Os 10 melhores discos de 2016

2016 já está acabando e, como de costume, a internet tem sido bombardeada com as mais variadas listas de fim de ano que relacionam os melhores e piores lançamentos musicais que se destacaram por todo o cenário da indústria fonográfica. Não muito diferente dos demais sites, blogs e revistas, o Caí da Mudança também decidiu seguir a correnteza e elencou, na publicação de hoje, 10 discos que agradaram bastante os nossos redatores e que não poderiam passar despercebidos da atenção de vocês, caros leitores.

Tentando deixar de lado títulos bastante populares como “Lemonade”, da Beyoncé, ou “Views”, do Drake, você confere, a seguir, o que mais se sobressaiu nas nossas playlists e que tanto gritou para ganhar um espacinho especial por aqui. Entre inúmeros gêneros dos mais diversificados artistas, os nossos 10 melhores discos do ano de 2016 (os quais, é claro, não seguem uma linha do melhor para o pior, e vice-versa) foram:

DANGEROUS WOMAN – ARIANA GRANDE / por MARCELO

Gravadora: “Republic Records”;

Lançamento: 20 de maio de 2016;

Gênero: pop, dance-pop, R&B;

Singles: “Dangerous Woman”, “Into You” e “Side to Side”;

Considerações: De todos os discos mainstream liberados ao longo dos últimos 12 meses “Dangerous Woman” é um que não poderia faltar em nossa simplória lista não apenas pelo eficiente impacto comercial de seus singles bem-sucedidos, mas também pelo que a obra, como um todo, representou na promissora discografia de Ariana Grande. Já considerada por muitos como um ícone desta nova leva de cantores e musicistas, a morena não poupou esforços de tornar as coisas mais pessoais e decidiu entregar-se de corpo e alma no que se revelou a experiência mais autoral de sua trajetória musical. Deixando o pop genérico para segundo plano (apesar das escassas “Into You” e “Side to Side”) e caprichando melhor em faixas corajosas que exploraram uma faceta mais sensual de sua intérprete (“Let Me Love You” e “Knew Better / Forever Boy”), o disco inova ao combinar R&B, house e dance a uma voz poderosa que vem se mostrando uma das mais marcantes da atual década. Originalidade, ousadia e confiança foram, inquestionavelmente, as palavras que melhor definiram o 3º disco solo desta garota que ainda tem muito a nos mostrar. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Dangerous Woman”.

Charts: “Dangerous Woman” estreou em #2 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 175 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Dangerous Woman”, “Into You”, “Side to Side” e “Focus” (promocional) atingiram as posições #8, #13, #4 e #7, respectivamente;

Ouça: “Let Me Love You”, “Greedy” e “Bad Decisions”;

Assista: ao clipe de “Let Me Love You”.


JOANNE – LADY GAGA / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Interscope Records”, “Streamline”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: country pop, dance pop, soft rock;

Singles: “Perfect Illusion” e “Million Reasons”;

Considerações: Finalmente aconteceu. 2016 foi o ano em que finalmente me rendi à Lady Gaga. Num álbum que transita por várias influências e gêneros, Gaga consegue, com maestria, soar coesa e ousada ao mesmo tempo. Não que seja algo que já não tenha sido feito antes, mas é algo que nem todos conseguem fazer tão bem e com tanta autenticidade. Da abertura com “Diamond Heart”, à emocional e introspectiva faixa título “Joanne” num tom pessoal, seguida pela fashion-feroz-country-rock “John Wayne”, passando por “Dancin’ In Circles” – que na letra traz Gaga de volta à suas origens sombrias –, até a brilhante “Sinner’s Prayer”. Há mensagem de tolerância e aceitação trazida por versos na melodia melancólica de “Come to Mama”, alertando que “não haverá futuro” se não aprendermos a conviver uns com os outros; uma elegante parceria com Florence Welch, em “Hey Girl”, e influências de jazz em “Just Another Day”. Num conceito pessoal, estrelado por um dos vocais mais admiráveis em um álbum pop nos últimos anos, com “Joanne”, particularmente, me curvei à Lady Gaga. Finalmente. E nunca foi tão bom.

Charts: “Joanne” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 170 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Perfect Illusion” e “Million Reasons” atingiram as posições #15 e #52, respectivamente;

Ouça: “Joanne”, “John Wayne” e “Sinner’s Prayer”.

