Os 10 melhores discos de 2017

Apesar de não termos escrito tanto sobre música neste ano, não poderíamos deixar de compartilhar aqui no Caí da Mudança a já tradicional relação com os 10 melhores discos liberados ao longo destes últimos 12 meses. Entretanto, desde já gostaríamos (e precisamos) esclarecer que, diferente dos anos anteriores, foi bastante difícil para nós chegar a uma lista definitiva dos melhores de 2017, uma vez que foram muitas as opções realmente boas e que mereciam o mínimo possível de destaque em um especial como este.

Assim, e sem maiores delongas, você confere a seguir o nosso acirrado top 10, as já conhecidas menções honrosas e, não menos importante, uma pequena surpresa com o que foi considerado, tanto pela crítica quanto pelo público, o melhor álbum pop de 2017. Não se esqueça de clicar nas imagens abaixo para conferir um videoclipe especial de cada álbum e artista, ok? Ah, e ainda vale lembrar que você pode acessar os títulos escolhidos em 2016 (através deste link) e os selecionados em 2015 (por este outro link). Preparados? Então vamos lá:

10) YOUNGER NOW – MILEY CYRUS

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Malibu”, “Younger Now”

Considerações: Distanciando-se da imagem provocativa que construiu com tanto afinco durante as eras “Bangerz” (2013) e “Miley Cyrus & Her Dead Petz” (2015), é num tom mais intimista e raiz que Miley Cyrus ressurge em pleno 2017 com o 6º lançamento de sua diversificada discografia. Impulsionado pelo carro-chefe “Malibu” (#10 no “Hot 100”), “Younger Now” pode não ter atendido às expectativas do público, mas é sem sombra de dúvidas uma obra que merece ser reconhecida. Contando com apenas 11 faixas – todas compostas e produzidas pela própria Miley ao lado de Oren Yoel (com quem já havia trabalhado em “Dead Petz”) –, o disco combina pop-rock a baladinhas country da maneira mais espetacular possível. Totalmente sóbria de sua vida pregressa, é com uma sonoridade bem retrô, mas contemporânea, que a cantora nos apresenta à gravações sublimes (à exceção de “Rainbowland”, é claro) como “Bad Mood”, “Love Someone” e a fantástica faixa-título

Paradas musicais: O álbum estreou em #5 na “Billboard 200” com vendas de 45 mil cópias na primeira semana

9) TELL ME YOU LOVE ME – DEMI LOVATO

Gravadora: Island, Safehouse, Hollywood Records

Lançamento: 29 de setembro de 2017

Singles: “Sorry Not Sorry”, “Tell Me You Love Me”

Considerações: Outra ex-Disney star que também marcou 2017 com novo material foi a Demi Lovato, que há dois anos já havia nos surpreendido com o Grammy nominee “Confident” (2015). Colhendo os bons frutos gerados pelo lead single “Sorry Not Sorry” (#6 no “Hot 100”), em seu 6º álbum Lovato perambula, majoritariamente, entre o pop e o R&B, investindo em uma roupagem ainda mais obscura – e deixando claro que sua intenção é mesmo abraçar novos públicos e mercados. Explorando de forma secundária gêneros como synth-pop, gospel, rock e hip-hop, a moça é precisa em sua busca por independência e felicíssima ao nos presentear com as memoráveis “Ruin The Friendship”, “Cry Baby” e “Games” – até mesmo a carnavalesca “Instruction”, com Jax Jones e Stefflon Don, foi lembrada. Trazendo 12 faixas na edição standard, 15 na deluxe e 17 na exclusiva da Target, “Tell Me You Love Me” inclui as produções de Oak Felder, Trevor Brown entre muitos outros

Paradas musicais: O álbum estreou em #3 na “Billboard 200” com vendas de 75 mil cópias na primeira semana

8) AFTER LAUGHTER – PARAMORE

Gravadora: Fueled by Ramen

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Hard Times”, “Told You So”, “Fake Happy”

