea Raymond vive a fase mais difícil de sua vida desde que voltou de uma viagem pela Europa e descobriu, em algumas fotografias de sua câmera, os vestígios de um misterioso homem que transcende a linha entre o tempo e o espaço. Após passar por imensos apuros que, constantemente, desafiaram toda sua capacidade de distinguir a realidade do sobrenatural, a bela fotojornalista parece finalmente ter encontrado a tão sonhada paz ao lado de Sage, sua alma gêmea de inúmeras outras reencarnações. O elixir da vida eterna fora destruído, o que, consequentemente, encerrou toda a caçada obsessiva dos Redentores da Vida Eterna e do Vingança Maldita por poder e sobrevivência – mas, de qualquer maneira, ainda havia uma questão muito mal resolvida nesta história toda: o que aconteceria agora?

Desde que perdera seu corpo e fora obrigado a assumir uma nova pele, Sage passou a agir de modo estranho e agressivo, um comportamento totalmente adverso de sua personalidade naturalmente protetora. Piorando a cada dia, o encantador príncipe encantado acaba por selar o seu destino ao libertar um lado obscuro que coloca em risco não apenas a sua própria segurança, mas também a de todos aqueles que rodeiam sua vida: principalmente Clea. Mais uma vez recorrendo a Ben e Rayna – seus dois melhores amigos –, a moça se vê pressionada contra a parede e precisa, a qualquer custo, encontrar uma cura capaz de trazer de volta aquele que jurara corresponder o seu amor de tantos e tantos séculos atrás. Isso, é claro, se o tempo não permitir que a loucura consuma Sage de dentro para fora irreversivelmente…

Encarregado de colocar um ponto final à toda jornada construída desde o primogênito “Elixir”, “True” não altera sua narrativa e permanece sendo contado em primeira pessoa pela sua grande protagonista central, Clea Raymond. Apropriadamente se amparando aos acertos de “Devoted” e repetindo a explanação intercalada da obra anterior (a qual nos é contada também por Amelia), Hilary mais uma vez estrutura os capítulos de seu terceiro livro em relatos duplos de diferentes personagens: mas desta vez, com a inserção de Rayna. Ganhando um destaque certeiro que surge para cobrir o vazio deixado por sua rápida participação nos demais títulos da franquia, de início a melhor amiga de Clea se mostra rude e pode até não chamar muito a atenção do leitor menos apaixonado. Todavia, mesmo estando coberta de razão, a garota não demora para contornar seus maiores medos com êxito e nos conquista com um amadurecimento admirável (uma evolução que, por diversas vezes, ofusca até mesmo a trama principal). Rayna é, diga-se de passagem, um acréscimo tão positivo quanto Amelia em “Devoted”.

A autora em sessão de autógrafos realizada em abril de 2013

Focando, também, um pouco mais em Sage e em suas constantes crises de personalidade, a batalha que o personagem passa a travar consigo mesmo, inevitavelmente, torna a história muito mais dramática e familiar. Sentindo-se de mãos atadas e sem ter exatamente o que fazer para solucionar o problema, Clea enfraquece na medida em que seu namorado passa a tomar sucessivas atitudes de muito mau gosto (mesmo que contra a sua própria vontade). Se em “Elixir” e “Devoted” a Srtª Raymond gastava a maior parte do tempo fazendo pesquisas de campo e aventurando-se em viagens de alto risco, em “True” sua rotina se resume em atuar como a enfermeira particular de Sage. Tentando dominar as constantes perdas de memória combinadas ao sono, fome e mau-humor intensos de seu par romântico, a perspicaz fotojornalista que havíamos conhecido anteriormente perde o seu brilho rapidamente enquanto demonstra uma fragilidade que não é própria de sua identidade.

