#CoopGeeks: O terror em oito patas – “A Colônia”, de Ezekiel Boone

Mesmo antes de “The Walking Dead” ganhar a indústria das HQs no começo dos anos 2000 e “Resident Evil” estrear para PSOne no meio da década de 90, muito se falava, no âmbito da ficção científica, sobre a chegada de uma era pré-apocalíptica não muito distante. Já acostumados à ideia de um terrível ataque zumbi ou de uma decisiva batalha religiosa envolvendo Deus e o Diabo, não há dúvidas de que recebemos, nos últimos anos, inúmeras novidades que abordaram este tema e conquistaram tanto a TV (“The Strain”, “IZombie”) como o cinema (“Constantine”, “Zumbilândia”).

Entretanto, poucas foram as obras que decidiram inovar radicalmente, e se você, caro leitor, esteve procurando por algo que fosse capaz de tirar o seu fôlego – e, simultaneamente, lhe deixar todo arrepiado –, talvez esta resenha seja a resposta que tanto esperava. Combinando ficção estrangeira com suspense e um pouquinho de romance, você encontrará em “A Colônia”, do novato Ezekiel Boone, diversos motivos que desconstruirão essa mesmice que há muito nos persegue e descobrirá, em uma linguagem bem adulta, os segredos que circundam a sua trama do início ao fim.

O TERROR EM OITO PATAS: A COLÔNIA, DE EZEKIEL BOONE

“True”: vale a pena ler?

Após quase quatro meses de nossa primeira resenha sobre a trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff, finalmente chegamos a “True: A Verdade”, o capítulo que encerra a extraordinária saga “Elixir”. Ainda sendo auxiliada por Elise Allen (quem já havia dado as caras nos títulos anteriores e ressurge, mais uma vez, como coescritora da obra), Duff continua trazendo em seu derradeiro livro algumas novidades de tirar o fôlego e explora, como de costume, diversos detalhes que fazem de seu trabalho um verdadeiro exemplo de criatividade e espontaneidade.

Entretanto, assim como “Devoted” e diferente de “Elixir”, será inevitável que mencionemos, a seguir, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram nos volumes anteriores (e, é claro, refletiram de alguma maneira no enredo desta sequência). Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos (frisa-se, referentes a “Elixir” e “Devoted”), siga adiante – mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a novela em questão e se interesse por ler os primeiros livros antes de prosseguir, fique com as nossas duas outras resenhas deste especial (clicando aqui e aqui) e pare por aí – depois de devorar tudo, não se esqueça de voltar para cá. Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…

Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa de “True: A Verdade” (você pode ler o primeiro capítulo deste livro acessando este link)

Clea Raymond vive a fase mais difícil de sua vida desde que voltou de uma viagem pela Europa e descobriu, em algumas fotografias de sua câmera, os vestígios de um misterioso homem que transcende a linha entre o tempo e o espaço. Após passar por imensos apuros que, constantemente, desafiaram toda sua capacidade de distinguir a realidade do sobrenatural, a bela fotojornalista parece finalmente ter encontrado a tão sonhada paz ao lado de Sage, sua alma gêmea de inúmeras outras reencarnações. O elixir da vida eterna fora destruído, o que, consequentemente, encerrou toda a caçada obsessiva dos Redentores da Vida Eterna e do Vingança Maldita por poder e sobrevivência – mas, de qualquer maneira, ainda havia uma questão muito mal resolvida nesta história toda: o que aconteceria agora?

Desde que perdera seu corpo e fora obrigado a assumir uma nova pele, Sage passou a agir de modo estranho e agressivo, um comportamento totalmente adverso de sua personalidade naturalmente protetora. Piorando a cada dia, o encantador príncipe encantado acaba por selar o seu destino ao libertar um lado obscuro que coloca em risco não apenas a sua própria segurança, mas também a de todos aqueles que rodeiam sua vida: principalmente Clea. Mais uma vez recorrendo a Ben e Rayna – seus dois melhores amigos –, a moça se vê pressionada contra a parede e precisa, a qualquer custo, encontrar uma cura capaz de trazer de volta aquele que jurara corresponder o seu amor de tantos e tantos séculos atrás. Isso, é claro, se o tempo não permitir que a loucura consuma Sage de dentro para fora irreversivelmente…

