Os 10 melhores discos de 2018

É quase Ano Novo, mas não poderíamos encerrar 2018 sem a nossa já tradicional lista dos 10 melhores discos do ano. E, como de costume, foi bastante difícil selecionar apenas 10 dos muitos (e excepcionais) trabalhos musicais liberados de janeiro para cá – afinal, foi um ano e tanto! Depois de horas conversando com meus próprios botões, cheguei àquelas obras que considero indispensáveis para todos que, assim como eu, estão sempre dispostos a conhecer novos sons.

Sem mais delongas, vocês encontram, a seguir, a minha playlist com os 10 melhores discos de 2018 e outros 2 bônus que, apesar de não integrarem o ranking definitivo, também mereceram minhas considerações especiais. Ah, não se esqueça de clicar nas imagens abaixo para conferir um videoclipe de cada álbum, ok? E caso queira conferir o que listamos nos anos de 2017, 2016 e 2015, basta acessar nosso arquivo clicando aqui, aquiaqui, respectivamente.

Preparados? Então vamos lá:

10) I HONESTLY LOVE YOU – DELTA GOODREM

Gravadora: Sony Music Australia

Lançamento: 11 de maio de 2018

Singles: “Love Is a Gift” (promocional)

Considerações: pode parecer curioso, mas o fato de a australiana Delta Goodrem sempre dar as caras por aqui não é obra do acaso. Dois anos após o lançamento do “Wings of the Wild” (2016), a moça retornou este ano com “I Honestly Love You”, a trilha-sonora da minissérie estrelada por ela que narra a vida de Olivia Newton-John. Repassando por hits como “Physical” e “You’re the One That I Want” (do filme “Grease: Nos Tempos da Brilhantina”), a soundtrack traz os já consistentes vocais de Goodrem reinterpretando os clássicos que fizeram de Olivia uma das maiores estrelas da música pop de todos os tempos. Destaque especial para “Hopelessly Devoted to You”, a faixa-título e “Trust Yourself”. Composto por 13 faixas, o disco inclui parcerias com Dan Sultan, Georgia Flood e com a própria Olivia Newton-John

Paradas musicais: estreou em #4 na “ARIA Charts” (nº de cópias desconhecido)

9) QUEEN – NICKI MINAJ

Gravadora: Young Money, Cash Money, Republic Records

Lançamento: 10 de agosto de 2018

Singles: “Chun-Li”, “Bed”, “Barbie Dreams”, “Good Form”

Considerações: mudando completamente de ares, eis que é chegado o momento de coroar Nicki Minaj como a rainha que ela se tornou ao longo desses anos. Inspirando-se em elementos da música pop, raggae e R&B, em “Queen” Minaj demonstra uma versatilidade memorável ao se aventurar entre versos cantados e falados – revelando que aprimorou (e muito) seus dotes como vocalista. Acompanhada de Eminem, Lil Wayne, Ariana Grande, The Weeknd, Swae Lee, Future e Foxy Brown, Nicki fala abertamente sobre seus desejos sexuais, sua posição na indústria musical e até abre seu coração na romântica “Come See About Me”. Em 19 faixas que extraem o que de melhor a black music teve a oferecer em 2018, o 4º disco da rapper extrapola todas as expectativas e nos presenteia com uma coesão invejável do começo ao fim

Paradas musicais: estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 185.000 cópias na primeira semana

8) HONEY – ROBYN

Gravadora: Konichiwa Records, Interscope Records

Lançamento: 26 de outubro de 2018

Singles: “Missing U”, “Honey”

Considerações: saindo das ruas de NY e indo direto para os clubes noturnos de Estocolmo, é com prazer que nossa viagem musical nos leva direto às batidas eletrônicas da Robyn. Primeiro álbum da musicista em oito anos, “Honey” sucede o aclamado “Body Talk” (2010) – que nos apresentou ao sucesso “Dancing on My Own”. Incluso em diversas listas de fim de ano que elegeram os melhores discos de 2018 (incluindo de revistas prestigiadas como a Billboard e a Rolling Stone), o material traz 9 faixas todas compostas por ela ao lado de produtores como Joseph Mount e Klas Åhlund (parceiro de longa data que já trabalhou com Kylie Minogue e Britney Spears). Envolvida também na coprodução de músicas como “Between the Lines” e do carro-chefe “Missing U”, Robyn esbanja classe e diversão ao flertar com um futurismo muito (mas muito) à frente de nosso tempo

Paradas musicais: estreou em #40 na “Billboard 200” (nº de cópias desconhecido)

7) LM5 – LITTLE MIX

Gravadora: RCA Records, Columbia Records

Lançamento: 16 de novembro de 2018

Singles: “Woman Like Me”

Considerações: girlbands estiveram em alta desde que as Spice Girls surgiram nos anos 90 e tiveram, durante alguns anos, o mundo a seus pés. De lá para cá, muitas foram as formações a ganhar destaque na mídia, mas poucas se mantiveram unidas ou seguiram uma linha de coesão em suas discografias. Provando que o talento, afinal, deve sempre falar mais alto, as meninas do Little Mix mais uma vez deixaram claro que não brincam em serviço com o “LM5”. Trazendo colaborações com Nicki Minaj, Sharaya J e Kamille, o 5º álbum do grupo, apesar de ainda exaltar a eloquência de suas integrantes, soa um pouco mais denso por ter deixado o pop-chiclete de lado e abraçado satisfatoriamente alguns elementos do hip-hop, do R&B e da música latina. Com vocais harmoniosos que se encaixam perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, Jesy, Leigh-Anne, Jade e Perrie nunca soaram tão maduras e donas de si

Paradas musicais: estreou em #3 na “UK Albums” (nº de cópias desconhecido)

6) EXPECTATIONS – BEBE REXHA

Gravadora: Warner Bros. Records

Lançamento: 22 de junho de 2018

Singles: “I’m a Mess”

Considerações: quem acompanha o Caí da Mudança sabe que nossas resenhas são quase sempre focadas em lançamentos musicais de veteranos da música pop. Todavia, também não é novidade que, vez ou outra, abrimos espaço para um novato aqui e ali que demonstra ser merecedor de uma atenção especial. Após conquistar a todos com “In the Name of Love” (com o Martin Garrix), Bebe Rexha foi certeira ao finalmente lançar o “Expectations”, o primeiro álbum de seu catálogo tão promissor. Inserindo hits como “Meant to Be” e “I Got You” na tracklist, a moça traz em cada uma das 14 faixas aquela fórmula do sucesso que combina perfeitamente instrumentais a vocais que tantos outros tentam, mas poucos acertam. Como já era de se esperar (levando-se em consideração seus últimos EPs), pop e R&B são os gêneros que predominam na obra. Assim como canta na faixa que inaugura o disco, Bebe Rexha é mesmo uma Ferrari em alta velocidade vindo diretamente em nossa direção

Paradas musicais: estreou em #13 na “Billboard 200” (nº de cópias desconhecido)

5) LOBOS – JÃO

Gravadora: Universal Music

Lançamento: 17 de agosto de 2018

Singles: “Imaturo”, “Vou Morrer Sozinho”, “Me Beija Com Raiva”

Considerações: dando uma pausa nos materiais gringos, é claro que eu não deixaria de incluir aqui aquele que foi o brasileiro que mais ouvi durante o ano. Com “Lobos”, seu álbum de estreia, Jão, de 24 anos, sofre por um relacionamento amoroso que não anda muito bem e desabafa sobre suas próprias inseguranças. Brincando com a melancolia de “Eu Quero Ser Como Você”, a crueza de “Monstros” e a ginga de “A Rua”, o moço do interior de São Paulo não poupa em poderio vocal e nos enlaça com uma desenvoltura ímpar. Para quem não sabe, Jão, que hoje é uma das maiores apostas da música pop nacional, começou a ganhar destaque na internet fazendo covers de artistas como Lady Gaga, Rihanna, Anitta e Maiara & Maraisa. Composto por 10 canções, “Lobos” ganhou recentemente uma versão física incluindo 2 novas faixas: “Ressaca” e a inédita “Fim do Mundo”. Quem diria que ele chegaria aqui, não é mesmo?