Considerações: Quem diria que, após 13 anos de uma sólida carreira construída no rock alternativo, o Paramore pudesse nos surpreender com um álbum totalmente pop? Embalado pelos instrumentais do new wave, do pop-rock, do synth-pop e do power pop, “After Laughter”, o 5º do trio, já demonstra logo em sua faixa de abertura todo o alto-astral ambientado na dance music dos anos 80 que esculpe sua tracklist do início ao fim. Totalmente contagiante e com uma pegada chiclete que não desgruda de nossos ouvidos, o sucessor de “Paramore” (2013) explora desde sons mais alternativos (“No Friend”, “Idle Worship”) a baladinhas suaves (“26”, “Tell Me How”) e canções recheadas de sintetizadores (“Hard Times”, “Rose-Colored Boy”). Recebendo as composições de Hayley Williams, Zac Farro (que desde o começo do ano voltou à formação da banda), Aaron Weiss e Taylor York, todas as 12 músicas nele presentes foram produzidas por York. Não deixe de conferir nossa resenha completa sobre o disco!

Paradas musicais: O álbum estreou em #6 na “Billboard 200” com vendas de 67 mil cópias na primeira semana

7) BEAUTIFUL TRAUMA – PINK

Gravadora: RCA Records

Lançamento: 13 de outubro de 2017

Singles: “What About Us”, “Beautiful Trauma”

Considerações: Separados por um interminável espaço de 5 anos, foi após muita espera dos fãs que o 7º álbum da Pink chegou há poucos meses para suceder o exitoso “The Truth About Love” (2012). Aliando-se aos velhos amigos Max Martin e Shellback, é em seu já familiar pop-rock ora pessoal, ora ousado, que a voz por trás de hits como “Just Like a Pill” surge com as indispensáveis “Revenge” (com o Eminem), “Whatever You Want” e “Secrets”. Creditada na composição de cada uma das 12 faixas presentes no disco, Pink acerta em cheio na vibe transmitida pelo “Beautiful Trauma” – a qual nos lembra, inevitavelmente, a do smash hit “Fuckin’ Perfect” (principalmente por “For Now”). Entre tantos artistas medíocres que sempre parecem acompanhar as tendências do momento e nunca inovam, é muito bom ver uma veterana fazendo música pop moderna com a mesma qualidade de seus trabalhos antecessores. Destaque especial, ainda, para “Barbies” e “Where We Go”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 408 mil cópias na primeira semana

6) REPUTATION – TAYLOR SWIFT

Gravadora: Big Machine Records

Lançamento: 10 de novembro de 2017

Singles: “Look What You Made Me Do”, “…Ready For It?”

Considerações: Pegando-nos de surpresa após os boatos que apontavam seu retorno para este ano, Taylor Swift não se contentou com uma estreia simplória e chegou com tudo com sua “Look What You Made Me Do” (#1 no “Hot 100”). Quebrando o recorde de vídeo mais visualizado no YouTube nas primeiras 24h (foram 43,2 milhões de views), a moça encaixou “…Ready for It?” (#4) na sequência e a partir daí não deu mais descanso para quem estava ansioso pelo seu 2º lançamento pop. Trazendo Ed Sheeran e Future em “End Games”, o 6º da cantora, assim como seu antecessor, capricha nas batidas de electropop e synth-pop produzidas por ninguém menos que Jack Antonoff, Max Martin e Shellback – aliás, a própria Taylor assina a produção de algumas faixas junto com a produção executiva. Muito mais obscuro e desafiador que o “1989” (2014), “Reputation” caminha por uma montanha-russa de altos e baixos que vai desde hits prontos como “I Did Something Bad”, “Don’t Blame Me” e “Dancing With Our Hands Tied” à gravações que jamais deveriam ter visto a luz do dia, como “Gorgeous”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 1.238 milhão de cópias na primeira semana

5) PLACES – LEA MICHELE

Gravadora: Columbia Studios

Lançamento: 28 de abril de 2017

Singles: “Love Is Alive”