Encarregado de colocar um ponto final à toda jornada construída desde o primogênito “Elixir”, “True” não altera sua narrativa e permanece sendo contado em primeira pessoa pela sua grande protagonista central, Clea Raymond. Apropriadamente se amparando aos acertos de “Devoted” e repetindo a explanação intercalada da obra anterior (a qual nos é contada também por Amelia), Hilary mais uma vez estrutura os capítulos de seu terceiro livro em relatos duplos de diferentes personagens: mas desta vez, com a inserção de Rayna. Ganhando um destaque certeiro que surge para cobrir o vazio deixado por sua rápida participação nos demais títulos da franquia, de início a melhor amiga de Clea se mostra rude e pode até não chamar muito a atenção do leitor menos apaixonado. Todavia, mesmo estando coberta de razão, a garota não demora para contornar seus maiores medos com êxito e nos conquista com um amadurecimento admirável (uma evolução que, por diversas vezes, ofusca até mesmo a trama principal). Rayna é, diga-se de passagem, um acréscimo tão positivo quanto Amelia em “Devoted”.

A autora em sessão de autógrafos realizada em abril de 2013

Focando, também, um pouco mais em Sage e em suas constantes crises de personalidade, a batalha que o personagem passa a travar consigo mesmo, inevitavelmente, torna a história muito mais dramática e familiar. Sentindo-se de mãos atadas e sem ter exatamente o que fazer para solucionar o problema, Clea enfraquece na medida em que seu namorado passa a tomar sucessivas atitudes de muito mau gosto (mesmo que contra a sua própria vontade). Se em “Elixir” e “Devoted” a Srtª Raymond gastava a maior parte do tempo fazendo pesquisas de campo e aventurando-se em viagens de alto risco, em “True” sua rotina se resume em atuar como a enfermeira particular de Sage. Tentando dominar as constantes perdas de memória combinadas ao sono, fome e mau-humor intensos de seu par romântico, a perspicaz fotojornalista que havíamos conhecido anteriormente perde o seu brilho rapidamente enquanto demonstra uma fragilidade que não é própria de sua identidade.

No que se refere a Ben – ou até mesmo a outros personagens secundários, à exceção de um comeback triunfal que não daremos mais informações –, a escritora pouco avança e nada nos entrega de novo sobre o melhor amigo de Clea (o que, ao nosso ver, não soa de todo ruim, já que o conhecíamos razoavelmente bem até este momento). A descrição dos cenários é razoavelmente boa e, seguindo o que já havia nos sido introduzido antes, consegue capturar o leitor com facilidade até a onda de acontecimentos que se arrasta bem lentamente do primeiro capítulo até o sétimo. Indo direto ao ponto, a verdade é que…

…se podemos tirar uma primeira impressão de “True: A Verdade” logo quando encerramos a sua leitura é que, diferente de seus antecessores, este parece ter sido um livro desenvolvido exclusivamente para encerrar a saga “Elixir” – e nada mais que isso. Sem a mesma energia contagiante dos volumes de abertura, a obra só ganha força na sua segunda metade, quando Hilary e Elise acrescentam um pouquinho de mitologia e ocultismo para o cotidiano de seu quarteto fantástico (Clea, Sage, Ben e Rayna). Majoritariamente maçante e desmotivador, “True” piora ao deixar alguns furos na história que vêm para trazer diversas interrogações em questões importantes que haviam sido levantadas por toda a novela, como: o que aconteceu com Amelia e sua família (personagens que, neste livro, nem chegam a ser mencionados)? E quanto ao desaparecimento do pai de Clea, Grant Raymond? (esse questionamento nem chega a ser respondido explicitamente)? Qual foi o fim levado pelos Redentores da Vida Eterna e pela Vingança Maldita (obviamente que, com o fim do elixir, a VM se viu livre de sua maldição; mas, em “True” seus membros simplesmente “desaparecem do mapa”)?

Nos encaminhando para um fim bem simples, mas satisfatório, o volume final da trilogia “Elixir” é, de longe, o pior entre os três títulos veiculados ao romance original escrito por Duff e Allen. Não que o desfecho da história tenha adquirido proporções ruins, mas, a impressão é a de que alguns aspectos da trama foram deixados totalmente de lado sem receber a sua devida atenção (e conclusão) – como se tivessem sido retirados do forno antes do tempo adequado. Porém, não há motivos para tanto desânimo! Acertando na construção dos três últimos capítulos e do epílogo que são não menos que sensacionais, a jovem escritora continua nos presenteando com um trabalho que, mesmo sem os pingos nos Is, merece nossa parabenização. Claro que não podemos iniciar a leitura de “True” sem passar antes pelos seus irmãos mais velhos “Elixir” e “Devoted”, mas, isoladamente, o livro permanece sendo uma ótima dica para quem gostou de fazer parte da história de Clea Raymond e aprovou a carreira de Hilary Duff como romancista.