Paradas musicais: alcançou o #2 no iTunes Brasil

4) LIBERATION – CHRISTINA AGUILERA

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 15 de junho de 2018

Singles: “Accelerate”, “Fall in Line”

Considerações: muito se duvidou se Christina Aguilera, a voz feminina mais aclamada de sua geração, realmente voltaria a lançar música após tantos anos sem dar as caras na mídia. As nossas preces parecem ter sido atendidas, pois, depois de tanta reza, pudemos finalmente conferir o primeiro trabalho da veterana desde o morno “Lotus” (2012). Seguindo o exemplo de “Stripped” (2002) e fugindo do óbvio, em “Liberation” Xtina mais uma vez quebra tabus e canta sobre feminismo, autodescoberta e amor. Entregando-se de corpo e alma às batidas do hip-hop, do R&B, do reggae e do rock, Aguilera divide-se em nos entreter com as produções de Kanye West e nos emocionar com vocais dignos de uma lenda viva. Os duetos “Like I Do” e “Fall in Line”, indicados à 61ª edição do Grammy Awards, são a prova viva de que, mesmo sem dominar os charts, Christina continua sendo a artista visionária que jamais deixou de ser. Confira a nossa resenha completa sobre o disco acessando este link

Paradas musicais: estreou em #6 na “Billboard 200” com vendas de 68.000 cópias na primeira semana

3) THE PAINS OF GROWING – ALESSIA CARA

Gravadora: Def Jam Records

Lançamento: 30 de novembro de 2018

Singles: “Growing Pains”, “Trust My Lonely”

Considerações: crescer realmente é muito doloroso, mas é incrível como a Alessia Cara, em seu 2º disco de inéditas, faz parecer tão divertido. Seguindo a linha de “Scars to Your Beautiful” que consagrou à canadense uma vitória na 60ª edição do Grammy Awards, “The Pains of Growing” vem para refrescar a nossa memória do porquê nos apaixonamos tanto por Cara logo à primeira vista. Ainda adepta de uma sonoridade mais acústica – o que, é claro, não dispensa um pop mais enérgico aqui e ali –, a moça se aliou a produtores como Ricky Reed e ao duo Pop & Oak para nos contemplar com o que chamou de “um pouco mais de transparência”. Totalizando 15 faixas, o álbum fala por si e é uma ótima dica para todos que estão cansados do pop fabricado que permeia grande parte da música internacional. Destaque para “Nintendo Game”“7 Days” e “Girl Next Door”

Paradas musicais: estreou em #21 na “Billboard” canadense (nº de cópias desconhecido)

2) ALWAYS IN BETWEEN – JESS GLYNNE

Gravadora: Atlantic Records

Lançamento: 12 de outubro de 2018

Singles: “I’ll Be There”, “All I Am”, “Thursday”

Considerações: não é à toa que Jess Glynne, a cantora britânica com mais #1s nos charts do Reino Unido (são 7, à frente de cantoras bem-sucedidas como Cheryl e Geri Halliwell), faça tanto sucesso em sua terra natal. Dona de um vozeirão poderoso, ela conseguiu, em pouco tempo de carreira, o que muitos passam a vida inteira tentando. Lançado após três anos do “I Cry When I Laugh” (2015), “Always in Between” cumpriu o prometido e chegou, em outubro passado, trazendo o que todos queriam e tanto sentiam falta. Mais uma vez inspirada na house music, Glynne vai além e mistura pop e soul a produções de Starsmith (Ellie Goulding) e a composições de Ed Sheeran e de si própria. Com 12 faixas na edição standard e 16 na deluxe, o álbum extravasa uma espontaneidade natural que tanto procuramos em trabalhos do gênero eletrônico, mas que raramente encontramos. No que se refere ao futuro da música pop europeia, o Reino Unido está muitíssimo bem representado

Paradas musicais: estreou em #1 na “UK Albums Chart” com vendas de 36.500 cópias na primeira semana

1) TRENCH – TWENTY ONE PILOTS

Gravadora: Fueled by Ramen

Lançamento: 5 de outubro de 2018

Singles: “Jumpsuit”, “Nico and the Niners”, “Levitate”, “My Blood”

Considerações: pode ser surpresa para quem acompanha o nosso blog, quase sempre voltado à música pop, encontrar um trabalho do twenty one pilots em #1 numa lista como esta, mas não, você não leu errado (até porque esta não é a primeira vez que isso acontece por aqui). Fundindo gêneros como hip-hop e rock alternativos, Tyler Joseph e Josh Dun atingem a excelência naquele que considero o melhor disco de 2018. Ao longo de 14 faixas (todas compostas por Joseph, algumas ao lado de Paul Meany, do Mutemath), “Trench” aborda temas como , insegurança, suicídio e saúde mental. O interessante é que todo o contexto do álbum está interligado ao “Blurryface” (2015) e gira em torno da cidade metafórica de Dema, criada pelo vocalista, na qual se passa a trilogia de clipes “Jumpsuit”, “Nico and the Niners” e “Levitate” (entenda cada detalhe aqui). Aclamado pela crítica, o 5º material da dupla chega num momento em que nossos ouvidos bradam por obras que sejam realmente dignas de nosso tempo e atenção

Paradas musicais: estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 175.000 cópias na primeira semana

BÔNUS:

GOLDEN – KYLIE MINOGUE

Gravadora: BMG

Lançamento: 6 de abril de 2018

Singles: “Dancing”, “Stop Me from Falling”, “Golden”, “A Lifetime to Repair”, “Music’s Too Sad Without You”

Considerações: apesar de ter deixado a fã-base de Kylie Minogue dividida, “Golden” é mais um daqueles discos polêmicos que vêm para acrescentar algo que, na maioria das vezes, nós nem sabíamos que precisávamos. Combinando o já característico dance-pop de sua discografia ao country dos EUA, a australiana prova pela milésima vez que é uma mulher corajosa e mergulha de cabeça em um dos projetos mais audaciosos de sua trajetória. Liderado pelo lead-single “Dancing” (que resenhei aqui), o 14º registro de Minogue nos estúdios de gravação foi mais do que eficaz ao recolocá-la em alta no Reino Unido; público que sempre a acolheu tão calorosamente. Por um lado, “Golden” pode até soar um pouco antiquado em razão dos muitos álbuns country-pop que brotaram em 2016 e 2017, mas, sob uma perspectiva mais positiva, precisamos ser francos e aceitar que, em termos de qualidade, Kylie nunca decepciona

Paradas musicais: estreou em #1 na “UK Albums Chart” com vendas de 48.032 cópias na primeira semana

CAUTION – MARIAH CAREY

Gravadora: Epic Records

Lançamento: 16 de novembro de 2018

Singles: “With You”

Considerações: encerrando com chave de ouro, é óbvio que não poderia deixar de mencionar o ótimo 15º disco de inéditas da Mariah Carey. Diferente de seus antecessores que permaneceram mais na zona de conforto, “Caution” arrisca em produções e revitaliza a imagem da cantora junto aos mercados hip-hop e R&B – que se revelaram o grande forte de Mariah desde a sua libertação em “Butterfly” (1997). Contando com as parcerias de Ty Dolla Sign, Slick Rick, Blood Orange, Gunna e KOHH, o álbum chegou a ser produzido por nomes de peso como Jermaine Dupri e Timbaland. Como se fosse capaz de extrair o que de melhor concebeu em seu passado lendário, Mariah acerta a mão nas indispensáveis “With You” e “Portrait”, que de longe nos remetem aos bons tempos de “We Belong Together” e das baladas do “Rainbow” (1999). Com vocais precisos e composições determinadas, Carey vai direto ao ponto e se condecora como a diva suprema de todas as divas

