Christina Aguilera abre seu coração para Orlando e nos emociona com nova música! Conheça “Change”

Foi assim, sem qualquer alarde ou aviso prévio, que a noite de quinta (16) para sexta (17) se tornou um pouquinho mais especial quando a nova música de Christina Aguilera surgiu misteriosamente em nossas redes sociais. Antecedida por um boato que começou a percorrer a web momentos antes do seu lançamento oficial, é verdade que a nova balada da cantora foi certeira ao investir na emoção e merecidamente ser bem recepcionada de imediato pelo público; todavia, existe um lado muito mais sombrio por trás da inédita “Change” que infelizmente não poderia passar despercebido em uma resenha como esta.

Se você, caro leitor, tem acompanhado as últimas notícias internacionais, então certamente já ficou sabendo do terrível massacre que tomou a cidade de Orlando no último dia 12 – quando 49 pessoas foram brutalmente assassinadas (e 53 ficaram feridas) em uma boate voltada para a comunidade LGBTQ. Após movimentar as manchetes de toda a mídia e se tornar o assunto mais comentado da semana, o tiroteio a sangue frio foi classificado como o mais grave da história dos EUA – o que, consequentemente, gerou uma onda de solidariedade que se espalhou rapidamente para o resto do mundo. E, entre diversas celebridades que cederam um pouquinho do seu tempo para falar sobre o ocorrido, Aguilera decidiu botar a mão na massa e, assim como o reconfortante discurso de Lady Gaga, não exagerou ao tentar fazer algo um pouco mais eficaz para os envolvidos em tamanha tragédia.

Christina em ensaio fotográfico de 2014 (foto por Mark Liddell)

Composta pela própria Christina em parceria com Fancy Hagood e Flo Reutter – e produzida pelo último –, a nova e superpoderosa balada é distribuída sob o selo da “RCA Records” (a gravadora da musicista) e é aguardada para estar presente no próximo álbum da loira, o qual é esperado para ainda este ano. Tal qual como aconteceu com “Lift Me Up”, há seis anos (quando a parceria com Linda Perry foi liberada tempos antes do disco “Bionic” em prol às vítimas do desastre no Haiti), especula-se que a novidade não seja lançada como o próximo single oficial de Xtina, mas tão somente uma faixa avulsa de caráter beneficente. Em uma nota de imprensa que ganhou o site da moça junto com o lançamento em questão, foi revelado que, durante o período de três meses (17/06 a 14/09), todas as vendas digitais acumuladas com a canção por meio do iTunes serão revertidas para o “National Compassion Fund” em benefício das vítimas e familiares atingidos pela atrocidade. A seguir, você confere, na íntegra, a tradução completa do conteúdo veiculado na carta aberta ao público escrita pela veterana:


“A horrível tragédia que aconteceu em Orlando continua a incomodar muito a minha mente. Eu estou continuamente direcionando muito amor e muitas orações para as vítimas e seus familiares. Como muitos outros, também quero ser parte da mudança que este mundo precisa sofrer para se tornar um local inclusivo onde a humanidade possa se amar de forma livre e apaixonada. Nós vivemos em uma época de diversidade, uma época de possibilidades infinitas, onde a expressão individual é algo a ser celebrado. No lugar disso, eu fico aqui imaginando quantas pessoas cheias de amor podem ser afetadas por tanto ódio.

Apesar desta tristeza tão pesada, eu acredito que o mundo tem mais amor do que imaginamos. A gente precisa amar de novo, aprender que uma só pessoa pode sim fazer a diferença; é só mantermos o amor em nossos corações. Como Nelson Mandela disse uma vez: ‘ninguém nasce odiando uma pessoa pela sua cor, passado ou religião. As pessoas precisam aprender o que é o ódio, e se elas podem aprender a odiar, então também podem ser ensinadas a amar, porque o amor vem mais naturalmente do coração humano do que o oposto’.

Todos temos a oportunidade de espalhar o amor, encorajar a individualidade e fazer diferença aos outros – nós estamos nesta juntos, como um, unidos pelo amor. Mando a todos meu amor, pensamentos e orações”.


Sucessor de “Lotus” (2012), o próximo disco de Aguilera é aguardado para este ano

Cantando precisamente sobre a mudança que muitos têm esperado da sociedade conturbada na qual vivemos (ou sobrevivemos?), Christina não se limita à temáticas “polêmicas” como orientação sexual e diversidade de gênero e vai além ao incluir em “Change” sua total reprovação ao racismo e à xenofobia (outros dois males terríveis que tristemente nos afetam mais e mais dia após dia) – você confere a tradução completa da canção aqui. Levemente inspirada pelo R&B e pelo pop que constantemente dão as caras em seu catálogo, a música soa, à primeira vista, como a sólida combinação do perfeccionismo de “Bionic” com o lado mais intimista de metade do “Lotus” (os últimos discos liberados pela cantora, em 2010 e 2012, respectivamente). Semelhanças à parte, a balada não se resume apenas em comparações banais e esdrúxulas, e, este é o momento no qual pedimos a você, caro leitor, que nos permita abrir uma ressalva em nosso blog para sair da nossa zona de conforto técnica e discorrer um pouquinho mais sobre a questão social que contorna a maravilhosa “Change”. Assim, nos permitimos enxergar esta música recém-lançada não como uma prévia do próximo (e aguardadíssimo) álbum da grande vocalista que é Aguilera, mas, talvez, uma profunda reflexão do que ela precisou passar para chegar aonde se encontra atualmente.

É de conhecimento de todos que acompanham a indústria fonográfica que os últimos anos não foram os mais fáceis para a carreira musical da intérprete de “Genie in a Bottle” – no que se refere à questão comercial e promocional, é claro. Após ver seus dois últimos álbuns com um desempenho bem aquém daquele obtido pelos exitosos “Christina Aguilera” (1999), “Stripped” (2002) e “Back to Basics” (2006), a loira viveu uma maré de azar que, inevitavelmente, prejudicou em muito o seu nome perante o mercado contemporâneo. Dando a volta por cima e, inclusive, quebrando recordes de público em um recente festival do qual foi a atração principal, Xtina ressurge agora com o que pode ser não apenas o começo de uma nova era em sua discografia, mas também o renascimento de quem ela se tornou como artista (e pessoa). E “Change” é, em nossa opinião, a escolha perfeita para nos introduzir a esta “Nova-Antiga Aguilera” muito mais segura de si.