Lançado originalmente em abril de 2013 pela “Simon & Schuster”, “True” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir” e “Devoted”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) naquele mesmo ano. Com tradução de Yukari Fujimura (os volumes anteriores haviam sido traduzidos por Otávio Albuquerque), o título final da saga “Elixir” possui 262 páginas divididas em 18 capítulos + epílogo.

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“Devoted”: vale a pena ler?

Há pouco mais de dois meses rolou por aqui a última edição do nosso “Vale a pena ler?”, o quadro onde indicamos alguma obra literária e falamos um pouquinho mais sobre tudo que lhe é pertinente. Agora, diminuindo o tempo de uma atualização para outra e cumprindo a promessa que havia sido feita naquela oportunidade, trazemos na publicação de hoje a resenha de “Devoted: Devoção”, o segundo volume da novela criada e desenvolvida pela atriz e cantora Hilary Duff.

Todavia, diferente de quando iniciamos os primeiros debates com “Elixir” (título que marca o início desta saga), será inevitável mencionar, mais abaixo, alguns spoilers necessários para o bom entendimento dos principais fatos que ocorreram no trabalho antecessor e refletem bastante nesta sequência. Se você, caro leitor, não se importa com as pequenas revelações que serão feitas nos próximos parágrafos, siga em frente, mas fique desde já ciente que o faz por sua conta e risco.

Caso queira saber um pouco mais sobre a trilogia “Elixir” e se interesse por ler o primeiro livro antes de prosseguir, fique com a nossa primeira resenha deste especial e pare por aí (depois de devorá-lo, não se esqueça de voltar para cá). Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa…


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Este texto contém spoilers: boa leitura!

A capa internacional de “Devoted: Devoção”, o segundo título da série “Elixir”

Depois de protagonizar a maior aventura de sua vida e até mesmo chegar a pensar que o homem misterioso que aparecia em suas fotografias era uma ameaça sobrenatural, Clea Raymond vive os piores momentos possíveis após os acontecimentos que finalizaram “Elixir”. Sem a companhia de Sage e com a incerteza de saber se sua alma gêmea está viva ou não, a fotojornalista se arrasta pelos dias vivendo por um intenso período de luto e aceitação. Recuperando-se da perda de seu pai Grant (que desde o volume anterior permanece desaparecido) e também de seu recém-namorado, tudo fica ainda pior quando a raiva toma conta da moça e a afasta de Ben, o melhor amigo que já havia dado as caras inúmeras outras vezes no debut best-seller.

Mais uma vez lutando contra o tempo, caberá à Srtª Raymond a tarefa de fazer tudo o que está ao seu alcance para reaver o grande amor de sua vida – e, ao menos, se desvencilhar das emboscadas planejadas pelos dois grandes grupos rivais que estão atrás de Sage: os Redentores da Vida Eterna e o Vingança Maldita. Aliando-se a velhos amigos e buscando a ajuda de pessoas que jamais imaginaria precisar, Clea vai aos poucos adentrando em uma trama que vai muito além da sua vida pessoal com o homem que o destino lhe escolheu e ultrapassa os limites da ganância por poder pretendida por seus arqui-inimigos. Enfrentando perigos muito maiores que os anteriormente narrados na obra inicial, desta vez não apenas a segurança de Clea estará em jogo como também a de todos aqueles que cruzarem o caminho do inestimável elixir da vida eterna.

Continuando diretamente de onde “Elixir” parou, “Devoted” já começa com o difícil processo de conformação pelo qual Clea está passando após ter sido afastada de Sage. Remoendo, a cada dia, tudo que acontecera de errado em sua última viagem até o Japão, a angústia se torna uma rotina para a protagonista e a leva a um intenso sentimento de inutilidade que a atormenta cada vez mais. Sem saber exatamente o que fazer para ter novas notícias sobre o namorado (e mesmo se vendo sem qualquer saída racional), a moça continua alimentando suas esperanças mais profundas e não deixa, um minuto sequer, de se preocupar com o homem que mudara sua vida e existência para sempre. E, é exatamente toda essa devoção dela para com seu par romântico que definirá a conclusão que a história chegará ao longo de suas muito bem estruturadas páginas de pura imprevisibilidade.