Assista: ao clipe de “Perfect Illusion”.


MIND OF MINE – ZAYN / por MARCELO

Gravadora: “RCA Records”;

Lançamento: 25 de março de 2016;

Gênero: pop, alternative R&B, R&B;

Singles: “Pillowtalk”, “Like I Would” e “Wrong”;

Considerações: Não muito diferente de Ariana, outro que decidiu procurar por novos horizontes e se sobressaiu ao trazer um som mais intimista foi o Zayn – mundialmente conhecido por ter integrado o quinteto One Direction. Saindo da “Terra da Rainha” e ganhando os EUA com um material solo que deixou bastante gente boquiaberta, o britânico provou de vez que nada tinha a ver com os trabalhos assinados pelos outros discípulos de Simon Cowell e investiu sem medo em gêneros como o folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e música clássica. Inspirando-se em grandes artistas que fizeram parte de sua infância (como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince), Zayn é feliz ao abrir seu coração e nos apresentar a faixas muito bem produzidas capazes de nos fazer embarcar para uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas. Com um material de excelente qualidade abrangido por “Borderz”, “Lucozade”, “Bright” e “Golden” é realmente uma lástima que o público só tenha dado atenção para o carro-chefe “Pillowtalk”. Quem diria que após “abandonar” seus parceiros de longa data o Sr. Malik viria a liderar uma das mais brilhantes estreia como solista desta década? Relembre a nossa resenha especial sobre o “Mind of Mine”.

Charts: “Mind of Mine” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 157 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Pillowtalk” e “Like I Would” atingiram as posições #1 e #55, respectivamente;

Ouça: “Rear View”, “Lucozade” e “Borderz”;

Assista: ao clipe de “Befour”.


CITIZEN OF GLASS – AGNES OBEL / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “PIAS Recordings”;

Lançamento: 21 de outubro de 2016;

Gênero: folk/classical;

Singles: “Familiar” e “Golden Green”;

Considerações: Este foi, definitivamente, o álbum que mais esperei durante o ano. Agnes Obel é uma cantora e instrumentista dinamarquesa que mescla os gêneros folk e música clássica. Na difícil tarefa de honrar seus dois primeiros [e como costumo chamar, inebriantes] álbuns, Obel faz com que a tarefa pareça simples com “Citizen of Glass”. É um daqueles álbuns que, como “Philharmonics” (2010) e “Aventine” (2013), você não pode descrever. Você precisa ouvi-lo, senti-lo, contemplá-lo e, a partir daí, descobrir como se sente sobre ele. “Citizen of Glass” é uma peça de arte de uma artista fantástica, que além de ser uma excelente continuidade de seu trabalho, provém também evolução, com vocais tão bem explorados em canções como “It’s Happening Again” e “Trojan Horses”, e produções como “Familiar”. Agnes Obel e “Citizen of Glass” são raros. Mesmo com uma nova onda artística atingindo o mainstream na indústria fonográfica de hoje, garanto que não há nada parecido tocando por aí. É distinto, singular, magnífico.

Charts: “Citizen of Glass” chegou até o #50 da “Billboard 200”, a principal parada estadunidense. No “Syndicat National de l’Édition Phonographique” o single “Familiar” atingiu a posição #54;

Ouça: “It’s Happening Again”, “Stone” e “Mary”;

Assista: ao clipe de “Familiar”.


INESPERADO – ANAHÍ / por MARCELO

Gravadora: “Universal Music”;

Lançamento: 3 de junho de 2016;

Gênero: latin pop;

Singles: “Rumba”, “Boom Cha”, “Eres” e “Amnesia”;