O lyric vídeo oficial de “Change”, a nova música da cantora

Como todos já estão cansados de saber, não apenas o Brasil, mas o planeta Terra, como um todo, se encontra em um período em que informação e conhecimento estão disponíveis bem na palma de nossas mãos – seja pelo uso da internet, seja pelos demais meios de comunicação. Contudo, se possuímos a sorte grande de viver na tão desejada era do avanço tecnológico, também estamos sujeitos a fazer parte (ativa ou passivamente) de um retrocesso que é completamente anormal para a história da humanidade. Ao invés de o ser humano se adequar para acompanhar todo o crescimento que é inerente de seu trabalho duro como pesquisador e desbravador, cada vez mais nos sujeitamos a situações como a de Orlando, na qual uma imensidão de pessoas é privada de sua felicidade (e até mesmo de sua vida) em decorrência de alguns que não são capazes de aceitar o amor e as diferenças entre seus iguais.

E, apesar de muitos taparem o sol com a peneira ou simplesmente ignorar o fato de que tudo o que tem acontecido é a mais pura demonstração de que chegamos até o fim dos tempos, é exatamente o contrário que esta “Nova-Antiga Christina” está tentando nos fazer enxergar por meio de “Change” (uma tarefa que, diga-se de passagem, já desempenha desde os primórdios de sua carreira em pérolas como “Beautiful” e “The Voice Within”). Não que a moça tenha mudado abruptamente o seu modo de agir ou de trabalhar como cantora e compositora, pois, o seu atual lançamento reflete muito mais uma evolução espiritual do que meramente musical. Utilizando-se de sua voz para falar sobre a dor que milhões de pessoas suportam diariamente para conseguir viver suas vidas com um mínimo de honestidade consigo mesmas, Aguilera, mais uma vez, acerta ao abraçar as minorias e provar que seu coração consegue exceder a magnitude de qualquer nota musical bem executada. No fim, tudo que nos resta é manter a esperança e continuar lutando para fazer do mundo um lugar melhor. E claro, isso nos leva a crer que…

…Não importa quem somos ou para onde vamos, desde que saibamos como respeitar quem está à nossa volta, independente de seus gostos pessoais, características externas (e/ou internas) ou objetivos de vida. Infelizmente, o ser humano não tem sido capaz de acompanhar tudo o que foi capaz de criar até aqui, e se um dia ele já pôde ser visto como alguém brilhante dotado de sabedoria infinita, tudo o que nos resta hoje é admirar quem nós já fomos, mas não no que nos tornamos. De alguma maneira escabrosamente assustadora, perdemos o nosso propósito em vida e nos deixamos levar por um instinto irracional que não acomete nem o pior dos animais selvagens (estes sim justificadamente irracionais). De fato, se pararmos para fazer uma rápida análise sobre tudo o que dissemos anteriormente, sem qualquer cunho religioso ou científico, podemos chegar à única conclusão de que o mal não existe… mas sim, o homem.

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Beyoncé abraça suas origens e fala sobre racismo, traição e perdão em “Lemonade”, seu novo álbum visual

Existe uma razão para todo lançamento musical da Beyoncé causar o maior estardalhaço entre o público e fazer o planeta Terra parar de girar: e é claro que desta vez não seria diferente com “Lemonade”, o sexto disco de estúdio da cantora norte-americana. Após colocar o dedo na ferida com sua mais recente música de trabalho, a ex-Destiny Child finalmente botou a boca no trombone e não teve pena de soltar os cachorros até mesmo para cima de Jay-Z, a maior influência por trás do recente projeto.

Falando sobre o novo álbum visual da veterana (o segundo de sua carreira) e algumas de suas principais influências, na resenha de hoje faremos uma complexa mistura de música com empoderamento feminino, causas sociais e outros temas que não poderiam faltar em um post sobre a musicista mais multifacetada de todos os tempos. Se interessou? Então segure-se firme, aperte os cintos e venha com a gente:

Precedentes com “Formation” e “Super Bowl”:

Durante o vídeo de “Formation”, a cantora exibe todo o legado deixado pela cultura afro ao longo das décadas

Seguindo o seu já conhecido padrão de lançar material inédito sem qualquer aviso prévio – o qual foi experimentado pela primeira vez há pouco mais de dois anos, quando o álbum “Beyoncé” veio à tona, de surpresa, em dezembro de 2013 –, Queen B decidiu mais uma vez levar o público à loucura ao liberar na internet o lead-single “Formation” em fevereiro deste ano. Porém, foi somente um dia depois, com a sua enérgica apresentação no show do intervalo da 50ª edição do “Super Bowl” (a atração de maior audiência da televisão estadunidense), que o mundo passaria a ver Beyoncé de uma maneira muito, mas muito diferente.

Batendo de frente com a dura hipocrisia política que toma conta dos estados mais conservadores dos EUA, Bey não poupou esforços ao enaltecer toda a grandiosidade de sua descendência afro-americana e, durante toda a performance, ousou ao escancarar a verdade que se esconde por atrás do racismo, da agressão policial e de toda forma de opressão redirecionada contra os negros marginalizados de seu país (teve até referência aos “Panteras Negras” – movimento da década de 60 que lutou arduamente pela igualdade racial).