Paradas musicais: estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 51.000 cópias na primeira semana

MENÇÕES HONROSAS:

Apesar de elencar acima aqueles que considero os melhores discos do ano, é importante citar outros que também ganharam destaque nestes últimos meses e que, sem sombra de dúvidas, merecem ao menos nossas menções honrosas. Assim, também destacamos o “Dancing Queen”, da Cher; o “Fatti Sentire”, da Laura Pausini, o “Icarus Falls”, do Zayn; o “Sweetener”, da Ariana Grande; o “Origins”, do Imagine Dragons; o disco homônimo, do Shawn Mendes; o “Bloom”, do Troye Sivan; o “Dona de Mim”, da Iza; e a trilha-sonora do filme “A Star is Born”, da Lady Gaga com o Bradley Cooper.

E para vocês, quais foram os 10 melhores álbuns de 2018? Não deixe de nos dizer no espaço para comentários à seguir. Muito obrigado por nos acompanhar em 2018 e um Feliz Ano Novo para você e para toda sua família!

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#4 | Os 10 melhores álbuns de 10 anos atrás

Tornou-se uma tradição pra mim voltar uma vez por ano aqui no blog para, assim como anuncia o título desta publicação, elencar aqueles que considero os “10 melhores álbuns de 10 anos atrás”. Este ano, é claro, não poderia ser diferente, por mais que o Caí da Mudança tenha passado este último semestre completamente jogado às traças (e por isso peço imensuráveis desculpas). Sem mais delongas, você encontra, a seguir, 10 grandes obras da música pop internacional que marcaram a vida de muita gente e que, uma década mais tarde, merecem ser lembradas como as obras-primas que são.

Ah, e antes que me esqueça: caso queira conferir o que listamos para os anos de 2017, 2015 e 2014, basta acessar o nosso acervo de publicações clicando aqui, aqui e aqui, respectivamente. Não deixe, também, de clicar na capa de cada disco para conferir um clipe especial de cada artista. Boa leitura e aproveite cada segundo de nostalgia!

10) DON’T FORGET – DEMI LOVATO

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 23 de setembro de 2008

Singles: “Get Back”, “La La Land” e “Don’t Forget”

Considerações: não é segredo pra ninguém que todo e qualquer jovem ator que começou sua carreira na Disney tenha, voluntariamente ou não, também se aventurado pelo meio musical. Não poderia ser diferente com a Demi Lovato, que após uma estreia bem-sucedida no filme “Camp Rock” (2008), não hesitou em liberar para as lojas do mundo todo o seu primeiro registro vocal solo naquele mesmo ano. Auxiliada pelos meninos do Jonas Brothers, que além de compor também produziram diversas das faixas que integram o “Don’t Forget”, Lovato não economiza no vozeirão e nos entrega o que se tornou o álbum mais alto-astral de sua tão promissora discografia. Sensibilidade e pop-rock se unem para proclamar ao mundo o nascimento de uma das maiores vocalistas de sua geração

Paradas musicais: o álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 89.000 cópias na primeira semana

9) E=MC² – MARIAH CAREY

Gravadora: Island Records

Lançamento: 15 de abril de 2008

Singles: “Touch My Body”, “Bye Bye”, “I’ll Be Lovin’ U Long Time” e “I Stay in Love”

Considerações: Mariah Carey dispensa apresentações! Com milhões de discos vendidos, inúmeros prêmios vencidos e oitavas para dar e vender, é, sem sombra de dúvidas, a maior diva contemporânea da indústria fonográfica. Dando sequência ao multiplatinado “The Emancipation of Mimi” (2005), “E=MC²” segue a fórmula mágica de seu predecessor e é mais do que eficiente ao mesclar batidas pesadas do hip-hop a instrumentais de primeira do R&B. Sempre no controle criativo de cada era que protagoniza, Carey foi muito feliz na escolha de cada produtor que convidou para ajudá-la na árdua tarefa de nos presentear com um dos materiais mais memoráveis de seu catálogo. Danja, Stargate e Jermaine Dupri são apenas alguns dos mais conceituados

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 463.000 cópias na primeira semana

8) BREAKOUT – MILEY CYRUS

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 22 de julho de 2008

Singles: “7 Things”, “See You Again (Rock Mafia Remix)” e “Fly on the Wall”

Considerações: tirando a longa peruca loura que colocou seu nome na boca de 9 entre 10 crianças e adolescentes dos anos 2000, Miley Cyrus não precisou de muito para deixar a sombra de Hannah Montana e ganhar destaque por conta própria. Majoritariamente composto e produzido pelos talentosos Antonina Armato e Tim James (que já haviam colaborado em “Meet Miley Cyrus”), “Breakout” foi o primeiro álbum de Cyrus sem qualquer ligação com a famosa série de TV do Disney Channel. Dando voz à faixas genuinamente autorais, Miley se ampara no bom e velho pop-rock para contar uma triste história de amor que não terminou com um final feliz. Voz, baixo, bateria e teclado provêm o que de melhor poderíamos encontrar de uma das artistas mais completas da atualidade

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 371.000 cópias na primeira semana

7) DEPARTURE – JESSE McCARTNEY

Gravadora: Hollywood Records

Lançamento: 20 de maio de 2008

Singles: “Leavin’”, “It’s Over”, “How Do You Sleep?” e “Body Language”

Considerações: seguindo o exemplo de Hilary Duff com o prestigiado “Dignity” (2007), foi com precisão e bastante coragem que Jesse McCartney enterrou qualquer vestígio de sua antiga carreira de sucesso junto ao público adolescente ao lançar seu 3º disco de inéditas. Influenciado por grandes astros da música como Prince, Michael Jackson e Madonna, em “Departure” McCartney nos presenteia com uma obra que, apesar de ainda pender para o pop, flerta em muito com a black music frequentemente utilizada por Justin Timberlake. Um divisor de águas em sua discografia, o sucessor de “Right Where You Want Me” (2006) chegou a ser relançado um ano mais tarde sob o título “Departure: Recharged” contendo 5 novas músicas – incluindo o single “Body Language” e outras joias raras como “Crash & Burn”

Paradas musicais: o álbum estreou em #14 na “Billboard 200” com vendas de 30.200 cópias na primeira semana

6) BITTERSWEET WORLD – ASHLEE SIMPSON

Gravadora: Geffen Records

Lançamento: 19 de abril de 2008

Singles: “Outta My Head (Ay Ya Ya)” e “Little Miss Obsessive”

Considerações: houve um momento da década passada em que o pop-rock predominou nas paradas de sucesso e alavancou a carreira de muitos jovens cantores. Ocorre que, após a aclamação de álbuns como “Confessions on a Dance Floor” (de Madonna) e “Blackout” (de Britney Spears), muito se discutiu sobre o que estava em alta, e consequentemente muitos artistas acabaram migrando para um som mais eletrônico. Acompanhando a maioria, mas passando por essa transição de maneira brilhante, Ashlee Simpson prova em “Bittersweet World” que é possível dar vida a um bom disco pop que soe moderno, original e despretensioso. Bem à vontade com sua voz rouca que casou tão bem aos instrumentais exóticos de músicas como “Murder” e “No Time for Tears”, a moça acerta a mão na parte lírica e se restabelece como a ótima compositora que sempre foi