Considerações: Foi assim, após 7 anos “cozinhando” seus fãs sem o lançamento de um novo material de estúdio, que Anahí tomou as rédeas de sua carreira musical e voltou com tudo com o aguardadíssimo sucessor de “Mi Delirio” (2009). Predominantemente pop, “Inesperado” soa assim como seu título, usando e abusando dos elementos típicos do dance-pop e indo muito além ao incorporar instrumentais exclusivos do electropop, reggaeton, pop-rock e funk carioca. Responsável por levar a mexicana de volta à suas raízes latinas (“Me Despido”, “Arena Y Sol”, “La Purta de Alcalá”), a produção de cada faixa foi extraordinariamente refinada por nomes de peso como Ettore Grenci, Sebastian J e Cheche Alara enquanto a parte lírica recebeu as contribuições dos já conhecidos Gloria Trevi (“Me Hipnotizas”), Noel Schajris (“Alérgico”) e Claudia Brant (“Te Puedo Escuchar”). Com inúmeros detalhes milimetricamente calculados, nunca um álbum de Anahí soou tão eclético sem perder a essência bastante emotiva daquela que já nos cativava desde os velhos tempos do RBD. Destaque especial para faixas como “Temblando” e “Inesperado” que sem querer nos cativa com uma espontaneidade imediata. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Inesperado”.

Charts: “Inesperado” estreou em #4 no “Amprofon”, a principal parada musical mexicana. O single “Rumba” atingiu a posição #32 “Billboard Latin Pop Songs”;

Ouça: “Arena Y Sol”, “La Puerta de Alcalá” e “Inesperado”;

Assista: ao clipe de “Amnesia”.


REVOLUTION RADIO – GREEN DAY / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “Reprise Records”;

Lançamento: 7 de outubro de 2016;

Gênero: punk rock;

Singles: “Bang Bang” e “Still Breathing”;

Considerações: Sejamos honestos, não há bandas de rock surgindo e atingindo o sucesso mainstrem em muitos anos. Não estamos falando de alternative, indie, inde pop… As últimas bandas que eu me lembro de terem surgido no mainstream foram durante o período de ascensão do emocore, entre 2005 e 2010. Num mercado dominado por artistas solos – seja de qual gênero for, é um alento ter o bom e velho Green Day prevalecendo, de volta de um hiatus de mais de 3 anos com um álbum simples, objetivo e absolutamente relevante. “Revolution Radio” soa um autêntico punk rock/college rock Green Day, ainda assim atual, em faixas como “Say Goodbye”. O álbum também soa como uma grande ode a trabalhos anteriores da banda. “Forever Now” traz uma estrutura similar a de “Jesus of Suburbia”, de “American Idiot” (2004), enquanto “Ordinary World” pode remeter à nostalgia de “Good Riddance (Time of Your Life)”, de “Nimrod” (1997). Obrigado por não nos deixar na mão, Green Day!

Charts: “Revolution Radio” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 95 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Alternative Songs” os singles “Bang Bang” e “Still Breathing” atingiram as posições #1 e #3, respectivamente;

Ouça: “Outlaws”, “Troubled Times” e “Ordinary World”;

Assista: ao clipe de “Still Breathing”.


THIS IS WHAT THE TRUTH FEELS LIKE – GWEN STEFANI / por MARCELO

Gravadora: “Interscope Records”;

Lançamento: 18 de março de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Used to Love You”, “Make Me Like You” e “Misery”;

Considerações: Outra que demorou bastante para voltar aos estúdios de gravação (exatos 10 anos) e entregar ao público um novo álbum solo de inéditas foi a Gwen Stefani, também conhecida por trabalhar como vocalista do No Doubt. Revezando seu tempo entre a vida particular (que há pouquíssimo tempo foi atingida por um divórcio inesperado) e a profissional (quando atuou como técnica do “The Voice” norte-americano, substituindo Christina Aguilera), Stefani entrou rapidamente na onda dos produtores contemporâneos como Greg Kurstin, Mattman & Robin, J.R. Rotem e Stargate e tentou, de maneira bem original, revitalizar sua sonoridade tão particular – quem é fã de Stefani com certeza se identificará com as genuínas “You’re My Favorite”“Rocket Ship”“Red Flag”. Dando vida à hinos como “Make Me Like You” e “Rare” que falaram muito sobre seu atual relacionamento com o Blake Shelton, o trabalho fez bonito nos charts dos EUA e deram à cantora seu primeiro #1 como solista, após o #3 de “The Sweet Scape” (2006) e #5 de “Love. Angel. Music. Baby” (2004). É R&B, disco, electropop, synthpop, ska pop, trip-hop e folk do começo ao fim.  Relembre a nossa resenha especial sobre o “This Is What the Truth Feels Like”.

Charts: “This Is What the Truth Feels Like” estreou em #1 na “Billboard 200”, a principal parada musical estadunidense, com vendas de 84 mil cópias na primeira semana. Na “Billboard Hot 100” os singles “Used to Love You” e “Make Me Like You” atingiram as posições #52 e #54, respectivamente.