Ganhando as manchetes de toda a mídia internacional por sua coragem e determinação, é claro que a canção não demoraria para incomodar “a moral e os bons costumes” daqueles que se sentiram ofendidos e, mais cedo ou mais tarde, acabou impulsionando inúmeras ameaças de boicote ao trabalho da musicista (muitas oriundas da própria polícia norte-americana). Bom, não que isso fosse atrapalhar o que estava por vir…

Lançamento e sucesso instantâneo:

Quer saber mais sobre as referências que se escondem atrás de “Formation”? Então não deixe de conferir esta matéria publicada pelo site Don’t Skip

Liberado com exclusividade no Tidal neste último sábado, 23 de abril, “Lemonade” é comandado por “Formation”, o carro-chefe que ganhou vida no começo do ano e que já havia sido responsável por nos dar uma prévia do que estava por vir. Lançado sob os selos da “Columbia Records” e da “Parkwood Entertainment” (a companhia de propriedade da própria Beyoncé), o material foi anunciado pela primeira vez como um especial de televisão que seria transmitido com exclusividade pela HBO na mesma data (e, mais tarde, seria confirmado assim, sem mais nem menos, como o sexto álbum da cantora).

Apesar de seguir, em sua maioria, a influência da black music que dominou o disco homônimo de 2013, este novo não se resume exclusivamente nas batidas do hip-hop combinadas com o rap-sing de “***Flawless” ou “Feeling Myself” e vai muito mais além ao nos provar que os conhecimentos musicais da cantora ultrapassam os limites de qualquer barreira cultural. Flertando com o country  de “Daddy Lessons” ou o gospel de “Pray You Catch Me” e “Sandcastles”“Lemonade” culmina em uma gama de sonoridades que inclui até mesmo o psychedelic rock de “Freedom” ou o pop sessentista de “Hold Up” (conheça todos os samples utilizados aqui).

Montando um time gigantesco e invejável de profissionais de toda a indústria musical, Diplo, James Blake e Mike Will Made It são apenas alguns dos muitos produtores convidados para trabalhar no projeto e que contribuíram para fazer do trabalho o que ele se tornou. Compondo e produzindo cada uma das 12 novas músicas, Beyoncé também é creditada ao lado de Melina Matsoukas (“We Found Love”, Rihanna), Jonas Åkerlund (“Ray Of Light”, Madonna) e diversos outros como uma das diretoras do material visual que foi transmitido pela poderosa emissora de TV a cabo. Com pouco mais de uma hora de duração, o especial reúne não apenas os clipes desta nova era como também diversas cenas que retratam mulheres do povo que já sofreram alguma perda em decorrência da violência racial (como as mães que tiveram seus filhos assassinados e ganharam destaque na gravação). Anunciado como “um projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres”, “Lemonade” ainda enfoca muito da intimidade de Queen B e é recheado de tocantes momentos que capturam o dia a dia do seio familiar dos Carter.

O clipe oficial para o single “Formation”

Saindo do Tidal e ganhando outras plataformas digitais na manhã desta segunda-feira (25/04), o disco já se encontra disponível no iTunes e, em questão de poucas horas, atingiu o #1 em mais de 90 países, incluindo EUA, Brasil e Reino Unido. A edição física só deverá ganhar as prateleiras no dia 6 de maio.

O conceito por trás da limonada:

Prestes a ser estreada, a “The Formation World Tour” deverá percorrer EUA e Europa entre abril a julho deste ano (saiba mais aqui)

Mas, a essa altura do campeonato, muitos de vocês devem estar se questionando o porquê de o novo álbum da musicista ter recebido o nome de “Lemonade” (limonada, em tradução livre). E, para compreendermos a verdadeira mensagem que Queen B quis passar através do seu sexto material inédito, necessário analisarmos dois dos principais pontos levantados até o momento pelos inúmeros meios de comunicação redirecionados à cultura popular.

O primeira deles, de profundo cunho histórico e cultural, está intimamente ligado a uma antiga crença popular na qual negros, se rendendo ao estereótipo de beleza imposto pela própria sociedade contemporânea, usariam limão em uma espécie de tratamento caseiro para clareamento de pele (leia mais). Dermatologistas afirmam que ao entrar em contato com a pele, a fruta (seja a casca ou a limonada) pode causar sérias manchas e irritações de imediato, algo bem parecido com o que nossas mães já diziam ao nos alertar para “não sair debaixo do sol após colocar as mãos em limão”. Para alguns, Beyoncé estaria não só levantando a bandeira do orgulho negro como também fazendo uma árdua crítica a este padrão absurdo criado há séculos pela humanidade que tratou de colocar o homem branco em uma posição de superioridade inexistente (vide o período colonial de todo país que já foi adepto da escravidão).

Para outros, porém, “Lemonade” não para apenas no caráter histórico como entra de cabeça por uma vertente muito mais filosófica: como nos é indicado por “Freedom”, canção lançada em parceria com outro importante ativista na luta contra o racismo: Kendrick Lamar. Na parte final da faixa, é trazido um áudio de Hattie White (avó de Jay-Z) gravado em seu aniversário de 90 anos, no qual ela declara que: [apesar de] ter tido os seus altos e baixos, sempre encontrou a força interior para se reerguer. Lhe foram entregue limões, mas ela fez uma limonada”. A passagem, além de simbolizar um tributo à White, pode ser livremente entendida como uma referência às diversas complicações que a ex-Destiny Child já teve em sua vida e carreira (inclusive ao recente boicote planejado após sua apresentação no show do intervalo do “Super Bowl”). Se a reação de alguns foi tratá-la à base de comentários tão azedos, ela seria capaz de reaproveitar a crítica negativa de alguma maneira. Porém, mesmo dando a volta por cima, ainda havia mais um assunto pendente do qual a loira precisava rasgar o verbo…

Adentrando na intimidade do casal:

Você confere todas as letras e traduções do novo disco acessando este link

Como já dissemos mais acima, a parte visual do novo álbum dá grande destaque aos momentos mais íntimos vividos por Beyoncé e sua família, então é claro que esta temática não ficaria de fora, também, da maioria das composições que integram o “Lemonade”. Contrariando os boatos de que viveria um casamento inteiramente feliz ao lado do marido, todo o novo disco fala sobre as decepções e inconstâncias passadas pelo casal, ponto este que provavelmente culmina em “Don’t Hurt Yourself” e “Sorry”. Nesta última, inclusive, é relatado pela cantora que Jay-Z nem sempre foi tão fiel assim como a maioria de nós chegou a pensar, o que é comprovado pelo trecho final “é melhor ele ligar para aquela Becky do cabelo bom”. Segundo as más línguas, o pivô da infidelidade do rapper seria ninguém menos que a estilista Rachel Roy, uma amiga íntima de Jay-Z que, tomando as dores para si, acabou se comprometendo ao publicar uma imagem suspeita em seu Instagram durante a transmissão do especial na HBO.