Paradas musicais: o álbum estreou em #4 na “Billboard 200” com vendas de 47.000 cópias na primeira semana

5) HARD CANDY – MADONNA

Gravadora: Warner Bros. Records

Lançamento: 19 de abril de 2008

Singles: “4 Minutes”, “Give It 2 Me” e “Miles Away”

Considerações: e já que estamos falando de música pop, nada mais justo senão incluir em nosso top 5 o que considero o meu álbum favorito daquela que sustenta o título de “Rainha do Pop”. Despindo-se da vontade de chocar o público com os assuntos polêmicos que permearam sua trajetória desde o início, em “Hard Candy” Madonna parece ter tirado um pouco o pé do acelerador e se incumbido da simples tarefa de gravar um disco que soasse o mais atual (e natural) possível. Convidando nomes de peso como Justin Timberlake, Pharrell Williams e Kanye West, a veterana responsável por abrir as portas para a maioria das cantoras pop nunca esteve tão acessível para os públicos das mais diversas idades. Prova disso é a “Sticky & Sweet Tour” (2008-2009), série de shows que promoveu o CD e segue, em pleno 2018, como a turnê feminina mais lucrativa da história

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 280.000 cópias na primeira semana

4) FUNHOUSE – PINK

Gravadora: LaFace Records

Lançamento: 24 de outubro de 2008

Singles: “So What”, “Sober”, “Please Don’t Leave Me”, “Funhouse”, “I Don’t Believe You” e “Glitter in the Air”

Considerações: que Pink se consagrou como uma das poucas veteranas de sua geração a ainda dominar os charts em tempos atuais, isso ninguém questiona. Entretanto, foi somente após o lançamento de seu 5º material de estúdio que a cantora chamou de vez a atenção daqueles que ignoravam seu talento nato para construir as obras de arte que compõem seu catálogo. Dona de uma voz única que lhe confere a dramaticidade necessária para dar vida a seus hits atemporais, em “Funhouse” a cantora nos convida para uma montanha-russa de altos e baixos que resume muito bem a vida de qualquer pessoa emotiva. Seja pela loucura contagiante de “So What” ou pelo tom mais obscuro de “Ave Mary A”“Sober”, este é o álbum perfeito para quem sabe apreciar um trabalho de qualidade que clama para ser ouvido em volume máximo

Paradas musicais: o álbum estreou em #2 na “Billboard 200” com vendas de 180.000 cópias na primeira semana

3) THE FAME – LADY GAGA

Gravadora: Interscope Records

Lançamento: 19 de agosto de 2008

Singles: “Just Dance”, “Poker Face”, “Eh, Eh (Nothing Else I Can Say)”, “LoveGame” e “Paparazzi”

Considerações: é até estranho quando paramos para pensar e percebemos que Lady Gaga, aquela de “Poker Face”, se lançou no mercado musical há exatos 10 anos. Apenas uma novata buscando por seu espaço na música, foi com trabalho árduo que Stefani Germanotta conquistou a todos com seus hits prontos que ajudaram a disseminar o eletropop e synthpop ao redor do mundo. Alavancando a carreira de produtores como RedOne (que nos anos seguintes se tornou um dos profissionais mais requisitados entre os famosos), a moça logo se estabeleceu como uma das mulheres mais poderosas do meio artístico graças ao autogerenciamento de sua multifacetada carreira. E isso tudo apenas teve início graças àquele que é considerado, por muitos, o seu álbum mais revolucionário. O sucesso foi tanto que, em 2019, “The Fame” ganhou um relançamento contendo 8 novas músicas – incluindo os hinos “Bad Romance” e “Telephone”

Paradas musicais: o álbum estreou em #17 na “Billboard 200” com vendas de 24.000 cópias na primeira semana (mas, posteriormente, atingiu o #2, vendendo 169.000 cópias, em 2010)

2) CIRCUS – BRITNEY SPEARS

Gravadora: Jive Records

Lançamento: 28 de novembro de 2008

Singles: “Womanizer”, “Circus”, “If U Seek Amy” e “Radar”

Considerações: estamos em 2018 e não restam quaisquer dúvidas de que Britney Spears é a maior exemplo de superação da cultura popular. Após ser perseguida, humilhada e ter sua vida exposta da maneira mais invasiva possível, a “Princesa do Pop” fez o impossível quando contornou as controvérsias que acompanharam a era “Blackout” e chegou em 2008 com o revigorante “Circus”. Dando continuidade à sonoridade dançante que se fez presente em seu trabalho anterior, dessa vez a loira não poupou esforços e caprichou bastante na mensagem que quis passar em cada faixa do novo material. Mandando indiretas para a mídia sensacionalista nas provocantes “Kill the Lights” e “If U Seek Amy”, Britney ainda teve tempo de homenagear os filhos na canção de ninar “My Baby” e brincar com o desconhecido em “Blur” e “Amnesia”. E tudo isso enquanto via o público acolhê-la, novamente, como a “Srta. Sonho Americano” que sempre foi desde os seus 17 anos

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 505.000 cópias na primeira semana

1) I AM…SASHA FIERCE – BEYONCÉ

Gravadora: Columbia Records

Lançamento: 12 de novembro de 2008

Singles: “If I Were a Boy”, “Single Ladies (Put a Ring on It)”, “Diva”, “Halo”, “Ego”, “Sweet Dreams”, “Broken-Hearted Girl”, “Video Phone” e “Why Don’t You Love Me”

Considerações: Beyoncé é outro grande nome que dispensa apresentações – até porque, convenhamos, não é obra do acaso a moça levar para casa nossa medalha de ouro. Acostumada a se reinventar a cada nova era que encabeça, foi com “I Am…Sasha Fierce” que o universo pop se curvou de vez àquela que é considerada a artista mais completa dos últimos tempos – e não, não estamos a superestimando. Dona de uma voz poderosa que causa inveja a qualquer aspirante de diva pop, a esposa de Jay-Z trouxe em seu 3º disco toda a desenvoltura pela qual é conhecida acompanhada de um dos conceitos mais extraordinários já experimentados nesta indústria. Introduzidos a um disco duplo, em “I Am…” encontramos baladas midtempo de R&B, folk e rock alternativo que representam o lado mais vulnerável de Beyoncé; ao passo que “Sasha Fierce”, o segundo disco, investe em batidas uptempo de eletropop que possuem a intenção de dar voz ao alter-ego que a musicista assume quando está em cima dos palcos. Mais afinada do que nunca, Queen B lançou inúmeras edições do “I Am…Sasha Fierce”, todas com capas e tracklists diferentes

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 482.000 cópias na primeira semana

BÔNUS) FEARLESS – TAYLOR SWIFT

Gravadora: Big Machine Records

Lançamento: 11 de novembro de 2008

Singles: “Love Story”, “White Horse”, “You Belong with Me”, “Fifteen” e “Fearless”

Considerações: muito antes de Taylor Swift comandar os charts da Billboard com seus hits pop, houve uma época em que a cantora trilhava um caminho de bastante sucesso na música country. Compondo álbuns e singles dedicados a seus antigos desafetos amorosos, foi com seu jeitinho suave de menina inocente que a moça levou não um, mas dois gramofones na edição de 2010 do Grammy: um por “Melhor Álbum Country” e outro por “Álbum do Ano”. Movido pelo sucesso esmagador de singles como “You Belong with Me”“Love Story”, “Fearless” também foi sucesso de crítica e atingiu, no Metacritic, impressionantes 73/100 (nota que, aliás, nem é a sua mais alta, já que o “Speak Now” e o “Red” se encontram empatados com 77/100). Quem diria que hoje ela se tornaria uma das popstars mais rentáveis, não é mesmo?

