Mais confiante e espontânea, Ariana Grande progride bastante no novo disco “Dangerous Woman”

Após escrevermos um pouquinho sobre as nossas primeiras impressões acerca do carro-chefe “Dangerous Woman” (relembre), finalmente chegou o momento de dar massivo destaque ao recém-lançado disco de inéditas da sensação do pop Ariana Grande. Antecedido por uma intensa nuvem de expectativas que pairou sobre a cabeça de todos que tenham aguardado ansiosamente pelo novo projeto da musicista, o terceiro álbum da carreira de Ari finalmente ganhou as prateleiras há pouco mais de uma semana e já se encontra disponível entre nós, meros ouvintes de música pop. Mas, entre milhares de dúvidas e questionamentos que jamais passariam despercebidos, a pergunta que não quer calar é: toda essa espera valeu a pena?

Que Ariana já se consolidou pelo mercado mainstream e passou a ser vista como uma das mais poderosas hitmakers da atualidade, isso não é novidade para ninguém. Sempre acompanhada de alguns dos produtores mais badalados do cenário musical, foi com a ajuda do experiente Max Martin e do novato Johan Carlsson que a cantora protagonizou o seu grande comeback há pouco mais de dois meses com o lead-single “Dangerous Woman”. Deixando a mesmice de “Focus” para trás e investindo em um conteúdo não menos que ousado, Grande não poupou coragem ao nos introduzir a um mundo onde a sexualidade feminina não precisa ser tratada como tabu (uma temática que permanece sendo vista com receio pelo público mais conservador). E, foi pelo seu bom senso de igualdade e pela ausência de papas na língua que a garota de apenas 22 anos deu início à recente era que tem vivido em seu mais recente (e muito bem recebido) disco de inéditas.

A cantora em ensaio fotográfico para o “Dangerous Woman”

Lançado no último dia 20 sob o selo da “Republic Records”, “Dangerous Woman” é atualmente impulsionado por “Into You”, o segundo single oficial disponibilizado após as promocionais “Be Alright” e “Let Me Love You”. Tendo suas gravações iniciadas em agosto de 2014 e finalizadas em janeiro de 2016, o trabalho foi tão bem preparado que chegou a receber a colaboração de ninguém menos que Savan Kotecha, Twice as Nice, Ross Golan e Ilya Salmanzadeh (personalidades que já cooperaram com Britney Spears, Rihanna, Maroon 5 e Hilary Duff). Assinando a composição de 12 das 18 faixas gravadas especialmente para o álbum (vale dizer que a versão standard apresenta apenas 11; a deluxe 15; a japonesa 16; a da Target 17 e a especial japonesa 18), Grande combina pop com R&B, house e dance no material que divide os créditos de produção executiva com Martin e Kotecha. Estreando em #1 no Reino Unido (o primeiro #1 da moça na “Terra da Rainha”) e em #2 nos EUA, com vendas que 175 mil cópias na primeira semana (apenas atrás de Drake, com “Views” – 189 mil), Ariana segura a surpreendente façanha de possuir apenas estreias positivas em seu tão curto catálogo musical (“Yours Truly” havia debutado com 138 mil e “My Everything” com 169 mil).

Detalhes técnicos à parte, por mais que a morena detenha uma das trajetórias musicais mais bem-sucedidas destes últimos três anos, há uma razão (para não dizer várias) para que a atenção voltada para o “Dangerous Woman” tenha adquirido proporções tão expressivas. Percebendo, talvez, que a falta de novidades trazida por “Focus” poderia, a longo prazo, desgastar sua imagem perante o público, Grande fez questão de caprichar em tudo que decidiu colocar na edição final do tão aguardado sucessor de “My Everything” – e confiança, definitivamente, é um de seus ingredientes especiais. Participando ativamente do processo de criação, produção e até mesmo composição (como dito acima, a cantora escreveu mais da metade de tudo que podemos ouvir neste novo disco), Ariana parece ter decidido seguir sua intuição em tempo integral no que se mostra a experiência mais coesa e autoral de sua promissora discografia (até o fechamento deste post, é claro).

Ao longo do álbum, Ariana divide seus vocais em featurings como Nicki Minaj, Lil Wayne, Macy Gray e Future

Se o compararmos aos dois trabalhos anteriores, de fato “Dangerous Woman” não chega a ser tão poético (como “Yours Truly”) ou comercial (como “My Everything”), e talvez esta tenha sido a principal intenção da cantora desde que rebaixou o antigo carro-chefe “Focus” para um mero buzz-single. Apostando em um caminho que até então apenas tomava como influência – mas não como norte –, este é, certamente, o passo mais bem pensado que Grande já deu em toda sua carreira como musicista (desde quando fez sua estreia com o single “The Way”, lá em 2013). Apostando muito em uma sonoridade urbana que, acertadamente, traz a intensidade da black music com o que de mais inédito tem sido feito na música eletrônica, Ariana permanece movendo os charts do mundo inteiro com um material inesperado que continua sabendo extrair o melhor de sua personalidade e de seu majestoso poderio vocal.