Considerações: Contrariando o pop mainstream que tem tocado nas rádios ano após ano (inclusive o que marcou presença em seu debut album), é num tom mais cru e super afinado que Lea Michele nos embala em “Places”, sua 2ª experiência pelos estúdios de gravação. Recordando o passado de Michele na Broadway, o aguardado sucessor de “Louder” (2014) não deixa a desejar no quesito autenticidade e supera (em muito) a estreia mais comercial da ex-estrela de “Glee” há 4 anos com o single “Cannonball”. Trazendo as composições de grandes nomes da indústria musical atual (como Linda Perry, Ellie Goulding e Julia Michaels), “Places” extrapola vivacidade nas baladas muito bem produzidas pelos talentosos John Shanks, Xandy Barry (do multiplatinado duo Wax Ltd) entre outros. Apesar de pouco divulgado na mídia, o disco, que conta com 11 faixas na edição padrão e 13 na exclusiva da Target, não falhou no quesito gravações atemporais, dentre as quais devemos mencionar “Heavenly”“Hey You”“Sentimental Memories”

Paradas musicais: O álbum estreou em #28 na “Billboard 200” com vendas de 16 mil cópias na primeira semana

4) FLICKER – NIALL HORAN

Gravadora: Neon Haze, Capitol Records

Lançamento: 20 de outubro de 2017

Singles: “This Town”, “Slow Hands”, “Too Much to Ask”

Considerações: Primeiro novato do nosso top 10, Niall Horan ainda fazia parte do One Direction quando muitos o classificavam como o membro mais fraco do grupo. Dois anos mais tarde, felizmente, esta falácia logo caiu por terra. Dono de um dos maiores sucessos do ano (“Slow Hands”, #3 na Irlanda, #7 no Reino Unido, #11 nos EUA), Horan causou ainda mais frisson quando “Flicker”, o seu 1º álbum como solista, estreou direto no topo da parada norte-americana (mercado este que nem sempre é tão receptivo a artistas de outros continentes). Coescrevendo cada uma das 13 canções presentes no disco, Niall ainda é creditado pelo violão que podemos ouvir em 9 delas. Inspirado por bandas antigas de rock, como o Eagles e o Fleetwood Mac, “Flicker” caminha predominantemente pelo folk pop produzido por profissionais como Greg Kurstin, Julian Bunetta e Jacquire King. Se você gostou da maravilhosa “Slow Hands”, então não pode deixar de conferir as igualmente icônicas “On the Loose”, “Mirrors” e “The Tide”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 152 mil cópias na primeira semana

3) RAINBOW – KESHA

Gravadora: Kemosabe, RCA Records

Lançamento: 11 de agosto de 2017

Singles: “Praying”, “Woman”, “Learn to Let Go”

Considerações: Renascendo como uma fênix não apenas figurativamente, mas também literalmente, foi após uma árdua batalha judicial contra o produtor Dr. Luke que Kesha conseguiu finalmente dar continuidade à sua carreira. Dizendo adeus ao electropop que predominou em seus trabalhos anteriores, em “Rainbow” a cantora abandona de vez o efeito robótico que a fez tão famosa no início da década e, com a voz mais limpa do que nunca, experimenta gêneros como pop rock, glam rock, neo soul e country pop. Entoando o hino mais feminista do ano (“Woman”), é entre letras intimistas (“Bastards”, “Praying”), sonoridades regionais (“Hunt You Down”, “Spaceship”) e hits dançantes (“Learn to Let Go”) que o 3º álbum e Kesha a colocou novamente em evidência no mundo todo. Dando um tapa na cara de todos que duvidavam de seu poderio vocal, a loira esteve tão intimamente ligada ao processo criativo do disco que subscreveu a composição de suas 14 faixas, além da produção executiva de todo o material; outros produtores incluem Ricky Reed e Drew Pearson

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 117 mil cópias na primeira semana

2) HARRY STYLES – HARRY STYLES

Gravadora: Erskine, Columbia Records

Lançamento: 12 de maio de 2017

Singles: “Sign of the Times”, “Two Ghosts”, “Kiwi”