Paradas musicais: o álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 592.000 cópias na primeira semana


E aí, gostou da nossa lista? Algum grande trabalho lançado há uma década ficou de fora da nossa seleção especial? Não deixe de nos contar no espaço para comentários a seguir quais são os seus 10 melhores álbuns de 10 anos atrás.

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Escapando da abstinência, Christina Aguilera atinge a excelência com o hip-hop e R&B do novo “Liberation”

Há quase três anos disponibilizamos aqui no blog o que pretendia ser o desabafo de um fã insatisfeito com os rumos tomados na trajetória de sua cantora favorita (relembre). Após tanto tempo sem novidades anestesiados pelo lançamento de uma canção aqui e outra ali, finalmente fomos contemplados, na penúltima sexta, com o aguardadíssimo novo álbum da Christina Aguilera. Superando alguns deslizes do passado e caprichando no que de melhor sabe fazer, a veterana não economizou na lista de colaboradores e, ao lado de nomes como Kanye West, pôs um fim aos comentários que acusavam sua falta de relevância em pleno 2018.

Especial não apenas por quebrar um interminável hiato de 6 anos, mas também por chegar a nós no mês em que sua intérprete completa 2 décadas de carreira“Liberation” segue o antigo histórico de Xtina e ousa em todos os aspectos possíveis. Reafirmando sua fama de revolucionária, a obra é um presente e tanto para todos aqueles que sentiram falta de uma Christina cheia de desenvoltura e acostumada a fugir do óbvio. Detalhes à parte, você encontra, a seguir, nossas principais reflexões sobre o esperado sucessor de “Lotus” (2012). Demorou, mas sobrevivemos para finalmente ver o novo projeto da loira ganhar a luz do dia!

Precedentes:

Sem maquiagem, Christina em ensaio fotográfico para seu 8º álbum de estúdio

Quem acompanha os passos de Christina Aguilera já deve ter notado que, desde o “Stripped” (2002), não houve um disco sequer (à exceção de “Lotus”) que tenha sido liberado num período de tempo inferior a 4 anos. Perfeccionista como ninguém, Aguilera é conhecida por mergulhar de cabeça na imagem criativa de cada nova era que encabeça, sempre com um olhar detalhista e à frente de seu tempo. Flertando com o jazz e as músicas eletrônica e urbana, a musicista sempre demonstrou uma versatilidade digna de rainhas do pop como Cher e Madonna. Seja pelas minúcias de seus ensaios fotográficos ou pelo alter ego escolhido para sustentar sua voz, Christina é, sem sombra de dúvidas, uma das poucas artistas de sua geração realmente engajada a transmitir uma mensagem de empoderamento despretensioso. Consagrada pelos méritos de “Back to Basics” (2006) e perseguida pelos fracassos de “Bionic” (2010), ela é o exemplo perfeito de pessoa pública que já viveu todos os altos e baixos que somente uma celebridade do alto escalão poderia ter vivido.

Após atuar no The Voice durante anos e passar por uma segunda gravidez que a manteve afastada dos holofotes, foi com muito custo que os fãs puderam segurar as pontas com faixas gravadas para a trilha-sonora de musicais como “Finding Neverland” e séries de TV como “Nashville”. Pegando-nos de surpresa no mês passado com a tão sonhada data de lançamento do seu 8º material de inéditas (6º se desconsiderarmos o “Mi Reflejo” e o “My Kind of Christmas”), a cantora animou ainda mais os ânimos do público quando anunciou em conjunto a futura “Liberation Tour”, sua primeira turnê em mais de uma década. Com previsão de estreia para setembro deste ano, Christina deve percorrer cidades da América do Norte até novembro, quando provavelmente estenderá seus shows para outras regiões do mundo. Vale lembrar que sua última visita ao Brasil se deu em 2011, quando desembarcou em terras tupiniquins tão somente para promover sua linha de roupas para a “C&A”. Bem que uma apresentação musical não cairia mal!

Livrando-se das correntes:

Autodescoberta, feminismo e amor são alguns dos temas abordados em “Liberation”

Ganhando as redes sociais em publicações que prometiam um trabalho mais intimista, o conceito do novo CD teria surgido pela recusa da própria Christina para com sua gravadora de gravar músicas voltadas para o mercado mainstream. Contando à rádio “Beats1” que se sentiu mais uma vez presa à era “Genie in a Bottle”, a cantora não pensou duas vezes e se entregou de corpo e alma às batidas do hip-hop, do R&B, do reggae e do rock. Consequentemente, muitos foram os boatos de que a divulgação do “Liberation” estaria sendo custeada inteiramente pela equipe da moça, sem o apoio da RCA Records (ou seja, de forma independente), mas no fim das contas nada foi realmente confirmado. Oficialmente liberado no dia 15 de junho, o popularmente denominado X6 vem sendo gravado desde 2014. À época, produtores como Pharrell Williams, Mark Ronson e até Linda Perry chegaram a visitar os estúdios de gravação com Aguilera, apesar de suas colaborações não entrarem para a edição final do novo álbum.

Recebendo as composições de Tayla Parx (“Love Lies”), Teddy Geiger (“In My Blood”), Julia Michaels (“Sorry”), Justin Tranter (“Bad Liar”), Nicholas Britell (trilha sonora de “Moonlight”) e da própria Christina (que assina 10 das 15 faixas), “Liberation” foi produzido por Kanye West, Che Pope, Anderson Paak, Ricky Reed, MNEK entre outros, todos envolvidos com a black music. Contando com as parcerias vocais de Demi Lovato, Keida, Shenseea, GoldLink, Ty Dolla Sign, 2 Chainz e XNDA, a obra aborda temas como autodescoberta, liberdade de expressão e de padrões, feminismo e amor. Responsável por inaugurar a nova era, o lead-single “Accelerate” chegou com uma vibe pesadíssima exalando uma sensualidade que não víamos há muito tempo (ouça). Duas semanas mais tarde, foi a vez de “Fall in Line” dar continuidade ao legado feminista iniciado por “Can’t Hold Us Down” 15 anos antes se estabelecendo como 2º single oficial, enquanto “Twice” e “Like I Do” seguem como singles promocionais.

O clipe de “Fall in Line”, parceria com a Demi Lovato e dirigido por Luke Gilford

Conquistando as boas graças da crítica especializada, “Liberation” acumulou merecidos 71/100 no Metacritic (incluindo a aprovação instantânea do “The New York Times” e da “Rolling Stone”), se tornando, até agora, o álbum de Christina melhor avaliado no site – seguido de “Back to Basics”, com 69/100. Já na Billboard 200, a principal parada de discos nos EUA, a previsão é de que venda de 70 a 75 mil cópias na primeira semana, número este bem similar ao de “Lotus”, que debutou com 73 mil em sua first week. Apesar de esta não ser sua melhor semana nos charts norte-americanos, Aguilera já deixou claro, antes mesmo de lançar o CD, que não liga para o desempenho ou os números a serem obtidos. Bem, se depender da aprovação do público, realmente não há com o que se preocupar!

Em busca de Maria:

Para promover o novo álbum, foi lançado no YouTube o mini documentário “Where’s Maria”, que você pode assistir aqui (sem legendas)

Abrindo a tracklist daquela maneira já conhecida pelos fãs, a primeira faixa a dar as caras por aqui é a que também dá nome ao disco. Tal como as introduções dos álbuns anteriores, “Liberation” tenta não apenas nos adiantar o que vem pela frente, mas também representar a essência da obra em sua totalidade. Eficiente ao capturar a alma do novo projeto com um instrumental suave que beira a perfeição, a canção consegue, em menos de 2 minutos, despertar a curiosidade e acalmar os ânimos de todos que esperaram euforicamente pelo lançamento do material. Falando consigo mesma e pedindo para se lembrar de suas essências, Christina logo dá voz para “Searching for Maria”, um breve interlúdio à capella que faz referência ao clássico “Uma Noviça Rebelde” (1965) – e é claro, ao seu nome do meio. Assim, chegamos a “Maria”, tida por muitos como a melhor gravação desta nova era. Utilizando-se de samples de “Maria (You Were the Only One)”, do Michael Jackson, a faixa de nº 3 foi composta e produzida por ninguém menos que Kanye West, o polêmico rapper que também esteve por trás do carro-chefe “Accelerate”. Não mais reconhecendo seu reflexo no espelho, a cantora relata na letra de “Maria” toda a solidão que sentiu durante os anos em que não esteve na ativa, confinada em si mesma num lugar obscuro e sem saída.