Detalhes à parte, não é só dos dramas do passado que a musicista sobrevive em seu novo disco e, apesar de abrir as portas para toda a instabilidade de seu casamento com um dos empresários mais bem sucedidos do planeta, deixa claro que, agora, as coisas parecem caminhar melhores. Nesse sentido estão “Love Drought” e “All Night”, faixas não menos que memoráveis que cumprem muito bem a função de equilibrar a ira de Queen B por todo o disco e deixar claro que o perdão, às vezes, é a melhor opção. Afinal: juntos, eles são mais do que capazes de “mover uma montanha, acalmar uma guerra, fazer chover e parar esta seca de amor” [trecho de “Love Drought”].

A verdadeira Beyoncé vem à tona:

Queen B em ensaio fotográfico para o “Lemonade”: uma clara referência ao período colonial norte-americano

Quem acompanha os passos de Beyoncé desde o início sabe que a cantora é expert em combinar elementos da black music e elaborar alguns dos maiores hinos pop que tivemos o prazer de ouvir desde que sua carreira solo teve início lá atrás, em um longínquo 2003. Após tantos anos, muitos foram os hits que levaram o seu nome adiante e deram-lhe o suporte necessário para lhe transformar em um dos maiores ícones da história da música internacional. Todavia, desde o disco “4” que a eterna intérprete de “Crazy In Love” vem se abstendo de elaborar um som redirecionado para as massas em geral, além, é claro, de ter procurado fazer tudo da sua maneira (em matéria de gravação e divulgação), trilhando um caminho totalmente alternativo e pouco visitado pelas demais vocalistas de sua geração. Tendo como ápice o “Beyoncé”, de 2013 (quando deu a louca na mulher e o trabalho inteiro ganhou um formato audiovisual impecável jamais visto antes), definitivamente a Queen B que um dia conhecemos decidiu tomar as rédeas de sua vida e mostrar uma faceta jamais vista antes.

Aliás, não é de hoje que a musicista é acusada de “se vender” para os estereótipos da sociedade moderna e adotar um visual que, por vezes, é tido pelas pessoas como “exclusivo” da mulher branca europeia (o cabelo liso e loiro combinado às inúmeras sessões de Photoshop realizadas pelas mais populares revistas voltadas ao público feminino). Porém, se um dia Queen B foi acusada de negar as suas origens e fazer clareamento de pele, hoje ela não tem medo de reforçar os ideais de líderes afro-americanos como Malcolm X (o qual, inclusive, possui uma importante participação durante o vídeo de “Lemonade”) – em dado momento, é compilado o seguinte trecho de um discurso cedido por ele, em 1962: “quem te ensinou a odiar a cor da sua pele? Quem te ensinou a odiar a textura do seu cabelo? Quem te ensinou a odiar a forma do seu nariz e dos seus lábios? Quem te ensinou a se odiar do início da cabeça à sola dos pés?”.

Definitivamente, existe uma razão para todo lançamento musical da Beyoncé causar o maior estardalhaço entre o público e fazer o planeta Terra parar de girar. Antes, acreditávamos que tudo isso estava relacionado a como a cantora é altamente talentosa e sempre soube como reinventar sua imagem sem perder a essência que a levou até o estrelato. Hoje, felizmente, sabemos que por trás de uma das maiores estrelas que a indústria fonográfica já viu, esconde-se uma mulher poderosa que não tem medo de arrebentar as correntes da hipocrisia e levar até o resto do mundo uma enxurrada de verdades que a humanidade tanto faz questão de esconder. Se um dia Beyoncé não precisou defender seus direitos como cidadã negra perante o público ou o governo norte-americano, hoje ela não tem mais medo de erguer a sua voz para proteger todos aqueles que continuam, diariamente, sofrendo as consequências de uma sociedade baseada nos princípios escravocratas. Porém, a dúvida que não quer calar é: até quando isso será preciso?

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

O estranho caso de Kesha contra Dr. Luke: muito mais que um embate entre mocinhos e vilões

Se você parou para dar uma vasculhada nas notícias que bombardearam a internet na última semana, então deve saber que o caso Kesha X Dr. Luke tem estremecido não apenas a Justiça norte-americana, mas também todos aqueles possuem algum apreço pelo universo da música popular. Por isso, decidi fazer uma profunda análise com tudo o que tem saído de relevante sobre o assunto e, no post de hoje, discutiremos um pouquinho mais sobre um dos confrontos mais aterrorizantes já vivenciados por dois dos maiores nomes da indústria do entretenimento.

Para quem não sabe, a gente explica:

A BATALHA JUDICIAL:

Desde 2014, a voz por trás de sucessos como “Tik Tok” e “We R Who We R” decidiu recorrer ao Poder Judiciário para quebrar o contrato que a une a um dos produtores mais bem sucedidos da última década (o mesmo que já trabalhou com Katy Perry, Britney Spears e Kelly Clarkson). O motivo? Lukasz Gottwald (ou simplesmente Dr. Luke) teria drogado Kesha e a violentado não apenas sexualmente, mas também psicologicamente – crimes que teriam começado há uma década, quando a popstar tinha apenas 18 anos (hoje ela tem 28).