Considerações: Livrando-se da pegada teen inerente a cada disco e música de sua boyband, foi impulsionado pelo soft rock e britpop que Harry Styles fez o que consideramos a melhor estreia solo de um integrante da One Direction. Iniciado pelo carro-chefe “Sign of the Times” (#1 no UK, #4 nos EUA), o 1º disco de Harry – que assim como os de Zayn e Niall também estreou direto no topo da “Billboard 200” –, acerta em cheio nas produções de Jeff Bhasker, Alex Salibian e Tyler Johnson que em nada se assemelham aos lançamentos do 1D. Rendendo, ainda os singles “Kiwi”“Two Ghosts”, “Harry Styles” chegou a ser amplamente divulgado em diversos programas de rádio, TV e internet (como a insuperável edição de 2017 do “Victoria’s Secret Fashion Show” que você certamente ouviu falar). Coescrevendo todas as 10 faixas que compõem a tracklist do material, o vocalista ascende magistralmente e revela-se, sem esforço, uma das maiores apostas para o futuro da música internacional. Não deixe de conferir “Carolina”, “Only Angel” e “Ever Since New York”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 230 mil cópias na primeira semana

1) HEARTS THAT STRAIN – JAKE BUGG

Gravadora: Virgin EMI Records

Lançamento: 1º de setembro de 2017

Singles: “How Soon the Dawn”

Considerações: Pode parecer curioso que um blog tão familiarizado a resenhar álbuns de música pop opte por selecionar o trabalho de um artista alternativo para encabeçar uma lista de melhores discos do ano. Entretanto, fica difícil não o fazer quando paramos para ouvir, e consequentemente nos apaixonar, pelo 4º de inéditas do músico inglês Jake Bugg. Liberado um ano e três meses após “On My One” (2016), “Hearts That Strain” dá continuidade à trajetória de Jake por suas variações favoritas da indie music, dentre as quais se destacam o indie rock, indie folk, folk rock e country folk. Compondo, sozinho, cada uma das 11 faixas que aparecem no álbum, Bugg ainda participou ativamente do processo de produção do material, tendo desta vez recebido a ajuda de Dan Auerbach (o guitarrista e vocalista do The Black Keys) na árdua tarefa. Convidando Noah Cyrus para dividir os vocais na melódica “Waiting”, o cara transcende a musicalidade de qualquer outra obra liberada em 2017 com uma introspecção que beira à perfeição. Já queremos “Indigo Blue” como próximo single!

Paradas musicais: O álbum estreou em #7 na “UK Albums” (nº de cópias desconhecido)

ÁLBUM BÔNUS:

MELODRAMA – LORDE

Gravadora: Lava, Republic Records

Lançamento: 16 de junho de 2017

Singles: “Green Light”, “Perfect Places”, “Homemade Dynamite”

Considerações: Seríamos loucos se, em uma publicação como esta, não abríssemos um espacinho para falar sobre o 2º álbum de inéditas da neozelandesa Lorde. Afinal, não é qualquer trabalho que consegue, simultaneamente, liderar diversas listas de fim de ano, ser aclamado entre o público e a crítica e ainda indicado a “Album of the Year” pela maior premiação musical da história: o Grammy. Precedendo “Pure Heroine” (2013), não é em vão que “Melodrama” foi nomeado com o título que ostenta. Intercalando gêneros diversos que variam do dance-pop de “Green Light” a baladas carregadas por piano como “Liability”, o disco explora temas como a solidão e rompimentos amorosos de maneira louvável e intensa. Auxiliada por Jack Antonoff, Malay e Frank Dukes, Lorde compôs e produziu cada uma das 11 músicas que fazem de “Melodrama” o sucesso que ele é. Dê o play nas ótimas “Supercut”, “Perfect Places”, “Writer In the Dark” e “Sober”

Paradas musicais: O álbum estreou em #1 na “Billboard 200” com vendas de 109 mil cópias na primeira semana

MENÇÕES HONROSAS:

E aí, querido leitor? Quais foram os seus álbuns favoritos de 2017? Apesar de elencarmos acima o que consideramos os 10 melhores lançamentos do ano, é importante citarmos outros discos que também ganharam destaque nestes últimos meses e que, sem sombra de dúvidas, merecem ao menos nossas menções honrosas. Assim, também destacamos o “Meaning of Life”, da Kelly Clarkson; o “The Ride”, da Nelly Furtado; o “El Dorado”, da Shakira; o “Blue Lips”, da Tove Lo; o “Evolve”, do Imagine Dragons; e o “Dua Lipa”, da Dua Lipa. Muito obrigado por nos acompanhar em 2017 e um Feliz Ano Novo pra você e para toda sua família!

Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

Taylor Swift se vendeu para a indústria musical?

Não é de hoje que Taylor Swift tem se destacado no cenário musical e conquistado alguns dos títulos mais desejados expedidos pelas célebres premiações que elegem os melhores artistas da atualidade. Moldando sua carreira no country e liberando 4 álbuns no gênero raiz – aquele que aprendeu a amar e a criar desde que se mudou para Nashville, quando tinha apenas 14 anos –, a norte-americana não parecia demonstrar qualquer apavoramento em conquistar o topo do mundo enquanto competia indiretamente com os famosos cantores da música pop. Porém, a arma secreta de Taylor estava prestes a se dissipar quando o disco “1989” foi anunciado no ano passado juntamente com o seu carro-chefe “Shake It Off”.

Não que a moça fosse uma novata nesse gênero – diversas músicas do álbum “Red”, como “We Are Never Ever Getting Back Together”, “I Knew You Were Trouble.” e “22” já haviam recebido as influências do mainstream –, mas, desta vez, a “desculpa” de ser uma cantora country não mais poderia ser usada caso o novo material não fosse bem recebido pelo seu público alvo. Porém, para a felicidade de Swift, seus fãs não a deixaram na mão e demorou apenas 1 semana para o “1989” vender 1,287 milhão de cópias apenas nos EUA e quase quebrar o recorde de “disco mais vendido na semana de estreia por uma cantora solo”, o qual pertence atualmente à Britney Spears e o seu “Oops!…I Did It Again” (que espalhou 1,4 milhão de unidades na sua first week).

Colhendo os louros de seu investimento em um gênero musical mais universal e receptivo, em pouco mais de um ano a cantora e compositora atingiu o invejável feito de posicionar todos os 5 singles do novo material dentro do top 10 da “Billboard Hot 100”, a parada de sucessos mais importante dos EUA. Das 5 faixas liberadas para promover o novo álbum e a nova fase de Swift para as pessoas, 3 atingiram o #1 lugar no território estadunidense e receberam incontáveis certificados de platina nos mais diversos países da Europa, Ásia e Oceania. O trabalho, que até fevereiro deste ano já havia distribuído 8,6 milhões de cópias ao redor do mundo, é de longe o mais ousado da iniciante discografia de Taylor, mas será que é mesmo o mais autêntico?

Se antes a loirinha tinha como maior objetivo levar até as pessoas um pouco de todo o romantismo característico da música country (que desde os anos 20 une adeptos por onde passa), com o seu 5º álbum de inéditas Swift tentou resgatar o dance-pop dos anos 80 que bombou há longuíssimos 30 anos. Caprichando nos sintetizadores e chamando alguns gigantes da indústria como Max Martin, Ryan Tedder e Shellback para coescrever e produzir as principais faixas do material, as parcerias assinadas com a cantora parecem ter surtido um efeito positivo em sua nova imagem pública. Bem recebido pela crítica especializada, incluindo a popular “Metacritic”, que condecorou o “1989” com 76/100 pontos, a conceituada “Rolling Stone” deu ao disco 4/5 estrelas enfatizando: “profundamente estranho, febrilmente emotivo, descontroladamente entusiasmante. ‘1989’ soa exatamente como Taylor Swift, mesmo que não se pareça com nada já tentado antes por ela”.

Deixando de lado as inspirações da black music incorporadas em grande parte dos hits que dominaram as rádios de 2013 pra cá, Taylor resolveu seguir os passos dados por Katy Perry em seu “Prism” e produziu em “1989” um pop com mais cara de pop e menos de Hip-Hop ou R&B (como aquele feito por Miley Cyrus em “Bangerz” ou Justin Bieber em “Journals”). Tomando o total controle criativo de sua nova fase e participando ativamente não apenas da composição (de todas as canções) como também da coprodução de 7 das 16 faixas presentes no recente trabalho, a cantora acertou em cheio ao protagonizar ao lado de grandes diretores os seus melhores videoclipes desde que esta nova era foi iniciada. Seja pela letra encorajadora de “Shake It Off” (e todo o senso de humor esbanjado pela sua intérprete no vídeo da música) ou pela fotografia incrível de “Wildest Dreams”, é um fato irrefutável que Swift sabe mesmo como entregar aos seus fãs um trabalho visual de tirar o fôlego (será que precisamos mesmo nos lembrar o quão grande foi “Blank Space” quando do seu lançamento?).