Mesmo que persista em soar muito mainstream para os atuais padrões do pop contemporâneo (o que de todo não é tão ruim, se feito com um mínimo de originalidade – que é o nosso caso), “Dangerous Woman” avança inúmeras casas ao deixar totalmente de lado as batidas genéricas de singles como “Break Free”, por exemplo, e apostar mais na EDM bem produzida de “Into You”. Aliás, se um dia a música conhecida popularmente como “farofa” foi uma das marcas registradas de Ariana, neste novo material houve a sua completa (e, diga-se de passagem, mais do que bem-vinda) abolição total. Por esse motivo, acaba sendo bem natural e compreensível que o ouvinte estranhe, logo de cara, as primeiras audições que fizer do prometido lançamento em questão (nós mesmos, do Caí da Mudança, precisamos ouvi-lo quatro vezes para entender o conceito por trás da obra). Muito mais espontânea e segura de si, a intérprete de “One Last Time” nunca soou tão autêntica como agora, e talvez este tenha sido o empurrãozinho que estava faltando para que seu público se expanda e chegue a um patamar ainda mais abrangente.

O clipe de “Into You”, dirigido por Hannah Lux Davis (a mesma de “Focus”). Não deixe de conferir, também, o vídeo gravado para a sombria “Let Me Love You”

Todavia, nem tudo são rosas e, se o som de “Dangerous Woman” é homogêneo em sua quase totalidade, Grande deixa a desejar ao incluir na tracklist o único deslize que pudemos encontrar após analisar todas as suas versões que têm sido comercializadas (desde a standard até a japonesa especial): a inédita “Moonlight”. Responsável por abrir o esperado lançamento, a baladinha peca por não apresentar nada de novo e fazer uma entediante releitura de tudo que já havíamos conhecido nos outros dois discos de 2013 e 2014 – só que, desta vez, de uma forma completamente esquecível, desnecessária e cansativa (até “Focus”, presente apenas na edição japonesa, soa menos avulsa que a faixa de abertura). Mas, é claro que até mesmo este tropeço tão comum e desculpável tem a sua explicação: por ter sido concebida em uma das primeiras sessões de gravação, quando Ari ainda se encontrava em turnê com a “The Honeymoon Tour” (aliás, diga-se de passagem, “Moonlight” seria o título do novo álbum quando “Focus” ainda se sustentava como lead-single), é bem provável que, àquela época, esta fosse a direção que a atual era estava seguindo.

Em sentindo bem oposto se encontram, por exemplo, “Let Me Love You”, “I Don’t Care” e “Thinking Bout You”, canções que não apenas quebram o ritmo mais agitado de 70% do “Dangerous Woman” como também vem para dar um gás extra aos hits dançantes que se encontram espalhados do começo ao fim. Recheado com algumas das melhores músicas que Ariana chegou a dar voz por todo seu catálogo discográfico (como as maravilhosas “Be Alright”, “Greedy”, “Bad Decisions” e “Touch It”), a terceira visita da moça até os estúdios de gravação vem para nos provar que não é o seu corpo que te faz sensual, mas sim a autoestima de se sentir confortável consigo mesmo, independente do número do seu guarda-roupa. Não importa se você veste o manequim X ou Y (ou, ainda, se segue as tendências do que é afirmado como atraente pela sonolenta ditadura da beleza) desde que tenha a atitude necessária para ser você mesmo e gostar do que enxerga no espelho.

É bem provável que, com o decorrer dos anos, este se mostre apenas mais um álbum gravado por uma grande vocalista desta nova geração de artistas; contudo, não podemos nos esquecer que, por ora, acerta ao desempenhar sua principal tarefa pela trajetória de Ariana: afastá-la da música genérica e reintroduzi-la para a maturidade. Não é de hoje que Grande passou a movimentar considerável parcela do público e a carregar consigo muitas das expectativas do que se tornará o pop internacional dos próximos anos (convenhamos que potencial para isso ela tem). Mas, considerando que este novo disco soa mais como um divisor de águas do que um mero trabalho apartado lançado apenas para ocupar espaço (e lucrar em cima dos fãs), Ari merece os nossos mais sinceros parabéns por ter tomado a louvável iniciativa de se deixar redirecionar para um caminho criativo onde apenas o céu é o limite.

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