Acontece que, na última sexta-feira (19/02), foi realizado o julgamento que poderia ter solucionado parte dos maiores problemas de Kesha: a cantora havia entrado com um pedido liminar que, uma vez concedido, a autorizaria a gravar novas músicas sem se vincular à “Sony Music” (a gravadora onde Luke trabalha atualmente). Contudo, metade desta batalha acabou sendo perdida quando o júri responsável pelo caso não se convenceu do pedido por “insuficiência de provas” e negou a liminar, solicitando o agendamento de uma nova sessão para o dia 18 de maio.

A questão é: caso não apresente novas provas capazes de confirmar a ocorrência do estupro, provavelmente o processo será julgado improcedente pela Corte e a moça continuará presa ao contrato com seu possível agressor. E pior: além de impedi-la de lançar qualquer material sem a permissão do produtor ou de sua gravadora, o acordo que originou o conflito determina a gravação, liberação e divulgação de outros 6 álbuns (todos sem previsão de lançamento). Definitivamente, perder não é uma opção para Kesha.

LUKE… TALVEZ NÃO TÃO INOCENTE ASSIM:

Obviamente, Luke discorda do que tem sido dito pela cantora e, além de processá-la de volta por calúnia, alega que tudo não passaria de uma artimanha para sujar sua reputação e livrar-se do acordo firmado anos atrás – vale dizer que, em 2011, a loira já havia negado qualquer abuso sexual protagonizado por ele. O produtor vai muito mais além e, em recente matéria publicada pela “Rolling Stone”, seus advogados disseram que “havia sido ofertado à Kesha a oportunidade de gravar um novo material sem a companhia de Gottwald” e que, em momento algum ela estaria presa a ele” – contrariando a campanha #FreeKesha levantada pelo público nas redes sociais. Este, a propósito, foi o documento que pesou na última decisão do júri (a mesma que negou a liminar solicitada pela moça e remarcou uma nova sessão para daqui três meses).

Porém, muitos detalhes nessa história ainda se mantêm mal explicados!

Se por um lado Kesha parece não possuir muitas provas sobre os abusos sexuais sofridos (já que o júri não se convenceu sobre as alegações de seu advogado), por outro Luke se autoincrimina com meia dúzia de mensagens altamente duvidosas publicadas em seu Twitter por volta de 2010 e que decidiram vir à tona após o julgamento do dia 19. No perfil dele, pode-se ler diversas frases de duplo sentido, como: “Kesha, estou preocupado com o que eles irão fazer. De mim você apenas irá levar sua palmadinha de sempre por ser má”, “aprenda a guardar segredos, quer dizer, somos melhores amigos, temos que guardar nossos segredos para nós mesmos, Kesha!” e “caramba meus artistas trabalham duro” (esta última publicada ao lado de uma foto da cantora, dormindo). Diferente do que o júri tem entendido, as suspeitas em cima de Gottwald podem ser muito maiores que o imaginado.

APENAS A PONTA DO ICEBERG:

É verdade que, apesar de parecer ser o lado menos forte desta disputa, Kesha tem solidificado o apoio dos fãs e da mídia a seu favor (estrelas como Lady Gaga e Ariana Grande já foram até suas redes sociais demonstrar suporte à cantora), mas, não podemos nos esquecer que Luke não precisa de muito para ter a gravadora (e possivelmente a Justiça) na palma de suas mãos.

Isso porque, durante a audiência de semana passada, o advogado da “Sony” foi claro ao apontar que “o interesse da gravadora não está no sucesso dela, mas sim no de Dr. Luke”, o que, além de contrariar o que foi informado à “Rolling Stone” (e rebatido pelo advogado de Kesha como uma “promessa ilusória” – ou seja, eles permitiriam sim que ela gravasse novas músicas, mas provavelmente a boicotariam de alguma maneira), deixa claro que a moça é apenas uma peça totalmente descartável para os executivos da companhia.

Outra questão que acabou causando grande discórdia nesta história toda foi a incrível doação de 250 mil dólares feita por Taylor Swift à Kesha e que, inevitavelmente, gerou uma onda de comentários negativos de outras personalidades, como Demi Lovato. Apesar de muitos não entenderem a quantia cedida à colega para “ajudá-la neste momento difícil” – já que, diferente dos demais artistas, Taylor apenas fez a doação e se manteve em silêncio sobre o ocorrido –, vários questionamentos abrem-se ao lado de outra enxurrada de boatos publicados por diversos tabloides do mundo inteiro, como o “TMZ”.

Enquanto alguns insistem em dizer que Swift não apoiou Kesha ativamente em suas redes sociais por questões contratuais (afinal, a voz de “Bad Blood” seria contratada da “Sony Music Publishing” desde os 13 anos), uma fonte afirmou ao “TMZ” que Luke teria congelado a renda da cantora já há algum tempo, o que a impediria de ter acesso aos direitos autorais de suas canções e, consequentemente, ao dinheiro proveniente delas. A doação encabeçada por Swift teria vindo em boa hora, pois, segundo a mesma fonte, a intérprete de “C’Mon” teria esgotado toda sua fortuna na batalha judicial que tem enfrentado para se ver livre do contrato a liga a Lukasz Gottwald.

EM QUEM ACREDITAR?

Kesha durante o julgamento do dia 19/02

Diferente do que a maioria das pessoas tem opinado, o caso de Kesha X Dr. Luke se mostra muito mais complexo do que aparenta ser e, provavelmente, a melhor palavra para defini-lo neste momento é “estranho”. Quem se solidariza com a causa e decide se posicionar de um lado ou de outro, deve se lembrar que, nem sempre, o mundo se resume a “sim ou não”, “certo ou errado” – existe muito mais no meio dessas duas alternativas do que você e eu podemos imaginar.

É verdade que as mensagens publicadas pelo produtor em seu Twitter são, no mínimo, suspeitas (das duas, uma: ou ele tem um péssimo senso de humor ou realmente tem algo a esconder), isso sem mencionarmos que até mesmo artistas como Kelly Clarkson, que já trabalharam com Luke, partiram em defesa de Kesha demonstrando algum tipo de amparo solidário. Mas, se Kesha foi mesmo violentada como seu advogado afirma com tanta certeza, onde estão os exames médicos capazes de provar o alegado? Onde estão as testemunhas deste caso, seja de acusação ou de defesa? Onde está o álibi do produtor?