Novamente auxiliada por Elise Allen, Duff não poupa seus esforços em tentar convencer o leitor sobre o quão importante um personagem é para o outro; e, dessa forma, acrescenta ao enredo inúmeros obstáculos que, cada um à sua maneira, deverão enfrentar para que possam ficar juntos. Como verdadeiros desafios que testarão todo o amor que Clea sente por Sage e vice-versa, o casal deverá aprender a não confiar em qualquer pessoa e a separar as aparências da realidade: uma missão que se mostra muito mais complexa do que parece ser. Para isso, personagens inéditos são inseridos desde os primeiros capítulos da obra e, além de darem uma nova perspectiva para o segundo volume da trilogia, nos entrega um fôlego extra que ajudará a acompanhar tudo sem que percamos o interesse.

A autora promovendo e autografando “Devoted” na “Barnes & Noble” (Nova Iorque), em 10/10/11

Outra novidade que “Devoted” nos introduz logo em suas páginas iniciais é a segunda narrativa contada especialmente por Amelia, uma das novas personalidades que ganham destaque por este título. Dando uma quebra à visão limitada e unilateral que se fez presente por todo o “Elixir” (e que havia sido motivo de crítica em nossa última resenha), aqui a autora expande o universo que rodeia sua história de forma tão minuciosa que, assim como no lançamento anterior, faz com que originalidade seja a palavra-chave de seu trabalho. Até mesmo os novos relatos pessoais de Clea ganharam maiores proporções e, se antes os holofotes centravam-se exclusivamente na adorada protagonista da série, agora temos uma ideia aprimorada de como cada personagem desenvolve o seu papel pelo desenrolar do livro.

E isso porque ainda nem mencionamos a estratégia de explorar uma quantidade maior de capítulos (enquanto “Elixir” apresenta 13, “Devoted” inclui 28), uma tática que definitivamente funcionou bem por aqui: além de nos deixar muito mais curiosos com o que vem pela frente (você devora cada subdivisão sem nem ao menos perceber), torna a leitura infinitamente mais agradável (convenhamos que não é sempre temos disposição ou disponibilidade para ler durante muito tempo).

Mais uma vez brincando com o sobrenatural e trazendo inúmeras referências à parapsicologia, telecinésia e projeção da consciência são algumas das muitas temáticas abordadas em “Devoted” e exploradas ao lado do popular conto do elixir da vida eterna. Dando grande destaque, ainda, às duas facções que tentam, a todo custo, atingir seus próprios objetivos, os conflitos que permeiam o romance desencadeiam em uma perseguição tão alucinante que deixa a de “Elixir” parecendo uma “história para criança dormir”. Com uma reviravolta impressionante e totalmente inesperada, Hilary soube como desenvolver o gancho perfeito que nos guiará até “True: A Verdade” e superar o final pouco motivador que encerrou o título inicial.

Trazendo relações interpessoais muito mais espontâneas e intimistas, é interessante observar como a escritora aprendeu com seus próprios tropeços e corrigiu os buracos que antes, mesmo imperceptíveis, geravam um pequeno desconforto ao leitor mais detalhista. Superando em muito a sua grande estreia pelo cenário literário, “Devoted” caminha para uma direção brilhante que se mostra totalmente coerente com a multifacetada carreira de uma das maiores estrelas da última década. Basta descobrir se o capítulo final desta jornada se sairá tão bem quanto os dois primeiros – os quais, diga-se de passagem, superaram todas as nossas expectativas.

Lançado oficialmente em outubro de 2011 pela “Simon & Schuster”, “Devoted” é coescrito por Elise Allen (a mesma de “Elixir”) e teve sua redistribuição no Brasil pela “Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais) um ano depois, em 2012. Com tradução de Otávio Albuquerque, o segundo volume da saga “Elixir” possui 317 páginas divididas em 28 capítulos.

Em breve estará disponível aqui no Caí da Mudança o “Vale a pena ler?” com “True: A Verdade”, a obra que encerra esta trilogia. Fique de olho para mais informações.

O que podemos esperar de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Em meio a tantas críticas à “Warner Bros.” por ter publicado uma prévia tão sucinta e pouco reveladora em dezembro do ano passado (o chamado “trailer de apresentação”), diversas foram as queixas redirecionadas a “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o novo spin-off de Harry Potter que será recontado 70 anos antes da história principal (você pode ler mais sobre o assunto por meio desta matéria especial que escrevemos para o Co-op Geeks). Porém, quatro meses depois, a distribuidora estadunidense decidiu deixar o mistério de lado e nos entregou, de bandeja, o primeiro teaser completo do que encontraremos em sua mais recente grande aposta para os cinemas de todo o planeta.