No que se refere a Ben – ou até mesmo a outros personagens secundários, à exceção de um comeback triunfal que não daremos mais informações –, a escritora pouco avança e nada nos entrega de novo sobre o melhor amigo de Clea (o que, ao nosso ver, não soa de todo ruim, já que o conhecíamos razoavelmente bem até este momento). A descrição dos cenários é razoavelmente boa e, seguindo o que já havia nos sido introduzido antes, consegue capturar o leitor com facilidade até a onda de acontecimentos que se arrasta bem lentamente do primeiro capítulo até o sétimo. Indo direto ao ponto, a verdade é que…

…se podemos tirar uma primeira impressão de “True: A Verdade” logo quando encerramos a sua leitura é que, diferente de seus antecessores, este parece ter sido um livro desenvolvido exclusivamente para encerrar a saga “Elixir” – e nada mais que isso. Sem a mesma energia contagiante dos volumes de abertura, a obra só ganha força na sua segunda metade, quando Hilary e Elise acrescentam um pouquinho de mitologia e ocultismo para o cotidiano de seu quarteto fantástico (Clea, Sage, Ben e Rayna). Majoritariamente maçante e desmotivador, “True” piora ao deixar alguns furos na história que vêm para trazer diversas interrogações em questões importantes que haviam sido levantadas por toda a novela, como: o que aconteceu com Amelia e sua família (personagens que, neste livro, nem chegam a ser mencionados)? E quanto ao desaparecimento do pai de Clea, Grant Raymond? (esse questionamento nem chega a ser respondido explicitamente)? Qual foi o fim levado pelos Redentores da Vida Eterna e pela Vingança Maldita (obviamente que, com o fim do elixir, a VM se viu livre de sua maldição; mas, em “True” seus membros simplesmente “desaparecem do mapa”)?

Nos encaminhando para um fim bem simples, mas satisfatório, o volume final da trilogia “Elixir” é, de longe, o pior entre os três títulos veiculados ao romance original escrito por Duff e Allen. Não que o desfecho da história tenha adquirido proporções ruins, mas, a impressão é a de que alguns aspectos da trama foram deixados totalmente de lado sem receber a sua devida atenção (e conclusão) – como se tivessem sido retirados do forno antes do tempo adequado. Porém, não há motivos para tanto desânimo! Acertando na construção dos três últimos capítulos e do epílogo que são não menos que sensacionais, a jovem escritora continua nos presenteando com um trabalho que, mesmo sem os pingos nos Is, merece nossa parabenização. Claro que não podemos iniciar a leitura de “True” sem passar antes pelos seus irmãos mais velhos “Elixir” e “Devoted”, mas, isoladamente, o livro permanece sendo uma ótima dica para quem gostou de fazer parte da história de Clea Raymond e aprovou a carreira de Hilary Duff como romancista.

Lançado originalmente em abril de 2013 pela “Simon & Schuster”, “True” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir” e “Devoted”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) naquele mesmo ano. Com tradução de Yukari Fujimura (os volumes anteriores haviam sido traduzidos por Otávio Albuquerque), o título final da saga “Elixir” possui 262 páginas divididas em 18 capítulos + epílogo.

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“Devoted”: vale a pena ler?

Há pouco mais de dois meses rolou por aqui a última edição do nosso “Vale a pena ler?”, o quadro onde indicamos alguma obra literária e falamos um pouquinho mais sobre tudo que lhe é pertinente. Agora, diminuindo o tempo de uma atualização para outra e cumprindo a promessa que havia sido feita naquela oportunidade, trazemos na publicação de hoje a resenha de “Devoted: Devoção”, o segundo volume da novela criada e desenvolvida pela atriz e cantora Hilary Duff.

Todavia, diferente de quando iniciamos os primeiros debates com “Elixir” (título que marca o início desta saga), será inevitável mencionar, mais abaixo, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram no trabalho antecessor e refletem bastante nesta sequência. Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos, siga em frente, mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a trilogia “Elixir” e se interesse por ler o primeiro livro antes de prosseguir, fique com a nossa primeira resenha deste especial e pare por aí (depois de devorá-lo, não se esqueça de voltar para cá). Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…


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Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa internacional de “Devoted: Devoção”, o segundo título da série “Elixir”

Depois de protagonizar a maior aventura de sua vida e até mesmo chegar a pensar que o homem misterioso que aparecia em suas fotografias era uma ameaça sobrenatural, Clea Raymond vive os piores momentos possíveis após os acontecimentos que finalizaram “Elixir”. Sem a companhia de Sage e com a incerteza de saber se sua alma gêmea está viva ou não, a fotojornalista se arrasta pelos dias vivendo por um intenso período de luto e aceitação. Recuperando-se da perda de seu pai Grant (que desde o volume anterior permanece desaparecido) e também de seu recém-namorado, tudo fica ainda pior quando a raiva toma conta da moça e a afasta de Ben, o melhor amigo que já havia dado as caras inúmeras outras vezes no debut best-seller.