Ouça: “Truth”, “Me Without You” e “Loveable”;

Assista: ao clipe de “Make Me Like You”.


ANTI – RIHANNA / por MARCELO

Gravadora: “Westbury Road” e “Roc Nation”;

Lançamento: 28 de janeiro de 2016;

Gênero: pop, R&B;

Singles: “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain”;

Considerações: Não que a voz por trás de “We Found Love” estivesse em baixa no mercado até o lançamento do seu 8º disco de inéditas, mas, existe uma boa razão para que “Anti” tenha ganhado tanto destaque por aqui quando do seu lançamento, no começo deste ano. Despindo-se de qualquer influência da música genérica que permeou seus trabalhos mais populares como “Loud” (2010), “Talk That Talk” (2011) e “Unapologetic” (2012), o anteriormente nomeado “R8” foca em uma Rihanna cheia de vulnerabilidades que há muito não víamos dando as caras por aí. Aposentando as batidas nauseantes de David Guetta, Calvin Harris e companhia que já não aguentávamos mais ouvir, a barbadiana mais famosa da música não pensou duas vezes e achou por bem dar preferência a um som mais simplista e que representasse melhor a atual fase de sua vida. Experimentando instrumentais mais urbanos como o R&B, o reggae e o eletrônico (“Work”, “Needed Me”) e combinando-os perfeitamente a um pouco de jazz e soul da melhor qualidade (“Close To You”, “Love on the Brain”), a musicista nos comprova que, às vezes, “menos é mais”. O público agradece a honestidade, Riri. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Anti”.

Charts: “Anti” estreou em #27 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, mas em sua segunda semana atingiu o #1, com vendas de 166 mil cópias. Na “Billboard Hot 100” os singles “Work”, “Kiss It Better”, “Needed Me” e “Love on the Brain” atingiram as posições #1, #62, #7 e #20, respectivamente;

Ouça: “Desperado”, “Same Ol’ Mistakes” e “Never Ending”;

Assista: ao clipe de “Needed Me”.


A MOON SHAPED POOL – RADIOHEAD / por JÚLIO CÉSAR

Gravadora: “XL Recordings”;

Lançamento: 8 de maio de 2016;

Gênero: art rock, alternative rock, eletrônica;

Singles: “Burn the Witch” e “Daydreaming”;

Considerações: Foi tudo muito rápido em meio há um hiatus muito longo. Num dia não tínhamos nada, no outro tivemos “Burn the Witch”. Três dias depois veio “Daydreaming” e o aguardado anúncio de um novo álbum para dali dois dias. É possível considerar, talvez, “A Moon Shaped Pool” como uma continuação atual de “Kid A” (2000), em um tom mais melódico e personalidade mais madura. Os sussurros invertidos de Tom Yorke em “Daydreaming” parecem pertencer perfeitamente ao instrumental alinhado numa assimetria brilhante. O álbum traz também a tão esperada versão estúdio de “True Love Waits”, um clássico instantâneo da banda que figurou pela primeira vez no “I Might Be Wrong: Live Recordings” (2001), em uma gravação ao vivo. Em suma, “A Moon Shaped Pool” termina por ser não apenas mais um álbum a figurar entre os melhores do ano, mas um que preenche bem e de forma natural a timeline de obras da banda.

Charts: “A Moon Shaped Pool” estreou em #3 na “Billboard 200”, a principal parada estadunidense, com vendas de 181 mil cópias na primeira semana. No “UK Singles Chart” os singles “Burn the Witch” e “Daydreaming” atingiram as posições #64 e #74, respectivamente;

Ouça: “Daydreaming”, “Present Tense” e “True Love Waits”;

Assista: ao clipe de “Burn the Witch”.