Com estreia programada para o dia 18 de novembro nos EUA e no Reino Unido, respectivamente (em território nacional o longa deverá chegar um dia antes), na publicação de hoje decidimos analisar os dois primeiros trailers do filme estrelado por Eddie Redmayne e relacionar mais abaixo muito do que temos especulado sobre esta nova era mágica. Assim, selecionamos a seguir seis motivos que certamente ajudarão na nossa preparação para o que vem pela frente – e, quem sabe, clarear as ideias de todos aqueles que ainda não sabem o que pensar da trilogia inédita que teremos o prazer de conhecer em pouco mais de seis meses. Vem com a gente:

1. Roteiro original de J.K. Rowling:

J.K. Rowling, a escritora de “Harry Potter”

Se estivéssemos nos preparando para assistir a um filme inspirado no universo Harry Potter que contasse com qualquer outro roteirista do mundo, por mais aclamado que fosse, provavelmente muitas dessas críticas e medos seriam no mínimo razoáveis. Mas, felizmente, este não é o nosso caso. Isso porque a própria criadora de toda essa franquia esmagadora é a responsável pelo roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” – o que deveria, por si só, trazer uma segurança maior a qualquer fã ou admirador do bruxinho mais amado de todos os tempos. Quem melhor senão a mãe de Harry e seus amigos para decidir quais serão os próximos passos da série criada por ela mesma?

É claro que, se observarmos o passado por um ângulo mais crítico, não podemos nos esquecer que foi a própria J.K. quem decidiu tomar diversos caminhos cruéis durante o desenrolar de sua trama literária original (especialmente no que se refere a aniquilar alguns de nossos personagens preferidos). Todavia, no geral, Rowling não é de desapontar – e nós temos certeza que esta não será a primeira vez que a britânica pisará na bola.

2. Direção de David Yates:

Cena final de “Relíquias da Morte: Parte 2”, filme dirigido por David Yates

De fato, o senhor Yates (o cara responsável pelos quatro últimos Harry Potter) pode não ter sido a primeira opção para dirigir “Animais Fantásticos”, mas, o que muita gente não sabe é que, antes dele, outra figurinha carimbada chegou a ser cogitada para dar vida ao novo longa-metragem: Alfonso Cuarón. Após desmentir os rumores que rondavam os preparativos do spin-off em maio de 2014, a recusa do grande nome por trás de “O Prisioneiro de Azkaban”, inegavelmente, levou J.K. e os produtores do novo projeto a ninguém menos que o diretor de “A Ordem da Fênix”, “O Enigma do Príncipe” e “As Relíquias da Morte Partes 1 e 2”.

Alguém mais consegue notar esta estranha coincidência? Ao nosso ver, a busca por um profissional que já tenha dirigido outros títulos da série, definitivamente, mostra a grande preocupação que a equipe de produção está tendo de, ao menos, manter um mínimo de fidelidade aos antecedentes que vem construindo desde 2001. Em poucas palavras: se você quer ter uma ideia da direção que “Animais Fantásticos” irá tomar, basta checar o caminho feito pelos quatro últimos filmes da franquia. Por mais que tenha uma história completamente independente e diferente das aventuras do “Menino que Sobreviveu”, toda a parte visual deverá estar lá, mais uma vez transbordando criatividade e nos fazendo mergulhar de cabeça por esta eletrizante viagem pela magia dos cinemas.

3. Eddie Redmayne como ator principal:

Eddie Redmayne em ensaio promocional para o filme “A Garota Dinamarquesa”

Se você ainda não assistiu a qualquer filme que traga Eddie Redmayne em seu elenco (seja principal, seja de apoio), então já passou da hora de fazer uma rápida busca pelo Google e se ligar aos resultados que encontrará à sua disposição. Aclamadíssimo não apenas pela crítica, mas também pelo público e pelas incontáveis premiações de prestígio, vale dizer que, só para você ter uma ideia, Eddie chegou a estrear dois dos maiores lançamentos destes últimos dois anos: “A Garota Dinamarquesa” e “A Teoria de Tudo” – aliás, não foi em vão que este rendeu a Redmayne o “Oscar” de “Melhor Ator” na edição de 2015 do evento.

Agora sob a pele de Newt Scamander, a pressão para repetir os saudosos feitos do passado é grande, mas, definitivamente, não impossível. Interessante notar também que, pela primeira vez na História, as adaptações de Harry Potter para os cinemas decidiram apostar em um jovem talento que, diferente dos principais astros da trama de oito filmes, não fosse um estranho completamente alheio do público (como Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que puderam ver suas carreiras decolar em razão da própria franquia). Estaria a equipe por trás do spin-off interessada em aliar o impressionante histórico de Eddie a toda grandiosidade deste novo projeto e fazer desta a maior estreia cinematográfica de um filme Harry Potter?