E já que estamos falando do tempo em que Aguilera se ausentou dos holofotes, “Sick of Sittin’” é a pedida perfeita para todos que já se sentiram estagnados pelo menos uma vez na vida. Revelado no Instagram que a produção critica a “previsível e clichê máquina de fazer dinheiro”, há quem diga que se trata, na verdade, de uma indireta ao The Voice, programa que Christina recentemente alfinetou em uma entrevista para a Billboard. Protagonizado por um grupo de jovens garotas inspiradas por seus maiores sonhos, “Dreamers” prepara o caminho para “Fall in Line” nos emocionando com trechos que variam de “eu quero ser presidente” a “eu sou a dona do meu próprio mundo”. Incluindo a participação especial de Demi Lovato, finalmente chegamos ao maior hino feminista dos últimos anos. Soltando o verbo, a dupla enaltece toda a força feminina enquanto luta contra o machismo que se encontra enraizado na sociedade desde os seus primórdios (e o melhor de tudo: com vocais impressionantes).

Esteticamente semelhante ao “Stripped”, muito de “Liberation” nos faz lembrar daquela ousadia que transformou Aguilera na artista visionária de hoje em dia

Após brincar com o rock à lá Janis Joplin em “Sick of Sittin’”, eis que é chegado o momento de Xtina experimentar o reggae em “Right Moves” com as rappers Keida e Shenseea. Já na metade da tracklist, é imprescindível para Aguilera manter o interesse do público depois de três performances vocais de tirar o fôlego – e é aqui que as batidas da Jamaica entram para relaxar o ouvinte. Voltando para o hip-hop predominante do disco, “Like I Do” se impõe no que podemos chamar de a melhor disputa de egos de todos os tempos. Produzida por Anderson Paak e cantada ao lado de GoldLink, o possível próximo single de “Liberation” cresce de forma inteligente enquanto mescla referências ao sitcom “Um Maluco no Pedaço” (1990-1996) e aos hits “Genie in a Bottle” e “Ain’t no Other Man”. Tal como diversas faixas do “Back to Basics” dedicadas ao ex-marido Jordan Bratman, “Deserve” surge como um desabafo dos bons e maus momentos vividos ao lado do atual noivo, Matthew Rutler. Emendando “Twice”, composta por MNEK e Julia Michaels, a musicista canta sobre não se arrepender de suas escolhas em uma das baladas mais poderosas (vocal e instrumental) de sua discografia.

Se aproximando da reta final, o interlúdio “I Don’t Need It Anymore” deixa claro que a antiga Christina desacreditada do mundo finalmente abriu seus olhos. Novinha em folha, ela une suas forças aos rappers Ty Dolla Sign e 2 Chainz para transmitir o recado de “Accelerate”. Apesar de não ter sido bem aceito por uma parcela significativa dos fãs (vale lembrar que até mesmo “Dirrty” sofreu duras críticas lá em 2002), o lead-single do X6 demonstra total coesão com o restante da tracklist; revelando-se talvez não o carro-chefe perfeito, mas sem sombra de dúvidas uma parceria a ser lembrada. Ainda inspirada pelo R&B de Che Pope (o produtor de “Maria”), Aguilera e o misterioso XNDA (que ninguém sabe quem é, mas especulam ser Lewis Hamilton) nos entregam a 5ª e última parceria do disco, “Pipe”. Flertando com as diferentes texturas e tons de sua voz, Xtina faz aqui algo bastante similar ao experimentado em “Bionic”, quando preferiu deixar o vozeirão em segundo plano para criar uma sonoridade diferente. Com uma vibe mais puxada para o “Lotus”, chegamos à romântica “Masochist”, que já havia vazado meses antes em um trecho de poucos segundos. Confessando suas inseguranças sobre se casar novamente – e seguindo o caminho de “Deserve” –, “Unless It’s with You” encerra a obra nos deixando com um gostinho de quero mais com o que pode ser chamado de uma prima distante de “The Right Man”.

Enfim livre… e mais relevante do que nunca:

Cada interlúdio e faixa principal parecem posicionados de modo estratégico na tracklist, complementando-se e dando um propósito para uma das obras mais coesas já lançadas pela cantora

Desde que Madonna e Michael Jackson se estabeleceram como os dois maiores ícones da música pop, o público sempre questionou quem seria o candidato perfeito para dar continuidade ao legado de reinvenções iniciado por ambos. Cogitada, ao lado de Britney Spears, como o futuro da indústria fonográfica desde que iniciou sua carreira no final da década de 90, Christina cresceu diante de nossos olhos sob a pressão esmagadora de nos entregar nada menos do que o melhor. Vinte anos mais tarde, essa pressão continua a mesma! Seguindo seus passos sempre fiel à sua forma única de se expressar, Aguilera jamais teve medo de falar sobre temas importantes e necessários – seja denunciando o abuso infantil ou o machismo propagado por aqueles que se veem numa posição de falsa superioridade. Batendo de frente contra todos que já tentaram silenciar sua voz, a musicista é constantemente associada a grupos que lutam pelos direitos das minorias e se esforçam para fazer do mundo um lugar melhor (vide seu trabalho humanitário em combate à fome).

Após lançar um álbum morno e desaparecer por 6 anos, grande era a expectativa do público de como seria o retorno de Xtina à ativa. Dando um chega-pra-lá na ociosidade, a vocalista demonstra ter encontrado a inspiração que lhe faltava para recuperar uma chama que desde o fim precoce da era “Bionic” parecia ter se apagado. Pondo um fim também ao discurso decorado e vazio da “flor-de-lótus que sobrevive aos ambientes mais desfavoráveis” (e que no fim também morreu prematuramente), a moça revela por seus atos que esteve realmente engajada a fazer de “Liberation” um trabalho a não ser esquecido. Seja em composições, produções ou sonoridade, cada colaborador do X6 parece ter sido escolhido a dedo para contribuir de maneira ímpar, dando seu sangue e suor para um material genuinamente digno do catálogo de Christina. Caindo como uma luva, o hip-hop e R&B que permeiam o CD revelam-se totalmente coesos com o histórico da cantora, não soando, a qualquer momento, forçados ou desesperados. Seja encorajando seus fãs na luta por libertação, seja brincando (e o mais importante, se divertindo) ao experimentar gêneros alheios ao pop, não há dúvidas de que Christina Aguilera voltou a ser aquela força motriz capaz de mover mares e montanhas que todos sentimos tanta falta.

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Fifth Harmony pode ter perdido seu membro mais valioso, mas o mundo ganhou Camila Cabello

Há quem diga que grupos musicais, principalmente os formados apenas por vocalistas, já nascem com um destino predefinido. E, se pararmos para analisar a carreira das muitas boybands e girlbands que estouraram de The Beatles para cá, até dá para encontrar um pouco de razão em tais alegações. Entre lágrimas e risos, foi com bastante pesar que diversas fã bases tiveram de se contentar com a trajetória solo (e muitas vezes mais promissora) de alguns de seus integrantes mais queridos. Esta premissa, é claro, não poderia ser diferente com os grupos da atualidade, que certamente, assim como seus antecessores, jamais possuíram uma garantia da longevidade de seu sucesso. Foi assim com Spice Girls, Destiny’s Child, *NSYNC, RBD, Rouge, Girls Aloud, Jonas Brothers e One Direction, e por óbvio não poderia ser diferente também com o Fifth Harmony.