Todavia, se por um lado existe o ponto bom dessa história, por outro surge um ângulo não muito bem visto pelo pessoal detentor de uma opinião mais crítica e feroz. Alguns alegando que Taylor estaria “se vendendo” para a indústria e partindo para uma sonoridade mais comercial só para lucrar (como eu bem me recordo de ler em diversas páginas do Facebook há pouco mais de um ano), outros chegaram a criar a teoria de que a trajetória trilhada por Swift pela música country nada mais foi que uma jogada de marketing para solidificar a sua futura estreia junto ao cenário pop. Marketing ou não, não há como negar que a transição vivida pela loira foi muito bem executada e apenas a deixou ainda mais poderosa nesta indústria.

Afinal, todo o trabalho e esforço investidos para se construir uma grande estrela possuem o seu preço, e não seria diferente com a nossa eterna garotinha apaixonada de “Love Story”. Revelando uma faceta até então desconhecida pela grande maioria das pessoas, Taylor demonstrou suas mais avançadas aptidões de gestão e administração ao travar uma luta contra um dos maiores serviços de streaming da história da internet: o Spotify. Retirando todo o seu catálogo do popular site de hospedagem musical, a cantora revelou à época que “pirataria, compartilhamento de arquivos e streaming haviam encolhido drasticamente os números de álbuns pagos… Música é arte, e arte é importante e rara. Coisas raras e importantes são valiosas. Coisas valiosas devem ser pagas. É minha opinião que a música não deve ser gratuita”. O mesmo aconteceu há uma semana, quando os fãs da musicista receberam alguns e-mails um tanto quanto intimidadores depois de publicarem vídeos não autorizados da “The 1989 World Tour” no Periscope, o snapchat dos vídeos gravados em tempo real e que são automaticamente excluídos após 24 horas da sua inclusão.

Mas, esperem um pouco! Tendo de lidar com os comentários de que promovia seu trabalho como uma dama de ferro totalmente mercenária, não estaríamos sendo justos com a cantora se não nos lembrássemos também de todas as boas ações praticadas por ela desde que seu nome não saiu mais dos holofotes e o seu disco foi o mais procurado do ano. Seja por ter ajudado um fã a pagar uma dívida com os estudos ou por bancar a irmã mais velha de seus seguidores do Tumblr, Swift demonstra, mesmo em momentos de descontração em sua casa (ou em cima dos palcos), que é gente como a gente e adora fazer maratonas de seriados como “Friends” e fantasiar seus gatos para o Halloween (além de também morrer de medo de pagar mico em público) – tudo isso você confere aqui. Por acaso alguém mais por aí se recorda do quão legal ela foi ao doar todos os lucros obtidos com o clipe de “Wildest Dreams” para uma instituição que dedica seu trabalho à conservação dos animais em extinção?

Planejando uma folga da agitada correria do seu dia a dia, até mesmo Taylor sabe que superexposição não faz bem a ninguém e já começou a pensar o que vai fazer após o término de sua atual turnê, que possui data de encerramento agendada para dezembro deste ano. Em recente entrevista para a revista “NME”, a loira revelou que conhece as consequências de ser o centro das atenções durante todo o tempo e o quanto as pessoas se cansam de ouvir o mesmo nome repetidamente. Visando preservar a sua carreira, ela revelou que deverá “[…] tirar um período de folga, as pessoas talvez precisem de um tempo longe de mim. Vou passear com meus amigos, compor novas músicas. Talvez nem compor novas músicas, eu não sei. Estou no noticiário todo dia por razões diferentes e, às vezes, se você deixar a ansiedade te abater, pode parecer que todos estão esperando você se dar mal; e então você estará acabada. Muitas vezes preciso ligar para minha mãe e conversar por um longo tempo, só para lembrar a mim mesma de todas as coisas que estão ótimas e das coisas que importam”.