4. Referências a outros filmes da série Harry Potter:

Captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos” mostra os pertences pessoais de Newt Scamander (detalhe para o cachecol da Lufa-Lufa, casa a qual o bruxo pertenceu quando estudou na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts)

Apesar de não ter nem dois minutos de duração, o pouco tempo de “Animais Fantásticos” que pudemos conferir no primeiro trailer do longa (assista) já foi o suficiente para fazer três referências ao antigo universo Harry Potter – e convenhamos que, naquela época, o filme ainda estava em produção (ou seja, o estúdio tinha pouco material para exibir).

A começar pelo marcante “Lumos Maxima” (o mesmo da abertura de “O Prisioneiro de Azkaban”), o trailer de apresentação nos levou a duas outras cenas marcantes que nos remetem ao universo do bruxinho nas telonas dos cinemas: os efeitos especiais usados em menos de 20 segundos de vídeo (que nos fazem lembrar das demais introduções elaboradas pela “Warner” de quando a magia do cenário se mexia para formar o logo da produtora) e a trilha sonora de John Williams (sim, a faixa utilizada a partir de 1min20s é uma versão editada de “Hedwig’s Theme”, a mesma de “A Pedra Filosofal”).

Os quatro protagonistas do longa-metragem

Partindo para o segundo trailer do longa-metragem (assista), é dito que Newt foi expulso de Hogwarts por ter “colocado em risco a vida humana com um animal”, apesar de “um dos professores ter contestado firmemente a sua expulsão”. E quem seria melhor para fazer isso senão o super idolatrado Alvo Dumbledore? Pronunciando claramente o nome do diretor mais amado que o mundo bruxo já teve, é especulado, inclusive, que o querido personagem poderá fazer uma aparição em algum título da futura trilogia (não necessariamente no primeiro) – e como o spin-off se passa 70 anos antes do original, não espere por Michael Gambon no papel.

5. Novas criaturas criadas especialmente para o filme:

Pelúcio em captura do segundo trailer de “Animais Fantásticos”

Ainda no segundo trailer do filme, “Animais Fantásticos” nos apresenta ao tão falado pelúcio (niffler, no original) e ao que foi chamado de swooping evil (investida maligna, em tradução livre). Todavia, apesar de o primeiro ser um animal já mencionado não apenas no livro didático escrito por Rowling (em 2001) como também em “O Cálice de Fogo”, o segundo é uma fera inteiramente nova criada especialmente para os cinemas. Se seguirmos esta lógica, não deverá demorar muito para que novos trailers sejam liberados no decorrer dos próximos meses e peguem para si a missão de nos trazer muitas outras novidades sobre o que nos aguarda lá em novembro.

Você pode ler mais sobre o pelúcio e o swooping evil através desta matéria publicada pelo site Potterish.

O segundo trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

6. Um spin-off literário pode acontecer:

A capa britânica de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o livro didático escrito por Rowling em 2001

Talvez estejamos sonhando alto demais ao cogitar esta possibilidade, mas, confesso que estaríamos sendo completamente insensatos se não levantássemos esta teoria e pensássemos um pouquinho não apenas nos milhares de fãs que a franquia tem espalhados por todo o globo, mas também no gigantesco lucro que poderia ser gerado de seus bolsos.

Ok, leitores, pensem com a gente: como já foi dito mais acima e repetido diversas vezes, o roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” está sendo desenvolvido pela própria J.K. Rowling, não apenas a criadora do universo Harry Potter, mas também uma respeitada escritora de longa data. Se o roteiro do filme que veremos em novembro de 2016 está sendo projetado por uma autêntica escritora (e não uma mera roteirista), seria mesmo viável para a dona Jo desperdiçar o trabalho depositado em uma grande produção cinematográfica sem ao menos lançar algo oficial do conteúdo para as páginas dos livros? Afinal, o roteiro está ali, 100% à sua disposição, e convenhamos que liberá-lo em um formato alternativo, como no dos demais livros da série, não seria nenhum esforço incabível (sem falar que aumentaria descomunalmente a promoção e divulgação em cima desta nova trilogia).

Swooping evil em cena do segundo trailer do filme

Foi isso que aconteceu com “Cursed Child”, a peça teatral que teve seu script transformado no 8º livro da série e deverá ganhar as prateleiras das lojas ainda este ano. Sejamos francos: é claro que não apenas a “Warner” como a própria J.K. ou sua editora já deve ter pensado em fazer o mesmo com a história de Newt Scamander há muito, muito tempo! Sonhar nunca é demais, mas, infelizmente, enquanto nada é confirmado, tudo que nos resta é esperar sentados.