Já lidando com os boatos de uma carreira solo desde que integrava o quinteto formado no palco do The X Factor (principalmente após colaborar com Shawn Mendes e Machine Gun Kelly em “I Know What You Did Last Summer” e “Bad Things”), é fato que Camila Cabello percorreu um caminho nada fácil antes de ascender-se em um dos nomes mais comentados da música pop em 2018. Tentando uma abordagem levada pelo pop-dance, foi com o sample de “Genie in a Bottle” e uma sonoridade bem puxada para “Cheap Thrills” que Cabello deu voz ao seu 1º single como solista. Lançada oficialmente no mesmo dia em que seu clipe ganhou o YouTube (em um medley com a também inédita “I Have Questions”), “Crying in the Club” não fez feio no mercado internacional e rendeu à cubana alguns selos de platina e ouro por países como Austrália, Brasil e EUA.

Em dezembro passado Camila completou um ano fora do grupo que a levou ao estrelato

Porém, Camila jamais se contentou com “pouco” e, sem parar de experimentar novos sons, não teve medo algum de mergulhar de cabeça no hip-hop de “OMG”: faixa que dividiu os vocais com o rapper Quavo – e isso porque não mencionamos as muitas colaborações que assinou com Major Lazer, Pitbull e Cashmere Cat em “Know No Better”, “Hey Ma” e “Love Incredible”. Apesar de ter seu nome sob os holofotes mais luminosos da indústria fonográfica, é bem verdade que a moça demorou para repetir a atenção que conquistara com os hits “Worth It”, “Work from Home” e “All in My Head (Flex)” – todos do Fifth Harmony. Seu 1º álbum solo até então atendia pelo nome de “The Hurting. The Healing. The Loving.” e, apesar de (àquela época) não sabermos nada de oficial sobre seu lançamento, muitos já apostavam que o trabalho seria bem recepcionado pelo público.

Colhendo, a longo prazo, os bons frutos gerados pela ótima passagem de “Havana” pelos charts mundiais, a novata acertou na estratégia e não pensou duas vezes antes de conceder ao seu feat com Young Thug o acertado status de lead single. Aproveitando a febre latina criada por “Despacito” e “Mi Gente” que alavancou os nomes de Luis Fonsi e J Balvin, Cabello também nos deu uma aula de empreendedorismo (e necessidade) ao descartar muito do que já havia feito para dar continuidade à mensagem transmitida pelo seu exitoso smash hit. Confiando em sua ancestralidade caribenha, foi influenciada pelos gêneros reggaeton e R&B que Camila liberou, no dia 12 de janeiro, o homônimo “Camila”, sua 1ª experiência como solista pelos estúdios de gravação. Coescrevendo cada uma de suas novas canções ao lado dos notórios Ryan Tedder, Justin Tranter e Simon Wilcox, a moça arrancou os elogios dos críticos e acumulou, no famigerado Metacritic, satisfatórios 75/100.

Distribuído sob os selos da Epic Records, Syco Music e Sony Music, “Camila” cumpriu com o prometido e ultrapassou em muito as expectativas de vendas esperadas para a sua primeira semana em território norte-americano. Distribuindo 119 mil cópias na first week, o trabalho atingiu o #1 na Billboard 200 enquanto “Havana”, simultaneamente, também figurava em #1 em outra importante parada musical dos charts gringos, a Billboard Hot 100 (aliás, a última pessoa a atingir tal feito tinha sido Beyoncé, que em 2003 dominara o mundo com o “Dangerously in Love” e seu carro-chefe “Crazy in Love”). Contendo 11 faixas na edição standard, 12 na da Target e 13 na versão limitada japonesa, o disco recebeu as produções de nomes que vão desde Frank Dukes (“Congratulations”) a Jarami, Skrillex (“Where Are Ü Now”), T-Minus (“How Low”), Bart Schoudel, The Futuristics (“Fetish”), SickDrumz e Jesse Shatkin (“Chandelier”).

Latina da cabeça aos pés: o ensaio fotográfico de “Camila” evidencia bastante as origens da cantora cubana

Indo direto ao ponto, podemos dizer, a grosso modo, que “Camila” explora três vertentes bem distintas entre si, mas que, graças ao bom trabalho de seu time de produtores, fundem-se numa só com uma homogeneidade sem precedentes. A mais evidente, é claro, não poderia ser outra senão aquela já mencionada logo acima, a grande responsável por fazer Cabello mudar de planos bem no meio do caminho. Trazendo um pouquinho mais da sonoridade de sua terra natal, o sucesso de “Havana” foi tamanho que Camila não teve escolha senão encaixar na tracklist do disco outras faixas também tropicais e capazes de dar prosseguimento ao legado iniciado pelo imbatível lead single. Assim, é com bastante desenvoltura que a morena nos apresenta às também maravilhosas “She Loves Control” e “Inside Out”, gravações que, arriscamos dizer, não deverão demorar para chamar a atenção da mídia graças a seu impactante poder radiofônico.

Nem tudo, porém, são rosas! Acompanhando os comentários que seguiram sua saída do 5H (e aqui incluímos a cruel indireta protagonizada pelas meninas do grupo no palco do último VMA), é claro que Camila dedicaria muito do seu tempo livre para dar vida a composições mais intimistas que tivessem a ver com sua personalidade. Desabafando sobre desilusões amorosas e até mesmo a “falta de amigos de verdade”, “Consequences”, “Real Friends” e “Something’s Gotta Give” dão uma pausa no alto astral do bloco anterior e especializam-se em curar algumas feridas até então super expostas. Bem afinada e confiante sobre seus versos melodramáticos, Cabello supera em muito sua anterior tentativa de emplacar uma balada memorável (com “I Have Questions”) e entrega-nos três das mais honestas composições para uma jovem musicista de sua geração.

A estrela (felizmente) solitária

Por fim, todo artista pop que se preze sempre encontra uma maneira, mesmo que discreta, que incorporar as tendências do mainstream aos seus principais trabalhos de estúdio, por mais autorais que sejam suas intenções. Pegando um pouquinho de Lorde em “Into It” e de Hailee Steinfeld em “All These Years” (compare), Camila brinca com a nossa intimidade na desafiadora “In the Dark” antes de fechar o terceiro arco do disco com a já conhecida “Never Be the Same”, a balada mid-tempo com elementos de R&B que atualmente promove o disco como 2º single. Convenhamos que um disco pop não seria tão pop sem a presença de uma gravação ou outra mais clichê, não é mesmo?

(Re)construindo sua imagem do nada apoiada apenas pelo suporte de sua fã-base, é impressionante ver o quanto Camila cresceu em um espaço de tempo tão curto, mas muito bem aproveitado. Aliás, se voltarmos para 2016, podemos notar que a saída da moça do Fifth Harmony se deu num momento um tanto quanto inesperado, pois a girlband jamais estivera em tamanha evidência em toda sua carreira. Caminhando a esmo sem sequer ter uma noção do som que gostaria de criar para sua aguardada estreia como solista, as muitas faixas liberadas antes de “Havana” são a prova de que, se não tivesse “deixado a metade de seu coração” em Cuba, talvez as coisas estariam um pouquinho diferentes agora. Dando as costas para os materiais sem personalidade que consolidaram seu ex-grupo como um dos mais amados da década, também nos surpreende ver que, costurando o pop chiclete com a música latina, Cabello conseguiu encontrar seu diferencial sem soar forçado ou aproveitador.