Mais uma vez lutando contra o tempo, caberá à Srtª Raymond a tarefa de fazer tudo o que está ao seu alcance para reaver o grande amor de sua vida – e, ao menos, se desvencilhar das emboscadas planejadas pelos dois grandes grupos rivais que estão atrás de Sage: os Redentores da Vida Eterna e o Vingança Maldita. Aliando-se a velhos amigos e buscando a ajuda de pessoas que jamais imaginaria precisar, Clea vai aos poucos adentrando em uma trama que vai muito além da sua vida pessoal com o homem que o destino lhe escolheu e ultrapassa os limites da ganância por poder pretendida por seus arqui-inimigos. Enfrentando perigos muito maiores que os anteriormente narrados na obra inicial, desta vez não apenas a segurança de Clea estará em jogo como também a de todos aqueles que cruzarem o caminho do inestimável elixir da vida eterna.

Continuando diretamente de onde “Elixir” parou, “Devoted” já começa com o difícil processo de conformação pelo qual Clea está passando após ter sido afastada de Sage. Remoendo, a cada dia, tudo que acontecera de errado em sua última viagem até o Japão, a angústia se torna uma rotina para a protagonista e a leva a um intenso sentimento de inutilidade que a atormenta cada vez mais. Sem saber exatamente o que fazer para ter novas notícias sobre o namorado (e mesmo se vendo sem qualquer saída racional), a moça continua alimentando suas esperanças mais profundas e não deixa, um minuto sequer, de se preocupar com o homem que mudara sua vida e existência para sempre. E, é exatamente toda essa devoção dela para com seu par romântico que definirá a conclusão que a história chegará ao longo de suas muito bem estruturadas páginas de pura imprevisibilidade.

Novamente auxiliada por Elise Allen, Duff não poupa seus esforços em tentar convencer o leitor sobre o quão importante um personagem é para o outro; e, dessa forma, acrescenta ao enredo inúmeros obstáculos que, cada um à sua maneira, deverão enfrentar para que possam ficar juntos. Como verdadeiros desafios que testarão todo o amor que Clea sente por Sage e vice-versa, o casal deverá aprender a não confiar em qualquer pessoa e a separar as aparências da realidade: uma missão que se mostra muito mais complexa do que parece ser. Para isso, personagens inéditos são inseridos desde os primeiros capítulos da obra e, além de darem uma nova perspectiva para o segundo volume da trilogia, nos entrega um fôlego extra que ajudará a acompanhar tudo sem que percamos o interesse.

A autora promovendo e autografando “Devoted” na “Barnes & Noble” (Nova Iorque), em 10/10/11

Outra novidade que “Devoted” nos introduz logo em suas páginas iniciais é a segunda narrativa contada especialmente por Amelia, uma das novas personalidades que ganham destaque por este título. Dando uma quebra à visão limitada e unilateral que se fez presente por todo o “Elixir” (e que havia sido motivo de crítica em nossa última resenha), aqui a autora expande o universo que rodeia sua história de forma tão minuciosa que, assim como no lançamento anterior, faz com que originalidade seja a palavra-chave de seu trabalho. Até mesmo os novos relatos pessoais de Clea ganharam maiores proporções e, se antes os holofotes centravam-se exclusivamente na adorada protagonista da série, agora temos uma ideia aprimorada de como cada personagem desenvolve o seu papel pelo desenrolar do livro.

E isso porque ainda nem mencionamos a estratégia de explorar uma quantidade maior de capítulos (enquanto “Elixir” apresenta 13, “Devoted” inclui 28), uma tática que definitivamente funcionou bem por aqui: além de nos deixar muito mais curiosos com o que vem pela frente (você devora cada subdivisão sem nem ao menos perceber), torna a leitura infinitamente mais agradável (convenhamos que não é sempre temos disposição ou disponibilidade para ler durante muito tempo).

