“Lotus”: o intruso na discografia de Christina Aguilera

Depois de finalmente estrear minha primeira publicação destinada a dois dos meus assuntos favoritos (literatura e Harry Potter), eis que é chegado o momento de voltarmos para a nossa já conhecida jornada musical e discorrer um pouquinho sobre a minha queridíssima Christina Aguilera. Se você é novo por aqui e gostaria de saber mais sobre essa beldade que constantemente dá o ar de sua graça pelo blog, recomendo que dê uma passadinha antes por este resumão que preparei há mais de um ano. Apesar de vários meses terem se passado e muitas coisas legais acontecido na carreira da nossa “Voz da Geração”, muito sobre o passado e o presente podem ser vistos em “Christina Aguilera: uma estrela injustiçada, abandonada e desvalorizada”. Aviso dado e fixado, bora seguir a diante.

Se você já ouviu, pelo menos, cinco músicas da Christina Aguilera liberadas em diferentes anos para diferentes álbuns com certeza deve ter notado a grande versatilidade que a cantora esbanja ao combinar sua voz com qualquer estilo musical e produzir uma batida bem original – e o mais importante: sem perder seu maior foco, que é a música pop. Partindo da vibe urbana de “Stripped” para o retrô de “Back to Basics” ou o futurismo de “Bionic”, Aguilera sempre desempenhou com maestria a arte de se reinventar, não deixando desejar em qualquer aspecto, seja na sua imagem profissional, seja na sonoridade de seus primorosos trabalhos.

Seguindo os passos de algumas das suas maiores influências, como Etta James, Whitney Houston e Madonna, foi com o disco “Stripped”, de 2002, que Christina deu início a sua vida de artista independente e viveu durante longos oito anos como uma das cantoras mais imprevisíveis de todos os tempos. Não tendo medo de se arriscar e bater de frente com qualquer um que se impusesse em seu caminho, a loira precisou de pouco tempo para firmar sua voz na indústria e ganhar o respeito do público como um ícone fashionista, feminista e humanitário.

Todavia, se nem tudo é um mar de rosas na vida de pessoas como nós, meros mortais, quem diria então de grandes estrelas do cenário musical como Xtina. Depois de enfrentar o fracasso comercial da obra-prima “Bionic”, ver seu casamento de longos anos afundar mais que o Titanic e ter toda a imprensa a sufocando por todos os cantos, presumiu-se à época que a cantora teria adquirido a inspiração suficiente para liberar um dos melhores lançamentos do ano. Mas, fica a dúvida: será que ela conseguiu atingir esse feito? Anunciado como um renascimento de tudo o que Christina havia passado num curto lapso temporal, “Lotus” chegou em 2012 fazendo referência à flor de lótus que, nas palavras da musicista, “consegue sobreviver e crescer em ambientes agressivos onde nada mais floresce”.

O que muitos não sabem, porém, é que assim como a era “Bionic”, “Lotus” também teve as suas peculiaridades misteriosas que chegaram e deixaram o clima bem obscuro para os seguidores da voz feminina de “Moves Like Jagger”. O first single “Your Body”, por exemplo, surgiu cedo, ganhou uma superprodução no seu videoclipe e, apesar de ter recebido um live caseiro junto ao programa do Jimmy Fallon, nunca chegou a ser apresentado “decentemente” em nenhum show ou programa televisionado. Sonho de qualquer fã que gostaria de ver a cantora dando tudo de si com as madeixas multicoloridas que acompanharam toda a era “Lotustina”, até mesmo aquela performance cancelada que foi gravada para o “The Voice” veio a tona na época para nos deixar mais perdidos do que nunca.

Debutando em #7 na “Billboard 200”, a lista dos 200 álbuns mais vendidos da semana no território norte-americano, com tímidas 73 mil cópias, nunca um projeto principal da cantora havia feito uma estreia tão baixa – para você ter uma ideia, materiais secundários como a coletânea “Keeps Gettin’ Better: A Decade of Hits” chegou a vender este mesmo número de cópias na first week, num distante 2008. No fim das contas, até mesmo o “Bionic”, considerado o maior fracasso de sua discografia, provou-se um lançamento mais bem sucedido, atingindo o top 3 dos charts com 110 mil discos distribuídos em seus primeiros sete dias.