O clipe oficial de “Havana”

Quem acompanhou todo o bafafá que foi a novela Camila x 5H sabe que indiretas brotaram por toda a internet, principalmente as vindas do quarteto – e aqui abrimos um parêntese não para criticar as demais integrantes do grupo, mas a equipe por trás de sua marca, que não poupou esforços de deixar bastante claro que a ausência de sua quinta integrante jamais faria falta. Descartada como se nunca tivesse existido, a cubana viu-se abandonada por aqueles que, a princípio, deveriam ter apoiado (ou ao menos respeitado) sua procura por independência; mesmo que de sua boca tenham saído apenas agradecimentos. Agora sem precisar dividir os vocais com Lauren, Normani, Ally e Dinah, até percebemos que, de fato, a voz de Camila não casava tão bem com as das demais garotas, apesar de fluir bem natural em suas músicas solo (vide a avalanche de críticas negativas que acompanharam as primeiras performances ao vivo de “Work from Home”).

Não podemos afirmar que a provável imagem de vítima tenha colaborado para a bem sucedida estreia de Cabello; mas, também não dá pra negar que voltas por cima são um afrodisíaco especial entre o público norte-americano (como Britney após 2007 ou Kesha após Dr. Luke). Talvez sensibilizados e empáticos com as persistentes tentativas de Camila de emplacar uma trajetória solo, os EUA tenham finalmente deixado seu patriotismo conservador de lado – mesmo que por apenas alguns meses – para abraçar a capital de Cuba como sua mais velha e querida amiga. Mas também, convenhamos que os próprios esforços da morena merecem ser valorizados! Sempre simpática, extrovertida e com um sorriso no rosto, não é difícil de entender o amor que a moça desperta entre seus mais assíduos fãs, comunidade esta que vem crescendo gradual e espontaneamente. Metade do seu coração pode estar em Havana, Camila, mas o nosso está inteiramente com você!

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Quebrando o jejum, Kylie Minogue libera “Dancing”, sua mais recente aposta para o mercado country-pop

Como o ano mal começou, é natural que, a essa altura do campeonato, não conheçamos a lista completa de veteranos da indústria musical programados para um comeback ao longo de 2018. Entretanto, se a ansiedade de alguns não colabora e tende a crescer cada vez mais, pelo menos os admiradores de Kylie Minogue podem dormir sossegados. Esperado desde 2017, o aguardadíssimo retorno da australiana para os holofotes se faz, desta vez, por meio da eloquente “Dancing”, faixa que deverá dividir a opinião de sua tão devotada fã-base.

Liberada oficialmente nesta última sexta-feira (19/01), a canção encerra o hiato de quase quatro anos desde o último material pop da cantora, o agridoce “Kiss Me Once” (2014). Tudo bem que, de lá para cá, tivemos o (re)lançamento do natalino “Kylie Christmas” (2015), mas, convenhamos que é no mainstream que Minogue se sobressai – ainda mais se levarmos em conta sua fabulosa habilidade de reinvenção que nos acompanha há nada menos que três décadas. Isso mesmo, você leu direito: são 30 anos de Kylie Minogue no meio musical!

Previsto para o dia 6 de abril, “Golden” será o 14º álbum de estúdio de Kylie Minogue

Apresentando-nos o que parece ser uma nova faceta para a carreira de sua intérprete, “Dancing” marca não apenas a saída de Kylie da Roc Nation, mas também a nova contratação com a BMG e a consequente volta para a Mushroom Records: gravadora responsável por lançar Minogue no mercado. Entretanto, se a nostalgia e a lógica nos preveem que esta é a oportunidade perfeita para o nascimento de um novo “Fever” (2001) ou “Body Language” (2003), talvez seja melhor repensarmos nossas apostas para o vindouro “Golden”.

Gravado em Los Angeles, Londres e Nashville, o 14º álbum de Kylie deverá sim, para infelicidade de alguns, seguir a linha country que influencia seu lead single. Composta pela própria cantora ao lado de Amy Wadge (“Thinking Out Loud”, Ed Sheeran) e Sky Adams (“Talk to Ya”, HRVY), a música foi inteiramente produzida por Adams, que também assina a produção de outras 8 faixas do registro. Entretanto, se uma pequena parcela do público torce o nariz para as novidades que estão por vir, a crítica especializada não tem pensado duas vezes antes de aclamar a sua chegada – como no caso da Entertainment Weekly, que já intitulou o possível futuro hit como “o trabalho mais refrescante desde o ‘Impossible Princess’”.

Combinando country-pop com electropop, “Dancing” certamente será a faixa que melhor representa a sonoridade geral do novo disco. Isso porque, em recente entrevista ao The Guardian, Minogue foi categórica ao revelar que sua obra falará muito sobre “liberdade, autodescoberta, vida e amor; uma colisão de alguns elementos do country e dance feitos no altar de Dolly Parton em uma pista de dança”. Contudo, não precisamos prever o futuro para ler nas entrelinhas! Assim, basta uma rápida checada na tracklist do disco para descobrir que muita dessa autodescoberta deverá abordar a recente separação da cantora com o ex-noivo, o ator britânico Joshua Sasse (principalmente pelas sugestivas “A Lifetime to Repair” e “One Last Kiss”).

O áudio oficial de “Dancing”

Voltando para “Dancing”, é de se estranhar, entretanto, que haja uma rejeição do público (por menor que seja) pela audácia de Kylie ao buscar em um dos gêneros mais populares dos EUA o conforto para suas novas gravações. Apesar de muitos insistirem que o “Joanne” (2016) tornou o country relevante para os atuais artistas de música pop (o que é, de certa forma, verdade), convenhamos que Lady Gaga não é nenhuma pioneira no assunto. Sim, estamos nos referindo a “Cowboy Style”, o 4º single do “Impossible Princess” (1997). É fato que as músicas indie e eletrônica desenvolveram-se quase que intrinsecamente por todo o 6º álbum de estúdio da musicista, mas, também não há como negar a forte influência do gênero raiz sob a canção que encerrava aquela era – e chegou, inclusive, a pegar um #39 na Austrália (ouça aqui).

Ainda transbordando uma positividade sem tamanhos que é inerente a cada carro-chefe de seu catálogo, Kylie e sua “Dancing” são a prova contundente de que criador e criatura nunca estiveram em tamanha sincronia. Ok, não temos pretensão alguma de desmerecer qualquer lançamento anterior da australiana (até porque, é claro, ainda não perdemos o juízo perfeito), mas é impossível não notar uma faísca diferenciada que se manifesta desde os acordes iniciais. Crescendo em nossos ouvidos gradualmente, a canção pode até confundir quem não está acostumado a ouvir Minogue experimentando gêneros alheios ao pop, mas basta o pré-refrão engatar o empolgante “can’t stand still” para percebermos o nascimento de um novo clássico Kylie.

Se por um lado “Dancing” é mais simplista e não carrega o ar refinado de “Into the Blue”, por outro sua produção puxada ora para o acústico, ora para o electropop, se revela também muito mais audível. Caprichando nos vocais que estão sempre impecáveis, Minogue não economiza na pegada chiclete que nos conquista desde o primeiro play. Aliás, arriscamos dizer que, desde o começo dos anos 2000, quando fomos contemplados pelos lead singles “Spinning Around” e “Can’t Get You Out of My Head”, não nos deparamos com um refrão tão viciante, magistralicônico e simpático para os moldes de Kylie Minogue. A espera realmente valeu a pena, pois não há dúvidas de que a cantora acertou em cheio na escolha do novo single que deverá sim, a curto ou a longo prazo, se tornar uma das músicas mais memoráveis de sua tão autêntica discografia.

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