WINGS OF THE WILD – DELTA GOODREM / por MARCELO

Gravadora: “Sony Music Australia”;

Lançamento: 1º de julho de 2016;

Gênero: pop;

Singles: “Wings”, “Dear Life”, “Enough” e “The River”;

Considerações: Por fim, nossa seleção não estaria completa se não nos lembrássemos do que foi, sem sombra de dúvidas, um dos materiais mais surpreendentes conduzidos por um artista de fora da indústria estadunidense. Levando longos 4 anos desde o maravilhoso “Child of the Universe” (2012), a australiana Delta Goodrem não economizou na qualidade e trouxe em “Wings of the Wild” aquilo que melhor sabe fazer desde o início de sua trajetória: um álbum recheado de baladas super emotivas e alguns hinos dançantes que acertam por desviar radicalmente das faixas genéricas que bombam nas rádios de todo o planeta. Combinando um vocal de aço (“Dear Life”) a consistentes instrumental (“Wings”), ritmo (“In the Name Of Love”), temática (“Feline”) e identidade (“I’m Not Giving Up”), “Wild” extravasa contemporaneidade e evolui consideravelmente na discografia de ouro que vem sendo construída por uma das musicistas mais completas de sua geração. Uma mistura uniforme de pop, rock, rap e dance, o 5º álbum de Goodrem não deixa a desejar desde a sua primeira audição e nos comprova que a parceria com o produtor Vince Pizzinga (que trabalha com a cantora desde o “Innocent Eyes”, de 2003) e o duo DNA (Anthony Egizii e David Musumeci) trouxe à Delta o tom de liberdade que lhe faltava para explorar novos horizontes sem perder o autocontrole de sua própria personalidade. Relembre a nossa resenha especial sobre o “Wings of the Wild”.

Charts: “Wings of the Wild” estreou em #1 no “ARIA Charts”, as paradas musicais australianas, ao lado dos singles “Wings” (#1), “Dear Life” (#3), “Enough” (#27), “The River” (#58) e “Only Human” (#46);

Ouça: “Enough”, “In the Name of Love” e “I’m Not Giving Up”;

Assista: ao clipe de “The River”.


E vocês, meus caros leitores: quais foram os álbuns lançados neste 2016 que mais lhes agradaram? Não deixem de comentar logo a seguir as suas recomendações com os trabalhos que mais bombaram em suas playlists e que nós da família Caí da Mudança precisamos conhecer. Um Feliz Ano Novo a todos!

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Enterrando o passado, Zayn renasce em “Mind Of Mine”, o primeiro álbum de sua carreira solo

Quando a envolvente “Pillowtalk” foi lançada há pouco mais de dois meses como o primeiro single da carreira solo de Zayn, mal sabíamos que a canção se tornaria um hit instantâneo ou que alcançaria o #1 de diversos países do mundo inteiro. Inclusive, naquela época, até chegamos a fazer um post exclusivo (relembre aqui) comentando sobre o potencial da música e toda a ânsia de mudanças que o Sr. Malik vinha alimentando desde que saiu do One Direction. Contudo, as novidades estavam apenas começando.

Sabendo que não seria com apenas uma faixa isolada que conseguiria manter o grande foco do público, foi em meio a inúmeras expectativas que finalmente pudemos descobrir o que o moço veio experimentando após ter deixado a banda que o levou ao estrelato. E, é sobre o novo projeto do cantor, o disco “Mind Of Mine”, e suas maiores influências, que iremos falar um pouquinho mais na publicação de hoje. Então, não perca mais tempo, acomode-se na cadeira (sofá ou qualquer outro lugar onde esteja) e vem com a gente para mais uma resenha musical!

Precedentes:

O cantor em ensaio fotográfico para a “Culture Magazine”

Após sair do anonimato e consagrar-se em uma das boybands mais bem-sucedidas da atualidade, Zayn Malik não demorou para crescer aos olhos do público e se tornar um dos membros mais queridos do One Direction. Recebendo a oportunidade de trabalhar com música enquanto dividia as luzes dos holofotes com os outros quatro colegas do “The X Factor”, as coisas caminharam bem até a estreia da turnê promocional do disco “Four”, o quarto do antigo quinteto.

Isso porque, assim que os primeiros shows da “On The Road Again Tour” tiveram início em fevereiro de 2015, foi questão de poucos dias para Malik abandonar os espetáculos alegando “estresse” – o que, mais tarde, seria confirmado pela sua saída definitiva do grupo. Porém, o que seria apenas um período de férias para “reencontrar-se”, de uma maneira ou outra, acabou não durando muito tempo e mudou a vida de Zayn definitivamente – uma decisão que o redirecionou até um contrato com uma nova gravadora e a abertura de sua tão desejada carreira solo.