ATUALIZAÇÃO (27/04): O Pottermore confirmou, em 26/04, que o roteiro do filme será lançado como livro um dia depois da estreia internacional, ou seja, 19 de novembro. A estreia no Brasil, traduzida, ainda é desconhecida.


Estes foram os nossos primeiros palpites para “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, a nova produção da “Warner Bros.” que se passará no mesmo universo Harry Potter, mas 70 anos antes. E os seus? Conte-nos no espaço para comentários a seguir tudo o que você tem esperado para o novo filme e quais são as suas expectativas para esta nova era que está prestes a se iniciar.

Quer saber mais sobre o filme? Então não deixe de conferir nossa primeira publicação com diversos detalhes técnicos sobre o longa-metragem. Para mais conteúdo como este, não deixe de curtir a nossa página no Facebook e nos seguir no Twitter e no Instagram para não perder qualquer novidade.

“Elixir”: vale a pena ler?

Apesar de esporadicamente atualizarmos a nossa seção literária com um post ou outro no qual recomendamos a leitura de alguma obra, já faz um bom tempinho que não vemos por aqui a continuação do especial “Vale a pena ler?” – o último foi com “Quadribol Através dos Séculos”, da J.K. Rowling (relembre). É um tanto quanto óbvio que, para escrever uma resenha literária, primordial que a pessoa por trás do texto leia algum livro, e talvez esta seja a maior justificativa pela grande ausência deste quadro aqui no Caí da Mudança (e, por isso, peço desculpas pela negligência e já os comunico de que isto tem sido revisto cuidadosamente).

Explicações à parte, chegou o grande momento de resgatarmos este especial lá do fundo do baú (afinal, a nossa última atualização se deu em um já longínquo setembro de 2015) e revelar que o título escolhido para marcar este retorno foi “Elixir”, o primeiro volume da trilogia escrita pela cantora e atriz Hilary Duff. Na publicação de hoje, conheceremos apenas “Elixir”, mas já prometo, desde já, tentar ler o mais breve possível as sequências “Devoted: Devoção” e “True: A Verdade” para fechar este ciclo rapidamente – e, quem sabe, iniciar muitos outros ao longo dos próximos meses (e não dos próximos semestres).

Este texto é livre de spoilers: boa leitura!

Capa alternativa de “Elixir”

A primeira informação que precisamos ter em mente é que Hilary Duff, apesar de ser uma multifacetada cantora e atriz, não é uma novata no mundo dos negócios: além de já ter desenhando a sua própria linha de roupas, a moça já associou o seu nome a diversos outros produtos como bonecas, fragrâncias e muitas outras mercadorias disponibilizadas no mercado ao longo dos últimos 14 anos. Todavia, “Elixir” marca a sua estreia como romancista, então talvez seja um tanto quanto compreensível que seu primeiro livro se mostre uma obra bem “meia-boca”, certo? É aí que você se engana (e logo mais saberá o porquê).

Recebendo o auxílio de Elise Allen (escritora que assina a obra ao lado de Duff e já trabalhou em diversos outros projetos, como “Autumn Falls”, de Bella Thorne), “Elixir” foi publicado pela “Simon & Schuster” – uma das maiores editoras de língua inglesa de todo o mundo – em outubro de 2010. No Brasil, o romance com elementos de ficção foi traduzido por Otávio Albuquerque e redistribuído pela Editora iD” (a “Editora Moderna” também é creditada nas informações autorais). Disponível para compra desde junho de 2011, possui 280 páginas divididas em 13 capítulos. Seu sucesso comercial foi tão grande que chegou a entrar para a cobiçada lista dos poderosos best-sellers do “The New York Times”, na sessão de livros infantojuvenis.

Logo em seu capítulo de abertura, Hilary e Elise nos introduzem ao estimado personagem central de sua trama: Clea Raymond. Filha de um conhecido cirurgião e de uma influente senadora norte-americana, desde muito jovem a garota sabe o que é ter os holofotes virados para si e vive em uma constante luta contra a mídia e os paparazzi que a perseguem para todos os cantos. Trabalhando com fotojornalismo e viajando o mundo para os lugares mais inimagináveis, Clea divide seu tempo entre a paixão pela fotografia e a atenção de seus dois melhores amigos: Rayna, uma namoradeira nata, e Ben, o clássico Sr. Friendzone.