É um fato que as novas músicas gravadas por Swift nos soaram muito menos emocionantes que as presentes nos discos “Taylor Swift”, “Fearless”, “Sparks Fly” e “Red”, mas devemos levar em conta que o “1989” tem funcionado atualmente não como o 5º de inéditas da cantora, mas sim como o seu 1º, visto que o cenário pop ainda é uma novidade para ela. É natural que antes de se preparar com um trabalho conceitual demais, um cantor inteligente prefira solidificar sua carreira fazendo uma estreia mais genérica para evitar a recusa popular. Dando-nos uma verdadeira aula de empreendedorismo musical, Taylor – não muito diferente de Katy Perry, que há pouco mais de 3 anos havia tentado de tudo para quebrar um recorde de Michael Jackson – sabe o que é o melhor para a sua imagem e demonstra que usar o cérebro não é uma tarefa muito complicada como tantos outros artistas fazem parecer.

Não nos esquecendo, antes de mais nada, que cabe ao artista e a sua equipe decidir quais serão os novos caminhos seguidos por ele, independente de o público acreditar ser um sucesso ou retrocesso. Em “1989” tivemos a oportunidade de conhecer uma nova Taylor Swift, a qual cumpriu o seu papel de forma espetacular ao ter sido capaz de criar hits instantâneos que agradaram a maior parte do seu público. Descobrindo novos talentos e curiosidades sobre si mesma, é invejável o quanto Taylor cresceu como artista e pessoa, conseguindo sem qualquer problema romper as amarras que a prendiam há tanto tempo na música country.

Não cabe a mim ou a você julgar se os métodos de divulgação procedidos por Taylor foram bons ou ruins, inteligentes ou abusivos (afinal: o direito de imagem está seguramente protegido e não existe só pra ocupar espaço na lei). A nossa tarefa, como ouvintes (e não empresários), é julgar a qualidade do som produzido, o esforço gasto pelo artista e a originalidade desenvolvida, fatores ainda presentes no material da cantora. Até parece que se qualquer um de nós estivesse no lugar dela não empregaria qualquer meio lícito (ou ilícito, dependendo de quem for) para aproveitar todas as chances de tentar ser o melhor.

Confira os lançamentos musicais que rolaram ontem no “VMA 2015”

A edição de 2015 do “Video Music Awards” rolou ontem (30/07), em L.A. e, como já é de conhecimento do público, diversas apresentações encabeçadas pelos cantores mais badalados da atualidade serviram de entretenimento para os milhões de telespectadores que acompanharam o evento em tempo real. Em uma noite em que não tivemos a presença de membros ilustres como Lady Gaga, Madonna ou Beyoncé com suas energias contagiantes, o jeito foi se contentar com algumas performances mais modestas de Demi Lovato e Justin Bieber.

E, como se não bastasse todo o frisson causado pela competição que elegeu os melhores videoclipes lançados no decorrer do ano, diversas surpresas acabaram vindo à tona em uma das edições mais paradas da história do evento. Seja pelos inúmeros prêmios levados por Taylor Swift para casa, pela apresentação da loira ao lado da Nicki Minaj ou pela treta envolvendo a rapper de “The Night Is Still Young” com a ex-Hannah Montana, o “VMA” deste ano serviu também de cenário para o lançamento de alguns materiais inéditos por parte de alguns dos convidados da premiação. Vamos dar uma conferida nessas novidades?


Em “Levels”, Nick Jonas quer mostrar que cresceu e não é mais o caçula bobinho dos Jonas Brothers:

O integrante mais jovem da popular banda de pop-rock dos anos 2000 já havia nos dado pequenos indícios de que possuía planos para focar sua música na carreira solo, mas, depois que seu irmão Joe se lançou em 2011 e pouco chamou a atenção dos charts, muito se questionou se Nick seguiria em frente ou não. Lançando seu disco homônimo e emplacando os singles “Chains” e “Jealous” dentro do top 20 da “Billboard Hot 100” (#13 e #7, respectivamente), Nicholas vem agora com sua nova música de trabalho para firmar ainda mais a imagem de sex symbol que adquiriu no ano passado. Chamando diversas dançarinas para sensualizar ao seu lado em um galpão abandonado repleto de pneus, latões, ventiladores e cadeiras bem posicionadas, o cantor provavelmente sabe que é o momento de procurar por estabilidade comercial e já prepara um novo disco que deverá sair em breve. Não que “Levels” vá acrescentar muito à sua discografia inicial, mas, às vezes, um homem só precisa seguir a sua natureza e agir como um homem.