Mais uma vez brincando com o sobrenatural e trazendo inúmeras referências à parapsicologia, telecinésia e projeção da consciência são algumas das muitas temáticas abordadas em “Devoted” e exploradas ao lado do popular conto do elixir da vida eterna. Dando grande destaque, ainda, às duas facções que tentam, a todo custo, atingir seus próprios objetivos, os conflitos que permeiam o romance desencadeiam em uma perseguição tão alucinante que deixa a de “Elixir” parecendo uma “história para criança dormir”. Com uma reviravolta impressionante e totalmente inesperada, Hilary soube como desenvolver o gancho perfeito que nos guiará até “True: A Verdade” e superar o final pouco motivador que encerrou o título inicial.

Trazendo relações interpessoais muito mais espontâneas e intimistas, é interessante observar como a escritora aprendeu com seus próprios tropeços e corrigiu os buracos que antes, mesmo imperceptíveis, geravam um pequeno desconforto ao leitor mais detalhista. Superando em muito a sua grande estreia pelo cenário literário, “Devoted” caminha para uma direção brilhante que se mostra totalmente coerente com a multifacetada carreira de uma das maiores estrelas da última década. Basta descobrir se o capítulo final desta jornada se sairá tão bem quanto os dois primeiros – os quais, diga-se de passagem, superaram todas as nossas expectativas.

Lançado oficialmente em outubro de 2011 pela “Simon & Schuster”, “Devoted” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) um ano depois, em 2012. Com tradução de Otávio Albuquerque, o segundo volume da saga “Elixir” possui 317 páginas divididas em 28 capítulos.

Em breve estará disponível aqui no Caí da Mudança o “Vale a pena ler?” com “True: A Verdade”, a obra que encerra esta trilogia. Fique de olho para mais informações.

O que podemos esperar de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Em meio a tantas críticas à “Warner Bros.” por ter publicado uma prévia tão sucinta e pouco reveladora em dezembro do ano passado (o chamado “trailer de apresentação”), diversas foram as queixas redirecionadas a “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o novo spin-off de Harry Potter que será recontado 70 anos antes da história principal (você pode ler mais sobre o assunto por meio desta matéria especial que escrevemos para o Co-op Geeks). Porém, quatro meses depois, a distribuidora estadunidense decidiu deixar o mistério de lado e nos entregou, de bandeja, o primeiro teaser completo do que encontraremos em sua mais recente grande aposta para os cinemas de todo o planeta.

Com estreia programada para o dia 18 de novembro nos EUA e no Reino Unido, respectivamente (em território nacional o longa deverá chegar um dia antes), na publicação de hoje decidimos analisar os dois primeiros trailers do filme estrelado por Eddie Redmayne e relacionar mais abaixo muito do que temos especulado sobre esta nova era mágica. Assim, selecionamos a seguir seis motivos que certamente ajudarão na nossa preparação para o que vem pela frente – e, quem sabe, clarear as ideias de todos aqueles que ainda não sabem o que pensar da trilogia inédita que teremos o prazer de conhecer em pouco mais de seis meses. Vem com a gente:

1. Roteiro original de J.K. Rowling:

J.K. Rowling, a escritora de “Harry Potter”

Se estivéssemos nos preparando para assistir a um filme inspirado no universo Harry Potter que contasse com qualquer outro roteirista do mundo, por mais aclamado que fosse, provavelmente muitas dessas críticas e medos seriam no mínimo razoáveis. Mas, felizmente, este não é o nosso caso. Isso porque a própria criadora de toda essa franquia esmagadora é a responsável pelo roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” – o que deveria, por si só, trazer uma segurança maior a qualquer fã ou admirador do bruxinho mais amado de todos os tempos. Quem melhor senão a mãe de Harry e seus amigos para decidir quais serão os próximos passos da série criada por ela mesma?

É claro que, se observarmos o passado por um ângulo mais crítico, não podemos nos esquecer que foi a própria J.K. quem decidiu tomar diversos caminhos cruéis durante o desenrolar de sua trama literária original (especialmente no que se refere a aniquilar alguns de nossos personagens preferidos). Todavia, no geral, Rowling não é de desapontar – e nós temos certeza que esta não será a primeira vez que a britânica pisará na bola.