Se Kesha sofreu mesmo abusos no passado, então com certeza seu agressor deve ter encontrado um bom motivo para silenciá-la por tantos anos: é natural que uma vítima deste tipo de crime passe por um intenso período traumático e não queira tocar no assunto com mais ninguém (seja por medo, seja por vergonha). E, se essa experiência, de fato, foi tão perturbadora como aparenta ser (nem precisamos mencionar o episódio em que a loira se internou na reabilitação para tratar de distúrbios alimentares), é bem provável que nem exista exame médico provando a prática do estupro (o que não facilitará em nada o lado da cantora).

Mas, e se Lukasz Gottwald não estiver tão errado assim? É verdade que o produtor, apesar de ser um dos mais requisitados do meio artístico, não possui fama de ser a pessoa mais sociável do mundo (dizem, inclusive, que ele teria sido um dos motivos para a ida de Kesha para a rehab), porém, não podemos nos esquecer que estupro é um crime grave, que precisa ser apurado minuciosamente. É difícil não se sensibilizar com a atual situação da cantora, mas, tão grave quanto violentar alguém é condenar um inocente pela prática de um crime que jamais existiu.

Em meio a tantas dúvidas, é natural que façamos perguntas como: “por que Kesha processaria Luke sem razões? O que ela tem a perder?” ou “se Luke não a molestou (como afirma categoricamente) e, venha a vencer esta batalha judicial, será que seria conveniente ao produtor continuar trabalhando com a pessoa que está arruinando a sua reputação?”. Definitivamente, é complicado quando decidimos brincar de juízes e tiraramos conclusões precipitadas sem estar a par do assunto, não levando em consideração os fatos e as provas produzidas no processo; e diferente do que a mídia retrata diariamente, não podemos nos esquecer que por trás de cada notícia se escondem dois seres humanos totalmente desgastados com esta história macabra. Infelizmente, cabe à Justiça tomar a sua decisão e dizer quem possui a razão, por mais que, ao final, possa cometer uma atrocidade incalculável.

É claro que, atrás de tanto falatório, esconde-se o indivíduo mais cruel, sujo e dissimulado da face da Terra, alguém que é capaz de fazer qualquer coisa por dinheiro (seja Luke, seja Kesha), mas, será mesmo que a solução para este problema é descobrir quem está dizendo a verdade? Quer dizer, após tanta repercussão e discussão popular, a única pergunta coerente, no momento, é: por que esse contrato continua vigorando (afinal: não há dúvidas de que ele é o grande X da questão)? Será que a única maneira de solucionar esse embate é declarando Kesha inocente e Luke culpado (ou vice e versa), se esquecendo completamente do motivo que os une a este pacto de infelicidades?  Quem imaginaria que, por trás das densas cortinas da indústria fonográfica, existiria tanta podridão camuflada sob a forma de notas musicais.

De “As Patricinhas de Beverly Hills” a “Meninas Malvadas”: construindo um clássico adolescente

O que torna um mero longa-metragem voltado ao público adolescente em um clássico da cultura popular? Qual é a fórmula secreta pela qual um diretor, roteirista e elenco precisam passar para transformar um projeto tão promissor no maior trabalho de suas carreiras? Muitos são os filmes que seguem a temática explorada por “As Patricinhas de Beverly Hills” (“Clueless”, 1995) e “Meninas Malvadas” (“Mean Girls”, 2004), mas, a verdade é que poucas são as atrações que se destacam na mídia e se mostram merecedoras de tanta atenção. Apesar de esses questionamentos levarem até a nossa cabeça diversas respostas no mínimo subjetivas, não precisamos pensar muito para perceber que muita coisa está em jogo em se tratando tanto da primeira quanto da segunda produção.

Que os dois longas souberam muito bem como cativar o público de uma maneira incrivelmente positiva, isso ninguém duvida, e é graças às brilhantes atuações de Alicia Silverstone e Lindsay Lohan (as grandes protagonistas por trás das inesquecíveis Cher Horowitz e Cady Heron) que muita gente credita todo o sucesso por trás destes gigantes da “Sessão da Tarde”. Outros, por sua vez, nem ligam muito para o time principal de atores e, sem hesitar em qualquer momento, entregam toda a sua adoração para os demais aspectos basilares de um bom filme: seja elogiando o diretor, o figurinista, o roteirista, a trilha sonora ou até mesmo o elenco de apoio – não é à toa que a vilã Regina George é, hoje, muito mais amada (e idolatrada) que a mocinha virgem e boba vivida por Lohan.

Regina George (Rachel McAdams), um dos personagens mais marcantes da história dos filmes adolescentes

Contudo, antes de analisarmos qualquer ponto de impacto presente nas histórias por trás de “As Patricinhas de Beverly Hills” e “Meninas Malvadas”, precisamos primeiramente nos perguntar algo que é crucial para entender o perfeito desenrolar desta publicação: o que é ser um adolescente?

Se você tem mais de 30 anos (ou menos de 12), este talvez seja um questionamento um tanto quanto vago (ou difícil de compreender), então, não pense que encontrar a resposta certa é tarefa fácil – apesar de não ser impossível. Isso porque, para entender o que é ser um adolescente, ou você (obviamente) precisa ser um adolescente ou precisa ter sido um algum dia, e é no caso de se enquadrar nesta segunda hipótese que eu peço a você, caro leitor, para fazer um pequeno esforço puxando na sua caixa de memórias um pouquinho dos seus velhos tempos de colégio.

A primeira coisa que precisamos levar em conta é que a maior parte dos adolescentes possuem a complicada tendência de multiplicar os seus reais problemas por 1 milhão. Entenda que não importa se você faz (ou fez) parte dos “nerds asiáticos, asiáticos descolados, atletas titulares, gatas negras antipáticas, garotas que comem demais, garotas que não comem nada, aspirantes a estrelas, drogados ou doidos de banda sexualmente ativos”: no fim do dia, continuará encontrando defeitos em seu próprio corpo e não parará de reclamar, para quem quiser ouvir, de como a sua vida é um inferno. E ai daquele que te contrariar: pois não importa quantos amigos você tenha (ou o quanto os seus pais se importem contigo), ninguém jamais entenderá como é difícil ser você.