Lançamento e detalhes técnicos:

A capa do “Mind Of Mine”, a qual é ilustrada por uma foto de Zayn durante a infância

Passando a maior parte do ano passado trabalhando dentro dos estúdios de gravação amparado a um forte time de produtores e compositores, toda a desesperadora espera pelo primeiro projeto solo de Malik (o quinto de seu catálogo) foi encerrada no último 25 de março. Liberado sob o selo da “RCA Records”, gravadora que mantém vínculos com o cantor desde 2015, “Mind Of Mine” marca não apenas a estreia do garoto como solista, mas também é responsável por mudar radicalmente a maneira como passamos a enxergá-lo profissionalmente. Estreando na primeira posição da “Billboard 200”, espalhou em apenas sete dias impressionantes 157 mil cópias por todos os EUA.

Alavancado pelo lead single “Pillowtalk”, o qual ganhou as rádios de todo o mundo no final de janeiro, o trabalho é atualmente promovido por “Like I Would”, canção que se encontra disponível apenas na edição deluxe do álbum (sim, isso mesmo, você leu direito: o segundo single do material não está disponível na versão standard, como normalmente o é). Para quem acabou se perdendo em meio a tantas faixas disponibilizadas individualmente, vale dizer que as recentes “It’s You” e “Befour”, apesar de já terem seus videoclipes gravados e adicionados ao canal VEVO do cantor, no YouTube, não passaram de singles promocionais.

O vídeo oficial da promocional “Befour”

Com uma sonoridade que caminha predominantemente pelo R&B e pelo R&B alternativo (terminologia usada para se referir ao som mais contemporâneo produzido por cantores como o The Weeknd), “Mind Of Mine”, assim como tantos outros álbuns lançados nos últimos anos, não se contenta em caminhar por uma linha reta e faz uma mistura de sons que vem para exaltar toda a versatilidade de Malik. Passando pelas batidas do pop, folk, dub, soul, funk, eletrônico, qawwali, hip-hop, reggae, soft-rock e até mesmo música clássica, o novo material, surpreendentemente, exala um nível de maturidade que dificilmente encontramos em debut albums.

Mainstream ou independente: e agora?

Não deixe de conferir também o romântico clipe em preto e branco de “It’s You”

Enquanto fazia parte do One Direction e conquistava os corações de milhares de adolescentes de todos os lugares do mundo, inevitavelmente, o som do grupo britânico acabou se orientando bastante pelo pop comercial e característico de qualquer boyband de sucesso (afinal: este sempre foi o seu público alvo). Todavia, assim que teve a chance de se desvincular dos demais integrantes para fazer em estúdio o que já almejava há algum tempo (sabe-se lá desde quando o garoto queria se ver “livre” do contrato que o prendia ao 1D, já que a pressão deveria ser imensa), Zayn não poupou esforços ao convidar pessoas de sua confiança para lhe auxiliarem na busca pela sua verdadeira identidade.

E, foi a ajuda do ganhador do “Grammy” Malay (que já trabalhou com Frank Ocean) e de outros produtores como Levi Lennox, MYKL, XYZ e Alan Sampson que Malik conseguiu chegar ao resultado que tanto pretendia. Combinando algumas faixas mais mainstream (“Pillowtalk”, “She”) a outras mais experimentais (“Intermission: Flower”, “Blue”), o cantor parece ter conseguido encontrar um caminho intermediário que fosse capaz de trazer o melhor dos dois mercados em um trabalho que respeitasse qualidade e talento – prepare-se para muitos falsetes, vibratos (It’s You) e até mesmo freestyle (“Lucozade”) e reggae (“Do Something Good”).

Respirando os ares das antigas gerações:

Entre as 20 novas faixas do álbum (você confere a tracklist completa aqui), só há um featuring em “Mind Of Mine”: “Wrong”, com a Kehlani

Assinando cada uma das 20 novas músicas (outros compositores incluem James Griffin, Harold Lilly, Kehlani e Herbie Crichlow), assim como o mix de gêneros revisitados por Malik, a temática de “Mind Of Mine” demonstra uma profunda extensão ao discorrer por letras que variam de amor, felicidade, sexo e tristeza. Tomando por influência o grande legado construído pelas vozes da black music que fizeram parte de sua infância como Tupac, Usher, R. Kelly e Prince, Zayn não teve medo de caprichar na intimidade e fazer um som bem pessoal, que tentasse definir quem ele realmente era (e é por esta razão que tudo soa tão natural e familiar, sem parecer “forçado” ou pretensioso).