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE “LEVELS”, DO NICK JONAS.


É hora da redenção! À procura de uma nova imagem pública, Justin Bieber aposta todas as suas fichas em “What Do You Mean?”:

Depois de se meter em uma série de problemas que relacionou prisões, brigas com os paparazzi, encontros com prostitutas e um suspeito envolvimento com drogas, Justin Bieber passou um bom tempo recluso do mundo do entretenimento sem liberar qualquer novidade. Entretanto, sempre é chegado um momento de retornar e, foi com o dueto na música “Where Are Ü Now”, do Jack Ü, que o garoto prodígio decidiu neste ano dar um tapa no passado e dizer para as pessoas que estava pronto para recuperar a sua carreira. Limpando sua imagem de bad boy, Bieber é um cara todo romântico no clipe de “What Do You Mean?”, o atual single de trabalho do canadense – e, como não poderia deixar de ser, é necessário apenas um minuto e meio para Justin tirar as suas roupas e mostrar as tatuagens para as suas fieis seguidoras. Assim como “Levels”, “What Do You Mean?” ganha alguns pontos positivos por ter aquela pegada chiclete que grudará na sua cabeça (mesmo que, para isso, não tenha metade do potencial de “Boyfriend” ou “As Long As You Love Me”). Quem sabe o 2º single não nos impressione mais, não?

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE”WHAT DO YOU MEAN?”, DO JUSTIN BIEBER.


Taylor Swift não cansa de nos surpreender e é uma atriz hollywoodiana em “Wildest Dreams”:

Após uma superexposição com o álbum “1989” e o sucesso incontestável de “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood”, muitos de vocês devem estar saturados de ouvir o nome “Taylor Swift” por aí, mas não há como negar que a norte-americana sabe como conduzir uma grande produção. Dando continuidade ao seu sólido legado construído no pop, a 9ª faixa de seu 5º disco de inéditas foi a escolha da vez para seguir os passos de “Style” e deixar o mainstream como segundo plano. Repaginando seu visual e utilizando-se de uma peruca escura para viver uma atriz de cinema que contracena com o galã Scott Eastwood, Swift mostrou seu lado mais humanitário ao reverter todos os lucros obtidos com o vídeo da música para uma instituição que dedica seu trabalho à conservação dos animais, a “African Parks Foundation of America”. Composta pela própria Taylor ao lado de Max Martin e Shellback (e produzida pelos últimos), a moça tem acertado bem em chamar o Joseph Kahn para gravar os seus clipes, não? Okay Taylor, nós adoramos “Wildest Dreams”, mas cadê “Out Of The Woods” e “Welcome To New York”?

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE”WILDEST DREAMS”, DA TAYLOR SWIFT.


Parece que a era Bangerz está só começando! Já viu “Dooo It!”, a nova da Miley Cyrus?:

Quando “Adore You” encerrou a divulgação do “Bangerz” e nada mais sobre essa era foi anunciado pela mídia, eu realmente cheguei a acreditar que Miley Cyrus estaria se inspirando para criar um projeto muito maior e melhor. Mero engano! Porém, se existe algo em que a intérprete de “We Can’t Stop” tem se saído bem é em não dar a mínima para o que as pessoas acham dela, inclusive este que vos escreve. Lançando um novo álbum completamente independente que possui inimagináveis 23 faixas, “Miley Cyrus and Her Dead Petz” é o nome do EP liberado pela loira na noite de ontem e que pode ser ouvido gratuitamente aqui. O primeiro single do trabalho, “Dooo It”, é o mesmo apresentado por Cyrus no palco do “VMA” ao lado de diversas drag queens e também já teve o seu clipe adicionado ao YouTube. Lambuzando-se com muito glitter enquanto fuma um baseado e mostra sua língua feroz para quem quiser ver, Miley está… sinto muito, mas não consegui ver o vídeo completo (será que você vai ser capaz?).

ASSISTA AQUI AO VIDEOCLIPE DE”DOOO IT”, DA MILEY CYRUS.