Outro ponto que não podemos deixar de lado, quer você acredite ou não, é que todo adolescente tem um talento nato para a maldade. É claro que com esta afirmação eu não estou dizendo que, ao passar pela puberdade, o indivíduo obrigatoriamente se envolverá com o mundo dos crimes e sairá por aí cometendo as maiores atrocidades do planeta (apesar de alguns realmente se entregarem para este caminho). Muito pelo contrário: é como se cada um carregasse dentro de si dois lados totalmente opostos que estão sempre batalhando numa desesperada tentativa de chamar a atenção das pessoas ao seu redor (aquela clássica cena dos desenhos animados em que a consciência se divide em um anjo e um diabo e perturbam a mente de um pobre coitado incessantemente). Todo adolescente faz fofoca, espalha boatos e mente para os quatro ventos, seja por meio de redes sociais, seja pessoalmente. Apesar de serem totalmente imperfeitos, são pessoas altamente perfeccionistas que adoram apontar os defeitos alheios, e quando não atingem os seus objetivos, logo se voltam para o drama de nosso parágrafo anterior e fazem de um pequeno deslize a situação mais caótica de suas vidas (Cher e suas amigas que o digam).

Cady Heron (Lindsay Lohan), a protagonista de “Meninas Malvadas”, precisa sobreviver ao mundo dos populares para ser alguém no colégio

Porém, antes de os taxarmos como reis e rainhas do drama (ou habilidosos gênios do mal), devemos nos lembrar que, antes de mais nada, adolescentes são, inegavelmente, sobreviventes do seu próprio universo de futilidades. Pode não parecer, mas, é na adolescência que a maior parte das pessoas desperta das ilusões da infância e percebe que o mundo lá fora pode ser um lugar muito mais cruel do que aparenta ser. É na adolescência que os jovens adultos percebem que, mais cedo ou mais tarde, a idade chegará, e com ela as responsabilidades de ser gente grande. Enquanto precisam lutar contra a opressão dos mais “fortes” e brigar para defender as suas verdadeiras opiniões, um adolescente precisa, ainda, escolher entre dois caminhos tão incompatíveis com a sua falta de amadurecimento: se render para a multidão e ser apenas mais um no meio das massas ou construir a sua própria personalidade e ser rotulado de “esquisito, antissocial ou anormal”.

É verdade que o colégio, e até mesmo a faculdade, quase sempre funcionam como uma amostra do que os adolescentes viverão após a sua maioridade e independência, quando não mais estiverem sob a guarda e proteção de seus pais. Mas, no fundo, apesar de parecerem ambientes tão similares, tanto um quanto o outro podem proporcionar pontos de vista bem diferentes para uma mesma situação. Se você agredir alguém no mundo real, muito provavelmente te colocarão atrás das grades (ou te farão pagar alguma quantia indenizatória à vítima), enquanto fazer o mesmo no colégio lhe renderá, na pior das hipóteses, uma mísera suspensão de alguns dias. Ser o valentão praticante de bullying é legal, maneiro, coloca a sua baixa autoestima lá em cima, mas, fora das cadeiras acadêmicas, é uma prática que poderá determinar a maneira como a sociedade julga a sua reputação (ou a falta dela), atribuindo ao agressor um status de pessoa totalmente indesejável. É por isso que, desde já, o adolescente precisa rever os seus atos para resolver o tipo de adulto que será em seu futuro.

Ser adolescente é mais do que curtir modinhas e se auto vitimar: é aprender que a vida tem um propósito para cada pessoa; que não importa se você é melhor ou pior que as pessoas ao seu redor, desde que dê o melhor de si para ser você mesmo (assim como aprendeu Cher Horowitz). É aprender que uma escolha egoísta traz consequências graves não apenas para si mesmo, mas também para aqueles que fazem parte do seu dia a dia (assim como aprendeu Cady Heron). É exatamente por saber retratar tão bem um adolescente da vida real (esse mesmo que descrevemos acima) que tanto “As Patricinhas de Beverly Hills” como “Meninas Malvadas” se tornaram o sucesso que são, mesmo após tanto tempo de suas estreias. O público destes filmes é outro senão o adolescente, e para se identificar com a proposta oferecida pelas grandes distribuidoras cinematográficas e televisivas, os espectadores precisam assistir a um espetáculo que esteja revestido de honestidade (e não de uma censura esdrúxula pretendida pelas organizações protetoras dos bons costumes).

Quase todos os demais longas-metragens e séries infantojuvenis tendem a pecar exatamente por fugirem tanto desse propósito, do de mostrarem os adolescentes como eles realmente são: chatos, imperfeitos, fúteis e maldosos. Ninguém quer assistir a um filme ou programa que passa adiante a imagem de um jovem simpático, educado, multitalentoso e de bem com a vida, pois estas são qualidades que jamais estarão reunidas em uma única pessoa com tão pouca maturidade. Não é à toa que já diziam os mais sábios que a adolescência é uma fase de descobertas e aceitações, não é mesmo? Enquanto os grandes diretores, roteiristas e até mesmo atores não tentarem parar de camuflar a verdade do que é ser um adolescente, dificilmente teremos novos clássicos dignos para carregarem a tocha deixada por “Clueless” e “Mean Girls”.

As aparências realmente importam? Conheça Lizzie Velasquez, o ser humano mais bonito do mundo

Você já parou para pensar que a maioria das pessoas que fazem parte da sua vida prefere se queixar dos próprios problemas ao invés de, logo de cara, tomar alguma iniciativa que solucione o mal que lhe aflige? E, indo um pouco mais além, você já chegou a cogitar, pelo menos uma única vez, que talvez você seja um desses milhares de caras que está constantemente infernizando o dia a dia dos outros com intermináveis lamentações totalmente supérfluas? O seu cabelo nunca está alinhado da forma adequada, o seu peso sempre está além ou aquém do desejado e o seu guarda-roupa poderia muito bem ser preenchido com todas as roupas que você gostaria de ter, usar e esbanjar.