2. Direção de David Yates:

Cena final de “Relíquias da Morte: Parte 2”, filme dirigido por David Yates

De fato, o senhor Yates (o cara responsável pelos quatro últimos Harry Potter) pode não ter sido a primeira opção para dirigir “Animais Fantásticos”, mas, o que muita gente não sabe é que, antes dele, outra figurinha carimbada chegou a ser cogitada para dar vida ao novo longa-metragem: Alfonso Cuarón. Após desmentir os rumores que rondavam os preparativos do spin-off em maio de 2014, a recusa do grande nome por trás de “O Prisioneiro de Azkaban”, inegavelmente, levou J.K. e os produtores do novo projeto a ninguém menos que o diretor de “A Ordem da Fênix”, “O Enigma do Príncipe” e “As Relíquias da Morte Partes 1 e 2”.

Alguém mais consegue notar esta estranha coincidência? Ao nosso ver, a busca por um profissional que já tenha dirigido outros títulos da série, definitivamente, mostra a grande preocupação que a equipe de produção está tendo de, ao menos, manter um mínimo de fidelidade aos antecedentes que vem construindo desde 2001. Em poucas palavras: se você quer ter uma ideia da direção que “Animais Fantásticos” irá tomar, basta checar o caminho feito pelos quatro últimos filmes da franquia. Por mais que tenha uma história completamente independente e diferente das aventuras do “Menino que Sobreviveu”, toda a parte visual deverá estar lá, mais uma vez transbordando criatividade e nos fazendo mergulhar de cabeça por esta eletrizante viagem pela magia dos cinemas.

3. Eddie Redmayne como ator principal:

Eddie Redmayne em ensaio promocional para o filme “A Garota Dinamarquesa”

Se você ainda não assistiu a qualquer filme que traga Eddie Redmayne em seu elenco (seja principal, seja de apoio), então já passou da hora de fazer uma rápida busca pelo Google e se ligar aos resultados que encontrará à sua disposição. Aclamadíssimo não apenas pela crítica, mas também pelo público e pelas incontáveis premiações de prestígio, vale dizer que, só para você ter uma ideia, Eddie chegou a estrear dois dos maiores lançamentos destes últimos dois anos: “A Garota Dinamarquesa” e “A Teoria de Tudo” – aliás, não foi em vão que este rendeu a Redmayne o “Oscar” de “Melhor Ator” na edição de 2015 do evento.

Agora sob a pele de Newt Scamander, a pressão para repetir os saudosos feitos do passado é grande, mas, definitivamente, não impossível. Interessante notar também que, pela primeira vez na História, as adaptações de Harry Potter para os cinemas decidiram apostar em um jovem talento que, diferente dos principais astros da trama de oito filmes, não fosse um estranho completamente alheio do público (como Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que puderam ver suas carreiras decolar em razão da própria franquia). Estaria a equipe por trás do spin-off interessada em aliar o impressionante histórico de Eddie a toda grandiosidade deste novo projeto e fazer desta a maior estreia cinematográfica de um filme Harry Potter?

4. Referências a outros filmes da série Harry Potter:

Captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos” mostra os pertences pessoais de Newt Scamander (detalhe para o cachecol da Lufa-Lufa, casa a qual o bruxo pertenceu quando estudou na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts)

Apesar de não ter nem dois minutos de duração, o pouco tempo de “Animais Fantásticos” que pudemos conferir no primeiro trailer do longa (assista) já foi o suficiente para fazer três referências ao antigo universo Harry Potter – e convenhamos que, naquela época, o filme ainda estava em produção (ou seja, o estúdio tinha pouco material para exibir).

A começar pelo marcante “Lumos Maxima” (o mesmo da abertura de “O Prisioneiro de Azkaban”), o trailer de apresentação nos levou a duas outras cenas marcantes que nos remetem ao universo do bruxinho nas telonas dos cinemas: os efeitos especiais usados em menos de 20 segundos de vídeo (que nos fazem lembrar das demais introduções elaboradas pela “Warner” de quando a magia do cenário se mexia para formar o logo da produtora) e a trilha sonora de John Williams (sim, a faixa utilizada a partir de 1min20s é uma versão editada de “Hedwig’s Theme”, a mesma de “A Pedra Filosofal”).