Entre as brilhantes e memoráveis descobertas que podemos encontrar em “Mind Of Mine”, muitas são as gravações autênticas e que funcionam bem por todo o disco, cumprindo seu papel de nos introduzir a um novo Zayn (muito mais maduro, independente e à vontade com o material que está entoando). Contudo, para o caso de você ainda estar um pouco perdido em relação ao que ouvir primeiro ou dar preferência, recomendamos as dançantes “Befour”, “She” e “Like I Would”; e as alternativas “Rear View”, “Borderz” e “Lucozade” – e isso sem mencionar a tocante “Golden”, canção que encerra perfeitamente as edições japonesa e exclusiva da “Target”.

O labirinto mental de “Mind Of Mine”:

Tentando trazer para todos nós um pouquinho de tudo que já aconteceu por sua trajetória (desde o seu gosto musical pessoal à suas experiências de vida como cantor e pessoa), Zayn abre todo seu coração e nos apresenta canções altamente bem produzidas capazes de nos levar a uma viagem direto a suas memórias mais íntimas e secretas – e o melhor de tudo: sem perder aquele toque cru que é típico dos melhores álbuns autorais. Um claro exemplo disso está em “Pillowtalk”, o carro-chefe que tomou como inspiração o relacionamento amoroso do moço com Perrie Edwards (membro do Little Mix) e que foi o responsável por cativar o público de imediato.

Deixando todas as suas vulnerabilidades expostas a qualquer um que quisesse ouvi-las, o novo trabalho não peca ao entrar na mente do seu intérprete e retirar dali tudo que pudesse ser útil para esta nova empreitada. Ao passo que o álbum vai rolando solto, é como se a voz de Zayn nos conduzisse pelos inúmeros corredores e portas que se escondem em seu subconsciente, sempre prontos para nos contar uma lembrança ou história diferente. Abrindo-se como as páginas de um diário escrito e rasurado pelos intensos sentimentos do garoto, “Mind Of Mine” se mostra bastante coeso e cumpre o seu papel de “limpar o histórico de Malik” ao nos reapresentar um nome que já era conhecido do público… mas que, infelizmente, tinha muito do seu potencial restringido para agradar as grandes massas. Ainda bem que essas correntes foram finalmente rompidas, não é mesmo?


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Fora do 1D, Zayn dá seus primeiros passos na carreira musical com a sensual (e sombria) “Pillowtalk”

Desde que deixou o One Direction para “ser um garoto normal de 22 anos, poder relaxar e ter uma vida privada, fora dos holofotes”, muito se questionou se Zayn Malik viria, um dia, a apostar suas fichas na carreira solo (por mais que todos os indícios nos levassem a crer veemente nisso). Porém, qualquer dúvida de seus seguidores foi solucionada há pouco mais de seis meses, quando o ex-integrante da banda inglesa assinou com a “RCA Records” e se comprometeu a mostrar ao público o seu “verdadeiro eu”.

De lá pra cá, pouco se soube sobre o novo projeto do cantor, a não ser por uma entrevista ou outra concedida a revistas como a “Billboard” e a “The Fader”, por exemplo. Mas, para a felicidade de muita gente, foi finalmente revelada na última semana (29/01) a primeira amostra do que encontraremos no primeiro disco solo da carreira de Malik: o carro-chefe “Pillowtalk” – que mal foi lançado e já conta, inclusive, com uma versão acústica liberada para os fãs mais fieis do cantor (a chamada “The Living Room Session”, que pode ser ouvida por meio deste link).

Seguindo as influências das músicas eletrônica e R&B (algo bem semelhante à sonoridade de artistas como The Weeknd e Ariana Grande), Zayn (que agora só atende pelo primeiro nome) caprichou na sensualidade e acertou em cheio ao escolher “Pillowtalk” para nos introduzir ao aguardadíssimo “Mind of Mine”, a ser liberado já no próximo 25 de março. Composta pelo próprio músico ao lado de Anthony e Michael Hannides (e produzida pelos dois últimos em parceria com Levi Lennox), a faixa não apenas marca a estreia do moço como solista como também chama a atenção por ser o seu primeiro trabalho oficial fora do One Direction, do qual fazia parte desde 2010.