Assim nós damos sequência aos nossos dias, nos queixando hoje sobre uma coisa, amanhã sobre outra e depois de amanhã sobre a mesma coisa que insistimos desde o primeiro dia em que descobrimos que não importa o que aconteça, nós nunca estaremos satisfeitos com o que temos ou somos. Pois é, nós estamos constantemente reclamando de absolutamente tudo que cerca o nosso próprio umbigo, não importando do que se trate os nossos desabafos. E ai de quem não quiser servir de ombro amigo e dar aquela força tão necessária: afinal, amigos são para essas coisas, não são? Bem, não é tão simples assim.

No fim das contas, por mais bem disposto e positivo que você tente ser, chegamos à conclusão que não há como fugir do complexo cotidiano de problemas que é formado pelos nossos próprios somados aos de outros 7 bilhões de indivíduos que habitam o planeta Terra. Porém, será mesmo que as dificuldades encontradas nos nossos caminhos são mesmo dignas de tanto mimimi da nossa parte? Será que fomos tão amaldiçoados pelo destino a ponto de descontar na primeira pessoa que aparece na nossa frente todas as frustrações que não conseguimos resolver com a cabeça quente?

A capa do documentário “A Brave Heart: The Lizzie Velasquez Story” que narra a vida da norte-americana

É com essa deixa que passaremos a falar agora sobre a história de Lizzie Velasquez, a norte-americana conhecida pelos quatro cantos da internet como a “mulher mais feia do mundo”. Acometida com uma doença que a impede de ganhar peso, a jovem mulher de 26 anos mede apenas 1,57m de altura e pesa menos de 30 quilos, tudo em decorrência de sua recém descoberta “Síndrome de Marfan” acompanhada da “lipodistrofia” – para você ter uma ideia, em 2010 ela ingeria cerca de 8 mil calorias ao dia. Cega de um olho e com pouca visão no outro, Lizzie passou grande parte de sua vida indo a hospitais para fazer exames de sangue e cirurgias por conta de fraturas sofridas pela ausência de gordura no corpo, principalmente em seu pé direito.

Atuando nos dias de hoje como palestrante motivacional, Velasquez precisou passar por muita coisa antes de conseguir dar a volta por cima e encarar a sociedade de cabeça erguida. Ela conta que seu primeiro contato com a aversão social se deu logo no jardim de infância, quando as demais crianças se afastavam e a encaravam com medo de sua aparência física. Todavia, o maior choque com certeza se deu aos 17 anos, quando se deparou no YouTube com um vídeo denominado “a mulher mais feia do mundo”. Curiosa com o título do arquivo, Lizzie não esperava encontrar fotografias suas em um vídeo que já havia sido visto por cerca de 4 milhões de pessoas. Surpreendida com os comentários do pessoal, a garota lembra que chorou por muitos dias enquanto se perguntava por que a chamavam insistentemente de “monstro” e desejavam tanto a morte de alguém que sequer conheciam.

Escritora de livros e dona de um canal muito popular no mesmo YouTube que a havia colocado para baixo há quase uma década, Velasquez diz que todas as forças para superar as dificuldades vieram de seus pais, os quais sempre a apoiaram em suas decisões e a criaram de uma maneira “150% normal”. Já graduada na faculdade, a garota participa ativamente de campanhas anti-bullying e esteve envolvida no primeiro projeto de lei federal que visa barrar o preconceito e a violência nas escolas dos EUA. Sempre bem-humorada e simpática com o seu público, a palestrante mostra que por mais difícil que possa ser a rotina diária, seguir os seus próprios conselhos continua sendo a melhor saída para vencer a ignorância e o ódio gratuito.

Investindo cada vez mais na conscientização popular, Lizzie se aliou à cineasta Sara Hirsh Bordo e juntas estrearam neste mês (25/09), em território norte-americano, o documentário “A Brave Heart: The Lizzie Velasquez Story” (“Um Coração Valente: A História de Lizzie Velasquez”, em tradução literal). Incluindo fortes chamadas como “a mulher mais feia do mundo”, “queime isso com fogo” e “faça um favor para todos e se mate” (alguns dos comentários que Lizzie encontrou no vídeo que mudou a sua vida), o projeto visa passar adiante a ideia de que o bullying não leva nada a ninguém. Sofrendo uma leva censura de 13 anos, a dupla conta que o material é destinado não apenas para os adultos, mas principalmente para os adolescentes (não só as maiores vítima desse mal hábito, mas também os maiores praticantes).

Não se esqueça de ativar as legendas em português caso elas não apareçam

Lidando com um passado no qual foi taxada com as maiores atrocidades que pode-se dizer a alguém, Lizzie é a prova viva de que a superação é possível se você confiar em si mesmo e se dedicar a passar por cima de tudo aquilo que lhe machuca. Por mais que essa maldita doença tenha deixado cicatrizes incuráveis em seu íntimo e no seu físico (fazendo com que a garota quisesse mais do que tudo “acordar um dia e ser capaz de apagar tudo isso”), ela foi capaz de manter-se firme e seguir adiante como uma mulher vitoriosa, e não mais uma vítima que decidiu abaixar a cabeça e se manter calada à opressão popular. Lizzie tinha tudo para desistir desde o início e se render aos padrões de beleza exigidos pelo ser humano, o caminho que 99,9% das pessoas opta em suas vidas, mas, felizmente, a sua forte personalidade acabou falando mais alto e calou todos aqueles que um dia riram de sua aparência externa. Ah Lizzie, se as pessoas não fossem tão superficiais e soubessem que o interior é o que realmente conta…

As informações que inspiraram este post foram consultadas e adequadas dos sites BCC (versão em português) e Vírgula.