Os quatro protagonistas do longa-metragem

Partindo para o segundo trailer do longa-metragem (assista), é dito que Newt foi expulso de Hogwarts por ter “colocado em risco a vida humana com um animal”, apesar de “um dos professores ter contestado firmemente a sua expulsão”. E quem seria melhor para fazer isso senão o super idolatrado Alvo Dumbledore? Pronunciando claramente o nome do diretor mais amado que o mundo bruxo já teve, é especulado, inclusive, que o querido personagem poderá fazer uma aparição em algum título da futura trilogia (não necessariamente no primeiro) – e como o spin-off se passa 70 anos antes do original, não espere por Michael Gambon no papel.

5. Novas criaturas criadas especialmente para o filme:

Pelúcio em captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos”

Ainda no segundo trailer do filme, “Animais Fantásticos” nos apresenta ao tão falado pelúcio (niffler, no original) e ao que foi chamado de swooping evil (investida maligna, em tradução livre). Todavia, apesar de o primeiro ser um animal já mencionado não apenas no livro didático escrito por Rowling (em 2001) como também em “O Cálice de Fogo”, o segundo é uma fera inteiramente nova criada especialmente para os cinemas. Se seguirmos esta lógica, não deverá demorar muito para que novos trailers sejam liberados no decorrer dos próximos meses e peguem para si a missão de nos trazer muitas outras novidades sobre o que nos aguarda lá em novembro.

Você pode ler mais sobre o pelúcio e o swooping evil através desta matéria publicada pelo site Potterish.

O segundo trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

6. Um spin-off literário pode acontecer:

A capa britânica de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o livro didático escrito por Rowling em 2001

Talvez estejamos sonhando alto demais ao cogitar esta possibilidade, mas, confesso que estaríamos sendo completamente insensatos se não levantássemos esta teoria e pensássemos um pouquinho não apenas nos milhares de fãs que a franquia tem espalhados por todo o globo, mas também no gigantesco lucro que poderia ser gerado de seus bolsos.

Ok, leitores, pensem com a gente: como já foi dito mais acima e repetido diversas vezes, o roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” está sendo desenvolvido pela própria J.K. Rowling, não apenas a criadora do universo Harry Potter, mas também uma respeitada escritora de longa data. Se o roteiro do filme que veremos em novembro de 2016 está sendo projetado por uma autêntica escritora (e não uma mera roteirista), seria mesmo viável para a dona Jo desperdiçar o trabalho depositado em uma grande produção cinematográfica sem ao menos lançar algo oficial do conteúdo para as páginas dos livros? Afinal, o roteiro está ali, 100% à sua disposição, e convenhamos que liberá-lo em um formato alternativo, como no dos demais livros da série, não seria nenhum esforço incabível (sem falar que aumentaria descomunalmente a promoção e divulgação em cima desta nova trilogia).

Swooping evil em cena do segundo trailer do filme

Foi isso que aconteceu com “Cursed Child”, a peça teatral que teve seu script transformado no 8º livro da série e deverá ganhar as prateleiras das lojas ainda este ano. Sejamos francos: é claro que não apenas a “Warner” como a própria J.K. ou sua editora já deve ter pensado em fazer o mesmo com a história de Newt Scamander há muito, muito tempo! Sonhar nunca é demais, mas, infelizmente, enquanto nada é confirmado, tudo que nos resta é esperar sentados.

ATUALIZAÇÃO (27/04): O Pottermore confirmou, em 26/04, que o roteiro do filme será lançado como livro um dia depois da estreia internacional, ou seja, 19 de novembro. A estreia no Brasil, traduzida, ainda é desconhecida.


Estes foram os nossos primeiros palpites para “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, a nova produção da “Warner Bros.” que se passará no mesmo universo Harry Potter, mas 70 anos antes. E os seus? Conte-nos no espaço para comentários a seguir tudo o que você tem esperado para o novo filme e quais são as suas expectativas para esta nova era que está prestes a se iniciar.

Quer saber mais sobre o filme? Então não deixe de conferir nossa primeira publicação com diversos detalhes técnicos sobre o longa-metragem. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.