Tomando uma direção bem diferente daquela que percorreu ao lado dos amigos Louis Tomlinson, Niall Horan, Liam Payne e Harry Styles pelos últimos cinco anos, cada vez mais é notável que a visão musical defendida pelo ex-integrante do grupo, de fato, não era nada compatível com a pregada pelos lançamentos assinados pela boyband. Tanto o é que, em contraposição às canções românticas e de autoencorajamento compostas e performadas pelos demais meninos da banda, “Pillowtalk” se destaca pelo uso de um linguajar mais adulto e por uma temática amplamente sexual.

Isso porque, em tradução livre, “pillowtalk” nada mais é que “conversa de travesseiro”: uma expressão equivalente ao diálogo que duas pessoas desenvolvem na cama, depois do sexo. A referência à gíria é tão clara na nova música de Malik que, em recente entrevista ao “The Sunday Times”, o moço foi categórico ao afirmar que “estava sendo bem claro em relação ao que a música falava”. E ele completa, dizendo que: “todo mundo faz sexo, e é algo que as pessoas querem ouvir sobre. É parte da vida de todo mundo, uma grande parte da vida, e eu não quero varrer isso para debaixo do tapete. Isso tem que ser falado”.

Convidando a modelo Gigi Hadid (com quem está atualmente namorando) para uma participação especial no videoclipe da música – o qual foi liberado um dia antes do seu lançamento oficial, pelo canal VEVO do cantor –, Zayn não poupou esforços em nos entregar uma superprodução intimista que representasse o seu renascimento como artista. Talvez até seja um pouco estranho ver Malik aos beijos com sua atual namorada enquanto entoa uma canção que compôs para a ex-noiva, Perrie Edwards, mas, não há como negar que “Pillowtalk” cumpre o seu papel de chamar a atenção do telespectador, positivamente falando.

Seja pelos efeitos psicodélicos, seja pelo instrumental da música que casaram tão bem com as cenas de fundo – e que gradativamente alimentam a paixão dos protagonistas –, por uma leve fração de segundos, “Pillowtalk” nos lembra o recente hit “Ghost Town” (aquele mesmo que alavancou a carreira de Adam Lambert e fez do cantor uma das principais atrações do ano passado). Assim como o ex-American Idol (que da mesma forma que Malik, também surgiu de um reality show e construiu uma carreira de sucesso amparado na aprovação popular), Zayn não teve medo algum de apostar as suas fichas em um lead single totalmente sombrio que fosse capaz de acentuar todo o seu poder vocal.

E parece que essa junção de ousadia com sensualidade e obscuridade não apenas se encaixou perfeitamente à nova personalidade de Zayn como também se mostrou muito bem aceita pelo público alvo do garoto (em oposição ao que muitos acreditavam antes de conferir o novo material). Neste sentido está a grande quantidade de visualizações que “Pillowtalk” recebeu desde que foi adicionado ao YouTube – até o fechamento deste post, o vídeo continha mais de 48 milhões de visualizações em apenas 9 dias, um número bem além dos tímidos 33 milhões de “History”, o novo clipe do One Direction incorporado à internet dois dias antes do de Malik.

Com uma escolha certeira que com certeza abre muito bem os trabalhos iniciais de um nome que ainda tem muito a aprender (e a nos ensinar), “Pillowtalk” funciona bem e não necessita de muito para nos cativar com seu jeito totalmente espontâneo e cheio de charme. Em uma primeira análise, é verdade que o single pouco acrescenta para a indústria musical (por se tratar de um lançamento mais mainstream e menos independente), mas, não podemos esconder o fato de que ambos, faixa e intérprete, possuem potencial para ser grandes em um futuro que já está aí, batendo à nossa porta. Mainstream ou não, dá pra notar na voz do cantor toda a sinceridade de um garoto de 23 anos que apenas quer fazer a sua própria música da forma mais honesta possível.

Estimado para o dia 25 de março de 2016, o novo álbum de Zayn deverá conter aproximadamente 18 novas faixas, dentre as quais poderão estar presentes a ainda inédita “Late Nights” (ouça uma prévia) e a atual música de trabalho do cantor, “Pillowtalk”.