A capa nacional de “Elixir”

Após passar por um grande tumulto na França ao lado de Rayna, Clea retorna para os Estados Unidos e tenta tocar sua vida adiante. Todavia, enquanto vasculha algumas das fotos tiradas em sua última viagem pela Europa, ela percebe um detalhe assustador que jamais notara antes em qualquer trabalho de sua carreira: um homem misterioso que aparece ao fundo de cada captura, sempre escondido em meio aos cenários visitados. Intrigada com esta presença aparentemente fantasmagórica e movida pelo desaparecimento inexplicável de seu pai, Grant, ela recorre à ajuda de seus melhores amigos para decifrar suas dúvidas e percorre por países como o Brasil e o Japão para tentar entender a estranha ligação desses eventos até então incomunicáveis.

Impulsionado por uma história cativante que se desenrola naturalmente, “Elixir” acerta em diversos passos e nos surpreende com uma leitura de fácil compreensão, sem termos muitos rebuscados ou desnecessários. Dividido em apenas 13 capítulos que geralmente beiram as 20 páginas, o livro surpreende ao não cair no monótono e nos guia sedentos até suas derradeiras palavras, sempre trazendo uma nova informação para saciar toda a curiosidade que criamos logo que começamos a lê-lo. Combinando tons de ficção com romance e aventura, tudo cresce na medida em que cada situação e personagem parecem estar posicionados perfeitamente em seus devidos lugares, tudo milimetricamente calculado.

Narrando toda a história em primeira pessoa, logo de cara Duff investe todos os seus esforços em fazer com que nos apaixonemos por Clea – e, para isso, recorre a características bem peculiares de algumas personalidades que viveu para as telonas dos cinemas (como Sam Montgomery, de “A Nova Cinderela”; e Holly Hamilton, de “Paixão de Aluguel”). Tanto o é que, inevitavelmente, em diversos momentos é bem provável que você leia sobre Clea e imagine a própria Hilary sob a sua pele, dando vida a uma garota divertida, inteligente e desajeitada, mas um bocado séria e até mesmo cética. Completamente o oposto de sua melhor amiga (Rayna), Clea parece não se importar muito para as vantagens de ser uma celebridade e se mostra uma pessoa altamente introspectiva, alguém que nem sempre diz o que realmente pensa: talvez uma versão mais madura da Terri Fletcher, de “Na Trilha da Fama”. Resumidamente, é impossível não se simpatizar (e, é claro, se identificar) com ela.

Hilary na “Borders Books & Music” de Nova Iorque, em outubro de 2010, durante sessão de autógrafos de “Elixir” (foto por Jason Kempin)

O interessante sobre “Elixir” é que, apesar de misturar diversos contos e lendas mitológicas com os dias atuais de uma Connecticut do século XXI, a ousadia da autora funciona bem e nos faz ver a tudo com um olhar de admiração, e não de rejeição. É verdade que o livro divide-se o tempo todo entre os sentimentos de Clea com as situações que a rodeiam e os mistérios que se camuflam por esta realidade paralela, mas, diferente do que poderíamos esperar, a Srtª Raymond não decepciona e revela um senso de humanidade imensurável. Diferente de outras mocinhas da literatura que criam uma devoção macabra pelos homens de suas vidas e passam a viver em sua função (como, por exemplo, a Bella Swan, de “Crepúsculo”), Clea mostra-se um indivíduo altamente comum que toma as atitudes de um ser humano equilibrado. Assim como você e eu, ela possui os seus momentos de insegurança e orgulho, e é exatamente por este lado imperfeito que a garota não passa despercebida diante de nossos olhos.

Todavia, em meio a tantos passos certeiros e aplaudíveis, talvez os únicos deslizes cometidos pela autora se mostrem na maneira como os cenários são tão pouco explorados em alguns capítulos da trama (não que isso tenha ocorrido pela falta de tentativa, é claro) e em como todo o enredo foca muito em Clea e quase nada nos demais personagens – mesmo sendo narrado em primeira pessoa, nós sabemos que dava para contornar melhor esse ponto, hein dona Hilary!? Contudo, mesmo não sendo um Shakespeare dos tempos modernos, Duff ganha pontos positivos por ter desenvolvido uma história original que, sem sombra de dúvidas, merece a atenção de cada um de nós (um detalhe que, ao meu ver, já é mais do que suficiente para introduzi-la tão bem ao universo literário). Como um longa-metragem que é exibido ao virar de cada página, “Elixir” é uma obra que vale a pena ser conferida não apenas por ter sido escrita por um dos maiores nomes femininos da atual “Hollywood”, mas principalmente por trazer toda a magia que somente um bom livro pode ser capaz de transmitir.

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