A tão comentada “divulgação” de “Lotus”, um dos maiores virais da internet

Em meio a tantas confusões, incertezas e falta de divulgação, “Just a Fool”, o dueto com o parceiro do “The Voice” Blake Shelton, acabou sendo escolhido como segundo single do disco e dessa forma encerrou os trabalhos de Christina com o seu quinto álbum de inéditas. Aventurando-se em parcerias musicais com artistas de peso como Pitbull, Alejandro Fernández, A Great Big World e Lady Gaga – além de participar de uma trilha sonora aqui e ali –, Aguilera segue desde 2013 na produção e gravação do tão almejado sucessor de “Lotus” (você confere vários rumores sobre ele acessando este link).

Desde que “Lotus” foi crucificado, morto e sepultado, nunca mais se ouviu falar em turnê, clipes, apresentações ou singles, e mais uma vez Christina voltou a se afastar dos holofotes para cuidar da vida pessoal. Sem muitas novidades, resolvi tirar um tempo para, pela milésima vez, me aprofundar na discografia da cantora observando detidamente cada lançamento encabeçado por ela e por sua equipe. Participando de diversas conversas com alguns dos fãs mais dedicados que conheço, é realmente curioso que várias de nossas frustrações sejam em 99% dos casos as mesmas: a produção e o rumo seguido por “Lotus”.

Certa vez me disseram que, o problema de “Lotus”, era que muitas de suas produções (incluindo até mesmo algumas mais conhecidas como “Make the World Move”), se pareciam em muito como aquelas demos que não acabam entrando para a versão final do álbum e vazam meses depois na internet sem nenhum aviso prévio. Não que eu nunca tivesse prestado atenção nisso antes (já que sempre critiquei o refrão estranhamente “abafado” de “Light Up the Sky”, por exemplo), mas, aquela observação me veio como a resposta que tanto procurei desde que ouvi o disco pela primeira vez. Diferente de todos os outros trabalhos gravados por Aguilera, “Lotus” se apresentou para mim como um disco que deixou de focar na voz da cantora para dar lugar a batidas mixadas de última hora por alguns dos produtores mais desejados do momento.

Sem nos introduzir qualquer temática visual como a que seguiu as eras “Stripped”, “Back to Basics” e “Bionic” (vamos dar um desconto ao “Christina Aguilera” de 1999 por ser o primeiro material profissional da nossa loirinha), o disco liberado no fim de 2012 surgiu no mercado como o trabalho mais comercial assinado pela cantora. Porém, sem um conceito preestabelecido ou uma sonoridade dominante, “Lotus” aborda o “renascimento” de uma forma um tanto quanto confusa sem seguir uma linha lógica de raciocínio. Assim como o “Bionic”, o seu sucessor também foi finalizado em lados A e B, trazendo algumas faixas super agitadas destinadas para as pistas de dança (sem DJ Premier) e uma meia dúzia de baladas bem emotivas (sem Linda Perry </3).

Depois de tanto pestanejar e andar em volta de vários círculos, a única conclusão plausível que consigo tirar de “Lotus” é que, após uma temporada limpando sua própria imagem desgastada perante o público (“flop” de “Bionic” e acusações de plagiar a imagem de outros artistas), Christina precisava urgente de um novo álbum para dizer às pessoas que as coisas haviam mudado. Talvez a falta de tempo tenha sido seu pior inimigo, o que a levou a não se preocupar muito com a masterização das faixas ou com a mensagem conceitual já conhecida de um passado pouco distante (não é a toa que o disco nasceu a partir de workshops com diversos compositores / produtores que criavam músicas a partir de tópicos pré-selecionados).

Antes que me apedrejem, devo concluir que “Lotus” não é um álbum ruim, sendo, inclusive, um dos que mais ouvi do extenso catálogo discográfico de sua criadora. Até devo complementar que, de todos os discos que foram liberados no prazo de três anos para trás, este conseguiu ser um dos poucos a misturar reflexão com diversão sem sair do ponto, trazendo letras bem escritas com uma voz super versátil e moldável ao pop mainstream. Todavia, em se tratando de um lançamento da grande Christina Aguilera, infelizmente ele deixa sim a desejar, ainda mais vindo de alguém que trabalhou sua voz melhor na trilha sonora do filme “Burlesque” que no seu próprio quinto material de inéditas. Bom, agora com a ampulheta do tempo em mãos, tudo que nos resta é aguardar para ver o que Miss Baby Jane tem aprontado nos estúdios de gravação e torcer para que uma nova era de ouro comece logo logo (desta vez, de verdade).

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